Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!
Mostrando postagens com marcador BRASIL; FUTEBOL. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador BRASIL; FUTEBOL. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, maio 17, 2013

Copa de 2014 já é a mais lucrativa da história







Fifa fecha acordo com seu 6º patrocinador brasileiro e estima que renda será o dobro da verificada na Alemanha


A Fifa pode até ter suas aflições em relação à organização daCopa, mas financeiramente não tem do que reclamar: o Mundial de 2014 vai ser o mais rico da história, com uma renda 100% superior à da Copa de 2006, na Alemanha. A entidade fechou ontem seu último acordo com patrocinadores, com uma rede varejista de artigos esportivos.
A previsão inicial da Fifa era que o Mundial do Brasil garantiria uma receita de US$ 3,8 bilhões. Mas, faltando um ano para a bola rolar, comenta-se que os ganhos já superaram os US$ 4,1 bilhões e consultorias estimam que o valor poderá atingir US$ 5 bilhões.
Se o cálculo mais conservador for confirmado, a Copa do próximo ano terá renda pelo menos US$ 800 milhões superior à do Mundial da África do Sul, em 2010. A edição de 2006 rendeu US$ 2,1 bilhões, a metade da receita que poderá ser aferida no Brasil.
Do total dos ganhos em 2014, US$ 2,2 bilhões virão de receitas de direitos de transmissão. O restante virá de acordos comerciais, como o assinado ontem. O valor do contrato c0m a Centauro, o sexto e último patrocinador brasileiro da Fifa na Copa, não foi revelado.
Em 2012, os relatórios financeiros da entidade apontaram que a receita com a Copa já havia superado a marca de US$ 1,1 bilhão, metade vinda da venda de direitos de tevê. A venda dos direitos de marketing contribuíram com US$ 370 milhões. A Fifa também investirá mais no Brasil do que na África do Sul. Segundo o orçamento, gastará com o evento no País US$ 1,38 bilhão, US$ 300 milhões a mais do que em 2010.
Bilionária e sem pagar impostos, a Fifa distribuirá um prêmio recorde às 32 seleções: US$ 454 milhões, o maior da história das Copas. Na Alemanha, em 2006, o prêmio total foi de US$ 261,4 milhões. O Mundial de 2002, vencido pelo Brasil, distribuiu apenas US$ 154 milhões. Em abril, o Estado revelou que o governo brasileiro estima ter aberto mão de R$ 1 bilhão em impostos por causa das isenções fiscais que concedeu para a realização da Copa. 

FONTE: ESTADÃO

domingo, março 17, 2013

Sites de apostas em futebol crescem no Brasil e legislação aumenta risco de manipulação de resultados




Brasileiros apostaram R$ 4 bilhões

 em sites estrangeiros de

 apostas esportivas em 2012

O futebol brasileiro vive um momento de risco. Por um lado, a arrecadação de sites estrangeiros de apostas esportivas com usuários do Brasil quintuplicou entre 2009 e 2012 – ou seja, aumentou o contingente de interessados em acertar (no bom sentido) resultados de jogos de campeonatos e torneios. Por outro, nossa obsoleta legislação coloca os operadores dessas páginas em uma “zona cinza” jurídica e dificulta a detecção de eventuais esquemas para acertar (no mau sentido) resultados.
A manipulação de partidas de futebol é uma praga que se alastra. O mundo foi surpreendido com a revelação do escândalo do Calcioscommesse, após investigação entre 2011 e 2012, que mostrou o arranjo em jogos da segunda, terceira e quarta divisões da Itália. O mais estarrecedor foi divulgado no mês passado pela Europol, polícia com sede na Holanda que atua na Comunidade Europeia.
A investigação conduzida pela entidade apontou 680 jogos suspeitos entre 2008 e 2011, incluindo confrontos na América do Sul. Essa apuração não flagrou arranjos no Brasil. Um total de 425 pessoas foram apontadas como suspeitas de envolvimento e 50 delas foram detidas.
De acordo com a Europol, os manipuladores embolsaram cerca de US$ 11 milhões (mais de R$ 22 milhões) e distribuíram US$ 3 milhões (cerca de R$ 6 milhões) em subornos.
No Brasil, a legislação dificulta o monitoramento de possíveis deslizes, apesar do crescimento do número das apostas em sites estrangeiros. 
O volume já é astronômico. Em 2009, usuários brasileiros gastaram R$ 800 milhões apostando em páginas do Exterior. O valor pulou para R$ 4 bilhões em 2012. Isso se aproxima dos R$ 4,2 bilhões arrecadados no ano passado pela Mega Sena.
 
