Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!

quinta-feira, janeiro 08, 2015

Pátria educadora? A conferir












O avanço necessário para uma educação de qualidade exige mais do que retórica. Vamos acompanhar de perto o cumprimento das promessas

Em seu discurso de posse, a presidente Dilma Rousseff anunciou o novo lema de seu governo: "Brasil, pátria educadora". Destacou que a educação será a prioridade das prioridades e que buscará em todas as ações de governo "um sentido formador, uma prática cidadã, um compromisso de ética e um sentimento republicano".
O novo ministro da Educação, Cid Gomes, reiterou os compromissos anunciados pela presidente, destacando a reforma do ensino médio e o diálogo com os professores.
Ao mesmo tempo em que aplaudimos o discurso, nós nos perguntamos o porquê do descaso da gestão anterior com a educação.
A falta de credibilidade do governo se expressa também pelas incertezas das regras do jogo, pela falta de transparência dos resultados das políticas, pelo descompasso entre o discurso e sua prática e pela falta de participação da sociedade no acompanhamento e implementação das ações.
A sociedade brasileira tem consciência da importância da educação no mundo de hoje e, por isso, estará atenta para acompanhar o desenho, a implementação e a avaliação das políticas tendo como base as metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação.
A presidente Dilma enfatizou que "democratizar o conhecimento significa universalizar o acesso a um ensino de qualidade em todos os níveis --da creche à pós-graduação. Significa também levar a todos os segmentos da população --dos mais marginalizados aos negros, às mulheres e a todos os brasileiros a educação de qualidade". Para sua concretização, ela menciona o aumento de recursos; sem dúvida, condição fundamental, mas insuficiente.
O salto necessário para uma educação de qualidade exige muito mais do que retórica. Recursos sem uma gestão eficaz, democrática e transparente nos seus resultados pode levar a mais uma frustração nacional. Caminhar na direção de um sistema nacional de educação com funções mais claras entre os entes federados poderá dar mais agilidade e eficiência ao sistema.
Para começar precisamos acabar com o analfabetismo absoluto e funcional. O Brasil não pode tolerar ser o país que concentra mais de um terço dos analfabetos da América Latina. Outro fator não mencionado nos discursos oficiais é o das desigualdades visíveis nas diferenças de desempenho em avaliações das regiões Norte e Nordeste e do restante do país.
Trata-se de um enorme desafio. Não superá-lo nos afastará da meta de sermos um país desenvolvido.
Nossas escolas precisam de infraestrutura adequada com bibliotecas, laboratórios e, sobretudo, banda larga que possibilite acesso à internet. Os dados do Censo Escolar mostram que ainda estamos longe de alcançar essas condições.
Precisamos muito mais que um diálogo com os professores. A qualidade da educação está diretamente relacionada com a qualidade dos professores. A valorização dos profissionais da educação passa por sua valorização simbólica, por planos de carreira, salários dignos e, principalmente, formação.
Dado que mais de 80% dessa formação inicial está na rede privada, é fundamental que as políticas abarquem esse segmento de modo a trazer a realidade da sala de aula como eixo estruturante das formações inicial e continuada.
Queremos, sim, uma pátria educadora e vamos reforçar a importância de uma educação integral que possibilite uma visão articuladora dos aspectos físicos, cognitivos e emocionais das crianças e jovens.
Queremos uma educação que supere os problemas básicos não resolvidos do século 20 e aponte para as inovações do século 21, tarefa que exige a mobilização de toda sociedade. Vamos acompanhar o cumprimento de todas as promessas feitas e, principalmente, das metas do Plano Nacional de Educação.

