Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!

quinta-feira, maio 31, 2012

SOMOS XAVANTES: Merecemos e Exigimos Respeito


A: André Ribeiro Dos Santos
Assunto: Resposta a sua postagem em uma rede social

Sobre sua postagem vamos por partes, como Jack; Então primeiro: Você não sabe onde esta. E eu credito isso a sua pouca idade e experiência no futebol.


Deixe-me lhe dizer, você esta em uma vitrine com mais de 100 anos de afirmação no cenário do futebol brasileiro.


Veja bem, no percurso histórico deste clube entre outros passaram Juvenal – zagueiro titular da seleção brasileira de 1950.


Tivemos uma dupla de zaga formada por Silva e Aluisio – que chegou a ser titular da seleção gaúcha -, o primeiro teve seu nome  gritado como herói por um Beira-Rio inteiro após um GreNal, ganho pelo Inter, se destacou também no Cruzeiro mineiro; o segundo passou pelo Internacional fez parte de seleções de base, sendo campeão mundial e quando poucos jogadores saiam do Brasil para jogar na Europa, foi contratado pelo Barcelona por indicação por nada mais nada menos que Johan Cruijff, que dizia ser este jogador o único, no mundo capaz de cumprir a missão de líbero em seu time. Você sabe, o líbero que estou falando não é este terceiro zagueiro de agora, ou mesmo aquele que jogando em dupla fica dando chutão para o lado que aponta o nariz, não. O libero para jogar no Barcelona – naquele momento dito por muitos como o estágio inicial que transformou o time catalão nisto que se considera de outro mundo – tinha de saber desarmar o adversário e sair para o jogo às vezes armando o próprio ataque, se fazer mais um atacante chegando mesmo a finalizar em gol. Tudo isso com a bola no gramado com elegância e cabeça erguida. Difícil né?  Para nosso orgulho os dois foram formados aqui mesmo, na baixada.


E, sim, agora mais recentemente Alex Martins, com qualidade confiável e totalmente identificado com clube, o que quer dizer com a torcida. Por isso até hoje continua sendo ídolo na baixada. Até para conseguirmos localizar este atleta ele neste momento faz parte da zaga e senão me engano é capitão do time líder da chave no mesmo campeonato e fase onde só conseguimos um ponto até agora.


Poderia, e até deveria, citar vários outros nomes que engrandeceram o uniforme RubroNegro, mas, penso que o mostrado até aqui já lhe dá uma idéia do que nós consideramos ser uma zaga e um zagueiro.


Mais esta vitrine, o Grêmio Esportivo Brasil de Pelotas, onde você recebeu a oportunidade de mostrar seu trabalho e enriquecer seu currículo que, acredito que pela pouca idade, é bastante ralinho e provavelmente não lhe leve, hoje, muito longe. Imagine você fazendo a trajetória do Silva, quem sabe até mesmo a do Aluísio.


De todo modo, voltemos à vitrine. O Brasil, o nosso Brasil RubroNegro; Foi o primeiro campeão gaúcho, lá o inicio do século passado participou do que pode ser considerado o embrião do que veio a ser mais tarde, com formas e reformas, o campeonato brasileiro. O nosso Brasil jogou no estádio Centenário vencendo a seleção uruguaia, meses mais tarde campeã do Mundo. O Brasil realizou uma excursão, - inédita para clubes gaúchos e imagino poucos times no país já haviam feito igual -, jogando em países da América do Sul e Central.  O Brasil, nosso Brasil RubroNegro, mais recentemente foi o terceiro lugar em um Campeonato Brasileiro onde enfrentou entre outros, Flamengo e Internacional. No Grêmio Esportivo Brasil de Pelotas, trabalharam, e souberam aproveitar a vitrine, Luis Felipe Scolari e Mano Menezes, imagino que estes dispensam apresentações.


Enfim, a história é bem maior e bem mais rica, mas acredito que os recortes apresentados sejam suficientes para que eu possa atingir o objetivo que tenho. E o que busco é lhe fazer ver que nesta trajetória toda a começar pelos “negrinhos, pés de chinelos, da estação” até chegar aos “xavantes da baixada” o Brasil vai se transformando de um time com uma torcida em uma torcida com um time. 


Nós sabemos o que somos. Nós somos a alma na geral do time em campo, nós somos os guerreiros guardiães dos ideais de nossos fundadores, nós somos o patrimônio maior deste clube. E nós conquistamos este grau de importância porque desde o inicio em 1911, bem antes de seu nascimento, estamos juntos com o Brasil, fazemos parte do esquadrão que segue avante. 


Estamos juntos nas dificuldades financeiras, ou equilibrando as finanças, isso permite, por exemplo, o seu pagamento em dia. Ou há atraso?


Estamos presentes cuidando do patrimônio do clube de modo a deixá-lo em condições, as melhores possível, para que se possa praticar e desenvolver o futebol. Alguns acabam até por fazer mau uso disso, não importa sabemos que devemos fazer este oferecimento.


Estamos presentes em qualquer lugar onde o Xavante esteja jogando, e claro quanto mais próximo maior o nosso numero e muito facilmente somos capazes de lotar o estádio do adversário.


Neste sentido, veja, nós sabemos o que somos, aliás, você deveria ter buscado saber isso antes mesmo de decidir vir para cá, ou não.


