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sábado, dezembro 26, 2009

Terremoto atinge Indonésia cinco anos após passagem de tsunami

Um terremoto de 6,7 graus de magnitude foi registrado hoje (26) na costa da ilha indonésia de Maluku. De acordo com a agência portuguesa Lusa, ainda não há informações sobre vítimas ou danos provocados na região.

A agência indonésia de meteorologia e geofísica informou que o movimento das placas tectônicas foi registrado a uma profundidade de 67 quilômetros.

O terremoto aconteceu no mesmo dia em que o país lembra a morte de mais de 220 mil pessoas após a passagem de um tsunami na região em 26 de dezembro de 2004. As ondas, provocadas por fortes terremotos na época, afetaram toda a região do oceano Índico.
FONTE: Agência Brasil

sábado, dezembro 19, 2009

Veja os principais pontos do acordo de Copenhague

A iniciativa americana batizada de Acordo de Copenhague foi a base de um acordo durante a Conferência das Nações Unidas sobre mudança climática, apesar da oposição de vários países. Veja abaixo os principais pontos do acordo.


STATUS LEGAL O acordo, fechado entre Estados Unidos, Brasil, China, Índia e África do Sul, não faz referência a um tratado com valor legal e nem prevê um prazo para que o texto seja transformado em um tratado com valor legal, como reivindicavam alguns países em desenvolvimentos e ambientalistas.

No entanto, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse que esta mudança de status precisa acontecer em 2010.

As 193 nações participando do encontro "tomaram nota" do documento, mas não o aprovaram, o que necessitaria do apoio unânime dos participantes. Ainda não está claro se o documento pode ser considerado um acordo formal da ONU.

AUMENTO DE TEMPERATURAS O texto reconhece a necessidade de limitar o aumento das temperaturas globais a 2ºC acima dos níveis pré-industriais.

A linguagem no texto revela que 2ºC não é uma meta formal, mas que o grupo de países "reconhece a posição científica" de que a alta nas temperaturas deve ficar abaixo deste número.

No entanto, o acordo não identifica um ano de pico para as emissões de carbono, algo que gera oposição entre alguns países em desenvolvimento mais ricos.

Os países devem dizer até 1º de fevereiro de 2010 quais são suas propostas para cortar as emissões de carbono até 2020, mas o acordo não especifica punições para os países que fracassarem em cumprir suas promessas.

AJUDA FINANCEIRA O acordo promete US$ 30 bilhões de ajuda para países em desenvolvimento nos próximos três anos. O texto também prevê o objetivo de oferecer US$ 100 bilhões por ano até 2020 para ajudar países pobres a lidar com os impactos da mudança climática.

O acordo diz que os países ricos devem juntos chegar aos US$ 100 bilhões e que o dinheiro deve vir de fontes variadas: "públicas e privadas, bilaterais e multilaterais, incluindo fontes alternativas de finanças".

Um fundo verde para o clima também será estabelecido pelo acordo. Ele vai financiar projetos em países em desenvolvimento relacionados a ações de mitigação (redução de emissões), adaptação, "construção de capacidade" e transferência de tecnologia.

TRANSPARÊNCIA NAS EMISSÕES As promessas dos países ricos passarão por um exame detalhado segundo a Convenção sobre Mudança Climática das Nações Unidas (UNFCCC, na sigla em inglês). Pelo acordo, países em desenvolvimento vão submeter propostas para cortar emissões segundo um método "que garanta que a soberania nacional seja respeitada".

REVISÃO DE AVANÇOS A implementação do acordo de Copenhague será revista em 2015, cerca de um ano e meio após a próxima avaliação científica do clima global pelo IPCC, o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas.

No entanto, se em 2015 os participantes quiserem adotar uma nova meta, mais baixa, para o aumento da temperatura global, por exemplo 1,5ºC em vez de 2ºC, já seria tarde demais.
FONTE: BBC - BRASIL

Reunião do clima acaba sem consenso sobre acordo






Às 10h30m deste sábado, o presidente da 15ª conferência das Nações Unidas sobre mudança climática (COP 15), Philip Weech, anunciou que o encontro "tomou nota" do documento apresentado por um grupo de países liderado pelos Estados Unidos no dia anterior como "Acordo de Copenhague".

Com isso, na prática, não se chegou a um consenso mesmo depois de duas semanas de negociações, com a participação de líderes de cerca de 120 países e com a intervenção direta do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon.

Além de tomar nota do "Acordo de Copenhague", ficou acertado que os países que concordam com ele assinarão uma lista separada. Um acordo obrigatório e com valor legal ficou para 2010.

Ban Ki-Moon, entretanto, comemorou ter "selado um acordo".

"O Acordo de Copenhague pode não ser tudo o que todos esperavam, mas é um começo importante", disse o sul-coreano, acrescentando que dormiu apenas duas das últimas 48 horas.

Já para a representante de Granada, "ainda é cedo para saber se obtivemos sucesso ou fracassamos".

"A história vai decidir o que esse acordo assinado aqui vai ser." Sem metas O documento citado por Ban Ki-Moon não traz qualquer menção a metas de redução de emissões de gases que provocam o efeito estufa, embora defenda que o aumento da temperatura global seja limitado a 2ºC. Ele também não prevê a sua transformação em tratado com valor legal.