CPT considera reforma agrária do governo Dilma a pior dos últimos 20 anos











De acordo com a CPT,  de 2011 a 2014 foram assentadas 103.746 mil famílias. No entanto, desse total, apenas 27% (28.313 mil) são ligados a processos de assentamento originados no governo Dilma, segundo a entidade
A diminuição de desapropriações de terra, da quantidade de famílias assentadas e de novas demarcações de terras de indígenas e quilombolas levou a Comissão Pastoral da Terra (CPT) a classificar os números da reforma agrária no primeiro governo da presidenta Dilma Rousseff como “os piores dos últimos 20 anos”.
A afirmação consta de balanço divulgado hoje (7) pela comissão, dois dias após a nova ministra da Agricultura, Katia Abreu, ter dito que não existem mais latifúndios no país e negado a necessidade de uma reforma agrária ampla.
“Na nossa concepção, a situação dos camponeses está péssima, retroagiu. Basta pegar os números para ver que o governo não teve atenção com os camponeses e também com indígenas e quilombolas”, disse à Agência Brasilo coordenador da CPT em Pernambuco, Plácido Junior. “A opção foi pelo agronegócio”, criticou.
De acordo com a CPT,  de 2011 a 2014 foram assentadas 103.746 mil famílias. No entanto, desse total, apenas 27% (28.313 mil) são ligados a processos de assentamento originados no governo Dilma, segundo a entidade.
No documento, a comissão critica a demora do governo no anúncio de decretos de desapropriação em 2014. Das 30 áreas foram liberadas para reforma agrária no ano passado, 22 só foram anunciadas no último dia do ano. “No entanto, isso não garante de fato o assentamento de novas famílias sem terra, pois, além do processo ser lento, os proprietários ainda podem decorrer da decisão.”
A CPT também aponta o aumento no número de áreas de conflito e da violência sofrida por trabalhadores rurais. “O ano de 2014 amargou a marca de 34 pessoas assassinadas no campo, o mesmo número de 2013”, diz o texto que indica os estados do Pará, do Maranhão e de Mato Grosso do Sul como os campeões de violência no campo.
Em nota publicada em sua página na internet nesta quarta-feira, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) informou que o governo federal distribuiu aproximadamente 2,9 milhões de hectares durante o primeiro governo Dilma (2011-2014).
“Ao longo desse período, foram criados 493 projetos de assentamento em benefício de 107,4 mil famílias. Em 2014, foram assentadas 32.019 famílias ante uma meta de assentamento de 30 mil. Considerando a média de 2,8 ocupações por lote, projeta-se que 89,6 mil pessoas viverão e trabalharão nos novos projetos de assentamentos”, diz o texto.
O Incra informou ainda que, ao longo de 2014, foram investidos R$ 1,39 bilhão nas ações finais do instituto e que, desse montante, R$ 527.904 foram empenhados na desapropriação e aquisição de imóveis para assentamentos. 

FONTE: AGÊNCIA BRASIL

Dieese: o salário mínimo deveria ser de R$ 2.748,22 em janeiro deste ano











AUMENTO DE 8,8%

Governo reajusta salário mínimo para R$ 788 a partir de 2015


A presidente Dilma Rousseff sancionou o aumento do salário mínimo. O valor básico para 2015 passa a ser de R$ 788, o que significa um aumento de 8,8% em relação ao valor pago em 2014 (R$ 724). A medida foi tomada um dia depois de o governo apresentar uma proposta que pode dificultar o acesso de empregados ao Fundo de Amparo ao Trabalhador e benefícios previdenciários.
De acordo com o Decreto Lei 8.381 publicado nesta terça-feira (30/12), a nova remuneração mínima para os trabalhadores passa a vigorar a partir do dia 1° de janeiro de 2015, próxima quinta-feira. O texto estabelece, também, que o valor mínimo para o dia de trabalho fica em R$ 26,27 e a hora, R$ 3,58. Segundo o texto, o valor segue a "política de valorização em longo prazo" do salário.
Segundo a tabela de preços do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo deveria ser de R$ 2.748,22 em janeiro deste ano. Ou seja, quase quatro vezes mais do que o montante pago. O valor apresentado pelo Dieese é calculado a partir do custo da cesta básica na cidade de São Paulo, considerando a determinação constitucional de o salário mínimo ser suficiente para suprir os gastos com moradia, alimentação, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.
FONTE: REVISTA CONSULTOR JURIDICO

Prefeitura e Suprg assinam convênio para revitalizaçãodo Porto Velho e entorno












Foi assinado, na manhã desta quinta (22), um convênio entre a Prefeitura do Rio Grande e a Superintendência do Porto do Rio Grande (Suprg) para a contratação de projetos para a revitalização do Porto Velho e entorno. A Suprg repassará R$ 737,425 mil para a Prefeitura para a readequação do Projeto Macadar, vencedor do concurso público de arquitetura para a Revitalização do Porto Velho realizado nos anos de  1997 e 1998 pelo Porto do Rio Grande. 


