Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!

sábado, julho 28, 2012

Surpresa da cerimônia, Marina Silva chora e conta ter pensado no pai e no Brasil


Marina Silva dispensa maiores apresentações. Isso ficou claro no convite para desfilar com a bandeira olímpica na cerimônia de abertura dos Jogos de Londres 2012. Convite feito pelo diretor do espetáculo, Danny Boyle.
 
Com a  bandeira olímpica a ex-ministra do Meio Ambiente caminhou ao lado de seletíssima  companhia: Daniel Barenboim,Sally Becker, Shami Chakrabati, Leymah Gbowee, Haile Gebrselassie, Doreen Lawrence, Ban Ki-moon, e de Muhammad Ali.
 
Todos eles, de uma ou outra maneira, engajados e representantes de uma causa importante para o mundo.
 
No meio da tarde deste sábado de verão londrino, Marina Silva conversou com este blogueiro.
 
Na conversa abaixo, os detalhes do convite-surpresa feito no ultimo domingo, 22.
 
Conversa entremeada por momentos de emoção de Marina ao contar sobre o que pensou enquanto caminhava pelo estádio olímpico.
 
-Quando você recebeu o convite?
 
-Eu estava em Cajamar, no interior de São Paulo no domingo passado, quando a produção do Danny Boyle, o diretor do espetáculo de abertura das Olimpiadas, ligou para minha assessoria. A princípio, me perguntaram se eu cederia minha imagem para a festa de abertura…começou assim.
 
-E como evoluiu?
 
Na terça-feira eles ligaram e disserram que não era só aquilo e perguntaram se eu poderia vir para Londres, que se eu pudesse talvez eu tivesse que vir para cá. Mais não me disseram porque a festa seria uma surpresa para o mundo todo, mas ficou claro que seria alguma coisa importante, não apenas o uso da imagem…Como eu disse que poderia vir, então eles foram mais claros, disseram que, nesse caso, eu teria que estar em Londres na quarta-feira…
 
-Qual sua sensação ao receber o convite definitivo, ao entender do que se tratava?
 
-Sensação de gratidão, alegria e responsabilidade. Gratidão a Deus, a minha família e ao meu país, por essas razões todas. De alegria porque representa o Brasil, a causa da defesa da floresta, da sustentabilidade, a causa ambiental. O Brasil é o país que tem as melhores condições para quebrar os paradigmas e fazer o que preciso fazer pelo planeta. Esse convite é um reconhecimento disso…E sensação de responsabilidade porque isso é a representação de uma causa que não é só minha, nem é só do Brasil, é uma causa do mundo todo…
 
-Não foi um convite apenas para sua pessoa…
 
-Não, foi  antes de tudo o reconhecimento do Brasil como potência ambiental do mundo.
 
-E na hora em que você entrou no estádio olímpico para o desfile com a bandeira, qual a sensação?
 
-Foi uma emoção muita intensa…muitas coisas. Me lembrei de um texto do Frei Beto em que ele fala do Pai Nosso. Do Pai Nosso que nos recorda que somos todos irmãos, assim como o pão nosso significa o ato de estarmos juntos, de compartilharamos juntos o alimento, o planeta…. não importando se judeus, cristãos, muçulmanos… somos todos irmãos, aquele era o simbolismo daquelas nove pessoas que desfilaram com a bandeira olímpica…
 
-E como foi ali na hora, vocês sabiam antes o que aconteceria?
 
-Foi  tudo uma supresa. Só duas horas antes soubemos da presença do  Muhammad Ali…
 
-E quando começou…
 
-Foi uma sensação de paz e de alegria, também de orgulho quando passamos em frente ao palanque das autoridades…
 
-Onde estava a rainha…
 
-Estavam a rainha e as autoridades do mundo todo…ali pensei em Deus e nos brasileiros, pensei no simbolísmo de ali estarem duas mulheres, eu a e presidente Dilma, representando todo o povo brasileiro, e isso sem importar se é da oposição, se é da situação. Era a representação do Brasil em duas mulheres…
 
-Qual a sensação do tempo ali? Às vezes parece que é tudo muito rápido, às vezes parece que não acaba nunca…
 
-Foi uma fusão de tempos e de imagens….(voz embargada)…
 
-Por que, no que você pensou?
 
-Pensei…pensei no seringal,  onde tudo começou, pensei no Chico Mendes, no Acre, no povo brasileiro….pensei no meu pai, que tem 85 anos….(interrupção, Marina se emociona e chora…) meu pai que sempre, além de ouvir a Hora do Brasil, sempre sintonizou o rádio para ouvir a BBC de Londres….a vida inteira fez isso…pensei nele lá na nossa terra vendo tudo isso…
 
-Sim…
 
-Pensei na responsabilidade e de um legado, que não era a Marina, era uma causa, e uma causa que não é só do Brasil…
 
-E quando acabou?
 
-Quando acabou nós ficamos confraternizando…e me disseram que eu ficasse com a roupa que usei… (risos).

FONTE: Esportes Terra / Bob Fernandes

Dilma vai às compras em Londres e fala da 'surpresa' Marina Silva


Presidente passeia pelo Hyde Park e promete que cerimônia de abertura do Rio será melhor

A presidente Dilma Rousseff aproveitou o início da tarde deste sábado em Londres para passear pelo Hyde Park, a maior área de lazer da capital inglesa, e fazer compras com a filha, Paula, por ruas próximas ao parque. A caminhada durou 50 minutos. Dilma comentou a presença da ex-ministra Marina Silva como convidada de destaque na cerimônia da abertura dos Jogos Olímpicos. A presidente disse que não havia sido informada sobre o convite para a adversária das eleições de 2010:

— Não sabia e não preciso saber de tudo. Foi um orgulho.

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), admitiu que o convite surpreendeu o governo. O deputado, que também está em Londres, contou que só soube na manha deste sábado, pela imprensa, que o convite partiu do Comitê Olímpico Internacional (COI):

— Ninguém sabia de onde havia partido o convite. É obvio que teria sido mais adequado ao COI consultar o Brasil, mas a decisão é do comitê, que pode convidar quem desejar. Não considero uma gafe.