Aqui é pressão sim. Reforça esta afirmação o fato de durante algum tempo termos jogado em um panelão; agora na baixada gritamos avisando "bem vindos ao inferno é um tal de uh! Caldeirão! Uh! Caldeirão! Quer dizer, aqui ferve o tempo todo. 


Isto, porque somos mal acostumados pela história que construímos seja pela qualidade de nossos jogadores; seja pela quantidade de vitórias conquistadas. 


E você passando por um primeiro mau momento, se mostrou não muito capaz de enfrentar a "Onda Xavante". Quer dizer talvez tivesse sido melhor se você ao estourar a idade ao invés de continuar jogando, se voltasse para os estudos em busca de uma profissão de menor cobrança, porque no futebol é assim mesmo, ir bem é obrigação. Daí quem sabe ao chegar à idade sênior poderia voltar ao futebol. Simples assim e sem cobrança.


André Ribeiro Dos Santos, aqui ninguém pergunta o que achamos que somos. Todos sabem. Nós sabemos o que somos. Isto porque torcer pelo Brasil, o nosso Brasil RubroNegro, é uma herança que recebemos de nossos avós e pais, e estamos legando aos nossos filhos e netos. Neste receber e passar tomamos e damos ciência do compromisso que assumimos de trabalhar, fazendo o esforço exigido dia após dia, para podermos ter em campo o nosso time, vestido em vermelho e preto, as cores que representam “nosso sangue e nossa raça”, com “força e vontade” e lógico “cheio de graça”, buscando dar ainda mais destaque ao nome que já temos “gravado na história”. Por isso tudo, ademais, todos sabem que nós somos a “maior e mais fiel torcida”


Aqui, portanto, os que chegam não perguntam o que estes devem fazer é se apresentar e responder quem são, na prática, no campo de jogo, na bola.


Vamos a mais uma parte; por tudo que lhe esta sendo exposto penso já ser possível a você perceber que “merda” nós não somos. Se você quiser disser melhor pode nos considerar, pelo alcunha que nos deram os rivais, em meados do século passado, e nos chamar Xavantes. É isso que somos Xavantes, selvagens, guerreiros, orgulhosos pela história já construída e pelo muito, que vislumbramos no porvir, ainda poderemos realizar. 


Somos Xavantes. Merecemos e exigimos respeito. Pronto lhe respondi.


Quanto à forma como você se referiu ao também jogador de futebol Alex Cintia Martins, e aqui já estamos em outra das partes, primeiro me pareceu ser a expressão de alguém inseguro no que diz respeito a sua própria capacidade; primeiro também até por ser mais grave, por se tratar de um seu colega de profissão a “fala” é totalmente desprovida de qualquer senso ético. Talvez por sua idade, talvez por estar ausente na aula, a vida ainda não lhe deu esta lição, mas, posso lhe adiantar, a ética deve referenciar e prevalecer em qualquer forma de relação entre os humanos. E segundo Alex Martins não é o melhor zagueiro do mundo, mas, de todo modo você ainda precisa acrescentar muito em sua carreira para conseguir conquistar o respeito profissional com o qual ele é visto.


Começando a última parte devemos considerar a forma pueril que você usa para desafiar a torcida do Brasil. Sim, porque não somos um. Nós, somos muitos. E no domingo já seremos mais. E estaremos todos no estádio, menos por motivos lógicos os recém nascidos. Com certeza não por seu convite ou respondendo seu chamado, não precisamos nem de um nem de outro e nem o consideramos com autoridade para fazer um ou outro. Afinal a casa é nossa, da torcida Xavante, que a construiu e a mantêm, por estes tempos inclusive para o mau uso. E claro, conversaremos como você deseja, ou não.


E porque estando nós lá na geral pode haver dúvida sobre o bate papo? Respondo-lhe, pelo pouco que eu conheço do Brasil penso, e claro, pelo meu desejo muito, provavelmente você não estará no campo, e se por acaso você for chamado para o jogo, peça para não jogar. Até porque é muito pouco provavelmente que você consiga jogar.


Até aqui você se mostra não capaz de se impor em campo seja pela técnica seja pela personalidade. E a partir de agora você terá de convencer um estádio, uma torcida inteira, da sua “utilidade” mesmo que seja apenas para compor o grupo. 


A vaia será imensa cada vez que você pensar em ir numa bola, disputar uma jogada. E a cada chutão e a cada erro, imagine o que será. Você é capaz de fazer frente?


De nossa parte, e em resumo, posso lhe dizer que você foi testado e não foi aprovado.  Por aqui seu ano acabou muito dificilmente haverá uma possibilidade de recuperação. Sua atitude em querer enfrentar a “Nação Xavante” é coisa de moleque mal educado, ou, o que chamamos aqui de “guri vai na venda”. Acredite este não é o perfil de jogador no qual confiamos e costumamos aplaudir.


O que resta então são uma sugestão e um desejo. 


A sugestão é a de que você converse com a direção e busquem juntos uma forma de você ser liberado já. 


O desejo é que você seja feliz onde quer que você consiga seguir sua ainda muito pequena carreira.


Por derradeiro e infelizmente, ao encerrar, não é possível lhe dizer ter sido um prazer lhe conhecer. 