Durante o ato de assinatura do convênio, o secretário de Município de Coordenação e Planejamento, João Carlos Brahm Cousin, disse que este momento é de extrema importância para o Município. "Acreditamos que em 120 dias esses projetos executivos estejam prontos. Eles são a base para a busca dos recursos para a realização das obras. Uma parte bem significativa já está garantida pelo BNDES", salientou. 

O superintendente do Porto do Rio Grande, Dirceu Lopes, comentou que o Porto está cumprindo com a responsabilidade social. "Estamos aqui cumprindo com a nossa responsabilidade social com a cidade, juntamente com a Prefeitura do Rio Grande, a fim de que possamos trabalhar naquilo que é interface entre Porto e cidade. O Porto nasceu ali, onde tem todo um contexto cultural que tem que ser trabalhado. É um processo que temos gosto em fazê-lo, pois é importante entregar para o Município um espaço agradável e que respira histórias", destacou.  
Já o arquiteto Raul Macadar falou sobre a necessidade da criação dos novos projetos para  o Porto Velho e entorno. "O objetivo é revitalizar o entorno do cais para deixar um ambiente agradável para a convivência das pessoas. A cidade cresceu muito nos últimos anos e tornou-se mais  dinâmica e esse fato deixa mais necessário do que nunca a criação e atualização de projetos", apontou.  
Para o prefeito Alexandre Lindenmeyer,  a revitalização do Porto é de suma importância, pois, segundo ele, há a necessidade de fortalecimento do centro histórico do Rio Grande. "Precisamos fortalecer o nosso centro histórico, não podemos deixar no abandono. Temos que aproveitar ao máximo essa orla e esse Porto que é extraordinário, é onde  passa a história do Rio Grande", enfatizou.  
Lindenmeyer explicou que uma das principais carências do Município é a falta de projetos executivos. "Precisamos para viabilizar as obras. O nosso povo é que irá usufruir dessa área", concluiu.  
O prefeito afirmou que na próxima semana deverá ir até o Banco  Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentar os documentos assinados ontem. De acordo com Lindenmeyer, o BNDES sinalizou a possibilidade de um recurso para a revitalização do Porto e entorno, entretanto ainda há a necessidade da decisão final da diretoria do banco.
O oceanólogo e diretor do Museu Oceanográfico, Lauro Barcelos, aproveitou a oportunidade para parabenizar a Prefeitura e o Porto por assumirem o compromisso com este projeto. "Agradeço a todos que acreditam nesse projeto, que é um dos mais valiosos da cidade do Rio Grande. É um sonho muito antigo da nossa cidade. Agradeço ao BNDES, que sempre apoia e acredita nos projetos do Município", finalizou.
Histórico
Inicialmente, cabe recordar que o Concurso Público de Arquitetura para a Revitalização do Porto Velho do Rio Grande, desenvolvido pela Superintendência do Porto do Rio Grande, iniciado em 1997, objetivava selecionar um trabalho em nível de Plano Diretor para toda a área do Porto Velho e, em nível de Estudos Preliminares, para os projetos de Arquitetura dos Armazéns, de Tratamento Paisagístico, de Elementos de Microarquitetura (mobiliário urbano) e de Comunicação Visual Externa dessa mesma área. Essa etapa foi concluída ao final do ano de 1998, sendo escolhida pelo júri do Concurso a proposta da equipe composta pelos arquitetos Raul Macadar, Augusto Pernau e Alvaro Proto, de Porto Alegre/RS – Escritório Macadar & Proto.
De acordo com as regras desse concurso, os autores do melhor trabalho foram contratados para o desenvolvimento do Projeto Executivo Completo de Arquitetura do Armazém destinado ao Acervo Histórico do Porto do Rio Grande (museu / armazém 1); e do Projeto de Urbanização e Tratamento Paisagístico, de Elementos de Microarquitetura (mobiliário urbano) e de Comunicação Visual Externa do Porto Velho do Rio Grande, o que foi efetuado nos anos de 1999 e 2000.  
FONTE: JORNAL AGORA /  22-05-2014 - 20h06min

Projeto prevê a revitalização do porto velho de Rio Grande, no sul do Estado














Com apoio do BNDES e investimento inicial de R$ 50 milhões, intenção é ocupar armazéns com restaurantes, bares, espaço para exposições e museus