O deputado, porém, reconheceu o papel da ex-senadora e ex-candidata a presidente na luta pelo Meio Ambiente:

— Meu orgulho é saber que uma pessoa do caráter da Marina foi escolhida para representar o Brasil na causa ambiental.

Na Copper Box, durante o intervalo de Brasil x Croácia pelo handebol feminino, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, disse:

— Não fiquei surpreso com a presença (de Marina Silva). Ela sempre foi bem relacionada com as casas reais.

Mais cedo, Rebelo provocou:

— Ela sempre teve um bom relacionamento com a aristocracia europeia. Nós não podemos determinar quem as casas reais escolhem.

Já outro ministro, que pediu para não ser identificado, considerou o convite uma gafe:

— Se fosse nas Olimpíadas brasileiras seria como convidar um integrante do Partido Trabalhista Britânico, que faz oposição ao governo Cameron, para ter uma posição de destaque na cerimônia de abertura.

Durante o passeio, Dilma disse que gostou muito da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, mas, para ela, a festa no Rio em 2016 será ainda melhor:

— Gostei, mas vamos fazer muito melhor. Vamos colocar uma escola de samba e abafar.

Com agenda livre em Londres, Dima deixou o Hotel Ritz de carro por volta das 12h30m (8h30m, no horário de Brasília). A presidente foi caminhar pelo Hyde Park e por algumas ruas do entorno, acompanhada da filha e de seguranças da Presidência. Depois de tirar fotos com brasileiros, entrou numa loja da "National Geografic", comprou uma camiseta e um globo terrestre. A loja foi fechada para a presidente ser atendida.

Dilma disse que já esteve dez vezes em Londres, mas apenas uma vez como turista. Durante a caminhada, Dilma também passou em frente ao British Museum.

— Pelo menos num dia da semana a gente tem que ter direito ao ar livre. É bom visitar para ter um pouco de cultura — comentou a presidente.

Cercada por seguranças, primeiro a presidente ficou irritada ao ver jornalistas tirando fotos e a seguindo no Hyde Park. Dilma comentou com um segurança:

— Assim não dá. Desse jeito vou voltar.

Depois a presidente ficou mais calma e foi conversando com jornalistas sem parar de caminhar. Em alguns momentos, ficou lado a lado com pedestres nas movimentadas calçadas londrinas. Mas conseguiu driblar a imprensa e passou quase quatro horas em passeio por Londres, onde teria visitado um museu. Dilma retornou ao Hotel Ritz por volta das 17h40 (horário local, 13h40 horário de Brasília) para em seguida retornar ao Brasil

FONTE: O GLOBO

LEIA TAMBÉM: Na trepidante Londres, Dilma leva a filha para encontro com a Rainha

Evangélicos usam estrutura de templos em suas campanhas


Nesses locais, propaganda política e assistencialismo viram caridade ou ação social

Se a fé move montanhas, não custa tentar garantir a multiplicação dos votos. É de olho no eleitorado evangélico, estimado em cerca de 20% dos 11,8 milhões de eleitores do estado, que candidatos ligados a igrejas evangélicas pentecostais vêm fazendo de templos religiosos uma extensão de seus comitês eleitorais. Nesses locais, propaganda política e assistencialismo ganham contornos de caridade ou ação social, como o GLOBO constatou na sede da Igreja Primitiva do Amor, em Nova Iguaçu, e na Assembleia de Deus dos Últimos Dias, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

Instalada numa casa simples, no alto da Rua Joélio Santana, na Palhada, um dos bairros mais carentes do município, a Igreja Primitiva do Amor sediou na manhã de quarta-feira uma ação social — evento divulgado em faixas espalhadas pela região — com o cadastramento de moradores no programa Bolsa Família, preenchimento de fichas para solicitação de aposentadoria, aplicação de flúor e outras benesses, que aparecem listadas numa folha fixada no portão da seita. O interessado, contudo, deveria apresentar comprovante de residência, carteira de identidade e título de eleitor.

Líder da seita, o pastor Raimundo Jesus disse que a ação social foi realizada no local a pedido da Secretaria de Assistência Social de Nova Iguaçu. O que não é citado nas faixas de propaganda espalhadas pelo bairro. Já alguns moradores ouvidos pela reportagem disseram que o evento estaria ligado à candidatura do petista Sebastião Wagner Berriel, que disputa uma vaga na Câmara de Vereadores do município, onde a prefeita Sheila Gama (PDT) tenta a reeleição numa coligação com o PT.

Perguntado sobre a suposta ligação do candidato com a ação social, o pastor Raimundo desconversou e disse apenas ter cedido o espaço a pedido da prefeitura. Na rua onde funciona a Igreja Primitiva do Amor há ainda outros três pequenos templos evangélicos de outras correntes pentecostais e um centro espírita. A assessoria do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, responsável pela gestão do Bolsa Família, disse inicialmente que o cadastramento só poderia ser promovido em espaços da administração municipal, sob a responsabilidade das secretarias municipais de assistência social.

Questionada sobre os critérios para a escolha dos locais de cadastramento e o suposto uso político eleitoral do programa, a secretaria de Assistência Social de Nova Iguaçu, Márcia Vieira, informou em nota que o atendimento foi realizado no templo em resposta a ofício enviado pela seita. O que contraria a informação dada pelo líder da igreja. O candidato petista não foi localizado para comentar o assunto.

Em São João de Meriti, a sede da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, seita criada pelo pastor Marcos Pereira, lembra um comitê eleitoral, com fotos, veículos adesivados e carros de som com propaganda política dos candidatos Waguinho, que disputa vaga de prefeito em Nova Iguaçu, e Allan Pereira, irmão do pastor Marcos e candidato a vereador no Rio.

