Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!

segunda-feira, março 29, 2010

Trabalho escravo é encontrado em empresas de celulose do Rio Grande do Sul









Contratadas da Celulose Irani, responsável por 4,5% de toda produção nacional de papel para embalagem, mantiveram, segundo inspeções do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), empregados em condições análogas à escravidão.


O primeiro caso, ocorrido em agosto de 2009, resultou na libertação, em São José do Norte (RS), de seis contratados por Valnei José Queiroz, que prestava serviços à Celulose Irani. As vítimas, que atuavam no corte de pinus, dormiam em barracos feitos de restos de madeira e lona. Não havia instalações sanitárias. Alimentos superfaturados eram comprados em comércio indicado pelos "gatos" (aliciadores) e depois descontados dos pagamentos. Por causa das dívidas, os empregados ficavam sem receber salários.


Valnei chegou a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto pelo procurador Luiz Alessandro Machado, da Procuradoria Regional do Trabalho da 4ª Região (PRT-4), que participou da fiscalização. Contudo, em setembro de 2009, no mês seguinte à primeira fiscalização, uma nova operação encontrou mais um grupo de empregados sem registro na Carteira de Trabalho e da Previdência Social (CTPS) e sem receber salários por mais de mais de dois meses atuando em Mostardas (RS) para a prestadora de serviço Comércio de Resina Queiroz, também contratada pela Celulose Irani.


A Comércio de Resina Queiroz tem Valnei como um de seus sócios. Na ocasião, o procurador Marcelo Goulart firmou outro TAC. No acordo, a subcontratada se comprometeu a registrar os empregados (e a não contratar mais sem registro), e a efetuar o pagamento dos direitos trabalhistas.


De acordo com Marcelo, contudo, Valnei não tem idoneidade financeira e não conseguiu arcar com os direitos trabalhistas. Por isso, ele ajuizou ação civil coletiva contra a Irani para que a mesma arcasse com os pagamentos. "A Irani pagou as verbas trabalhistas, só faltou uma multa prevista no Artigo 477 [da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), que se refere a prazo para pagamento das parcelas constantes no termo de rescisão do contrato de trabalho]. Ganhamos em primeira instância [o pagamento da multa], mas a empresa está recorrendo", detalha o procurador.


Em dezembro do ano passado, o MTE e o MPT receberam nova denúncia repassada pela Polícia Civil envolvendo a Resimir Extração de Resinas Ltda., outra contratada da Celulose Irani. Segundo informações preliminares, 12 trabalhadores aliciados em Martim Prado (SP), que extraíam resina em Cidreira (RS), também estavam com os salários atrasados.


Quando a equipe fiscal chegou ao local, os trabalhadores já tinham deixado a área e retornado ao interior paulista. O próprio sócio da Resimir, Valmir de Oliveira, chegou a admitir em depoimento que arregimentava pessoalmente trabalhadores em municípios como Itararé (SP), Campina de Fora (SP) e Itapeva (SP), além de Martim Prado (SP).


A passagem ao Rio Grande do Sul foi paga pela Resimir, e o retorno foi custeado pelos próprios trabalhadores. De acordo com o procurador Luiz Alessandro, que também participou desta última ação, mesmo sem o flagrante e embora todos os registros tenham ficado no nome da Resimir, as verbas rescisórias foram pagas pela Irani, que contratou diretamente 20 pessoas. O contrato de prestação de serviços da Irani com a Resimir foi rescindido.


"Eles ficavam alojados em pequenas casas em Cidreira, pagavam aluguéis e, por conta disso, acabavam se endividando com o empregador", detalha o procurador Luiz. Em levantamento preliminar, ele verificou que a Irani terceiriza toda atividade de extração de resina. "São cinco ou seis empresas contratadas para prestação de serviços na extração de resinas de pinus".


Por conta desta denúncia, a PRT-4 propôs um novo TAC à Celulose Irani. A empresa, porém, ainda não consentiu em assinar o compromisso. O termo prevê a responsabilidade solidária da empresa com relação às prestadoras de serviço, no tocante às verbas trabalhistas, descumprimentos de acordos já assinados pelas prestadoras e pelos pagamentos das indenizações em caso de constatação de novos casos de trabalho escravo.


O documento prevê também o fim das terceirizações, em um prazo de até seis meses. "Depois desse período, estaria vedada a terceirização", complementa Luiz. "Ainda estamos negociando com a empresa porque, nesse último caso, não houve flagrante. Não temos elementos que sustentem uma ação civil pública. Mas vamos intensificar as fiscalizações assim que tivermos a localização das frentes de trabalho de cada prestadora de serviço".


Como medida preventiva, Luiz Alessandro entregou à Celulose Irani uma Notificação Recomendatória, com uma série de medidas como comunicar ao MPT quais são as prestadoras contratadas e entregar a localização exata de todas as frentes de trabalho onde são realizadas atividades para a empresa.