A atividade é considerada jogo de azar, proibido desde a década de 1940. Mas há divergências. Alguns especialistas consideram legal a aposta em sites estrangeiros e comparam com o jogo em cassino de Las Vegas. Outros defendem que, se o jogo aqui surte efeito, fica sujeito às leis locais. Neste caso, é ilegal.

Por conta da antiga lei, os sites não são registrados no Brasil, o que dificulta a detecção de padrões “estranhos”, como a aposta de uma bolada de dinheiro bancando a vitória de uma equipe não favorita.
– O Brasil já conhece isso de perto, como vimos em 2005 com o caso Edilson. O que mais preocupa é que não se toma nenhuma atitude. O crescimento (das apostas) é normal, já que acompanha o ritmo de todo o mundo – lembra Pedro Trengrouse, membro do Conselho de Estudos Jurídicos do Ministério do Esporte e Coordenador de Projetos da Fundação Getúlio Vargas.
Em meio ao aumento das apostas, o Brasil está despreparado para reagir ao sinal de alerta que vem da Europa. O risco é cada vez maior.
"Eu aceitei dinheiro"
O brasileiro Joelson José Inácio, 28 anos, é um dos envolvidos no escândalo do Calcioscommesse, que estourou na Itália entre 2011 e 2012 e distribuiu sanções a um total de 117 pessoas. O atacante, que fez toda sua carreira na Europa, atuava pelo pequeno Grosseto, da segunda divisão, entre 2009 e 2010. Foi quando aceitou arranjar resultados, o que acarretou em sua suspensão do futebol por dois anos e meio. Em conversa com Zero Hora, revela como foi cooptado pelo esquema de manipulação.
Zero Hora – Como você foi convidado a manipular resultados?
Joelson – Um diretor do clube em que eu jogava me chamou um dia. A gente ia jogar contra o Ancona e precisava ganhar a partida para ir para o playoff que classificava à Série A. Ele perguntou se eu conhecia o goleiro do Ancona, que era o Da Costa, outro brasileiro. Pediu para eu conversar com ele, para ver se ele aceitaria o dinheiro do clube. No outro dia eu fui, mas o Angelo (Da Costa) recusou os 30 mil euros, que era a quantia. Mas outros jogadores do meu time tinham relacionamento com apostadores. Depois, nós fomos jogar contra o Reggina e um deles (Filippo Carobbio) veio me procurar para fazer a combinação desse jogo. Me ofereceu 22 mil euros. Nesse caso, eu aceitei dinheiro. O meu passe era do Reggina (Joelson estava emprestado ao Grosseto) e eu ia voltar para lá em dois meses. Eles precisavam ganhar, se não seriam rebaixados para a terceira (divisão), seria até bom para mim que eles ganhassem, e nós já não tínhamos mais o que fazer no campeonato. Quando ele (Carobbio) pediu para a gente, eu e mais quatro jogadores, não sabíamos que ele estava envolvido em um esquema tão grande.

ZH –  Como foi o jogo contra o Reggina?
Joelson – Eu fiquei na reserva. Pela combinação, o Reggina tinha que ganhar por 
2 a 0 e estava assim quando entrei. Acabei fazendo um gol, e os caras nem olharam para mim. O meu gol desfez o resultado combinado. Depois, teve um pênalti para a gente. Eu era o batedor, mas não quis bater. Tinha medo de acertar e afundar o Reggina. Quando a combinação não deu certo, nós devolvemos o dinheiro.

ZH – O que você planeja para o futuro?
Joelson – É cumprir metade da pena, porque depois disso, ela pode ser diminuída. Eu errei e estou pagando. Só está pagando quem falou o que aconteceu. Quem ficou quieto, aproveitou que a poeira já baixou.

ZH – Você se arrepende do que fez?
Joelson – Eu não precisava. O dinheiro que foi oferecido para mim, eu ganhava mais do que aquilo por mês. Eu fiz essa coisa me envolver muito fácil. Mas isso não é desculpa. Eu errei porque eu errei.

