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domingo, outubro 14, 2012

Dilma vai criar cota para negro no serviço público














O Palácio do Planalto prepara o anúncio para este ano de um amplo pacote de ações afirmativas que inclui a adoção de cotas para negros no funcionalismo federal.

A medida, defendida pessoalmente pela presidente Dilma Rousseff, atingiria tanto os cargos comissionados quanto os concursados.

O percentual será definido após avaliação das áreas jurídica e econômica da Casa Civil, já em andamento.

O plano deve ser anunciado no final de novembro, quando se comemora o Dia da Consciência Negra (dia 20) e estarão resolvidos dois assuntos que dominam o noticiário: as eleições municipais e o julgamento do mensalão.

O delineamento do plano nacional de ações afirmativas ocorre dois meses depois de o governo ter mobilizado sua base no Congresso para aprovar lei que expandiu as cotas em universidades federais.

A Folha teve acesso às propostas. Elas foram compiladas pela Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) e estão distribuídas em três grandes eixos: trabalho, educação e cultura-comunicação.

A cota no funcionalismo público federal está no primeiro capítulo: propõe piso de 30% para negros nas vagas criadas a partir da aprovação da legislação. Hoje, o Executivo tem cerca de 574 mil funcionários civis.

No mesmo eixo está a ideia de criar incentivos fiscais para a iniciativa privada fixar metas de preenchimento de vagas de trabalho por negros.

Ou seja, o empresário não ficaria obrigado a contratar ninguém, mas seria financeiramente recompensado se optasse por seguir a política racial do governo federal.

Outra medida prevê punição para as empresas que comprovadamente discriminem pessoas em razão da sua cor de pele. Essas firmas seriam vetadas em licitações.

EDUCAÇÃO E CULTURA

No campo da cultura, há uma decisão de criar incentivos para produtores culturais negros. Na semana passada, a ministra Marta Suplicy (Cultura) já anunciou que serão lançados editais exclusivos para essa parte da população.

No eixo educação, há ao menos três propostas principais:

1) monitorar a situação de negros cotistas depois de formados; 

2) oferecer aos cotistas, durante a graduação, auxílio financeiro; 

3) reservar a negros parte das bolsas do Ciências sem Fronteira, programa do governo federal que financia estudos no exterior.

A implantação de ações afirmativas é uma exigência do Estatuto da Igualdade Racial, aprovado pelo Congresso em 2010, o último ano do segundo mandato de Lula.

Segundo o estatuto, é negro aquele que se diz preto ou pardo --juntas, essas duas autodefinições compõem mais da metade dos 191 milhões de brasileiros, de acordo com o Censo de 2010.

ESSENCIAL

O plano é tido no governo como essencial para diminuir a desigualdade gerada por diferenças de cor e ampliar a queda na concentração de renda na última década.

Nesse sentido, o plano, ao usar unicamente critérios raciais, seria mais cirúrgico do que o sistema de cotas aprovado pelos congressistas em agosto, que reserva metade das vagas nas federais para alunos egressos de escolas públicas e, apenas nessa fatia, institui a ocupação prioritária por negros e índios.

Politicamente, será um forte aceno da gestão Dilma aos movimentos sociais, com os quais mantém uma relação distante e, em alguns momentos, conflituosa --como durante a onda de greves de servidores neste semestre.

FONTE: FOLHA . UOL /JOÃO CARLOS MAGALHÃES / NATUZA NERY / DE BRASÍLIA // Editoria de Arte/Folhapress

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RS: líderes querem PT radical, renovado e de volta às origens

Eles fizeram história ao comandar Porto Alegre por 16 anos consecutivos (1989 a 2004) e ajudaram a consolidar o PT no País, deixando legados como o Orçamento Participativo e o Fórum Social Mundial. Porém, após a retumbante derrota de Adão Villaverde na disputa pela prefeitura neste ano, obtendo apenas 76.548 votos (9,6%) - o pior índice da história da sigla no Estado -, os ex-prefeitos Raul Pont, João Verle, Tarso Genro e Olívio Dutra pregam a autocrítica e o retorno às raízes para recuperar o prestígio na cidade. Criticando os próprios correligionários que negam o mensalão, eles cobram mudanças e o fim da acomodação para voltar à vitrine.

"A nossa linha sucessória, que vinha se dando ao natural, pela continuidade do projeto coletivo, passou a ser ideia de alguém, de pessoas e quadros, contaminando também a militância", avaliou Olívio Dutra, prefeito de 1989 a 1992 e governador do Estado de 1999 a 2002. Segundo ele, o PT precisa se repensar agora para não ser "engolido pela máquina pública e partidária".


"O PT não nasceu de gabinetes, mas hoje há quadros cuja profissão é pular de eleição em eleição para se manter na burocracia. Assim, começamos a ficar como a velha política tradicional. Na base do partido existe muita insatisfação com essa acomodação. Precisamos discutir os reflexos de estarmos sendo, de forma acelerada, engolidos pela máquina pública e partidária. Não podemos ser o partido da acomodação, mas da transformação", disse.

Entre as razões para o fracasso na capital gaúcha, as lideranças petistas apontam inércia, desunião com a esquerda, disputa interna por espaços, falta de novas lideranças afirmadas, esgotamento da agenda e distanciamento das raízes populares e de atuação social. De acordo com eles, o prefeito José Fortunati (PDT) - filiado ao PT de 1980 a 2002 - se aproveitou disso para fazer 517.969 votos (65,22%), elegendo-se tranquilamente no primeiro turno.

