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domingo, agosto 05, 2012

Após ouro inédito, Sarah Menezes critica estrutura do judô no Brasil


Apesar da tentativa de toda a comissão técnica e do presidente da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), Paulo Wanderleley Teixeira, de enaltecer a infraestrutura do esporte no Brasil, a atleta Sarah Menezes, que ganhou o primeiro ouro da história do judô feminino brasileiro nos Jogos Olímpicos de Londres, criticou as condições de treino para praticantes da modalidade no Brasil.
Em uma entrevista coletiva realizada em Guarulhos após o desembarque da seleção, Sarah deixou escapar que ainda faltam condições para os atletas que querem seguir carreira no judô. "Com a medalha, as coisas vão melhorar ainda mais, vou montar uma estrutura na minha cidade (Teresina), para que possam apresentar outras Sarahs. No Brasil, deveria ter uma estrutura em todos os estados, para que atletas não precisem largar suas famílias", afirmou.
A afirmação saiu pouco tempo depois da própria técnica da seleção feminina, Rosicleia Campos, dizer que "não existe mais extremos no judô brasileiro". "Hoje todos os estados a gente tem um aporte de estrutura. Essa estutura que a seleção tem, todos os estados têm. A gente tem um trabalho de base fantástico. A equipe junior está viajando pela Europa por exemplo.A Sarah é uma exemplo dessa infraestrutura", defendeu.
Além da comissão técnica e de Sarah, os judocas Rafael Silva, Felipe Kitadai e Mayra Aguiar também estiveram presentes na coletiva. Os três conquistaram a medalha de bronze em Londres, mas já sonham com a vaga nas Olímpiadas de 2016, que será realizada no Brasil.
"O sonho de disputar uma Olimpíada em casa é maior. Ainda não faço ideia do está acontecendo aqui no país. Não olhei minhas redes sociais e continuo tomando banho com minha medalha", brincou Felipe Kitadai.
Outro destaque do Brasil em Londres foi Silva, que garantiu a primeira medalha brasileira na categoria pesado masculino, mais de 100 kg. Ainda que tenha alcançado um bom resultado, ele admite que poderia ter chegado mais longe.
"Quando eu entrei na competição, eu fui lá para brigar mesmo, não queria pensar muito na medalha, queria lutar bem e vencer. Mas, foi meio dramático, várias lutas minhas foram para o tempo extra . Fiquei com a sensação de que poderia ter conquistado um lugar melhor no pódio. Vou guardar todas essas emoções e vou levar para 2016, com força total no meu treinamento", disse.
FONTE: TERRA / RENAN TRUFFI - Direto de São Paulo