Quadrilhas, mistério e traição
A história de Tan Seet Eng, acusado de comandar uma quadrilha que manipula resultados de futebol pelo mundo, é um livro fechado. Há muita especulação e poucas certezas sobre a vida de Dan Tan, como é conhecido pelas autoridades policiais.
Ele seria o principal responsável pelo escândalo revelado pela Europol no mês passado. Não se sabe ao certo sua nacionalidade ou idade, mas a maioria das descrições o aponta como um chinês com cerca de 40 anos.
Em 2011, o jornal The New Paper, de Cingapura, conseguiu uma rara entrevista com o suspeito.
— Não sei por que sou descrito como um manipulador de resultados. Sou inocente — garantiu.
Seu nome surgiu pela primeira vez quando Wilson Raj Perumal foi preso na Finlândia, há quase dois anos. Na época, citou Dan Tan como um comparsa que liderava a quadrilha e o traiu.
A história da prisão de Perumal é um capítulo à parte. Em fevereiro de 2011, um homem de Cingapura entrou em uma delegacia de polícia de Rovaniemi, na Finlândia, e informou que seu compatriota (Perumal) estava na cidade com um passaporte falso. A polícia passou a seguir Perumal, até que o flagrou pagando propinas a três jogadores da equipe local.
Desde que Dan Tan foi apontado como chefe da quadrilha, a Justiça italiana emitiu mandado para sua prisão, mas como o suspeito não deixa o país onde vive, segue livre. O governo de Cingapura recebeu críticas por não cooperar com as autoridades policiais estrangeiras na luta contra os manipuladores.
Se Tan era realmente criminoso, parece ter mudado de lado nas últimas semanas. A rede inglesa BBC noticiou, no mês passado, que ele está ajudando a polícia de Cingapura nas investigações de manipulação de resultados. A informação surgiu dias após a prisão, pela Interpol, de um de seus supostos comparsas, o esloveno Admir Suljic, na Itália.
"É fácil ficar viciado"
Divertidos, cheios de alternativas e feitos para viciar. Estas são as imagens que um assíduo apostador usa para descrever os sites de apostas esportivas. Sem querer se identificar, o apostador diz que não tem expectativas de ficar rico ao colocar dinheiro nos jogos e o faz apenas para “dar mais graça” às partidas que acompanha.
Consciente, afirma que estipulou um limite de R$ 100 por ano para investir e “se divertir”, sem correr risco de perder muito dinheiro. Lembra que a maioria dos sites dobra o crédito do cliente que aposta pela primeira vez, numa estratégia que serviria para “fisgar” o jogador rapidamente.
— É preciso ter muito autocontrole. É fácil ficar viciado — garante.
 
O sistema dos sites permite a simples aposta em qual time vencerá a partida, mas há outras infinitas possibilidades, como, por exemplo, tentar prever se a soma dos gols marcados pelos dois times será par ou ímpar.

— Já fiz várias experiências. Uma vez, calculando que uma rodada de 10 jogos do Campeonato Inglês teria mais ou menos três empates, apostei em empate em todos os jogos. Às vezes isso funciona, outras não — ressalta o jogador.
É possível, também, apostar em combinações de resultados. Assim, o jogador consegue colocar um pequeno valor em várias partidas. Quando acerta todos os resultados, o lucro é bem maior, já que a premiação corresponde a todos os jogos que fazem parte da combinação.
O apostador, entrevistado por Zero Hora, revela que paga os sites com um cartão de crédito internacional. Diz que já sacou dinheiro de premiações, mas lembra que há sempre um valor mínimo – que varia dependendo do operador – para solicitar a retirada.
 
Neste caso, o pagamento é feito com transferência para a conta bancária do cliente. 

Colorado, diz que chegou até a apostar contra seu time de coração.

