Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!

sábado, janeiro 31, 2009

Serena atropela, conquista o título do Australian Open e volta ao topo do tênis

Americana fatura quarto título em Melbourne, seu décimo em Grand Slams
Em apenas 58 minutos, Serena Williams aplicou um pneu, dominou Dinara Safina e conquistou o título do Australian Open. O triunfo deste sábado, por 6/0 e 6/3, em uma partida que decepcionou o público de Melbourne, mostrou que Serena merece voltar à liderança do ranking mundial.

Paim faz movimento para disputar Presidência

Senador autorizou campanha entre grupos ligados ao PT
Incentivado pela simpatia de aposentados e integrantes de entidades de negros, o senador Paulo Paim (PT) deu impulso a um movimento nacional para tentar viabilizar a sua candidatura à sucessão presidencial em 2010. Conforme apoiadores, o petista comprou a ideia de uma campanha em favor de seu nome. Segundo interlocutores, Paim teria dito que está "à disposição" e que ser lembrado para suceder ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva "é uma honra":Desde o final de dezembro, ganhou força a estratégia. O objetivo é formar uma rede de simpatizantes em todos os Estados e na internet para que o nome de Paim seja escolhido sem necessidade de prévia no PT. Nesse caso, o senador gaúcho teria de enfrentar a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem afirmado que ela é sua preferida para a disputa e já prepara a campanha eleitoral. Dirigentes do PT, que resistiram em um primeiro momento, já aceitam pacificamente a ministra como candidata.– Paim quer que a gente faça sua campanha e se colocou à disposição. Combinamos com o senador que o movimento será de fora para dentro (do partido) para que isso seja um elemento definidor (da candidatura) – afirmou Gilberto da Silveira, responsável pela articulação política do Movimento de Consciência Negra Palmares.Na quarta-feira, militantes começaram a recolher 2,5 milhões de assinaturas para um manifesto favorável à candidatura de Paim. O documento será apresentado à cupula do PT. No Orkut, há pelo menos quatro comunidades, uma se dizendo oficial, lançando o nome do senador à Presidência. Há vídeos no site Youtube defendendo a viabilidade do petista. Apoiadores admitem que se inspiraram na campanha do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.Nos planos, constam também a criação de um site oficial e de um comitê que buscará apoios na próxima semana. Em evento em São Paulo, Paim foi lançado por aposentados em Santos.
Carros já circulam com adesivos de campanha
Pelas ruas da Capital, é possível visualizar adesivos em carros com os dizeres "Com Obama, a mudança. Com Paim, a esperança".– A posição do Paim é muito nítida. É um político e está disponível. Temos o consentimento dele para articular sem confrontos – relatou Ivan Braz, um dos coordenadores da entidade do movimento negro Angola Janga.A iniciativa também foi disseminada no Fórum Social Mundial. Integrantes de sindicatos, do movimento negro e de aposentados devem formalizar um documento a ser levado para Paim assinar, em Brasília. No texto, haverá um pedido para que o senador coloque o seu nome à disposição. A orientação é para não haver constrangimento porque o petista tem defendido a candidatura de Dilma em entrevistas.
ZH

Organizadores do 28º Congresso têm boas expectativas


A instância máxima do Andes-SN se reunirá, de 10 a 15 de fevereiro, em Pelotas, no 28º Congresso com o tema: Resistir e avançar na defesa do ANDES-SN, da universidade pública e dos direitos dos trabalhadores. No evento serão tratadas questões cruciais como as contra-reformas conduzidas pelo governo Lula na área do ensino superior, assim como na legislação sindical e trabalhista do país.
Para a professora, Elaine Neves da ADUFPel - Seção Sindical, entidade que, sedia o Congresso, tudo está sendo organizado para recepcionar os docentes das Instituições de Ensino de todo o País. “O evento será realizado no Colégio Municipal Pelotense. Escolhemos um espaço público por entendermos que investindo e divulgando a escola pública valorizamos a educação pública e gratuita. Algumas reformas foram realizadas no auditório, como pintura interna e externa, iluminação, sanitários e rampa de acesso para portadores de necessidades especiais. Além disso, vamos utilizar toda a estrutura da Escola, como xérox, cantina, entre outros. Para o congresso, climatizadores de ar também foram instalados. A organização se preocupou com os detalhes para tornar um local agradável e confortável para receber os congressistas que ficam 5 dias em Pelotas debatendo temas importantes para o movimento docente do país”, explica a professora.
Elaine Neves conta que a Festa de confraternização na abertura do 28º Congresso será realizada na Charqueada São João. “A festa é típica da região, tendo como local o cenário em que foi produzida a minisérie ‘A casa das Sete Mulheres’ para que os congressistas conheçam um pouco da história de Pelotas. A festa inicia às 22h, com música ao vivo, apresentando um repertório de música popular, e vai até às 3 hora da manhã”, conta.
Elaine afirma que a perspectiva quanto ao número de docentes é grande pela conjuntura que se apresenta e pelas importantes decisões que serão tomadas no evento. “Esperamos um número grande de docentes das universidades de todo país pelas questões importantes que serão discutidas, tais como: campanha salarial, carreira, imposto sindical, registro sindical, entre outros”, enfatiza. A professora completa informando que o Congresso do Andes-SN é a instância máxima do Sindicato e que nele é atualizado o Plano de lutas do movimento docente para 2009. “Sabemos da importância deste Congresso pelas políticas implementadas pelo governo na educação. Por isso, a perspectiva é grande com relação ao número de participantes, principalmente quando o governo fala em cortes de verbas para educação”, lembra.
O diretor da ADUFPel, Neri Mauch alerta para o número crescente de docentes pedindo aposentadoria. “Na UFPel é preocupante o número. Por outro lado, o governo aumenta o número de cursos nas universidades e prioriza a quantidade de estudantes sem valorizar a qualidade dos profissionais que enfrentarão o mercado de trabalho. Não investe em estrutura. A UFPel precisa de professores, salas de aula, biblioteca e muito mais. Até parece que a Universidade de Pelotas está bem. A política local de investimento na educação é bem clara. A exemplo disto, observamos a reforma no Anglo, espaço onde está sendo instalada a universidade, antes funcionava naquele local um frigorífico. Será que não seria mais econômico planejar e construir um espaço para universidade? Um projeto bem mais modesto, construir prédios seria mais barato do adaptar. Quanto a questão do desenvolvimento do município realizando restaurações, acredito que isto deveria ser prioridade dos governos estadual e municipal, não da universidade, conclui o professor.
Resistência
Caberá ao Congresso traçar as diretrizes de ações conjuntas com o movimento social organizado para resistirmos a esse conjunto de medidas que em sua essência fortalecem a privatização da educação superior no país, comprometem a autonomia universitária e têm uma perspectiva utilitarista e mercantil da produção de saber nas universidades e institutos de pesquisa públicos.
Denise VeigaADUFPEL-S.Sind

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Michael Löwy afirma que capitalismo conduz humanidade a uma catástrofe ecológica

O sociólogo e pesquisador brasileiro Michael Löwy, membro do Conselho Nacional de Pesquisa Científica da França, afirmou hoje (29) que o sistema capitalista está conduzindo a humanidade a uma catástrofe ecológica. "O capitalismo conduz inexoravelmente à destruição do meio ambiente e aos gases do efeito estufa. A lógica do sistema está na busca pela expansão e acumulação ilimitada dos lucros, sem cuidado e preocupações com o meio ambiente e com o futuro de recursos naturais que hoje nos servem de alimento, como o milho, por exemplo", afirmou Löwy que participa do Fórum Social Mundial, em Belém. Considerando sobretudo o aquecimento global e a crise financeira internacional, o sociólogo, que é um dos intelectuais brasileiros de maior prestígio internacional, avaliou, em entrevista à Agência Brasil, que a civilização atual caminha a passos largos rumo a uma outra crise – denominada por ele de "crise de civilização"."Estamos caminhando a uma velocidade muito grande para uma catástrofe ecológica e a raiz do problema é o próprio sistema capitalista. Partindo desse princípio, consideramos que não é só o planeta, que possivelmente vai continuar existindo, que está em perigo, mas sobretudo a civilização atual, que talvez não sobreviva caso se concretize essa catástrofe ecológica", acrescentou.Ainda na avaliação de Löwy, uma das alternativas para evitar essa possível catástrofe ambiental é o ecossocialismo."Precisamos de um sistema que alie as causas sociais com ecologia e esteja à altura dos desafios do século 21. Lutar por um sistema eficiente de transporte público é um exemplo disso. Fazendo um balanço crítico das experiências socialistas do século passado e dos movimentos ecológicos atuais, poderemos propor esse outro modelo de civilização, que é o ecossocialismo", resumiu.Para a professora do Núcleo de Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará (UFPA) e presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional, Edna Castro, apesar das considerações de Michael Löwy, o Fórum Social Mundial irá contribuir também para a discussão de soluções que possam mudar o rumo das previsões negativas com relação ao futuro ambiental."O sistema capitalista, inegavelmente predominante na economia mundial, conduz a uma situação catastrófica. No entanto, ainda há tempo para se repensar em um modelo de desenvolvimento que consiga nos permitir a boa convivência com o que resta do meio ambiente", declarou.
"Este é o momento de parar e pensar quais devem ser as políticas adequadas para a Amazônia, para a América Latina e para o mundo, de modo geral", concluiu a pesquisadora.

Serena Williams é atleta que mais faturou no esporte feminino

Tenista norte-americana acumula mais de US$ 22 milhões em prêmios

Ao avançar à final do Aberto da Austrália, a tenista norte-americana Serena Williams se tornou a atleta que mais recebeu dinheiro em premiações na história. Ela acumula US$ 22.725.475 em prêmios, superando a golfista sueca Annika Sorenstam, que liderava o ranking com US$ 22.573.475.
A terceira posição é da tenista americana Lindsay Davenport, com US$ 580.740 a menos que Serena. A norte-americana, que nesta quinta venceu a russa Elena Dementieva pelas semifinais, se disse "orgulhosa" pela conquista.
– Fiquei feliz com este recorde. Lembrei de quando recebi meu primeiro cheque, de US$ 240, em Quebec, no ano de 1995. Eu estava certa de que teria uma grande carreira, mas não imaginava que conquistaria tantas coisas – festejou a dona de nove títulos de Grand Slam.

