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sábado, maio 25, 2013

Brasil perdoa 900 milhões de dólares em dívidas de países africanos








Medida anunciada durante as celebrações dos 50 anos da União Africana visa reforçar relação do País com o continente

A Presidência da República anunciou neste sábado 25, em Addis Abeba, na Etiópia, a anulação de 900 milhões de dólares em dívidas de 12 países africanos, durante as celebrações do cinquentenário da unidade africana. "Manter relações especiais com a África é estratégico para a política externa brasileira," explicou à imprensa o porta-voz da presidenta Dilma Rousseff, Thomas Traumann.
Dilma foi a Addis Abeba para as celebrações, em sua terceira viagem à África em três meses.
Dos 12 países que terão suas dívidas perdoadas, os principais beneficiados serão a República do Congo (Brazzaville), com uma dívida de 352 milhões de dólares cancelada, e a Tanzânia, com 237 milhões. Entre os outros países a serem beneficiados estão Costa do Marfim, Gabão, Guiné, Guiné-Bissau, República Democrática do Congo e São Tomé e Príncipe.
Traumann explicou que a medida é destinada a dinamizar as relações econômicas entre o Brasil e a África, continente que tem registrado forte crescimento econômico.
Dilma está entre os líderes mundiais que participam do jubileu de criação da Organização da Unidade Africana (OUA), substituída em 2002 pela União Africana e com sede na capital etíope.
Também participaram das celebrações o presidente francês François Hollande, o secretário de Estado americano John Kerry, o vice-primeiro-ministro chinês Wang Yang e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
Segundo o governo brasileiro, as trocas comerciais entre o Brasil e o continente africano foram de 25 bilhões de dólares em 2012.
FONTE: CARTA CAPITAL

quarta-feira, fevereiro 20, 2013

40 perguntas para Yoani Sánchez em sua turnê mundial

Salim Lamrani* | Paris

Famosa opositora cubana fará
 seu giro mundial por mais de 
uma dezena de países do mundo

1. Quem organiza e financia sua turnê mundial?

2. Em agosto de 2002, depois de se casar com o cidadão alemão chamado Karl G., abandonou Cuba, “uma imensa prisão com muros ideológicos”, para imigrar para a Suíça, uma das nações mais ricas do mundo. Contrariamente a qualquer expectativa, em 2004, decidiu voltar a Cuba, “barco furado prestes a afundar”, onde “seres das sombras, que como vampiros se alimentam de nossa alegria humana, nos introduzem o medo através do golpe, da ameaça, da chantagem”, onde “os bolsos se esvaziavam, a frustração crescia e o medo se estabelecia”. Que razões motivaram esta escolha? 

3. Segundo os arquivos dos serviços diplomáticos cubanos de Berna, Suíça, e de serviços migratórios da ilha, você pediu para voltar a Cuba por dificuldades econômicas com as quais se deparou na Suíça. É verdade?

4. Como pôde se casar com Karl G. se já estava casada com seu atual marido Reinaldo Escobar?

5. Ainda é seu objetivo estabelecer um “capitalismo sui generis” em Cuba?

6. Você criou seu blog Geração y (Generación Y) em 2007. Em 4 de abril de 2008 conseguiu o Prêmio de Jornalismo Ortega e Gasset, de 15 mil euros, outorgado pelo jornal espanhol El País. Geralmente, este prêmio é dado a jornalistas prestigiados ou a escritores de grande carreira literária. É a primeira vez que uma pessoa com seu perfil o recebe. Você foi selecionada entre cem pessoas mais influentes do mundo pela revista Time (2008). Seu blog foi incluído na lista dos 25 melhores blogs do mundo pela cadeia CNN e pela revista Time (2008), e também conquistou o prêmio espanhol Bitacoras.com, assim como The Bob’s (2008). El País lhe incluiu em sua lista das cem personalidades hispano-americanas mais influentes do ano 2008. A revista Foreign Policy ainda a incluiu entre os dez intelectuais mais importantes do ano em dezembro de 2008. A revista mexicana Gato Pardo fez o mesmo em 2008. A prestigiosa universidade norte-americana de Columbia lhe concedeu o prêmio María Moors Cabot. Como você explica esta avalanche de prêmios, acompanhados de importantes quantias financeiras, em apenas um ano de existência?