"A recomendação não fixa multas, mas em caso de descumprimento poderão ser tomadas medidas judiciais. Tem a função de dar ciência ao investigado do entendimento do MPT quanto às irregularidades. Desse modo, em eventual ação civil pública, o argumento de que a empresa não tinha conhecimento da interpretação dada pelo MPT não terá força", explica o procurador.


Segundo o site oficial da empresa, o lucro líquido da Celulose Irani em 2009 foi de R$ 44 milhões. A produção de papel da companhia, que tem papéis negociados na Bolsa de Valores, aumentou 9,5%, passando de 168.766 toneladas, em 2008, para 184.868 toneladas, em 2009.


Uma das maiores empresas do setor de papel e embalagem em kraft do Brasil, a Irani tem cerca de 1,7 mil funcionários e declara ter direcionado R$ 8,8 milhões em benefícios, desenvolvimento e capacitação de pessoas.


Em seu último relatório de sustentabilidade (2008), a empresa declara adotar práticas trabalhistas "embasadas em normas nacional e internacionalmente reconhecidas". Afirma atuar ainda "em conformidade com as orientações da Delegacia Regional do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho dos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo e passa por auditorias desses órgãos em todas as suas unidades".


A assessoria de comunicação da Irani não respondeu as questões enviadas pela Repórter Brasil. A companhia se limitou a declarar que "todas as suas práticas trabalhistas são pautadas pelo respeito às pessoas e ao meio ambiente" e que "prioriza contratações de empresas prestadoras de serviço que respeitam a legislação em todos os aspectos trabalhistas de forma ética e responsável, visando a sustentabilidade dos negócios".

FONTE:Repórter Brasil

Latifúndio recebe 25 vezes mais dinheiro do governo






Em dezembro de 2009, Miguel Carter concluiu o trabalho de organizar o livro ‘Combatendo a Desigualdade Social – O MST e a Reforma Agrária no Brasil’ . É um lançamento da Editora UNESP, que reúne colaborações de especialistas sobre a questão agrária e o papel do MST pela luta pela Reforma Agrária no Brasil.

Esta semana, ele conversou com Paulo Henrique Amorim, por telefone.

PHA – Professor Miguel, o senhor é professor de onde?

MC – Eu sou professor da American University, em Washington D.C.

PHA – Há quanto tempo o senhor estuda o problema agrário no Brasil e o MST?

MC- Quase duas décadas já. Comecei com as primeiras pesquisas no ano de 91.

PHA – Eu gostaria de tocar agora em alguns pontos específicos da sua introdução “Desigualdade Social Democracia no Brasil”. O senhor descreve, por exemplo, a manifestação de 2 de maio de 2005, em que, por 16 dias, 12 mil membros do MST cruzaram o cerrado para chegar a Brasília. O senhor diz que, provavelmente, esse é um dos maiores eventos de larga escala do tipo marcha na história contemporânea. Que comparações o senhor faria ?

MC – Não achei outra marcha na história contemporânea mundial que fosse desse tamanho. A gente tem exemplo de outras mobilizações importantes, em outros momentos, mas não se comparam na duração e no numero de pessoas a essa marcha de 12 mil pessoas. Houve depois, como eu relatei no rodapé, uma mobilização ainda maior na Índia, também de camponeses sem terra. Mas a de 2005 era a maior marcha.

PHA – O senhor compara esse evento, que foi no dia 2 de maio de 2005, com outro do dia 4 de junho de 2005 – apenas 18 dias após a marcha do MST – com uma solenidade extremamente importante aqui em São Paulo que contou com Governador Geraldo Alckmin, sua esposa, Dona Lu Alckmin, e nada mais nada menos do que um possível candidato do PSDB a Presidência da República, José Serra, que naquela altura era prefeito de São Paulo. Também esteve presente Antônio Carlos Magalhães, então influente senador da Bahia. Trata-se da inauguração da Daslu. Por que o senhor resolver confrontar um assunto com o outro ?

MC – Porque eu achei que começar o livro com simples estatísticas de desigualdades sociais seria um começo muito frio. Eu acho que um assunto como esse precisa de uma introdução que também suscite emoções de fato e (chame a atenção para) a complexidade do fenômeno da desigualdade no Brasil. A coincidência de essa marcha ter acontecido quase ao mesmo tempo em que se inaugurava a maior loja de artigos de luxo do planeta refletia uma imagem, um contraste muito forte dessa realidade gravíssima da desigualdade social no Brasil. E mostra nos detalhes como as coisas aconteciam, como os políticos se posicionavam de um lado e de outro, como é que a grande imprensa retratava os fenômenos de um lado e de outro.

PHA – O senhor sabe muito bem que a grande imprensa brasileira – que no nosso site nós chamamos esse pessoal de PiG (Partido da Imprensa Golpista) - a propósito da grande marcha do MST, a imprensa ficou muito preocupada como foi financiada a marcha. O senhor sabe que agora está em curso uma Comissão Parlamentar de Inquérito Mista, que reúne o Senado e a Câmara, para discutir, entre outras coisas, a fonte de financiamento do MST. Como o senhor trata essa questão ? De onde vem o dinheiro do MST ?

