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sábado, outubro 09, 2010

Sindicatos de toda a Europa reunidos em Lisboa




Sindicatos e representantes dos trabalhadores de toda a Europa estiveram reunidos este fim-de-semana em Lisboa no Encontro da Rede de Sindicalistas do Partido da Esquerda Europeia.





A actual crise política mundial e as consequências para o sector dos transportes e a 'Estratégia 2020' estiveram em discussão com enfoque para os processos de privatização forçada dos aeroportos e portos em toda a Europa.

Eduardo Chagas, secretário-geral da Federação Europeia dos Transportes, discutindo os transportes e as lutas dos trabalhadores do sector, enfatizou a necessidade de trabalho conjunto entre os sindicatos de todos os países europeus e a necessidade complementar a mobilização com a negociação e a pressão política sem renunciar a nenhum objectivo, por muito complicado que ele seja.

Durante a reunião Costas Isychos, do partido grego Synaspismos, informou que a privatização dos portos civis de águas profundas gregos estão a ser acompanhados de um processo paralelo de militarização através do estabelecimento de acordos bilaterais com Israel e a NATO. O estado Grego não só fica assim privado dos equipamentos estratégicos nacionais como também oferece um negócio de rendimento garantido aos consórcios mundiais, explicou.

Segundo o sindicalista, o próprio território grego está hoje militarizado sem perspectivas de qualquer usufruto público dos equipamentos e território de alguns portos gregos estratégicos, alugados em regime de prestação de serviços sem qualquer controlo público.

O paralelismo entre a situação grega e portuguesa foi igualmente discutida. Em apenas dois anos os cidadãos gregos sofreram três vagas de cortes salariais, começando com 3,7% vão agora numa média de 30%, revelando a possível trajectória política que será prosseguida pelo governo de Sócrates em Portugal durante a actual legislatura.

O eurodeputado do Bloco Miguel Portas também esteve presente no encontro e propôs como principal objectivo para 2011 definir um tema comum que permita a junção e coordenação das diferentes forças sociais e sindicais, “ultrapassando as diferenças de escala entre os problemas de cada país”, e “possibilitando deste modo uma agenda de propostas positivas e de acção que ultrapasse uma luta limitada à resistência aos ataques neo-liberais”.

A "iniciativa de cidadania europeia", instituída pelo Tratado Lisboa, criou a ferramenta através da qual esta luta se poderá expressar durante o ano de 2011.

FONTE: ESQUERDA NET

sexta-feira, maio 14, 2010

Saiba o que é o capitalismo

O capitalismo tem legiões de apologistas. Muitos o são de boa fé, produto de sua ignorância e pelo fato de que, como dizia Marx, o sistema é opaco e sua natureza exploradora e predatória não é evidente aos olhos de mulheres e homens. Outros o defendem porque são seus grandes beneficiários e amealham enormes fortunas graças às suas injustiças e iniqüidades. Há ainda outros (‘gurus’ financeiros, ‘opinólogos’ e ‘jornalistas especializados’, acadêmicos ‘pensantes’ e os diversos expoentes desse "pensamento único") que conhecem perfeitamente bem os custos sociais que o sistema impõe em termos de degradação humana e ambiental. Mas esses são muito bem pagos para enganar as pessoas e prosseguem incansavelmente com seu trabalho. Eles sabem muito bem, aprenderam muito bem, que a "batalha de idéias" para a qual nos convocou Fidel é absolutamente estratégica para a preservação do sistema, e não aplacam seus esforços.


Para contra-atacar a proliferação de versões idílicas acerca do capitalismo e sua capacidade de promover o bem-estar geral, examinemos alguns dados obtidos de documentos oficiais do sistema das Nações Unidas. Isso é extremamente didático quando se escuta, ainda mais no contexto da crise atual, que a solução dos problemas do capitalismo se consegue com mais capitalismo; ou que o G-20, o FMI, a Organização Mundial do Comércio e o Banco Mundial, arrependidos de seus erros passados, poderão resolver os problemas que asfixiam a humanidade. Todas essas instituições são incorrigíveis e irreformáveis, e qualquer esperança de mudança não é nada mais que ilusão. Seguem propondo o mesmo, mas com um discurso diferente e uma estratégia de "relações públicas" desenhada para ocultar suas verdadeiras intenções. Quem tiver duvidas, olhe o que estão propondo para "solucionar" a crise na Grécia: as mesmas receitas que aplicaram e continuam aplicando na América Latina e na África desde os anos 80!


