Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!

segunda-feira, julho 16, 2012

A GREVE QUE NOS TROUXE ATÉ AQUI


FOI A GREVE QUE NOS TROUXE ATÉ AQUI, E SERÁ A GREVE QUE DARÁ AS SOLUÇÕES AOS PROBLEMAS ORA APRESENTADOS

Companheiros (as) do SINASEFE,
Chegamos a um momento importantíssimo da nossa Greve, quando o nosso patrão abre oficialmente o processo negocial apresentando  uma proposta concreta para a análise dos trabalhadores (as) paralisados.
No último dia 13, após recebermos a proposta do governo e a partir do encerramento da audiência no Ministério do Planejamento (cerca de 19 horas), estivemos fazendo uma avaliação técnica e política do que significa o conteúdo da proposta apresentada, bem como sobre a forma como iremos promover o debate junto à base do que temos a fazer, de agora até o encerramento do nosso movimento grevista.
Estamos a 33 dias desde que deflagramos o nosso movimento e agora recebemos uma proposta para darmos continuidade ao processo,  valendo registrar que foi a força da nossa greve que nos trouxe até esse momento. E mesmo sabendo que o governo tentará nos pressionar, devemos fazer, de forma tranquila e pautados nas nossas reivindicações, o debate sobre o que foi apresentado.
O Comando Nacional de Greve, e os membros da Comissão de Negociação e da CNS tiveram a oportunidade de avaliar a proposta e apresentar uma análise técnica e política da proposição. Este material está sendo remetido com esta carta para ajudar nos debates de cada Assembleia da Categoria, até porque em algum momento teremos que dar respostas definitivas sobre as nossas posições a respeito do que o governo venha apresentar e tentar impor, tanto para Docentes quanto para os Técnicos-Administrativos em Educação.
Antecipamos a análise técnica da proposta, apresentando questões importantes que precisam ser aprofundadas nas Assembleia, a partir  das questões técnicas e políticas que envolvem todo o debate:
• A proposta apresentada estabelece a ampliação das  distorções existentes na tabela docente depois do acordo de 2008/2010;
• Estabelece critérios ainda mais restritivos para o desenvolvimento do docente na nova tabela. Inclusive cria impedimentos para além da titulação, já existentes na Lei de 11784/2008, colocando como uma das principais barreiras um elenco de critérios para a certificação de quem poderá progredir entre as classes estabelecidas na proposta de nova tabela;
• Mantém as distorções para os aposentados, não permitindo que os mesmos atinjam o topo da tabela (principalmente aqueles que se aposentaram até 2008);
• Impede a vinculação dos salários e da titulação com a proporção que defendemos entre os regimes de trabalho;
• Cria dificuldades para a maior parte dos docentes da rede, no seu desenvolvimento ao longo da sua vida funcional;
• Amplia ainda mais as distorções entre os Doutores e o restante da tabela
• Entre outros pontos tão ou mais importantes que vocês poderão verificar na apresentação técnica em anexo a este documento. Além dos prejuízos funcionais que a proposta certamente acarretará a um grande número de docentes, a ausência de uma proposta para os técnicos-adminstrativos no leva a um posicionamento imediato de que é preciso que o governo avance para além do que apresentou ao nosso Sindicato Nacional e ao ANDES. Inclusive, deixamos claro isso no dia em que recebemos a tal proposta para o segmento docente.
Preocupado com a necessidade de manter o canal e as negociações abertas, o Comando Nacional de Greve está encaminhando para além da análise da proposta (em anexo) um conjunto de proposições do calendário e orientações para a construção de uma posição a ser apresentada pelo SINASEFE na próxima audiência que ocorrerá no dia 23 de julho de 2012:
1. O Comando Nacional de Greve está construindo uma proposta alternativa à apresentada pelo Governo, a partir dos princípios defendidos na proposta de carreira do SINASEFE para os docentes da rede federal que consiste no seguinte:
• Carreira com 13 padrões, mas sem qualquer divisão de classes;
•Carreira sem qualquer “cláusula de barreira” para o desenvolvimento funcional do docente na referida carreira;
• Tabela salarial mantendo uma relação entre o regime de trabalho da seguinte forma: o vencimento básico do regime de 40 horas deve ser acrescido de 55% para se chegar ao vencimento básico de DE; já na relação com o VB de 20 horas, este deverá ser exatamente o equivalente a 50% do valor  do VB do de 40 horas. Lembrando que esta relação é entre os docentes do mesmo padrão ou nível em que estejam enquadrados;
• Não permitir qualquer mecanismo na tabela que impeça uma parte dos docentes de
chegar ao seu topo;
• Garantir que o desenvolvimento na tabela não ocorra por critérios subjetivos vinculados ao posicionamento da gestão das Instituições e do próprio MEC, conforme o texto apresentado pelo governo;
• Garantir a inclusão de todos os docentes da rede federal de ensino na proposta (dos Institutos Federais, das IFEs Militares e do Ex-Territórios).
2. Como estaremos realizando um Acampamento nesta próxima semana, bem como uma série de atividades no conjunto dos Servidores  Federais, foi pautado um calendário que permita o debate sobre a proposta nas bases, que culmine na semana seguinte com as discussões em Plenária Nacional do SINASEFE.
• CALENDÁRIO DO SINASEFE
DE 16 a 20 de julho – Acampamento e atividades em Brasília.
DE 20 a 26 de julho – Rodada de Assembleias para debater a proposta docente apresentada pelo governo e os princípios elencados  pelo Comando Nacional de Greve para a constituição de uma contraproposta a ser apresentada ao governo já a partir do dia 23 de julho. Além do debate do que fazer quanto ao fato do governo não ter apresentado uma proposta para os técnicos administrativos ou não dar qualquer indício de que o faça nas próximas semanas. 
Vale registrar que as bases que não conseguirem realizar Assembleias até o dia 23 de julho, minimamente mandem posicionamentos de reunião ampliada dos Comandos Locais de Greve.
Dias 27 e 28 de julho – PLENA DO SINASEFE para aprofundar o debate das propostas que chegarem pelo governo e para definir  a nossa posição quanto à suspensão ou manutenção da greve do SINASEFE.
3. Orientamos as bases para que toda discussão a ser feita nas Assembleias e nos Comandos Locais de Greve possa se dar na perspectiva da análise técnica e política da proposta para os docentes. Também quanto à ausência de uma proposta para os Técnicos-Administrativos, o que significará um total de três anos seguidos sem qualquer reajuste ou acréscimo salarial para este segmento da base do SINASEFE.
Enfim, devemos neste momento evitar cair na lógica da mídia e da disputa da opinião pública desencadeada pelo Governo, na medida em que encaminhou as tabelas para ampla divulgação, sem que ao menos pudessem ter sido dados os devidos esclarecimentos sobre todo conteúdo da proposta. Agora é nos voltarmos para um debate interno e para a construção de uma contraproposta que possa recolocar o debate sob os patamares da nossa proposta de carreira que há muito temos apresentado e defendido.
Encaminhamos às bases que seja feita uma consulta que objetive autorizar o comando nacional de greve a elaborar uma contraproposta que será apresentada ao governo na reunião do dia 23 de julho. Essa contraproposta visa adequar a proposta do governo aos moldes e conceitos de carreira que a entidade defende e pela qual luta. Salientamos que essa proposta MANTERIA o teto proposto na proposta do governo, aplicando toda a estrutura daquilo que defendemos enquanto malha salarial. 
O comando solicita que a resposta dessa consulta ocorra até o dia 19 de julho, às 18 horas, para que possamos constituir a contraproposta a ser apresentada no dia 23 de julho, caso autorizada pela maioria das Seções em Greve. 
Todos a Brasília! Todos ao debate pela nossa unidade no SINASEFE, exigindo do governo que apresente proposta que atenda a todos os docentes da mesma forma e que também inclua os técnicos-administrativos em educação, há mais de dois anos sem qualquer reajuste ou reposição da inflação do período.