Atualizado a 00:53'

FONTE: DOM OBÁ

quarta-feira, maio 30, 2012

“Primavera do Quebec” sacode província canadense em defesa do acesso democrático à educação


Claro que os processos de mobilização ampla sempre impressionam, em particular aos que simpatizam de antemão... De qualquer modo, não é exagero afirmar que há algo de novo no reino do Primeiro Mundo. No Quebec, a província mais populosa e mais rica do industrializado Canadá, uma greve começou estudantil e se tornou a maior mobilização popular do pós-guerra.

Os mais de 7 milhões de habitantes do Quebec são descendentes de colonizadores franceses, em contraste com as outras nove províncias anglófonas do país. 82% dos quebequianos são franco-canadenses e 10% anglo-canadenses. A província é de tradição ultracatólica e conservadora: até os anos 60, a Igreja Romana monopolizava a educação, por força da constituição provincial. À Universidade superelitista chegavam 3% dos jovens francófonos do lugar e não mais que 11% dos anglos.

Nos revolucionários anos 60, com o Partido Liberal do Québec (tido como progressista) no poder, a educação passou à responsabilidade do Estado provincial, que mantém os liceus secundários e universidades. Os liberais são os mesmos que, liderados pelo premiê Jean Charest, hoje enfrentam as passeatas e panelaços da rebelião. Nas Universidades, estuda-se em troca de uma taxa anual chamada de “direitos de escolaridade” ou simplesmente frais (custos), que começou nos 500 dólares canadenses (R$ 1.000 de hoje) ao ano e veio aumentando e se congelando de acordo com a correlação de forças.

É o equivalente à "tuitions" das universidades privadas norte-americanas. (Não é exatamente a soma das mensalidades das privadas brasileiras, porque inclui impostos.) Pois o governo de Monsieur Charest decidiu, em 2010, que a partir de 2012 até 2017 haveria um aumento progressivo da taxa, dos atuais 2.168 dólares canadenses (cerca de R$ 4.200) ao ano para o equivalente a R$ 7.300, o que significa 75% de aumento em cinco anos.

Como essas cifras anuais podem até parecer pouco para os castigados estudantes de escolas privadas no Brasil, é bom ressaltar os seguintes dados: dois terços dos universitários quebequianos não moram com os pais, 80% estudam e trabalham em regime parcial, 40% não recebem ajuda alguma da família e os outros 60%, além de ajuda, se endividam para bancar os estudos. Porque quase todos precisam de período integral, ou quase isso, para concluir os cursos.

Segundo o IBGE deles, a Statistique Canada, o aumento de 200% nos custos de estudos entre 1995 e 2005 fez saltar de 49% a 57% a proporção de secundaristas que desistem da universidade. Outro detalhe interessante: o mercado de empréstimos para pagar as "frais" criou, com a financeirização, uma bolha especulativa com papéis lastreados em empréstimos estudantis... Os analistas norte-americanos se arrepiam só de pensar...

Pois bem, enquanto o governo liberal preparava o pacotaço, as organizações estudantis preparavam a greve, que começou em 13 de fevereiro deste ano. Em 22 de março, uma data "nacional" quebequiana (com tradição de luta por autonomia frente ao governo central do Canadá), aconteceu a maior passeata da história de Montreal, a maior cidade da província. Incapaz e refratário a negociar, o governo liberal começou a ver cair mais rapidamente sua maioria nas pesquisas (até abril a opinião pública do Quebec ainda estava bem dividida em torno da necessidade do aumento das taxas).

Àquela altura, os estudantes já passavam a contar com o apoio de pais, mães, avós em passeatas diárias. Artistas, esportistas, personalidades, sindicatos e OAB local aderiram. Os jovens grevistas inventaram umas incríveis passeatas noturnas nas cidades quebequianas, com muitos tambores, cornetas e os indefectíveis paninhos vermelhos grudados nas lapelas. Em 13 de abril, o sindicato docente de uma das maiores universidades, Université du Québec en Outaouais (UQO), votou em assembléia partir para "ação direta" em defesa dos estudantes contra a polícia, o que desencadeou uma onda de adesões de professores. (Quem vir os vídeos das marchas no youtube vai identificar os docentes vestidos com trajes de “segurança” das manifestações.)

Acuado, Charest não teve melhor idéia do que fazer aprovar agora em maio, no parlamento provincial, que controla, uma Lei que restringe o direito de manifestação, impedindo aglomerações públicas de mais de 10 pessoas sem aviso prévio de 8 horas e licença da polícia, vetando reuniões a menos de 50 metros das universidades e proibindo o uso de máscaras, sob pena de multas altíssimas. A aprovação da lei foi o estopim de uma nova fase do movimento: os dirigentes chamaram a população a apoiar as passeatas, cada vez mais radicalizadas, com enfrentamentos, pedradas e pauladas com a repressão, com o barulho das panelas. As mesmas panelas do Chile de Allende e da Argentina do argentinazo.

O concerto das caçarolas

O Quebec vive há semanas um imenso e ininterrupto panelaço. A nova fase tirou da paralisia as velhas gerações. O movimento hacker Anonymous perpetrou uma invasão dos sites do ministério da Educação e do governo do Quebec. E a moçada autodenominou sua rebelião Primavera do Quebec, em analogia com a Primavera Árabe.

No dia 23 passado, depois de tentar excluir uma organização estudantil da mesa de negociações, a ministra da Educação caiu. Começaram sinais de concessões mínimas por parte do governo. Mas a radicalização do movimento parece estar impedindo os negociadores estudantis de qualquer recuo. E agora as ruas exigem a revogação da Loi 78, a que restringiu o direito de manifestação e expressão.

