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domingo, novembro 10, 2013

Primeira-dama de Nova Iorque: negra e bissexual


A nova primeira-dama de Nova York, Chirlane McCray, tem uma vida que chama mais a atenção do que seu marido, Bill de Blasio, recém eleito prefeito da cidade.

Esta mulher negra, nasceu na cidade de Springfield. Lá ela viveu até 10 anos de idade quando seu pai, um funcionário do militar, decidiu se mudar para Longmeadow, um lugar que Chirlane McCray descobriu que o mundo não era tão justo quanto ela acreditava e levou-a a tornar-se poeta, escritora e a figura política que é hoje.

Na época da mudança, os vizinhos receberam a família pedindo-lhes para deixar o bairro. Eles foram a segunda família de negros na área e ela a estudante negra na escola. Seus colegas de classe brincavam com ela por causa da cor da pele, então ela calmamente se refugiou nos poemas que escreveu como uma válvula de escape para sua raiva reprimida. Esta foi a sua primeira abordagem ao racismo e intimidação, o que chamam agora de “bullying”.

McCray não sentiu-se triste, mas a raiva a levou a escrever, de expressar até no seu jornal da escola sobre o seu descontentamento. Assim que se formou, ela foi para Nova York, a metrópole onde, finalmente, seus escritos foram ecoadas. Em 1979, no auge da libertação da mulher escreveu um ensaio intitulado “Eu sou lésbica”. A carta tinha a intenção de desmistificar o ditado “Não negro é gay”. Foi publicado em uma revista onde McCray foi a primeira negra que ousou falar abertamente sobre sua sexualidade. “Em 1970, eu me identificava como lésbica e escrevi sobre isso. Em 1991, eu conheci o amor da minha vida e me casei com ele “, confessou em 2012.

Em 1991, ela passou a trabalhar como prefeito David Dinkins em Nova York, onde conheceu Bill de Blasio, de ascendência alemã e italiana. Ela escreveu discursos, enquanto ele atuava como vice-prefeito. Em meio às vicissitudes políticas se apaixonou e se casou três anos depois. Hoje eles têm dois filhos Clara e Dante, que se tornaram alvo de críticas por seus cabelos afro e pelas tranças. Na campanha de seu marido para prefeito de Nova York, foi ela quem editou as falas e entrevistou candidatos para cada posição.

Hoje McCray já entrou para a história como a primeira pessoa mulher bissexual que ocupa o cargo de primeira-dama no país. “Eu realmente nunca namorei nenhum homem. Então eu pensei: Uau, o que é isso? Agora eu me sinto atraído por homens. Eu fui atraída por Bill. Ele era a pessoa perfeita para mim. Como duas pessoas muito diferentes, mas temos muito em comum. Somos um casal muito convencional, não convencional “.

Fonte: Las2Orillas Tradução: Correio Nagô

quarta-feira, abril 10, 2013

Uruguai se torna 2º a aprovar casamento gay na América do Sul









Por 71 votos a favor e 21 contra, a Câmara dos Deputados do Uruguai aprovou nesta quarta-feira o "matrimônio igualitário" no país, equiparando o casamento entre homossexuais e heterossexuais. O texto ainda precisa ser sancionado pelo presidente José Mujica, que já se pronunciou a favor da medida.



A nova lei determina que "o matrimônio civil é a união permanente de duas pessoas de sexos diferentes ou iguais".

O Uruguai é o segundo país na América do Sul a permitir legalmente o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A Argentina foi a primeira da região a aprovar uma lei semelhante, em 2010.

Na América Latina, a Cidade do México autorizou casamento entre pessoas do mesmo sexo em 2009.

No Brasil, o Supremo Tribunal Federal reconheceu em 2011 a união estável entre casais homossexuais. No Estado de São Paulo, desde março cartórios deixaram de exigir autorização judicial para oficializar uniões civis homossexuais. Estados como Bahia, Alagoas, Paraná, Mato Grosso do Sul, Piauí, Sergipe e Ceará têm normativas similares.

A lei uruguaia aprovada nesta quarta também estabelece outras mudanças no código civil, como o fim da obrigatoriedade de que o sobrenome paterno anteceda o materno no registro dos nomes dos filhos de um casal.