FONTE: COMANDO NACIONAL DE GREVE DO SINASEFE

DILMA, NEGOCIE COM TODOS!


Os trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação organizados em seus comandos locais de greve em todas as universidades, sob a orientação do comando nacional de greve da FASUBRA, fizeram 01 mês de greve no ultimo dia 11 de julho.

Estamos construindo uma das maiores greves da história da educação federal deste país com ações regionais e nacionais conjuntas com os companheiros do ANDES-SN, SINASEFE e estudantes, com grande acampamento e marcha dos federais no dia 18 de julho. 
A nossa greve não está isolada, furou o bloqueio da mídia regional e nacional, com ações contundentes por todo país para chamar a atenção da sociedade sobre a necessidade do governo federal sair de sua posição intransigente e negociar com nossa categoria. Mas além das ações de rua, temos também construído ações sistemáticas no Congresso Nacional, buscando apoio do parlamento, bem como do próprio Ministério da Educação e Secretaria da Presidência da República, ambos se comprometeram em fazer gestões junto a Presidência da Republica e ao Ministério do Planejamento para abrir negociações e atender a nossa pauta. 
Na última semana tomamos conhecimento de que o Ministério do Planejamento chamou o ANDES-SN, SINASEFE e PROIFES para uma reunião em que foi apresentada uma proposta aos docentes em greve. Reconhecemos que é uma vitória importante do movimento esse recuo do governo. Estamos solidários e apoiamos a pauta docente e dos demais trabalhadores em greve no país.
Mas não podemos deixar de manifestar, veementemente, nossa posição junto à comunidade universitária e sociedade civil, de que não aceitaremos ser discriminados mais uma vez pelo Governo Federal. Desta forma, exigindo respeito à greve da FASUBRA Sindical, aguardamos resposta sobre os itens de nossa pauta de reivindicações protocolada no MPOG, e já conhecida pelo governo desde o término da greve de 2007. 
Queremos frisar categoricamente que a greve dos Técnico-Administrativos em Educação - TAE sob o comando da FASUBRA Sindical não irá terminar se o governo não apresentar uma proposta digna para os TAE. 
Trata-se de uma antiga tática do governo em jogar contradições, apresentando proposta  para alguns segmentos, tentando jogar com a divisão, diante das várias ações  para que os movimentos deixem de atuar com um grau importante de unidade, visando à nossa derrota, e assim, manter os privilégios de recursos do orçamento para a necessidade do capital, em detrimento das demandas sociais, dos trabalhadores e do serviço público.
A Direção Nacional da FASUBRA e o Comando Nacional de Greve, conclamam todos os companheiros (as) em cada canto deste país a reforçarem as caravanas e as ações nas IFES para que possamos dar uma resposta nas ruas contra a política de reajuste zero do governo, e fortalecer a greve da FASUBRA sindical.

                 
Dia 18 DE JULHO É DIA DE LUTA!
TODOS A BRASILIA!  
CHEGA DE ENROLAÇÃO!
NEGOCIA, DILMA! 
Direção Nacional da FASUBRA

sábado, julho 14, 2012

Confira o perfil dos candidatos a prefeito e vereador no Estado


O candidato médio é homem, casado, de idade entre 45 e 59 anos, com Ensino Superior completo