Irmãs Williams são campeãs nas duplas no Aberto da Austrália

Norte-americanas derrotaram a eslovaca Daniela Hantuchova e japonesa Ai Sugiyama
As irmãs norte-americanas Venus e Serena Williams conquistaram o título do torneio de duplas do Aberto da Austrália pela terceira vez, ao derrotarem nesta sexta-feira a parceria formada pela eslovaca Daniela Hantuchova e a japonesa Ai Sugiyama. As irmãs venceram por 2 sets a 0, com parciais iguais de 6/3. As informações são do GloboEsporte.com.
A dupla norte-americana já havia sido campeã na chave de duplas na Austrália em 2001 e 2003, e conquista agora seu oitavo título de Grand Slam. Serena, ao vencer a russa Elena Dementieva na semifinal, também está na final da chave de simples e enfrentará outra russa, Dinara Safina.

terça-feira, janeiro 27, 2009

Fórum Social Mundial alertou o mundo sobre crise financeira, diz Oded Grajew

As oito edições do Fórum Social Mundial (FSM) “avisaram” o mundo sobre o colapso do modelo econômico que gerou a crise financeira internacional que os mercados vivem atualmente. A avaliação é de Oded Grajew , um dos idealizadores do FSM. Hoje (27), ele participou de entrevista coletiva em Belém. Até domingo (1°), a capital paraense será a sede da megareunião.
Grajew rebateu as críticas de que o FSM é uma instância de reclamação, que não propõe soluções. Segundo ele, as alternativas foram apontadas ao longo dos anos, mas não tiveram repercussão entre os responsáveis pelas políticas públicas e pelos investimentos mundiais.
“Diziam que os recursos eram limitados. Agora na crise, de repente, apareceram trilhões de dólares para socorrer montadoras, bancos e empresas falidas e que poderiam ter sido usados para combater a pobreza, melhorar saúde, a educação”, argumentou.
Na avaliação de Grajew, o dinheiro repassado atá agora a empresas e instituições financeiras para amortecer os impactos da crise seria “mais que suficientes” para combater a fome, a pobreza e melhorar o acesso à saúde e à educação no planeta.
O ativista atribuiu parte da falta de visibilidade para as propostas do Fórum à cobertura da imprensa, que, segundo ele, tenta “folclorizar” a reunião.
A representante do Fórum Social Europeu, a italiana Rafaela Bolini, lembrou que nas primeiras edições do megaevento os movimentos sociais e organizações da sociedade civil que “denunciavam a globalização neoliberal e o mercado capitalista” sofreram criminalização e até repressão política.
“E a denúncia era verdade. A denúncia dos perigos para a humanidade, para o planeta e para a natureza era verdadeira. E estamos aqui porque essa realidade precisa ganhar visibilidade”, enfatizou Rafaela.
Um dos desafios do FSM, segundo Rafaela, é evitar a fragmentação e construir propostas e alternativas à crise. “A solução para esta crise não será real se vier dos mesmos que a criaram”, avaliou.
“A construção de um novo mundo vai estar em nossa mãos, cabe a nós construí-lo. Temos um desafio monumental pela frente. Nosso desafio é repensar o desenvolvimento, mas com direito à esperança, à ousadia, à utopia”, acrescentou o sociólogo Cândido Grzybovski, do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e também membro do Conselho Internacional do Fórum.
Uma caminhada pelas ruas de Belém hoje à tarde vai abrir oficialmente o FSM. A organização do megaevento espera reunir mais de cem mil pessoas. Até o dia 1°, mais de 2,4 mil atividade estão programadas.
AGENCIA BRASIL

Caminhada abre Fórum Social Mundial em Belém

Uma caminhada pelas ruas de Belém vai abrir o Fórum Social Mundial (FSM), que começa hoje (27) e vai até domingo (1°) na capital paraense. Na abertura, uma cerimônia com atabaques africanos e cantos indígenas simbolizará a passagem entre a última edição centralizada do FSM em 2007, em Nairóbi (Quênia), e a atual, na Amazônia. A organização espera reunir 100 mil pessoas na caminhada. O percurso, de cerca de quatro quilômetros, parte do cais do porto, na Baía do Guajará, e inclui algumas das avenidas mais importantes e movimentadas de Belém até a Praça do Operário. Parte das vias de acesso já está interditada e um palco foi montado no local. Durante o trajeto, movimentos sociais e organizações da sociedade civil deverão fazer protestos e manifestações, como a apresentação de uma bandeira palestina de mais de três metros em defesa dos civis da Faixa de Gaza, em conflito com Israel. Partidos políticos, movimento sociais, entidades sindicalistas e estudantis e organizações ambientalistas também deverão levar suas bandeiras para a marcha.
Deve chover na capital paraense. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê tempo nublado a encoberto, com pancadas de chuva, mas a temperatura deve atingir 30 graus à tarde. A romaria dos movimentos sociais vai terminar em festa. De acordo com a organização, o palco vai receber apresentações culturais de diversas etnias indígenas do continente sul-americano. O policiamento vai ser reforçado por homens da Força Nacional de Segurança, que estão em Belém há mais de uma semana.
Até domingo, a organização do FSM espera reunir até 120 mil pessoas de 150 países. Estão previstas mais de 2,4 mil atividades nas universidades Federal do Pará (UFPA) e Federal Rural da Amazônia (Ufra), onde o fórum será realizado.
AGENCIA BRASIL

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Doze regras de redação da grande mídia internacional quando a noticia é do Oriente

Doze regras de redação da grande mídia internacional quando a noticia é do Oriente a cobertura parcial da imprensa possui doze preceitos, Vale a pena conferir.

1) No Oriente Médio são sempre os árabes que atacam primeiro e sempre Israel que se defende. Esta defesa chama-se represália.

2) Os árabes, palestinos ou libaneses não tem o direito de matar civis. Isso se chama "terrorismo".

3) Israel tem o direito de matar civis. Isso se chama "legitima defesa".

4) Quando Israel mata civis em massa, as potencias ocidentais pedem que seja mais comedida. Isso se chama "Reação da Comunidade Internacional".

5) Os palestinos e os libaneses não tem o direito de capturar soldados de Israel dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isto se chama "Sequestro de pessoas indefesas."

6) Israel tem o direito de seqüestrar a qualquer hora e em qualquer lugar quantos palestinos e libaneses desejar. Atualmente são mais de 10 mil, 300 dos quais são crianças e mil são mulheres. Não é necessária qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter seqüestrados presos indefinidamente, mesmo que sejam autoridades eleitas democraticamente pelos palestinos. Isto se chama "Prisão de terroristas".

7) Quando se menciona a palavra "Hezbollah", é obrigatória a mesma frase conter a expressão "apoiado e financiado pela Síria e pelo Irã".

8) Quando se menciona "Israel", é proibida qualquer menção à expressão "apoiada e financiada pelos EUA". Isto pode dar a impressão de que o conflito é desigual e que Israel não está em perigo de existência.

9) Quando se referir a Israel, são proibidas as expressões "Territórios ocupados", "Resoluções da ONU", "Violações dos Direitos Humanos" ou "Convenção de Genebra".

10) Tanto os palestinos quanto os libaneses são sempre "covardes", que se escondem entre a população civil, que "não os quer". Se eles dormem em suas casas, com suas famílias, a isso se dá o nome de "Covardia". Israel tem o direito de aniquilar com bombas e mísseis os bairros onde eles estão dormindo. Isso se chama "Ação Cirúrgica de Alta Precisão".

11) Os israelenses falam melhor o inglês, o francês, o espanhol e o português que os árabes. Por isso eles e os que os apóiam devem ser mais entrevistados e ter mais oportunidades do que os árabes para explicar as presentes Regras de Redação (de 1 a 10) ao grande público. Isso se chama "Neutralidade jornalística" ou "Imparcialidade jornalística".

12) Todas as pessoas que não estão de acordo com as Regras de Redação acima expostas são "Terroristas anti-semitas de Alta Periculosidade".

Governo recebe Conlutas

A Coordenação Nacional de Lutas – Conlutas – apresenta ao Presidente Lula propostas concretas para impedir as demissões e a ofensiva contra o salário e direitos dos trabalhadores
A Coordenação Nacional de Lutas – Conlutas – apresenta ao Presidente Lula propostas concretas para impedir as demissões e a ofensiva contra o salário e direitos dos trabalhadores.
O governo marcou para esta terça-feira reunião com a delegação da Conlutas que está em Brasília, composta pelos sindicatos dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Metabase de Itabira e da Federação Democrática dos Metalúrgicos de Minas Gerais para tratar da crise econômica e suas conseqüências para os trabalhadores e em particular das demissões na General Motors do Brasil e na Mineradora Vale.
O governo decidiu não receber a Conlutas na audiência prevista para este dia 19. Aparentemente preferiu fazer uma reunião com as Centrais com mais proximidade política do governo. Registramos o nosso desacordo com este tipo de procedimento, pois é discriminatório e não condiz com o que deve ser o comportamento de uma autoridade pública.
Mas, apesar deste nosso desacordo, vamos realizar essa reunião amanhã, terça feira, às 9 hs no gabinete do Ministério do Trabalho com o Ministro Carlos Lupi, e o Ministro Luis Dulci, da Secretaria Geral da Presidência da República, pois é nosso dever apresentar e debater com o governo propostas e medidas aprovadas por setores importantes da classe trabalhadora que estão em luta contra as demissões e que efetivamente são as que podem impedir que essa crise recaia sobre os trabalhadores.
Estamos diante de uma grave crise, que atinge todo o mundo e também fortemente o Brasil. Mas não podemos aceitar que as empresas demitam ou reduzam salários e direitos.
Estas empresas ganharam muito dinheiro no momento anterior. É o exemplo da Vale ou da General Motors. A Vale, desde a privatização multiplicou seu patrimônio por 40: hoje está perto dos 130 bilhões de reais. Lucrou em 11 anos cerca de 80 bilhões. Apenas em 2008 seu lucro ultrapassou 20 bilhões. Só estes 20 bilhões daria para a empresa pagar o salário de seus empregados por 8 anos! Que razão ela tem para demitir ou reduzir salários e direitos? Que direito ela tem de causar prejuízos às cidades mineradoras?
O mesmo ocorre com a General Motors, parte de um dos setores que mais lucraram no país nos últimos anos. A GM ampliou em 20 % sua presença no mercado brasileiro, bateu recordes de produção e vendas. Esta é a situação da maioria das empresas. E muitas delas receberam ajuda bilionária via subsídio, redução de impostos ou crédito facilitado.
É preciso que o Presidente da República tome medidas concretas para impedir as demissões.
Abaixo relacionamos propostas neste sentido:
1 – Que o governo edite, de imediato, uma Medida Provisória garantindo estabilidade no emprego, proibindo as demissões sem justa causa, por um período de 2 anos;

2 – Que seja tomada, de imediato, medida para reduzir a jornada de trabalho para 36 hs semanais, sem redução de salários e de direitos;

3 – Que o governo interceda junto à Vale, utilizando os instrumentos previstos no contrato de privatização, para impedir as demissões. Caso a Vale insista em fazer as demissões que ameaça, que o governo retome o controle acionário da companhia, reestatizando-a;

4 – Medida igual a essa (tomar o controle acionário, estatizando a empresa) deve ser adotada pelo governo em relação a todas as empresas que demitirem em massa;

5 – Que seja estendido o pagamento do seguro desemprego para dois anos;

6 – Que sejam honrados todos os acordos feitos pelo governo federal com o funcionalismo público, e que sejam mantidos os planos de investimentos nas políticas públicas que atendem as necessidades da população;

7 – Por último, acreditamos tratar-se de um erro grave socorrer bancos e grandes empresas com recursos públicos. Estes recursos deveriam ser investidos em políticas públicas para atender as necessidades da população.

