Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!

segunda-feira, novembro 12, 2012

A imprensa e os mortos anônimos

Desde segunda-feira (5/11), os dois grandes jornais paulistas já não dão os nomes das pessoas mortas ou feridas em refregas entre policiais e criminosos, ou entre policiais criminosos e criminosos, ou entre policiais e policiais criminosos, ninguém pode ainda afirmar ao certo.
Configura-se um quadro de epidemia. Não como metáfora, mas literalmente: as primeiras poucas ocorrências são individualizadas, repórteres ouvem médicos e parentes, descrevem o contexto em que se deu o óbito. De certo ponto em diante isso se torna impossível, faltam tempo e espaço.
Enquanto foi percebido como varejo, o surto homicida atual na Grande São Paulo permitiu circunstanciar os casos, antes de tudo dando nomes aos mortos. No atacado, os indivíduos viraram números. No Rio de Janeiro, pouco menos de duas décadas atrás, a polícia regrediu do estágio da “autoria desconhecida” para o da “identidade desconhecida”. Ou seja, começaram a enterrar corpos anônimos – e a desistir de toda e qualquer investigação.
(Não se pode ignorar, ao mesmo tempo, que mortos da periferia paulistana não pertencem ao leitorado desses jornais. Se houvesse uma chacina de moradores dos Jardins, os jornais dariam nomes, fotos, resumos biográficos, chamada na primeira página, talvez manchete. Mas, criminosos ou policiais, os mortos no surto epidêmico em curso são da periferia.)
Trem sem freio
Os jornais são poder-dependentes, como já se disse dezenas de vezes neste Observatório da Imprensa. No dia a dia, os governos fazem as pautas. Isso cria no mínimo um vezo, frequentemente um vício, o de considerar importante toda emanação oficial, mesmo quando ela é uma forma de esconder o que se sabe. 
Foi o caso do anúncio da cooperação entre governo federal e SP, antecedido e sucedido por bate-bocas partidários. Os governos passam para jornalistas e pesquisadores apenas uma parte do seu conhecimento, menos vexaminosa. 
O governo paulista criou uma situação que o deixou a reboque do PCC e só consegue reagir com aumento de violência (inclusive em algumas cadeias, com o RDD, Regime Disciplinar Diferenciado, que uma alma nada caridosa, Fernandinho Beira-Mar, classificou como “fábrica de loucos ou de monstros”).
Caiu numa armadilha criada por suas políticas penal e prisional. Há anos o Executivo, o Judiciário e o Ministério Público de São Paulo enchem cadeias que estão fora de controle. Ou melhor, são controladas pelo PCC, a organização criminosa que venceu todos os embates no mundo do crime e se afirmou como hegemônica. O governo fornece ao PCC, diariamente, dezenas de pés de chinelo que são transformados em profissionais.
A organização usa mais do que violência, coerção, pressão e chantagem para se impor. Teria conseguido, dentro das prisões, uma disciplina tão estrita, assumida com tal empenho por seus integrantes, que funciona nas ruas, longe dos chefões (seriam 14, atualmente). Por isso pôde passar de um formato de comando verticalizado para um horizontalizado, que se amolda à territorialização. 
Tem coesão e organização superiores às das forças policiais paulistas e de outros estados, um enraizamento muito maior nos territórios que controla (capital e mais de 120 cidades do interior de São Paulo, partes de Rio de Janeiro, Bahia, Alagoas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Rondônia), embora não tenha, nem de longe, poder de fogo superior. Mas, agindo como guerrilha, torna-se temível.
Policiais criminosos
Por que, com um poder de fogo superior, a polícia paulista teve mais mortos em 2012 do que o PCC, ainda mais quando se incluem na categoria de bandidos “suspeitos” que são mortos por arrasto? 
Uma questão central é a da criminalidade policial. Pessoas sérias familiarizadas com o tema acreditam que ela esteja na origem da atual temporada de horror: grupos de policiais se teriam tornado comercializadores de drogas ilícitas (começam a ser chamados de milícias, o que é um duplo erro: no Rio de Janeiro, o nome já não tinha cabimento quando foi inventado por jornalistas; os grupos de São Paulo teriam começado disputando diretamente território com traficantes).
Trata-se de uma velha lição: não há limites confiáveis entre os diferentes tipos de ilegalidade. Se um policial bate num preso, pode roubá-lo também. Se executa um “suspeito”, pode assaltar um caixa eletrônico (há PMs acusados de praticar essa modalidade de crime). 
Uma situação dramática é vivida dentro das corporações policiais: os honestos são obrigados a conviver com os outros e fingir que não sabem de nada. A alternativa é pular fora da carreira. Existem também casos, não raros, de suicídio de policiais. É difícil enfrentar a criminalidade dentro de casa. Por definição, policiais detêm muitas informações sobre cidadãos comuns, e muitas mais ainda sobre colegas. 
Polícia Civil escanteada
Outros especialistas dão mais peso, como fator de desencadeamento da crise, à própria política de (in)segurança pública praticada pelos governos paulistas desde, para não ir mais longe, Paulo Maluf (1979-1982). Agora, a maior autoridade policial paulista, oficial da reserva da PM Antonio Ferreira Pinto, integrante do Ministério Público, ex-secretário da Administração Penitenciária, decidiu em 2009, ao assumir a Secretaria de Segurança, combater núcleos de corrupção na Polícia Civil. 
De fato, a repetição de episódios criminosos envolvendo policiais civis se tornara escandalosa. Vide o milhão e meio de dólares extorquido do traficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadia, preso em 2007 (ele cumpre condenação nos Estados Unidos), para citar um entre numerosos casos expostos na imprensa, e tanta coisa mais que não chega ao conhecimento do público.
Escandalosa e perigosa. Um dos ingredientes da ofensiva do PCC que parou São Paulo em maio de 2006 foi o sequestro, pouco mais de um ano antes, de um enteado de Marcola, Marcos Willians Herbas Camacho, considerado o ocupante do topo da hierarquia da organização. Filho de Ana Maria Olivatto, ex-mulher de Marcola assassinada por rivais dele em 2002, Rodrigo Olivatto de Morais foi liberado pelo policial civil Augusto Peña em troca de R$ 300 mil. Marcola prometeu retaliação.
Uma reportagem detalhada sobre crimes de que era acusado Peña foi publicada pela Folha de S. Paulo em maio de 2008. Seu autor foi o repórter André Caramante. Aqui, é necessário abrir um parêntese. O que aconteceu meses atrás com Caramante configura um dos mais graves atentados recentes contra a democracia. E foi inspirado por um egresso da Polícia Militar. 
O hoje vereador coronel Telhada, então candidato pelo PSDB paulistano, saudou no Facebook nove homicídios ocorridos na cidade de Vargem Grande Paulista em operação da Rota, tropa da qual havia sido comandante até pouco tempo antes. Por ter noticiado a postagem de Telhada, Caramante passou a ser ameaçado e teve que se exilar fora do Brasil. Caramante é um perseguido profissional e político. 
Uma Rota “investigativa”
No domingo (4/11), reportagem de Bruno Paes Manso publicada no Estado de S. Paulo (“Por que SP chegou à situação atual?”) reafirma que o secretário Ferreira Pinto, ao deslocar das investigações a Polícia Civil, deu mais poderes à Polícia Militar, chegando a incumbir a Rota, tropa de choque da PM, de fazer investigações sobre o PCC. Mas quem passou anos colhendo informações sobre o PCC, para o bem e para o mal, foi a Polícia Civil.