De acordo com a ONU, entretanto, mesmo sem o consenso em torno do documento, ele poderá ser "operacionalizado" no que diz respeito à criação imediata de um fundo de financiamento de cerca de US$ 10 bilhões por ano nos próximos três anos.

As verbas devem ser liberadas para ações de combate e adaptação às mudanças do clima nos países mais pobres do mundo.

Um dos países que mais se opôs ao "Acordo de Copenhague" foi a Venezuela, que fez questão de ressaltar que, embora tenha aceitado que se "tomasse nota" do documento, ele não foi aprovado.

"Não houve consenso. Esperamos que não se procurem artimanhas para forçar o acordo no futuro", disse a representante venezuelana.

O encontro, que chegou a ser considerada o maior evento de cunho político da História, atraiu 45 mil pessoas a Copenhague.

Sem um acordo definitivo para combater a mudança do clima no planeta, serão necessárias novas negociações em 2010 para que uma nova estratégia global possa ser discutida.

"Vamos tentar chegar a um acordo obrigatório com valor legal até a COP 16, no México", disse o secretário-geral.

Processo conturbado Em uma mostra de como o processo em Copenhague foi conturbado, Weech foi o terceiro presidente da COP 15, substituindo o primeiro-ministro dinamarquês, Lars Loekke Rasmussen, que há poucos dias assumira no lugar da ministra da Energia e do Meio Ambiente, Connie Hedegaard.

O Acordo de Copenhague foi selado na sexta-feira, entre o presidente americano, Barack Obama, e os presidentes de China, Brasil, Índia e África do Sul, depois de uma reunião de mais de duas horas.

"O que nós fizemos, foi procurar resgatar alguma coisa daqui, desbloquear essa questão do MRV ("mensurável, reportável e verificável", no jargão), que estava bloqueando qualquer entendimento", afirmou o embaixador extraordinário para mudança climática do Itamaraty, Sérgio Serra, acrescentando que Lula teve um papel de "protagonismo".

Essa operação de "resgate", no entanto, acabou revoltando representantes de diversas delegações do bloco dos países em desenvolvimento, o G77.

"Os eventos de hoje representam o pior acontecimento na história das negociações sobre mudança do clima. O Sudão não vai assinar esse acordo", afirmou o embaixador Lumumba Di-Aping, negociador-chefe sudanês, um dos primeiros a manifestar a insatisfação com o documento publicamente.

Por volta das 3h, Tuvalu foi a primeira delegação a pedir a palavra, pouco depois de o presidente da reunião, o primeiro-ministro dinarquês, Lars Loekke Rasmussen, ter suspendido a plenária por uma hora, "para apreciação do texto".

"Em termos bíblicos, parece que estão nos oferecendo 30 peças de prata para trair o nosso povo. Nosso futuro não está à venda. Lamento informá-lo de que Tuvalu não pode aceitar este documento", disse o representante do pequeno país insular.

Irritação Na sequência, discursaram representantes da Venezuela, Bolívia, Cuba, Costa Rica e Nicarágua - todos criticando duramente o processo que levou à criação do acordo anunciado por Obama e afirmando que não pretendem aceitá-lo.

O clima de irritação ficou ainda mais evidente quando o representante dos Estados Unidos, Jonathan Pershing, pediu a palavra.

Ele se preparava para falar quando representantes da Nicarágua, de pé e com as mãos abanando, o interromperam, exigindo a atenção de Rasmussen.

Depois de quase cinco minutos de indecisão e trocas de explicações, a Nicarágua acabou discursando, antes do representante americano.

O país centro-americano apresentou documentos da convenção do clima da ONU e pediu a suspensão da reunião e a reconvocação dela em junho de 2010.

Por volta das 4h de sábado (1h, em Brasília), o presidente da conferência a suspendeu "por alguns minutos".

Consenso Como o protocolo das Nações Unidas aceita apenas decisões por unanimidade, a oposição de apenas um país já seria suficiente para inviabilizar um acordo em Copenhague.

Pouco antes da retomada dos trabalhos na plenária, o presidente da Comissão Europeia, Manuel Durão Barroso, também se disse frustrado com o documento anunciado como acordo de Copenhague.

"Este acordo é melhor do que nenhum acordo. Tem coisas boas e coisas não tão boas", sintetizou Durão Barroso.

Entre os líderes que vieram à Dinamarca para a reunião climática estão: Luiz Inácio Lula da Silva; Barack Obama, dos Estados Unidos, Nicolas Sarkozy, da França; além da chanceler alemã, Angela Merkel; e do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown.

Em uma última tentativa de evitar um desastre completo em Copenhague, às 8h de sábado, o ministro do Meio Ambiente britânico, Ed Miliband, fez uma proposta para que o documento fosse adotado como forma de operacionalizar os fundos disponibilizados por ele. A moção, no entanto, foi rapidamente vetada por algumas delegações.

Em seguida, Miliband voltou a pedir a palavra e "uma breve suspensão" dos trabalhos, para tentar negociar um acordo sobre o acordo.

A "breve" pausa durou cerca de duas horas e meia, nas quais o secretário-geral da ONU participou diretamente das negociações entre os diversos países envolvidos.

A solução encontrada pelo líder foi não aprovar o "Acordo de Copenhague", mas apenas tomar nota dele, acrescentando uma lista com os países que o apoiaram.
FONTE: BBC - BRASIL