Acreditamos que são medidas necessárias, urgentes, frente ao quadro de angústia em que estão os trabalhadores do nosso país, neste momento. E que são medidas que estão ao alcance dos instrumentos de governo de que dispõe a presidência da república.

Discurso de posse do presidente dos EUA, Barack Obama.


Meus caros concidadãos


Estou aqui hoje humildemente diante da tarefa que temos pela frente, grato pela confiança que vocês depositaram em mim, ciente dos sacrifícios suportados por nossos ancestrais. Agradeço ao presidente Bush pelos serviços que prestou à nação, assim como pela generosidade e a cooperação que ele demonstrou durante esta transição.

Quarenta e quatro americanos já fizeram o juramento presidencial. As palavras foram pronunciadas durante marés ascendentes de prosperidade e nas águas plácidas da paz. Mas de vez em quando o juramento é feito entre nuvens carregadas e tempestades violentas. Nesses momentos, a América seguiu em frente não apenas por causa da visão ou da habilidade dos que ocupavam os altos cargos, mas porque nós, o povo, permanecemos fiéis aos ideais de nossos antepassados e leais aos nossos documentos fundamentais. 

Assim foi. Assim deve ser para esta geração de americanos. Que estamos em meio a uma crise hoje é bem sabido. Nossa nação está em guerra, contra uma ampla rede de violência e ódio. Nossa economia está gravemente enfraquecida, uma consequência da cobiça e da irresponsabilidade de alguns, mas também de nosso fracasso coletivo em fazer escolhas difíceis e preparar o país para uma nova era. 

Lares foram perdidos; empregos, cortados; empresas, fechadas. Nosso sistema de saúde é caro demais; nossas escolas falham para muitos; e cada dia traz novas evidências de que os modos como usamos a energia reforçam nossos adversários e ameaçam nosso planeta.Esses são indicadores de crise, sujeitos a dados e estatísticas. Menos mensurável, mas não menos profundo, é o desgaste da confiança em todo o nosso país -- um temor persistente de que o declínio da América é inevitável, e que a próxima geração deve reduzir suas perspectivas.


Hoje eu lhes digo que os desafios que enfrentamos são reais. São sérios e são muitos. Eles não serão resolvidos facilmente ou em um curto período de tempo. Mas saiba disto, América -- eles serão resolvidos.Neste dia, estamos reunidos porque escolhemos a esperança acima do medo, a unidade de objetivos acima do conflito e da discórdia.Neste dia, viemos proclamar o fim dos sentimentos mesquinhos e das falsas promessas, das recriminações e dos dogmas desgastados que por tanto tempo estrangularam nossa política. Ainda somos uma nação jovem, mas, nas palavras da escritura, chegou o tempo de pôr de lado as coisas infantis. 

Chegou o tempo de reafirmar nosso espírito resistente; de escolher nossa melhor história; de levar adiante esse dom precioso, essa nobre ideia, transmitida de geração em geração: a promessa dada por Deus de que todos são iguais, todos são livres e todos merecem a oportunidade de perseguir sua plena medida de felicidade.Ao reafirmar a grandeza de nossa nação, compreendemos que a grandeza nunca é um fato consumado. Deve ser merecida.

Nossa jornada nunca foi de tomar atalhos ou de nos conformar com menos. Não foi um caminho para os fracos de espírito -- para os que preferem o lazer ao trabalho, ou buscam apenas os prazeres da riqueza e da fama. Foram, sobretudo, os que assumem riscos, os que fazem coisas -- alguns célebres, mas com maior frequência homens e mulheres obscuros em seu labor, que nos levaram pelo longo e acidentado caminho rumo à prosperidade e à liberdade. Por nós, eles empacotaram seus poucos bens terrenos e viajaram através de oceanos em busca de uma nova vida.Por nós, eles suaram nas oficinas e colonizaram o Oeste; suportaram chicotadas cortantes e lavraram a terra dura.Por nós, eles lutaram e morreram, em lugares como Concord e Gettysburg, na Normandia e em Khe Sahn

Incansavelmente, esses homens e mulheres lutaram, se sacrificaram e trabalharam até ralar as mãos para que pudéssemos ter uma vida melhor. Eles viam a América como algo maior que a soma de nossas ambições individuais; maior que todas as diferenças de nascimento, riqueza ou facção.Esta é a jornada que continuamos hoje. 

Ainda somos a nação mais próspera e poderosa da Terra. Nossos trabalhadores não são menos produtivos do que quando esta crise começou. Nossas mentes não são menos criativas, nossos produtos e serviços não menos necessários do que foram na semana passada, no mês passado ou no ano passado. Nossa capacidade continua grande. Mas nosso tempo de repudiar mudanças, de proteger interesses limitados e de protelar decisões desagradáveis -- esse tempo certamente já passou.

A partir de hoje, devemos nos reerguer, sacudir a poeira e começar novamente o trabalho de refazer a América.Para todo lugar aonde olharmos há trabalho a ser feito. A situação da economia pede ação ousada e rápida, e vamos agir -- não apenas para criar novos empregos, mas depositar novas bases para o crescimento. Vamos construir estradas e pontes, as redes elétricas e linhas digitais que alimentam nosso comércio e nos unem. Vamos restabelecer a ciência a seu devido lugar e utilizar as maravilhas da tecnologia para melhorar a qualidade dos serviços de saúde e reduzir seus custos. Vamos domar o sol, os ventos e o solo para movimentar nossos carros e fábricas. E vamos transformar nossas escolas, colégios e universidades para suprir as demandas de uma nova era. Tudo isso nós podemos fazer. E tudo isso faremos.

Agora, há alguns que questionam a escala de nossas ambições -- que sugerem que nosso sistema não pode tolerar um excesso de grandes planos. Suas memórias são curtas. Pois eles esqueceram o que este país já fez; o que homens e mulheres livres podem conseguir quando a imaginação se une ao objetivo comum, e a necessidade à coragem.O que os cínicos não entendem é que o chão se moveu sob eles -- que as discussões políticas mofadas que nos consumiram por tanto tempo não servem mais. 


A pergunta que fazemos hoje não é se nosso governo é grande demais ou pequeno demais, mas se ele funciona -- se ele ajuda as famílias a encontrar empregos com salários decentes, tratamentos que possam pagar, uma aposentadoria digna. Quando a resposta for sim, pretendemos seguir adiante. Quando a resposta for não, os programas terminarão. E aqueles de nós que administram os dólares públicos terão de prestar contas -- gastar sabiamente, reformar os maus hábitos e fazer nossos negócios à luz do dia -- porque somente então poderemos restaurar a confiança vital entre uma população e seu governo. Tampouco enfrentamos a questão de se o mercado é uma força do bem ou do mal. Seu poder de gerar riqueza e expandir a liberdade é inigualável, mas esta crise nos lembrou de que sem um olhar vigilante o mercado pode sair do controle -- e que uma nação não pode prosperar por muito tempo quando favorece apenas os prósperos. O sucesso de nossa economia sempre dependeu não apenas do tamanho de nosso Produto Interno Bruto, mas do alcance de nossa prosperidade; de nossa capacidade de estender oportunidades a todos os corações dispostos -- não por caridade, mas porque é o caminho mais certeiro para o nosso bem comum. 

Quanto a nossa defesa comum, rejeitamos como falsa a opção entre nossa segurança e nossos ideais. Nossos pais fundadores, diante de perigos que mal podemos imaginar, redigiram uma carta para garantir o regime da lei e os direitos do homem, uma carta expandida pelo sangue de gerações. Aqueles ideais ainda iluminam o mundo, e não vamos abandoná-los em nome da conveniência. E assim, para todos os outros povos e governos que nos observam hoje, das maiores capitais à pequena aldeia onde meu pai nasceu: saibam que a América é amiga de toda nação e de todo homem, mulher e criança que busque um futuro de paz e dignidade, e que estamos prontos para liderar novamente.

Lembrem que as gerações passadas enfrentaram o fascismo e o comunismo não apenas com mísseis e tanques, mas com sólidas alianças e convicções duradouras. Elas compreenderam que somente nossa força não é capaz de nos proteger, nem nos dá o direito de fazer o que quisermos. Pelo contrário, elas sabiam que nosso poder aumenta através de seu uso prudente; nossa segurança emana da justeza de nossa causa, da força de nosso exemplo, das qualidades moderadoras da humildade e da contenção.Somos os mantenedores desse legado. 

Conduzidos por esses princípios mais uma vez, podemos enfrentar essas novas ameaças que exigem um esforço ainda maior -- maior cooperação e compreensão entre as nações. Vamos começar de maneira responsável a deixar o Iraque para sua população, e forjar uma paz duramente conquistada no Afeganistão. 

Com antigos amigos e ex-inimigos, trabalharemos incansavelmente para reduzir a ameaça nuclear e reverter o espectro do aquecimento do planeta.

Não pediremos desculpas por nosso modo de vida, nem vacilaremos em sua defesa, e aos que buscam impor seus objetivos provocando o terror e assassinando inocentes dizemos hoje que nosso espírito está mais forte e não pode ser dobrado; vocês não podem nos superar, e nós os derrotaremos.Pois sabemos que nossa herança de colcha de retalhos é uma força, e não uma fraqueza. 