Serena e Venus faturam tri olímpico nas duplas do tênis de Londres


Irmãs derrotaram as checas Andrea e Lucie Hradecka 

por 2 sets a 0 e ficam com o ouro


As irmãs Serena e Venus Williams faturaram neste domingo um histórico tricampeonato olímpico ao conquistarem neste domingo o título do torneio de duplas femininas dos Jogos de Londres. As tenistas norte-americanas venceram na final as checas Andrea Hlavackova e Lucie Hradecka por 2 sets a 0, com duplo 6/4, e assim voltarão juntas ao topo do pódio depois de terem sido campeãs em Sydney/2000 e em Pequim/2008.
Serena ganhou o seu segundo ouro em Londres depois de ter garantido o primeiro em grande estilo no último sábado, quando arrasou a russa Maria Sharapova na final do torneio de simples feminino da Olimpíada.
Para alcançar o ouro mais uma vez em uma Olimpíada, Serena e Venus voltaram a exibir eficiência em quadra. Com uma quebra de serviço em cada set e sem oferecer nenhum break point a Hlavackova e Hradecka, as norte-americanas asseguraram a vantagem mínima de dois games em cada set. Juntas, elas fizeram ainda seis aces e 35 winners, fato que as permitiu cometer 12 erros não-forçados, contra 11 das checas.
O triunfo acabou coroando a ótima campanha de Serena e Venus, que não perderam nenhum set nesta edição da Olimpíada de Londres. O mesmo ocorreu com Serena no torneio de simples, dominado de forma arrasadora pela atual tenista número 4 do ranking mundial.
Esse ouro nas duplas foi mais um feito expressivo de Serena, que ao triunfar em simples se tornou a segunda tenista a completar o Golden Slam do tênis, se igualando à alemã Steffi Graf como únicas a terem vencido os títulos dos quatro torneios de Grand Slam do circuito profissional e também o de uma Olimpíada.
Serena, por sinal, comemorou o seu terceiro título seguido em Wimbledon, cujo Grand Slam conta com o complexo de quadras de grama que é palco do torneio olímpico do tênis em Londres. Ela faturou o título do Grand Slam no início do mês passado.
Venus, por sua vez, agora acumula quatro ouros olímpicos, depois de ter sido campeã de duplas e simples em Sydney e oito anos mais tarde apenas de duplas em Pequim. A irmã mais velha das Williams também se tornou a segunda tenista da história a ganhar medalha em três edições diferentes dos Jogos, igualando o feito obtido pela espanhola Conchita Martínez, que levou pratas em Barcelona/1992 e Atenas/2004, além de um bronze em Atlanta/1996.
Juntas, as irmãs Williams ainda se tornaram a segunda dupla feminina a ganhar o ouro em duas olimpíadas consecutivas, algo que apenas as suas compatriotas Gigi Fernández e Mary Joe Fernández haviam conseguido anteriormente, com os triunfos em Barcelona/1992 e Atlanta/1996.
FONTE: ESTADÃO

sábado, agosto 04, 2012

Serena Williams conquista ouro inédito com 'pneu' sobre Sharapova



A americana Serena Williams, número 4 do ranking mundial, massacrou a russa Maria Sharapova, número 3, por 2 sets a 0 (6/0 e 6/1) e conquistou a inédita medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Londres. 'Pneu' é um jargão do tênis quando um rival vence um set sem perder um game.

Assim, Serena completa o chamado 'golden slam', que é a conquista de todos os quatro Grand Slams e de uma Olimpíada na carreira.

Com o resultado, a campeã aumentou a freguesia sobre a russa. Em 11 confrontos diretos, ganhou 9. O último que perdeu foi em 2004.


O JOGO
A americana começou a partida muito bem. A americana fez três aces no primeiro game, quebrou o saque de Sharapova no seguinte e não deixou a russa pontuar em nenhum deles.

Com 3 a 0 contra no placar, Sharapova não conseguia impor o seu jogo e encontrava muita dificuldade para se defender das potentes bolas de Serena, que voltou a quebrar o saque russo.

Sharapova teve a chance de vencer o seu primeiro game na partida, mas cometeu dupla falta e viu Serena vencer o set por 6 a 0.

No segundo set a história foi a mesma. Serena quebrou o saque da russa e logo abriu 3 a 0. Após nove games disputados, a americana errou muito e Sharapova finalmente confirmou o seu serviço, vencendo o seu primeiro game na partida.

A russa teve chance de devolver a quebra no game seguinte, mas desperdiçou dois break points e Serena abriu 4 a 1 na partida.

A americana fechou o segundo set em 6 a 1 e venceu a partida por 2 sets a 0, conquistando a sua primeira medalha de ouro jogando sozinha.

FONTE: FOLHA.COM





Serena e Venus Williams disputarão o ouro

nas duplas femininas do tênis


As irmãs Serena e Venus Williams disputarão o ouro olímpico no torneio de duplas femininas dos Jogos Olímpicos de Londres, ao vencer a dupla russa Maria Kirilenko e Nadia Petrova, por 2 sets a 0, com parciais de 7-5 e 6-4.
As tenistas americanas buscam o terceiro título na competição, já que venceram em Sydney 2000 e Pequim 2008. Nesta edição dos Jogos, Serena conquistou o ouro no torneio de simples, após vencer a russa Maria Sharapova.
Na decisão, as irmãs encararão as tchecas Andrea Hlavackova e Lucie Hradecka. Na disputa pelo bronze, Kirilenko e Petrova jogarão contra as americanas Liezel Huber e Lisa Raymond. 
EFE