Allan e Waguinho, o ex-pagodeiro que trocou as rodas de samba pela música gospel, são candidatos pelo PCdoB, e atuam na Assembleia de Deus dos Últimos Dias. Durante os cultos, segundo testemunhas, o líder da seita faz campanha aberta para a dupla. A análise dos registros de candidaturas no TSE revela que 40 “sacerdotes ou membros de ordem ou seita religiosa” do estado do Rio disputarão cargos eletivos nas próximas eleições. O dobro da quantidade de pastores candidatos em São Paulo.

A corrida pelo voto evangélico pode ser explicada em números. O Censo 2010 do IBGE mostrou que o estado do Rio passou a ter menos de 50% de católicos. Já o número de evangélicos cresceu. Prova disso é que em 11 dos 19 municípios da Região Metropolitana, os evangélicos superam os católicos.

O procurador regional eleitoral, Maurício da Rocha Ribeiro, afirma ser proibida a campanha política em templos religiosos, considerados bens comuns. O que pode resultar em ação por descumprimento da lei eleitoral, que prevê multa de R$ 2 mil a R$ 8 mil, além da retirada de cartazes e galhardetes. O procurador ressalta que líderes religiosos podem, como qualquer cidadão, demostrar suas preferências políticas, mas não podem fazer campanha negativa sobre candidatos.

Com relação ao uso de templos religiosos para a distribuição de benesses e realização de cadastros para programas sociais, os responsáveis podem ser acusados de abuso de poder econômico e político:

— Essa é uma conduta grave, mas que deve ser apurada de forma detalhada, com provas que configurem abuso de poder econômico e político. Nesse caso, pode resultar até na cassação do registro do candidato — disse o procurador.

FONTE: O GLOBO

sexta-feira, julho 27, 2012

COMUNICADO ESPECIAL: Fortalecer a greve na base


Proposta do governo não dialoga com nossa pauta: 


O governo, sentindo a pressão da greve docente, se movimenta e apresenta proposta em 13/07, entretanto, recebe como reação a rejeição unânime de 58 assembleias. Frente à posição firme do movimento, o governo apresentou uma segunda versão da proposta no dia 24/07, que, conforme suas próprias palavras, “não modifica a essência da proposta anterior”.

A proposta continua negando a pauta da greve: reestruturação da carreira e melhores condições de trabalho. O comportamento do governo na mesa de negociações vai do desrespeito à agressão e ameaças dirigidas às entidades que representam as categorias em greve. O tom de suas intervenções caminhou para a culpabilização do movimento, expressa em frases como “vamos assinar, mesmo sem todas as entidades”, “a greve está trazendo prejuízos e alguém será responsabilizado por isso” e “estamos tirando dinheiro de outras categorias em greve para dar aos professores”.

Neste momento fica, mais uma vez, evidenciada a aliança entre o governo e o PROIFES, que, apesar de ter sua política derrotada na base, apoia a proposta governamental, que ataca a carreira docente, numa tentativa de confundir, dividir e, com isto, enfraquecer e prejudicar a luta da categoria.

Diante deste cenário, o CNG/ANDES-SN avalia que a versão da proposta apresentada em 24/07 mantém perdas salariais, consolida e aprofunda as distorções anteriormente introduzidas  na carreira por diferentes medidas governamentais, fazendo persistir e ampliando a quebra da isonomia entre ativos, aposentados e pensionistas. No caso da carreira de EBTT, a introdução da Certificação de Conhecimentos Tecnológicos (CCT) representa claramente o desestímulo à capacitação docente e desvaloriza a titulação.

Assim, a proposta do governo desconsidera os princípios da pauta de reivindicações da categoria e, novamente, não representa melhorias significativas na questão salarial, para a maioria dos docentes. Os aspectos conceituais apresentados pelo governo reforçam a hierarquização verticalizada, a lógica do produtivismo medido pelo atendimento de metas de curto prazo e pela competição predatória, as quais têm sido veementemente rejeitadas pela categoria. Ao contrário do que anuncia o governo, não há valorização da titulação, tampouco da dedicação exclusiva e do salário, na medida em que gratificações não incorporadas aos salários não são constitutivas de direitos.

Não são apresentados percentuais remuneratórios definidos para regime de trabalho e mudanças de classes e níveis e sequer há reposição inflacionária para a maioria dos professores. 

O Poder Executivo apresenta Grupo de Trabalho (GT) para regulamentar pontos centrais da pauta docente, pretendendo adiar novamente o enfrentamento das demandas imediatas da greve. O  movimento rejeita a concepção apresentada e qualquer possibilidade de resolver questões da pauta da greve em grupos de trabalho, armadilha esta que, em verdade, foi um dos motivos que impulsionou a greve. Deste modo, evidencia-se que os GTs, se prestam a efetivar diferentes estratégias:

1) Postergar a implementação de proposições, como na experiência acumulada a partir do GT constituído pelo governo em 2011;

2)  Elaborar argumentos para regulamentar e executar a desestruturação
da carreira com a reapresentação de ideias já rechaçadas pelos professores;

3) Legitimar a desconstrução dos direitos dos docentes por meio de um pacto de classe.

O momento exige a intensificação da greve, pois as movimentações do governo no processo de negociação, seguida das alterações em relação à primeira proposta, são resultantes da forte greve que está em curso. 

A greve se mantém forte com intensa participação nas assembleias, demonstrando a insatisfação e a resistência expressas pela categoria docente, que sinalizam para a razoabilidade e a urgência de  o governo apresentar proposta que vá na direção da pauta do ANDES-SN.

O governo Dilma precisa negociar a nossa pauta! A demora na apresentação de proposta, o ataque ao direito de greve com ameaças de corte de ponto ampliaram e fortaleceram a greve. A ministra Belchior diz que o “governo está levando em conta a situação internacional” e o ministro Mercadante afirma que “não há margem fiscal para ir além”. No entanto, o governo não poupa dinheiro ao  mercado e aos empresários. Exigimos que Dilma resolva a situação, priorizando a educação pública e de qualidade no país. 

Assim, depois de mais de dois meses de greve, o governo demonstrou que sentiu a força do nosso movimento, fato que se  revela em falas contraditórias, apelos por tréguas e pela busca em  pôr fim à nossa greve.