Somos uma nação de cristãos e muçulmanos, judeus e hindus -- e de descrentes. Somos formados por todas as línguas e culturas, saídos de todos os cantos desta Terra; e como provamos o sabor amargo da guerra civil e da segregação, e emergimos daquele capítulo escuro mais fortes e mais unidos, só podemos acreditar que os antigos ódios um dia passarão; que as linhas divisórias logo se dissolverão; que, conforme o mundo se tornar menor, nossa humanidade comum se revelará; e que a América deve exercer seu papel trazendo uma nova era de paz. Ao mundo muçulmano, buscamos um novo caminho à frente, baseado no interesse mútuo e no respeito mútuo. 

Para os líderes de todo o mundo que buscam semear conflito, ou culpam o Ocidente pelos males de sua sociedade -- saibam que seu povo os julgará pelo que vocês podem construir, e não pelo que vocês destroem. Para os que se agarram ao poder através da corrupção e da fraude e do silenciamento dos dissidentes, saibam que vocês estão no lado errado da história; mas que lhes estenderemos a mão se quiserem abrir seu punho cerrado. 

Aos povos das nações pobres, prometemos trabalhar ao seu lado para fazer suas fazendas florescer e deixar fluir águas limpas; alimentar corpos famintos e nutrir mentes famintas. E para as nações como a nossa, que gozam de relativa abundância, dizemos que não podemos mais suportar a indiferença pelos que sofrem fora de nossas fronteiras; nem podemos consumir os recursos do mundo sem pensar nas consequências. Pois o mundo mudou, e devemos mudar com ele.

Ao considerar o caminho que se desdobra a nossa frente, lembramos com humilde gratidão daqueles bravos americanos que, nesta mesma hora, patrulham desertos longínquos e montanhas distantes. Eles têm algo a nos dizer hoje, assim como os heróis caídos que repousam em Arlington sussurram através dos tempos. Nós os honramos não só porque são os guardiões de nossa liberdade, mas porque eles personificam o espírito de servir; a disposição para encontrar significado em algo maior que eles mesmos. 

No entanto, neste momento -- um momento que definirá uma geração -- é exatamente esse espírito que deve habitar em todos nós.Pois por mais que o governo possa fazer e deva fazer, afinal é com a fé e a determinação do povo americano que a nação conta. É a bondade de hospedar um estranho quando os diques se rompem, o altruísmo de trabalhadores que preferem reduzir seus horários a ver um amigo perder o emprego, que nos fazem atravessar as horas mais sombrias. 

É a coragem do bombeiro para subir uma escada cheia de fumaça, mas também a disposição de um pai a alimentar seu filho, o que finalmente decide nosso destino. Nossos desafios podem ser novos. 

Os instrumentos com que os enfrentamos podem ser novos. Mas os valores de que depende nosso sucesso -- trabalho duro e honestidade, coragem e justiça, tolerância e curiosidade, lealdade e patriotismo -- essas são coisas antigas. São coisas verdadeiras. Elas têm sido a força silenciosa do progresso durante toda a nossa história. O que é exigido de nós hoje é uma nova era de responsabilidade -- um reconhecimento, por parte de todos os americanos, de que temos deveres para nós mesmos, nossa nação e o mundo, deveres que não aceitamos resmungando, mas sim agarramos alegremente, firmes no conhecimento de que não há nada tão satisfatório para o espírito, tão definidor de nosso caráter, do que dar tudo o que podemos em uma tarefa difícil.

Esse é o preço e a promessa da cidadania.

Essa é a fonte de nossa confiança -- o conhecimento de que Deus nos chama para moldar um destino incerto.

Esse é o significado de nossa liberdade e nosso credo -- a razão por que homens e mulheres e crianças de todas as raças e todas as fés podem se unir em comemoração neste magnífico espaço, e por que um homem cujo pai, menos de 60 anos atrás, talvez não fosse atendido em um restaurante local hoje pode se colocar diante de vocês para fazer o juramento mais sagrado.

Por isso vamos marcar este dia com lembranças, de quem somos e do longo caminho que percorremos. No ano do nascimento da América, no mês mais frio, um pequeno bando de patriotas se amontoava junto a débeis fogueiras nas margens de um rio gelado. A capital fora abandonada. 

O inimigo avançava. A neve estava manchada de sangue. No momento em que o resultado de nossa revolução era mais duvidoso, o pai de nossa nação ordenou que estas palavras fossem lidas para o povo:

"Que seja dito ao mundo futuro ... que na profundidade do inverno, quando nada exceto esperança e virtude poderiam sobreviver ... que a cidade e o país, alarmados diante de um perigo comum, avançaram para enfrentá-lo". 


A América, diante de nossos perigos comuns, neste inverno de nossa dificuldade, vamos nos lembrar dessas palavras atemporais. Com esperança e virtude, vamos enfrentar mais uma vez as correntes geladas, e suportar o que vier. Que seja dito pelos filhos de nossos filhos que quando fomos testados nos recusamos a deixar esta jornada terminar, não viramos as costas nem vacilamos; e com os olhos fixos no horizonte e com a graça de Deus sobre nós, levamos adiante o grande dom da liberdade e o entregamos em segurança às futuras gerações.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

terça-feira, janeiro 20, 2009

VOZ DO PODER...

Para além de todo proselitismo que cercou a eleição do primeiro presidente negro dos Estados Unidos, constata-se, de fato, um enorme avanço na percepção da sociedade americana em relação ao combate ao racismo. Para um país que até recentemente praticava a discriminação racial de forma legal, eleger Barack Obama Presidente da República constituiu-se numa significativa revolução política e social. Mas é preciso olhar esse fato histórico de maneira um pouco mais acurada. Por um lado, o forte simbolismo que representa essa eleição. Maior potência do mundo, os Estados Unidos, além da força militar e econômica, são também influente no campo das idéias. Por isso, essa eleição representa recolocar na agenda política internacional, não apenas o sonho da igualdade racial, mas também o sonho e a esperança a serviço de um mundo multilateral, em que a autonomia e as diferenças entre os povos sejam respeitadas, onde o diálogo e o convencimento sejam as principais ferramentas de negociação entre as nações e não os mísseis, as invasões, as torturas e as guerras. Um mundo em que a Convenção da Proteção da Diversidade e das Expressões Culturais, aprovada pela Unesco, seja um instrumento real do reconhecimento das múltiplas formas de manifestações culturais, de tradições e de saberes dos povos, sem que tenham obrigatoriamente transformar-se em produtos ou mercadorias, como advogou os representantes norte-americanos quando da sua aprovação. Por outro lado, faz-se necessário destacar que este fato histórico representa o apogeu de uma luta que se iniciou há muito. País com tradição racial segregacionista recheada de intolerâncias e tragédias, os Estados Unidos foram palco de inúmeras lutas e experiências que influenciaram boa parte do mundo no trato da questão racial. Desde a coragem de Rosa Parks, aquela costureira negra, que, no dia 1º de dezembro de 1955, se recusou a ceder o seu lugar no ônibus a um branco, até a eleição de Barack Obama presidente, muita água rolou por baixo desta ponte. Ora de maneira trágica com os linchamentos, assassinatos e agressões perpetradas pela Ku Klux Kan e seus seguidores, ora com a reação de líderes como Martin Luther King e Malcom X e organizações como os Panteras Negras que mobilizaram milhões de pessoas nos Estados Unidos e no mundo contra esta iniqüidade que é o racismo. No meio de todos esses episódios tivemos casos hilariantes, como a decisão da Suprema Corte norte-americana que julgou pela inconstitucionalidade, de uma lei aprovada pelo Congresso Nacional norte-americano que considerava livres os escravos que fossem desbravar o oeste daquele país, alegando que o Congresso não tinha poderes para banir a escravidão, mesmo em território federal, e que os negros não poderiam ser considerados cidadãos, pois não faziam parte do povo americano.
Esse breve apanhado histórico serve para balizar a discussão decorrente da eleição do primeiro presidente negro da maior potência do mundo e suas conseqüências mais diretas para o Brasil. Serve também para entendermos melhor e cobrarmos mais ainda da elite brasileira, as razões pelas quais a enorme euforia demonstrada com a eleição de Obama, não se manifesta minimamente no apoio à luta dos afro-brasileiros por um tratamento igualitário em nossa sociedade. O Brasil precisa saber que a eleição de Barack Obama não foi fruto de nenhum milagre, nem muito menos da decisão dos homens de bem que comandam os Estados Unidos, mas sim de um poderoso movimento que ao longo de cinqüenta anos conseguiu sustentar a implementação de ações afirmativas que viabilizaram o acesso de milhões de afro-americanos ao ensino superior, assim como a ocupação de vários postos importantes de direção daquele país, tanto no setor público como no setor privado, a exemplo de Jesse Jackson, Colin Power, Condolezza Rice e tantos outros, independente de suas posições político-ideológicas.
Infelizmente a superação plena das desigualdades raciais no Brasil, país líder da América Latina, ainda é um sonho a ser conquistado e uma das razões do adiamento deste sonho é a resistência recalcitrante de parte da nossa elite econômica, política e intelectual sobre a necessidade do Brasil adotar medidas efetivas de promoção da igualdade no campo racial. Mesmo com metade da população sendo afro-descendente, eleger um presidente negro no Brasil parece um sonho ainda muito distante. Pesquisa recente do jornal Folha de S. Paulo revela isso. Embora apenas 3% dos entrevistados tenham declarado abertamente seu preconceito, para 91%, os brancos têm preconceito de cor em relação ao negro. Apenas por esse dado constata-se o quanto de trabalho temos pela frente para vencer o racismo inercial existente no Brasil. Nem mesmo Deus sendo brasileiro, como muitos afirmam, conseguimos apagar as conseqüências dos 400 anos de escravidão que vivemos. Por isto mesmo, investir nas políticas de ações afirmativas para a promoção da igualdade em nosso país, não é uma opção, é uma obrigação. Mais ainda, não pode resumir-se exclusivamente em cotas para negros na universidade, embora a educação seja um fator fundamental para alterarmos nossa realidade excludente. E, para quem, ainda insiste em considerar privilégio essas ações, vale citar aqui a declaração lapidar do ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa de que as ações afirmativas é "favorável àqueles que historicamente foram marginalizados, de sorte a colocá-los em um nível de competição similar ao daqueles que historicamente se beneficiaram da sua exclusão". Simples, como água.
Esperamos, pois, que a eleição de Barack Obama possa massagear os pontos sensíveis da sociedade brasileira e nos ajudar a revelar um outro Brasil. Um Brasil ungido pelo sentimento de fraternidade e igualdade a fim de produzir uma outra página na nossa história, com liberdade e democracia, e apagar de vez essa estrutura excludente e discriminatória com base na cor da pele, como querem alguns. Quem sabe assim, em breve, produziremos o nosso Obama?
Zulu AraújoPresidente da Fundação Cultural Palmares / Ministério da Cultura

Barack Obama toma posse como 44º presidente dos Estados Unidos

A biografia do primeiro presidente negro dos Estados Unidos.