MC - Tem um capítulo 9 de minha autoria feito em conjunto com o Horácio Marques de Carvalho que tem um segmento que trata de mostrar o amplo leque de apoio que o MST tem, inclusive e apoio financeiro.

PHA – O capítulo se chama “Luta na terra, o MST e os assentamentos” - é esse?

MC – Exatamente. Há uma parte onde eu considero sete recursos internos que o MST desenvolveu para fortalecer sua atuação, nesse processo de fazer a luta na terra, de fortalecer as suas comunidades, seus assentamentos. E aí tem alguns detalhes, alguns números interessantes. Porque eu apresento dados do volume de recursos que são repassados para entidades parceiras por parte do Governo Federal. Eu sublinho no rodapé dessa mesma página o fato de que as principais entidades ruralistas do Brasil têm recebido 25 vezes mais subsídios do Governo Federal (do que o MST). E o curioso de tudo isso é que só fiscalizado como pobre recebe recurso público. Mas, sobre os ricos, que recebem um volume de recursos 25 vezes maior que o dos pobres, (sobre isso) ninguém faz nenhuma pergunta, ninguém fiscaliza nada. Parece que ninguém tem interesse nisso. E aí o Governo Federal subsidia advogados, secretárias, férias, todo tipo de atividade dos ruralistas. Então chama a atenção que propriedade agrária no Brasil, ainda que modernizada e renovada, continua ter laços fortes com o poder e recebe grande fatia de recursos públicos. Isso são dados do próprio Ministério da Agricultura, mencionados também nesse capítulo. Ainda no Governo Lula, a agricultura empresarial recebeu sete vezes mais recursos públicos do que a agricultura familiar. Sendo que a agricultura familiar emprega 80% ou mais dos trabalhadores rurais.

PHA – Qual é a responsabilidade da agricultura familiar na produção de alimentos na economia brasileira ?

MC – Na página 69 há muitos dados a esse respeito.

PHA- Aqui: a mandioca, 92% saem da agricultura familiar. Carne de frango e ovos, 88%. Banana, 85%.. Feijão, 78%. Batata, 77%. Leite, 71%. E café, 70%. É o que diz o senhor na página 69 sobre o papel da agricultura familiar. Agora, o senhor falava de financiamentos públicos. Confederação Nacional da Agricultura, presidida pela senadora Kátia Abreu, que talvez seja candidata a vice-presidente de José Serra, a Confederação Nacional da Agricultura recebe do Governo Federal mais dinheiro do que o MST ?

MC – Muito mais. Essas entidades ruralistas em conjunto, a CNA, a SRB, aquela entidade das grandes cooperativas, em conjunto elas recebem 25 vezes do valor que recebem as entidades parceiras do MST. Esses dados, pelo menos no período 1995 e 2005, fizeram parte do relatório da primeira CPI do MST. O relatório foi preparado pelo deputado João Alfredo, do Ceará.

PHA – O senhor acredita que o MST conseguirá realizar uma reforma agrária efetiva ? A sua introdução mostra que a reforma agrária no Brasil é a mais atrasada de todos os países que fazem ou fizeram reforma agrária. Que o Brasil é o lanterninha da reforma agrária. Eu pergunto: por que o MST não consegue empreender um ritmo mais eficaz ?

MC – Em primeiro lugar, a reforma agrária é feita pelo Estado. O que os movimentos sociais como o MST e os setenta e tantos outros que existem em todo o Brasil fazem é pressionar o Estado para que o Estado cumpra o determinado na Constituição. É a cláusula que favorece a reforma agrária. O MST não é responsável por fazer. É responsável por pressionar o Governo. Acontece que nesse país de tamanha desigualdade, a história da desigualdade está fundamentalmente ligada à questão agrária. Claro que, no século 20, o Brasil, se modernizou, virou muito mais complexo, surgiu todo um setor industrial, um setor financeiro, um comercial. E a (economia) agrária já não é mais aquela, com tanta presença no Brasil. Mas, ainda sim, ficou muito forte pelo fato de o desenvolvimento capitalista moderno no campo, nas últimas décadas, ligar a propriedade agrária ao setor financeiro do país. É o que prova, por exemplo, de um banqueiro (condenado há dez anos por subornar um agente federal – PHA) como o Dantas acabar tendo enormes fazendas no estado do Pará e em outras regiões do Brasil. Houve então uma imbricação muito forte entre a elite agrária e a elite financeira. E agora nessa última década ela se acentuou num terceiro ponto em termos de poder econômico que são os transacionais, o agronegócio. Cargill, a Syngenta… Antes, o que sustentava a elite agrária era uma forte aliança patrimonialista com o Estado. Agora, essa aliança se sustenta em com setor transacional e o setor financeiro.