7. Em que emprega os 250 mil euros conseguidos graças a estas recompensas, um valor equivalente a mais de 20 anos de salário mínimo em um país como França, quinta potencia mundial, e a 1.488 anos de salário mínimo em Cuba?

8. A Sociedade Interamericana de Imprensa, que agrupa os grandes conglomerados midiáticos privados do continente, decidiu nomeá-la vice-presidente regional por Cuba de sua Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação. Qual é seu salário mensal por este cargo?

9. Você também é correspondente do jornal espanhol El País. Qual é sua remuneração mensal?

10. Quantas entradas de cinema, de teatro, quantos livros, meses de aluguel ou pizzas pode pagar em Cuba com sua renda mensal?

11. Como pode pretender representar os cubanos enquanto possui um nível de vida que nenhuma pessoa na ilha pode se permitir levar?

12. O que faz para se conectar à Internet se afirma que os cubanos não têm acesso e ela?

13. Como é possível que seu blog possa usar Paypal, sistema de pagamento online que nenhum cubano que vive em Cuba pode utilizar por conta das sanções econômicas que proíbem, entre outros, o comércio eletrônico?

14. Como pôde dispor de um Copyright para seu blog “© 2009 Generación Y - All Rights Reserved”, enquanto nenhum outro blogueiro cubano pode fazer o mesmo por causa das leis do embargo?

15. Quem se esconde atrás de seu site desdecuba.net, cujo servidor está hospedado na Alemanha pela empresa Cronos AG Regensburg, registrado sob o nome de Josef Biechele, que hospeda também sites de extrema direita?

16.  Como pôde fazer seu registro de domínio por meio da empresa norte-americana GoDady, já que isto está formalmente proibido pela legislação sobre as sanções econômicas?

17. Seu blog está disponível em pelo menos 18 idiomas (inglês, francês, espanhol, italiano, alemão, português, russo, esloveno, polaco, chinês, japonês, lituano, checo, búlgaro, holandês, finlandês, húngaro, coreano e grego). Nenhum outro site do mundo, inclusive das mais importantes instituições internacionais, como por exemplo as Nações Unidas, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, a OCDE ou a União Europeia, dispõem de tantas versões linguísticas. Nem o site do Departamento de Estado dos Estados Unidos, nem o da CIA dispõem de igual variedade. Quem financia as traduções?

18. Como é possível que o site que hospeda seu blog disponha de uma banda com capacidade 60 vezes superior àquela que Cuba dispõe para todos os usuários de Internet?

19. Quem paga a gestão do fluxo de mais de 14 milhões de visitas mensais?

20. Você possui mais de 400 mil seguidores em sua conta no Twitter. Apenas uma centena deles reside em Cuba. Você segue mais de 80 mil pessoas. Você afirma “Twitto por sms sem acesso à web”. Como pode seguir mais de 80 mil pessoas sem ter acesso à internet?

21. O site www.followerwonk.com permite analisar o perfil dos seguidores de qualquer membro da rede social Twitter. Revela a partir de 2010 uma impressionante atividade de sua conta. A partir de junho de 2010, você se inscreveu em mais de 200 contas diferentes do Twitter a cada dia, com picos que podiam alcançar 700 contas em 24 horas. Como pôde realizar tal proeza?

22.  Por que cerca de seus 50 mil seguidores são na verdade contas fantasmas ou inativas? De fato, dos mais de 400 mil perfis da conta @yoanisanchez, 27.012 são ovos (sem foto) e 20 mil têm características de contas fantasmas com uma atividade inexistente na rede (de zero a três mensagens mandadas desde a criação da conta).

23. Como é possível que muitas contas do Twitter não tenham nenhum seguidor, apenas seguem você e tenham emitido mais de duas mil mensagens? Por acaso seria para criar uma popularidade fictícia? Quem financiou a criação de contas fictícias?

24. Em 2011, você publicou 400 mensagens por mês. O preço de uma mensagem em Cuba é de 1,25 dólares. Você gastou seis mil dólares por ano com o uso do Twitter. Quem paga por isso?

25. Como é possível que o presidente Obama tenha lhe concedido uma entrevista, enquanto recebe centenas de pedidos dos mais importantes meios de comunicação do mundo?