* Idade: 47 anos
* Data de nascimento: 4 de agosto de 1961
* Local de nascimento: Honolulu, Havaí
* Educação: Universidade Columbia; Escola de Direito da Universidade Harvard
* Esposa: Michelle Robinson Obama
* Filhas: Malia, 10 anos, e Sasha, 7
* Filiação religiosa: Igreja Unida de Cristo
* Partido: Democrata

Família

Barack Obama nasceu de pai queniano e mãe norte-americana branca. Seu pai, Barack Obama, casou-se com sua mãe, Ann Dunham, enquanto eles estudavam na Universidade do Havaí. O casal se separou dois anos após o nascimento de Obama. Seu pai acabou retornando ao Quênia, onde se tornou economista destacado. Ele morreu num acidente automobilístico em 1982.
A mãe de Obama se casou em segundas núpcias com um indonésio chamado Lolo Soetoro. A família se mudou para a Indonésia, e Obama viveu ali até os 10 anos de idade, quando retornou ao Havaí e viveu com seus avós enquanto cursava a escola de elite Academia Punahou com bolsa de estudos.Obama tem sete meios-irmãos e irmãs no Quênia, frutos dos outros casamentos de seu pai, e uma meia-irmã, Maya Soetoro-Ng, filha do segundo casamento de sua mãe.
Carreira
Depois de concluir a faculdade, em 1983, Obama trabalhou para uma consultoria financeira de Nova York e para uma organização de consumidores. Em 1985 obteve um emprego em Chicago como organizador para o Projeto Desenvolvendo Comunidades, um grupo patrocinado por igrejas que trabalhava para melhorar as condições de vida de moradores de bairros pobres.Três anos mais tarde Obama deixou esse emprego para cursar a Escola de Direito Harvard, onde se tornou o primeiro negro a ser presidente da revista da faculdade. Ele trabalhou nas férias de verão como associado da firma de advocacia Sidley Austin, em Chicago, onde conheceu sua futura mulher. Depois de diplomar-se em Harvard em 1991, ele exerceu direito cível numa firma pequena em Chicago e, em 1993, tornou-se professor de direito constitucional na Universidade de Chicago.
Cargos eletivos
Obama conquistou uma cadeira no Senado estadual do Illinois em 1996. Durante o período em que trabalhou no Legislativo, ele trabalhou sobre legislação de bem-estar social e ética, além de uma medida que tornava obrigatória a gravação eletrônica de interrogatórios policiais e confissões em investigações de homicídio.Em 2004 Obama conquistou uma vaga altamente disputada no Senado norte-americano, recebendo 53 por cento dos votos das primárias democratas, sendo que a disputa envolvia oito candidatos. Ele venceu a eleição geral com facilidade também. No Senado ele compilou um histórico de votação que o situava à esquerda, mas foi um dos poucos democratas a apoiar uma medida sobre ações judiciais coletivas. Ele se opôs à nomeação do juiz superior John Roberts e do juiz Samuel Alito à Suprema Corte norte-americana.No início deste ano, baseado em seu histórico de votações em 2007, o National Journal, não partidário, o classificou como o senador norte-americano mais de esquerda. Ele foi considerado o décimo mais de esquerda em 2006 e o 16 em 2005.

Campanha presidencial

Obama anunciou sua candidatura à presidência em 10 de fevereiro de 2007. Embora inicialmente a senadora por Nova York Hillary Clinton fosse vista como a favorita para a indicação presidencial pelo Partido Democrata, Obama rapidamente demonstrou a capacidade de levantar grandes volumes de fundos e atrair multidões recordes, que ficavam fascinadas por sua habilidade oratória, sua oposição à guerra do Iraque e sua promessa de passar por cima da política divisora que marcou os últimos 40 anos de história dos EUA.Obama venceu a primeira disputa da primária democrata no Iowa em janeiro de 2008, mas sua indicação como candidato do Partido Democrata só foi garantida quando os últimos Estados votaram, em junho. Durante sua batalha prolongada contra Hillary Clinton, Obama foi obrigado a explicar comentários em tom desairoso que fizera sobre eleitores rurais e distanciar-se das declarações incendiárias feitas pelo pastor da igreja que frequentara no passado. Sua campanha desenvolveu maneiras novas de mobilizar os eleitores por meio da Internet.Depois de aceitar a indicação democrata em Denver, em agosto, Obama enfrentou o republicano John McCain na eleição geral. Inicialmente, após escolher a governadora do Alasca, Sarah Palin, para ser sua companheira de chapa, McCain liderou as pesquisas de intenção de voto, mas ele foi perdendo apoio em meio ao agravamento da situação econômica e dos receios sobre as qualificações de Palin para o cargo.Obama venceu a eleição presidencial em 4 de novembro de 2008 com 53 por cento do voto popular.

Leia discurso de Barack Obama sobre a questão racial

Leia a seguir a íntegra do discurso do senador Barack Obama sobre a questão racial, em Filadélfia, na versão fornecida pela direção de sua campanha presidencial




