Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!
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quarta-feira, setembro 14, 2011

Vândalos, bandidos, criminosos!











É com essas palavras que a grande imprensa brasileira qualifica as revoltas juvenis de Londres, ecoando o surpreendente discurso do governo inglês, que as tratou como um caso de polícia e os manifestantes como criminosos.

Nesta mesma toada estão sendo interpretadas as últimas grandes manifestações da juventude chilena, que saiu às ruas em centenas de milhares de pessoas, enfrentando a polícia com pedras, paus, coquetéis molotov, quebrando vidraças e ateando fogo em veículos.

É um endurecimento sem precedentes. No caso da Inglaterra, nenhuma das questões sociais que levaram esses jovens a um estado de revolta foi considerada. O argumento de transgressão da ordem, da prática de atos criminosos – o foco nos saques de estabelecimentos comerciais que vendem os ícones de consumo como telefones, ipads, computadores, roupas e calçados de grife, no incêndio de veículos – pretende dissociar estes atos do contexto em que ocorrem e criminalizar as manifestações e seus participantes.

Para esse comportamento, a resposta do Estado é a proibição das manifestações públicas, proibição da ocupação de praças, repressão, prisões, intimidação. Chegamos ao cúmulo de ver a justiça inglesa condenar a quatro anos de prisão dois jovens, de 20 e 21 anos, por convocarem através de seus telefones manifestações que, aliás, não ocorreram.

O tratamento dado pelos governos a essas manifestações, por meio da polícia e do judiciário, e a linha editorial dos jornais da grande imprensa, tanto inglesa quanto brasileira, reforça esse tipo de julgamento que associa tais atos a vandalismo, prefiguram tempos mais difíceis e mostram o quanto o sistema político e a grande mídia optaram não pelo diálogo com os manifestantes, mas por uma linha dura que não se dispõe a negociar ou ouvir as demandas que geram essas manifestações.

No caso das ações na Inglaterra, isso ocorre num contexto de crise financeira que envolve todo o continente, com os novos ajustes, dito claramente, cortes nas políticas públicas que todos os governos europeus estão fazendo, num momento em que acabou-se o Estado de bem-estar social e o desemprego cresce, a imigração é criminalizada, as políticas de proteção social cada vez mais se fragilizam. E a população mais pobre, isto é, as maiorias, verão sua existência ainda mais precarizada.

Neste novo cenário é previsível que ocorram por toda a Europa manifestações, como já são registradas em diferentes intensidades, na Grécia, na Espanha, na França, na Inglaterra. E o governo inglês sinaliza que, se houver novos protestos, eles serão reprimidos. Serão estes indícios de como os demais Estados tratarão a questão social?

Tratar essas mobilizações e revoltas juvenis que se espalharam por várias cidades como atos criminosos é negar-lhes o direito ao discurso.

Foi muito parecido o que aconteceu em Paris, em 2005. Estes mesmos jovens negros, moradores dos bairros mais pobres, foram vítimas da ação intimidatória do policiamento ostensivo. Um grupo deles, tentando escapar das humilhações, fugiu de uma abordagem da polícia. Três deles se esconderam em uma área de alta tensão de energia elétrica e morreram eletrocutados ou em decorrência das queimaduras. Esse momento foi a faísca que incendiou um contexto vivido por toda parte. E os jovens se revoltaram contra a morte de três colegas e, por toda a cidade, atearam fogo em 10 mil carros.

Afinal, o que eles querem? Alguém perguntou? Eles precisam quebrar mais para ser ouvidos?

A história das discriminações e violências cotidianas que sofrem esses jovens, pobres, na maioria negros, sem futuro, também não conta na análise dos últimos acontecimentos na Inglaterra. Foi aí, nos bairros mais pobres e precários, que começou a revolta. Aí, justamente em Totenham, onde o governo está cortando 75% das verbas para as políticas sociais para a juventude e endurecendo o policiamento ostensivo.

O que surpreende ainda mais é certa adesão popular a esse discurso de criminalização dos movimentos sociais, esse apoio para tratar como bandidos os participantes das revoltas. Mas para que esse apoio ocorra e as questões sociais sejam ignoradas, é preciso “informar” a opinião pública, papel em que a televisão e os jornais têm enorme importância.