Uma ideia apresentada há mais de 20 anos para revitalizar o porto velho de Rio Grande pode finalmente sair do papel. Estimado em R$ 50 milhões, o projeto deverá ser concluído até dezembro, com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A expectativa é realizar as obras no cerca de 1,5 quilômetro de orla até 2019, a um investimento de pelo menos R$ 300 milhões. Como modelo, as áreas portuárias de Copenhague, na Dinamarca, e de Londres, na Grã-Bretanha. As duas cidades reúnem, perto da água, museus, restaurantes, exposições e até casas noturnas. O mesmo está previsto para Rio Grande, que terá como base projeto do arquiteto Raul Macadar, vencedor da primeira licitação para a obra, há mais de 20 anos.
Para garantir que a revitalização finalmente saia do papel, a prefeitura passou a captar os recursos. Mas não está sozinha: donas de áreas que terão reformas, a Superintendência do Porto (Suprg), a Fundação Cidade do Rio Grande e a Universidade Federal do Rio Grande (Furg) integram o grupo.
Entre as ideias, está a mudança na hidroviária. O local de acesso dos passageiros de lanchas que ligam Rio Grande e São José do Norte pela Lagoa dos Patos deverá ser transferido do atual ponto, ao lado do Mercado Público, para mais ao norte, onde atualmente saem as balsas que transportam veículos entre as duas cidades.
Os armazéns passarão a ser pontos de atividades multiculturais e gastronômicas e sediarão eventos, como shows, peças teatrais e apresentações.
A intenção de quem aposta no projeto é que, além do aproveitamento durante o dia, a vida noturna migre para o lugar, que será chamado de porto histórico.
— Um porto nunca é velho. Ele é sempre novo para quem chega pela primeira vez — justifica o diretor do Museu Oceanográfico, Lauro Barcelos, um dos coordenadores do projeto de revitalização.
FONTE: ZERO HORA / por Rafael Diverio / 14/10/2013 | 06h04

Estação das Docas inspira Porto Novo de Recife
















A Estação das Docas, um dos pontos turísticos mais importantes de Belém e modelo nacional em recuperação do patrimônio histórico, agora serve também como referência para a reforma do Porto de Recife, em Pernambuco. O projeto tem o objetivo de transformar uma extensão de 1,5 km do ancoradouro da cidade, que abriga nove armazéns, em um grande polo de turismo, serviço e lazer na capital pernambucana. A obra deve estar pronta antes da realização da Copa do Mundo de 2014.