"Nós, o povo, com o objetivo de formar uma união mais perfeita"
Há 221 anos, em uma edificação que continua a existir, do outro lado da rua, um grupo de homens se reuniu e, com essas simples palavras, lançou a improvável experiência da democracia na América. Fazendeiros e estudiosos, estadistas e patriotas que atravessaram um oceano para escapar à perseguição e à tirania por fim concretizaram sua declaração de independência em uma convenção que durou toda a primavera de 1787.
O documento que produziram terminou por ser assinado, mas em última análise era uma obra inacabada, porque continha a mácula da escravidão, o pecado original da nação e uma questão que dividiu as colônias e causou impasse na convenção até que os fundadores optaram por permitir que o tráfico de escravos continuasse por pelo menos mais 20 anos, deixando qualquer solução definitiva às futuras gerações.
É evidente que a resposta à questão da escravidão já estava contida em nossa constituição -uma constituição que tinha por cerne a igualdade dos cidadãos perante a lei, uma constituição que prometia a seu povo liberdade, e justiça, e uma união que poderia e deveria ser ainda mais aperfeiçoada ao longo do tempo.
No entanto, palavras em um pergaminho não seriam suficientes para libertar os escravos de seus grilhões, ou oferecer a homens e mulheres de todas as cores e credos seus plenos direitos e obrigações como cidadãos dos Estados Unidos. Foram necessários norte-americanos de futuras gerações que se dispuseram a fazer sua parte -por meio de protestos e luta, nas ruas e nos tribunais, por meio de uma guerra civil e da desobediência civil, e sempre sob grande risco- a fim de reduzir a distância entre aquilo que nossos ideais prometiam e a realidade de nossa era.
Esta foi uma das tarefas a que nos propusemos no início desta campanha --continuar a longa marcha daqueles que vieram antes de nós, uma marcha em direção a um país mais justo, mais igualitário, mais compassivo e mais próspero. Escolhi disputar a presidência neste momento histórico porque acredito profundamente que não possamos resolver os desafios de nossa era a não ser que o façamos juntos -a não ser que aperfeiçoemos nossa união ao compreender que, embora nossas histórias pessoais possam diferir, temos esperanças comuns; que embora nossas aparências não se assemelhem, desejamos todos nos mover na mesma direção --o caminho de um melhor futuro para os nossos filhos e netos.
Essa crença deriva de minha fé inabalável na decência e na generosidade do povo dos Estados Unidos. Mas também deriva de minha história pessoal como americano.
Sou filho de um homem negro do Quênia e de uma mulher branca do Kansas. Fui criado com a ajuda de um avô negro que sobreviveu à Depressão e combateu no exército de Patton durante a Segunda Guerra Mundial, e de uma avó branca que trabalhou em uma linha de montagem de bombardeiros, em Fort Leavenworth, enquanto seu marido servia no exterior. Freqüentei algumas das melhores escolas dos Estados Unidos e vivi em uma das mais pobres nações do mundo. Sou casado com uma negra norte-americana que porta o sangue de escravos e de proprietários de escravos -um legado que transmitimos a nossas duas amadas filhas. Tenho irmãos, irmãs, sobrinhas, sobrinhos, primos e tios de todas as raças e matizes, espalhados por três continentes e, por mais que eu viva, jamais me esquecerei de que em nenhum outro país do planeta minha história seria possível.
Trata-se de uma história que não fez de mim o mais convencional dos candidatos. Mas ela tornou parte de minha composição genética a idéia de que este país é mais que a soma de suas partes --a idéia de que, múltiplos, sejamos um só.
Ao longo do primeiro ano desta campanha, contrariando todas as previsões em contrário, nós vimos o quanto o povo dos Estados Unidos está faminto por essa mensagem de unidade. A despeito da tentação de ver minha candidatura exclusivamente pela lente da raça, conquistamos vitórias incontestáveis em Estados nos quais a população branca é das maiores no país. Na Carolina do Sul, onde a bandeira confederada continua a ser desfraldada, construímos uma poderosa coalizão entre negros e brancos.
Isso não implica dizer que a raça não tenha desempenhado um papel nessa campanha. Em diversos momentos, houve comentaristas que me definiram como negro demais ou negro de menos. Vimos a tensão racial borbulhar à superfície na semana da primária da Carolina do Sul. A imprensa vem vasculhando todas as pesquisas de boca de urna em busca dos mais recentes indícios de polarização racial, não só em termos de negro e branco mas de negro e marrom igualmente.
E no entanto foi apenas nas duas últimas semanas que a discussão da raça se tornou assunto especialmente divisivo, nesta campanha.
De um lado do espectro, ouvimos implicações de que minha candidatura representa de alguma forma um exercício de ação afirmativa; que ela se baseia apenas no desejo dos liberais deslumbrados de adquirir reconciliação racial a baixo preço; de outro, ouvimos meu antigo pastor, o reverendo Jeremiah Wright, empregando linguagem incendiária a fim de expressar opiniões que não só poderiam alargar a cisão entre as raças como também denigrem a grandeza e a bondade de nossa nação, e que ofendem deliberadamente tanto brancos quanto negros.
Já condenei de maneira inequívoca as declarações do reverendo Wright que causaram tamanha controvérsia. Para algumas pessoas, restam questões incômodas. Eu sabia que ele ocasionalmente criticava de maneira feroz a política interna e externa dos Estados Unidos? Evidentemente sim. Eu ouvi declarações que poderiam ser consideradas controversas em ocasiões nas quais compareci à igreja dele? Sim. Discordo fortemente de muitas de suas opiniões políticas? Com certeza --da mesma maneira que, sei, muitos de vocês ouviram opiniões de seus pastores, padres ou rabinos com as quais discordavam fortemente.
Mas as declarações que causaram a recente tempestade não foram simplesmente controversas. Não se tratava simplesmente do esforço de um líder religioso para protestar contra o que vê como injustiça. Em lugar disso, elas expressavam uma visão profundamente distorcida do país -uma visão que considera o racismo como endêmico entre os brancos, e que atribui mais importância ao que há de errado com os Estados Unidos do que a tudo aquilo que sabemos há de certo; uma visão de que os conflitos no Oriente Médio dependem integralmente das ações de firmes aliados como Israel, em lugar de emanarem das ideologias perversas e odientas do islamismo radical.
Em si, os comentários do reverendo Wright eram não só errados mas divisivos, e divisivos em um momento no qual precisamos de unidade; racialmente distorcidos em um momento no qual precisamos nos unir para enfrentar um conjunto de problemas monumentais -duas guerras, a ameaça terrorista, uma economia em queda, uma saúde em crise crônica, e alterações climáticas potencialmente devastadoras; problemas que não são negros, brancos, latinos ou asiáticos, mas sim problemas que todos nós temos de enfrentar.
Dadas minhas origens, minha posição política e os valores e ideais que professo, sem dúvida haverá pessoas para quem minhas declarações de condenação não serão suficientes. Por que eu me teria associado ao reverendo Wright inicialmente, elas podem perguntar. Por que não freqüentar outra igreja? E confesso que, se tudo que eu soubesse sobre o reverendo Wright fossem os trechos de vídeo que parecem ser exibidos em repetição contínua na televisão e no YouTube, ou se a igreja dele realmente pudesse ser descrita pelas caricaturas oferecidas por alguns comentaristas, eu sem dúvida reagiria mais ou menos como eles.
Mas a verdade é que isso não é tudo que conheço sobre o homem. O homem que conheci há mais de 20 anos foi um homem que me ajudou a conhecer a fé cristã, um homem que sempre falou de nossa obrigação de amar uns aos outros, de cuidar dos doentes e ajudar os pobres. Ele é um homem que serviu seu país como Fuzileiro Naval; que estudou e lecionou em algumas das melhores universidades e seminários norte-americanos; e que por mais de 30 anos comandou uma igreja que serve à comunidade realizando o trabalho do Senhor em nossa terra -oferecendo guarida aos desabrigados, cuidando dos necessitados, servindo como creche, fornecendo bolsas, atendendo aos detentos, bem como ajudando às vítimas do HIV/Aids.
Em meu primeiro livro, "Dreams From My Father", descrevi a experiência do primeiro culto a que assisti naquela igreja:
"As pessoas começaram a gritar, a se levantar de suas cadeiras, a aplaudir, a exclamar, como uma poderosa rajada de vento que conduzia a voz do pastor a todos os cantos... E naquela nota una -a esperança!- eu ouvi algo mais; aos pés daquela cruz, em milhares de igrejas por toda a cidade, imaginei as histórias das pessoas negras comuns se misturando à história de Davi e Golias, de Moisés e o Faraó, dos cristãos lançados aos leões, do campo de ossos ressecados de Ezequiel. Aquelas histórias --de sobrevivência, liberdade e esperança- se tornaram nossa história, minha história; o sangue derramado era o nosso sangue, as lágrimas, nossas lágrimas; até que aquela igreja negra, naquele dia ensolarado, se assemelhasse uma vez mais a um recipiente conduzindo a história de um povo a novas gerações e a um mundo mais amplo. Nossos triunfos e sofrimentos se tornaram a um só tempo únicos e universais, negros e mais que negros; ao registrar nossa jornada, as histórias e as canções nos ofereciam maneiras de retomar memórias sobre as quais não precisávamos nos envergonhar... memórias que todas as pessoas podiam estudar e acalentar --e com as quais poderíamos começar a reconstruir".
Foi essa a minha experiência na igreja. Como outras igrejas predominantemente negras em todo o país, a Trinity incorpora a comunidade negra em sua totalidade --o médico e mãe solteira, o estudante modelo e o antigo membro de gangue. Como outras igrejas negras, os cultos da Trinity estão repletos de riso ruidoso e ocasionalmente de humor ousado. Eles oferecem dança, palmas, exclamações, gritos que podem parecer chocantes, a quem não conheça. A igreja oferece em forma plena a gentileza e a crueldade, a feroz inteligência e a ignorância chocante, os percalços e os sucessos, o amor e, sim, a amargura e a parcialidade que compõem a experiência negra nos Estados Unidos.
E isso talvez ajude a explicar meu relacionamento com o reverendo Wright. Por mais imperfeito que ele seja como pessoa, para mim sempre foi parte da família. Ele reforçou minha fé, celebrou meu casamento e batizou minhas filhas. Em nenhuma das conversações que mantive com ele o ouvi se pronunciar sobre qualquer grupo étnico de maneira derrogatória, ou tratar os brancos com os quais interagia de qualquer outro modo do que com respeito e cortesia. O reverendo abriga muitas das contradições --o bem e o mal-- da comunidade à qual serviu de maneira tão diligente por tantos anos.
Não posso renegá-lo porque não posso renegar a comunidade negra. Não posso renegá-lo pelo mesmo motivo pelo qual não posso renegar minha avó branca --uma mulher que ajudou a me criar, uma mulher que se sacrificou por mim inúmeras vezes, uma mulher que me ama mais que a tudo no mundo mas que, em certa ocasião, me confessou ter medo dos homens negros que cruzam seu caminho nas ruas, e que em mais de uma ocasião pronunciou estereótipos raciais ou étnicos que me fizeram estremecer.
Essas pessoas são parte de mim. E são parte do Estados Unidos, o país que eu amo.
Há quem veja minhas declarações como tentativa de justificar ou desculpar comentários que são simplesmente indesculpáveis. Posso lhes garantir que não é esse o caso. Suponho que a coisa segura a fazer, em termos políticos, seria deixar para trás esse episódio e simplesmente esperar que desapareça. Podemos descartar o reverendo Wright como demagogo ou esquisitão, da mesma maneira que descartamos Geraldine Ferraro depois de recentes declarações que revelaram profunda parcialidade racial.
Mas a questão da raça não pode ser ignorada por este país no momento que vivemos, em minha opinião. Estaríamos cometendo o mesmo erro que o reverendo Wright cometeu em seus sermões ofensivos sobre os Estados Unidos --simplificar, estereotipar e amplificar o negativo até o ponto em que isso distorça a realidade.
O fato é que os comentários que foram feitos e as questões que emergiram nas últimas semanas refletem a complexidade da situação racial neste país, que nós jamais deslindamos --uma parte de nossa união que nos cabe ainda aperfeiçoar. E caso deixemos a questão sem solução agora, se recuarmos aos nossos cantos, jamais poderemos nos unir e resolver desafios como a saúde, ou a educação, ou a necessidade de encontrar bons empregos para todos os norte-americanos.
Compreender essa realidade requer que recordemos como chegamos a esse ponto. Como William Faulkner escreveu, 'o passado não está morto e enterrado; na verdade, ele nem mesmo é passado'. Não precisamos recitar aqui uma história da injustiça racial neste país. Mas precisamos recordar que muitas das disparidades que existem hoje na comunidade negra remontam diretamente às desigualdades que gerações anteriores sofreram sob o legado brutal da escravatura e das leis de segregação racial.
Escolas segregadas eram, e continuam sendo, escolas inferiores; o problema ainda não foi resolvido, 50 anos depois da decisão do processo Brown vs. Conselho da Educação [que proibiu a discriminação racial nas escolas norte-americanas, em 1954]. A educação inferior que elas ofereciam, então como agora, ajuda a explicar o onipresente diferencial de realizações entre os estudantes brancos e negros.
A discriminação legalizada --sob a qual os negros eram impedidos, muitas vezes pela violência- de adquirir propriedades, ou sob a qual empresários negros não conseguiam empréstimos, ou proprietários negros de imóveis não obtinham financiamento da Autoridade Federal da Habitação, ou trabalhadores negros eram excluídos dos sindicatos, ou dos departamentos de polícia e bombeiros --tudo isso significou que muitas famílias negras tenham sido impedidas de acumular patrimônio que pudessem legar às futuras gerações. A História nos ajuda a entender a disparidade de riqueza e renda entre brancos e negros, e os bolsões de pobreza que persistem em tantas comunidades urbanas e rurais.
A falta de oportunidades econômicas para os homens negros, e a vergonha e frustração que surgiam diante da incapacidade de sustentar uma família, contribuíram para a erosão das famílias negras --um problema que as políticas de assistência social adotadas por muitos anos ajudaram a agravar. E a falta de serviços básicos em muitos bairros urbanos negros --parques nos quais as crianças possam brincar, patrulhamento pela polícia, coleta regular de lixo, aplicação dos códigos de edificações e zoneamento-- ajudou a criar um ciclo de violência, ruína e negligência que continuam a nos ferir.