Tanto no caso de uniões heterossexuais como homossexuais, a nova lei determina que a ordem dos sobrenomes dos filhos obedece somente à vontade de seus pais. Foram equiparados, ainda, deveres e direitos quanto a situações como divórcio, pagamento de pensão alimentícia, filiação e separação de bens.

"Com essa lei, o que se reconhece é o olhar de uma sociedade heterogênea, onde não se determina quais corpos são os corretos, onde não há uma leitura homogeneizante", disse à BBC Brasil a advogada Michelle Suárez, redatora da lei e integrante do grupo Ovelhas Negras, ONG de defesa dos direitos da comunidade LGBT no Uruguai.

Na semana passada, o projeto passou pelo Senado com ampla maioria (23 votos a favor e 8 contra). Apesar de já ter sido votado favoravelmente pela Câmara no ano passado (por 81 votos a 6), teve de voltar aos deputados por causa de modificações feitas pelos senadores.

Aborto

Em comunicado difundido nesta semana, o Conselho Permanente da Conferência Episcopal do Uruguai afirmou que, assim como o aborto (descriminalizado no país há quase seis meses), a lei de matrimônio igualitário seria "um novo retrocesso" para o ordenamento jurídico do país, "que fundou sua existência no respeito e na defesa da instituição familiar, base constitucional da nossa sociedade".

Os bispos citaram também declarações do então cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio -hoje papa Francisco- quando projeto de lei semelhante estava prestes a ser votado na Argentina. "Está em jogo uma negação frontal à lei de Deus", escreveu, em 22 de junho de 2010.

Em outubro do ano passado, o Uruguai aprovou lei que determina a legalidade da interrupção voluntária da gravidez até a 12ª semana de gestação.

Também estabelece que a mulher que deseja abortar deve passar por um médico e por uma comissão formada por psicólogos, ginecologistas e assistentes sociais para receber assessoria sobre a sua decisão e para que passe posteriormente a uma fase de "reflexão" de cinco dias, antes de realizar o procedimento em centros de saúde públicos ou particulares.

Em 2008, um projeto semelhante foi vetado pelo então presidente Tabaré Vázquez, o primeiro mandatário de esquerda a ocupar a Presidência do país. No ano passado, o aborto voltou novamente a ser discutido, e o atual presidente uruguaio, José Mujica, avisou que não iria vetar a decisão que saísse do Congresso.

Maconha em discussão

Além do aborto e do matrimônio gay, a sociedade uruguaia também vem discutindo a legalização da venda e do autocultivo da maconha no país. O consumo pessoal não é penalizado.

Uma das propostas que mais ganhou atenção dentro e fora do país, a de que o Estado regule a produção e a venda da cannabis, partiu do próprio Mujica. O projeto está à espera de votação.

Entre outras disposições, a proposta estabelece a criação de um cartão com códigos pessoais para que os consumidores da droga possam comprá-la do Estado, e que o governo possa, dessa maneira, controlar a comercialização. O Estado venderia cerca de 40 gramas de maconha a 700 pesos (aproximadamente R$ 70).

A expectativa da Frente Ampla, que precisa de maioria absoluta dentro da coalizão para que a proposta passe na Câmara dos Deputados e no Senado, é conseguir adesão total de seus parlamentares para que seja aprovada ainda este ano.

Para Suárez, a conjunção de "um ambiente político favorável" e da existência de grupos que apresentam "demandas com propostas amadurecidas" está fazendo com que o Uruguai "avance significativamente em matéria de direitos civis".

FONTE: BBC BRASIL

quarta-feira, setembro 28, 2011

28 de setembro é o Dia Latino-Americano e Caribenho de Luta pela Descriminalização e Legalização do Aborto





O aborto é mais um dos dramas que atingem as mulheres trabalhadoras e pobres no Brasil



No país, a cada ano, cerca de um milhão de mulheres, ricas e pobres, fazem aborto. Mas dessas, apenas as ricas estão livres de qualquer perigo para a saúde, porque fazem em clínicas caras.


O aborto é a quarta maior causa de morte entre as mulheres. As mulheres pobres estão expostas a graves perigos nas clínicas clandestinas ou nos métodos caseiros. A cada ano, cerca de 150 mil mulheres morrem ou ficam com sequelas graves. A maior parte é negra, jovem e pobre. E essas, as pobres, além de terem suas vidas em risco, estão sendo presas e condenadas.