"Esgotamos a agenda. As três grandes novidades implantadas aqui - participação popular, inversão das prioridades e cidade global - foram assimiladas e defendidas por outros partidos. Como O PT  não inovou e não renovou, a tendência do eleitorado é votar num candidato que está mais próximo à realidade política, normalmente o próprio prefeito. O PT tem que refundar a sua agenda e reestruturar sua visão de cidade", opinou o governador Tarso Genro, que foi prefeito de 1993 a 1997 e de 2001 a 2002.

Críticas ao mensalão


Ao contrário de figuras marcantes do PT nacional, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que negam a existência do mensalão, os ex-prefeitos gaúchos têm posição firme e se posicionam publicamente contra o esquema criminoso de compra de apoio político, julgado no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo eles, a campanha de Porto Alegre foi prejudicada pelo escândalo. Entre os condenados pelo STF estão o ex-presidente nacional do PT José Genoíno e o ex-ministro José Dirceu, principal apoiador de Lula no primeiro mandato.
"Uma das nossas características era a ética e o combate à corrupção. Os fatos recentes levaram todos a dizer que o PT é igual a todos. Isso afetou bastante o prestígio e o apoio que tínhamos aqui, influenciou bastante", entende João Verle, prefeito de 2002 a 2004.
"O Lula tem dito 'o povo não se importa' e eu acho isso um erro. Depois de umas pessoas importantes terem negado a existência do mensalão, o PT no Sul teve uma postura diferente. Porém, não podemos ficar nos insurgindo contra o governo federal e também sofremos com isso. O povo, que olhava o PT com simpatia, passou a ter desconfiança. Isso é um patrimônio que precisa ser resgatado", corroborou Olívio Dutra.


Inércia e radicalização


Prefeito eleito em 1996, Raul Pont, atualmente deputado estadual e presidente da sigla no Rio Grande do Sul, também sinaliza como problemas deste pleito a inércia e a falta de consenso em torno de um nome que atraísse um grande número de votos. Ele retirou a sua pré-candidatura no final de 2011 para evitar um racha.
"Nós insistimos que, pela dificuldade que teríamos na disputa, era importante um nome de muita densidade eleitoral. Mas o partido não construiu esse consenso e agora terá que se debruçar sobre isso. A opção dos eleitores por Fortunati foi dada por uma inércia e pelo desconhecimento da nossa candidatura, pagamos um alto preço", afirmou.

Para Olívio Dutra, "o PT está longe de ter esgotado o seu projeto", mas precisa voltar a se radicalizar: "Nós fomos reduzindo a nossa radicalidade e nossas bandeiras foram sumindo. Defendemos coisas permanentes, como radicalizar a democracia e ir além do bom discurso. Democracia deve ser vivida no plano econômico, social, político e cultural. Temos de questionar as coisas pela raiz."
A votação média da legenda nas últimas eleições municipais foi de 331.578 votos, quatro vezes maior que o desempenho deste ano. "Acho que houve um certo pecado da campanha em explicar qual era a nossa crítica e porque somos oposição ao governo. Não conseguimos ser mais esclarecedores", analisou Raul Pont.
Em 2008, o PT amargou a derrota de Maria do Rosário no segundo turno, com 327.799 votos, contra 470.696 de José Fogaça (PMDB), que protagonizou a primeira reeleição em Porto Alegre, com Fortunati como seu vice. Em 2004, no PPS, ele havia vencido Raul Pont no segundo turno, com 53,32% dos votos válidos, contra 46,68% do petista.
FONTE: TERRA. COM / MAURICIO TONETTO - Direto de Porto Alegre

A POLÍTICA E A IDEOLOGIA DOS NEGROS PARTIDÁRIOS PRÓL AÇÕES AFIRMATIVAS



O tempo está favorável para evasivas, o mesmo que dizer que o momento em que está-se passando predomina a maneira hábil (não tanto) de enganar.

Assim é que no momento tem-se; táticas sem estratégia, igualdade racial que só o negro quer ser igual ao branco, Estatuto da Igualdade racial cuja co-autoria é com a direita ruralista e por fim, o Programa de Governo, Brasil sem racismo em vigor que, não impede que o racismo se agrave e que o jovem negro da periferia venha sendo exterminado sistematicamente.

A atitude de certos militantes negros, em particular os dos partidos de esquerda, os negros partidários – são mais partidos do que negros – não deixam dúvidas de que estão nesta de subterfúgios pelas derrotas que a sua política de ações afirmativas vem sofrendo no passar dos anos.

Como esta militância negra partidária não tem tratado com seriedade as questões que dizem respeito a massa negra da população, então não há como deixar de fazer, a partir dela, uma digressão, titulando alguns de “generais” que com esta patente têm demonstrados com suas “táticas” erradas, serem péssimos estrategistas.

O rosário de incoerências dos negros (as) partidários (as) tem como complementos ingredientes apropriados para os seus desígnos e a igualdade racial como ideologia é um deles. Outro ingrediente, resultado de ações inconsequentes, contabilizam como “vitórias” de táticas autênticas, mas que, se encontram – vitória e táticas - longe do alcance do olhar da massa negra da população e da crítica de parte da militância negra consequente e coerente com seus princípios.

Assim os “negros generais” de táticas sem estratégia, propagam suas “vitórias”, que segundo eles trazem a redenção para o negro como uma nova abolição e ainda têm na conta de inimigos da “causa negra” (a causa dos generais) todos (as) negros (as) que não se submetem as suas “táticas” de enganação e não muito hábeis.