Esta é a realidade na qual o reverendo Wright e outros negros da geração dele cresceram. Eles chegaram à maioridade no final dos anos 50 e começo dos 60, um momento em que as leis de segregação continuavam em vigor no país e em que oportunidades lhes eram negadas sistematicamente. O que é notável não é que muitos deles tenham fracassado diante da discriminação, mas sim que tantos homens e mulheres tenham superado as probabilidades adversas; que tantos deles tenham conseguido encontrar caminhos que os tirassem do beco sem saída e abrissem novas possibilidades para pessoas como eu, que vieram depois deles.
Mas ainda que muitos tenham batalhado e conseguido conquistar sua versão do sonho americano, inúmeros outros não encontraram sucesso -as pessoas que, de uma maneira ou de outra, terminaram derrotadas pela discriminação. Esse legado de derrota foi transmitido a futuras gerações -os jovens, tanto homens quanto cada vez mais mulheres, que vemos parados nas esquinas ou trancafiados nas prisões, sem esperança ou perspectiva de futuro. Mesmo entre os negros que conquistaram o sucesso, questões de raça e racismo continuam a influenciar fundamentalmente sua visão de mundo. Para os homens e mulheres da geração do reverendo Wright, as memórias da humilhação, dúvida e medo não se foram, e o mesmo pode ser dito sobre a raiva e a amargura daqueles anos. Essa raiva talvez não seja expressa em público, diante dos colegas de trabalho ou amigos brancos. Mas encontra expressão nas conversas de barbearia, ou em torno da mesa de jantar. Ocasionalmente, essa raiva é explorada pelos políticos, que tentam obter votos locais manipulando a questão racial, ou como forma de compensar os defeitos desses líderes.
E ocasionalmente ela encontra expressão na igreja em uma manhã de domingo. O fato de que tanta gente tenha ficado surpresa diante da raiva na voz do reverendo Wright em seus sermões só serve para nos lembrar do velho dito de que o momento mais segregado da vida nacional são as manhãs de domingo. Essa raiva nem sempre é produtiva; de fato, ela muitas vezes distrai a atenção que deveria ser dedicada à solução de problemas reais; impede-nos de considerar de maneira franca nossa cumplicidade quanto à condição em vivemos; e impede que a comunidade negra forme as alianças de que necessita para promover mudanças reais. Mas a raiva é real; é poderosa; e simplesmente desejar que ela não exista, condená-la sem compreender suas raízes, só servirá para alargar o fosso de incompreensão que existe entre as raças.
Na verdade, raiva semelhante existe em certos segmentos da comunidade branca. A maior parte dos norte-americanos brancos de classe baixa e média não sentem que sua raça lhes tenha valido privilégios especiais. A experiência deles é a experiência do imigrante --no que tange a eles, tudo que obtiveram foi construído pelo esforço próprio; nada lhes foi dado. Eles trabalharam com afinco a vida toda, e muitas vezes seus empregos terminaram exportados, ou suas pensões foram liquidadas em escândalos financeiros depois de uma vida inteira de trabalho duro. Eles sentem ansiedade quanto ao seu futuro, e sentem que seus sonhos estão passando sem realização; em uma era de salários estagnados e competição global, a oportunidade que surge em outras terras representa falta de oportunidade aqui -a realização de outros sonhos ocorre à custa dos deles. Assim, quando eles são instruídos a enviar seus filhos a uma escola localizada do lado oposto da cidade por motivo de integração racial; quando descobrem que um colega de trabalho negro leva vantagem na seleção para um bom posto ou um estudante negro tem preferência para uma vaga universitária devido a injustiças que não foram cometidas por eles; quando são informados de que medo do crime urbano representa uma forma de preconceito racial, eles acumulam ressentimentos.
Como a raiva na comunidade negra, esses ressentimentos nem sempre são expressos em momentos de convivência. Mas eles ajudaram a dar forma à paisagem política do país, ao longo da última geração. A raiva quanto à assistência social e a ação afirmativa ajudou a criar a chamada coalizão Reagan. Os políticos rotineiramente exploram o medo do crime para fins eleitorais. Os apresentadores de programas de entrevistas e os colunistas conservadores construíram carreiras demolindo falsas alegações de racismo, mas também descartando discussões legítimas de injustiça e desigualdade racial, classificando-as como reles correção política ou exemplos de racismo reverso.
Da mesma maneira que a raiva negra muitas vezes se provou contraproducente, esses ressentimentos brancos distraíram a atenção quanto aos verdadeiros responsáveis pela compressão que a classe média vem sofrendo: um governo e sistema político dominados por lobbies e interesses especiais; políticas econômicas criadas para favorecer alguns poucos em detrimento de muitos. E, no entanto, ignorar os ressentimentos dos norte-americanos brancos, ou classificá-los como equivocados ou racistas, também serve para ampliar a divisão entre as raças, e para bloquear o caminho do entendimento.
É este o ponto em que estamos agora. Trata-se de um impasse racial no qual vivemos há anos. Ao contrário das alegações de alguns de meus críticos, brancos e negros, jamais fui ingênuo a ponto de acreditar que podemos superar nossas divisões raciais em um único ciclo eleitoral, ou por meio de uma única candidatura --especialmente uma candidatura tão imperfeita quanto a minha.
Mas asseverei minha forme convicção --enraizada em minha fé em Deus e no povo dos Estados Unidos-- de que trabalhando juntos seremos capazes de curar algumas de nossas velhas feridas raciais, e que de fato não nos resta escolha se desejamos continuar no caminho de uma união mais perfeita.
Para a comunidade negra, esse caminho significa aceitar os fardos do passado sem que nos tornemos vítimas dele. Significa continuar a insistir em plena justiça quanto a todos os aspectos da vida norte-americana. Mas também significa combinar nossas queixas específicas --a busca de melhor saúde, melhor educação, melhores empregos-- às aspirações mais amplas de todos os norte-americanos -a mulher branca que luta para superar as restrições ao avanço profissional feminino, o homem branco que perdeu o emprego, o imigrante que tenta alimentar sua família. E isso significa aceitar plena responsabilidade por nossas vidas --exigindo mais de nossos pais, e passando mais tempo com nossos filhos, lendo para eles, ensinando-os que, embora possam enfrentar desafios e discriminação em suas vidas, jamais devem sucumbir ao desespero ou ao cinismo; devem sempre acreditar em que lhes será possível escrever seu destino.
Ironicamente, esse conceito fundamentalmente americano --e, sim, conservador--, o de 'ajuda a ti mesmo', encontrava expressão freqüente nos sermões do reverendo Wright. Mas o que meu antigo pastor muitas vezes não conseguia compreender era que iniciar um programa de auto-ajuda requer, igualmente, a crença em que a sociedade seja capaz de mudar.
O erro profundo dos sermões do reverendo Wright não é que ele tenha falado do racismo em nossa sociedade, mas sim que o tenha feito como se nossa sociedade fosse estática, como se progresso algum tivesse sido realizado, como se este país --um país que permitiu a um membro da congregação dele disputar o mais alto dos cargos e criar uma coalizão de negros e brancos, latinos e asiáticos, ricos e pobres, jovens e velhos-- esteja ainda acorrentado a um passado trágico. Mas aquilo que sabemos --aquilo que testemunhamos- é que os Estados Unidos podem mudar. É esse o verdadeiro gênio de nosso país. O que conseguimos realizar nos dá esperança --a audácia da esperança-- quanto ao que poderemos e devemos realizar amanhã.
Na comunidade branca, o caminho para uma união mais perfeita significa reconhecer que os problemas da comunidade negra não existem apenas na cabeça dos negros; que o legado da discriminação --e incidentes atuais de discriminação, embora menos escancarados do que no passado-- existe e precisa ser corrigido. E não apenas com palavras, mas por meio de fatos --investimento em nossas escolas e comunidades, defesa dos direitos civis e de julgamento justo nos tribunais criminais, criação de escadas de oportunidade que permitam à atual geração uma ascensão impossível para gerações passadas. Isso requer que todos os norte-americanos compreendam que seus sonhos não precisam ser realizados à custa de sonhos alheios; que investir na saúde, bem-estar e educação de crianças brancas, negras e marrons em última análise ajudará o país como um todo a prosperar.
Aquilo de que precisamos, portanto, é nada mais, e nada menos, do que aquilo que todas as grandes religiões do mundo pedem: que façamos aos outros aquilo que gostaríamos nos fosse feito. A Bíblia pede que protejamos os nossos irmãos e irmãs. Devemos encontrar, nos outros, o interesse que nos une, e nossas políticas deveriam refletir esse fato.
Pois temos uma escolha a fazer, em nosso país. Podemos aceitar uma política que fomente a divisão, o conflito e o cinismo. Podemos tratar da questão racial apenas como espetáculo --como o fizemos no julgamento de OJ--, ou apenas em momentos de tragédia, como o fizemos depois do Katrina, como munição para as notícias noturnas. Podemos exibir os vídeos do reverendo Wright em todos os canais, todos os dias, e falar sobre eles daqui até a eleição, e fazer com que a única questão a ser debatida no pleito seja a possibilidade de que eu concorde ou simpatize de alguma maneira com as mais ofensivas de suas palavras. Podemos explorar uma gafe de algum assessor de Hillary, ou podemos especular se todos os homens brancos votarão em McCain, não importa quais sejam suas opiniões políticas.
Podemos agir assim.
Mas, caso o façamos, posso lhes afirmar que, na próxima eleição, estaremos falando sobre outra distração; e depois outra; e mais outra; e nada jamais mudará.
Essa é uma opção. Ou podemos, neste momento, nesta eleição, nos unir e exclamar: 'Desta vez, não!' Desta vez, queremos falar sobre as escolas decadentes que estão roubando o futuro de crianças negras, brancas, asiáticas, hispânicas e indígenas. Desta vez podemos talvez rejeitar o cinismo que nos diz que essas crianças são incapazes de aprender, que essas crianças de aparência diferente das nossas são problema de outra pessoa. As crianças dos Estados Unidos não são 'essas crianças': são as nossas crianças, e não permitiremos que fiquem para trás na economia do século 21. Não desta vez.
Desta vez queremos discutir sobre as filas repletas de brancos, negros e hispânicos desprovidos de planos de saúde nos pronto-socorros, pessoas que não têm o poder de superar sozinhas os interesses especiais em Washington mas que poderiam fazê-lo caso nos uníssemos.
Desta vez queremos falar sobre as fábricas abandonadas que no passado ofereciam vida decente a homens e mulheres de todas as raças, e sobre as casas à venda que no passado pertenceram a pessoas de todas as religiões, todas as regiões, todas as ocupações. Desta vez queremos falar sobre o fato de que o verdadeiro problema não é que alguém de aparência diferente possa tomar nosso emprego, mas sim que a empresa para a qual alguém trabalha possa decidir despachar esse emprego a outro país em busca de nada mais que lucro.
Desta vez queremos falar sobre homens e mulheres de todas as cores e credos que servem unidos e lutam unidos e sangram unidos sob a mesma orgulhosa bandeira. Queremos falar sobre como trazê-los para casa de uma guerra que não deveria ter sido autorizada e jamais deveria ter sido travada, e queremos falar sobre como devemos demonstrar nosso patriotismo cuidando deles e de suas famílias, e lhes propiciando os benefícios que conquistaram.
Eu não estaria disputando a presidência caso não acreditasse de coração que é isso que a vasta maioria dos norte-americanos deseja para o país. Nossa união talvez jamais venha a ser perfeita, mas geração após geração demonstraram que ela sempre pode ser melhorada. E hoje, sempre que me vejo cínico ou em dúvida com relação a essa possibilidade, aquilo que me dá mais esperança é a próxima geração --os jovens cujas crenças e atitudes e abertura à mudança já fizeram história nesta eleição.
Existe uma história em especial que eu gostaria de deixar com vocês, hoje --uma história que contei quanto tive a grande honra de discursar no aniversário do Dr. (Martin Luther) King em sua igreja, a Ebenezer Baptist, em Atlanta.
Há uma jovem voluntária branca, Ashley Baia, 23, que nos ajudou a organizar nossa campanha em Florence, na Carolina do Sul. Ela vem trabalhando para ajudar a organizar uma comunidade formada majoritariamente por negros, desde o começo da campanha, e um dia participou de uma mesa redonda na qual todo mundo contou sua história e explicou os motivos de sua presença.
Ashley contou que, quando ela tinha nove anos, sua mãe adoeceu de câncer e, porque teria de perder dias de trabalho, terminou demitida e perdeu seu seguro-saúde. A família teve de pedir falência, e foi então que Ashley decidiu que tinha de fazer alguma coisa para ajudar a mãe.
Ela sabia que comida era uma das maiores despesas da casa, e por isso convenceu a mãe de que a comida que ela mais gostava eram sanduíches de pão com mostarda e molho inglês. Porque eles eram a comida mais barata que encontrou.
Ela o fez por um ano, até que sua mãe melhorou, e ela contou a todo mundo na mesa redonda que o motivo para que tivesse aderido à nossa campanha foi para que pudesse ajudar os milhões de crianças do país que querem e precisam ajudar os país.
Ashley com certeza poderia ter feito escolha diferente. Alguém pode ter dito a ela em algum momento que o motivo dos problemas de sua mãe eram os negros que viviam de assistência social por serem preguiçosos demais para trabalhar, ou os hispânicos que chegam ao país ilegalmente. Mas ela não o fez. Em lugar disso, procurou por aliados em sua luta contra a injustiça.
Quando Ashley terminou sua história, ela perguntou aos demais porque eles haviam aderido à campanha. Cada um deles tinha histórias e razões próprias. Muitos mencionaram uma questão específica. E por fim chegou a vez de um velho negro que havia assistido a tudo aquilo em silêncio. Ashley perguntou por que ele estava lá. E ele não mencionou um motivo específico. Não citou a saúde ou a economia, a educação ou a guerra. Não disse que estava lá por causa de Barack Obama. Ele simplesmente disse, a todos os presentes: 'Estou aqui por causa de Ashley'.
'Estou aqui por causa de Ashley'. Em si, aquele momento único de reconhecimento entre uma jovem branca e um velho negro não seria suficiente. Não é suficiente que ofereçamos saúde aos doentes, trabalho aos desempregados ou educação às crianças.
Mas é assim que devemos começar. É assim que nossa união se tornará mais forte. E como tantas gerações vieram a perceber ao longo dos 221 anos desde que aquele grupo de patriotas assinou aquele documento em Filadélfia, é assim que começa a perfeição.
Tradução de Paulo Migliacci