O Porto Novo do Recife, como será chamado, prevê a reforma de oito antigos armazéns onde serão desenvolvidos os mais variados tipos de serviços e atividades, desde escritórios comerciais, HOTEL, bares, restaurantes, pontos comerciais e espaços de entretenimento, exposições e eventos, entre outros.
A idéia é que parte do investimento para realização do projeto denominado Porto Novo, que prevê a reforma e construção de dois dos armazéns que abrigarão o Centro de Artesanato de Pernambuco e Cais do Sertão Luiz Gonzaga, venha dos cofres dos governoa de Pernambuco e Federal, através do Ministério da Cultura (Minc). O restante, sete antigos galpões, serão arrendados para iniciativa privada. Ao todo, estão sendo investidos R$ 25.767.937,30 milhões na obra, que abrigará ainda um Terminal Marítimo de Passageiros.
A informação de que o Porto Novo do Recife tem inspiração na Estação das Docas, cujo projeto é assinado pelo arquiteto e atual secretário de Cultura do Pará, Paulo Chaves Fernandes, foi repassada pelo Governo de Pernambuco a cerca de 40 jornalistas ligados à Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo (Abrajet), durante reunião do conselho da entidade, no início deste mês, em Gravatá, Pernambuco. Na ocasião o secretário de Turismo do Estado, Alberto Feitosa, citou a Estação das Docas como um projeto exemplar para o turismoOs jornalistas, que já conhecem a Estação das Docas e a importância que tem para o turismo brasileiro, elogiaram a iniciativa.
Estação das Docas - Resultado de um investimento de R$ 19 milhões do governo estadual, a Estação das Docas foi a primeira 'janela para o rio', concebida para valorizar as belezas naturais da capital paraense, fortalecendo a relação com os visitantes e também com os ribeirinhos, barqueiros e outros segmentos que fazem do rio as suas ruas. O espaço, que já chegou a receber, diariamente, cerca de duas mil pessoas, gera 600 empregos diretos e 1.800 indiretos.
Com fortes características amazônicas, o complexo turístico e cultural é composto por 500 metros de orla fluvial do antigo porto de Belém, cuja construção foi iniciada pelo engenheiro e advogado norte-americano Percival Farqhuar, em 1906. São 32 mil metros quadrados divididos em três armazéns e um terminal de passageiros. O Armazém 1 foi batizado de Boulevard das Artes. O Armazém 2 passou a ser o Boulevard da Gastronomia. O Armazém 3 é conhecido como Boulevard das Feiras e Exposições.
O complexo possui, ainda, o Teatro Maria Silvia Nunes, com capacidade para 428 lugares, e o anfiteatro do Forte de São Pedro Nolasco. Todos passaram por um criterioso processo de restauração, realizado pelo arquiteto Paulo Chaves, secretário de Cultura à época da implantação do projeto, que assina outras obras importantes de revitalização do patrimônio paraense - como o antigo presídio São José Liberto (hoje Pólo Joalheiro), o Complexo Feliz Lusitânia (que resulta de um conjunto de obras na Cidade Velha, primeiro bairro de Belém) e o Mangal das Garças, entre outros.
Os três galpões que deram lugar à Estação das Docas, são em ferro inglês, um exemplo da arquitetura característica da segunda metade do século XIX. Já os guindastes externos, marcas registradas da Estação, foram fabricados nos Estados Unidos, no começo do século 20. Também desperta atenção uma máquina a vapor de meados de 1800, que antes fornecia energia para os equipamentos do porto.
As ruínas do Forte de São Pedro Nolasco, onde foi construído um Anfiteatro, foram originalmente construídas para a defesa da orla em 1665. O espaço foi destruído após o Movimento da Cabanagem, em 1825, e revitalizado para a inauguração da Estação.
Promoção - A Estação das Docas é hoje um dos produtos turísticos prioritários levados a feiras e eventos pela Companhia Paraense de Turismo (Paratur), em cumprimento a sua missão de promover e divulgar o turismo do Pará. Em julho de 2011, por exemplo, foi tema do estande que marcou a participação do Pará no 60º. Salão do Turismo – Roteiros do Brasil, realizado em São Paulo pelo Ministério do Turismo. Uma réplica da Estação encantou os visitantes da feira, que contou com a visitação de aproximadamente 100 mil visitantes.
Paixão de Cristo -  Um outro projeto turístico do Pará está relacionado diretamente ao Estado de Pernambuco. Trata-se da 'Paixão de Cristo, Paixão do Povo', realizada no mês de abril em Barcarena, inspirada no espetáculo Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, que acontece na Fazenda Nova, vila do distrito Brejo da Madre de Deus, em Pernambuco. A intenção de Arildo Poça, idealizador do espetáculo que realiza em Barcarena com apoio da Paratur, é fortalecer o turismo daquele município, da mesma forma que ocorreu em nova Jerusalém, que este ano viveu sua 45ª edição e contou com um público de cerca de 100 mil pessoas. 
Benigna  Soares
Secretaria de Estado de Turismo do Pará

quarta-feira, janeiro 07, 2015

Lei que define crimes de racismo completa 25 anos

















 Foi criada há exatos 25 anos a Lei 7.716, que define os crimes resultantes de preconceito racial. A legislação determina a pena de reclusão a quem tenha cometidos atos de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Com a sanção, a lei regulamentou o trecho da Constituição Federal que torna inafiançável e imprescritível o crime de racismo, após dizer que todos são iguais sem discriminação de qualquer natureza.


A lei ficou conhecida como Caó em homenagem ao seu autor, o deputado Carlos Alberto de Oliveira. A partir de 5 de janeiro de 1989, quem impedir o acesso de pessoas devidamente habilitadas para cargos no serviço público ou recusar a contratar trabalhadores em empresas privadas por discriminação deve ficar preso de dois a cinco anos. 