A Constituição brasileira reconhece, entre diferentes polícias, a polícia judiciária (encarregada de investigações, a mando da Justiça), vulgo polícia civil, e a militar, encarregada da “polícia ostensiva” e da “preservação da ordem pública”. Não se entende que amparo legal teria essa determinação de Ferreira Pinto. Entende-se, porém, que foi uma “solução” exterminadora. 
Herança de um tempo (fim dos anos 1960 e décadas de 1970/80) em que esquadrões da morte e “justiceiros” eram considerados instrumentos necessários à “limpeza social”, como relata o mesmo Bruno Paes Manso em tese de doutorado defendida em agosto na USP. As polícias seguiam a trilha dos assassinatos de oponentes do regime militar, considerados pelos órgãos de repressão “inimigos internos”.
O resultado prático da incumbência dada à Rota por Ferreira Pinto foi uma perda ainda maior de controle da situação. E pode ter sido também a formação de quadrilhas de policiais militares, hipótese mencionada acima. Essa possibilidade se tornou mais verossímil quando dois PMs à paisana foram mortos num ponto de venda da favela de Heliópolis e se ficou sabendo que ninguém os havia mandado realizar algum tipo de missão naquele local (noticiário de 1/11). 
O primado das aparências
Voltemos às notícias sobre a cooperação governamental. Todos os passos das autoridades eleitas e de seus auxiliares são filtrados pelo crivo de pesquisas de opinião. Os dois “lados”, governo federal petista e governo estadual tucano, não se encontraram por estar convencidos de que a cooperação é um caminho indicado para melhorar a vida dos cidadãos, ou, pelo menos, aliviar-lhes o sofrimento. Dilma, Cardozo e Alckmin pensam “naquilo”: 2014. 
E foi consenso dos dois lados que o bate-boca, dias depois do segundo turno das eleições municipais (a onda de assassinatos começara em maio), pegava mal, poderia ser explorado por uns para criticar os outros. Então, certo, vamos encenar a cooperação. 
Criminalidade e política estão ligadas por diferentes canais: mercado financeiro, laços das polícias com atividades criminosas, avaliação pela opinião pública da competência das autoridades. Que ninguém se iluda. No Brasil, de modo geral, autoridades só encaram o doloroso dever de aumentar a eficácia policial quando o estado de coisas ameaça desempenhos eleitorais. E quase sempre insistem na força sem inteligência.
Armas e drogas permanecerão
Não existe a possibilidade de “acabar” com o tráfico de armas e drogas. Pode haver tentativas mais ou menos bem-sucedidas de manter controle sobre essas modalidades de delinquência. A solução menos ruim que se vislumbra no caso das drogas é a legalização, como ocorre com álcool e tabaco, entretanto de longe mais mortíferos do que as drogas ilegais (por isso há tantas dúvidas respeitáveis quanto aos resultados da legalização: ninguém pode prever com um mínimo de certeza o que adviria dela). 
Em todo caso, uma coisa é morrer devido ao uso ou abuso de uma droga e outra é levar um balaço em meio a conflitos entre mocinhos e bandidos. Nos EUA, com a legalização do uso “recreativo” da maconha em alguns estados, decidida agora em plebiscito, pode estar sendo dado um passo que mereça acompanhamento. 
Quanto às armas, as legislações diferem de país para país, como se sabe. Restrições poderiam resultar do controle da produção: a esmagadora maioria das armas é produzida legalmente, sob licença expressa de autoridades. Teria de haver um acordo geral para proibição de venda ao público de armas de fogo. No estágio atual de subdesenvolvimento mental da humanidade (como um todo, para efeitos práticos), isso é miragem. No Brasil, um referendo derrotou em 2005 a proposta.
Fronteira indomável
“Fechar” as fronteiras brasileiras, como sempre reivindicam governadores, secretários de (in)Segurança Pública, delegados-gerais, comandantes de Polícias Militares, não é uma proposta séria. Se os Estados Unidos, com um PIB seis vezes maior do que o brasileiro, não conseguem “fechar” sua fronteira com o México (3.141 km), por onde entram as maiores quantidades de drogas ilícitas do planeta, o que poderá fazer o Brasil, com 10 vizinhos e 16.885 km de fronteiras? 
O que as polícias conseguem é dar grandes “botes” sobre quadrilhas, descobrindo, a partir de quem as recebe, onde as armas foram compradas, e assim sucessivamente, a montante. E, na eventualidade de haver êxito, é preciso garantir que as armas não sejam revendidas a bandidos por policiais canalhas, o que é corriqueiro no Brasil.
Inteligência policial?
Repetiu-se, no contexto da prometida cooperação União-estado, o discurso da inteligência policial. Mas como inteligência, se o que se vê na prática é o uso de informações pelas “bandas podres”? No Rio de Janeiro, policiais investigaram lavagem de dinheiro com métodos sofisticados e usaram o resultado das investigações para achacar parentes de chefões presos. As represálias tiveram péssimas consequências. 
Inteligência policial acabou virando rótulo para um frasco com muitos componentes disparatados, que acabam se anulando. Nada é especificado, com o argumento de que se trata de operações sigilosas. No quadro atual, de falta de confiança nas polícias, quanto mais sigilo, maior a suspeita. 
Infelizmente, a inteligência policial se subordina a uma cadeia de comando cujo vértice é ocupado por presidente e governadores que põem em primeiríssimo lugar, como (quase) todos os ocupantes de cargos eletivos neste país, sua própria imagem.
Mortos não são números
De volta aos mortos sem nome. A imprensa não deveria aceitar manipulações estatísticas. É cretinismo numérico argumentar que a taxa de homicídios na cidade de São Paulo “deu um salto”, tanto quanto responder que ela permanece muito abaixo da média nacional. Não é de números que se trata, é do peso simbólico das mortes. 
Existem três vertentes: mortos sem rótulo, vítimas colaterais da guerra particular entre a Rota e o PCC, ou vice-versa. Em face delas, o que aflora, pela enésima vez, é a constatação de que a vida humana vale muito pouco no Brasil. A repetição desse massacre cotidiano amortece o sentimento de compaixão pelos que perdem seus entes queridos. De um ponto de vista pragmático (mas não cínico), logo, logo, quando a transição demográfica estiver mais avançada, o país lamentará amargamente ter perdido tantos braços jovens.
No segundo grupo podem ser colocados os integrantes do PCC. Essas mortes representam muito mais do que o número que as sintetiza. Elas engendram revanches (desde o início da guerra particular, chefes do PCC estipularam que cada vida dos seus custaria duas da PM). Para os moradores das áreas dominadas pela organização, é o terror. 
Não existe salvo-conduto contra bala perdida. Não há como conter o medo que toma conta de PMs quando estão ou pensam estar diante de integrantes do PCC. A recíproca é verdadeira. A maior parte dos bandidos capturados manifestam pânico quando dominados por PMs: é quase uma sentença de morte. O pânico e o desespero são péssimos conselheiros. Mais uma vez, todos perdem e sobra para os moradores.
Por fim, mas não em último lugar, as mortes de policiais militares. As consequências de 90 mortes de PMs em seis meses são incalculáveis. Uma pesada derrota para a corporação, para os cidadãos e para as instituições. Nesse ritmo, que se espera não perdure, a PM de São Paulo perderia em dois anos e meio o mesmo número de homens que o Exército brasileiro deixou no cemitério militar de Pistoia, na Itália, mortos em combate contra os nazistas.
FONTE: OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA / Mauro Malin
LEIA TAMBÉM: São Paulo, uma guerra particular http://guebala.blogspot.com.br/2012/10/sao-paulo-uma-guerra-particular.html

