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sábado, dezembro 03, 2011

Mulheres da classe C investem em educação, beleza e lazer

















Com aumento da renda, elas planejam melhor as finanças e apostam em itens que podem melhorar qualidade de vida da família

Qualificação profissional, educação para os filhos, beleza e lazer. Esses são os itens que ganharam espaço no orçamento familiar das mulheres de classe C. Com o crescimento do poder de compra verificado nos últimos anos e o aumento da participação no mercado formal de trabalho, elas mudaram, e muito, seus padrões de consumo, avalia Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular, instituto de pesquisa especializado nas classes C e D.

“O aumento da renda formal levou as mulheres da classe C a um novo patamar, em que é possível planejar as finanças e conquistar o que antes parecia inatingível, como educação de boa qualidade tanto para elas, quanto para os filhos. E, mesmo tendo empregos formais, essas mulheres ainda complementam a renda fazendo bicos e atividades extras que permitam dar mais conforto à família”, diz Meirelles.

Renda extra

É o caso da babá Dalva Pena, 40, que vive com o filho de 21 anos e a filha, de 17. Com uma renda fixa mensal de R$ 1,7 mil, ela se considera uma profissional de ‘1001 utilidades’. “Além de trabalhar em outras casas como babá nos meus horários de folga, também recebo encomendas de doces e bolos e participo do comitê de um candidato a vereador em São Paulo”, diz.

Dalva conta que guarda praticamente todo dinheiro provenientes de suas atividades extras. Em média, ela deposita, mensalmente, R$ 400 em um fundo de renda fixa. O objetivo, diz, é assegurar o futuro da família. “Temos alguns planos, como comprar uma pequena casa para alugar ou até mesmo trocar de carro. Mas, por enquanto, não planejo usar o que tenho no fundo. A ideia é guardar”, afirma.

Entre a vontade de consumir e a necessidade de poupar, as mulheres da classe C adotam diferentes estratégias para organizar o orçamento doméstico. A analista de projetos Paula Espíndola Teles, 29 anos, é adepta das planilhas de gastos. Com uma renda mensal de R$ 4 mil, ela sustenta a casa onde vive com sua filha de nove anos, o noivo e os sogros. Desde que o noivo e o sogro ficaram desempregados, há quase um ano, ela arca sozinha por todas as despesas da família.

O rígido controle das finanças é, segundo ela, o segredo para não se endividar.Apesar da preocupação em construir uma vida melhor e de reconhecerem a importância de poupar para o futuro, casos como o de Dalva ainda são poucos entre as mulheres da Classe C, que têm dificuldades em guardar dinheiro. “O conceito de poupança tem valor para essas mulheres, mas elas ainda têm muitos sonhos de consumo a serem realizados, o que dificulta bastante a criação de uma reserva”, afirma Martinelli.

“Além de colocar tudo em uma planilha, também uso meu cartão de crédito como uma ferramenta de controle dos gastos. Tenho um limite pequeno, que não ultrapassa 30% da minha renda. Sendo assim, concentro todas as minhas compras no cartão dentro desse valor. Já o dinheiro, eu guardo para emergências”, diz.

Investimento em educação

Mesmo com a responsabilidade de sustentar toda a família, Paula consegue investir em cursos de qualificação com o objetivo de impulsionar sua carreira. Ela também mudou a filha para um colégio melhor e mais caro e planeja pagar um curso de inglês para a menina a partir do ano que vem. “Abri mão de comprar muitas coisas e evito dívidas para que eu possa investir em uma vida melhor para mim e para minha filha”.

Também preocupada em evitar dívidas, a advogada Tatiana Moraes, 29 anos, controla suas finanças. Mas, ela não segue planilhas e muito menos usa o cartão de crédito. Muito pelo contrário. Para não se enrolar, ela evita parcelar suas compras e paga tudo à vista. “Eu não sou disciplinada a ponto de anotar todas as minhas despesas. Em compensação, me organizo dentro de um limite e economizo para comprar tudo à vista, com desconto. Dessa forma, consigo gastar mais hoje com itens como educação, beleza e lazer”.

Dalva, por sua vez, conta que nos últimos três anos mudou radicalmente a forma de organizar suas finanças. O primeiro passo foi escolher apenas um dos nove cartões de crédito que tinha e cancelar os outros oito. Ela conta que chegou a acumular uma dívida de mais de R$ 20 mil. “Estourava o limite de um e compensava gastando com o outro. Depois de muito esforço consegui negociar e quitar minhas dívidas. Por isso, sou bastante cuidadosa com meu dinheiro hoje”, afirma.