Em defesa do cabelo de Gabby Douglas


Gabby Douglas está representando o seu país com muito orgulho nas Olimpíadas. Ela é equilibrada quando sob pressão, executando exercícios que desafiam a gravidade com habilidade, em frente de um público internacional. Ela tem apenas 16 anos e é a segunda negra da história da ginástica americana a estar na equipe. Mas, em vez de enaltecer seus feitos, muitas pessoas estão criticando a ginasta por... não ter arrumado o cabelo.
No Twitter, as pessoas se manifestaram, como @stephiebabe93: "Eu sei que cada mulher negra olhou para o cabelo de Gabby Douglas e perguntou 'Por que? Por que?'"
Sério? Douglas é uma atleta incrível. Quando você está realizando uma prova em uma trave com 10cm de largura, a 1,25m do chão, a última coisa que está preocupado é com o seu cabelo.
Alguns críticos insistem que Douglas precisa representar a comunidade Afro-Americana corretamente, e o modo como ela arruma o cabelo é parte disso. Ainda assim, muitos dos comentários negativos sobre seu cabelo estão partindo de negros americanos.
Outro tweet sobre o cabelo de Douglas, de @MessyMeli: "Então, na real, ninguém quis ir para Londres para cortar e arrumar o cabelo de Gabby Douglas?"
"Eu achei triste de ter visto várias mulheres negras postando comentários críticos sobre o cabelo de Gabby, em vez de ver comentários elogiosos sobre seu desempenho ou sobre ela ser uma negra no time da ginástica americana desde Dominique Dawes", escreveu Monisha Randolph no site SportyAfros.com.
Muitas americanas negras preferem não fazer exercício para preservar o penteado, lembra Randolph. "Pelo que sei e confirmei a última vez que fiz, quando você pratica um esporte, você sua. E quando uma mulher negra que escolheu um penteado mais liso começa a suar, seu cabelo vai, necessariamente, começar a voltar ao modo natural, encaracolado, pixaim", escreveu. "Algumas de nós são diabéticas ou obesas, têm pressão alta e falta de energia. Ah, mas o cabelo que importa."
O cabelo sempre teve um significado especial dentro da comunidade negra americana. O comediante Chris Rock, vencedor do Emmy, foi tão afetado pela obsessão de sua filha com o cabelo de uma de suas amigas que fez um documentário sobre o assunto, "Good Hair", em que ele tenta entender melhor o motivo pelo qual o cabelo é uma questão tão importante para mulheres negras.
"Há sempre uma certa pressão dentro da comunidade negra, algo como se você tem um bom cabelo, você é mais bonita ou melhor do que a negra magrela que usa penteado afro, dread ou natural", disse a atriz Nia Long, em entrevista para o documentário.
"Eles falam sobre o cabelo dos homens, mas é uma questão das mulheres. Porque os caras nem ligam para o cabelo das mulheres", observa Rock. Seu pensamento corrobora com a linha dos tweets sobre o cabelo de Douglas. A maioria dos comentários críticos parte de mulheres. (Felizmente, alguns comentários que apoiam a ginasta são de mulheres negras.)
Em vez de se preocupar sobre se o seu cabelo é perfeito, Douglas se concentrou em fazer história e conquistar a medalha de ouro, na quinta-feira. Ela está reprsentando todos os americanos, não um único grupo, e conseguiu mais aos 16 anos de idade do que a maioria de nós em uma vida inteira. Não deveríamos estar celebrando sua conquista em vez de criticá-la?
FONTE: Por Lylah Alphonse*, especial para o Yahoo! Esportes * tradução por Fernando Figueiredo Mello


LEIA TAMBÉM: Cabelos de negros ainda revelam teor político e social nos EUA
http://guebala.blogspot.com.br/2009/10/cabelos-de-negros-ainda-revelam-teor.html

sábado, julho 28, 2012

Surpresa da cerimônia, Marina Silva chora e conta ter pensado no pai e no Brasil


Marina Silva dispensa maiores apresentações. Isso ficou claro no convite para desfilar com a bandeira olímpica na cerimônia de abertura dos Jogos de Londres 2012. Convite feito pelo diretor do espetáculo, Danny Boyle.
 