CARTA ABERTA DO SEMINÁRIO NACIONAL DE HOSPITAIS UNIVERSITÁRIOS REALIZADO NOS DIAS 10 E 11 DE NOVEMBRO DE 2012 EM BRASÍLIA


Os trabalhadores das Universidades Brasileiras, reunidos em Brasília nos dias 10 e 11 de novembro de 2012, debateram sobre os aspectos políticos e jurídicos da EBSERH   – Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares.
Foi feito um diagnóstico preciso do que representa a adesão dos hospitais universitários a essa empresa para as universidades e para o país. Trata-se de parte de um projeto maior de como os diversos governos estão modificando o Estado brasileiro, na lógica da privatização e das parcerias público privadas.
Não há dúvidas que a EBSERH representa a privatização. Mesmo apresentando-se hoje como uma empresa de capital 100% público, as suas subsidiárias – os Hospitais Universitários – estarão enquadradas na lei das Sociedades Anônimas no capítulo referente a atividade econômica, como prevê o artigo 173: "a lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços"... Se as subsidiárias são os próprios hospitais está posto a necessidade da relação com o mercado – haja visto que a existência da própria lei tem como objeto normatizar a atuação das empresas no mercado. Logo, a busca por capital privado é latente na própria natureza jurídica da EBSERH e suas subsidiárias.
Esse processo  coloca,
para o país, como nunca visto antes, um processo que desmonta todo o sistema de ensino, pesquisa e extensão na área da saúde, colocando ainda todo o patrimônio publico à serviço das grandes empresas que já exploram o setor. Isso sem contar com a quebra do atendimento de ponta que é realizado por esses hospitais, que são referência em diversas especialidades e atendem respeitando os princípios do SUS . Para além disso, a adesão à EBSERH representa um grave ataque a autonomia administrativa, didático e científica  – prevista no artigo 207 da CF – que coloca em risco a soberania nacional .
Outro aspecto grave é a precarização das relações de trabalho  dentro do ambiente hospitalar. Onde a contratação de profissionais para os HU´s não se dará mais pelo Regime Jurídico Único (RJU). Os contratos de trabalho serão celetistas sem estabilidade onde a rotatividade de profissionais além de não garantir a formação adequada  dará um caráter descartável ao trabalhador  e será prejudicial ao bom desenvolvimento dos serviços de educação e saúde.
Com a promulgação da lei o governo pressiona para que os reitores aprovem nos Conselhos Superiores das Universidades a adesão a EBSEH. É verdade que alguns dirigentes têm assinado termos com a intenção de aderir, mesmo sem passar pelos conselhos, num flagrante desrespeito ao principio da autonomia universitária e aos seus próprios estatutos.  Os próprios trabalhadores são enganados com a mentira descarada do governo de que serão aproveitados os terceirizados. A instituição de concursos com processos simplificados vai favorecer a volta do apadrinhamento que prevaleceu no serviço público antes da instituição do RJU.
Mas a luta não está perdida. A luta contra a implementação da EBSERH deve ser intensificada de todas as formas possíveis, seja no campo político, seja no campo jurídico. Devemos disputar   em todos os conselhos onde for pautada a discussão, questionar e denunciar a administração onde não for pautado ou realizado a revelia dos estatutos. Essa disputa deve se dar a cada dia e com mais afinco junto à sociedade, conquistando esse apoio importante, pois de forma direta ou indireta toda a sociedade será prejudicada se a intenção do governo for concretizada.
Entendemos que devemos continuar a luta política e que devemos contar com todas as possibilidades de enfrentamento. Mas paralelo a isso devemos fazer o questionamento jurídico junto às instâncias cabíveis. A FASUBRA já encaminhou, em parceria com a Procuradoria Geral da República uma Ação Direta de Inconstitucionalidade a partir da constatação de que a Lei aprovada fere a constituição na concepção e no conteúdo, mas é preciso que cada entidade faça o mesmo processo junto as Procuradorias Federais do Direito do Cidadão em cada estado, explorando o caráter geral da lei e a forma de encaminhamento pela Universidade.
Brasília, 11 de Novembro de 2012.
FASUBRA SINDICAL