PHA – Um dos sustos que o MST provoca na sociedade brasileira, sobretudo a partir da imprensa, que eu chamo de PiG, é que o MST pode ser uma organização revolucionária – revolucionária no sentido da Revolução Russa de 1917 ou da Revolução Cubana de 1959. Até empregam aqui no Brasil, como economista Xico Graziano, que hoje é secretário de José Serra, que num artigo que o senhor fala em “terrorismo agrário”. E ali Graziano compara o MST ao Primeiro Comando da Capital. O Primeiro Comando da Capital, o PCC, que, como se sabe ocupou por dois dias a cidade de São Paulo, numa rebelião histórica. Eu pergunto: o MST é uma instituição revolucionária ?

MC – No sentido de fazer uma revolução russa, cubana, isso uma grande fantasia. E uma fantasia às vezes alardeada com maldade, porque eu duvido que uma pessoa como o Xico Graziano, que já andou bastante pelo campo no Brasil, não saiba melhor. Ele sabe melhor. Mas eu acho que (o papel do) MST é (promover) uma redistribuição da propriedade. E não só isso, (distribuição) de recursos públicos, que sempre privilegiou os setores mais ricos e poderosos do país. Há, às vezes, malícia mesmo de certos jornalistas, do Xico Graziano, Zander Navarro, dizendo que o MST está fazendo uma tomada do Palácio da Alvorada. Eles nunca pisaram em um acampamento antes. Então, tem muito intelectual que critica sem saber nada. O importante desse (“Combatendo a desigualdade social”) é que todos os autores têm longos anos de experiência (na questão agrária). A grande maioria tem 20, 30 anos de experiência e todos eles têm vivência em acampamento e assentamentos. Então conhecem a realidade por perto e na pele. O Zander Navarro, por exemplo, se alguma vez acompanhou de perto o MST, foi há mais de 15 anos. Tem que ter acompanhamento porque o MST é de fato um movimento.

PHA – Ou seja, na sua opinião há uma hipertrofia do que seja o MST ? Há um exagero exatamente para criar uma situação política ?

MC – Exatamente. Eu acho que há interesse por detrás desse exagero. O exagero às vezes é inocente por gente que não sabe do assunto. Mas às vezes é malicioso e procura com isso criar um clima de opinião para reprimir, criminalizar o MST ou cortar qualquer verba que possa ir para o setor mais pobre da sociedade brasileira. Há muito preconceito de classe por trás (desse exagero).

FONTE: CONVERSA AFIADA

Elói será o novo ministro e Nogueira o Adjunto na SEPPIR





O secretário Adjunto Elói Ferreira de Araújo, 50 anos , será mesmo o novo ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), confirmando o anúncio feito há cerca de um mês pelo ministro, deputado Edson Santos, que deixa o cargo para disputar a reeleição em outubro.

Elói foi confirmado, contrariando a expectativa de lideranças do Movimento Negro do PT, que questionavam sua legitimidade para ocupar o cargo por que seria "um desconhecido" e pretendiam fazer chegar ao Presidente Lula, o apelo em favor da designação do atual secretário de Ações Afirmativas, Martvs Chagas.

O novo ministro participa na próxima quarta feira (31/03) às 11h, no Itamaraty, da posse coletiva que Lula dará aos novos ministros e, na quinta, 1º de abril, ocorre a transmissão oficial do cargo, às 14h no salão negro do Ministério da Justiça.

Afropress apurou que o novo secretário adjunto será o sociólogo João Carlos Nogueira, que ocupou a subsecretaria de Ações Afirmativas, na gestão da ex-ministra Matilde Ribeiro. O convite a Nogueira - que é de Santa Catarina - foi feito pelo próprio ministro Edson Santos, há cerca de um mês.

Santos não apenas deixa no cargo o seu secretário adjunto - e homem de confiança da equipe, assessor desde o período em que foi vereador no Rio - como também faz o secretário adjunto. Com a sua saída, também deixam a SEPPIR, o coordenador de Comunicação, Rafael Rodrigues, que retorna ao Rio. O nome do substituto de Rodrigues é mantido em sigilo.

Articulações

Lideranças do Movimento Negro do PT, em especial as ligadas à Secretarias de Combate ao Racismo de vários Estados, chegaram a se articular para fazer chegar ao Palácio o descontentamento pelo fato de que não teriam sido ouvidos na escolha.

Durante o 4º Congresso do Partido, em Brasília, essas lideranças esboçaram manifesto a ser entregue a Lula com apoio a Chagas, cujo nome se manteve forte com a saída de Matilde, desde que o Presidente, no ato de posse, pediu ao novo ministro que o mantivesse.

O manifesto acabou no esboço, o movimento foi abafado - inclusive porque lideranças de maior expressão preferiram o silêncio, entendendo "ser causa perdida ir contra a orientação do Palácio e ainda mais por um mandato tampão de oito meses". Sabe-se, porém, que cartas foram disparadas e chegaram até o chefe de gabinete Gilberto Carvalho.

Pragmatismo

Além de Martvs, que deverá ser mantido na Subsecretaria de Ações Afirmativas, também permanece o Subsecretário de Comunidades Tradicionais, Alexandro Reis, da UNEGRO (União de Negros pela Igualdade), articulação ligada ao PC do B. A UNEGRO, segundo observadores, vem se notabilizando pelo pragmatismo extremado, priorizando "acima de tudo", a manutenção dos cargos e espaços que ocupa no Governo.