As principais organizações dos estudantes são a Federação dos Universitários do Quebec (FEUQ), a Federação dos Secundaristas (FECQ), e a interessante Classe, sigla em francês de Coalizão Ampla da Associação por uma Solidariedade Sindical Estudantil. Essa, organizada pela base, decide tudo em Congressos, não tem líderes, mas dois “co-porta-vozes”, e é ligada pelo menos a uma federação importante, a dos funcionários públicos do Quebec. A Classe tem como ponto programático a educação pública e gratuita e não aceita menos do que o congelamento das taxas.

No sábado, 26, o principal jornal de Montreal tinha como chamada de capa a decisão dos grevistas da fábrica da Rio Tinto Alcan, em Alma, Quebec, de se "somar à greve estudantil". Dizia um piqueteiro: "Nós nos manifestamos contra a obra de Charest. Chegou a hora de a voz do povo se fazer ouvir. Nós queremos denunciar a venda da eletricidade estatal à Hydro-Québec, mas também nossa solidariedade aos estudantes. O conflito é um conflito da sociedade contra o governo".

Impossível prever os desdobramentos dos fatos dos últimos 104 dias de luta. No entanto, há quem diga, como Jean Marc Léger, dono do Ibope canadense, uma das personalidades pró-movimento, que há no ar e nas ruas uma raiva maior do que a raiva contra o aumento dos "direitos de escolaridade". Léger é autor de um texto que já se tornou um manifesto do movimento. No estilo das pesquisas de opinião de que é especialista, ele diz: "E você? O que você defende? Retornar a seus velhos hábitos no conforto e na indiferença? Você acha essa greve super-simpática desde que não mexa na sua quietude e que passe logo para que tudo fique como antes? Muito bem, senhores babyboomers (cidadãos hoje entre 60 e 70 anos), vocês não entenderam nada desse movimento! Os meninos e meninas não querem mais carregar o fardo dos seus erros. Não os quebrem e dêem a eles a chance de vencer. Do contrário, vocês terão fracassado".

O movimento do Quebec, descaradamente boicotado pela grande mídia, conta com o apoio do Ocuppy Wall Street, dos estudantes da Universidade da Cidade Nova York, de universidades de todo o resto do Canadá e da Islândia! Bem que está precisando e merecendo um apoio fraterno dos sindicatos docentes, de professores e organizações estudantis brasileiras.

FONTE: Correio da Cidadania / Ana Cristina Carvalhaes é jornalista.

Este é um vídeo do movimento que se tornou um viral no mundo anglo-saxão, lindíssimo:


terça-feira, maio 29, 2012

MANIFESTO DOS TRABALHADORES DA EDUCAÇÃO FEDERAL


AOS PARTICIPANTES DO II FÓRUM MUNDIAL DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA

Para garantir que o ensino público seja de qualidade e referenciado nas demandas da sociedade, é necessário que a política educacional do governo esteja voltada para a valorização dos trabalhadores da educação, com a implementação de um plano de carreira e condições de trabalho dignas.

Infelizmente não é esta a realidade que vive os trabalhadores da Rede Federal de Educação, que envolve as Universidades Federais, os Institutos Federais de Educação Profissional e Tecnológica, os CEFET, as Escolas Militares, os Colégios de Aplicação, o Colégio Pedro II e as Escolas Técnicas vinculadas às Universidades.

O principal demandante das políticas públicas do Estado é a parcela da população que historicamente não tem acesso à educação, saúde, transporte, de saneamento, entre outros direitos sociais básicos. Particularmente nas políticas de educação, o projeto do governo para a expansão da Rede Federal de Ensino vem acompanhado de uma crescente precarização das condições de trabalho, como falta de pessoal, aumento de vagas sem o devido aumento da estrutura física das salas de aulas, laboratórios e recursos materiais, situação esta que interfere negativamente nas relações institucionais.

Dentro dessa política do governo, está presente uma desestruturação das carreiras do Magistério Superior, da Educação Básica, Técnica e Tecnológica e da carreira dos Técnicos Administrativos, causando a estagnação dos profissionais. Além disso, o achatamento salarial dos trabalhadores da educação federal é flagrante quando comparado com outras carreiras do serviço público federal.

Neste momento, as negociações com o Ministério da Educação e o Ministério do Planejamento encontram-se em compasso de espera pela inexistência de propostas concretas para a pauta de reivindicações protocoladas pelo ANDES-SN e SINASEFE. Este impasse levou à deflagração da greve dos professores federais da base do ANDES-SN no último dia 17 de maio e ao indicativo de greve no dia 13 de junho dos trabalhadores da base do SINASEFE.

Desta forma, solicitamos a solidariedade ativa dos participantes do II Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica, aprovando em suas Instituições e Sindicatos moções de apoio ao movimento dos trabalhadores da educação federal e integrando-se no calendário de mobilizações.

05/06 – Marcha a Brasília/DF
06/06 – Plenária Nacional dos SPF.

• Carreira Única para os (as) docentes da Rede Federal.

• Reestruturação do PCCTAE (Carreira dos Técnicos Administrativos).

Todos à marcha a Brasília dia 5 de junho!