Talvez porque tais revoltas não tenham conseguido expressar sua cara humana, dizer a que vêm, quais são suas demandas, talvez porque os cidadãos desconheçam essas práticas ou tenham lido e ouvido insistentemente os mesmos argumentos, esses jovens estão sendo tratados como criminosos. O governo traça uma linha de segregação e repressão que só pode levar a uma maior polarização da conjuntura. Se a repressão for eficiente agora para desmobilizar os descontentes, ela apenas adia o momento de novas explosões.

Vale nos perguntarmos aonde nos leva esse caminho. Vale nos perguntarmos a quem interessa implantar o domínio do medo. Vale nos perguntarmos que papel tem tido a mídia na formação da opinião pública sobre esses acontecimentos.

Silvio Caccia Bava é editor de Le Monde Diplomatique Brasil e coordenador geral do Instituto Pólis.

FONTE:diplomatique/editorial

terça-feira, setembro 13, 2011

Leila Lopes, Miss Angola 2011 e, agora, Miss Universo



















Bela, simples, meiga e muito, muito sorridente. Assim é Leila Lopes, Miss Angola 2011 e, agora, Miss Universo, a mulher que contagiou jurados e público.


A cada entrada sua o que se ouvia no Credicard Hall, em São Paulo, era um verdadeiro clamor. Até os jornalistas, que geralmente alternam entre a imparcialidade e a torcida pelo próprio país, levantavam e batiam palmas.


- Meu sorriso consegue contagiar a todos. Sou alegre, acho que consigo mostrar isso, que me divirto a despeito de qualquer situação.


Hélio Castroneves, um dos jurados, concorda: "Foi a escolha certa. Nós, jurados, seguimos as orientações e olhamos além da beleza exterior. Contou o carisma também. A Miss Angola, estava relaxada e passou isso para os jurados e para o público também".


- A timidez foi a minha maior dificuldade. Durante os ensaio eu via a outras meninas e as achava muito soltas. Me perguntava se conseguiria ser igual. Felizmente a timidez não atrapalhou.


Leila emocionou. Nos intervalos, a torcida por Angola era tão intensa quanto a torcida pelo Brasil. Quando eleita, foi aplaudida em pé.


Completamente envolta em emoção, ela apenas sorria.


- Eu sou mesmo a Miss Universo? Sim, eu sou! Estou muito orgulhosa de ser a mulher mais bonita do mundo. Eu agradeço a todo o carinho do povo brasileiro, ao povo angolano e a todas as pessoas dos outros países que também torceram por mim.


As candidatas também não deixaram de ser contagiadas. A Miss Portugal conta que ficou amiga de Leila Lopes pela afinidade da língua: "ela é bonita por dentro e por fora". A Miss Bolívia, filha de brasileiro, também ficou amiga da Miss Universo, e confessou que planejava fazer compras com ela após o concurso: "acho que agora vou sem a minha amiga, a mais bela do mundo".


A própria Miss Brasil, que dividiu o quarto com a Miss Angola, ficou muito próxima da Angola: em vários momentos do concurso as duas foram vistas de mãos dadas.


Veja abaixo o que a mulher mais bonita do mundo tem a dizer:
















Racismo

- O racismo não me atinge, quem é racista deve procurar ajuda. Qualquer forma de preconceito é a maior injustiça do ser humano.

Trabalho como Miss Universo

- Como Miss Angola e já fazia trabalhos sociais com crianças, pessoas doentes e idosos. Meu país precisa da minha voz e como Miss Universo espero fazer mais.

FONTE: EBAND

domingo, abril 17, 2011

EUA: Funeral ganense traz festa com música, dança e bebidas


Diferentemente de ritual triste que lamenta a morte, cerimônia da comunidade de Gana em Nova York celebra vida dos que se foram


Às 14h em um sábado, no Bronx, a pista de dança estava cheia, as bebidas estavam circulando e um grupo de mulheres jovens com cortes de cabelo modernos e sapatos de salto tinha acabado de chegar à porta, pronto para entrar na festa.

Poderia ter sido qualquer clube ou salão de festas – exceto pelas camisetas, pôsteres e CDs com a foto de uma mulher elegante e mais velha. A festa barulhenta era na verdade o funeral de Gertrude Manye Ikol, uma enfermeira de 65 anos de idade, de Gana, que havia morrido dois meses antes. A poucos quarteirões de distância, os convidados de outro memorial eram ainda mais barulhentos.