sábado, novembro 10, 2012

Não houve audiência pública de concessão do Maracanã




NOTA PÚBLICA


O Comitê Popular da Copa e Olimpíadas vem a público reiterar que não reconhece como válida a audiência pública sobre a concessão do Maracanã, que estava prevista para acontecer nesta quinta-feira, dia 8 de novembro de 2012. Após entrar no local assinando nomes de personalidades da cultura e do esporte, como “Mario Filho”, “Friedenreich”, “Celio de Barros”, “Julio Delamare”, “Darcy Ribeiro”, entre outros, mais de 500 pessoas manifestaram de forma unânime o não-reconhecimento daquele espaço e reivindicaram por cerca de duas horas o cancelamento do evento e a realização de uma nova audiência para discutir se o modelo de gestão a ser adotado no Maracanã será público ou privado.
O governo ignorou as demandas de todos os grupos ali representados e resolveu tentar dar prosseguimento à audiência. O clima que foi gerado inviabilizou a realização de qualquer debate. Há farto material de registro que comprova que não houve possibilidade de efetivação da função da audiência. Em razão disso, todos os parlamentares presentes se somaram à solicitação da sociedade civil e defenderam o cancelamento da audiência. Ainda assim, em atitude vexatória e constrangedora, o governo insistiu nas tentativas de falsear uma ocorrência normal de audiência.
O instrumento da audiência pública é uma conquista da sociedade e deveria respeitar sua função original: a escuta das demandas da sociedade e a incorporação destas demandas nos projetos do governo, com a abertura de processos participativos e democráticos de negociação. Se a intenção do Governo do Estado ontem fosse ouvir a população, entenderia que a sociedade civil não aceita que se dê a concessão do Maracanã sem que antes haja um debate sobre se a sua gestão continuará pública ou se ela será privatizada via concessão.
A posição do governo de homologar o espaço de ontem como uma audiência pública evidencia a posição arbitrária com que o processo de reconstrução do Maracanã tem sido implementado. Evidencia ainda o cinismo com que Governo do Estado do Rio de Janeiro encara os instrumentos de participação popular, desvirtuando-os em sua essência e realizando-os por pura obrigação legal. Como previmos, a “audiência” foi uma farsa.
Lamentamos profundamente a fala e o posicionamento do secretário estadual da Casa Civil, Sr. Régis Fichtner, que atribuiu a manifestação a uma “minoria”. Aqueles que lotaram o galpão ontem e se uniram em torno da mesma causa são pais de alunos, professores, atletas, torcedores, indígenas, parlamentares, usuários das instalações do complexo do Maracanã e cidadãos comuns que refletem uma vontade popular. Todos, juntos, indignados com a entrega de um patrimônio público – que serve à população e recebeu altos investimentos públicos – para um grupo empresarial que transformaria equipamentos que estão em pleno uso em estacionamentos e shoppings e, ao fim de 35 anos, não pagaria por isso nem mesmo os juros dos financiamentos feitos pelo Estado.
Nós cobramos respeito à democracia e exigimos que o registro de ocorrência de audiência no dia 08 de novembro seja cancelado e que uma nova audiência seja convocada para debater se a gestão do Complexo do Maracanã continuará pública ou se ela será privatizada via concessão.
Rio de Janeiro, 9 de novembro de 2012
Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro
PUBLICADO POR DOM OBÁ

quinta-feira, novembro 08, 2012

Legalização da maconha e união gay em referendos marcam eleição nos EUA

 O uso recreativo da droga foi aprovado no Colorado e em Washington e a união homossexual no Maine e Maryland

O presidente Barack Obama não foi o único vitorioso nas eleições desta terça-feira (07/11) nos Estados Unidos. As liberdades e os direitos civis dos norte-americanos também conquistaram avanços históricos em referendos estatais e ativistas previram que se trata do início de uma série de outras mudanças. 

A maconha foi legalizada pela primeira vez na história norte-americana no Colorado e em Washington e o casamento gay foi reconhecido legalmente no Maine e em Maryland por meio do voto popular. Os eleitores de Minnesota e de Washington também aprovaram leis que permitiam a união entre pessoas do mesmo sexo, estabelecidas pelos governos locais no início deste ano, e rejeitaram qualquer tipo de modificação em seu texto. 


Outras medidas consideradas progressistas não alcançaram o mesmo sucesso nos plebiscitos, mas muitas configuraram disputas acirradas. Em Massachussets, por exemplo, venceram com diferença de 2% os eleitores que reprovavam a autorização do suicídio em pacientes terminais. 

Os plebiscitos, assim com as disputas eleitorais nos EUA, foram antecedidos por campanhas publicitárias intensas e, por vezes, milionárias. Organizações contrárias ou favoráveis às medidas votadas lançaram propagandas nas redes televisivas e nas emissoras de rádio, além de utilizarem ativistas e voluntários nas ruas. 

Grupos que lutam pelos direitos da comunidade gay, como o Human Rights Campaign, gastaram mais de 5 milhões de dólares no Maine e em Maryland e a indústria alimentícia chegou a investir mais de 44 milhões de dólares na Califórnia para convencer o eleitorado a votar contra a obrigatoriedade de indicar a presença de ingredientes transgênicos nos rótulos dos produtos. Nas últimas cinco semanas, o gasto elevado em anúncios na televisão conseguiu reverter a tendência eleitoral prevista e a proposta de rotular os alimentos geneticamente modificados perdeu por 53%.

Casamento gay

Também foi a primeira vez na história norte-americana que os eleitores aprovaram o casamento gay. Desde os anos 1990, 32 Estados do país organizaram referendos sobre o tema e em todos esses, a maioria dos eleitores se opôs à medida.  

 “Por anos, os nossos adversários argumentaram que nós não conseguiríamos conseguir a maior parte dos votos nos plebiscitos. Hoje, os eleitores provaram que eles estão errados”, disse Marc Solomon, diretor nacional da campanha Liberdade para Casar. A votação no Maine foi muito representativa neste sentido, pois há três anos, o eleitorado deste Estado reprovou, em plebiscito, o casamento gay.





Legalização da maconha


 
Os norte-americanos também têm demonstrado uma tendência crescente de aprovar medidas mais permissivas em relação ao uso de drogas, segundo indicam diversas pesquisas.

Estudos do Instituto Gallup e do centro Polling Report mostram que desde 1969 até os dias atuais, cerca de metade da população do país passou a aprovar a legalização da maconha (veja gráfico ao lado).

“Foi a primeira vez que um Estado norte-americano votou para legalizar a maconha – e dois deles aprovaram a medida”, afirmou Tom Angell, porta-voz da organização Law Enforcement Against Prohibition que reúne membros das forças policiais e da justiça criminal dos EUA favoráveis a legalização das drogas. A medida venceu com 55% dos votos no Colorado e com 52% em Washington, de acordo com as informações disponíveis até a publicação desta notícia. 

Apesar da vitória histórica, os defensores da descriminalização do uso das drogas alertam que ainda não é certo como as medidas serão aplicadas. Isso porque o resultado no Colorado e em Washington, que já têm leis que legalizam o consumo da maconha para fins médicos, colocam as suas legislações em situação de conflito com o governo federal, que classifica a maconha como um narcótico ilegal.

 “Quando estes Estados tentarem implementar essa lei, veremos um esforço dos oficiais federais em proibi-la”, alertou Kevin Sabet, assessor do Escritório de Controle Nacional das Drogas, a rede NBC. O governador do Colorado, o democrata John Hickenlooper, que se opôs à legalização da maconha, disse para os cidadãos do Estado não se apressarem e fez uma menção jocosa aos efeitos do entorpecente. 

“Nosso trabalho no Colorado e em Washington ainda não está completo”, disse Angell. “Nós ainda precisamos trabalhar em como implementar efetivamente essas leis... para, assim, mostrar que quando legalizamos a maconha, o mundo não acaba”, acrescentou.

Confira as outras medidas que foram temas de referendos nas eleições desta terça (06/11):


FONTE: OPERA MUNDI

quarta-feira, novembro 07, 2012

Integra do discurso de vitória do presidente Barack Obama


Leia a íntegra do discurso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reeleito após a eleição que terminou nesta terça-feira.

*
Obrigado. Obrigado. Muito, muito obrigado. Hoje, mais de 200 anos depois de uma ex-colônia conquistar o direito de determinar seu próprio destino, nossa união avança. (aplausos) Ela avança graças a vocês. Ela avança porque vocês reafirmaram o entusiasmo que triunfa sobre a guerra e a depressão.