Ficam também o Ouvidor, advogado Humberto Adami, e a chefe de gabinete, Sandra Cabral, próxima ao ex-ministro José Dirceu.

Segundo observadores políticos com trânsito na Esplanada, a posse de Elói e Nogueira representará a terceira vitória seguida de Edson Santos.

Para esses observadores, primeiro ele aceitou ir para a SEPPIR - que só passaria a ter status de Ministério na semana passada - sob a condição de se tornar ministro chefe, porque sem isso não poderia assumir o cargo preservando o mandato de deputado pelo Rio. Depois, de uma vez só, conseguiu a manutenção da equipe, fazendo prevalecer - mesmo questionado por setores do PT - a orientação do Presidente da República de manter nos cargos os secretários adjuntos.

Com a posse de Elói, a SEPPIR - criada pelo Governo para atender às demandas históricas do Movimento Negro - se mantém sob a direção política de quadros que, setores mais ortodoxos, consideram estranhos ao Movimento. Nas palavras de uma liderança negra paulista, que prefere manter seu nome em sigilo "o Movimento Negro perde importância e protagonismo no único espaço criado no Governo Lula, o que deverá ter reflexos, mesmo na hipótese de uma vitória da ministra Dilma Roussef".

Quem é

Elói foi torneiro mecânico, a exemplo de Lula, e logo após a fundação do Partido, em 1.981 se filiou ao Partido “encantado com o discurso de Lula e do PT”, segundo contou à Afropress.

Posteriormente, inspirado pelos pais lavradores, fez Zootecnia na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Depois trabalhou na Assembléia Constituinte, foi chefe de Gabinete do deputado Edmilson Valentim, do PC do B, e em seguida chefe de gabinete do ministro Edson Santos, que por 20 anos exerceu mandatos de vereador na Câmara Municipal do Rio.

O novo ministro é também advogado tendo feito mestrado em Engenharia de Transporte na área de Regulamentação de Serviços Públicos.
FONTE: AFROPRESS

Especialistas defendem "SUS da educação" no primeiro dia de debates da Conae








No primeiro dia de debates da Conferência Nacional de Educação (Conae), especialistas defenderam hoje (29) a criação de um sistema de educação articulado que integre a União, os estados e os municípios – uma espécie de Sistema Único de Saúde (SUS) para a educação. A ideia é superar os entraves existentes por conta da autonomia federativa.

A professora da Universidade de Brasília (UnB) e membro do Conselho Nacional de Educação, Regina Vinhais, avaliou o exemplo da rede pública de saúde como positivo. Ela destacou, no entanto, que os recursos públicos precisam ser destinados “apenas e exclusivamente” para a rede pública de ensino – o que não ocorre no SUS, já que parte dos recursos vai para serviços privados.

“A educação no Brasil é um direito social pela Constituição Federal e um direito humano pela Declaração Universal dos Direitos Humanos”, disse. “O Poder Público não garantiu esse direito para todos, optando por não institucionalizar o sistema de educação”, completou, ao ressaltar que a história educacional no país é marcada pela exclusão, pelo alto índice de analfabetismo, pela pouca escolaridade e pelo frágil desempenho dos alunos.

Para o professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Demerval Saviani, a educação não deve ser vista como tarefa de governo, mas de Estado. Segundo ele, é preciso reverter a tendência de “diluir” responsabilidades educativas do Poder Público, transferindo-as para a filantropia e para o voluntariado.

“Cabe ao governo repensar a estrutura do plano, enxugando o texto e reduzindo o número de metas a aspectos mais significativos, e cobrar o efetivo cumprimento das metas”, disse. Saviani propôs ainda a criação de um Fórum Nacional de Educação, que se reúna a cada dois ou três anos e que tenha como objetivo acompanhar o andamento das metas previstas no Plano Nacional de Educação (PNE).

A Conae reúne até a próxima quinta-feira (1º), em Brasília, cerca de 3 mil pessoas, entre gestores, representantes de movimentos sociais, acadêmicos e profissionais da educação. A principal missão do encontro é traçar as diretrizes para o próximo PNE, que vai vigorar de 2011 a 2020 e deve orientar os investimentos em educação e as prioridades do país na área.
FONTE: AGÊNCIA BRASIL

Estratégias para driblar maus alunos












De acordo com especialista, professores precisam mudar atitudes para controlar estudantes



No final do ano passado, o instrutor de educação especializado em gestão de comportamento Paul Dix chegou a uma reunião de funcionários na escola comunitária Portslade, no sul da Inglaterra, e colocou 50 Libras em cima de uma mesa. Qualquer um que lembrasse as regras da escola poderia pegar a cédula.


Dinheiro fácil, você pode pensar. Mas nenhuma das pessoas foi capaz de pegá-la, porque não recordava os mandamentos impostos pela instituição.

O resultado foi um alerta para Dix: na escola, os alunos respondiam a nada menos do que 38 regras. Provavelmente, poucos lembrariam quais seriam elas.