Essa situação dramática só ocorre porque a prática do aborto é condenada no Brasil. Apenas em dois casos o aborto é legal: se a vida da gestante está em perigo ou se a gravidez resulta de estupro. Mesmo assim, as mulheres são discriminadas e maltratadas nos hospitais.


Por que defender a legalização do aborto?

Ao contrário da Igreja Católica, que diz defender os chamados métodos “naturais” de contracepção e se opõe a uma verdadeira educação das mulheres e homens sobre todos os métodos, nós defendemos que as mulheres têm de escolher livremente o método mais indicado. A distribuição gratuita de anticonceptivos é uma obrigação do Estado, que tem de garantir, também, acompanhamento médico para todas as mulheres na rede pública de saúde.


A decisão sobre ter ou não ter filhos deve ser unicamente da mulher, bem como sobre o número de filhos que deseja, quando e como vai tê-los. Por isso, é urgente a descriminalização da prática da interrupção da gravidez. Existe a necessidade de uma nova lei que não somente legalize o aborto, mas que torne obrigatória e gratuita sua realização na rede pública de saúde.


Dessa forma, todas as mulheres poderão contar com assistência médica adequada caso optem por interromper a gravidez. Esse é o único caminho para garantir o direito ao aborto para todas as mulheres e, ao mesmo tempo, evitar a mortandade feminina por complicações decorrentes de abortos clandestinos.


A presidenta Dilma, o PT e a vida das mulheres trabalhadoras e pobres do Brasil

Pela primeira vez na história do país, uma mulher é eleita para ocupar o posto de maior poder no país. O fato de ser mulher trouxe esperanças às mulheres de verem suas demandas atendidas e, dentre elas, a bandeira histórica do aborto descriminalizado e legalizado.


Porém, durante a campanha eleitoral, Dilma seguiu a orientação do governo e cedeu à pressão das bancadas religiosas que chantagearam, dizendo que retirariam o apoio à candidatura petista. A “Carta ao povo de Deus”, dirigida ao público religioso, no segundo turno, foi a comprovação de que o PT havia abandonado seu programa e a bandeira histórica da descriminalização e legalização do aborto, construída na década de 1980. “Eleita Presidente da República, não tomarei a iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto”, diz o documento.


O aborto já é, na prática, um direito garantido para quem tem dinheiro no Brasil. Por isso, neste dia 28, estamos junto com organizações feministas, discutindo com mulheres e homens trabalhadores e da juventude a necessidade de exigir que Dilma priorize a vida das mulheres que estão morrendo, descriminalizando e legalizando a prática do aborto no país. Exigimos deste governo uma campanha de orientação sexual nas escolas e distribuição de todos os métodos contraceptivos gratuitamente pela rede de saúde pública, inclusive a pílula do dia seguinte.
FONTE: SECRETARIA NACIONAL DE MULHERES DO PSTU

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Só para esclarecer, até o escurecer

O feminismo não se inscreve no mundo dos números naturais. Ele é um acontecimento histórico inscrito nas configurações complexas e se move em escalas, sentidos, graus, dimensões, estruturas, conexões e códigos dispares e múltiplos que se conectam de forma quase aleatória.



“O que se segue não é imparcial. Escrevo de uma posição particular no espaço e no tempo que compartilho com outras pessoas. Nem é desinteressado. Não finjo avaliar com justiça tudo. Meu projeto é pessoal, a saber, cogitar até resolver um problema concreto imediato. A questão não é fazer um catálogo de erros, mas aprender a possuir o passado, lembrar como pensávamos de determinado modo pela primeira vez, e continuamos pensando, e a dificuldade que tínhamos em agir pensando daquele modo. Essa é, parece-me, a unica maneira de aprender a ser o passado e ao mesmo tempo não o ser, pois cada novo esforço em compreender o que foi pensado e feito cria um novo passado e um novo futuro." (Andréa Nye)



As sociedades humanas são complexas e os seus membros se atraem ou se repelem em função de sua pertinência. A pessoa humana só, não existe, mesmo quando solitária. Para se construir e entender-se, a pessoa humana precisa pertencer. Essa pertinência vai desde a linguagem, passa pelos grupos e classes sociais e invade as culturas, os saberes, e até mesmo as idiossincrasias. As sociedades não são essencialmente harmônicas. Elas estão sempre se transformando a partir dos conflitos e das contradições que a fazem mover e se transformar. Assim, as sociedades funcionam, muito mais, pela lógica das contradições do que pela lógica da identidade.