26. Você afirmou publicamente que enviou ao presidente Raúl Castro um pedido de entrevista depois das respostas de Barack Obama. No entanto, um documento oficial do chefe da diplomacia norte-americana em Cuba, Jonathan D. Farrar, afirma que você nunca escreveu a Raúl Castro: “Ela não esperava uma resposta dele, pois confessou nunca tê-las enviado [as perguntas] ao presidente cubano. Por que mentiu?

27. Por que você, tão expressiva em seu blog, oculta seus encontros com diplomáticos norte-americanos em Havana?

28. Entre 16 e 22 de setembro de 2010, você se reuniu secretamente em seu apartamento com a subsecretaria de Estado norte-americana Bisa Williams durante sua visita a Cuba, como revelam os documentos do Wikileaks. Por que manteve um manto de silêncio sobre este encontro? De que falaram?

29. Michael Parmly, antigo chefe da diplomacia norte-americana em Havana afirma que se reunia regularmente com você em sua casa, como indicam documentos confidenciais da SINA. Em uma entrevista, ele compartilhou sua preocupação em relação à publicação dos cabos diplomáticos norte-americanos pelo Wikileaks: “Eu me incomodaria muito se as numerosas conversas que tive com Yoani Sánchez forem publicadas. Ela poderia sofrer as consequências por toda a vida”. A pergunta que imediatamente vem à mente é a seguinte: quais são as razões por que você teria problemas com a justiça cubana se sua atuação, conforme afirma, respeita o marco da legalidade?

30. Continua pensando que “muitos escritores latino-americanos mereciam o Prêmio Nobel de Literatura mais que Gabriel García Márquez”? 

31. Continua pensando que “havia uma liberdade de imprensa plural e aberta, programas de rádio de toda tendência política” sob a ditadura de Fulgencio Batista entre 1952 e 1958?

32. Você declarou em 2010: “o bloqueio tem sido o argumento perfeito do governo cubano para manter a intolerância, o controle e a repressão interna. Se amanhã as suspenderem as sanções, duvido muito que sejam vistos os efeito”. Continua convencida de que as sanções econômicas não têm nenhum efeito na população cubana?

33. Condena a imposição de sanções econômicas dos Estados Unidos contra Cuba?

34. Condena a política dos Estados Unidos que busca uma mudança de regime em Cuba em nome da democracia, enquanto apoio as piores ditaduras do Oriente Médio?

35. Está a favor da extradição de Luis Posada Carriles, exilado cubano e ex-agente da CIA, responsável por mais de uma centena de assassinatos, que reconheceu publicamente seus crimes e que vive livremente em Miami graças à proteção de Washington?

36. Está a favor da devolução da base naval de Guantánamo que os Estados Unidos ocupam?

37. Você é favorável à libertação dos cinco presos políticos cubanos presos nos Estados Unidos desde 1998 por se infiltrarem em organizações terroristas do exílio cubano na Florida?

38. Em sua opinião, é normal que os Estados Unidos financiem uma oposição interna em  Cuba para conseguir “uma mudança de regime”?

39. Em sua avaliação, quais são as conquistas da Revolução Cubana?

40. Quais interesses se escondem atrás de sua pessoa?

* Doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, Salim Lamrani é professor titular da Université de la Réunion e jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos. Seu último livro se intitula Etat de siège. Les sanctions économiques des Etats-Unis contre Cuba, Paris, Edições Estrella, 2011, com prólogo de Wayne S. Smith e prefácio de Paul Estrade. Contato: Salim.Lamrani@univ-mlv.fr.


FONTE: OPERA MUNDI

sexta-feira, agosto 10, 2012

Brasil investe na África para se tornar potência diplomática e econômica


Em Moçambique, o governo do Brasil está abrindo uma indústria para produzir medicamentos retrovirais para combater a epidemia de Aids. O Brasil está emprestando US$ 150 milhões para o Quênia para construir estradas e aliviar os congestionamentos na capital, Nairobi. E em Angola, a potência do petróleo em ascensão no oeste da África, um novo acordo de segurança busca expandir o treinamento de militares angolanos no Brasil.