– Paul nos levantou a questão de que, se você não pode se lembrar das regras, como espera que as crianças as obedeçam? – disse o diretor-assistente, Mark Deacon.

A escola, que tem 1,1 mil alunos, procurou Dix em uma tentativa de mudar o que o diretor descreve como um problema com baixo nível de perturbação. Ninguém está arrastando mesas, mas isso não significa que não há um impacto grande.

– Há muito pouco comportamento horrível. Há muitas respostas mal-educadas. No fim, é o tipo de coisa que acaba levando um professor a um ataque de nervos.

Ele acredita que boa parte das escolas parou no passado, talvez com valores da década de 1970. Isso se reflete nos relatórios dos inspetores escolares, que dizem que o currículo não tem fôlego e que faltam desafios ao ensino. A direção do colégio decidiu que a mudança no comportamento, para ajudar os professores a se sentirem capazes de inventar e a correrem mais riscos na sala de aula, poderia ser uma contribuição significante para o fim dos problemas.

Líder em uma área em crescimento de consultores que vão a escolas para identificar tais problemas, Dix tem treinado professores a lidar com comportamentos difíceis, e passa um dia fazendo um workshop de interpretação com um grupo de alunos de 13 anos que os professores consideram particularmente desafiantes.

E, então, há as regras. No final, os professores as resumem em cinco instruções básicas. Elas podem ser vistas em cartazes nos corredores do prédio. Uma das principais mensagens é focada em permanecer calmo e sereno frente ao mau comportamento, em vez de dar elogios calorosos e elogios em outros momentos.

– A essência do treinamento que fazemos é tirar a emoção das situações difíceis. O que os professores normalmente fazem é gritar com os estudantes. Estamos tentando afastar os professores da ideia de que o que importa é ser o maior leão da selva. É preciso administrar de forma positiva. A forma de mudar a cultura ao redor do professor é ensinando os estudantes que, se ele for mal-educado, não vai conseguir a recompensa. Vai, na verdade, receber uma resposta fria e pouco emocional – afirma.

PARA REPARAR ERROS,

SURGE A PUNIÇÃO

Punições, começando com sentar longe do grupo por um minuto, devem ser usadas, deixando claro aos alunos a escolha entre agir da forma correta e o que acontecerá se não o fizerem. Dix junta os funcionários em pares e joga “tênis assertivo”, onde um finge ser um estudante desbocado e o outro finge ser um professor que tenta encontrar uma resposta que o faça ficar quieto. O exercício serve para ensiná-los a parar um pouco antes de responder de volta.

– O ponto que estamos tentando mostrar é a origem do mau comportamento. Não são problemas de criação, ou drogas, ou cobertura 24 horas da mídia. São as pessoas de saco cheio e desmotivadas – completa Dix.

Ele também apresenta um sistema alternativo de punições baseado em justiça reparadora. Em vez de deter os estudantes, eles participam de um discussão de “reparação” de 15 minutos sobre seus comportamentos com professores, concordando em como fazer as pazes e compensar o aprendizado. Se eles quebrarem o acordo, sofrerão sanções.

* Tradução: Pedro Moreira

THE GUARDIAN

Seis regras especiais

1 ? A reação dos professores importa. Quando os estudantes têm mau comportamento, não dê a eles a resposta emocional que querem. Deixe-a para quando eles fizerem a coisa certa.

2 ? Quando eles reagirem de maneira positiva, a forma como você os elogia é o que importa.

3 ? Não cutuque a onça com vara curta. Reforce e recompense constantemente o comportamento de estudantes que seguem as regras.

4 ? Retenção não funciona, reparação sim. Invista tempo na sua relação com o aluno. É a sua melhor alavanca na gestão de comportamento.

5 ? Em situações difíceis de lidar, passe a mensagem e chegue ao fim com a dignidade de todos intacta.

6 ? Uma vez que você dê alguma punição, como ficar em sala na hora do lanche, não a cancele só porque o comportamento da turma melhorou.

FONTE: ZERO HORA

sábado, março 27, 2010

Nós do Morro

O Nós do Morro foi fundado em 1986, com o objetivo de criar acesso à arte e à cultura para as crianças, jovens e adultos do Morro do Vidigal. Hoje, o projeto se consolidou e oferece cursos de formação nas áreas de teatro (atores e técnicos) e cinema (roteiristas, diretores e técnicos), abrindo e ampliando os horizontes para um sem-número de crianças, jovens e adultos moradores, ou não, do Vidigal.

O Nós do Morro é fruto da idéia do jornalista e ator Guti Fraga. Fraga e um Grupo de jovens moradores locais se uniram para dar início ao então chamado Projeto Teatro-Comunidade: uma idéia inovadora, já que, até então, a maioria dos projetos culturais voltados para as comunidades carentes no Rio de Janeiro vinham de fora e nem sempre se adaptavam à realidade do público a que se destinavam.