Metalúrgicos do ABC fazem atos por manutenção de empregos e salários



Trabalhadores realizam atos nesta terça-feira (20). Na segunda, centrais sindicais apresentaram reivindicações a Lula.



Metalúrgicos da região do ABC realizam manifestações em São Bernardo do Campo nesta terça-feira (20) para pedir a manutenção dos postos de trabalho e dos salários.
Segundo o sindicato, por volta das 10h, dois atos já haviam sido realizados em locais diferentes da cidade, cada um em frente a uma montadora. No mesmo horário, uma terceira manifestação ainda estava sendo realizada.
O sindicato organizou os atos para divulgar suas propostas para o combate à crise como a facilitação do crédito, redução da taxa Selic e do spread bancário, incentivo às exportações, redução dos preços, ampliação do mercado interno e manutenção do emprego.
Na segunda (19),dirigentes das seis centrais sindicais do país se reuniram com o preidente Luiz Inácio Lula da Silva e apresentaram ao menos 15 reivindicações para evitar o desemprego em massa no Brasil.
Lula não deu garantias, no entanto, à principal reivindicação dos sindicalistas, que queriam que as próximas medidas econômicas contra a crise e os futuros financiamentos para as empresas com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) só beneficiassem os empresários que se comprometessem a não demitir. Segundo os sindicalistas, o governo manteve o acordo firmado com as centrais para dar um aumento real para o salário mínimo de aproximadamente 5,7%.
Do G1

Quase 70% dos cursos com as piores notas no Enade oferecem bolsas do ProUni

De um total de 96 cursos superiores de instituições particulares que obtiveram nota um – a mais baixa possível – no último Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), 67% deles estão credenciados pelo Ministério da Educação para oferecer bolsas de estudo a alunos de baixa renda no Programa Universidade para Todos (ProUni). É o que aponta levantamento feito pela Agência Brasil. Da lista dos 127 cursos com nota 1 foram excluídas 31 universidades públicas que, por sua natureza, não fazem parte do programa.
Segundo o Ministério da Educação (MEC), o problema acontece porque, de acordo com a lei do ProUni, a instituição só pode ser descredenciada após dois resultados ruins no Enade. Mas como cada área é avaliada de três em três anos, há a possibilidade de os cursos mal avaliados receberam alunos pelo ProUni durante esse período.
“Como o ciclo [avaliativo] foi iniciado com uma portaria em fevereiro de 2007, ele precisa se completar. Essa exigência de qualidade na educação superior ainda está passando por uma transição, mas com um ou dois anos estará sendo aplicada de maneira irreversível. Por enquanto, nós trabalhamos nos limites do marco estabelecido pelo Poder Legislativo”, afirma a secretária de Ensino Superior do ministério, Maria Paula Dallari Bucci.
Para o professor da Universidade de São Paulo (USP) Romualdo Oliveira, especialista em ensino superior, a lei que regula o programa é falha por não apresentar nenhuma exigência de desempenho mínimo dos cursos credenciados. Em troca da oferta de bolsas integrais e parciais, as instituições privadas de ensino recebem incentivos fiscais por parte do governo. Romualdo defende que o acesso a cursos de má qualidade, por meio do ProUni, pode prejudicar o futuro dos bolsistas.
Agência Brasil

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Maior parte dos empregados domésticos está na informalidade

A maioria dos 6,7 milhões de empregados domésticos existentes no país não possui carteira de trabalho assinada. Segundo o Ministério da Previdência, uma das prioridades do governo em 2009 será a mobilização da classe média nacional, envolvendo os sindicatos de empregados e empregadores, para fazer o registro destes trabalhadores.
De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Domicílio (PNAD) 2007, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 4,8 milhões de trabalhadores domésticos são informais e apenas 1,8 milhões possuem registro e direitos sociais garantidos.
Os empregados domésticos foram reconhecidos como profissionais pela primeira vez no Brasil com a Lei nº 5.859, de 11 de dezembro de 1972, mas a categoria só teve seus direitos assegurados na Constituição Federal de 1988.
O presidente do Sindicato dos Empregados Domésticos do Distrito Federal, Antônio Barros, disse que não acredita em uma grande mudança na realidade do trabalho doméstico.
“A maioria não tem direito algum. Não existe valorização da profissão. Hoje, o trabalhador tem vergonha de ter na carteira o registro de empregado doméstico”, diz Barros.
O presidente do Portal Doméstica Legal, do Rio de Janeiro, Mário Avelino, destaca o quadro de grande informalidade do trabalho doméstico no Brasil.
“A cada 100 empregados, apenas 27 tem carteira assinada. São 30 mil trabalhadores domésticos escravos, que trabalham sem salário, em troca de moradia e alimento. Aproximadamente 400 mil sãocrianças e adolescentes entre 5 e 17 anos", informa.
Avelino lembrou um Projeto de Lei de Iniciativa Popular para estimular o registro do empregado doméstico está tramitando na Câmara Federal. O projeto, que tem mais de 20 mil assinaturas, sugere a redução da alíquota do INSS do empregado e do empregador, o perdão da dívida previdenciária para o empregador em atraso, além de assegurar ao empregado o direito de afastamento por acidente no trabalho, que hoje não existe.
O presidente do Portal defende que "é sempre mais barato ter uma empregada na lei do que fora da lei”, e relata que os empregadores procuram o site com muitas dúvidas. Entre elas, a diferença entre diarista e empregada doméstica.
“A primeira tem que receber o salário no dia do trabalho e não mensalmente porque configura vínculo empregatício”, explica.
Outra questão freqüente é quanto aos descontos no salário dos empregados domésticos. “Descontos de alimentação e vestuário não podem ser feitos. Em caso de moradia só se o empregador tiver alugado uma residência para seu empregado”, esclarece Avelino.
A gaúcha Arlete Gaieski Castro, de 33 anos, trabalha desde os 14 anos como empregada doméstica. Por algum tempo ela teve carteira assinada, mas há mais de cinco anos optou por ser diarista. Arlete conta que ganha entre R$ 70 e 80 por dia trabalhando em pelo menos cinco residências por semana.
“O trabalho é pesado, penso em mudar, fazer um curso, mas no momento falta tempo. Não posso recusar trabalho, porque apesar de meu marido atual ajudar , eu tenho dois filhos do primeiro casamento que sustento sozinha e não posso recusar trabalho. Quase sempre tive o maior salário da família.”, relata Arlete.
A empregada doméstica Claudete Oliveira, de 28 anos, trabalha com carteira assinada e recebe o salário mínimo regional (R$477,40) do Rio Grande do Sul, onde reside. Ela conta que há pouco tempo voltou a ter carteira assinada.
“Minha patroa quis assinar e eu achei ótimo, já tive que me afastar várias vezes do emprego por problemas de saúde e continuei recebendo pelo INSS. Tenho três filhos, pra mim é importante eu ter esta garantia”, afirma Claudete.
Agência Brasil