Começa nesta quarta-feira (30) seminário do ANDES-SN sobre ações afirmativas



O ANDES-SN promove esta semana, em São Paulo, um seminário nacional que vai debater o tema “Ações afirmativas e a transversalidade do gênero, etnia e classe”. O evento, realizado nos próximos dias 30 e 31, será realizado no auditório Jacy Monteiro, do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo. O credenciamento começará às 8h30 e seguida, às 10h, o antropólogo zairense Kabengele Munanga fará a conferência de abertura.

Munanga mora no Brasil desde a década de 70 e é vice-diretor do Centro de Estudos Africanos e do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo. Ele vai falar sobre “Racismo, colonialismo e políticas afirmativas”.

A primeira mesa do seminário, das 14h às 16h, tratará do tema “Direito e racismo: as cotas raciais, justiça política e inclusão social”. Os palestrantes serão os professores Samuel Vida, da Universidade Católica da Bahia, e Dora Lúcia de Lima Bertúlio, da Universidade Federal do Paraná. 

Já o “Estágio atual da política de ações afirmativas no Brasil” será o tema da segunda mesa, das 16h30 às 18h30, que terá a participação de Fúlvia Rosenberg, da Fundação Carlos Chagas e da professora Delcele Mascarenhas (Universidade do Estado da Bahia - Uneb).

Na quinta-feira (31), a mesa sobre “Financiamento e institucionalização das políticas de ação afirmativa: acesso e permanência”, marcada para 8h30 às 10h30, terá como participantes a ministra da Secretaria de Políticas Públicas de Igualdade Racial, Luiza Bairros, e os professores Marcelo Paixão (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e Wilson Matos (Uneb).

A última mesa do seminário, realizada das 10h30 ao meio-dia , tratará do tema “Diversidade, gênero e ações afirmativas: relatos de experiência nas IES brasileiras” e terá a participação do participante do Movimento Nacional Quilombo, Raça e Classe e membro da executiva da CSP-Conlutas, Júlio César Nunes, e dos professores Otto Vinícius (Universidade Estadual de Feira de Santana) e Soraia Veloso (Universidade Federal de Uberlândia).

No período da tarde haverá a realização de grupos de trabalho e uma plenária para consolidar o que foi debatido. A expectativa do ANDES-SN é de que o seminário possa qualificar ainda mais a atuação dos docentes em relação às ações afirmativas. 


Fonte: ANDES-SN

Manifestação de docentes em greve reúne cerca de 300 em frente ao Planejamento

Cerca de 300 pessoas compareceram, na manhã desta segunda-feira (28), à manifestação em frente ao Ministério do Planejamento (MP) convocada pelo Comando Nacional de Greve dos docentes das instituições federais de ensino e pelo Comando Local de Greve da Universidade de Brasília (UnB).

Alunos e professores protestaram contra a falta de compromisso do governo com a negociação e o desrespeito com os docentes em greve. No final da tarde de sexta (25), o secretário de relações do trabalho do MP (SRT/MP), Sérgio Mendonça, suspendeu a reunião de negociação com os professores, a primeira desde o início da paralisação geral em 17 de maio.

Várias entidades sindicais e movimentos sociais enviaram representantes para declarar apoio à greve dos professores federais. Após o ato em frente ao MP, docentes e estudantes seguiram para a porta do Ministério da Educação, onde também cobraram do ministro Aloizio Mercadante uma resposta às reivindicações dos grevistas.

Marina Barbosa, presidente do ANDES-SN, disse que a manifestação é uma demonstração da força da greve e da falta de resposta do governo à pauta de reivindicações.

“Mais uma vez esgota-se o prazo com o qual o governo se comprometeu”, lembrou Marina. Ela ressaltou ainda que a greve é forte e não é precipitada como declarou o Ministro da Educação.

“O tamanho da greve demonstra o tamanho da indignação dos professores. E estamos ampliando essa força com a adesão de mais instituições e junto com a força motriz das universidades que são os estudantes”, enfatizou.

Marina lembrou que é a ampliação da greve que vai arrancar do governo as reivindicações dos professores e ressaltou que o que está em jogo é o projeto da universidade brasileira.

Em frente ao MEC, Marina mandou um recado ao ministro Mercadante dizendo que os professores não irão se intimidar com o pronunciamento feito por ele na TV. “A nossa greve é legítima. E o ministro sabe disso tanto quanto nós”, disse.

Por todo o Brasil

Uma aula pública, organizada pelos alunos e professores da UnB, antecedeu o ato em frente ao Ministério do Planejamento. Uma nova atividade foi marcada para quarta-feira, a partir das 8h.

Além da atividade em Brasília (DF), por todo o país os professores em greve organizaram manifestações, como aulas públicas e passeatas. Até o momento, 48 instituições federais de ensino estão com as atividades suspensas, sendo 44 universidades federais (de um total de 59).