Entretanto, o momento sinaliza para uma conjuntura  política de maior complexidade a ser enfrentada por nós, principalmente no que se refere ao nosso protagonismo no processo negocial. Por isso, é necessário que as AGs apontem os encaminhamentos políticos a fim de definir o foco de atuação do CNG/ANDES.

Na trepidante Londres, Dilma leva a filha para encontro com a Rainha


Londres ferve. Astros de Hollywood e Bollywood. Bilionários, seus iates e suas festas suntuosas. Estimados meio milhão de visitantes e 110 chefes de Estado. Dentre eles, e elas, a presidente Dilma Rousseff, sua filha, Paula, e comitiva que ocupa 40 quartos dos hotéis Ritz e Millenium Mayfair.

Quando Dilma chegou no início da manhã da quarta, 25, a nova embaixada ainda não estava pronta para a inauguração. Nos últimos dias, 20 homens da portuguesa empresa Evidência transportaram e montavam a exposição a ser visitada pela presidente do Brasil na tarde londrina desta quinta-feira, 26.

Brazil at Heart. O Brasil no coração. A exposição, com 16 toneladas de papelão e peças tecno, mistura ciência e esportes, aponta para a Rio 2016 e marca a inauguração da bela embaixada de seis andares. Comprada por 24 milhões de libras, está a exatos 155 passos da Trafalgar Square, no valorizadíssimo coração da capital inglesa. 

Não muito longe dali está hospedada a comitiva brasileira. No Ritz, 150 Piccadilly, 20 quartos. Na Londres abarrotada de presidentes, príncipes, primeiros-ministros, ditadores e assemelhados, não há diária por menos de 550 libras nestes dias.

Portanto, por baixo, pelo menos 10 mil libras ao dia. No sábado, quando a comitiva se for, as diárias terão somado ao menos  R$ 100 mil no Ritz. Mais uns R$ 100 mil em diárias nos outros 20 quartos do Millenium Mayfair, na Grosvenor Square, vizinho à embaixada dos EUA.

Esses R$ 200 mil, no mínimo, e somente em diárias dos quartos, podem ser lidos de várias formas.

Assim a seco, como leem –e caem matando comentaristas de redes sociais–, ou temperados pelo que se chama funções e obrigações de chefe de Estado.

Discuta-se sempre o tamanho de comitivas tropicais, mas, no caso, há fatos inegáveis. O primeiro é que é extensa a programação de eventos em dois dos três dias londrinos da presidente da República e comitiva.

O segundo motivo, ainda mais importante e nem sempre mensurável.

Nos últimos dias o Guardian, o mais respeitado diário londrino, e demais jornais e revistas ingleses discorrerem sobre a presença de "110 chefes de Estado" na capital onde se encontram mais de 20 mil jornalistas do mundo todo.

Nos últimos dias, entre os poucos países especificamente citados na imprensa inglesa, o Brasil. Dentre os raros chefes de Estado com direito a foto, Dilma Rousseff. 

Há quem se irrite, quem odeie ou ame, mas isso é fato. Assim como é fato que só as diárias pagas para a comitiva nos três dias de visita estão na casa de, por baixo, R$ 200 mil.  

Na noite da terça, e ainda na quarta-feira, enquanto Dilma e comitiva já cumpriam programação e a trepidante Londres fervia, operários, brasileiros e portugueses, trabalhavam na embaixada.

Para fazer funcionar o Brazil At Heart, o Brasil no coração. Como d'hábito à última hora, no ultimíssimo prazo. Desde a última quinta-feira, 19, funcionários da Evidência se revezam dia e noite na montagem da exposição.

Já as festas londrinas começaram na hora exata. Para quem caminha pela cidade, um visão rara, inesquecível nas noites e madrugadas da véspera de abertura das Olimpíadas.

Ruas, praças e restaurantes abarrotados de turistas. Carrões com chefes de Estados, astros e estrelas indo e vindo de recepções e festas. E, por toda Londres e ao mesmo tempo, 200 mil muçulmanos deixando as mesquitas e as orações, interrompendo  nas noites do Ramadã o jejum das manhãs e tardes.

Em Kensigton Gardens, o homem mais rico do Reino Unido, o magnata do aço Lakshmi Mittal recebe atletas da Índia e estrelas de Bollywood para luxuosa recepção na galeria Serpentine.

Nos arredores do Museu Victoria e Albert, fãs se acotovelavam para tentar ver a anunciada presença de Brad Pitt e Angelina Jolie. Rihanna a cantar para os convidados numa festa de 60 mil libras. Entre os convivas, o príncipe Harry, o Duque e Duquesa de Cambridge e o casal David e Victoria Beckham.

Num jantar de caridade em black-tie, homenagem a Muhammad Ali, outra lista de convidados bem além dos castelos de Caras: Catherine Zeta-Jones e Lewis Hamilton, Michael Douglas e Sir Christopher Lee, além do próprio Muhammad Ali.

Terra que nunca renegou piratas, os seus e quem mais vier, o russo Roman Abramovich, dono do Chelsea, era aguardado. Segundo o boca a boca, a bordo do Eclipse, o maior iate particular do mundo, equipado com o seu próprio míssil.

Londres trepidante na madrugada…enquanto isso, na 10 Cockspur Street, novo endereço da embaixada, ralação. Faltavam menos de 24 horas para a inauguração e, claro, Brazil at Heart, será na última hora, no último dia.
  
Jurandir, o faz-tudo da embaixada brasileira, ao lado de um colega aparafusa as duas placas que, à entrada do prédio, informam em português e inglês:
- Embaixada do Brasil

Com um paninho na mão Jurandir dá um lustro, tira a poeira das placas. Na primeira sala, à entrada da embaixada, camadas e camadas de papelão, 888 peças espalhadas. É o Brazil at Heart, a exposição criada pelo estúdio Naja de Ostos, do brilhante arquiteto brasileiro Ricardo de Ostos.