É determinada também a pena de quem, de modo discriminatório, recusa o acesso a estabelecimentos comerciais (um a três anos), impede que crianças se matriculem em escolas (três a cinco anos), e que cidadãos negros entrem em restaurantes, bares ou edifícios públicos ou utilizem transporte público (um a três anos). Os funcionários públicos, tratado na lei, que cometerem racismo, podem perder o cargo. Trabalhadores de empresas privadas estão sujeitos a suspensão de até três meses. As pessoas que incitarem a discriminação e o preconceito também podem ser punidas, de acordo com a lei.
Apesar da mudança no papel, os negros ainda sofrem racismo e frequentemente se veem em situação de discriminação. Para o coordenador nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais e Quilombolas (Contaq), no campo legislativo pouca coisa mudou desde que a escravidão foi abolida, em 1888. “A realidade continua a duras penas. Desde o começo, muitos foram convidados para entrar no Brasil, o negro foi obrigado a trabalhar como escravo”, disse, citando leis como a da Vadiagem, a proibição da capoeira e o impedimento à posse de terras.
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios, divulgada em setembro de do ano passado, 104,2 milhões de brasileiros são pretos e pardos, o que corresponde a mais da metade da população do país (52,9%). A diferença não é apenas numérica: a possibilidade de um adolescente negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior do que a de um branco, de acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
De 1989 para cá, outras legislações importantes na luta contra o preconceito racial foram criadas, como o Estatuto da Igualdade Racial (2010) –, e a Lei de Cotas (2012), que determina que o número de negros e indígenas de instituições de ensino seja proporcional ao do estado onde a universidade esta instalada. “Essas são ações muito importantes de reparação. Tem alguns fatores que a gente ainda precisa quebrar para que o negro tenha direitos e oportunidades reais”, acredita Biko.
 
Para denunciar o crime de racismo ou injúria racial, o cidadão ainda não tem à disposição um telefone em todo o Brasil. Mas unidades da Federação têm criado os seus próprios, como o Distrito Federal (156, opção 7) e Rio de Janeiro (21-3399-1300). Segundo Biko, é importante saber quem é de onde são as pessoas que cometem tal crime. “Sem dúvida, quando mais espaço de denúncia a gente tiver, mais reforça a luta conta a esse processo de segregação racial que a gente ainda vive nesse país”, avalia.

FONTE: Agência Brasil 

terça-feira, janeiro 06, 2015

Dodô, a pioneira












HOMENAGEM A UMA GRANDE BALUARTE

Este é o capítulo dedicado a Dodô no livro "Onze mulheres incríveis do carnaval carioca", editado pela Verso Brasil na coleção Cadernos de Samba. Reverência à grande dama portelense, que morreu hoje, aos 95 anos.