Com a  bandeira olímpica a ex-ministra do Meio Ambiente caminhou ao lado de seletíssima  companhia: Daniel Barenboim,Sally Becker, Shami Chakrabati, Leymah Gbowee, Haile Gebrselassie, Doreen Lawrence, Ban Ki-moon, e de Muhammad Ali.
 
Todos eles, de uma ou outra maneira, engajados e representantes de uma causa importante para o mundo.
 
No meio da tarde deste sábado de verão londrino, Marina Silva conversou com este blogueiro.
 
Na conversa abaixo, os detalhes do convite-surpresa feito no ultimo domingo, 22.
 
Conversa entremeada por momentos de emoção de Marina ao contar sobre o que pensou enquanto caminhava pelo estádio olímpico.
 
-Quando você recebeu o convite?
 
-Eu estava em Cajamar, no interior de São Paulo no domingo passado, quando a produção do Danny Boyle, o diretor do espetáculo de abertura das Olimpiadas, ligou para minha assessoria. A princípio, me perguntaram se eu cederia minha imagem para a festa de abertura…começou assim.
 
-E como evoluiu?
 
Na terça-feira eles ligaram e disserram que não era só aquilo e perguntaram se eu poderia vir para Londres, que se eu pudesse talvez eu tivesse que vir para cá. Mais não me disseram porque a festa seria uma surpresa para o mundo todo, mas ficou claro que seria alguma coisa importante, não apenas o uso da imagem…Como eu disse que poderia vir, então eles foram mais claros, disseram que, nesse caso, eu teria que estar em Londres na quarta-feira…
 
-Qual sua sensação ao receber o convite definitivo, ao entender do que se tratava?
 
-Sensação de gratidão, alegria e responsabilidade. Gratidão a Deus, a minha família e ao meu país, por essas razões todas. De alegria porque representa o Brasil, a causa da defesa da floresta, da sustentabilidade, a causa ambiental. O Brasil é o país que tem as melhores condições para quebrar os paradigmas e fazer o que preciso fazer pelo planeta. Esse convite é um reconhecimento disso…E sensação de responsabilidade porque isso é a representação de uma causa que não é só minha, nem é só do Brasil, é uma causa do mundo todo…
 
-Não foi um convite apenas para sua pessoa…
 
-Não, foi  antes de tudo o reconhecimento do Brasil como potência ambiental do mundo.
 
-E na hora em que você entrou no estádio olímpico para o desfile com a bandeira, qual a sensação?
 
-Foi uma emoção muita intensa…muitas coisas. Me lembrei de um texto do Frei Beto em que ele fala do Pai Nosso. Do Pai Nosso que nos recorda que somos todos irmãos, assim como o pão nosso significa o ato de estarmos juntos, de compartilharamos juntos o alimento, o planeta…. não importando se judeus, cristãos, muçulmanos… somos todos irmãos, aquele era o simbolismo daquelas nove pessoas que desfilaram com a bandeira olímpica…
 
-E como foi ali na hora, vocês sabiam antes o que aconteceria?
 
-Foi  tudo uma supresa. Só duas horas antes soubemos da presença do  Muhammad Ali…
 
-E quando começou…
 
-Foi uma sensação de paz e de alegria, também de orgulho quando passamos em frente ao palanque das autoridades…
 
-Onde estava a rainha…
 
-Estavam a rainha e as autoridades do mundo todo…ali pensei em Deus e nos brasileiros, pensei no simbolísmo de ali estarem duas mulheres, eu a e presidente Dilma, representando todo o povo brasileiro, e isso sem importar se é da oposição, se é da situação. Era a representação do Brasil em duas mulheres…
 
-Qual a sensação do tempo ali? Às vezes parece que é tudo muito rápido, às vezes parece que não acaba nunca…
 
-Foi uma fusão de tempos e de imagens….(voz embargada)…
 
-Por que, no que você pensou?
 