Ricardo, há 11 anos acostumado à pontualidade britânica, responde britanicamente à pergunta sobre a "última hora":

- Nosso trabalho de arquiteto é nos adequarmos ao tempo…

Na quarta-feira, dia da chegada a Londres, dois compromissos. No mais importante, Dilma Rousseff conversou por meia hora com o primeiro-ministro David Cameron. 

Nesta quinta, pela manhã, a presidente do Brasil deslocou-se até o Parque Olímpico. Para encontrar-se com a cúpula da Rede Record. Encontro de mais de uma hora. Presentes o presidente da Record, Alexandre Raposo, e o dono da emissora, o Bispo Edir Macedo. E, importante: Marcos Pereira, o homem do PR.

Nesta tarde, antes da inauguração da nova sede da embaixada e da exposição Brazil at Heart, o encontro com o presidente da Fifa, Joshep Blatter, no Hotel Ritz. Na sexta, 27, pela manhã, conversa com o líder do partido trabalhista e, em seguida, almoço com atletas do Brasil na Vila Olímpica.

À noite, a abertura das Olimpíadas. No final da tarde, a caminho do Parque Olímpico, e no carro blindado alugado pela embaixada do Brasil, a ida para o Buckingham Palace.

Cada convidado de cada país tem direito a um único acompanhante. Lugar esse disputado a tapa em todas as comitivas, pelo que se tem notícia. A presidente Dilma levará a filha, Paula, para conhecer a rainha Elizabeth em seu lendário Palácio.

Qualquer mãe faria igual.

FONTE: Esportes Terra / POR BOB FERNANDES, DIRETO DE LONDRES

terça-feira, julho 24, 2012

Marãiwatsédé: uma terra disputada entre o povo Xavante e o agronegócio



Para os índios Xavante que estiveram na Rio+20 em busca de uma resolução para um problema que já dura quase meio século, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável parecia haver terminado com saldo positivo. Desde os anos 1960, a comunidade de Marãiwatsédé luta pelo direito de permanecer em seu território de origem, localizado nos municípios de Alto Boa Vista, Bom Jesus do Araguaia e São Félix do Araguaia, ao nordeste do Mato Grosso.

Na Eco 92, o governo brasileiro havia prometido devolver a terra aos indígenas. Porém, apesar de tê-la homologado por decreto presidencial em 1998, nunca houve real fiscalização, e fazendeiros, posseiros e grileiros continuaram explorando ilegalmente o agronegócio no local. Durante a Rio+20, o conflito parecia estar se aproximando de uma solução, quando a FUNAI garantiu a legitimidade da posse da terra pelos Xavante e deu um prazo para a retirada de não-índios da área. Mas a verdade é que tudo permanece igual naquela região. Igual não, pior: a pressão dos indígenas na Rio+20 e a decisão da Justiça Federal determinando a saída dos invasores intensificou a revolta dos grandes ruralistas, que se negam a deixar o território e vêm incitando confronto físico.

A data limite para apresentação do plano de desintrusão da terra indígena se aproxima. Recentemente, o INCRA indicou que 500 famílias residentes em Marãiwatsédé poderão ser transferidas para outras propriedades em municípios próximos. Por conta dessa conjuntura, o governo de Mato Grosso correu para Brasília para tentar todo tipo de articulação e pressão, visando a permanência dos grandes ruralistas em Marãiwatsédé – a despeito do que determinaram diversas decisões judiciais, em processos que perduram há 20 anos. Tanta demora fez com que Marãiwatsédé tenha se tornado, hoje, a terra indígena mais devastada da Amazônia brasileira.
Diáspora
O problema teve início em 1966, quando os Xavante que historicamente ocupavam a região foram forçados a deixar suas terras. Aviões da FAB levaram-nos para um aldeamento organizado por uma missão católica, 400 km ao sul de Marãiwatsédé. A tragédia não demorou a acontecer: nos primeiros 15 dias, uma epidemia de sarampo matou 150 índios, e os sobreviventes se refugiaram para outras terras Xavante, em uma espécie de exílio interno no país. Na época, a intenção do governo militar era liberar o espaço para permitir o avanço das frentes de ocupação do Centro Oeste e da Amazônia.
Enquanto isso, Marãiwatsédé era adquirida por uma empresa colonizadora paulista de Ariosto da Riva, que depois passou para o Grupo Ometto e se transformou no maior latifúndio do mundo, o Suiá-Missu, com 1,8 milhão de hectares. Em seguida, foi comprado pela Liquigás, finalmente chegando às mãos da empresa italiana Agip Petrolli. Somente anos depois, na Eco-92, a situação dos Xavante foi abraçada por movimentos socioambientais e a Agip, constrangida internacionalmente por seus atos contrários aos direitos indígenas, decidiu devolver a terra a seus verdadeiros donos. Porém, o latifúndio foi invadido e, desde então, posseiros e fazendeiros ocupam a região de forma ilegal. O imbróglio foi retratado recentemente no documentário “Vale dos Esquecidos”, de Maria Raduan.
Os indígenas só conseguiram retornar a uma parcela diminuta de seu território em 2004, depois de ficarem acampados por 10 meses à beira da estrada. Ao se estabelecerem na sede da fazenda Karu, dentro da terra indígena homologada em 1998, se depararam com uma área cruelmente destruída: o desmatamento arrasou com 85% de Marãiwatsédé. Em outubro de 2011, o Greenpeace chegou a denunciar o envolvimento do maior frigorífico do mundo, a JBS – que havia assinado o Termo de Ajuste de Conduta da Carne Legal diante do Ministério Público Federal – na compra de bovinos criados ilegalmente por fazendeiros dentro de Marãiwatsédé. Os próprios indígenas denunciam o despejo de agrotóxicos próximo à aldeia, prejudicando a saúde da comunidade, e da continuidade de vendas de lotes e fazendas dentro da Terra Indígena. Mesmo assim, nenhuma ação enérgica da Justiça ou do governo tem sido suficiente para garantir o acesso dos índios ao restante de sua própria terra – na qual conseguem ocupar menos de 10%.
Funai
A Fundação Nacional do Índio (Funai) reafirma a legalidade do processo de regularização da Terra Indígena (TI) Marãiwatsédé, com 165.241 hectares de extensão. Homologada por decreto presidencial em 1998, como de posse permanente e usufruto exclusivo do povo Xavante, ela é registrada em cartório na forma de propriedade da União Federal, conforme legislação em vigor, e seu processo de regularização é amparado pelo Artigo 231 da Constituição Federal, a Lei 6.001/73 (Estatuto do Índio) e o Decreto 1.775/96.
Em agosto de 2010, uma decisão unânime dos desembargadores da 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, reconheceu o direito dos Xavante à Terra Indígena Marãiwatsédé. Para o TRF-1 não há dúvida de que a comunidade Marãiwatsédé “foi despojada da posse de suas terras na década de sessenta, a partir do momento em que o Estado de Mato Grosso passou a emitir título de propriedade a não-índios, impulsionados pelo espírito expansionista de ‘colonização’ daquela região brasileira”. Os desembargadores concluíram que os posseiros não têm nenhum direito às terras, por se tratarem de “meros invasores da área, inexistindo possibilidade de ajuizamento de ação indenizatória”.
Em julho de 2011, em outra decisão, o Tribunal Regional Federal da 1º Região (TRF), em Brasília, garantiu a permanência das famílias de não índios na Terra Indígena Marãiwatséde, dias depois de o governo de Mato Grosso ter sancionado uma lei considerada inconstitucional que oferece o Parque Estadual do Araguaia para reassentamento dos indígenas. No entanto, em junho deste ano, nova decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região revogou a decisão anterior do mesmo tribunal, autorizando a retirada dos invasores.
“Marãiwatséde é área indígena, homologada e garantida judicialmente”, afirma o assessor da presidência da Funai, Aluísio Azanha. “O governo vai cumprir a desintrusão. Primeiro, retirando os grandes fazendeiros que estão lá ilegalmente. Em seguida, os pequenos posseiros que possuem direito a reforma agrária”. A Funai também estaria se mobilizando para desarticular a divisão interna dos Xavante, que estaria sendo utilizada pelos ruralistas. “Marãiwatséde é terra indígena mais desmatada do país. Não é possível falar em produção quando não se respeita a legislação. Isso é insustentável”, afirma Azanha.