O entusiasmo que ergueu nosso ânimo das profundezas do desespero ao pico da esperança. A fé em que, embora cada um de nós busque realizar seus sonhos individuais, somos uma família americana e vamos nos erguer e cair como uma só nação e um só povo. (aplausos)

Nesta noite,nesta eleição, vocês, o povo americano, nos fizeram lembrar que, embora nosso caminho tenha sido árduo, embora nossa jornada tenha sido longa, nós nos reerguemos, nós lutamos para recuperar o terreno perdido, e sabemos em nosso íntimo que para os Estados Unidos da América o melhor ainda está por vir. (aplausos)

Quero agradecer a cada americano que participou desta eleição. Quer você tenha votado pela primeira vez ou aguardado em fila por muito tempo; por falar nisso, precisamos dar um jeito nisso. (aplausos) Quer você tenha percorrido as ruas ou falado ao telefone. Quer você tenha erguido um cartaz de Obama ou um cartaz de Romney, sua voz foi ouvida, e você fez uma diferença.

Acabei de falar com o governador Romney. Parabenizei a ele e ao deputado Ryan por uma campanha arduamente travada. Podemos ter nos enfrentado com afinco, mas foi apenas porque amamos este país profundamente e nos preocupamos tanto com seu futuro.

Desde George e Lenore até seu filho Mitt, a família Romney optou por contribuir para a América através do serviço público, e esse é um legado que honramos e que aplaudimos esta noite.


Nas próximas semanas, espero me sentar com o governador Romney para estudar as áreas em que podemos cooperar para fazer este país ir para frente.


Quero agradecer a meu amigo e parceiro dos últimos quatro anos, o "guerreiro feliz" da América e o melhor vice-presidente que se poderia desejar: Joe Biden. (aplausos)

E eu não seria o homem que sou hoje sem a mulher que aceitou casar-se comigo 20 anos atrás. Quero dizer isto publicamente: Michelle, nunca a amei tanto. Nunca senti mais orgulho que agora de ver o resto da América apaixonar-se por você também, como a primeira-dama de nosso país.

Sasha e Malia, diante de nossos olhos vocês estão crescendo para tornar-se duas jovens fortes, inteligentes e lindas, como sua mãe. (aplausos) Sinto tanto orgulho de vocês. Mas tenho que admitir que um cachorro apenas é provavelmente o bastante por agora. (risos)

À melhor equipe de campanha e aos melhores voluntários na história da política (aplausos), os melhores, os melhores. Alguns de vocês começaram desta vez e alguns estiveram a meu lado desde o início (aplausos), mas todos vocês são parte da família.

Não importa o que venham a fazer ou para onde vão a partir daqui, vocês sempre carregarão a memória da história que fizemos juntos e terão a apreciação vitalícia de um presidente agradecido.

Obrigado por acreditarem sempre, ao longo de todas as montanhas e todos os vales, vocês me ergueram o caminho inteiro. Sempre serei grato por tudo o que vocês fizeram e todo o trabalho incrível que investiram. (aplausos)

Sei que campanhas políticas às vezes podem parecer mesquinhas, até mesmo tolas, e isso dá muita munição aos cínicos que nos dizem que a política não passa de uma disputa entre egos ou que é dominada por interesses especiais.

Mas se vocês alguma vez tiverem a oportunidade de conversar com pessoas que compareceram a nossos comícios e se acotovelaram diante dos cordões de isolamento em ginásios de colégios, ou viram pessoas trabalhando tarde da noite num escritório de campanha em algum condado minúsculo, longe de casa, vocês descobrirão algo diferente.
Vocês ouvirão a determinação na voz de um jovem organizador de base que trabalha para pagar por seus estudos universitários e quer assegurar que todas as crianças vão ter a mesma oportunidade. (aplausos)

Ouvirão o orgulho na voz de uma voluntária que está indo de porta em porta porque seu irmão finalmente conseguiu emprego quando a fábrica de automóveis local acrescentou mais um turno de trabalho. (aplausos)

Ouvirão o patriotismo profundo na voz de uma esposa ou marido de militar que está trabalhando como voluntário ao telefone, tarde da noite, para assegurar que ninguém que combate por este país jamais precise lutar para ter um emprego ou uma casa para viver quando voltar para casa. (aplausos)

É por isso que fazemos isto, é isso o que a política pode ser, é por isso que as eleições têm importância. Não é pouca coisa: é grandioso, é importante. Num país com 300 milhões de pessoas, a democracia pode ser barulhenta, confusa, complicada.

Temos nossas opiniões próprias, cada um de nós tem posições em que acredita profundamente, e quanto passamos por tempos difíceis, quando tomamos decisões importantes, como país, isso necessariamente desperta paixões, provoca controvérsia. Isto não vai mudar depois desta noite e não deveria mudar.

Essas discussões que temos são um sinal de nossa liberdade, e nunca devemos esquecer que agora, enquanto falamos, pessoas em países distantes estão arriscando suas vidas, neste exato momento, simplesmente por uma chance de discutir sobre as questões que são importantes, pela chance de votar, como nós fizemos hoje. (aplausos) 

Mas, a despeito de todas nossas divergências, a maioria de nós compartilha certas esperanças para o futuro da América. Queremos que nossos filhos cresçam num país em que tenham acesso às melhores escolas e os melhores professores. (aplausos)

Um país que faça jus a seu legado de líder global em tecnologia, descobertas e inovações. Com todos os novos empregos e os novos empreendimentos decorrentes.

Queremos que nossos filhos vivam numa América que não esteja onerada por dívidas, que não seja enfraquecida pela desigualdade. Que não seja enfraquecida pelo poder destrutivo de um planeta em aquecimento. (aplausos) Queremos deixar para nossos filhos um país que seja seguro e que seja respeitado e admirado em todo o mundo.

Um país defendido pelas forças armadas mais fortes do mundo e as melhores tropas que este mundo já conheceu. (aplausos) Mas também um país que avance com confiança para além deste tempo de guerra, que erga uma paz baseada na liberdade e dignidade para cada ser humano. Acreditamos numa América generosa. Numa América compassiva. Numa América tolerante, aberta aos sonhos de uma filha de imigrantes que estuda em nossas escolas e jura fidelidade a nossa bandeira. (aplausos)

Ao garoto da zona sul de Chicago que enxerga uma vida mais além da esquina de sua rua. (aplausos). Ao filho de trabalhadores em fábricas de móveis da Carolina do Norte que sonha em tornar-se médico ou cientista, engenheiro ou empreendedor, diplomata ou até mesmo presidente. Esse é o futuro pelo qual esperamos, essa é a visão que compartilhamos. É nesse rumo que precisamos avançar. Para frente. (aplausos). É nessa direção que precisamos avançar.

É verdade que vamos discordar, às vezes com veemência, em relação a como chegar lá. Como vem fazendo há mais de dois séculos, o progresso virá de modo irregular --nem sempre é um caminho constante e tranquilo.

O reconhecimento de que temos sonhos e esperanças em comum não será o bastante, por si só, para acabar com todo o impasse, resolver todos nossos problemas ou substituir todo o trabalho cuidadoso de construir nosso consenso ou fazer as concessões difíceis necessárias para fazer este país ir para frente. Mas é desse elo comum que devemos partir.