Para evitar problemas com cartões de crédito, o professor de Finanças do Senac São Paulo, Anísio Castelo Branco, recomenda que a consumidora não confunda crédito com renda. “Às vezes, a pessoa já tem o dinheiro para comprar o que precisa pagando à vista. Mas, a tentação de comprar a crédito e usar aquele dinheiro para coisas que não são tão importantes é grande e a mulher acaba se endividando à toa”, diz.

Castelo Branco também recomenda cuidado com as pequenas despesas do dia-a-dia e que aparentemente não comprometem o orçamento. Da ida não planejada ao salão de beleza para fazer só mais uma escova, aos acessórios “baratinhos” que são comprados aos montes, são muitos os exemplos de gastos aparentemente inofensivos que complicam as finanças no final do mês. “Aliás, uma boa ideia é estipular os gastos com beleza como custos fixos, já que as mulheres dificilmente abrem mão dos cuidados pessoais. Assim, fica mais fácil seguir um orçamento pré-estabelecido”, afirma.

FONTE: IG SÃO PAULO

quinta-feira, março 18, 2010

Instituto de Glauco vai à Justiça contra acusações de xamanista






O Cefluris, instituto ambiental daimista ao qual pertence a igreja Céu de Maria, fundada por Glauco, decidiu mover ação criminal contra Emiliano Dias Linhares, 46, ex-PM, conhecido como Gideon Lakota. Ele mantém uma comunidade xamânica em Pariquera-Açu (litoral sul de SP), é inimigo declarado do Cefluris e publicou em seu site uma mensagem com o título "Glauco e Filho -Queima de Arquivo!".

Em mensagem, vídeos postados no YouTube e em um livro, Linhares afirma que o Cefluris e seus líderes são "narcotraficantes" e que utilizam drogas como crack e cocaína em seus rituais. Ele aponta a Céu de Maria como um desses locais. Em entrevista gravada, de Brasília, Linhares, 46, reafirmou todas as denúncias e disse que estava "fornecendo provas para a Polícia Federal sobre os negócios" da ONG daimista rival.

Em nota, o Cefluris anunciou ações civis e criminais contra Linhares. O centro é presidido pelo jornalista e escritor Alex Polari de Alverga. Enio Staub, secretário do Cefluris, diz que o centro já estava acompanhando o site agressor, da comunidade Céu Nossa Senhora da Conceição.

"Sempre tivemos por princípio não responder nada a essa pessoa, mas agora ele desrespeita não só a todos nós mas principalmente a imensa dor da família de Glauco. Vamos entrar com todas as ações civis e criminais possíveis", declara Staub. "Essa pessoa é doente."

Staub disse que a entidade vai divulgar hoje um comunicado oficial sobre as medidas que pretende tomar contra Linhares e como deve agir, "de forma a preservar a memória e a obra de Glauco, bem como a fé de todos os nossos filiados".

Entre igrejas no Brasil e no exterior, incluindo a Céu de Maria, são cerca de cem unidades ligadas ao Cefluris --abreviação de Culto Eclético da Fluente Luz Universal. Para o Cefluris, o ataque de Linhares pode ter outro objetivo: ele teria interesse em "monopolizar" a distribuição de daime na região Sudeste --na Amazônia, o litro custa de R$ 18 a R$ 100.

Na internet, além de divulgar uma tese conspiratória de que o Cefluris estaria envolvido na morte de Glauco, Linhares ataca o uso ritualístico de maconha em igrejas daimistas ligadas ao Cefluris.

Em seu ataque, não poupa mortos: chama Sebastião de Mota Melo (1920-1990), fundador da vila de Mapiá, na Amazônia, de "bandido" e "pitador de maconha" e acusa Alfredo, filho de Mota Melo, atual líder do Céu de Mapiá, de "traficante de pasta de cocaína".

Ex-PM exonerado da corporação, Linhares se recusou a falar sobre seu passado, bem como de sua relação com a maçonaria (que tem um link-tópico em seu site). "Se quiser falar sobre minha vida pessoal, a conversa acabou", disse.

"Tudo que ele fala é um delírio, mas não vai ficar sem resposta", diz Staub. "Não há um único ritual oficial das igrejas ligadas a nós que faça uso da erva de Santa Maria (maconha)".

FONTE: FOLHA ONLINE