FONTE: Gazeta do Povo / Mariana Sanchez, com informações de Andreia Fanzeres e Felipe Milanez - Especial para o Giro Sustentável
Neste vídeo, produzido e editado pelos próprios indígenas, é possível entender melhor o problema:

segunda-feira, julho 23, 2012

Governo gasta cada vez menos com servidores públicos

Governo e imprensa investem em mentiras para atacar greve; no próximo dia 31, servidores federais realizam dia nacional de luta

A intransigência do governo Dilma não vem sendo capaz de arrefecer a greve do funcionalismo público federal, que se arrasta há mais de dois meses como no caso das universidades. Após uma semana de intensas mobilizações em Brasília, que incluíram um acampamento dos servidores na Esplanada dos Ministérios, uma marcha que reuniu pelo menos 10 mil pessoas no último dia 18 e um ato que “trancou” o Ministério do Planejamento, os servidores planejam um dia nacional de luta para o próximo dia 31. 

Proposto pelo Fórum Nacionais das Entidades dos Servidores Públicos Federais, o dia de mobilização foi encampado pela CSP-Conlutas, além da CUT e da CTB, que devem se reunir no próximo dia 25 para definir as ações nos estados. “O dia de luta vai combinar as reivindicações dos servidores em greve, mas também questões mais gerais dos trabalhadores, como a luta contra a reforma trabalhista, a ameaça de ataque à Previdência e a luta por moradia e reforma agrária” , explica Paulo Barela, da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas.

O dia nacional de luta tem o objetivo de superar a intransigência do governo Dilma, que orientou o corte no ponto dos grevistas. Por enquanto, o governo se limitou a apresentar uma proposta aos docentes das universidades federais, recusada, pois destrói o plano de carreira da categoria e estabelece reajuste a apenas uma pequena parcela dos docentes. Os outros setores parados nem ao menos foram chamados para negociar. O dia 31 é o prazo dado pelo governo para incluir os gastos com folha de pagamento no Orçamento do próximo ano. 

A falácia do “aumento” aos servidores
O governo e a grande imprensa martelam falácias para atacar a greve e estigmatizar os servidores públicos, a exemplo dos piores anos do neoliberalismo. Entre os argumentos utilizados para tentar desmoralizar a categoria, está o suposto “aumento” dado pelo governo Lula ao funcionalismo nos últimos anos. No entanto, apesar das concessões arrancadas pelos servidores após greves e mobilizações, o governo Lula gastou com servidores, comparativamente ao PIB, menos que FHC. Enquanto o governo neoliberal de FHC gastou com pessoal o equivalente a 6% do PIB, os gastos no governo Lula ficaram em 4,2%.

“E a única concessão que o governo Dilma deu, no ano passado, através da MP 568 e só aprovada em março passado, tem um impacto de R$ 1,65 bilhão, um valor insignificante considerando o universo de quase 670 mil servidores”, explica Barela. Ou seja, ao contrário do que afirmam sistematicamente a imprensa e analistas do mercado ou do governo, não se gasta muito com servidores no país. Ao contrário. E a situação tende a piorar.

De acordo com a Auditoria Cidadã da Dívida, a participação dos gastos com pessoal no Orçamento vem caindo drasticamente, de 56,2% da Receita da União em 1995 para apenas 32,1% em 2011. Isso se reflete nos salários dos servidores, que em muitos casos sequer tem a reposição da inflação dos últimos anos.

Para piorar, os concursos públicos estão paralisados no governo Dilma e os servidores que se aposentam não são substituídos por novos funcionários. Resultado: aumenta-se o déficit de pessoal no serviço público. “Há a perspectiva que 280 mil servidores se aposentem até 2015” , adverte Barela, apontando que, para se voltar ao nível de 2010, teriam que ser contratados 350 mil servidores. Mas a política do governo vem sendo terceirizar as carreiras de nível intermediário e auxiliar, ao invés de investir em novas contratações.