– Assim é bom. Quando eu faço isso, não tem resultado ruim para mim – afirma o jogador.
Caixa Federal pode entrar nas apostas
O tema das apostas esportivas entrou na pauta dos ministérios do Esporte e da Fazenda. As discussões, porém, são embrionárias. Há planos de regulamentar a prática, o que facilitaria o monitoramento, mas tudo ainda depende de estudos de operação de um sistema que seria gerido pela Caixa Econômica Federal.
O problema é que a entidade está acostumada a lidar com operações como a Loteria Esportiva, em que o jogador banca apenas quem será o vencedor da partida. As apostas na internet são mais complexas e possibilitam, por exemplo, tentar prever quem marca o primeiro gol de um jogo ou a equipe que terá mais escanteios a seu favor.
Se o estudo concluir que há possibilidade de criar o sistema, o governo acredita na confiabilidade de um órgão oficial para atrair os apostadores que hoje recorrem aos sites estrangeiros. Existe também a percepção de que será necessário oferecer premiações competitivas. Quanto ao perfil de quem aposta, já se sabe que difere dos que tentam enriquecer com as loterias. O jogador costuma investir pequenas quantias e o faz como forma de divertimento.
Em outubro do ano passado, uma reunião do Conselho de Estudos Jurídicos do Ministério do Esporte discutiu a questão. A ideia de legalizar e, ao mesmo tempo, criar uma agência reguladora, capaz de monitorar a atividade e captar possíveis tentativas de manipulação de resultados, foi introduzida.
– É necessário instituições fortes nessas demandas, já que o futebol é de uma importância que vai além do esporte – afirmou, à época, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo.
Não há prazo para avançar no tema, mas o Brasil analisará modelos de outros países antes de decidir os próximos passos. Um dos exemplos é o da França, que criou, em 2010, uma agência reguladora de apostas na internet.
FONTE: ZERO HORA / André Baibich

sábado, outubro 22, 2011

O camisa 10 está morto!









“Dez está morto! Dez permanece morto! E quem o matou fomos nós!”.

A adaptação de botequim do trecho de A Gaia Ciência, em que Friedrich Nietzsche “mata” Deus, põe a discussão na mesa.

Porque aqui, amigo e amante da bola, o espaço é de polêmica! E é isso mesmo que você leu: o camisa 10 está morto!

Há alguns anos, nas mesas dos bares, redondas e quadradas, ouço a mesma ladainha: “o que o time precisa é de um camisa 10”, “fulano de tal pediu um camisa 10 à diretoria”, “falta um armador pro nosso time” e por aí vai.

Depois de tanto ouvir e também propagar o papinho dos companheiros de mesa e/ou comentaristas/especialistas, cheguei à conclusão: o camisa 10, amigos, tal qual foi concebido, o cérebro do time, o armador com armadura de cavaleiro, altivo, que tudo vê e tudo sente, não existe mais.

E quem o matou fomos nós!

Nota: o maior de todos com a 10, Pelé, não entra na disputa e discussão, porque é de outro planeta, ok?

Voltemos ao tema.

Como diria o lendário Fiori Giglioti, o tempo paaaaaaaassa, torcida brasileira!

E o tempo levou a figura do camisa 10 dos nem tão belos gramados daqui, terras tupiniquins, e também dos verdes tapetes de lá, do Velho Continente.

“Imagina, meu chapa, você tá louco? Tem um monte de camisa 10 por aí! Só não tem no meu time!”, brada e brinca o amigo leitor.

“Quem?”, pergunto ao companheiro.

Quem? Você vai falar do Ganso, o craque que surge com pedigree dos grandes. Deixemos o menino de passadas leves e passes mágicos para o final do texto e vamos fazer uma viagem na linha do tempo do futebol.

Cena 1: Estreia do Brasil na Copa do Mundo de 1970, no México.

A Tchecoslováquia foi um adversário duro, começou vencendo, mas o time de Pelé e cia. se impôs, virou o jogo e meteu um 4 a 2 rumo ao tri.

O segundo e o terceiro e gols são muito parecidos.

Segundo: Gérson recebe a bola já na intermediária ofensiva brasileira, para, pensa e dá lindo lançamento para o Rei, que domina no peito e fuzila o goleiro tcheco.

Depois, o mesmo Canhotinha de Ouro pega a bola no círculo central e, sem ser acossado, lança Jairzinho, que chapela o goleiro e faz o terceiro.

O jogo ficaria marcado por aquele chute do Rei do meio-campo, um dos tantos gols que Ele não fez, mas que estão na história.

Cena 2: Final da Copa do Mundo de 1998, na França.

A seleção liderada por Zinedine Zidane põe o atordoado Brasil na roda, aplica um sonoro 3 a 0 e leva o primeiro título mundial de sua história.

Já são tempos de preparo físico, de verdadeiros atletas em campo, muito diferente dos anos 1970, em que Gérson, esse aí do parágrafo acima, fumava nos intervalos dos jogos!

Uma doída missão é rever a final de 1998.