Nossa economia está se recuperando. Uma década de guerra está chegando ao fim. Uma longa campanha agora acabou. E, quer eu tenha merecido ou não o voto de vocês, eu os ouvi, aprendi com vocês, e vocês me fizeram um presidente melhor. Munido das histórias e das lutas de vocês, retorno à Casa Branca mais determinado e mais inspirado para o trabalho que há para ser feito e o futuro que está pela frente. (aplausos)

Esta noite vocês votaram na ação, não na política como ela costuma ser. Vocês nos elegeram para focarmos os empregos de vocês, não os nossos. E, nas próximas semanas e nos próximos meses, quero procurar e trabalhar com líderes dos dois partidos para encarar os desafios que só poderemos resolver juntos: reduzir nosso déficit, reformar nosso código tributário, resolver os problemas de nosso sistema de imigração, libertar-nos do petróleo estrangeiro. Temos mais trabalho a fazer!

Mas isso não quer dizer que o trabalho de vocês tenha terminado. O papel do cidadão em nossa democracia não se limita ao voto. O importante na América nunca foi o que pode ser feito por nós --é o que pode ser feito por nós, no trabalho árduo, frustrante, mas necessário do autogoverno. É esse o princípio sobre o qual fomos fundados. Este país possui mais riqueza que qualquer outro, mas não é isso o que nos torna ricos.

Possuímos as forças armadas mais poderosas da história, mas não é isso o que nos torna fortes. Nossas universidades, nossa cultura são motivo de inveja do mundo, mas é isso o que faz o mundo continuar a vir até nós.

O que faz a América ser excepcional são os vínculos que unem a nação mais diversificada da Terra, a crença de que nosso destino é compartilhado, que este país só funciona quando aceitamos certas obrigações uns para com os outros e para com as gerações futuras, de modo que a liberdade pela qual tantos americanos lutaram e morreram vem acompanhada de responsabilidades também, e entre estas estão o amor, a caridade, o dever e o patriotismo. É isso o que torna a América grande. (aplausos)

Sinto-me esperançoso esta noite porque vi o entusiasmo em ação na América. Eu o vi na empresa familiar cujos donos preferiram reduzir seus próprios rendimentos a demitir seus vizinhos e nos trabalhadores que preferiram reduzir seus horários de trabalho a ver um amigo perder seu emprego. Eu o vi nos soldados que voltam a se alistar depois de perder um braço ou perna e nos membros das forças especiais que correram escada acima, rumo ao escuridão e ao perigo, porque sabiam que havia um companheiro atrás deles, protegendo-os. (aplausos)

Eu o vi nas costas de Nova Jersey e Nova York, onde líderes de todos os partidos e todos os escalões do governo deixaram suas diferenças de lado para ajudar uma comunidade a reconstruir-se após a destruição deixada por uma tempestade terrível. (muitos aplausos).

E o vi outro dia em Mentor, Ohio, onde um pai contou a história de sua filha de 8 anos de idade, cuja longa batalha contra a leucemia quase custou à sua família tudo o que ela possuía, não fosse o fato de a reforma da saúde ter sido aprovada alguns meses antes de a seguradora deixar de pagar pelo atendimento médico dela. (muitos aplausos)

Tive a oportunidade não apenas de falar com o pai, mas de conhecer sua filha incrível. E, quando ele falou ao público, cada pai ou mãe naquela sala, ouvindo a história daquele pai, teve lágrimas nos olhos, porque sabíamos que aquela garotinha poderia ser nossa filha.

E eu sei que cada americano quer que o futuro de sua filha seja tão iluminado quanto o dela. Esses somos nós. Esse é o país que sinto tanto orgulho em liderar, como seu presidente. (muitos aplausos)

E esta noite, apesar de todas as dificuldades pelas quais passamos, apesar de todas as frustrações de Washington, nunca me senti mais esperançoso em relação a nosso futuro. (muitos aplausos)

E peço a vocês que sustenham essa esperança. Não estou falando em otimismo cego, o tipo de esperança que simplesmente ignora a enormidade das tarefas pela frente ou dos obstáculos que estão em nosso caminho.

Não estou falando do idealismo pouco realista que nos permite simplesmente assistir aos fatos, sem intervir, ou nos abster de uma luta. Sempre acreditei que a esperança é aquela coisa obstinada dentro de nós que, apesar de todas as evidências em contrário, teima em insistir que algo melhor está à nossa espera, desde que tenhamos a coragem de continuar buscando, continuar trabalhando, continuar lutando. (muitos aplausos)

América, acredito que podemos partir do progresso que já conquistamos e continuar a lutar por novos empregos, novas oportunidades e nova segurança para a classe média. Acredito que podemos cumprir a promessa de nossa fundação: a ideia de que, se você está disposto a trabalhar muito, não importa quem você é, de onde vem, qual é sua aparência ou onde ama. Não importa se você é negro ou branco, hispânico, asiático ou indígena americano, jovem, velho, rico ou pobre, saudável, deficiente, gay ou heterossexual. (muitos aplausos)

Você pode ter sucesso aqui na América, se estiver disposto a tentar. Acredito que podemos agarrar este futuro juntos, porque não estamos tão divididos quanto nossa política leva a pensar. Não somos tão cínicos quanto os especialistas pensam.

Somos maiores que a soma de nossas ambições individuais, e continuamos a ser mais do que um conjunto de Estados vermelhos e azuis: somos e seremos para sempre os Estados Unidos da América. Juntos, e com a ajuda e vocês e a graça de Deus, vamos continuar a avançar e lembrar ao mundo o que significa viver na maior nação da Terra. 

Obrigado, América. Deus nos abençoe. Deus abençoe estes Estados Unidos. (aplausos)
FONTE: FOLHA.COM / Tradução de CLARA ALLAIN

sexta-feira, novembro 02, 2012

A doce vida dos mortos


O Dia de Finados é uma tradição antiquíssima e muito popular no México. O motivo é nobre: trazer parentes falecidos para o convívio familiar