Outra relação omitida são os gastos da dívida pública em comparação aos gastos com servidores. A reivindicação geral dos servidores, de 22% de reajuste linear, consumiriam R$ 35 bilhões ao ano. Algo como o equivalente a duas semanas de pagamento da dívida pública (R$ 2,1 bilhões por dia, R$ 708 bilhões ao ano). Mas isso, a imprensa e o governo não dizem.

FONTE: OPINIÃO SOCIALISTA

Defensores de cotas em universidades vão entregar manifesto a Sarney


Gorette Brandão
Em audiência no dia 7 de agosto, representantes do movimento social que milita a favor das cotas nas universidades e escolas técnicas federais para estudantes de escolas públicas vão pedir ao presidente do Senado, José Sarney, seu apoio para garantir a votação do projeto de lei da Câmara (PLC180/2008). Por acordo firmado na última reunião de líderes, a matéria deve constar da pauta de votações do Plenário ainda em agosto.
No encontro com Sarney, os militantes também pretendem entregar ao presidente da Casa camélias brancas, num gesto de reconhecimento pelas posições historicamente favoráveis do senador à questão das ações afirmativas, conforme o presidente do Movimento dos Sem-Universidade, Sérgio José Custódio.
- As camélias brancas simbolizavam simpatia pelo movimento abolicionista. Eram cultivadas num quilombo e distribuídas pelos abolicionistas – lembrou Custódio.
Pelo projeto, pelo menos 50% das vagas por curso e turno devem ser reservadas para quem tenha estudado integralmente em escola pública. Além disso, para tornar obrigatório e uniformizar modelos de políticas de cotas já aplicados na maioria das universidades federais, o projeto também estabelece critérios complementares de renda familiar e étnico-raciais.
A cota mínima de 50% deve espelhar a participação de negros, pardos e indígenas na população do estado onde a instituição de ensino estiver localizada.  Para isso, será levado em conta o censo mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pelo critério social, metade das vagas da cota deverá ser preenchida por estudantes cujas famílias tenham renda per capita igual ou inferior a um salário mínimo e meio – em valores atuais o equivalente a R$ 933.
Reação
A matéria quase foi à votação em Plenário no dia 4 de julho. A senadora Marta Suplicy (PT-SP), que presidia a sessão, chegou a anunciar a votação, mas o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) manifestou sua contrariedade lembrando que, em razão da aprovação de urgência para a votação da matéria no Plenário, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) deixou de apreciá-la.
O senador Paulo Paim (PT-RS) apresentou seu relatório pela CE diretamente em Plenário o que, para Aloysio Nunes, foi um desrespeito aos senadores que integram aquela comissão e “à inteligência do Senado”. Em seguida, a matéria acabou perdendo espaço na pauta com a chegada de novas medidas provisórias à ordem do dia.
Para Aloysio Nunes, o projeto reserva um número excessivo de vagas – pelo menos 50% – às cotas. A seu ver, o mérito está sendo prejudicado. Contudo, outros senadores defendem o sistema, inclusive a combinação com critérios de renda e de identidade étnica. Paulo Paim, por exemplo, afirma que não há incoerência entre mérito e critério racial. Conforme Roberto Requião (PMDB-PR), a matéria significa um “avanço civilizatório”.
- É imperativo que o Senado se manifeste sem receio, com coragem, no sentido da evolução civilizatória do país – disse o parlamentar.
Esforço concentrado
Ainda sob regime de urgência, a proposta foi incluída pelos líderes na pauta de votações do Plenário para agosto, quando o Senado realiza duas semanas de esforço concentrado, cada uma com três dias de votação - entre os dias 7 e 9 e o período de 21 a 23 do próximo mês.
Se aprovado sem modificações, o texto será enviado à sanção presidencial, sem necessidade de novo exame na Câmara. Esse é o desfecho esperado pelo movimento social depois de 13 anos de tramitação da matéria, quatro deles no Senado. Sérgio Custódio, do MSU, identifica apenas resistências isoladas de alguns senadores ao projeto, mas não oposição partidária, nem mesmo do PSDB de Aloysio Nunes. Por isso, acredita que o consenso será alcançado, como aconteceu na Câmara.
- O texto é o mesmo que saiu da Câmara, no qual todos os partidos deram um “pitaco” e que acabou sendo aprovado por consenso – comentou.
Veto pontual
Um dos pontos criticados é a proibição do texto à exigência de vestibular ou qualquer outro exame geral, como seria o caso do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), para selecionar os que vão ocupar as vagas das cotas. O que está previsto é a utilização das notas do ensino médio para o acesso ao curso superior e do ensino fundamental, para os cursos técnicos. Sérgio Custódio afirma que não se pode condenar o projeto por esse trecho, pois há acordo para veto na fase de sanção.
- O Enem ainda não existia como critério de acesso ao ensino superior quando o projeto nasceu, mas o veto pode resolver com tranquilidade essa questão. Alterar o texto e devolvê-lo à Câmara significará retardar uma conquista de direitos e cidadania que as cotas vão trazer para novas gerações de brasileiros – afirma Sérgio Custódio.
FONTE: Agência Senado

23 de julho de 1993 - A chacina da candelária


"Dizem que ela existe pra ajudar /Dizem que ela existe pra proteger 
Eu sei que ela pode te parar / Eu sei que ela pode te prender...
... Dizem pra você obedecer / Dizem pra você responder 
Dizem pra você cooperar / Dizem pra você respeitar 
Polícia para quem precisa / Polícia para quem precisa de polícia..."
Titãs

Por volta da meia-noite cerca de 50 crianças de rua dormiam enroladas em cobertores próximo à Igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro. Nenhuma percebeu a chegada de dois Chevettes com as placas cobertas por plástico: um táxi, e o outro carro comum, ambos amarelos. Ao perceber que os meninos dormiam, um dos homens fez o sinal para que os comparsas se aproximassem. Em seguida foi o horror. Os homens começaram a atirar indiscriminadamente na direção dos menores.