O Brasil, que tem mais pessoas de ascendência africana do que qualquer outro país fora da África, está aumentando assertivamente o seu perfil no continente, construindo sobre laços históricos da época do império português.

A variedade de projetos de ajuda e empréstimos que se estendeu recentemente para os países africanos aponta tanto para as ambições do Brasil em projetar uma maior influência sobre o mundo em desenvolvimento quanto para a sedução da expansão dos negócios na África, onde algumas economias estão crescendo rapidamente enquanto outras partes do continente ainda sofrem com guerras e fome. A ofensiva está sendo recompensada pelo aumento do fluxo de comércio entre o Brasil e a África, que cresceu de US$ 4,3 bilhões em 2002 para US$ 27,6 bilhões em 2011.
“Há uma sensação crescente de que a África é a fronteira do Brasil”, diz Jerry Davila, historiador da Universidade de Illinois que escreveu bastante sobre a invasão do Brasil pelo sul do Atlântico. “O Brasil está numa posição privilegiada de finalmente atingir a capacidade institucional para fazer isso.”
As incursões do Brasil na África são semelhantes às ambições de outras potências em ascensão, como a Turquia, que estabeleceu sua influência no mundo Árabe, e a Índia, que promoveu sua cultura por toda a Ásia.
A proeminência dada à Africa também reflete a mudança do Brasil de recebedor para fornecedor de ajuda. Ainda existem grandes desafios de desenvolvimento no Brasil, inclusive escolas públicas deploráveis e uma desaceleração drástica da economia este ano. Mas o Brasil é um grande exportador agrícola que recentemente ultrapassou a Inglaterra como sexta maior economia do mundo, e agora ostenta mais embaixadas na África do que a Inglaterra – uma mudança notável da época em que o Brasil dependia da ajuda externa nos anos 60, em grande parte dos Estados Unidos, para aliviar a fome no nordeste empobrecido do país.
A África agora responde por cerca de 55% dos desembolsos da Agência de Cooperação Brasileira, que supervisiona projetos de ajuda no exterior, de acordo com Marco Farani, diretor da agência. Ao todo, incluindo trocas educacionais e um portfólio de empréstimos em expansão, a ajuda externa do Brasil passa de US$ 1 bilhão, diz ele. Grande parte da ajuda brasileira também vai para países da América Latina, com um foco menor no Timor Leste, ex-colônia portuguesa no sudeste asiático.
“Ainda temos um perfil de ajuda externa menor do que alguns outros países, mas estamos aprendendo a cooperar”, diz Farani.
O Brasil ainda está atrás de outros países, sobretudo a China e os Estados Unidos, que têm programas de ajuda e de comércio bem mais expansivos na África. Em outros lugares da América Latina, Venezuela e Cuba oferecem formas diferentes de melhorar os laços com a África. A Venezuela organizou uma reunião de cúpula em 2009 entre líderes africanos e sul-americanos, na qual o presidente Hugo Chavez estreitou uma aliança com o líder da Líbia na época, Muammar Gadaffi.
Durante a Guerra Fria, tropas cubanas apoiaram governos comunistas na África. Em Angola, a missão incluiu a tarefa aparentemente paradoxal de proteger um complexo petrolífero da Chevron ao mesmo tempo que os EUA apoiavam uma insurgência contra os líderes de Angola. Mais recentemente, Cuba enviou milhares de médicos para a África.
Mas enquanto os esforços cubanos e venezuelanos priorizaram em grande parte a solidariedade do mundo em desenvolvimento com algumas nações africanas, a presença crescente do Brasil na África é mais complexa, envolvendo ambições para transformar o Brasil numa potência diplomática e econômica.
Depois de um aumento missões diplomáticas ao longo da última década, o Brasil agora tem 36 embaixadas por toda a África e espera abrir sua 37º no Malawi este ano. O Brasil já está usando esta presença para apoiar suas ações no palco mundial, enviando jatos para transportar delegações de Serra Leoa, Libéria e Cabo Verde para a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, que aconteceu aqui em junho.