Uma das capitais da politeísta religião chamada Carnaval, Madureira embarcou numa emocionante viagem ao passado no desfile de 2004. As três escolas da região levaram à Passarela sambas e histórias de tempos gloriosos, para encantar a plateia. O Império Serrano ressuscitou “Aquarela brasileira”, preciosidade criada por Silas de Oliveira para a festa de 1964; a Tradição pegou emprestado “Contos de areia” (1984), da Portela, seu berço; e a azul e branco da Águia presenteou o público com “Lendas e mistérios da Amazônia”, obra-prima que passou pela primeira vez em 1970. Junto, celebrou uma pioneira da folia, consagrada madrinha de sua bateria: Dodô.
Não era pouca coisa. Aquele lugar à frente dos ritmistas estava há tempos reservado (salvo exceções) para “modeletes”, marombadas e oportunistas em geral. Numa prova – mais uma – do feitiço que só o Carnaval ostenta, a plateia de turistas decifrou o significado da cena e bateu palmas com vontade. Liderada pela veterana (entre outros baluartes), a Portela fez seu melhor desfile em muitos anos.
Quando a maior campeã da folia carioca decidiu escalar uma senhora, então com 84 anos, para ocupar o posto, encenou um espetáculo de dignidade. Magra, impecável em azul Portela, o olhar altivo mirando o horizonte, entre acenos majestosos para o público, Dodô dizia tudo sem falar nada – nessa Avenida colorida, ela chegou primeiro.
Não na do século XXI, gigantesca e cosmopolita, mas na que deu origem à odisseia dos bambas. Mais precisamente, na noite do domingo 3 de março de 1935, guardada por seu Antônio, o mestre-sala, quando ela conduziu o pavilhão pela Praça Onze até o primeiro título da Portela, com apenas 15 anos. Num tempo em que adolescentes não se misturavam com sambistas – ainda associados a marginais, por causa da lei dos brancos que até pouco antes os perseguia –, Dodô quebrou regras em nome da paixão descoberta pouco antes, que lhe acompanharia pela vida afora.
Maria das Dôres Rodrigues chegara criança, aos 4 anos, de Barra Mansa, no sul do estado do Rio de Janeiro, onde nasceu. Migrara com a mãe, Otília, e os irmãos para a capital, fugindo da miséria que assolava o Vale do Paraíba em razão da decadência da cultura cafeeira, e foi morar no Morro da Providência (a primeira comunidade popular carioca, antes conhecida como Favela, o nome que a história transformou em gênero), atrás da Estação Central do Brasil. A família se instalou numa casa ampla, no fim da Ladeira do Faria, junto à Ladeira do Barroso, bem no alto da encosta.
Para os brasileiros que viviam pendurados nas favelas – berços, benza Deus, da cultura popular –, desafiando o país historicamente hostil aos pobres, a vida profissional começava cedo. Para Dodô, pouco antes de completar 14 anos, quando conseguiu um emprego de empacotadora numa fábrica à Rua Visconde de Gávea, no pé da Providência, que produzia embalagens de papelão para a Casa Granado, tradicional rede de farmácias do Rio. Quiseram os orixás que ela fosse trabalhar na mesa comandada por Doralice Borges da Silva, ou somente Dora, outra jovem, moradora de Oswaldo Cruz, subúrbio do ramal da Central. Com ela trabalhavam Rosinha, Laudelina e Miranda, vizinhas de bairro e parceiras na Vai Como Pode, escola que existia por lá.
Na hora do almoço, Dodô, a caçula delas, ia comer em casa, ali perto. Um dia, Dora convidou: “Amanhã, traz uma marmita e fica com a gente, você vai gostar.” No dia seguinte, a novata descobriu sua maravilha particular. As colegas comiam rapidamente para sambar até o fim do intervalo, batucando e cantando músicas da escola.
Dodô ficou encantada com aquele ritmo, aquele bailado. Mas se lembrou que, nas poucas vezes em que vira uma escola de samba, notou especialmente a presença de uma componente que rodopiava, majestosa, com a bandeira. E achou seu lugar. “Peguei meu guarda-pó, prendi num cabo de vassoura e comecei a rodar”, recorda ela, lúcida e bem-humorada, que premia seus interlocutores com a memória prodigiosa, o vocabulário divertido dos sambistas e um sem-número de histórias incríveis.
No fim da primeira apresentação, Dora, totalmente seduzida, jogou a isca. “Quando faltar uma porta-bandeira na escola, vou te levar”, avisou. A novata conheceria, afinal, nomes que se acostumou a ouvir no trabalho, personagens das histórias contadas pela amiga. As aventuras de Claudionor, Benício, Manoel Bam-Bam-Bam; a voz vigorosa de Ventura e João da Gente, comandante da bateria que ditava o ritmo dos sambas compostos por Alcides e Alvarenga; a dança mágica de seu Antônio, mestre-sala, com as porta-bandeiras Cecília, Braulina e Aidéia, nos ensaios realizados na rua. Mais do que qualquer outro, conheceu Paulo Benjamin de Oliveira, o Paulo da Portela, líder daquilo tudo.