Vi mais de cinco vezes.

É impressionante como Zidane desfila em campo, está em todos os lugares das quatro linhas, arma o jogo desde o campo defensivo e chega ao ataque para enfiar uma bola.

E ainda ajuda na marcação! É o camisa 10 moderno, que corre, marca, arma, pensa. Tudo isso em frações de segundo.

Cena 3: Final da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha.

Depois de carregar a França até a decisão, com atuação de gala contra o Brasil nas quartas-de-final – com direito a chapéu em Ronaldo Fenômeno – o mesmo Zidane das linhas de cima abre o placar contra a Itália, em um dos lances mais geniais das Copas.

Pênalti de cavadinha em final de Copa é pra macho, amigo!

Na prorrogação, o ogro italiano Marco Materazzi lembra as origens argelinas de Zizou, mexe com a mãe, a irmã e os brios do camisa 10 e leva uma chifrada no meio do peito.

O cartão vermelho para o francês “mata” o último Dez do futebol moderno.

O que corre, marca, arma, pensa em frações de segundo.

Em tempo: Ronaldinho Gaúcho, o 10 brasileiro na Alemanha, é e sempre foi, para este colunista, muito mais um atacante do que um armador.

A exemplo de Lionel Messi, o melhor do mundo atualmente.

Cena 4: Oitavas-de-final da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul.

A Espanha martela, martela, mas não consegue chegar ao gol contra os vizinhos ibéricos portugueses.

Aos 12 minutos do segundo tempo, Iniesta recebe a bola de costas, na boca da grande área lusa, tabela com o atacante, recebe de volta, caminha com a gorduchinha e espera.

Quando nota o companheiro Xavi, dentro da área portuguesa, sair da linha de impedimento, toca para o camisa 8.

Toda a ação é muito rápida, muito mais do que as palavras podem descrever. Ao receber, de costas, Xavi dá um calcanhar preciso e genial para Davi Villa, o matador da Fúria, que, depois de uma tentativa defendida pelo goleiro Eduardo, fuzila e leva os espanhóis às quartas. Depois, todo mundo sabe o que aconteceu!

De Gérson, que não vestia a 10 em 1970 porque o Rei era “o cara” – mas sempre foi o Dez nos times pelos quais atuou (Flamengo, Botafogo, São Paulo e Fluminense) -, até Xavi e Iniesta, passando por Zidane, são mais de 40 anos de história de futebol.

Um abismo separa os lançamentos do Canhotinha de Ouro dos passes milimétricos e curtos da dupla catalã da Fúria.

E aí que está a chave da questão deste polêmico texto: os comentaristas/especialistas, quando falam do camisa 10 nas mesas redondas ou quadradas, pensam em Gérson.

O cara que pega a bola, para, pensa, fuma um cigarro e dá lançamentos de 40 metros.

Temos de pensar em Xavi e Iniesta, os Dez modernos, que correm (e como correm!), marcam, armam e pensam em frações de segundo.

Ou em Zidane, que “já se foi”.

É como a diferença do analógico para o digital.

Gérson era analógico. Xavi e Iniesta são digitais.

Gérson era a carta. Os catalães são SMS.

O futebol acompanha o mundo. E o mundo hoje é acelerado, sem espaço nem tempo para pensar.

Em 1970, Gérson tinha todo o tempo/espaço para dar os maravilhosos lançamentos que dava.

Passes que ficaram na história como obras-primas, fotogramas.

No futebol de hoje, a dupla Xavi/Iniesta tem frações de segundo para colocar a força certa na bola para que esta chegue à Villa, Messi, Pedro, enfim, aos matadores à frente do dueto.

Passes que ficaram na história também como obras-primas, mas flashes.

Se você gosta de rock, a comparação fica entre John Bonham e Nick Mason.

A força e o ritmo do Led Zeppelin e a sutileza e a psicodelia do Pink Floyd.

“E o Ganso?”, lembra e pergunta o leitor que chegou até aqui.

Ganso pode ser a união de Xavi e Iniesta. Um outro Zidane. Quem sabe, poderei escrever outra coluna, ressuscitando o 10.

FONTE: Fernando Figueiredo Mello é jornalista e escreveu o texto acima originalmente para o Número 1 da revista RÁ!