Ao contrário do Brasil, onde o carnaval é a maior festa popular, com milhares de pessoas entregues à folia por três dias consecutivos, no México, a maior mobilização festiva e popular ocorre no Dia dos Mortos. Na realidade, geralmente as festividades acontecem em vários dias, entre 31 de outubro e 2 de novembro, e em muitas cidades elas começam já no dia 28 de outubro. Parentes, amigos e convidados festejam o retorno de seus finados com grande variedade de comidas, bebidas, doces e frutas em banquetes espetaculares. De tão importante, o acontecimento foi declarado patrimônio cultural da Humanidade pela Unesco.
A ideia de que a morte é uma continuidade da vida era comum na cultura mesoamericana, do México antigo. A morte era considerada uma transição da vida para outro mundo ou para um espaço, ou mesmo uma nova dimensão, que imaginavam existir para essa finalidade. As origens dessas cerimônias são antigas e remontam a 3.000 anos antes da era cristã. Nas festas rituais, era costume colocarem crânios nos altares erguidos, representando os ancestrais. Desde o século I, os cristãos rezavam pelas almas e visitavam os cemitérios. Já no século V, a Igreja Católica dedicou um dia do ano para rezar por todos os mortos, inclusive os esquecidos pelas famílias. O dia 2 de novembro foi estabelecido no século X, pelo calendário litúrgico cristão, como Dia de Finados.
No México, os povos indígenas realizavam festas e rituais para reverenciar seus mortos. Mas, com a colonização espanhola, novas práticas culturais foram introduzidas e mescladas à cultura nativa para celebrar os antepassados. Rezas e cânticos se misturavam em festas, revestidos de um caráter ao mesmo tempo sagrado e profano.
Antes da chegada dos espanhóis, os indígenas homenageavam seus mortos durante todo o mês de agosto, que corresponde ao nono mês do calendário solar asteca. Na época, as festividades eram presididas pela deusa Mictecacíhuatl, como era chamada a Deusa da Morte dos astecas.
Depois, mesmo com a presença do cristianismo, algumas tradições foram mantidas, como o tempo das festas, que podem durar vários dias. A comemoração do Dia dos Mortos atrai a população tanto das áreas urbanas como das rurais, além de despertar o interesse de grande número de pessoas de vários países.

Nessas festas, as famílias costumam oferecer banquetes com muita fartura para as almas dos mortos, como retribuição por tudo que os antepassados fizeram para eles. Isso é possível porque as festas acontecem em um período de muita prosperidade: no calendário agrícola, outubro e novembro correspondem ao início das colheitas dos produtos semeados na primavera.



Na população de origem indígena – os choles – do estado de Oaxaca, região meridional do México, as festividades começam todos os anos no dia 25 de outubro e se estendem até 5 de novembro. Esse período corresponde à longa jornada realizada pelas almas para se aproximarem de seus familiares. Os choles precisam desse tempo para festejar seus mortos, pois as almas, em geral, estão “muito ocupadas”, já que esta população mescla suas atividades sagradas com as profanas. Por esse motivo, eles sempre estão ocupados com seus afazeres da vida cotidiana, especialmente com as atividades agrícolas.
Já no estado de Veracruz, camponeses e indígenas comemoram o retorno das almas a partir de 18 de outubro, dia de São Lucas, para receber os que sofreram morte violenta, por assassinato ou acidente. Os rituais começam no dia 31 de outubro, quando chegam as almas das crianças, consideradas anjinhos. No dia seguinte, 1º de novembro, é a vez dos espíritos dos adultos. Após festejarem o reencontro com os familiares vivos, as almas regressam ao Reino dos Mortos, para repetir no ano seguinte o mesmo trajeto.
Cada família se preocupa em reproduzir os rituais de acordo com as narrativas feitas pelos mais velhos. Todos os detalhes são observados: arrumação das casas, limpeza dos cemitérios, decoração das igrejas, ruas, praças e outros lugares públicos, variedade de comidas e bebidas, além da compra de roupas e sapatos novos para os mortos. Trabalhando coletivamente, pretendem manter a coesão do grupo e asseguram sua continuidade, evitando que aquelas práticas e representações culturais se percam no esquecimento.
Altares adornados com bandeirinhas de papel de seda são erguidos nas casas, igrejas, praças e edifícios públicos. Os retratos das pessoas mortas são rodeados de flores amarelas chamadas cempasúchitl – espécie conhecida como a flor dos mortos. Os mexicanos acreditam que as cores vivas dessas plantas ajudam os defuntos a encontrar o caminho de volta para casa.

As almas retornam à Terra por um caminho coberto de pétalas que formam um grande tapete amarelo, cercado por velas acesas colocadas em pequenos vasos ou copos, indicando a direção de suas casas. Percorrem a trilha iluminada – os senderos luminosos – e chegam às antigas residências para desfrutar as oferendas com suas famílias e seus amigos. Vivos e mortos se unem para matar as saudades, ficar juntos e aproveitar aquele momento mágico do encontro entre a vida e a morte, onde terminam os limites que separam o mundo dos vivos e o dos mortos. Por isso, é preciso deixar os mortos informados do endereço certo do seu destino. Quando se mudam da comunidade, os integrantes de uma família vão ao cemitério para comunicar a nova residência. Quando se casam, os noivos agem do mesmo modo para informar o novo endereço aos antepassados mortos. As almas não podem errar o caminho do eterno retorno.



Na mesa da sala, no salão dos edifícios e nas igrejas são colocados caixões com esqueletos de plástico, vestidos com os trajes e sapatos novos e adornados com flores amarelas, representando os mortos festejados. Muitas vezes, os esqueletos têm certos objetos que lembram a profissão dos mortos, como guitarras ou outros instrumentos musicais, e também chapéus e ponchos como os que eram usados quando viviam. Ao lado do caixão são dispostas vasilhas com comidas, bebidas, frutas, doces, molhos e cigarros para agradar às almas.
Nos dias que antecedem as festas, homens, mulheres e crianças iniciam os rituais de celebração. Nas matas, cortam troncos de árvore para construir os altares que serão erguidos na entrada das comunidades, das igrejas ou de edifícios públicos. Muitas famílias passam a noite junto aos túmulos dos parentes. Ali, conversam, bebem e comem, brigam e namoram. É o espaço sagrado dos mortos preenchido pelo profano da vida cotidiana. Nas casas, os moradores seguem o mesmo ritual, erguendo altares e enfeitando tudo.
As culturas antigas acreditavam que, após a morte, o corpo e a alma continuavam a viver e que poderiam retornar aos lugares onde tinham vivido. Os mortos eram tratados como se ainda estivessem próximos dos familiares. De modo contraditório, muitas vezes as almas inspiravam medo e, ao mesmo tempo, tranquilidade. Os povos antigos receavam que os mortos sem sepultura, ou os que morreram de modo violento, viessem perturbar, como fantasmas, a sociedade dos vivos. Por isso realizavam rituais, com cânticos e oferendas.
Atualmente, durante os rituais do Dia dos Mortos, percebe-se a forte presença de outras manifestações culturais. Aos rituais tradicionais foram incorporados elementos próprios das festas do Dia das Bruxas – o Halloween, originário dos hatitantes das Gálias e das ilhas da Grã-Bretanha, entre os anos 600 a.C e 800 d.C. –, como fantasias de bruxa, chapéus pontudos, unhas grandes ou garras, máscaras imitando monstros e os doces em forma de caveira. Sem dúvida, essas alterações foram provocadas pelo fenômeno da globalização. No entanto, pesquisas recentes apontam permanências culturais da Espanha antiga, introduzidas pelos celtas na Península Ibérica.
Os novos elementos celtas e ibéricos se mesclam às bandeirinhas de papel de seda, às flores amarelas, às oferendas e aos rituais das festas mexicanas. Em mutação permanente, o processo de apropriação cultural jamais é definitivamente concluído. As almas agradecem. 