A seguir, alguns dados (com suas respectivas fontes) recentemente sistematizados pelo CROP, o Programa Internacional de Estudos Comparativos sobre a Pobreza, radicado na Universidade de Bergen, Noruega. O CROP está fazendo um grande esforço para, desde uma perspectiva crítica, combater o discurso oficial sobre a pobreza, elaborado há mais de 30 anos pelo Banco Mundial e reproduzido incansavelmente pelos grandes meios de comunicação, autoridades governamentais, acadêmicos e "especialistas" vários.


População mundial: 6.800 bilhões, dos quais...


1,020 bilhão são desnutridos crônicos (FAO, 2009)

2 bilhões não possuem acesso a medicamentos (http://www.fic.nih.gov/)

884 milhões não têm acesso à água potável (OMS/UNICEF, 2008)

924 milhões estão "sem teto" ou em moradias precárias (UN Habitat, 2003)

1,6 bilhão não têm eletricidade (UN HABITAT, "Urban Energy")

2,5 bilhões não têm sistemas de drenagens ou saneamento (OMS/UNICEF, 2008)

774 milhões de adultos são analfabetos (http://www.uis.unesco.org/)

18 milhões de mortes por ano devido à pobreza, a maioria de crianças menores de 5 anos (OMS).


218 milhões de crianças, entre 5 e 17 anos, trabalham precariamente em condições de escravidão e em tarefas perigosas ou humilhantes, como soldados, prostitutas, serventes, na agricultura, na construção ou indústria têxtil (OIT: A eliminação do trabalho infantil: um objetivo ao nosso alcance, 2006).


Entre 1988 e 2002, os 25% mais pobres da população mundial reduziram sua participação na renda global de 1,16% para 0,92%, enquanto os opulentos 10% mais ricos acrescentaram mais às suas fortunas, passando de dispor de 64,7% para 71,1% da riqueza mundial. O enriquecimento de uns poucos tem como seu reverso o empobrecimento de muitos.


Somente esse 6,4% de aumento da riqueza dos mais ricos seria suficiente para duplicar a renda de 70% da população mundial, salvando inumeráveis vidas e reduzindo as penúrias e sofrimentos dos mais pobres. Entenda-se bem: tal coisa se conseguiria se simplesmente fosse possível redistribuir o enriquecimento adicional produzido entre 1988 e 2002 dos 10% mais ricos. Mas nem sequer algo tão elementar como isso é aceitável para as classes dominantes do capitalismo mundial.


Conclusão: se não se combate a pobreza (que nem se fale de erradicá-la sob o capitalismo) é porque o sistema obedece a uma lógica implacável centrada na obtenção do lucro, o que concentra riqueza e aumenta incessantemente a pobreza e a desigualdade sócio-econômica.


Depois de cinco séculos de existência eis o que o capitalismo tem a oferecer. O que estamos esperando para mudar o sistema? Se a humanidade tem futuro, será claramente socialista. Com o capitalismo, em compensação, não haverá futuro para ninguém. Nem para os ricos e nem para os pobres. A frase de Friedrich Engels e também de Rosa Luxemburgo, "socialismo ou barbárie", é hoje mais atual e vigente do que nunca. Nenhuma sociedade sobrevive quando seu impulso vital reside na busca incessante do lucro e seu motor é a ganância. Mas cedo que tarde provoca a desintegração da vida social, a destruição do meio ambiente, a decadência política e uma crise moral. Ainda temos tempo, mas já não tanto.

FONTE: CORREIO DA CIDADANIA/Atilio A. Boron é diretor do PLED, Programa Latinoamericano de Educación a Distancia em Ciências Sociais, Buenos Aires, Argentina.