Assim os “negros generais” afirmam ser cotas para negros na universidade uma tática, porém não dizem de qual estratégia esta tática faz parte. Até porque não existe estratégia, esta tática não é parte de nenhuma estratégia de onde se conclue que cotas para negros em universidade não tem objetivo político a ser alcançado, é cota pela cota.

Os “negros generais” que apregoam ser cotas uma tática, não percebem (ou não querem perceber) que é um contrasenso dizer que se tem uma tática quando não existe estratégia da qual a tática é parte. Um general de ofício jamais comete erro desta natureza.

Como é do conhecimento geral, estratégia e táticas são da arte militar, por conseguinte, um general não desconhece que sem ter um objetivo a ser alcançado de uma estratégia definida, não há como traçar táticas. Neste caso, então, pode-se afirmar que dizer que cotas para negros na universidade – e mesmo no serviço público – são táticas é uma grande bobagem e só é capaz de assim proceder quem nada sabe de estratégia e táticas.

As táticas sem estratégia e os “negros generais” que nada sabem da arte militar, são alguns dos ingredientes do Programa Brasil sem Racismo criado pelos negros partidários (PT e PC do B) para o Governo Lula. Os anos passaram – dez para ser mais preciso – mas o racismo está longe de acabar. Porém o Programa não tem concretamente definido a maneira de eliminar o racismo.

O ano de 2005, como uma ação do Programa Brasil sem Racismo é declarado o ano da Igualdade Racial. Contudo, não se tem notícia que naquele ano igualdade entre “raças” negras e brancas tenha acontecido e no ato em que o ano foi declarado, organizado pela SEPPIR, não há registro de que os brancos dos respectivos partidos tenham honrado com as presenças dos mesmos. Nos anos seguintes não existe um só fato ou ato ocorrido, de igualdade entre negros e brancos que possam ser considerados como exemplos de realização de igualdades entre “raças” diferente. Portanto, não há como pensar que a declaração do Ano 2005 como o da igualdade racial tenha sido uma tática vitoriosa.

Nos anos do Governo Lula, surgiu no legislativo federal a Frente Parlamentar da Igualdade Racial, que, a rigor, nunca falou a que veio e deixou de existir sem ter formulado um único projeto de como a igualdade entre “raças” devesse ocorrer no Brasil. Formada com mais de 120 parlamentares, se cada um destinasse Emenda Parlamentar de 500 mil reais para a SEPPIR a mesma teria orçamento considerável.

Com divisa de igualdade racial criou-se como instância de governos; secretarias, superintendências, coordenadorias, conselhos e outros, nos estados e municípios e em órgão de profissão como a OAB-RJ, a Coordenadoria da Igualdade Racial, inspiração do advogado negro Marcelo Dias.

O tempo que favorece a existência de maneiras hábeis de enganar é também juiz para julgar que essas instâncias em governos são nulas por princípio. Não são respeitadas por prefeitos e governadores, são pobres de recursos financeiros, além de que suas políticas não estão direcionadas para atender os anseios da massa negra da população.

Durante o Governo Lula, duas conferências de título igualdade racial foram realizadas, presumisse que tenham sido como tática, contudo não se tem conhecimento das suas decisões e muito menos dos resultados que foram colocados em prática, se é que foram.

A opção ideológica do Programa Brasil sem Racismo aparentemente é o combate ao racismo para a integração do negro na sociedade como ela economicamente se encontra e neste caso é a integração do negro na sociedade capitalista. Que dizer, apenas para alguns negros.

As ações afirmativas são o meio que o Programa Brasil sem Racismo pretende integrar o negro (alguns é bem verdade) na sociedade e por assim pensar e agir adotou para ser seu dispositivo jurídico, o Estatuto de Política para Promoção de Igualdade Racial.

O Estatuto, como uma pérola falsa, mas germinada dos miolos do Senador Paulo Paim, do PT, foi aprovado na Câmara dos Deputados com apoio do Deputado Federal Onix Lorenzoni, do DEM e no Senado Federal, com o Senador Demostenes Torres, apoios que acabou por conferir co-autoria do Estatuto aos dois parlamentares dos ruralistas.

Por ocasião da aprovação do Estatuto no Senado Federal, considerado uma vitória da política de ações afirmativas pelos negros partidários e pelos “negros generais” como mais uma das táticas para a promoção da igualdade racial, foi muito comemorada pelo Edson França (UNEGRO) e Nuno (APNs) que cantaram, em má hora, o samba Sorriso Negro de Dona Ivone Lara. O senador Demostenes (cachoeira) Torres a tudo assistia com sorriso irônico pela ingenuidade daqueles negros que bailavam alegres por um Estatuto que ele era có-autor.

A aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, que para o Frei Davi (Educafro) representava um “grande avanço” – para traz é bom que se diga – passado mais de dois anos de ser sancionado pelo então Presidente Lula, não se pode citar um único dos seus “avanços”. A discriminação racial continua cada vez mais forte e as condições de vida da massa negra da população não modificou em nada. Os quilombolas nos seus territórios continuam nas condições de vida que sempre estiveram sem que nenhuma titulação tenha sido realizada, embora sendo o estatuto festejado pelo deputado Edson Santos a sua aprovação no Senado tenha o mesmo dito que os direitos dos quilombolas estavam assegurados.

Contudo, a Marinha de Guerra que é o Estado, não respeita a Constituição Federal que assegura direitos aos territórios quilombolas reconhecidos, como o do Rio dos Macacos na Bahia e o da Marambaia no Rio de Janeiro.