-Pensei…pensei no seringal,  onde tudo começou, pensei no Chico Mendes, no Acre, no povo brasileiro….pensei no meu pai, que tem 85 anos….(interrupção, Marina se emociona e chora…) meu pai que sempre, além de ouvir a Hora do Brasil, sempre sintonizou o rádio para ouvir a BBC de Londres….a vida inteira fez isso…pensei nele lá na nossa terra vendo tudo isso…
 
-Sim…
 
-Pensei na responsabilidade e de um legado, que não era a Marina, era uma causa, e uma causa que não é só do Brasil…
 
-E quando acabou?
 
-Quando acabou nós ficamos confraternizando…e me disseram que eu ficasse com a roupa que usei… (risos).

FONTE: Esportes Terra / Bob Fernandes

sexta-feira, julho 27, 2012

Na trepidante Londres, Dilma leva a filha para encontro com a Rainha


Londres ferve. Astros de Hollywood e Bollywood. Bilionários, seus iates e suas festas suntuosas. Estimados meio milhão de visitantes e 110 chefes de Estado. Dentre eles, e elas, a presidente Dilma Rousseff, sua filha, Paula, e comitiva que ocupa 40 quartos dos hotéis Ritz e Millenium Mayfair.

Quando Dilma chegou no início da manhã da quarta, 25, a nova embaixada ainda não estava pronta para a inauguração. Nos últimos dias, 20 homens da portuguesa empresa Evidência transportaram e montavam a exposição a ser visitada pela presidente do Brasil na tarde londrina desta quinta-feira, 26.

Brazil at Heart. O Brasil no coração. A exposição, com 16 toneladas de papelão e peças tecno, mistura ciência e esportes, aponta para a Rio 2016 e marca a inauguração da bela embaixada de seis andares. Comprada por 24 milhões de libras, está a exatos 155 passos da Trafalgar Square, no valorizadíssimo coração da capital inglesa. 

Não muito longe dali está hospedada a comitiva brasileira. No Ritz, 150 Piccadilly, 20 quartos. Na Londres abarrotada de presidentes, príncipes, primeiros-ministros, ditadores e assemelhados, não há diária por menos de 550 libras nestes dias.

Portanto, por baixo, pelo menos 10 mil libras ao dia. No sábado, quando a comitiva se for, as diárias terão somado ao menos  R$ 100 mil no Ritz. Mais uns R$ 100 mil em diárias nos outros 20 quartos do Millenium Mayfair, na Grosvenor Square, vizinho à embaixada dos EUA.

Esses R$ 200 mil, no mínimo, e somente em diárias dos quartos, podem ser lidos de várias formas.

Assim a seco, como leem –e caem matando comentaristas de redes sociais–, ou temperados pelo que se chama funções e obrigações de chefe de Estado.

Discuta-se sempre o tamanho de comitivas tropicais, mas, no caso, há fatos inegáveis. O primeiro é que é extensa a programação de eventos em dois dos três dias londrinos da presidente da República e comitiva.

O segundo motivo, ainda mais importante e nem sempre mensurável.

Nos últimos dias o Guardian, o mais respeitado diário londrino, e demais jornais e revistas ingleses discorrerem sobre a presença de "110 chefes de Estado" na capital onde se encontram mais de 20 mil jornalistas do mundo todo.

Nos últimos dias, entre os poucos países especificamente citados na imprensa inglesa, o Brasil. Dentre os raros chefes de Estado com direito a foto, Dilma Rousseff. 

Há quem se irrite, quem odeie ou ame, mas isso é fato. Assim como é fato que só as diárias pagas para a comitiva nos três dias de visita estão na casa de, por baixo, R$ 200 mil.  

Na noite da terça, e ainda na quarta-feira, enquanto Dilma e comitiva já cumpriam programação e a trepidante Londres fervia, operários, brasileiros e portugueses, trabalhavam na embaixada.

Para fazer funcionar o Brazil At Heart, o Brasil no coração. Como d'hábito à última hora, no ultimíssimo prazo. Desde a última quinta-feira, 19, funcionários da Evidência se revezam dia e noite na montagem da exposição.