Fonte: Andes-SN



Professores grevistas fazem ato público

 no centro da cidade do Rio Grande


Os professores grevistas da Universidade Federal do Rio Grande, acompanhados de estudantes da universidade, que apoiam o movimento, nesta segunda, 28, fizeram um Ato Público em Defesa da Educação, na Praça Dr. Pio, no centro da cidade. A atividade se iniciou a partir do final da manhã e se estendeu até o meio da tarde, quando eles saíram em passeata pelo calçadão e outras várias ruas do centro rio-grandino. A caminhada, também em defesa da Educação, terminou por volta das 17h.
Conforme o professor Manoel Luís Martins da Cruz, do Comando Local de Greve, o ato público, inicialmente, seria uma vigília, orientada pelo Comando Nacional do movimento, devido à reunião que ocorreria ontem com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), mas o encontro foi adiado. Durante a manifestação, os professores distribuíram à comunidade panfletos explicativos sobre a greve e os motivos que levaram os docentes a parar, mais a Moção de Apoio à Greve dos Docentes emitida pelo Conselho Universitário (Consun) da Furg na última sexta-feira.
O professor Manoel Luís da Cruz calcula em 85% o percentual de docentes da Furg que aderiram à greve até ontem. "A adesão está aumentando depois que o Consun reconheceu a legitimidade da greve", destacou Cruz. A partir desta terça-feira, o Comando Local de Greve vai intensificar o diálogo com os professores que ainda não "estão respeitando o resultado da assembléia da categoria".
Os professores da Furg estão em greve desde o último dia 17. Acompanhando a pauta nacional, eles lutam por uma carreira única para os docentes das instituições federais de ensino e por reposição salarial.
Técnicos
A Associação do Pessoal Técnico-Administrativo da Furg (Aptafurg) fará assembléia nesta terça-feira, às 13h30min, no anfiteatro da sede da entidade. Na pauta, entre outros assuntos, estará o indicativo de greve para o próximo dia 11, conforme deliberado em plenária da Fasubra. Na pauta nacional, os técnicos buscam o retorno das negociações com o Governo Federal sobre a carreira da categoria.
Na local, reivindicam que não seja implementada a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares e que a administração da Furg coloque este assunto em debate com a comunidade universitária, entre outras questões.                  

FONTE: Jornal Agora / POR CARMEM ZIEBELL

Os ventos que vêm da Grécia


As notícias que chegam da crise européia impactam todo mundo. Por um lado, ataques brutais dos governos e das grandes empresas contra os trabalhadores, através de planos de austeridade ainda mais duros que os que eram aplicadas na América Latina, na década de 90. 

Por outro lado, a sucessão de lutas contra esses planos, que culminou recentemente nas greves gerais da Espanha, Portugal e Bélgica. A combinação das lutas com as eleições gerou a crise política atual na Grécia, que concentra as atenções mundiais. 

Os ativistas que estão à frente das lutas sindicais, populares e estudantis de todo o país devem acompanhar a evolução da crise grega. Seu desdobramento vai ter conseqüências na economia e na luta de classes em todo mundo. Pode desencadear uma nova recessão mundial, como a falência do Lehman Brother, em 2008. Estamos vendo a primeira situação revolucionária de um país europeu desde a Revolução Portuguesa, em 1975. 

Já está claro que a crise grega recoloca o debate sobre o socialismo em outro patamar. Ao serem derrotados os dois maiores partidos (Pasok e Nova Democracia), ficou demonstrado que as massas gregas buscam outras respostas. Não estão no centro dos debates apenas as alternativas tradicionais da socialdemocracia e do liberalismo. O povo grego quer saber se uma alternativa socialista (ainda que reformista como Syriza) pode apresentar uma saída. 

Em nossa opinião só um programa de ruptura real com o euro, a União Européia, com a estatização dos bancos e um novo rumo anticapitalista poderiam dar uma perspectiva real para a Grécia. Isso pode ser frustrado, caso o Syriza mantenha seu programa de reformas dentro da União Europeia. Mas, com um desdobramento ou outro, queremos destacar para todos os ativistas que o socialismo volta ao centro dos debates mundiais. 

Essa é uma discussão estratégica necessária para o Brasil. O PT e seus governos educaram centenas de milhares de ativistas no país na lógica socialdemocrata de administração do capitalismo, que acaba de fracassar na Grécia. Os simpatizantes do governo dirão que “Brasil é Brasil”, “Grécia é Grécia”. Não estamos comparando as duas situações políticas, que são muito diferentes. Estamos destacando que a estratégia socialista de ruptura com o capital voltou a ser colocada na Grécia nos dias de hoje, o que os representantes do PT negam. O PT fala da ruptura socialista como parte do passado. Não é. Já está colocada como parte do presente e do futuro.

Mas vale a pena também entrar na discussão sobre a situação brasileira. O país vive uma desaceleração forte de sua economia em função da crise mundial. Não existe recessão no Brasil, mas os efeitos da crise já podem ser sentidos aqui. Os rumos da economia, no final das contas, vão ser decididos pelas gerências das grandes multinacionais aqui instaladas, e vão pesar na decisão da burguesia a evolução da economia mundial e da crise grega. 

Dilma chegou até aqui com uma popularidade recorde. Mas isso está assentado no crescimento da economia e na blindagem da CUT, UNE, PT, PCdoB, junto com o PMDB, PP, etc. Uma mudança na economia pode ter também efeitos políticos distintos. O governo Dilma já está atacando os trabalhadores como reflexo imediato da crise internacional. A privatização da Previdência, o ataque à poupança, a dureza contra o funcionalismo federal são partes desse enredo. Mas apenas uma parte inicial. Caso se efetive uma nova recessão mundial, com reflexos sobre o Brasil, a dureza dos ataques será muito, muito maior.