Da aprovação deste Estatuto do Demostenes (cachoeira) e pela atitude que sempre tiveram, não se tem conhecimento que Ivo Fonseca (CONAQ) tenha condenado de público veementemente a sua aprovação.

No meado deste anos 2012,, “negros generais”, de tática falsas e negros partidários prol ações afirmativas, em alvoroço cantaram trovas e loas aos ministros do Supremo Tribunal Federal como se fosse uma vitória monumental a decisão dos mesmos na ação que considerava inconstitucional cotas para negros, impetrada por parlamentares do DEM, partido de direita.

A decisão dos ministros do STF nada teve de extraordinário apenas reconheceu de que cotas não era – como nunca foi – inconstitucional como os autores da ação alegavam. A decisão reafirmou o obvio até porque está em vigor a Lei dos 2/3 de outubro de 1930, portanto a euforia dos gajos e cachopas não tinha nenhum sentido. Mas, segundo Ivani (CEAP) esta foi uma decisão vitoriosa e uma tática que permite traçar uma estratégia. Um absurdos ao contrariar a arte militar, como colocar em prática uma tática e depois traçar a estratégia desta tática.

A dúvida despertada com a euforia dos adeptos das ações afirmativas no Brasil é se esta alegria é uma mistificação para esconder o reconhecimento deles, das derrotas das ações afirmativas nas quais depositaram todas as suas esperanças ou se é ingenuidade dos mansos de espírito que acreditam na história de trancoso, do tatu marambaia ou da galinha que o trem matou.

Ainda nesse ano de 2012, houve a aprovação pelo Senado Federal de cotas para negros na universidade federais. Mas, diferente da euforia habitual e de se considerar como uma das suas táticas para alcançar um objetivo que eles não sabem qual e tática de uma estratégia que nunca foi traçada, porém desta vez, está “vitória” acabou sendo recebida com um providencial silêncio pelos “negros generais”, pelos negros partidários prol cotas e pelos adeptos das ações afirmativas em geral. Contudo, Eloi Ferreira (Fundação Palmares) ao contrário dos seus pares, considerou uma vitória a decisão do Senado Federal, sem se dá conta da aritmética que faz sua “vitória” ser uma tremenda derrota das cotas que tanto acredita.

A matemática é uma ciência exata, por conseguinte é inimiga declarada das mistificações com números, na medida que opera com exemplos cujo resultados são definitivos.

Assim a melhor forma de provar ser uma derrota para o sistema de cotas para negros com a decisão do Senado Federal que tem como base o censo demográfico do IBGE, é operar com exemplos de fatos concretos, como cotas de 30% para negros aprovadas por algumas universidades nos últimos anos e agora com o cálculo das cotas para negros operando os percentuais de negros nas populações do IBGE nos estados.

Como exemplos, para provar que as cotas aprovadas no Senado Federal é uma falsa vitória das ações afirmativas, a Bahia e Santa Catarina são as melhores escolhas. Na Bahia, o negro é 12,85% da população e em Santa Catarina é 0,65% também da população do estado.

Uma vez que a porcentagem é subtraída como cota do número de vagas oferecidas a cada ano pelas universidades federais – o caso das cotas do projeto do Senado Federal – se por exemplo as universidades federais da Bahia e de Santa Catarina colocarem a disposição dos vestibulandos, mil vagas cada, não há como esconder como os adeptos das ações afirmativas foram enganados com as cotas aprovadas pelo Senado Federal.

Utilizando as universidades federais da Bahia e de Santa Catarina onde na população de cada um dos estados é respectivamente 12,85% e 0,65%, se por exemplo cada uma colocar a disposição dos vestibulando mil vagas por ano, a aplicação das cotas aprovadas pelo Senado Federal terá a seguinte divisão: Das mil vagas 50% ou 500 vagas para o vestibulando em geral. As outras 500 vagas, esta sim será dividida entre alunos de escolas públicas, indígenas e negros. Assim as cotas para negros na Bahia será de 65, na medida que este número é o resultado da dedução de 12,85% das 500 vagas destinadas aos negros, aos indígenas e aos alunos da rede pública de ensino.

Ao realizar esta mesma operação na Universidade Federal de Santa Catarina, usando como exemplo o mesmo número de vagas colocada a disposição dos vestibulando pela Universidade Federal da Bahia, o resultado da operação será dramático, porque no estado de Santa Catarina o percentual de negros na população, segundo o IBGE é de apenas 0,65%. Neste caso, deduzindo-se 0,65% de 500 que é o número de vagas destinadas aos negros, indígenas e alunos da rede pública de ensino, a cota para negros será de 3 (três) apenas.

As cotas que o Senado Federal reserva para os negros como está demonstrando no exemplo utilizando o percentual do censo demográfico do IBGE é a prova do fracasso da política de ações afirmativas, sendo ainda mais rigorosa do que as cotas de 30% que vinha sendo reservada por algumas universidades. Utilizando o exemplo de mil vagas para vestibulando na Universidade Federal da Bahia e na Universidade Federal de Santa Catarina, as cotas para negros seria de 300 nas duas universidades, diferentes dos 65 na Bahia e de 3 em Santa Catarina.

Com os exemplos apresentados não há como mistificar o retrocesso das ações afirmativas, na política de cotas negras na medida que as cotas de trinta por cento (30%) que algumas universidades vinham adotando, com a sanção da Presidenta Dilma Roussef no projeto aprovado pelo Senado Federal, cotas para negros, em qualquer instância passa a ser nos termos da Lei que estabelece ser de acordo com o percentual de negros na população, previsto no censo demográfico do IBGE. Isto é, uma vez que cotas para negro é Lei ela é aplicável não só nas universidades federais mais em qualquer instância.