Os números desta reportagem estão no site do TSE e já representam cerca de 90% do total de candidaturas no RS. Os dados ainda sofrerão atualização. No final desta matéria, você encontra uma lista com os principais indicadores.
Homem, casado, idade entre 45 e 59 anos, com Ensino Superior completo: esse é o perfil geral dos 1.169 candidatos a prefeito que disputarão os votos do eleitorado nos 497 municípios gaúchos em 7 de outubro – incluindo Pinto Bandeira, que se emancipou de Bento Gonçalves.
O retrato da política gaúcha é pintado por números do balanço de registro de candidaturas publicado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que permite esquadrinhar informações, indica características das eleições municipais de 2012 e revela a baixa participação de mulheres e jovens no pleito.
Comparações entre os perfis dos postulantes ao Executivo e Legislativo apresentam tendências coincidentes em diversos aspectos. Os 25.978 candidatos à vereança (o número ainda deve aumentar) se assemelham aos futuros prefeitos no quesito idade: ambos se concentram na faixa etária entre 45 e 59 anos. A maioria também é da turma dos casados e do sexo masculino.
A diferença colossal se concentra no grau de formação. Enquanto os concorrentes a prefeito se mostram mais instruídos – 49,7% deles ostentam título de Ensino Superior –, entre os aspirantes às Câmaras 30,6% concluíram o Ensino Médio e 23,6% não chegaram ao final do Ensino Fundamental.
– O vereador está no primeiro nível da política, é uma porta de entrada que exige menos conhecimento, aberta para qualquer tipo de perfil, onde costumam contar mais as relações pessoais com as comunidades. No caso do prefeito, se exige mais conhecimento. Ele precisa abarcar o todo, saber se relacionar com instâncias superiores – afirma Valeriano Costa, professor de Ciência Política da Unicamp.
A presença de mulheres continua sendo inferior nas disputas para os dois poderes. Apenas 101 candidatas, ou 8,6% do total, tentarão chegar às prefeituras. É uma seara amplamente dominada por homens, responsáveis por encabeçar 1.068 chapas no Estado.
Participação de jovens é baixa
O cenário não muda na relação de postulantes à vereança – os homens mantêm larga supremacia –, mas, devido à exigência da legislação eleitoral, o gênero feminino consegue atingir a marca de 32,7% das candidaturas às Câmaras. Os jovens, tradicionais portadores de mensagens idealistas e transformadoras, terão participação exígua no pleito. Eles representam menos de 1% do total de concorrentes, atrás de candidatos a prefeito e a vereador com idade entre 70 e 79 anos. Apesar de retratar a realidade do Rio Grande do Sul, os dados citados são semelhantes aos de outros Estados em decorrência dos filtros que o poder costuma impor à sociedade.
– A política tem perfil conservador, elitista, sempre foi um privilégio dos grupos socialmente inseridos e dos homens de meia idade, que já fizeram uma construção de relações. As mulheres estão ingressando agora com mais força no mercado de trabalho e os jovens começam mais ligados aos movimentos sociais. A inserção desses grupos é um processo de longo prazo – explica Valeriano.

O PERFIL DOS CANDIDATOS NO RS**

Candidatos a prefeito: 1.169 
A vereador: 25.978

FAIXA ETÁRIA

Candidatos a prefeito: 

21 a 24 anos: 2 (0,171%)
25 a 34 anos: 84 (7,186%)
35 a 44 anos: 251 (21,471%)
45 a 59 anos: 668 (57,143%)
60 a 69 anos: 143 (12,233%)
70 a 79 anos: 19 (1,625%)
Superior a 79 anos: 2 (0,171%)

Candidatos a vereador: 

18 a 20 anos: 240 (0,924%)
21 a 24 anos: 668 (2,571%)
25 a 34 anos: 3.775 (14,532%)
35 a 44 anos: 6.584 (25,345%)
45 a 59 anos: 11.856 (45,639%)
60 a 69 anos: 2.415 (9,296%)
70 a 79 anos: 409 (1,574%)
Superior a 79 anos: 24 (0,092%)
Não Informado: 7 (0,027%)

ESCOLARIDADE
Candidatos a prefeito:

Lê e escreve: 2 (0,171%)
Ensino Fundamental incompleto: 120 (10,265%)
Ensino Fundamental completo: 67 (5,731%)
Ensino Médio incompleto: 32 (2,737%)
Ensino Médio completo: 266 (22,754%)
Superior incompleto: 100 (8,554%)
Superior completo: 582 (49,786%)

Candidatos a vereador:
Analfabeto: 10 (0,035%)
Lê e escreve: 651 (2,506%)
Ensino Fundamental incompleto: 6.139 (23,632%)
Ensino Fundamental completo: 3.628 (13,966%)
Ensino Médio incompleto: 1.286 (4,950%)
Ensino Médio completo: 7.972 (30,688%)
Superior incompleto: 1.740 (6,698%)
Superior completo: 4.552 (17,523%)

OCUPAÇÃO

As três principais profissões dos candidatos a prefeito:
Prefeito: 169 (14,457%)
Agricultor: 163 (13,944%)
Empresário: 98 (8,383%)

As três principais profissões dos candidatos a vereador:
Agricultor: 3.598 (13,850%)
Servidor público municipal: 2.292 (8,823%)
Empresário: 1.398 (5,381%)

ESTADO CIVIL
Candidatos a prefeito:

Solteiro(a): 155 (13,259%)
Casado(a): 877 (75,021%)
Viúvo(a): 18 (1,540%)
Separado(a) judicialmente: 51 (4,363%)
Divorciado(a): 68 (5,817%)

Candidatos a vereador:

Solteiro(a): 7.384 (28,424%)
Casado(a): 15.080 (58,049%)
Viúvo(a): 713 (2,745%)
Separado(a) judicialmente: 1.179 (4,538%)
Divorciado(a): 1.622 (6,244%)

SEXO

Candidatos a prefeito:

Homens: 1.068 (91,360%)
Mulheres: 101 (8,640%)

Candidatos a vereador:

Homens: 17.469 (67,245%)
Mulheres: 8.509 (32,755%)

PARTIDOS
Os cinco partidos com mais candidatos a prefeito:
PMDB: 266 (22,754%)
PP: 254 (21,728%)
PT: 196 (16,766%)
PDT: 151 (12,917%)
PTB: 82 (7,015%)

Os cinco partidos com mais candidatos a vereador:Carlos Rollsing*
PMDB: 4.628 (17,815%)
PP: 4.378 (16,853%)
PT: 3.504 (13,488%)
PDT: 3.320 (12,780%)
PTB: 2.491 (9,589)

Fonte: Site Estatísticas TSE, com informações atualizadas até as 11h desta sexta

** Os dados ainda podem mudar

FONTE: ZERO HORA / :Carlos Rollsing
ZERO HORA

PT e PMDB têm o maior número de parcerias nas eleições municipais


Aliados nacionais com Dilma Rousseff e Michel Temer, partidos têm alianças em mais de mil dos 5.566 municípios do País

PT e PMDB conseguiram replicar sua aliança nacional em boa parte dos municípios brasileiros e se tornaram, em números absolutos, os maiores parceiros destas eleições municipais. Quando um dos dois partidos está na cabeça de chapa na disputa por uma prefeitura, é apoiado pelo outro em mais de mil das 5.566 cidades do País, segundo dados disponíveis até agora na Justiça Eleitoral – cerca de 90% das informações sobre os acordos locais estão consolidadas.