Hoje, o conjunto dos ativistas no Brasil está chamado a apoiar as lutas existentes, como a greve do funcionalismo federal que começou com os professores universitários do ANDES-SN e vai seguir com os funcionários das universidades (FASUBRA). Assim como apoiar as greves da construção civil e as mobilizações populares em curso. 
Mas além das lutas imediatas, todos devem acompanhar a evolução dos acontecimentos na Grécia. E retomar a discussão estratégica do socialismo que os ventos gregos nos trazem. 

FONTE: EDITORIAL DO OPINIÃO SOCIALISTA 443

segunda-feira, maio 28, 2012

Dinheiro público paga 97% dos estádios da Copa, mas governo não controlará nenhum


A Copa do Mundo de 2014 deu início a uma onda de privatização da administração de estádios do país. Todas as 12 arenas que serão usadas no Mundial do Brasil serão controladas pela iniciativa privada depois que o torneio acabar. Isso ocorrerá apesar do dinheiro público pagar cerca de 97% de todas as obras em estádios para a Copa, segundo as últimas estimativas de gastos com as arenas.
 
Depois do torneio, todos os noves estádios públicos usados na Copa já devem estar entregues a empresas (veja no quadro). Os outros três estádios da Copa que já são privados --Itaquerão (São Paulo), Beira-Rio (Porto Alegre) e Arena da Baixada (Curitiba)-- também permanecerão independentes do Poder Público.

CONFIRA COMO ERA E COMO FICARÁ A ADMINISTRAÇÃO DE CADA ESTÁDIO

EstádioAntes da CopaApós a Copa
Estádio Nacional Mané Garrincha (Brasília)Governo do Distrito Federal (pública)Administração será concedida a uma empresa privada por meio de licitação.
Maracanã (Rio de Janeiro)Governo do Rio de Janeiro (pública)Administração será concedida a uma empresa privada por meio de licitação
Arena Amazônia (Manaus)Governo do Amazonas (pública)Administração deve ser concedida a uma empresa privada
Arena Pantanal (Cuiabá)Governo do Mato Grosso (pública)Administração deve ser concedida a uma empresa privada
Mineirão (Belo Horizonte)Governo de Minas Gerais (pública)Consórcio responsável pela obra administrará estádio por 25 anos após reabertura
Fonte Nova (Salvador)Governo da Bahia (pública)Consórcio responsável pela obra administrará estádio por 35 anos
Castelão (Fortaleza)Governo do Ceará (pública)Consórcio responsável pela obra administrará estádio por 8 anos
Arena das Dunas (Natal)Prefeitura de Natal (pública)Consórcio responsável pela obra administrará estádio por 20 anos
Arena Pernambuco (Recife)Estádio novoConsórcio responsável pela obra administrará estádio por 33 anos
Itaquerão (São Paulo)Estádio novoAdministração será privada
Beira-Rio (Porto Alegre)Internacional (privada)Administração permanecerá privada
Arena da Baixada (Curitiba)Atlético Paranaense (privada)Administração permanecerá privada
 
No que diz respeito só aos estádios públicos, a transferência da administração de quatro arenas já foi concretizada. Parcerias público-privadas (PPPs) feitas por governos estaduais para a reforma dos estádios da Fonte Nova (Salvador), Mineirão (Belo Horizonte), Castelão (Fortaleza) e Arena das Dunas (Natal) repassaram o controle desses estádios às empresas que atualmente estão os adaptando para o Mundial de 2014.
 
A Arena Pernambuco (Recife), que está sendo construída por meio de PPP, também será administrada pelo consórcio construtor. Neste caso, o acordo vale por 33 anos. Depois disso, assim como na PPP dos outros estádios, o controle poderá voltar ao Poder Público.

Além dessas cinco arenas, a privatização de outros dois estádios públicos já foi anunciada. Maracanã (Rio de Janeiro) e Estádio Nacional Mané Garrincha (Brasília) passarão por um processo de concessão ainda antes da Copa do Mundo. 
 
No caso do Maracanã, o processo para concessão já foi iniciado. O governo do Rio de Janeiro avalia atualmente um projeto da empresa IMX, do bilionário Eike Batista, sobre como o estádio deve ser repassado a um administrador privado. 
 
De acordo com a secretária de Esporte e Lazer do Estado do Rio de Janeiro, Márcia Lins, com a ajuda de informações projeto da IMX, o governo lançará ainda neste ano um edital de licitação do Maracanã.Até a conclusão da reforma do estádio marcada para fevereiro de 2013, o novo administrador estará definido. Eike Batista mesmo já disse que pretende assumir o local.
 
Já no caso do Estádio Nacional Mané Garrincha,a privatização foi anunciada mais recentemente e o processo para ela ainda não começou oficialmente.  Mesmo assim, o governo do Distrito Federal pretende também repassar o controle da arena antes da Copa.
 
Na semana passada, inclusive, investidores estrangeiros, representantes da AEG Live, visitaram o Estádio Nacional acompanhados do governador Agnelo Queiroz. 
 
Dos 12 estádios da Copa, os únicos dois cujos planos para o futuro ainda não foi anunciados são a Arena Amazônia (Manaus) e a Arena Pantanal (Cuiabá). As duas arenas também são públicas. Suas reformas estão sendo totalmente bancadas com dinheiro do governo.
 
Procurados pelo UOL, tanto o governo do Amazonas quanto o de Mato Grosso informaram que ainda definiram completamente o que farão dos seus estádios. Eles já adiantaram, porém, que as arenas também devem aderir a onda de concessões e suas administrações passarão a ser privadas. Só não sabem ainda se isso será feito antes ou depois da Copa.