Como pode-se observar cotas para negros, como Lei federal é um retrocesso em relação aos trinta por cento (30%) que algumas universidades vinha reservando como cota para negros, além de que alguns dos seus dispositivos são altamente restritivos. Um, por ser temporária o direito a cota e o outro permite que seja menos de dez anos esse direito, de onde se conclue que esta lei é para “beneficiar” os negros atuais.

Um dos dispositivo determina que o direito a cotas tenha tempo de duração de dez anos. Neste sentido as crianças negras hoje com menos de dez anos e as que nascerem a partir do ano em que Lei entrou em vigor, não serão beneficiadas – se é que esta lei é um beneficio para negros.

O outro dispositivo é o que estabelece o tempo de quatro anos para que a universidade reserve cotas para negros. Neste caso a Lei faculta a direção da universidade – ou de outra instância qualquer – o direito de reservar cotas para negros quando lhe prover, fato que pode ocorrer em 2016, em vista que a Lei vai estar em vigor de 2012 a 2022 e sendo assim, o direito a cota para negros vai diminuir para seis anos apenas.

O interessante nisto tudo é que Eloi Ferreira, Presidente da Fundação Palmares, acredita que esta Lei de cotas para negros e o que de melhor o negro tem para ser presenteado, para ele, pensar ao contrário é pensar como os proprietários dos estabelecimentos de ensino particular.

A conclusão que se pode chegar com os dados que foram apresentados é que ação afirmativa é uma enganação e o Programa Brasil sem Racismo um fracasso e que todas essas ações juntas como “táticas” que os negros generais afirmam hoje como uma grande vitória, na realidade é mais uma vitória de Pirro, Pirro imperador persa que ao olhar o número alarmante de soldados persas mortos na batalha contra os gregos, ao ouvir dos seus generais que tinha alcançado uma grande vitória, proferiu uma das frases mais celebres da história da humanidade: “Mais uma vitória como esta e estarei completamente arruinado.”

A história é radical em política e sendo assim não perdoa os que cometem erros fundamentais na atividade política e é neste contexto que a frase do Imperador Pirro, pronunciada a mais de vinte séculos é aplicável ao ainda em vigor. Programa Brasil sem Racismo de Flávio Jorge, Marcos Cardoso e outros negros partidários do PT e do PC do B.

Assim se continuar na militância negra o predomínio da ideologia de ação afirmativa e da igualdade racial, há de se pensar que o Movimento Negro como movimento político vai desaparecer em curto prazo do cenário político nacional, sem se afirmar como movimento nacional transformador do Brasil, para nação de Estado pluriétnico.

Com a sanção agora em 2012 da Presidenta Dilma Roussef ao projeto de cotas para negros está estabelecido um marco que tem início em 2005 com o Ano da Igualdade Racial. Este período, não há como negar ser o mesmo um período nefasto que o Movimento Negro passou, ainda que fosse o período de governos dos partidos de esquerda.

Neste período de oito anos, o mito ideológico vestido com a capa de igualdade racial retornou trazido pelos negros partidários depois que no passado negros mais consequentes tinham jogado o mito ideológico na lixeira da história com sua capa de democracia racial.

A igualdade racial como divisa e depois como lema dos negros partidários que têm como objetivo de vida querer ser igual ao branco – um resquício do assimilacionismo do início do século vinte no Brasil – é desejo desses negros que a igualdade racial se transforme em movimento para que como movimento pela igualdade racial substitua o movimento negro no título em vista de que a palavra negro sempre incomodou os brancos dos seus partidos de pensamento social europeu, razão pela qual esses brancos não permitem de maneira alguma que nos mesmos, o negro crie instância partidária com título negro. A ordem imposta são nomes como anti-racismo, contra o racismo, contra a discriminação racial e agora o nome é igualdade racial.

Assim neste período de implantação do Programa Brasil sem Racismo e do predomínio ideológico das ações afirmativas e igualdade racial, o mito de capa democracia racial foi ressucitado e Estatuto de Igualdade Racial que reduziu o negro a minoria na população é Lei, para negros. A respeito desta lei Marcelo Dias disse: “É melhor meia Lei do que Lei nenhuma”. Que bela observação. Reduz o negro a minoria quando os negros consequentes de décadas passadas sempre proclamaram ser o negro no Brasil, maioria na população brasileira.

Ainda no período do Programa Brasil sem Racismo os negros partidários, com o lema de igualdade racial tem tentado se realizar como movimento pela igualdade racial para eliminar o movimento negro, além de favorecer o surgimento de neologismo como carente, excluído e outros, sempre para evitar a palavra negro que pode criar na massa negra da população consciência de povo e construir identidade de povo negro, o que a elite branca de esquerda procura a todo custo evitar, inclusive com apoio de alguns negros.

Como pode ser observado não existe vitória nos resultados do Programa de Governo Brasil sem Racismo, que nos seus dez anos de existência se notabilizou como defensor intransigente das ações afirmativas no Brasil e muito menos pode ser considerado vitória o Estatuto de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial que sancionado pelo Presidente Lula, não há um só exemplo a ser mostrado do sucesso de sua aplicação nesses dois anos em que se encontra em vigor.