No contexto nacional,petistas e peemedebistas vêm estreitando seus laços justamente por desdobramentos das eleições municipais deste ano. A aliança se fortaleceu, segundo fontes do Palácio do Planalto, após o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, fazer críticas públicas ao modo como o PT trata aliados.








Nestas eleições, PSB e PT acabaram desfazendo acordos locais que vinham da sucessão municipal passada. É o caso de Belo Horizonte, onde Marcio Lacerda (PSB) terá de enfrentar Patrus Ananias (PT). O fim do acordo local também ocorreu no Recife e em Fortaleza. Isso quer dizer que o racha se espalhou por outras cidades do País. Os dois partidos estarão juntos em cerca de 700 cidades neste ano.
O PSB é o partido que mais apoia os candidatos do PT. No total, a legenda de Eduardo Campos está presente em 413 coligações com petistas na cabeça de chapa, à frente do PMDB, que faz parte de 387. Já o PT compõe 315 coligações encabeçadas pelo PSB.
Tucanos também. A segunda maior aliança nestas eleições municipais – sempre levando em conta que um dos partidos está na cabeça de chapa na campanha – ocorre entre PMDB e PSDB, maior partido de oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff e de seu vice Michel Temer. São cerca de 900 acordos locais entre tucanos e peemedebistas neste ano.
Isso se deve bastante ao fato de os peemedebistas entrarem nas eleições de 2012 com o maior número de candidatos a prefeito. Até agora, são 2.111 nomes. O número é 30% maior que o do segundo lugar, ocupado pelo PT.
O PMDB é o partido com a maior base municipal do Brasil e tenta sustentar sua posição. Se mantiver o resultado obtido em 2008, quando elegeu 44% dos candidatos, manterá o posto de legenda com o maior número de prefeituras. O peso da presença nos municípios também deve contribuir para que o PMDB mantenha sua força política no Congresso e nas eleições de 2014.
Se por um lado o PMDB é o partido que mais costurou alianças, por outro ele é o que menos faz parte de coligações de outros candidatos a prefeito. Como resultado, fica com um saldo positivo de 1.500.
Enquanto o PT apoia 35% dos candidatos peemedebistas, o contrário só é verdadeiro para 23% das chapas encabeçadas pelos candidatos petistas.
Em números absolutos, o contraste é ainda maior. Os petistas estão presentes nas coligações de 736 candidatos do PMDB, que faz parte de 382 coligações que apoiam petistas.
Sozinho. Mas não é só de coligações que se faz uma eleição. Em 2012, cerca de 600 candidatos vão concorrer ao cargo de prefeito sem nenhuma. O PT é o partido que mais apresenta candidatos com a chamada chapa pura: 273, equivalentes a 17% dos nomes em disputa. O PSOL vem logo em seguida, com 261 candidatos sem alianças com outros partidos, 83% do total.
FONTE: Amanda Rossi e José Roberto de Toledo, de O Estado de S. Paulo

A farsa da proposta do governo


Na mesa de negociação do (a)s docentes, o governo mostrou que está mais preocupado com o apoio da sociedade ao movimento grevista do que negociar as reivindicações. Paralelamente à reunião com o SINASEFE e o ANDES, o Ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e a Ministra do Planejamento, Miriam Belchior, anunciaram que já haviam acordado proposta de reestruturação de carreira do magistério superior e da carreira EBTT, dizendo que ela terá impacto de R$ 3,9 bilhões no Orçamento Federal.

Na reunião, o governo usou como estratégia a apresentação uma tabela mal estruturada e de difícil entendimento, que visa principalmente confundir as bases das entidades sindicais e jogar a população contra o movimento grevista. O governo mentiu ao anunciar que o reajuste de 45% contempla a categoria. Todavia, o maior reajuste apresentado pelo governo é de 39,54% e atinge apenas os doutores com dedicação exclusiva no topo da carreira (docente titular). Esse reajuste será repassado em três parcelas: a primeira em julho de 2013, a segunda em maio de 2014 e a terceira, SOMENTE em março de 2015. Deve-se considerar que a última parcela será distribuída em ano posterior a eleição de 2014. Nesta proposta, os salários ficarão congelados nesse período.

Em uma análise mais detalhada, a proposta do governo mostra armadilhas que precisam ser denunciadas:

O governo diminui a tabela salarial que, atualmente, está dividida em 16 níveis remuneratórios, para 13. Entretanto, para progredir na carreira, o docente da EBTT terá que permanecer em um nível por 24 meses em detrimento aos atuais 18. O tempo para que o docente chegue ao topo da carreira não se alterou, revelando uma farsa de que a diminuição nos níveis reduzisse o tempo de ascensão ao teto da carreira.

Um ponto de extrema importância na análise é a progressão do (a) docente entre os níveis. Um (a) docente, exceto os doutores (as), nunca poderá chegar ao topo da carreira, contrariando o que já está estabelecido com a progressão por tempo de serviço, o que se configura em um retrocesso nos direitos já existentes.

É necessário frisar que o governo, em momento algum, sinalizou com a possibilidade de iniciar de fato um processo de negociação séria com os técnico-administrativos, o que fere as deliberações da base, que só assina acordo se as duas categorias forem contempladas.