20 Anos de História

1986 / 1991 – Começa a viagem do Nós do Morro, no Centro Comunitário do Padre austríaco-alemão Hubert Leeb. Ali, o Grupo começou a se reunir e a produzir seus primeiros espetáculos, que falavam do cotidiano do Vidigal e eram entremeados por montagens de textos clássicos da dramaturgia nacional.

1991 / 2001 – Depois de sair do Centro Comunitário do padre Leeb, o Grupo perambulou por vários espaços até conseguir se instalar nos fundos da Escola Municipal Almirante Tamandaré, em 1995. Estava iniciada uma nova fase para o Nós do Morro. O Grupo alcançou o reconhecimento da sociedade, recebeu prêmios e homenagens pela relevância do trabalho realizado.

2001 / 2007 – O patrocínio da Petrobrás, a partir de 2001, a consolidação administrativa e da metodologia pedagógica, com a criação de turmas divididas por faixa etária e de uma grade curricular, aliadas à conquista do Casarão – onde funcionam a administração e os cursos de formação – possibilitaram a expansão da marca Nós do Morro nacional e internacionalmente.

2007 – O infinito é o limite! Hoje, o Nós do Morro se prepara para o amanhã: teatro, cinema, canto, dança, música, multiplicações para outros lugares. Integração com a nossa comunidade e outras nos lugares onde foram instalados núcleos de produção com a filosofia do Nós do Morro: tudo é real e tudo funciona ao mesmo tempo. Uma verdadeira ciranda que não pode parar!

27 de março: DIA MUNDIAL DO TEATRO

"Não faço teatro para o povo, mas faço teatro em favor do povo.
Faço teatro para incomodar os que estão sossegados.
Só para isso faço teatro." (Plínio Marcos)

sexta-feira, março 26, 2010

Renato Russo e o tempo que não foi perdido













Ele nasceu Renato Manfredini Júnior, em 27 de março de 1960, mas se tornou famoso com um sobrenome inspirado no poeta e filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau, no filósofo racionalista inglês Bertrand Russell e no pintor pós-impressionista francês Henri Rousseau.

Assim era Renato Russo: uma salada de referências e homenagens bastante exemplar do ecletismo que marcou a vida e a obra de um sujeito que não via barreiras entre poesia e filosofia, entre arte e a própria vida.

Autor de letras complexas, muitas vezes “quilométricas”, mas inesquecíveis, e dotado de posturas irreverentes, tanto no palco quanto na vida, Renato Russo incorporou como poucos o papel de “menestrel” de um mundo onde desilusões e esperanças colidem verso após verso. Um mundo onde o desejo de liberdade e a certeza da impossibilidade de sua satisfação no sistema em que vivemos convivem em luta permanente. Uma luta que, nos versos e na voz de Renato, às vezes brotou como grito de guerra, noutras como denúncia afiada e, em outras tantas, como doloroso lamento.

O trovador solitário
Quando estourou na mídia, juntamente com a Legião Urbana, em meados dos anos 80, Renato era uma expressão meio tresloucada das contradições que rondavam o país e o mundo naquele momento. Mas sua história tinha começado a ser escrita anos antes. Proveniente de uma família de classe média, o músico já tinha passado por uma série de experiências pessoais e artísticas que moldaram sua personalidade e criatividade: entre 7 e 10 anos, viveu em Nova York; aos 13, mudou-se para Brasília; dos 15 aos 17, conviveu com uma doença óssea que o manteve preso à cama e, conseqüentemente, aos livros e à música.

Nesse período, apresentando-se como “Trovador Solitário”, Renato compôs futuros sucessos como “Faroeste Caboclo” e montou a banda Aborto Elétrico (1978-1982), de onde surgiram bandas como Capital Inicial e a Legião.

Os quatro primeiros discos da Legião não só são marcas registradas daquele período, como também explicam o fenômeno.

Poucos artistas conseguiram, de forma tão ampla e complexa, levar para a arte os sentimentos controversos que abalaram o Brasil durante aqueles anos. Afinal, havíamos acabado de derrubar uma ditadura, mas suas marcas e mazelas continuavam por todos os cantos da sociedade; vivíamos a esperança da construção de um novo país, confrontados diariamente com as mais nefastas negociatas; desejávamos abraçar a liberdade sexual e, repentinamente, nos víamos cercados pelo medo da Aids.

Mudaram as estações e nada mudou
Quando o álbum “Legião Urbana” foi lançado, em 1985, muito daquilo que os jovens (e, inclusive, não tão jovens, que haviam militado no decorrer dos anos 70 e 80) da época tinham engasgado em suas gargantas ou sufocado em seus peitos ganhou voz e vida nos versos de músicas como “Geração Coca Cola”, “Será”, “Ainda é cedo”, “Por enquanto” ou “Baader-Meinhof Blues”.

Algo semelhante aconteceu em “Dois”, lançado em 1986. Para os mais politizados, não deixava de ser emocionante ouvir, logo na primeira faixa do vinil, um trecho de “Será” (Será só imaginação? Será que nada vai acontecer? Será que é tudo isso em vão? Será que vamos conseguir vencer?) mesclado com os ruídos de um rádio tocando “A Internacional”.