No final, há a ser admitido os dez anos de fracasso  das ações afirmativas. Mas também não se pode esquecer que Suzete Paiva afirmou que devia-se ter dez anos de ações afirmativa e depois sim é que podia-se falar em Reparação. Nesta crítica de Suzete Paiva a Reparação, ela esqueceu que dez anos de ações afirmativas se passaram, será que ela quer mais dez anos de enganação?

FONTE: Yedo Ferreira

Manifesto "Que se lixe a troika, este orçamento não passará!"

Manifesto lido na manifestação cultural, na Praça de Espanha em Lisboa. Nele apela-se: “No dia 31 de Outubro será votado no parlamento o Orçamento do Estado para 2013. Começando hoje, aqui, e passando por dia 31, estaremos na rua para dizer: 'este orçamento não passará!'”

Texto integral do Manifesto:
Hoje, dia 13 de Outubro, no preciso local (do antigo teatro aberto) onde no 1º de maio de 1981 José Mário Branco cantou e gritou contra o FMI, gritamos juntos. E não estamos sozinhos.
Hoje, em centenas de cidades do mundo, um enorme movimento de protesto cidadão manifesta-se com um Ruído Global (Global Noise) contra as políticas de austeridade e por um rumo diferente. A nossa luta é internacional.
Em Portugal, estamos em Aveiro, Barcelos, Barreiro, Braga, Bragança, Caldas da Rainha, Coimbra, Faro, Guarda, Lisboa, Loulé, Portimão, Porto, Santarém, Setúbal e Viseu. No Brasil, decorre um protesto em Fortaleza. E aqui afirmamos:
Que se lixe a troika, este orçamento não passará!
Tomámos as ruas e as praças das cidades. Juntámos as vozes, as mãos.
No dia 15 de Setembro, rompemos o silêncio e enfrentámos o medo.
O governo tremeu. O povo derrotou a política da troika e a TSU, mas ainda não vencemos a guerra.
Esta proposta de orçamento retoma o assalto a quem trabalha, pelo aumento brutal do IRS e outras medidas de ataque ao trabalho, de criação de mais desemprego, de aumento da pobreza e da precariedade, de injustiças sociais e de desespero.
Esta política, sabemo-lo bem, é um caminho sem fim e sem futuro.
Hoje, 13 de Outubro, dizemos não!
Esta “Manifestação Cultural” coloca a cultura ao lado do povo, na frente da contestação, da luta e da resistência.
Hoje, milhares de artistas, de profissionais do espectáculo e de pessoas anónimas juntaram-se em todo o país para afirmar que a nossa vitória contra este governo e a política da troika passa também pela defesa da cultura.
Este governo acabou.
Só serve os interesses financeiros, faz crescer o desemprego, a miséria e a dívida. Perdeu toda a legitimidade ao deixar de servir o povo que o elegeu.
Não há ministro que saia à rua sem ser insultado e o Presidente teme celebrar a República com o povo.
Não abdicamos de quem somos. Um povo com direitos, liberdade, identidade e cultura.
Este Orçamento do Estado não passará!
A proposta deste governo representa um agravamento colossal do roubo. A nossa resposta é o aumento da participação, a multiplicação das acções e o endurecimento da luta. O caminho que nos querem impor não é inevitável. Combateremos este e qualquer orçamento injusto de austeridade e miséria.
Apelamos a todos para fazerem frente a esta política da troika, para que participem em todas as formas de resistência e pressão que nos próximos 15 dias vão tomar forma, até derrubarmos este orçamento, esta política e este governo.
No dia 31 de Outubro será votado no parlamento o Orçamento do Estado para 2013. Começando hoje, aqui, e passando por dia 31, estaremos na rua para dizer: “este orçamento não passará!”
FONTE: ESQUERDA.NET

sexta-feira, outubro 12, 2012

Rede de lojas Marisa fica de fora do Pacto contra escravidão









 Varejista é suspensa por alegar inconstitucionalidade da ‘lista suja’ na Justiça

A Marisa, rede de lojas de roupas, foi suspensa do Pacto Nacional pela Erradicação de Trabalho Escravo, criado em 2005 com 292 empresas signatárias. O comitê que administra o pacto decidiu pela suspensão diante da ação da empresa na Justiça contra os 43 autos de infração emitidos por fiscais do Ministério do Trabalho, depois que fornecedores da rede foram flagrados usando mão de obra escrava em março de 2010. Foram encontrados em condições análogas à de escravos 16 bolivianos, sendo um menor e um peruano trabalhando em confecções na zona norte de São Paulo. Há um mês, a rede Zara de roupas também foi suspensa do pacto. Fornecedores da rede foram flagrados usando mão de obra escrava.

O Comitê reconhece o direito de as empresas se defenderem, entretanto, entre os argumentos, questiona a constitucionalidade da lista, numa contradição clara, já que a lista é o instrumento central de todas as empresas que assinam o pacto. Elas se comprometem a usar e consultar a lista para contratar fornecedores. Essa medida enfraquece a luta contra o trabalho escravo.


Segundo Caio Magri, gerente de Políticas Públicas do Instituto Ethos, um dos gestores do pacto, a suspensão foi causada pela defesa da empresa da inconstitucionalidade da lista suja do trabalho escravo na ação para contestar os autos impostos pelos fiscais do Ministério do Trabalho:
A Marisa, cujo presidente é Marcio Luiz Goldfarb, conseguiu na Justiça liminar para não ser incluída na lista suja. A inclusão na lista também suspende a empresa do Pacto.

Esperamos que, ao fim do processo, o Supremo considere a lista constitucional — afirma Magri.