À luz desse primeiro entendimento é que os direitos devem ser vistos. Não mais direitos que apenas se cristalizam em leis ou códigos, mas que se constituem a partir de conflitos, que traduzem as transformações e avanços históricos da humanidade. Não podemos mais entendê-lo como fruto de uma sociedade abstrata de sujeitos individuais, mas como a expressão coativa de tensões e contradições engendradas pelos embates de interesses e projetos de grupos sociais. O direito, para ser entendido em sua concretude, necessita de ser visto sob o ângulo do contexto que lhe deu origem, dos processos que o constituíram, das formas como foi normatizado e dos efeitos que gera nas sociedades.


Em acordo com os ensinamentos jurídicos do Prof. Warat(1): " A lei do gênero faz referência às tipificações(e/ou esteriotipações) que normatizam formas diferentes de subjetividade conforme o sexo que se possua. É uma lei que organiza de um modo maniqueísta as condições existenciais de ambos os sexos, assim como regula os comportamentos socialmente requeridos para ser hetero e auto reconhecido como homem ou mulher. Uma lei que naturalizando as diferenças nega a produção da subjetividade.

A lei do gênero, pouco tematizada com homens, determina - de um modo silencioso - atributos de masculinidade que asseguram para os machos de nossa espécie, lugares de domínio(sobre si mesmo, sobre a natureza, sobre as mulheres e sobre as crianças), valores(liberdade, sabedoria, justiça, coragem e ambição) e atributos(sangue-frio, racionalidade, serenidade, fortaleza, segurança - em si mesmo e frente ao mundo) e poderes (políticos e sobre os outros) e o ideal de masculinidade(políticos e sobre os outros), a auto-satisfação irá aumentando à medida em que cada indivíduo se aproxime destes requisitos ideais. Altos preços sociais e psicológicos serão pagos pela inadequação.


Os homens não se perguntam o que é ser homem. Eles se perguntam (dando por descontada a resposta, pela lei da masculinidade) se são suficientemente homens.

A identidade feminina não depende de nenhum excesso (muitos deles, inclusive, são censurados). Não existe a preocupação por ser toda mulher. Elas se perguntam sobre o que é ser mulher. No lugar do excesso há um enigma. As mulheres não assumem nenhum ideal valorizado para elas mesmas. Não pretendem ajustar-se à nenhuma norma normativa. Principalmente porque as normas de feminilidade são estabelecidas pelos homens que se reservaram o direito de julgá-las e reconhecê-las em sua condição feminina. Não há lei do gênero para a mulher, existem devires. No devir-mulher não existe nenhuma busca de essências, nenhum ajuste à uma normativa ideal. Existe a fragmentação, o rizoma."


"A partir da década de 80, ordenamentos jurídicos do mundo todo, inclusive do nosso Brasil, sofreram forte influências com a existência dos chamados movimentos críticos, dentre os quais merece especial destaque o FEMINISMO.


O feminismo promoveu a maior revolução que a humanidade já viveu e está a viver, a revolução sexual.


Com a revolução sexual, o feminismo mudou radicalmente a vida da humanidade, questionando comportamentos, padrões, convenções e convivências, ao ponto de ter elaborado a Feminsit Legal Theory - Teoria Feminista do Direito.


No seio da Teoria Feminista do Direito, as várias correntes feministas que se apresentam são geralmente agrupadas como:



a) FEMINISMO LIBERAL, que defende a superação das desigualdades experimentadas pelas mulheres mediante igualdade de tratamento, relutando admitir medidas diferenciadas por nelas vislumbrar a presença de uma ideologia de superioridade masculina que se traduz, por exemplo, em atitudes paternalistas, reforçadoras dos papéis tradicionais que inferiorizam mulheres diante de homens. Trata-se de uma postura tipicamente antidiferenciadora entre os gêneros, tanto que algumas feministas liberais são chamadas de "feministas simétricas", numa referência ao modo de aplicação da igualdade entre homens e mulheres. Daí a crítica a suas posturas, comumente tachadas de "assimilacionistas", por implicar a aceitação do modelo masculino como norma universal em face da qual a igualdade de tratamento será verificada e à qual as mulheres devem se conformar.