Pode ou não haver um corpo presente ou um clérigo. A opinião expressa pode ser evangélica, católica ou secular. O falecido pode ter morrido em Nova York ou na África, alguns dias ou meses antes. Mas os funerais servem todos para o mesmo fim: festas para arrecadar dinheiro para as famílias em luto e reuniões noturnas para os enfermeiros, estudantes e taxistas de Gana que querem dançar e esquecer por um momento a vida de imigrante em Nova York.Os irlandeses podem ser conhecidos por seus funerais animados, mas os ganeses têm aperfeiçoado o funeral estilo festa. E em Nova York essas festas marcam o calendário social desta comunidade de imigrantes em rápido crescimento. Elas acontecem quase todo fim de semana em auditórios e salões sociais de igrejas em toda a cidade, duram a noite toda com open bar e música alta. Enquanto as famílias estão arrecadando dinheiro para cobrir as despesas de funeral, equipes de novos empresários – DJs, fotógrafos, cinegrafistas, garçons e seguranças – mantêm tudo em funcionamento em busca de seu próprio lucro.

"Para nós é uma celebração, mas para os americanos é um momento de tristeza", disse Manny Tamakloe, 27 anos, um mecânico de aeronaves, enquanto bebericava uma cerveja guinness no funeral de Ikol. "Se você é de Gana e chega aqui, vai ver 10 ou 12 pessoas que conhece e que vão apresentá-las a alguém. E antes que você perceba, você conhece todo mundo", disse. "Por que ir ao bar, quando você pode vir aqui e se divertir gratuitamente?”

Programa

Casamentos, batizados e aniversários são comemorados entusiasticamente entre aqueles nascidos em Gana, mas o funeral é mais. Quando Kojo Ampah, 34 anos, encontra-se sem planos para o fim de semana, ele liga seu vasto círculo de expatriados colegas a perguntar: "Ei, tem algum funeral?"


As festas são ansiosamente aguardadas, promovidas com semanas de antecedência com as propagandas online – "Anote esta data. Neste dia celebrarei a vida da minha mãe", dizia um delas – ou panfletos que se acumulam nos restaurantes e lojas de mantimentos africanos. Os panfletos muitas vezes lembram cartazes de teatro, com fotos da família e amigos em luto, bem como créditos para o apresentador e a equipe técnica.Geralmente abertos a todos, os funerais tornaram-se maiores e mais frequentes nos últimos anos conforme a população de Gana aumentou na cidade de Nova York e se tornou mais entrosada, afirmam os líderes da comunidade. As últimas estimativas do censo mostram que existem cerca de 21 mil ganenses na cidade, principalmente no Bronx. Em 2005 haviam 14 mil.

Um funeral frequentado carrega grande prestígio social – e a maior e melhor festa. Em uma noite de sexta-feira quando Tamakloe já tinha estado em dois, ele descreveu o seu próximo funeral, de um estranho no Bronx. "Todo mundo está dizendo que esse vai ser o melhor funeral do ano", disse ele.

O engenheiro Henry Boateng passou meses planejando para o sábado o funeral de seu pai, Albert Ernest Boateng, que morreu em julho, em Gana. Ao menos 300 pessoas foram convidadas.

As festas são uma importação direta de Gana, onde os funerais são conhecidos mundialmente pela sua dimensão e extravagância. Caixões lá muitas vezes lembram carros alegóricos de carnaval – o de um atleta pode ser moldado como uma bola de futebol, o de um pescador como uma canoa.

Em Gana, "o gasto mais importante que você vai ter na sua vida não vai ser o seu casamento, mas sim o seu funeral", disse Brian Larkin, um professor de antropologia da Faculdade Barnard que estuda a cultura do oeste africano. "As pessoas competem pela melhor festa ", continuou ele.

Desconhecido

Tal como em Gana, os convidados aos funerais em Nova York não precisam conhecer o falecido ou mesmo sua família. Mas eles devem prestar condolecências aos enlutados, dançar na pista de dança e doar de US$50 a US$100 – embora muitos não contribuam- para ajudar a levar o corpo de volta para a África ou cobrir outros custos. Uma grande festa pode arrecadar milhares de dólares.