EM TEMPO; PERGUNTA G'BALA:
SERÁ QUE A TORCIDA XAVANTE VENDO "ATHOS" DO SEU MEIO DE CAMPO ESTA SENTINDO FALTA DO CAMISA DEZ?

domingo, dezembro 12, 2010

Tricampeões do mundo em 1970 divergem sobre Brasileirão-2010



Palavra de quem sabe. Pode-se concordar ou não, mas é bom sempre respeitar a opinião daqueles que jogaram em um dos maiores times do planeta. A Seleção Brasileira tricampeã do mundo em 1970 é saudada até hoje como sinônimo de futebol arte. As cenas de TV ou de cinema comprovam para quem não viu. Na última segunda-feira, no Prêmio Craque Brasileirão, ao receberem a homenagem da CBF e do governo brasileiro, que criou aposentadoria para os eternos ídolos, os eternos canarinhos opinaram sobre o nível técnico da principal competição do país.

- Achei o campeonato horroroso, com futebol medíocre. Virou esporte de quem tem mais de dois metros de altura. Estamos numa fase de brucutus, jogadores guerreiros. A maioria das partidas teve mais de 100 passes errados. Vê se eles sabem dar um chapéu, uma caneta...Os dois maiores jogadores do Brasil nunca vingaram na Argentina, o Conca e o Montillo... Pô, eu vi Gérson, Rivelino, Didi e tantos outros meias fora de série, criativos. O único cara cerebral aqui é o Paulo Henrique Ganso - disse o ex-ponta-esquerda e meia, bicampeão carioca (1967-68) e campeão da Taça Brasil (1968) no Botafogo, campeão carioca no Flamengo (1972) e mundial interclubes no Grêmio (1983).


- O nível técnico foi baixo. Vi apenas três jogadores se sobressaírem... O Conca, o Montillo e o Neymar - disse o goeador do Brasil no México, campeão da Taça Brasil (1968) e bicampeão carioca pelo Botafogo (1967-68) e campeão da Libertadores pelo Cruzeiro (1976).Visivelmente irritado com a organização do evento, enquanto aguardava, à esquerda das escadas principais do Teatro Municipal, o momento de entrar com os demais tricampeões para assistir ao evento - "Estamos aqui largados suando neste calor enquanto gente que nunca chutou uma bola está lá no ar-refrigerado" -, PC Caju ganhou o coro do amigo Jairzinho. Companheiro nos tempos de Botafogo e Seleção Brasileiro, o Furacão não ficou satisfeito com o Brasileirão.

Carlos Alberto Torres, o capitão do tri, também não ficou empolgado com a competição.

- Achei média. O Fluminense mereceu o título. Isso foi indiscutível. Mas o campeonato não foi como tivemos antes. No ano passado, a arrancada do Flamengo deu mais emoção. Agora, o primeiro colocado terminou com 70 pontos, um número baixo se compararmos com o do Cruzeiro, em 2003, que chegou aos 100 - disse, esquecendo-se de que, na época, a competição era maior, com 24 clubes, o que dava 46 jogos por equipe, em vez dos atuais 38.

Grande xerife da zaga no futebol brasileiro nos anos 60 e 70, o ex-zagueiro Brito, que brilhou no Vasco, Flamengo e Botafogo, também se derreteu pelo craque argentino campeão pelo Tricolor carioca.- O Flu foi campeão brasileiro porque foi o mais regular. Mas chegou a dar mole. Só que os outros também deram...

- Conca fez a diferença realmente e caiu no gosto da torcida. Isso mostra que a rixa entre Brasil e Argentina é só ali no campo, na hora em que a bola rola. Gostei de o Fluminense ter sido campeão, é bom aqui para o Rio. E achei o campeonato bonito, os torcedores se comportaram muito bem.

Reserva de Tostão na Seleção de Zagallo, Roberto Miranda, que junto com Jairzinho e Paulo Cézar foi bicampeão carioca e levou a Taça Brasil pelo Botafogo, teve opinião diferente dos ex-parceiros de ataque ao analisar o Brasileirão.

- Foi um bom campeonato, e gostei muito do Flu, especialmente do Ricardo Berna e do Conca, que acho com stilo bem parecido com o do Messi - disse o ex-atacante, que vê em Kléber, do Palmeiras, o mesmo jeito guerreiro com que brigava na área com os zagueiros. - Para atacante não tem bola perdida - disse o botafoguense, fã do uruguaio Loco Abreu.

FONTE: GE.COM