O SINASEFE mantém-se firme na defesa dos interesses da categoria e apresentará, na mesa de negociação acordada entre as entidades representativas dos servidores (SINASEFE e ANDES) e o governo, no dia 23 de julho, uma contraproposta baseada nas resoluções definidas democraticamente pelas instâncias da nossa entidade.
 
COMANDO NACIONAL DE GREVE

SINASEFE


FONTE: Sinasefe Nacional

quarta-feira, julho 11, 2012

AUTOSSUFICIÊNCIA EM PETRÓLEO: O DITO, O FATO


O DITO: 


Lula inaugura plataforma que deixará o Brasil auto-suficiente em petróleo

21/04/2006 - 9h35
Edla Lula e Nielmar de Oliveira
Repórteres da Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa hoje da celebração pela conquista da auto-suficiência do Brasil em petróleo. A solenidade será às 17h45 no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro.
Antes de ir para o Rio, Lula inaugura, às 13h, na Bacia de Campos, em Campos dos Goytacazes, a Plataforma P-50, que dará condições para que o país seja auto-suficiente. A P-50 será a maior estrutura em operação no Brasil, somando mais de 180 mil barris de petróleo à produção nacional. No mês passado, a Petrobras produziu 1,75 milhão de barris de petróleo por dia.
O local é a maior província petrolífera do país, respondendo por cerca de 85% da produção nacional de petróleo. Unidade flutuante do tipo FSPO (produz, processa, armazena e escoa o óleo e o gás), a nova plataforma passará a responder sozinha por 11% de todo o óleo extraído no país.
Além de produzir petróleo, a P-50 terá capacidade de comprimir seis milhões de metros cúbicos de gás natural e de estocar outros 1,6 milhão de barris de petróleo. De acordo com o conceito adotado pela Petrobrás, a auto-suficiência é a disponibilidade de petróleo produzido nos campos nacionais, em volume igual ou superior ao consumo e à capacidade de refino do país para atender a demanda do mercado brasileiro.
Hoje, a demanda nacional pelo produto é de 1,8 milhão de barris (a mesma do Parque Nacional de Refino), enquanto a produção, com a entrada em operação da P-50, deverá fechar o ano com uma média diária em torno de 1,9 a 1,91 milhão de barris.
O FATO:
Brasil perdeu autossuficiência em petróleo, diz representante do governo

Seis anos depois de anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 21 de abril de 2006, a autosuficiência do Brasil em petróleo voltou a ser uma promessa, agora no aguardo dos resultados do pré-sal.




A volta do país à dependência de importações do produto foi anunciada nesta terça-feira (10) em reunião da Subcomissão Temporária da Aviação Civil pelo diretor do Departamento de Combustíveis Derivados de Petróleo do Ministério de Minas e Energia, Cláudio Ishihara.



No início de debate sobre o impacto dos preços dos combustíveis de aeronaves, o presidente da subcomissão, senador Vicentinho Alves (PR-TO), reclamou que o preço dos combustíveis no país está até 60% acima das cotações internacionais, o que impede o desenvolvimento da aviação brasileira.
O representante do MME explicou que o Brasil atingiu o que se pode denominar de “autossuficiência teórica”, uma vez que não produz todos os produtos e derivados do petróleo. Além disso, ressaltou, houve aumento do consumo de combustíveis no país, o que torna necessária a sua importação. Em sua avaliação, com a exploração do pré-sal, o país vai recuperar a condição de autossuficiente em petróleo e tornar-se exportador do produto.
Formação dos preços
Ao ser questionado pelo senador Ivo Cassol (PP-RO) sobre o alto preço dos combustíveis da aviação civil, segundo o senador um dos mais caros do mundo, Cláudio Ishihara disse que o governo não interfere na formação dos valores a serem cobrados do consumidor. A precificação, informou, inclui, entre outras variáveis, tributos estaduais e federais e custos de transportes.
O governo, ressaltou o representante do MME, apenas traça metas para que o próprio setor regule os preços. Ele observou ainda que o mercado de combustíveis é livre no Brasil e, portanto, qualquer empresa pode atuar na exploração, refino, revenda e importação do produto.
O engenheiro e consultor especialista em combustível Paulus Figueiredo informou que os combustíveis brasileiros são reajustados com base no mercado internacional e, por isso, os preços se tornam elevados.
Região Norte
O senador Ivo Cassol disse considerar “injusto” os preços cobrados pelos combustíveis de aviação no Norte. Em sua avaliação, os valores são exorbitantes quando comparados com os da Região Sudeste ou outras cidades brasileiras.  Para o senador, a população da Amazônia paga um alto custo pelo transporte aéreo, enquanto as empresas distribuidoras de combustíveis obtêm lucros “extraordinários”.
- Nós não podemos aceitar que uma distribuidora ou uma revendedora agregada a uma distribuidora ganhe mais que a própria Petrobras, que refina - disse Ivo Cassol.
Consumo
O presidente-executivo do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Alísio Jacques Mendes Vaz, informou que, em 2011, foram consumidos 111 bilhões de litros de combustíveis de aviação, o que representa um aumento de 3% em comparação a 2010. Isso significa, em sua opinião, que o brasileiro está viajando mais de avião.
O debate desta terça-feira faz parte do ciclo de audiências públicas que a subcomissão realiza sobre a aviação civil brasileira. O colegiado funciona no âmbito da Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI).
FONTE: Agência Senado