Fotógrafos são cruciais. Seis trabalharam no funeral de Ikol no dia 4 de março e cada um trouxe um laptop, uma impressora colorida e um assistente. Eles tiravam fotos dos presentes e as imprimiam in loco para vendê-las por US$ 10 a US$ 20 cada.Na verdade, os funerais são o centro de uma economia vibrante. Henry Ayensu, dono da gráfica Cre8ive House, no Bronx, disse ter feito folhetos impressos para 12 funerais ganenses nos últimos dois meses, muito mais do que o habitual.

Os funerais tornaram-se tamanha fonte de dinheiro que os pretextos para que aconteçam às vezes são outros, disse Ampah. Um nova-iorquino, por exemplo, pode realizar uma festa para o marido da sobrinha de um primo que morreu em Gana, mesmo se os dois nunca se encontraram e parte do lucro for destinada para a família. Ampah disse que um taxista que conhece fez US$ 6 mil em um evento como esse. "As pessoas não ficam com raiva porque elas estão felizes de vir mostrar apoio e se divertir", disse ele.

Os funerais geralmente começam por volta das 22h, com as bênçãos religiosas, cerimônias e palestras em inglês e twi, uma língua de Gana. À meia-noite, tem início a dança. Até às 2h várias pessoas chegam, e o funeral está em pleno andamento. "Quando eles vão embora já são 5h – sempre", disse Carlos Rozano, um vigia que trabalhou em mais de uma dúzia de funerais de Gana.

Francis Insaidoo, um bioquímico que se mudou recentemente para New York, disse que os funerais o lembram que ele pertence a uma comunidade. "Parece que você não está sozinho", disse ele.

Ele não conhecia Ikol, mas seu colega sim. O colega, com uma lata de cerveja na mão, reconheceu com um dar de ombros que ele também não a conhecia. "Você vem pela festa", disse Insaidoo.

FONTE: The New York Times / Por Sam Dolnick

sábado, março 19, 2011

Forte e discreta, Michele Obama é a mulher mais poderosa do mundo











Michelle Obama ofusca Michelle Obama e não há como ser diferente. A mulher mais poderosa do mundo e bem mais popular que o marido, segundo ranking da revista Forbes, fascina o mundo com sua altivez sustentada em 1,82m de altura, seu sorriso de dentes fortes, seu estilo ao mesmo tempo sofisticado e popular, seu jeito à vontade no trato com presidentes e reis, celebridades e anônimos. Fica-se tão vidrado no carisma discreto e ao mesmo tempo incisivo da primeira primeira-dama negra dos Estados Unidos que é difícil prestar atenção no que ela pensa e diz sobre poder, cidadania, negritude, família e outros temas candentes.

Ela bem que tenta desviar a atenção de sua imagem radiosa, dos ti-ti-tis do mundo fashion, para assuntos mais clamorosos: faz campanha contra a obesidade infantil, discursos sobre a importância da educação neste novo mundo tecnológico, defende a alimentação saudável e a necessidade de praticar exercícios. A Michele que existe para além da presença arrebatadora é uma mulher de 46 anos, de pensamentos sólidos, alguns ousados demais para um país conservador, seja ele republicano ou democrata. Antes de o marido ser eleito para a Casa Branca, a ex-executiva de hospital universitário, ex-reitora de serviços estudantis e ex-advogada com banca montada tratava de assuntos incômodos como a dolorosa história dos negros no país.

Nascida no bairro mais pobre de Chicago, filha de funcionário público, é prima em primeiro grau de um dos rabinos mais notáveis dos EUA, Cappers C. Funny Jr. Para a tese de graduação em sociologia na Universidade de Princenton, em 1985, a jovem Michele Robinson escolheu um tema militante: educação de Princenton a negros e a comunidade negra. Sobre esse tempo, ela já contou que ficou assustada quando chegou na faculdade e encontrou estudantes dirigindo BMWs. “Eu nunca havia conhecido pais que dirigissem BMWs.” Em sua passagem por Harvard, onde fez direito, participou de manifestações em defesa da contratação de professores pertencentes às minorias.