Maria Teresa Toribio Brittes Lemos é professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e autora de América Latina: Identidades em Construção – das sociedades tradicionais à globalização (7Letras, 2008).

Saiba Mais

DELUMEAU, Jean. O que sobrou do Paraíso. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

SÁNCHEZ, Jorge Arguello. Dia dos Mortos. México: Aragon, 2007.

SOUSTELLE, Jacques. A vida cotidiana dos astecas às vésperas da conquista. Rio de Janeiro: Jorge Zahar,1972.

FONTE: REVISTA DE HISTÓRIA

quinta-feira, novembro 01, 2012

'Infelizmente o racismo ainda está aí, ainda existe', diz Lázaro Ramos

Ator lembra que Zé Maria é exemplo de auto-estima para pessoas de qualquer etnia


Zé Maria, o barbeiro vivido por Lázaro Ramos em Lado a Lado, vai mostrar posições firmes quando estiver sendo vítima de racismo nas cenas da novela. Um dos grandes desafios de todos os personagens negros da novela é justamente vencer o preconceito da sociedade carioca de 1903, que vive sem escravidão há apenas 15 anos. Nesse aspecto, Lázaro Ramos vê um paralelo com a sua própria postura como artista, como conta nessa entrevista.
Ele ressalta que hoje muitos brasileiros negros ainda lutam para ter o que comer e por uma moradia melhor,  e que as favelas estão aí como prova disso. "Mas hoje em dia existem outras lutas: por uma maior qualidade de educação, por uma maior inserção em cargos profissionais que usualmente não são ocupados por negros. Uma luta para ocupar cargos públicos, cargos políticos. As cores, as tintas dessa questão são outras, mas continuam existindo. Infelizmente o racismo ainda está aí, ainda existe", constata."Ali era o nascedouro de tudo", observa. "Antigamente, se for pensar, a luta era somente para ter onde morar. Tudo se passa apenas quinze anos após a abolição da escravatura, em que a princesa Isabel deu uma canetada com duas frases, que não explicavam o que ia acontecer com esse contingente todo (de negros) que veio para o Brasil. A luta das pessoas era para ter o que comer. Era mais primal", analisa o ator.

Zé Maria é exemplo de amor próprio para pessoas de qualquer etnia
As maneiras de combater o racismo também foram mudando com o tempo, como ele analisa: "A gente já entendeu que para resolver a exclusão e o racismo, não existe uma estratégia somente. Eu acho que, talvez, a grande mudança seja essa. Perceber a situação e descobrir qual vai ser a estratégia para a situação. E não achar que é somente uma estratégia, a da luta e do grito. Talvez a luta e o grito sejam necessários em algumas situações extremas", lembra Lázaro. Ele usa como exemplo o caso do cantor Seu Jorge, que revelou no ano passado ter sofrido com o racismo na Itália: "A história que aconteceu com o Seu Jorge, agora pouco, na Itália, é chocante e tem que gritar mesmo."
Lázaro não vê seu personagem somente como um defensor dos direitos dos negros naquela época. A postura do personagem, que não se submete a humilhações, pode dar outras lições. "Ele é um personagem que tem muita autoestima. E isso eu já gostei nele. Ele nunca abaixa a cabeça, chega nos lugares e diz: ‘eu também tenho o direito de estar aqui.’ Eu vou ter uma vida melhor, eu quero construir um mundo melhor. Esse é o texto do personagem: 'eu quero falar de escravidão somente como uma lição, para que isso não se repita'."
Lázaro explica sua maneira de combater o racismo: "O meu caminho é da afirmação, o de propor soluções." Uma das propostas seria justamente o "Espelho", seu programa de entrevistas no Canal Brasil, da Globosat, no qual ele procura debater o assunto. "É como eu sinto, é como eu, menino, lá de Salvador, do bairro do Garcia, sentia a situação toda. Agora que tenho a oportunidade de dirigir um programa de televisão, estou oferecendo o meu discurso", revela o ator.
Zé Maria representaria, na opinião do ator, o começo da consciência do quanto é importante ter autoestima para caminhar na vida. "E é bacana que isso acaba atingindo brancos, negros, crianças, adultos, idosos. Porque essa é uma frase que serve para todo mundo: autoestima nunca faz mal. Não pode ir para a arrogância, mas nós gostarmos de nós mesmos já é um grande caminho", defende Lázaro.
Ele explica que procura fazer a mesma coisa quando dirige suas peças no teatro ou quando dirigiu o quadro "O Curioso", no Fantástico, em 2010: "Me aproveito desse microfone conquistado para mostrar um pouco o meu olhar, para compartilhar, para não ficar só reclamando, para ser pró-ativo."
"Essa novela, além de entreter – porque ele estão fazendo uma novela, um folhetim – tem esse subtexto que é muito importante para a gente se perceber, perceber onde a gente está e de onde a gente vem", analisa Lázaro Ramos. Ele reforça, mais adiante: "Provoca uma discussão, da melhor forma que tem, que é tocando o sentimento das pessoas, sem ser didático. É uma novela que está aí também para entreter."
FONTE: GLOBO.COM

Servidores públicos federais podem ficar sem reajuste em 2013


Senador Romero Jucá afirmou que previsão de gastos para próximo ano é um orçamento com R$ 6 bilhões a menos


Sem um acordo prévio com o governo federal, as diversas categorias dos servidores públicos federais não terão reajustes salariais em 2013. Segundo o relator-geral do Projeto de Lei do Orçamento da União, senador Romero Jucá (PMDB-RR), na proposta que se desenha no Congresso e com despesas previstas menores que as deste ano, "é difícil conseguir espaço para reajustes salariais dos servidores".

O senador lembrou que, neste ano, as despesas orçamentárias foram fixadas em R$ 28 bilhões. Na proposta trabalhada para 2013, as mesmas expectativas de gastos caíram para R$ 22 bilhões.
A previsão para 2013 fixa os gastos com pessoal em R$ 226 bilhões, dos quais R$ 162,9 bilhões em despesas do Executivo, R$ 23,9 bilhões, do Legislativo, R$ 16,9 bilhões, de contribuição patronais e R$ 11,1 bilhões, de reserva de contingência.
O relator disse que as emendas de iniciativa popular foram retiradas do projeto. Segundo ele, não houve, da parte do governo, interesse em executá-las e, por isso, não se justifica mantê-las. "Como eram emendas que destinavam recursos a intervenções na área da saúde, o governo entendeu que as necessidades locais já seriam supridas pela programação comum dos órgãos federais", explicou Jucá. Para compensar, o senador propôs que, dos R$ 15 milhões a que cada parlamentar terá direito em emendas individuais, R$ 2 milhões sejam aplicados em ações e serviços públicos de saúde.
O parecer preliminar do relator-geral prevê, ainda, o recuo da dívida líquida para 32% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2013. Até julho deste ano, a dívida estava em 34,9% do PIB.
FONTE: Agência Brasil