terça-feira, julho 10, 2012

Rio: lançada campanha nacional pela descriminalização das drogas


Uma campanha pela descriminalização das drogas foi lançada nesta segunda-feira na capital fluminense pela Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia (CBDD), pela ONG Viva Rio, pela Associação Nacional dos Defensores Públicos e por órgãos do setor de saúde como a Secretaria Estadual de Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz. A campanha Lei de Drogas: É Preciso Mudar, de âmbito nacional, será veiculada nos meios de comunicação.
Tendo como mote "Uma Lei Mais Justa e Eficaz", a iniciativa tem como objetivo mudar a Lei de Drogas, substituindo-a pela adoção de uma política mais eficaz e justa na forma de se combater o problema das drogas no Brasil.
"A nossa campanha parte da constatação de que, apesar de todos os esforços que vêm sendo feitos no Brasil, sobretudo pelas policias de todo o País, poucos resultados foram obtidos em termos de redução do padrão de consumo e da criminalidade. A quantidade de prisões aumenta de forma intensa e a gente não vê avanços na política que vem sendo implementada", disse o diretor da organização não governamental (ONG) Viva Rio, Rubem César Fernandes.
O diretor da Viva Rio disse que, na primeira etapa, a campanha vai procurar mostrar uma série de injustiças que são cometidas com o pretexto de se combater o consumo de drogas entre a população. "A nossa proposta é mudar a lei e adotar uma política mais eficaz e mais justa. Em uma primeira etapa, nós vamos, por meio da campanha, procurar mostrar uma série de injustiças resultantes da lei atual, seguido da pergunta: 'É justo isto?'", comentou.
Na segunda fase, que deverá ter início em agosto, a campanha - que terá prazo de duração de quase um ano - adotará uma postura mais propositiva. "Estaremos encaminhando várias propostas sobre o problema das drogas para que os diversos setores da sociedade ligados ao tema possam debater a questão", informou.
Na terceira etapa, quando os responsáveis pela campanha acreditam que terão recolhido 1 milhão de assinaturas, será encaminhada ao Congresso um projeto para mudar a atual Lei de Drogas, descriminalizando-a. "A lei atual que trata das drogas tem suas falhas. Ela não define, não esclarece, por exemplo, a diferença entre o traficante e o usuário. Portanto, entre o criminoso e o usuário. É um problema (as drogas) que, em todo o mundo, está ligado diretamente a toda uma cultura jovem (que envolve também os novos filhos e netos) e, por ser considerada crime, acaba criando dificuldade de se lidar com o problema", disse Fernandes.
FONTE: TERRA.COM

Voto útil é voto nas lutas dos trabalhadores




Começou a campanha eleitoral em todo o país. A cada dois anos o povo brasileiro vota... mas não decide. Os trabalhadores e os jovens votam com a expectativa de melhorar de vida, acabar com as injustiças, expulsar os corruptos. Durante a campanha, os dois grandes blocos eleitorais (o PT de um lado, e a oposição de direita de outro) vão buscar ganhar o voto do povo com promessas de que basta votar neles para resolver todos os problemas de saúde, educação, transporte etc. Depois da votação, a vida vai continuar como sempre, ou ainda piorar porque poderá vir uma crise econômica.

Quem decide os rumos do país é uma pequena minoria, que, às vezes, nem vota. São os donos das grandes empresas, os bancos e multinacionais que financiam as campanhas do PT e da oposição de direita. Depois cobram a fatura para que os políticos eleitos apliquem as propostas defendidas por eles. Mas isso tudo não vai aparecer nas campanhas eleitorais. Tudo será escondido dos eleitores. 

A maioria dos trabalhadores acredita no PT. Em muitos lugares se ouvirá de novo: “É preciso votar no PT para evitar que a direita ganhe”. Mas aqueles que apóiam as candidaturas do bloco governista devem parar para refletir sobre os gastos de campanha. Em São Paulo, por exemplo, José Serra declarou que vai gastar R$ 98 milhões, enquanto Haddad do PT declarou um gasto de R$ 90 milhões. Sabemos todos que eles gastam bem mais do que declaram. Mas já se trata de uma soma impressionante, três vezes mais do que o gasto por Kassab e Marta Suplicy na campanha passada. 

Esses gastos não deveriam impressionar. São enormes porque devem ajudar a convencer os trabalhadores e o povo pobre das grandes mentiras que serão contadas. São gastos praticamente iguais porque os programas de campanha do PT e da oposição de direita são iguais.

Os problemas reais dos trabalhadores não são vividos pela burguesia. Enquanto a burguesia paulista anda de helicóptero, um terço da população vai a pé para o trabalho porque não tem dinheiro para pagar as passagens. Ou ainda, tem de passar sufoco em trens, ônibus e metrôs lotados. 

A burguesia determina o que eles vão fazer no governo. E os burgueses não precisam de transporte público, nem de educação e saúde pública. Por isso, tudo que os blocos do PT e da oposição de direita vão defender nas campanhas não tem nada a ver com o que eles vão fazer de verdade. As campanhas na TV são como comerciais para vender sabonetes ou carros. O único objetivo dos marqueteiros (pagos a peso de ouro) é enganar o povo e ganhar seu voto. Nenhum dos programas dos candidatos vai ser aplicado na realidade.

O PSTU vai apresentar candidatos em todo o país. Vai buscar apresentar uma postura distinta de todas as outras. Chega de utilizar o poder e o orçamento da cidade para beneficiar os ricos! Vamos defender a eleição de candidatos que venham das lutas dos trabalhadores, para defender governos dos trabalhadores. Ou seja, que apliquem um programa a serviço dos trabalhadores e dos jovens e não da burguesia. 

Vamos buscar concretizar em cada cidade um programa dos trabalhadores para a saúde, educação e transporte públicos, contra todas as formas de opressão. Se ocorrerem greves durante a campanha, utilizaremos nosso tempo de TV para apoiá-las. 

Em alguns locais (como em Belém, Aracaju e Natal) participaremos de frentes eleitorais com o PSOL, sempre apresentando nosso programa de forma independente. 

Não é por acaso que nosso orçamento de campanha em São Paulo (200 mil) é quinhentas vezes menor que o de Haddad e Serra. Temos orgulho de não receber dinheiro da burguesia ou da corrupção. Nossa campanha será toda sustentada por doações dos trabalhadores e jovens que nos apoiam. Temos orgulho de que nossa campanha será feita integralmente pelos militantes do PSTU e os ativistas que concordem conosco. Não pagamos cabos eleitorais. 