Outros projetos têm a intenção de atrair africanos para estudar no Brasil. Uma nova universidade começou a oferecer aulas no ano passado para estudantes de países de língua portuguesa, incluindo Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.
Uma vez que o Brasil não precisa importar grandes quantidades de petróleo nem alimentos, suas fábricas na África diferem um pouco das de outros países que buscam uma influência maior no continente. Projetos de extensão baseiam-se muito em iniciativas para aumentar as oportunidades para companhias brasileiras, que às vezes trabalham com o governo brasileiro para oferecer ajuda.
Algumas as maiores iniciativas brasileiras, de forma previsível, são em países de língua portuguesa como Angola, onde a construtora brasileira Odebrecht está entre as maiores empregadoras, e Moçambique, onde a gigante da mineração Vale começou um projeto de expansão de carvão de US$ 6 bilhões.
Mas as companhias brasileiras também estão percorrendo outras partes da África em busca de oportunidades, apostando fichas na Guiné e Nigéria. Um banco de investimentos líder no Brasil, o BTG Pactual, iniciou um fundo de US$ 1 bilhão em maio concentrado em investir na África. Novas ligações também estão emergindo, inclusive empreendimentos agrários brasileiros no Sudão; um voo de Adis Abeba, capital da Etiópia, para São Paulo; e um cabo de fibra ótica conectando o nordeste do Brasil com o oeste da África.
Algumas das iniciativas brasileiras na África vieram com complicações, inclusive críticas contra estreitar laços com líderes ligados a abusos dos direitos humanos, como o presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo. Uma medida de liberdade de informação permitiu que jornalistas mergulhassem no comércio de armas entre o Brasil e a África, incluindo a venda de bombas para o Zimbábue.
Estudantes africanos no Brasil entraram com inúmeras queixas descrevendo insultos e agressão, complicando o mito de “democracia racial” que prevalecia no Brasil, no qual os acadêmicos argumentavam que o Brasil havia escapado da discriminação comum em outras sociedades.
Num episódio no Rio, Eleuterio Nhantumbo, um policial moçambicano com uma bolsa para estudar segurança pública numa universidade brasileira, disse que foi parado por policiais uma vez. Eles ordenaram que ele levantasse a camisa ao sair de uma loja por suspeitarem que havia roubado alguma coisa.
Quando questionou por que ele havia sido escolhido, disse que os policiais responderam com um xingamento racial e alertaram para que ele os tratasse com respeito; ouvindo seu sotaque em português, eles perguntaram sobre sua origem.
“O policial perguntou: 'onde é Moçambique?'”, disse Nhantumbo, 33. “Eles não sabiam que existia uma país com este nome.”
Acredita-se que o Brasil, que teve laços estreitos com a África durante séculos através de rotas de navegação e do comércio de escravos, tenha importado dez vezes mais escravos do que os Estados Unidos antes da abolição da escravatura em 1888. Durante um período do século 19, o Brasil foi a sede do império português, tornando a capital da época, o Rio de Janeiro, um centro para o comércio com a África.
Esses laços se debilitaram até que líderes civis buscaram estabelecer relações com os governos recém-independentes da África no início dos anos 60. Esse processo resfriou depois que os governantes militares do Brasil tomaram o poder num golpe apoiado pelos Estados Unidos em 1964.
Então a necessidade econômica e uma busca para construir a autonomia em relação aos Estados Unidos estabeleceram nos anos 70 a fundação da retomada diplomática de hoje na África. Buscando compensar os gastos com importações de petróleo, inclusive de cargueiros da Nigéria, os militares se puseram a abrir novos mercados na África para as companhias brasileiras. Eles tiveram algum sucesso, sobretudo na Angola independente.
O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva incrementou essas ligações em viagens para a África entre 2003 e 2010, referindo-se à “dívida histórica” que o Brasil tem para com a África na formação de sua nação.
FONTE; NOTICIAS UOL / NEW YORK TIME / Taylor Barnes / Tradutor: Eloise De Vylder