A Marisa esclareceu, em nota, que é favorável à existência da chamada “lista suja” do Ministério do Trabalho e Emprego, “importante instrumento para erradicação do trabalho escravo no país”. Mas questiona a constitucionalidade da portaria que regula a lista suja, “por entender que estes critérios afrontam os princípios constitucionais da ampla defesa, do devido processo legal e da presunção de inocência”. O processo administrativo para inclusão na lista leva dois anos depois da autuação.

A companhia diz que, independentemente da suspensão anunciada, reforça seu apoio aos princípios do pacto nacional contra o trabalho escravo.

Para Luiz Machado, coordenador do Programa de Combate ao Trabalho Forçado da OIT, outra entidade gestora do pacto, é uma incoerência a ação da Marisa, já que a lista é usada no rastreamento da cadeia de produção. As duas redes de lojas ainda não foram excluídas definitivamente. Se abrirem mão desse argumento da ação podem voltar a serem signatárias:

— O pacto fica em xeque. Desde a sua criação, foram excluídas 80 empresas.

FONTE: O GLOBO

MEC quer flexibilizar regra para preencher cotas raciais


Uma pequena mudança no texto da regulamentação da lei de cotas poderá flexibilizar a divisão das vagas reservadas para pretos, pardos e indígenas nas universidades federais do todo o país.

Segundo minuta do decreto entregue pelo Ministério da Educação à presidente Dilma Rousseff, as cotas serão distribuídas considerando o universo total das três raças, em vez de considerar o peso individual de cada uma delas na população de cada Estado de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Na prática, isso significa que uma universidade poderá preencher integralmente a cota destinada às três raças com uma única etnia.
Na versão original da lei, a interpretação era de que a universidade seria obrigada a atender os percentuais mínimos de cada etnia.

Assim, corria-se o risco de, numa situação extrema, não haver candidatos suficientes para atender o critério.

O texto, obtido pela Folha, está na Casa Civil e ainda pode sofrer modificações.

50% DAS VAGAS

Sancionada há dois meses, a lei de cotas determina que todas as 59 universidades federais do país reservem 50% das vagas para alunos que cursaram o ensino médio integralmente na rede pública.

Metade desses estudantes será selecionada considerando exclusivamente o critério da raça.

O restante ainda terá que comprovar a baixa renda da família (1,5 salário mínimo per capita, o que equivale, hoje, a R$ 933 por pessoa).

A mudança foi proposta de uma forma sutil: o texto da regulamentação propõe que as universidades federais considerem a divisão entre as raças na proporção da "soma de pretos, pardos e indígenas" numa determinada unidade da federação.

Na lei sancionada, não se fala em "soma" de raças.

O texto sugerido pelo Ministério da Educação afirma ainda que os resultados no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) "poderão ser utilizados como critério de seleção". A prova é adotada como critério de ingresso na maioria das universidades federais do país.

O formato para seleção estava em aberto, já que a presidente Dilma vetou artigo da lei que previa o uso das notas no ensino médio.

O Ministério da Educação sugeriu ainda a criação de um comitê para acompanhar e avaliar a aplicação nas universidades das novas regras.

A lei prevê que a política de cotas raciais e sociais será revista em dez anos.

A mudança foi feita a pedidos dos reitores, que alegaram não estar claro na lei a interpretação agora possível.

FONTE: FOLHA.com / ERICH DECAT; FLÁVIA FOREQUE DE BRASÍLIA / 
Editoria de Arte/Folhapress

Cartola. Compositor, cantor, instrumentista.










Cartola (Angenor de Oliveira).
 Compositor, cantor, instrumentista. 

Cartola nasceu no bairro do Catete, no Rio de Janeiro. Tinha oito anos quando sua família se mudou para Laranjeiras e 11 quando passou a viver no morro da Mangueira, de onde não mais se afastaria. Desde menino participou das festas de rua, tocando cavaquinho – que aprendera com o pai – no rancho Arrepiados (de Laranjeiras) e nos desfiles do Dia de Reis, em que suas irmãs saíam em grupos de “pastorinhas”. Passando por diversas escolas, conseguiu terminar o curso primário, mas aos 15 anos, depois da morte da mãe, deixou a família e a escola, iniciando sua vida de boêmio.



Após trabalhar em várias tipografias, empregou-se como pedreiro, e dessa época veio seu apelido, pois usava sempre um chapéu para impedir que o cimento lhe sujasse a cabeça, o qual chamava de cartola. Em 1925, com seu amigo Carlos Cachaça, que seria seu mais constante parceiro, foi um dos fundadores do Bloco dos Arengueiros. Da ampliação e fusão desse bloco com outros existentes no morro, surgiu, em 1928, a segunda escola de samba carioca. Fundada a 28 de abril de 1928, o G.R.E.S Estação Primeira de Mangueira teve seu nome e as cores verde e rosa escolhidos por ele. Foram também fundadores, entre outros, Saturnino Gonçalves, Marcelino José Claudino, Francisco Ribeiro e Pedro Caymmi. Para o primeiro desfile foi escolhido o samba Chega de Demanda, o primeiro que fez, composto em 1928 e só gravado pelo compositor em 1974, no LP História das escolas de samba: Mangueira, pela Marcus Pereira. Em 1931, Cartola tornou-se conhecido fora da Mangueira, quando Mário Reis, que subira o morro para comprar uma música, comprou dele os direitos de gravação do samba Que infeliz sorte, que acabou sendo lançado por Francisco Alves, pois não se adaptava à voz de Mário Reis. Vendeu outros sambas a Francisco Alves, cedendo apenas os direitos sobre a vendagem de discos e conservando a autoria: assim foi com Não faz, amor (com Noel Rosa), Qual foi o mal que eu te fiz? e Divina Dama, todos gravados pela Odeon, os dois primeiros em 1932 e o último em janeiro de 1933. Ainda em 1932, o samba Tenho um novo amor foi gravado por Carmen Miranda. Do mesmo ano é a gravação do samba Na floresta, em parceria com Sílvio Caldas, lançado por este último, e a primeira composição em parceria com Carlos Cachaça, o samba Pudesse meu ideal, com o qual a Mangueira foi campeã do desfile promovido pelo jornal “O Mundo Esportivo”.