Já as festas londrinas começaram na hora exata. Para quem caminha pela cidade, um visão rara, inesquecível nas noites e madrugadas da véspera de abertura das Olimpíadas.

Ruas, praças e restaurantes abarrotados de turistas. Carrões com chefes de Estados, astros e estrelas indo e vindo de recepções e festas. E, por toda Londres e ao mesmo tempo, 200 mil muçulmanos deixando as mesquitas e as orações, interrompendo  nas noites do Ramadã o jejum das manhãs e tardes.

Em Kensigton Gardens, o homem mais rico do Reino Unido, o magnata do aço Lakshmi Mittal recebe atletas da Índia e estrelas de Bollywood para luxuosa recepção na galeria Serpentine.

Nos arredores do Museu Victoria e Albert, fãs se acotovelavam para tentar ver a anunciada presença de Brad Pitt e Angelina Jolie. Rihanna a cantar para os convidados numa festa de 60 mil libras. Entre os convivas, o príncipe Harry, o Duque e Duquesa de Cambridge e o casal David e Victoria Beckham.

Num jantar de caridade em black-tie, homenagem a Muhammad Ali, outra lista de convidados bem além dos castelos de Caras: Catherine Zeta-Jones e Lewis Hamilton, Michael Douglas e Sir Christopher Lee, além do próprio Muhammad Ali.

Terra que nunca renegou piratas, os seus e quem mais vier, o russo Roman Abramovich, dono do Chelsea, era aguardado. Segundo o boca a boca, a bordo do Eclipse, o maior iate particular do mundo, equipado com o seu próprio míssil.

Londres trepidante na madrugada…enquanto isso, na 10 Cockspur Street, novo endereço da embaixada, ralação. Faltavam menos de 24 horas para a inauguração e, claro, Brazil at Heart, será na última hora, no último dia.
  
Jurandir, o faz-tudo da embaixada brasileira, ao lado de um colega aparafusa as duas placas que, à entrada do prédio, informam em português e inglês:
- Embaixada do Brasil

Com um paninho na mão Jurandir dá um lustro, tira a poeira das placas. Na primeira sala, à entrada da embaixada, camadas e camadas de papelão, 888 peças espalhadas. É o Brazil at Heart, a exposição criada pelo estúdio Naja de Ostos, do brilhante arquiteto brasileiro Ricardo de Ostos.

Ricardo, há 11 anos acostumado à pontualidade britânica, responde britanicamente à pergunta sobre a "última hora":

- Nosso trabalho de arquiteto é nos adequarmos ao tempo…

Na quarta-feira, dia da chegada a Londres, dois compromissos. No mais importante, Dilma Rousseff conversou por meia hora com o primeiro-ministro David Cameron. 

Nesta quinta, pela manhã, a presidente do Brasil deslocou-se até o Parque Olímpico. Para encontrar-se com a cúpula da Rede Record. Encontro de mais de uma hora. Presentes o presidente da Record, Alexandre Raposo, e o dono da emissora, o Bispo Edir Macedo. E, importante: Marcos Pereira, o homem do PR.

Nesta tarde, antes da inauguração da nova sede da embaixada e da exposição Brazil at Heart, o encontro com o presidente da Fifa, Joshep Blatter, no Hotel Ritz. Na sexta, 27, pela manhã, conversa com o líder do partido trabalhista e, em seguida, almoço com atletas do Brasil na Vila Olímpica.

À noite, a abertura das Olimpíadas. No final da tarde, a caminho do Parque Olímpico, e no carro blindado alugado pela embaixada do Brasil, a ida para o Buckingham Palace.

Cada convidado de cada país tem direito a um único acompanhante. Lugar esse disputado a tapa em todas as comitivas, pelo que se tem notícia. A presidente Dilma levará a filha, Paula, para conhecer a rainha Elizabeth em seu lendário Palácio.

Qualquer mãe faria igual.

FONTE: Esportes Terra / POR BOB FERNANDES, DIRETO DE LONDRES