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Parceria do Brasil com a África é foco de estudo

Relatório foi lançado, em Brasília, por especialistas do Ipea, MRE, Banco Mundial e UnB

Para analisar a crescente participação política e econômica do Brasil em vários países africanos, principalmente os subsaarianos, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) desenvolveu, em Parceria com o Banco Mundial (BM), o relatório Ponte sobre o Atlântico – Brasil e África Subsaariana: parceria Sul-Sul para o crescimento.

O documento representa, de acordo com o diretor de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais (Dinte), Marcos Cintra, o esforço pra se tentar entender as inúmeras relações entre Brasil e África (cooperação, política externa, investimento e comércio).

O ministro Marco Farani, diretor da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) do Ministério das Relações Exteriores (MRE), afirmou que o governo federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento Agrário, estabeleceu acordo de cooperação financeira com países daquele continente, para que eles possam solicitar empréstimos, com juros de aproximadamente 2% ao ano, para a compra de mini tratores voltados à agricultura familiar. “A cooperação brasileira se dá no campo da capacitação técnica. O Brasil quer ter papel importante também no campo da cooperação financeira”, apontou.

Desafios


Farani considerou que a relação com a África transcende a cooperação técnica e que a priorização da região sul do continente vem ocasionando a abertura de novas oportunidades comerciais e investimentos. “Lula, durante o período de sua presidência, viu que o Sul será importante para desenvolver relação política e discurso mais uniforme, e o Brasil tem um papel importante na construção de uma agenda internacional nessa perspectiva”, disse.

A ABC tem procurado qualificar a sua cooperação nessas duas áreas (técnica e financeira). “Isso não se dá por escolha, mas porque o Brasil não tem ainda uma agência estruturada, assim o trabalho fica ao sabor do movimento política; o segundo ponto é pelo nosso orçamento, muito pequeno, e não podemos nos lançar em projetos que financiem projetos de maior assistência, mais estruturantes.

Ele garante que se esses atuais obstáculos forem resolvidos isso, o Brasil poderá trabalhar de forma mais efetiva. “O que fazemos hoje é muito bom, mas os resultados são de longo prazo. Poderíamos fazer muito mais se o Brasil tivesse uma visão mais clara de como trabalhar no campo da cooperação internacional”, alertou.

Outro ponto importante elencado pelo ministro é que se o Brasil mostrar ainda mais engajado nos processos de cooperação internacional, países desenvolvidos que dispõem de recursos podem se interessar e colaborar. “Gostaria que o BM fizesse novo relatório em cerca de três anos, para analisar se as coisas avançaram, pois o estudo vai nos ajudar a ter clareza sobre o futuro”, afirmou. Em 2010, concluiu ele, o Brasil gastou 0,04% do PIB em cooperação internacional e precisa fazer crescer essa parcela de contribuição com a comunidade internacional.

Elos


Tânia Malinski, do Departamento da África do MRE, ressaltou que o continente é uma área geográfica de permanente interesse para o país. “O período colonial nos uniu de forma trágica e isso ainda nos une, portanto, temos o desafio de superar as marcas da escravidão, que ainda se fazem sentir”, iniciou. Ela lembrou que a migração maciça involuntária de africanos nos faz o segundo maior país em descendência africana.

O que une essas duas margens do Atlântico Sul na política internacional, de acordo com Tânia, são fatos emblemáticos, como o apoio do Brasil aos processos de emancipação política dos países africanos; o esforço conjunto na superação do subdesenvolvimento; o Brasil ter condenado o regime de apartheid na África do Sul; e por fim, o movimento importante das décadas de 1960 e 70 para se tentar conferir mais dinamismo na relação Brasil-África.

Os interesses mútuos dessa parceria são a agricultura tropical e familiar, agroexportação, reaparelhamento de hospitais, combate à malária, à AIDS e à anemia falciforme, diversificação do comércio, interconectividade por rotas marítimas e aéreas.

Já o grande interesse convergente destacado por Tânia é o trabalho político para tornar os países do Hemisfério Sul mais presentes e estruturados na política internacional, “na advocacia por uma nova ordem mundial”.

Quem também participou da cerimônia de lançamento do relatório foram: o coordenador geral de Operação do Banco Mundial, Boris Utria; Keith Martin, Susana Carrillo e Eduarda Hamann, integrantes do BM envolvidos na elaboração do documento; a técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea, Fernanda Lira Goes e o professor da Universidade de Brasília, José Flávio Sombra Saraiva, ambos também participantes da equipe.
FONTE: ipea .gov

sábado, março 20, 2010

Lula está de olho no cargo de secretário-geral da ONU, diz 'The Times'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria considerando a possibilidade de suceder Ban Ki-moon no cargo de secretário-geral da ONU, segundo afirma reportagem publicada neste sábado pelo diário britânico The Times.