b) FEMINISMO CULTURALISTA, também conhecido como relacional, tem como ponto de partida a postulação da existência de diferenças fundamentais entre homens e mulheres, os quais apresentam diferentes processos de desenvolvimento moral. Enquanto os homens, ao depararem-se com conflitos morais, frequentemente organizam-se por meio de idéias de justiça e formulam raciocínios lógicos baseados em direitos individuais abstratos, as mulheres são mais inclinadas a uma ética de cuidado, preocupada na preservação das relações e preferindo soluções contextuais e particularizadas. Segundo as feministas relacionais, a voz diferente resultante deste processo diferenciado de desenvolvimento moral possibilitaria às mulheres maior capacidade de solução dos problemas, dada a ênfase em valores como cuidado com o outro, abertura, simpatia, paciência e amor. A denominação culturalista deve-se ao fato de visualizar a libertação feminina através da afirmação de uma contra-cultura centrada na realidade das mulheres. A afirmação dessa contra-cultura faria a realidade feminina inassimilável à norma geral de igualdade de tratamento, daí enfantizando que o tratamento como igual destas duas realidades diversas só é possível através de medidas diferenciadas. Neste sentido, as feministas culturalistas divergem da argumentação geralmente aceita pelas feministas liberais.


c) FEMINISMO RADICAL, sustenta que a desigualdade sexual é resultado da sistemática subordinação social das mulheres, não simplesmente uma aplicação irracional e preconceituosa do princípio da igualdade. Denuncia a masculinidade como pano de fundo onde são forjadas as idéias de "neutralidade por motivo de gênero" ou "proteção jurídica especial a mulheres" - temas centrais, respectivamente, para feministas liberais e as feministas culturalistas. Em lugar das categorias igualdadeXdiferença, tensão sempre subjacente nos argumentos liberais ou culturalistas, as feministas radicais sugerem a abordagem da dominação, pois não aceitam de modo acritico a realidade da supremacia masculina entre os sexos que aceita o satus quo como standart.


d) FEMINISMO PÓS-MODERNO, entendido como crítica radical às formulações essencialistas e universalistas presentes nas demais correntes feministas. O feminismo pós-moderno enfatiza a inexistência de uma experiência feminina monolítica, salientando a diversidade racial, econômica, religiosa, étnica e cultural de cada mulher. A principal preocupação é a construção de respostas à discriminação sexual a partir da desvantagem estrutural experimentada pelas mulheres nas mais diversas posições, sugere uma abordagem diversa do ideal de "igualdade simétrica" das feministas liberais, da "desigualdade-essencial" das feministas culturalistas ou da "subordinação universal" das feministas radicais."(2)


Cabe esclarecer, ate o escurecer, que não existem "facções feministas" e, mais do que oferecer pólvora pra chimango, importa colaborar para a consolidação de um outro olhar diante da discriminação e da violência que caracterizam as relações de gênero.

O feminismo não se inscreve no mundo dos números naturais. Ele é um acontecimento histórico inscrito nas configurações complexas e se move em escalas, sentidos, graus, dimensões, estruturas, conexões e códigos dispares e múltiplos que se conectam de forma quase aleatória.


Existem "n" feminismos, no tempo e no espaço e, dentre eles os que, a meu ver, são os mais consistentes, não são os feminismos partidários, isto é, ligados a fluxos de linhas de forças culturais de cada época; os mais consistentes são os mais mutantes e, dentre esses, destaco o feminismo vagabundo e o feminismo clandestino.

O feminismo vagabundo é o feminismo guerrilheiro e atua no sentido de liberar a produção desejante, ainda que possa ser frequentemente apedrejado, ele é heroico.

O feminismo clandestino, o que eu mais gosto, libera o afeto-erótico, vive abrindo roturas em direção ao paraíso e é exemplificado pela atitude terna de um amante que acorda de madrugada para fazer xixi e quando volta para a cama acaricia o dorso de sua pessoa amada e, então, trocam sussurros insinuantes e risonhos.