Você, que luta conosco nas campanhas salariais dos trabalhadores e nas mobilizações da juventude, venha se integrar em nossa campanha. Voto útil é um voto nos candidatos do PSTU, o partido das lutas e do socialismo. 

FONTE: Editorial do Opinião Socialista n.445

Greve de docentes atrapalhou negociação, afirma Mercadante


O ministro Aloizio Mercadante (Educação) voltou a criticar nesta terça-feira a greve dos docentes, e afirmou que a paralisação atrapalhou as negociações entre governo e a categoria.


"Se nós não tivéssemos tido esse processo [de greve], acho que teríamos concluído essa negociação. (...) Já poderíamos ter avançado muito se não tivesse tido esse impasse", afirmou em audiência no Senado Federal. O ministro voltou a chamar de "precipitada" a decisão dos docentes de cruzarem os braços.

"Para que uma greve em maio de 2012 se o orçamento só vai para o congresso em agosto?", questionou. Os professores universitários estão em greve há pouco menos de dois meses --segundo estimativa do Andes, ao menos 57 das 59 universidades federais foram afetadas.

Mercadante enfatizou que "o governo tem o compromisso de reestruturar a carreira docente", mas disse que ainda não há uma estimativa de reajuste para a categoria --uma das demandas dos professores é a diminuição dos níveis para se chegar ao topo da carreira-- hoje são 17, a demanda é pela definição de 13 estepes.

"O governo precisa de tempo pra saber qual é o espaço fiscal que temos, (...) pra saber qual é a possibilidade concreta dentro do orçamento de contemplar as demandas." Segundo Mercadante, a proposta do governo terá como foco "valorizar a titulação e a dedicação exclusiva". "Queremos melhorar o salário do professor titular que termina a carreira com R$ 12 mil."

FONTE: FOLHA.COM

Belo Monte agrava desarticulação indígena


Entrevista especial com Rodolfo Salm
“Trata-se da velha estratégia utilizada no Brasil há mais de 500 anos. Quando os portugueses chegaram aqui, não tinham poder de fogo para combater os índios, então, colocaram índio contra índio”, constata o biólogo.

Confira a entrevista.


Diferente da articulação dos povos indígenas na Cúpula dos Povos, em Altamira, Pará, onde está sendo construída a hidrelétrica de Belo Monte, as “comunidades indígenas estão muito desarticuladas”, diz Rodolfo Salm à IHU On-Line. Em entrevista concedida por telefone, ele esclarece que a desarticulação das comunidades indígenas é consequência, além dos seus conflitos internos, da “ação dos construtores e idealizadores de Belo Monte, que dividiram os índios. Eles se aproveitaram de antigas divisões entre os Xikrins, da região de Altamira, e os Caiapós, que estão mais perto do Mato Grosso, e estabeleceram um conflito entre eles. Por isso alguns índios aceitam, de certa forma, a barragem, e outros são radicalmente contra. Esse conflito entre as etnias favoreceu a construção da barragem”.

Salm comenta também o acampamento dos índios Xikrins no canteiro de obras de Belo Monte e é enfático: “Existem alguns índios que não querem saber das condicionantes, que são totalmente contra a barragem, mas tenho a impressão de serem minoria. A minha esperança é que esse movimento se torne numa ‘bola de neve’; gostaria que viessem mais e mais índios. Seria ótimo se viessem os indígenas do Mato Grosso, e a mobilização  aumentasse e até, quem sabe, inviabilizasse a obra. Isso parece um sonho impossível, mas é a nossa esperança, porque sempre esperamos que, de alguma forma, essa obra não aconteça”.

Rodolfo Salm é Ph.D em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, Inglaterra, e formou-se em Biologia pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. É professor da Universidade Federal do Pará, onde desenvolve o projeto Ecologia e Aproveitamento Econômico de Palmeiras.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como foi realizado o encontro Xingu+23? Foi uma resposta a Rio+20? 

Rodolfo Salm
 – O encontro “pegou carona” na ocorrência daRio+20, como uma oportunidade de chamar a atenção para o problema ambiental da região do Xingu. Não foi exatamente uma resposta. Foi mais um evento paralelo a Rio+20.

IHU On-Line – Como avalia a articulação dos povos indígenas durante esses 23 anos? Que semelhanças e diferenças aponta hoje em relação ao 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, que aconteceu em 1989? Percebe que hoje há mais articulação?

Rodolfo Salm
 – Os povos indígenas estão mais articulados, de certo modo. Mas em Altamira, por exemplo, há um nível de desagregação muito grande, e as comunidades indígenas estão muito desarticuladas. Isso é consequência da ação dos construtores e idealizadores de Belo Monte que dividiram os índios. Eles se aproveitaram de antigas divisões entre os Xikrins, da região de Altamira, e os Caiapós, que estão mais perto do Mato Grosso, e estabeleceram um conflito entre eles. Por isso alguns índios aceitam, de certa forma, a barragem, e outros são radicalmente contra. Esse conflito entre as etnias favoreceu a construção da barragem. Trata-se da velha estratégia utilizada no Brasil há mais de 500 anos. Quando os portugueses chegaram aqui, não tinham poder de fogo para combater os índios. Então colocaram índio contra índio.

Atualmente alguns índios estão ocupando parte do canteiro de obras de Belo Monte, mas nem todos estão lutando contra a barragem. Alguns são contra, mas as lideranças estão exigindo o cumprimento das condicionantes. Por outro lado, osCaiapós do Mato Grosso, liderados por Raoni, não querem nem saber de condicionantes. Eles são radicalmente contraBelo Monte. Então, não há uma união. Os índios Mundurucus, por exemplo, da região do alto Tapajós, vieram para oencontro do Xingu + 23,porque estão preocupados com a perspectiva da construção de barragens na região de Teles Pires. Mas eles já estão engajados na luta contra esse processo de degradação do rio Xingu, que tende a se espalhar por toda a região amazônica.