Enquanto muitos preferiram fugir, sete deles que dormiam sobre uma banca de jornais, preferiram ficar imóveis, e foram executados com tiros na cabeça.

O local escolhido para a chacina foi a Praça Pio X, centro financeiro e sede de um símbolo sagrado do Rio: a Igreja de Nossa Senhora da Candelária.

Na verdade, a operação começara antes, na Rua do Acre, quando o lavador de carros Wagner dos Santos, de 22 anos, e mais dois menores foram apanhados por dois homens e jogados no banco de trás do Chevette amarelo. Wagner recebeu logo um tiro e desmaiou. Quando acordou estava estirado no chão perto do Museu de Arte Moderna, ao lado dos menores mortos.

As crianças e jovens que viviam nas ruas nas imediações da Igreja da Candelária eram atendidos de maneira voluntária pela Sra. Yvonne Bezerra de Mello. Neste dia, com o pedido de socorro, ela mesma conduziu mortos e feridos no seu carro, depois de uma longa espera pela chegada da polícia. 
Muitos dos sobreviventes foram morar debaixo de um viaduto em São Cristóvão e continuaram a serem atendidos pela Sra. Yvonne. Em 1992 o Rio de Janeiro terminou o ano com 424 crimes contra crianças de rua.
Crime repercutiu no mundo

A notícia correu o mundo. Muito se especulou sobre os reais motivos da chacina que causou a morte de seis menores e dois maiores de idade, além de várias crianças e adolescentes feridos.

O sobrevivente Wagner dos Santos testemunhou no processo criminal que indiciou sete policiais, entre militares e civis. Destes três foram condenados. Wagner, hoje em dia, vive na Suíça, protegido depois de receber ameaças de morte. Outro sobrevivente da chacina, Sandro Rosa do Nascimento, mais tarde voltou aos noticiários, quando participou do triste episódio do sequestro do ônibus 174, também no Rio.

FONTE: JORNAL DO BRASIL

Ato reúne 400 e marca seis meses da desocupação do Pinheirinho

Evento foi marcado pelas exigências de punição aos responsáveis pela ação violenta que desalojou cerca de 2 mil

Seis meses depois da desocupação do Pinheirinho, um ato reuniu cerca de 400 pessoas no plenário da Câmara Municipal de São José dos Campos, no sábado, dia 21.

O evento, que aconteceu das 11h às 13h, foi marcado pelas exigências de punição aos responsáveis pela ação violenta que desalojou cerca de 2 mil, de reparação dos danos morais e materiais das famílias expulsas de suas casas e pela construção de moradias.
Além dos ex-moradores do Pinheirinho, participaram do ato dezenas de entidades sindicais, dos movimentos sociais e estudantil da região e de vários locais do país. Estiveram presentes ainda o membro do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana) Renato Simões, o ex-presidente nacional da OAB Cézar Britto e o ex-procurador do Estado de São Paulo Márcio Sotello.

"Não podemos esquecer. Não vamos esquecer. O Pinheirinho não morreu, pois a luta pelo direito à moradia continua", disse o advogado das famílias sem teto, Toninho Ferreira, ainda na abertura do ato, dando o tom da maioria das falas durante o evento.

O deputado estadual Renato Simões fez a apresentação prévia do relatório final do Condepe sobre a desocupação. O documento responsabiliza os governos municipal, estadual e federal, nessa ordem, pela violação de direitos humanos na desocupação. Feito com base em centenas de depoimentos, a primeira parte do documento traz os relatos da ação. A segunda parte, traz a análise do Condepe sobre as ações e omissões que culminaram no despejo das famílias.

Segundo Renato Simões, a Prefeitura é a principal responsável pelos crimes cometidos na desocupação do Pinheirinho. "houve flagrante violação dos direitos humanos na desocupação e a Prefeitura durante vários anos se negou a discutir alternativas àquelas famílias e a um problema social", disse.

Este relatório final será votado na próxima reunião ordinária do Condepe, em quinze dias.

Os juristas Márcio Sotello e Cézar Britto também falaram as irregularidades cometidas na ação da desocupacão e reafirmaram a necessidade de punicão dos responsáveis e reparação às famílias. Foram ressaltadas as denúncias feitas junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos e ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

O membro da Secretaria Executiva na CSP-Conlutas, José Maria de Almeida, ressaltou a importância de cobrar punição e reparação às famílias, mas lembrou que é preciso olhar para frente e o ato deste sábado mostra que a luta continua.

"Seis meses depois da desocupação, nada foi feito pelos governos para garantir moradia aos moradores Pinheirinho", disse. "Estamos conversando com o governo federal e vamos continuar cobrando para que garantam o que está na Constituição: moradia para todos. Para isso, a unidade, organização e luta serão fundamentais ", concluiu.

Para Valdir Martins, o Marrom, foi um grande ato que mostra que o Pinheirinho ainda vive e continuará até o fim na luta pela conquista de casas para todos. Estiveram presentes no ato os candidatos a prefeito de Sáo José dos Campos Ernesto Gradella (PSTU) e Gilberto Silvério (PSOL).

Ato na OAB
Na sexta, dia 20, a desocupação do Pinheirinho foi tema de outro evento na OAB de São José dos Campos. Com a presença de 70 pessoas, entre advogados, estagiários e estudantes, foram discutidas questões jurídicas relacionadas à desocupação do Pinheirinho.

O parecer da OAB no relatório sobre a desocupação foi um dos pontos polêmicos do debate. O documento descartou a existência de violação de direitos humanos na desocupação, desconsiderando os atos de violência física e moral presenciados por diversas testemunhas no dia 22 de janeiro.

O debate fez uma censura ao relatório e concluiu pela necessidade de anulação do documento.

FONTE: OPINIÃO SOCIALISTA /SINDMETAL SJS