FONTE: Copa do Mundo UOL

Greve de professores afetará 47 mil acadêmicos gaúchos


Furg e Unipampa já tiveram atividades suspensas; 

UFSM inicia paralisação nesta segunda


A greve das universidades federais, que se alastra por quase 50 instituições de ensino no país, já afeta cerca de 20 mil acadêmicos gaúchos. Número que deve aumentar para 47 mil.


A partir de hoje, os professores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), reduto de 26,9 mil estudantes, dão início à paralisação. Reforçam o movimento que já interrompe parte das aulas por tempo indeterminado nas federais de Rio Grande (Furg) e do Pampa (Unipampa).

Deflagrada no último dia 17, a greve envolve universidades, centros e institutos. É capitaneada pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), com cerca de 70 mil associados no país. A mobilização pressiona o governo federal a atender exigências que se arrastam há anos, como o reajuste dos salários, reformulação no plano de carreira e melhorias nas condições de trabalho da categoria.

Na sexta-feira passada, 44 instituições de ensino estavam com as atividades suspensas, entre elas universidades de renome, como as de Brasília (UnB), São Paulo (Unifesp) e Rio de Janeiro (UFRJ). Hoje o número deve subir para 48, com previsão de novas adesões nas próximas semanas.

— Os gaúchos cumprem seu papel com três importantes centros, como Rio Grande, que apoia com força nossa causa. Em Pelotas a tendência é de greve, enquanto em Porto Alegre já ocorrem reuniões. É uma das maiores mobilizações da história do Brasil — assegura Marina Barbosa, presidente do Andes.

A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) já realiza paralisações semanais. Será assim até o término da votação para nova reitoria — o primeiro turno está marcado para quarta e quinta-feira. De acordo com a Associação dos Docentes da universidade (Adufpel), no dia seguinte ao resultado ocorrerá uma assembleia. Em caso de segundo turno, os professores deverão se reunir em 22 de junho, pós-eleições. Confirmada a greve, serão afetados mais de 20 mil estudantes.

Principal alvo do Andes para aumentar o peso do movimento no Estado, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com mais de 40 mil alunos, vive uma situação que é fruto da divisão que existe na representação dos 2,6 mil professores da instituição, onde o Andes possui uma seção sindical, que a partir de hoje começa uma peregrinação interna para divulgar a dimensão do movimento no país e convocar os docentes para a greve.

— Nas conversas com os colegas já sentimos um grau de insatisfação. Pretendemos impulsionar essa mobilização — explica Robert Ponge, vice-presidente da seção sindical do Andes na UFRGS.

Já o Sindicato dos Professores das Instituições Federais do Ensino Superior de Porto Alegre (Adufrgs-Sindicato), que envolve UFRGS, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e as unidades Porto Alegre e Restinga do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), prefere manter o diálogo pelo menos até o próximo domingo, quando um encontro em Brasília avaliará o avanço das negociações com o governo.

— Não descartamos e não somos contra a greve, nós apenas achamos que ela é o instrumento extremo. Em geral, as últimas greves causaram desgastes e os resultados não foram os esperados — afirma Maria Luiza von Holleben, presidente da Adufrgs.

Abaixo, confira a situação das universidades gaúchas que têm atividades suspensas:

Furg — Segundo a Associação dos Professores da Universidade Federal do Rio Grande (Aprofurg), 95% dos 10 mil alunos da Furg estão sendo afetados, já que praticamente todos os cursos têm ao menos um docente com atividades paralisadas.

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) manifestou apoio ao movimento. Uma assembleia dos estudantes contou com cerca de mil pessoas no Centro de Convivência, segundo cálculos do DCE.

— O fato de os estudantes cobrarem a reitoria chamou atenção em todo o país. É um sinal de que a comunidade entende a nossa luta — afirma Billy Graeff, professor da Furg e integrante do comando nacional de greve.

Unipampa — Nos 10 campi da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) em municípios da Região Sul, Campanha e Fronteira Oeste, a adesão de professores chega a 80%, segundo a Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal do Pampa (Sesunipampa), afetando boa parte dos 9,7 mil alunos da instituição.

— A maioria dos professores que não parou as atividades continuou em sala de aula para recuperar conteúdos atrasados, ou seja, não querem furar o movimento — explica Hélvio Rech, presidente da Sesunipampa.

Hoje, o comando de greve se reúne com a reitoria da instituição. Além da reivindicação nacional, os docentes cobram a implantação de um restaurante universitário e de moradia para alunos de outras cidades.

UFSM — A greve dos docentes na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) deve começar nesta segunda-feira, mas muitos professores questionam a legitimidade do movimento, aprovado em assembleia com 110 de um total 1,7 mil educadores ligados à Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal de Santa Maria (Sedufsm). O presidente do sindicato, Rondon de Castro, garante que a decisão foi legítima:

— Tivemos 10% dos filiados da Sedufsm presentes na assembleia. Foi um bom quórum.

Rondon sustenta que somente a greve garantirá melhorias para a categoria. Entre as reivindicações do movimento, a busca de um  aumento salarial que atenda às demandas da categoria, o fim das perdas do plano de carreira e melhorias nas condições de trabalho.

FONTE: DIÁRIO DE SANTA MARIA