Esse agrupamento de reflexões e ensinamentos surgem por conta da troca de farpas e insultos que se deram dias atrás em blogs e twitter, o que me faz pensar que são sinais de que há ainda muito por dizer, fazer, pois muito pouco do que as mulheres pretenderam foi alcançado, no que diz respeito às mentalidades e representações

O feminismo ainda faz sentido, os espaços de liberdade não estão assegurados e nem ao menos sabemos como analisar esse fenômeno cíclico a que chamamos feminino, que vai e vem, que nos deu o voto e o direito à educação; a algumas deu o direito ao seu corpo, a outras a um pouco de dignidade ou à consciência de ser. E a todas talvez a unica satisfação de reconhecer-nos numa experiência ao mesmo tempo diferente e comum de viver no feminino.


A sociedade patriarcal agoniza mas não morre.




* título copyleft da letra música Teto Solar de Tonho Crocco

1. Luis Alberto Warat


2. algumas anotações de Roger Raupp Rios


elenara vitoria cariboni iabel é uma cidadã comum, feminista, produtora cultural, comunicóloga social, fundadora da Themis - assessoria juridica e estudos de genero, colaboradora do des).(centro - nó emergente de ações colaborativas , fundadora da G2G ; mãe do Cauã(21), da Inaê(15) e do Ariel(12) e conhecida pela quantidade de pessoas amigas que ama. Colabora no desenvolvimento da rede MetaReciclagem encontros de Submidialogias e com a Ciranda Internacional da Informação Independente ; é membro afetiva do conselho fiscal da Compas - Associação Internacional de Informação Compartilhada; presta consultoria em cultura digital para CEA - Centro de Educação Ambiental/Vila Pinto apoia e promove programas de cultura digital/pontos de cultura do Minc-governo federal. Não gosta do sistema operacional windows, de violência e de machismo.


FONTE: REVISTA FÓRUM/Elenara Vitória Cariboni Iabel

terça-feira, março 09, 2010

'Dia da Mulher é um absurdo', diz supermodelo somali

Milhões de mulheres no mundo todo são cumprimentadas no Dia Internacional da Mulher, mas para a supermodelo somali Waris Dirie essa ideia é absurda. "Todos os dias, as mulheres movem montanhas. É um insulto haver um dia internacional para as mulheres", afirmou Dirie à Reuters antes da pré-estreia de um filme baseado em sua vida, que será lançado na quarta-feira na França.

"Desert Flower" ("flor do deserto") mostra como Dirie usou sua fama como modelo para conscientizar e mobilizar o mundo para acabar com a circuncisão feminina.

Dirie foi submetida à mutilação genital aos 3 anos, junto com suas duas irmãs, que não sobreviveram. Hoje embaixadora da ONU para a eliminação da mutilação genital feminina, ela diz que os governos africanos "não ligam para esse tipo de assunto" e "não fazem absolutamente nada para ajudar".

Daí, segundo ela, a absoluta necessidade de ajuda das ONGs. O site da Fundação Waris Dirie estima que pelo menos 150 milhões de mulheres e meninas sejam afetadas por essa prática cruel, mantida ainda hoje na África e em outros continentes.

Milhares de mães continuam entregando suas filhas para a mutilação, mesmo que vivam na Europa ou na América, já que isso representa uma forma de se aferrarem a suas crenças tradicionais.

O filme diz que 6.000 mulheres têm seus genitais extirpados por dia. A prática se baseia na crença de que mulheres não circuncidadas são impuras.

A mulher tem os genitais costurados até o casamento, e costuma sofrer infecções duradouras e distúrbios psicológicos.

Dirie nasceu no deserto da Somália e fugiu da família depois de ser entregue em casamento a um homem mais velho. Tornou-se uma grande modelo depois de ser notada por um fotógrafo, quando fazia faxina em uma lanchonete em Londres.

A Fundação de Amparo à Dignidade e os Direitos das Mulheres, parte da rede varejista francesa de luxo PPR, apoiou a divulgação do filme e organizou um evento de arrecadação para ONGs que combatem a mutilação genital feminina.

Membros da fundação incluem a atriz Salma Hayek e as estilistas Stella McCartney e Frida Giannini.

FONTE: REUTERS