Segundo o diário, “diplomatas dizem que Lula da Silva, que deixa o cargo em janeiro, pode buscar o posto mais alto da diplomacia mundial quando o primeiro mandato de Ban Ki-moon expirar, no fim de 2011”.

“A ideia teria sido aventada pela primeira vez pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, durante a reunião de cúpula do G20, em Pittsburgh, em setembro”, comenta o diário.

A reportagem observa que a possibilidade já vem sendo discutido pela imprensa brasileira, com sugestões de que Lula teria sido consultado por mais de uma pessoa sobre a questão.

'Paixão pela África'

Em entrevista ao diário, o assessor da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, não negou a possibilidade.

“Ele (Lula) tem um grande interesse em questões internacionais, no processo de integração da América do Sul”, disse Garcia ao Times.

“Ele tem uma grande paixão pela África. Ele realmente quer fazer algo para ajudar a África”, afirmou.

Para o diário, o estilo pessoal do presidente brasileiro e sua capacidade para manter relações amigáveis com todos os lados – com a China e com os Estados Unidos, com o Irã e com Israel – elevou seu reconhecimento internacional.

O jornal comenta as ofertas feitas na última semana por Lula, durante sua viagem ao Oriente Médio, de servir de mediador para o conflito na região como um exemplo dessa proeminência cada vez maior do presidente no cenário internacional.

Veto

O Times observa, porém, que Lula tomou recentemente posições que desagradaram os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, ambos países que teriam o poder de veto sobre sua indicação ao cargo de secretário-geral da ONU.

O jornal cita a recepção dada em Brasília ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e as críticas às sanções ao Irã, e também o apoio à Argentina em sua disputa com os britânicos pelas ilhas Malvinas.

Segundo a reportagem, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, teria considerado as iniciativas de Lula pela paz no Oriente Médio como “risivelmente ingênuas”.

FONTE: BBC BRASIL


segunda-feira, março 01, 2010

O DITO E O FEITO...

Sem citar Dilma, Mujica diz apoiar eleição de mulher no Brasil

Presidente eleito do Uruguai, que toma posse nesta segunda-feira, afirmou que 'gosta de mulheres no poder'



Em entrevista à imprensa internacional neste domingo, 28, o presidente eleito do Uruguai, José Mujica, que tomará posse daqui a pouco em Montevidéu, afirmou que o seu "coraçãozinho" pende pela eleição de uma mulher no Brasil.

FONTE: ESTADÃO


EM TEMPO: OBSERVE ABAIXO QUE ESTE GOSTAR DE MULHERES NO PODER SÓ SERVE EM SE TRATANDO DE BRASIL, NA MEDIDA EM QUE EM SEU MINISTÉRIO SÓ EXISTEM DUAS MULHERES OCUPANDO PASTA.



Miembros del gabinete tomaron posesión de sus cargos

El saliente presidente de la República, Tabaré Vázquez, entregó la banda presidencial al flamante presidente, José Mujica, rodeado de una multitud en la Plaza Independencia.

Vázquez fue ovacionado por el público presente.

Por su parte, Mujica saludó a su gabinete y a la presidenta argentina, Cristina Kirchner, que recién arribó a la plaza.

Alberto Breccia y Diego Cánepa, fueron investidos como secretario y prosecretario de la Presidencia, respectivamente.

Luego también fueron nombrados los ministros de la nueva administración, que estará conformada de la siguiente manera:

Del Interior: Eduardo Bonomi

Relaciones Exteriores: Luis Almagro

Economía y Finanzas: Fernando Lorenzo

Defensa Nacional: Luis Rosadilla

Educación Y Cultura: Ricardo Ehrlich

Transporte y Obras Públicas: Enrique Pintado

Industria Energía y Minería: Roberto Kreimerman

Trabajo y Seguridad Social: Eduardo Brenta

Salud Pública: Daniel Olesquer

Ganadería, Agricultura y Pesca: Tabaré Aguerre

Turismo y Deporte: Héctor Lescano

Vivienda, Ordenamiento Territorial y Medio Ambietne: Graciela Muslera

Desarrollo Social: Ana María Vignoli

FONTE: EL PAÍS - URUGUAI