Na primeira vez em que a jovem advogada saiu a sós com um cativante colega de profissão, Barack, o casal foi ao cinema. Assistiram a Do the right thing, (Faça a coisa certa), filme polêmico, forte e engajado de Spike Lee. Ela era contundente e expressiva como o filme de Lee, tanto que durante a campanha presidencial a imprensa dos EUA a descrevia, não poucas vezes, como uma mulher “zangada e negra”. Pode-se acrescentar: e impetuosa. Durante a campanha presidencial, Michelle derramou seu entusiasmo com o crescimento da candidatura Obama: “Pela primeira vez em minha vida adulta, estou orgulhosa do meu país”, o que agrediu o forte sentimento patriota norte-americano. No mesmo dia, em outra ocasião, ela tratou de reformular o que havia dito. “Pela primeira vez em minha vida adulta, estou realmente orgulhosa do meu país, e não apenas porque Barack está se saindo bem, mas porque acho que o povo está faminto por mudanças”. Mas não adiantou. Algum tempo depois, tentou novamente: “Evidentemente que amo o meu país. Em nenhum outro lugar, a não ser nos Estados Unidos, minha história teria sido possível.” Consertar, não consertou, mas acalmou os americanos ofendidos.

A Michelle ativista de causas comunitárias e de políticas públicas é também a Michelle que, certo dia, quando eles ainda estavam começando a vida profissional e familiar, pôs o marido na parede e o alertou, de modo mais ou menos assim: “Você é formado em Harvard, temos de começar a pensar na faculdade das crianças, na hipoteca da casa, no nosso futuro”. Era preciso pensar em fazer dinheiro. Mais adiante, quando Barack decidiu que queria ser presidente da República, Michelle reagiu como uma singela mãe de família, sabia que a campanha o afastaria da família e temia que ele fosse assassinado, tal qual Martin Luther King e Malcolm X.

Eleito o marido, Michelle assumiu o posto de “mãe-em-chefe”, como ela mesma definiu. Mãe de Sasha, de 9 anos, e Malia, de 12, acompanha de perto o dia a dia das filhas com certo rigor. Faz pouquíssimo tempo, decidiu que elas não teriam conta no Facebook, não apenas por razões de Estado, mas porque ela considera cedo demais para tanta exposição. Permissão só depois da Casa Branca. Mãe-em-chefe no comando de uma pequena família, fora de casa ela tem desenvoltura de celebridade. No Palácio de Buckingham, ultrapassou as fronteiras do rigoroso cerimonial e passou a mão nas costas da Rainha da Inglaterra como quem diz “que bom te ver!”. Na Índia, tirou os sapatos, pulou amarelinha e dançou com um grupo de crianças. Já jogou futebol, está cultivando uma horta e uma colmeia na Casa Branca e espantou os diabos que vestem ao usar um vestido de loja de departamentos comprado a 60 dólares (cerca de R$ 100).

Pelo menos dois livros já foram lançados sobre o estilo da primeira-dama, Michelle Style e Everyday icon: Michele Obama and the power of stile (Ícone de todo dia: Michelle Obama e o poder do estilo). Esse último, o mais recente, ainda não traduzido no Brasil, foi escrito pela editora-contribuinte de estilo da revista Time. Kate Betts diz que a primeira-dama não é tão despretensiosa quanto tenta fazer crer. A jornalista acredita que Michelle sabe muito bem o recado que quer passar cada vez que tira uma peça do armário. Quando veste um jovem estilista moderno, quer associar a imagem de seu marido à juventude. Quando usa um vestidinho barato, quer ela mesma ficar mais próxima das pessoas que não podem comprar uma peça de grife. O certo é que nunca antes uma primeira-dama influenciou tanto o mercado de moda no planeta.

Sorte dele, do planeta, que Michelle La Vaughn Robinson Obama não é apenas o que ela veste. Durante a Convenção dos Democratas, em 1998, para a escolha do candidato do partido à Presidência, a mulher de Barack fez um discurso. Lá pelas tantas, disse que ela e o marido acreditam no trabalho duro para conseguir o que se quer na vida, que a palavra dada é obrigação a ser cumprida e que é preciso “tratar as pessoas com dignidade e respeito, mesmo que você não as conheça, mesmo se você não concordar com elas”. Foi um sucesso retumbante. Nesse dia, não se comentou a roupa que ela vestia.
FONTE: CORREIO BRAZILIENSE