Então, é muito difícil a articulação, porque eles têm um histórico de conflitos internos, e isso dificulta muito o diálogo. É só ver o exemplo de como os Xikrins têm dificuldade de se articular com os Caiapós na luta contra Belo Monte. Agora, em algum nível a articulação isso deve acontecer, especialmente na Cúpula dos Povos, em que deve ter acontecido algum tipo de união.

IHU On-Line – Qual a importância do Xingu para os povos indígenas, e que relação eles estabelecem com o rio?

Rodolfo Salm
 – O rio é tudo para eles. Ele é fundamental não só por causa do sustento, mas também devido a aspectos culturais e existenciais. O discurso do governo federal diz que nenhuma terra indígena será alagada. É verdade que algumas não serão, mas outras terras indígenas perderão o rio que passa na frente da aldeia. Atualmente o rio Xingu passa na frente da aldeia e é um rio extremamente fértil, cheio de recursos. Depois da construção, será um rio morto, sem peixes, porque a água ficará quente, sem oxigênio.

No leito do Xingu também tem uma grande quantidade de ouro, e isso vai atrair garimpeiros para a região. Imagina um monte de garimpeiros entrando numa terra indígena? Será catastrófico. Esses são impactos nas comunidades da região de Volta Grande. Ainda é preciso considerar os impactos indiretos, que estão sobre todos os povos indígenas da região do Xingu. Esses impactos indiretos serão decorrentes da imigração em massa de imenso contingente populacional, em consequência da construção da barragem. A previsão é que cerca de cem mil pessoas venham para a região. Com isso aumentará a probabilidade de invasão de terra, e todos os problemas sociais relativos ao contato tendem a se aprofundar.

IHU On-Line – Por quais motivos os índios estão acampados em Belo Monte?

Rodolfo Salm 
– Os índios Xikrins estão reivindicando o cumprimento das condicionantes. Existem alguns índios que não querem saber das condicionantes, que são totalmente contra a barragem, mas tenho a impressão de serem minoria. A minha esperança é que esse movimento se torne numa “bola de neve”; gostaria que viessem mais e mais índios. Seria ótimo se viessem os indígenas do Mato Grosso, e a mobilização aumentasse e até, quem sabe, inviabilizasse a obra. Isso parece um sonho impossível, mas é a nossa esperança, porque sempre esperamos que, de alguma forma, essa obra não aconteça.

IHU On-Line – No início deste mês, a presidente Dilma anunciou a homologação de sete terras indígenas, cinco no Amazonas, uma no Pará e outra no Acre. O que essa medida significa ou sinaliza num contexto de Rio+20?

Rodolfo Salm
 – Toda a homologação de terras indígenas é uma boa notícia. Isso fez parte daquele pacotão para o governo ficar “bem”, durante a Conferência da Rio+20. É importante demarcar as terras indígenas, porque elas são essenciais para a concentração da biodiversidade. Mesmo nas áreas mais impactadas, se compararmos o estado de preservação das terras indígenas com as áreas em torno, veremos que as áreas indígenas são sempre melhores para a conservação.

Recentemente, a revista Veja publicou uma matéria criticando os índios e a demarcação de terras indígenas. Eles mostram uma paisagem em que, de um lado da estrada tem uma fazenda de soja e, do outro, uma terra indígena recém-demarcada, e questionam: “Qual dos dois lados é o preservado?” De um lado teria a produção e, de outro, uma terra abandonada, degradada, cheia de lixo. Mas quando você olha a foto, quem entende de natureza, de biodiversidade e de conservação, percebe claramente que a área indígena é a que preserva pequenos mamíferos, aves, a biodiversidade de insetos etc.

IHU On-Line – E como você analisa a posição da sociedade civil em relação a todas essas questões que dizem respeito aos povos indígenas, ao modelo do desenvolvimento do governo que impacta diretamente nas comunidades? 

Rodolfo Salm 
– Quando falo com as pessoas, elas se sensibilizam para essa questão. Penso que a maior parte do povo brasileiro se preocupa com os povos indígenas e não gostaria de ver isso acontecendo, mas o sistema político impõe essa condição. A questão indígena não foi debatida na campanha presidencial. Quando a Dilma se candidatou a presidente, ela nem falava de Belo Monte, porque sabia que iria “queimar seu filme”. As grandes empreiteiras que financiaram a campanha dela, essas sim estão interessadas na construção da barragem. Agora, o povo, de forma geral, é simpático à preservação da floresta, à conservação dos povos.

IHU On-Line – Como o modo de vida dos indígenas contribui para pensarmos um planeta sustentável?

Rodolfo Salm
 – Fiz meu doutorado na aldeia indígena Caiapós, morei dois anos com eles e vi que têm uma vida simples, de contato com a natureza, não consomem muitos bens materiais, cuidam dos animais e das plantas. Isso tudo que está no imaginário popular tem um grande teor de verdade. Você vê que eles não são incorruptíveis, é claro que eles querem um rádio, uma televisão. Mas o que eles têm para mostrar é que é possível ser feliz usufruindo da natureza preservada.

IHU On-Line – Gostaria de acrescentar algo?

Rodolfo Salm
 – Gostaria de ressaltar que Belo Monte não irá gerar uma energia limpa. É uma energia muito suja por causa do metano produzido pelas barragens. Outra coisa importante é que não é uma energia para o desenvolvimento do Brasil, não é uma energia para a nossa industrialização, mas sim para exportar minérios. O Brasil está exportando energia barata na forma de minérios processados. Não se trata de uma energia para 60 milhões de habitantes, como aparece na propaganda da televisão.

Muitas pessoas estão colocando em dúvida o aquecimento global, o que é uma bobagem. Infelizmente, esse é um problema real e que se agrava a cada dia. Então, Belo Monte é suja e contribui muito para o aquecimento global e para a degradação do clima geral do planeta, sem contribuir em nada para o desenvolvimento da nossa sociedade. É possível fornecer energia para todos reduzindo o desperdício nas linhas de transmissão, atualizando as barragens já feitas, além de investir em fontes alternativas para a produção de energia.

FONTE: IHU ON-LINE