Também causaram comoção a primeira menção feita por Renato à homossexualidade (em “Daniel na Cova dos Leões”), a tresloucada história de amor de “Eduardo e Mônica” e a quase desesperada “Tempo Perdido”.

Do mesmo período, vale lembrar da coletânea “Que País É Este”. Lançado em 1987, o LP reunia músicas desde 1978 (sete delas do antigo Aborto Elétrico), duas que entraram definitivamente para a história da música brasileira: “Faroeste caboclo” e a mirabolante e quilométrica história de João de Santo Cristo, contada num estilo que o próprio Renato definia como uma mescla de Raul Seixas e cordel; e “Que país é este”, transformada, desde sempre, em hino contra as muitas maracutaias feitas pelos mandatários do poder desde então.

Em 1989, o lançamento de “As Quatro Estações” foi marcado, além dos mega-sucessos, pelo fato de Renato levar multidões a cantar, juntamente com ele, que gostava de “Meninos e Meninas”, música que o cantor usou para assumir sua própria homossexualidade. Sobre isso ele declarou: “Eu estava precisando me assumir há muito tempo (...) mas fica aquela coisa, filho de católico, ‘você é doente’, etc.
No meio do caminho, eu já estava pensando: pô, eu sou um cara tão legal, eu não posso ser doente. (...) Eu sempre gostei de meninos - eu gosto de meninas também -, mas eu gosto de meninos. Como é que não é natural? Se eu sou assim desde os quatro anos, então sou doente, pervertido... ah, não!”.

Vitimado pelas contradições de seu tempo, pouco depois, em 1990, Renato Russo declarou ser portador do vírus HIV e, como muita gente naquela época, atravessou um verdadeiro martírio público, motivado pelo preconceito, pela falta de medicamentos e pelo isolamento, até sua morte, em 11 de outubro de 1996.

Ainda com a Legião, Renato lançou “V”, em 1991. Nele destaca-se “Metal contra as nuvens”, belíssi-ma música de 11 minutos e meio que é um desabafo frente aos descalabros trazidos por Fernando Collor.

Outros álbuns são “Música para acampamentos” (1992, coletânea ao vivo), “O descobrimento do Brasil” (1993) e “A tempestade ou o livro dos dias” (1996). Nesse período a relação da banda não foi exatamente das mais calmas, muito por conta, inclusive, da difícil personalidade do próprio Renato e de suas incursões em polêmicos discos solo, como “Equilíbrio Distante” (1995) e, particularmente, “The Stonewall Celebration Con-cert” (1994). Este é uma coletânea de músicas feitas ou celebradas por gays, cujo título faz referência à rebelião no bar Stonewall, que deu origem ao movimento GLBT em 1969.

Será que foi tudo isso em vão?
Dez anos depois de sua morte, Renato continua também emblemático de uma das facetas mais revoltantes do “contraditório” mundo sobre o qual ele desejou cantar e falar: a apropriação mercadológica de tudo e qualquer coisa.

Em nome da satisfação permanente de uma legião de fãs, desde 1996 as produtoras têm se desdobrado para retroalimentar o mito e o mercado. Não faltou nada: coletâneas especiais, versões acústicas, registros inéditos de shows, letras perdidas, regravações do Aborto Elétrico e tudo mais que se possa imaginar, não faltando o apelo sensacionalista e a mediocrização da obra de Renato Russo, através de intérpretes para lá de questionáveis.

Que o mercado atue dessa forma, contudo, não é o mais importante. Afinal, este é o seu papel e é contra isso que, também, lutamos.

Dez anos depois, o que realmente importa ao lembrarmos de Renato Russo é o fato de ele ter conseguido embalar diferentes gerações de jovens que, com suas letras, conseguiram dar voz a suas próprias angústias, cantar seus medos, gritar por seus desejos, verbalizar suas verdades, versar sobre sua vontade de mudar o mundo, chorar por seus amores e rir com a certeza de que nada foi em vão.


Em breve, nas telas
Há vários projetos cinematográficos sobre Renato e sua vida. O primeiro deles deve ser lançado em 2007. Dirigido por Antonio Carlos da Fontoura, o filme chamava-se “Religião Urbana” e centra-se na vida do compositor, em Brasília, entre os 18 e 23 anos. Já o estreante René Sampaio tem um projeto tanto tentador quanto difícil, transformar em filme os 159 versos (e nove minutos) de “Faroeste Caboclo”. Outro projeto, este de Denise Bandeira, também envolve uma música do cantor, que, certamente, daria uma bela história: Eduardo e Mônica.
FONTE: OPINIÃO SOCIALISTA





A ATUALIDADE DE RENATO RUSSO














QUE PAÍS É ESSE?
Nas favelas, no senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
No Amazonas, no Araguaia iá, iá,
Na Baixada Fluminense
Mato Grosso, nas Gerais e no
Nordeste tudo em paz
Na morte eu descanso, mas o
Sangue anda solto
Manchando os papéis, documentos fiéis
Ao descanso do patrão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Terceiro mundo, se for
Piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?