Em 1936, a Mangueira teve premiado no desfile seu samba Não quero mais (com Carlos Cachaça e Zé da Zilda), gravado por Araci de Almeida, na Victor, em 1937, e em 1973 por Paulinho da Viola, na Odeon, com o título mudado para Não quero mais amar a ninguém. Em 1940, participou, ao lado de Donga, Pixinguinha, João da Baiana e outros, de gravações de música popular brasileira para o maestro Leopoldo Stokowski (1882 – 1976), que visitava o Brasil. Realizadas a bordo do navio Uruguai, ancorado no pier da Praça Mauá, essas gravações deram origem a dois álbuns de quatro discos de 78 rpm, lançados nos EUA pela gravadora Columbia. No rádio, atuou como cantor, apresentando músicas suas e de outros compositores. Na Rádio Cruzeiro do Sul, ainda em 1940, criou, com Paulo da Portela, o programa A Voz do Morro, no qual apresentavam sambas inéditos, cujos títulos deviam ser dados pelos ouvintes, sendo premiado o nome escolhido.

Em 1941, formou com Paulo da Portela e Heitor dos Prazeres o Conjunto Carioca, que durante um mês realizou apresentações em São Paulo, em um programa da Rádio Cosmos. A partir dessa época, o sambista desapareceu do ambiente musical. Muitos pensavam até que tivesse morrido. Chegou-se a compor sambas em sua homenagem. Em 1948, a Mangueira sagrou-se campeã com seu samba-enredo Vale do São Francisco (com Carlos Cachaça).

Cartola só foi redescoberto em 1956, quando o cronista Sérgio Porto o encontrou lavando carros em uma garagem de Ipanema e trabalhando à noite como vigia de edifícios. Sérgio levou-o para cantar na Rádio Mayrinck Veiga e, logo depois, Jota Efegê arranjou-lhe um emprego no jornal “Diário Carioca”.

A partir de 1961, já vivendo com Eusébia Silva do Nascimento, a Zica, com quem se casou mais tarde, sua casa tornou-se ponto de encontro de sambistas. Em 1964, resolveu abrir um restaurante, o Zicartola, na Rua da Carioca, que oferecia, além da boa cozinha administrada por Zica, a presença constante de alguns dos melhores representantes do samba de morro. Freqüentado também por jovens compositores da geração pós bossa-nova (alertados para a sua existência desde o show “Opinião”, no qual Nara Leão incluíra o samba O sol nascerá, de Cartola e Elton Medeiros, que mais tarde gravaria), o Zicartola tornou-se moda na época. Durou pouco essa confraternização morro-cidade: o restaurante fechou as portas, reabrindo em 1974 no bairro paulistano de Vila Formosa.

Contínuo do Ministério da Indústria e Comércio, vivendo na casa verde e rosa que construiu no morro da Mangueira, em terreno doado pelo então Estado da Guanabara, somente em 1974, alguns meses antes de completar 66 anos, o compositor gravou seu primeiro LP, Cartola, na etiqueta Marcus Pereira. O disco recebeu vários prêmios. Logo depois, em 1976, veio o segundo LP, também intitulado Cartola, que continha uma de suas mais famosas criações, As rosas não falam, e o seu primeiro show individual, no Teatro da Galeria, no bairro do Catete, acompanhado pelo Conjunto Galo Preto. O show foi um sucesso de público e se estendeu por 4 meses.

Em julho de 1977, a Rede Globo apresentou com enorme sucesso o programa “Brasil Especial” número 19, dedicado exclusivamente a Cartola. Em setembro do mesmo ano, Cartola participou, acompanhado por João Nogueira, do Projeto Pixinguinha, no Rio. O sucesso do espetáculo levou-os a excursionar por São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Ainda em 1977, em outubro, lançou seu terceiro disco-solo: Cartola – Verde que te quero rosa (RCA Victor), com igual sucesso de crítica.

Em 1978, quase aos 70 anos, mudou-se para o bairro de Jacarepaguá, buscando um pouco mais de tranqüilidade, na tentativa de continuar compondo. Neste mesmo ano estreou seu segundo show individual: Acontece, outro sucesso. Em 1979, lançou seu quarto LP: Cartola – 70 anos. Nesta época, descobriu que estava com câncer, doença que causaria sua morte, em 30 de novembro de 1980.

Em 1983, foi lançado, pela Funarte, o livro Cartola, os tempos idos, de Marília T. Barboza da Silva e Arthur Oliveira Filho. Em 1984, a Funarte lançou o LP Cartola, entre amigos. Em 1997, a Editora Globo lançou o CD e o fascículo Cartola, na coleção “MPB Compositores” (n°12).



Fonte: Enciclopédia da Música Popular Brasileira, editada pelo Itaú Cultural / Rio de Janeiro RJ 11/10/1908-id. 30/11/1980.