Como descreve a própria Dodô, na sua gíria atualizada, “não prestou”. “Sem saber o que estava fazendo, eu fazia mais. Chegava em casa, pegava o cabo de vassoura, ia para a sala e começava a rodar”, descreveu ela, numa entrevista a Luis Carlos Magalhães e João Gustavo Melo, em 2012. Não parava nem diante dos acidentes com porta-retratos, quadros e outros objetos, tampouco pelo castigo que vinha em seguida. “Mamãe pegava a vara de marmelo e vapt na minha perna. ‘Está pensando que isso aqui é escola de samba?’” No alto da Providência podia não ser – mas a menina estava a caminho de se tornar uma estrela das mais importantes.
Estava em boas mãos. Espécie de diretora social não formalizada, Doralice vivia os ensaios e os preparativos para o Carnaval como rainha na Vai Como Pode, a futura Portela. (Nada a ver com as rainhas de bateria contemporâneas; no início, as escolas passavam livros de ouro em suas comunidades e leiloavam cargos para turbinar a arrecadação de recursos.) A essa altura, Dodô estava completamente seduzida pela possibilidade de integrar a escola. Os almoços passaram a ser com as amigas na fábrica, um ligeiro engolir de comida para iniciar a festa o mais rapidamente possível e girar ao som do samba, o avental branco como encenação para a bandeira que iria conduzir muito em breve.
Ela invocou todo o amor que sentia pelo samba para convencer a mãe a levá-la de bonde até Oswaldo Cruz, ninho dos bambas reunidos na Vai Como Pode. Paulo, o líder que viraria lenda com o sobrenome “da Portela” (ganho, aliás, antes da criação da escola, por causa do endereço, Estrada do Portela), achou um despropósito. “Não dá, ela é muito nova, uma criança”, reprovou. Dora tinha certeza de sua escolha e insistiu, argumentando com os ensaios da hora do almoço na fábrica.
Seu Antônio, o mestre-sala, foi convocado. “Vê se essa menina dá para porta-bandeira. Se der, tudo bem”, determinou o chefe. Nesse primeiro encontro, o professor deu as dicas de como funcionaria na pista. Quando jogar o lenço para cima, quando esticar a mão, quando pedir a mão da parceira. No fim do curto ensaio, ele voltou a Paulo com a resposta – na verdade, uma profecia: “Essa menina vai ser uma grande porta-bandeira.”
A tradição da época mandava que somente senhoras ocupassem o posto, guardadas por homens maduros como mestres-salas. Mas o entusiasmo e o talento de Dodô derrubaram todos os protocolos – a ponto de convencer a direção da azul e branco a providenciar documentos que falseavam sua idade. Para o juiz de menores, ela tinha 19 anos naquele 1935, quatro a mais do que a realidade.
A dança, nas origens, também tinha outros rigores. No começo do desfile, a porta-bandeira segurava a ponta do pavilhão; só depois de rodar três vezes soltava, para bailar com ele aberto diante do público. O mestre-sala era bem menos acrobático do que no espetáculo contemporâneo e se preocupava em guardar a dama, ainda no conceito original do casal. Outros tempos, outros tempos.
“Quando tocar o sinal, você entra”, avisou seu Antônio, na única contribuição que deu à sua nova parceira, na hora da apresentação. “Ninguém me ensinou, foi na garra”, confirma Dodô, que, depois de sair campeã da Praça Onze, garantiu lugar entre os portelenses essenciais.
Ao longo do ano, frequentava a quadra da escola, participava de todos os eventos, sempre em companhia da mãe. Antes de ir, era obrigada a rezar o terço. Tentando apressar o ritual, a menina pulava orações, mas dona Otília percebia – e a filha tinha de começar tudo outra vez, a tempo de chegar para o ensaio, que começava às 20h e terminava às 23h. Pontualmente.
Em maio daquele 1935, a Vai Como Pode foi rebatizada por ordem de Dulcídio Gonçalves, o delegado de Costumes. Para que a atividade de sambar fosse permitida, era necessária a inscrição como grêmio recreativo (porque a burocracia é tão brasileira quanto o Carnaval), e a autoridade constituída não simpatizou com o nome. Após alguns instantes de indecisão, o doutor perguntou o endereço da escola. Como ficava na Estrada do Portela, ganhou seu nome definitivo – Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, aquela que, no futuro, seria a maior campeã da festa carioca.
A comemoração da mudança se deu no Dia do Trabalhador, 1º de maio, quando Dodô recebeu o pavilhão recém-criado, o azul e o branco em raios, inspirado na então bandeira do Japão (que depois da Segunda Guerra Mundial perderia o desenho, sobrando apenas o Sol nascente, vermelho, no meio). Ao centro, a águia – a ave que voa mais alto – sobre um pandeiro, emoldurada pela frase “Honra ao mérito”. (Ela guardou a bandeira em sua casa pelos anos afora, perfeitamente conservada, pronta para voltar à Avenida.)
Conforme o Carnaval se aproximava, Dodô dedicava o tempo livre à fantasia que usaria. Ela mesmo bordava suas roupas, na casa da Providência, fazendo os vestidos a seu gosto, formais, sem decotes, com o luxo devido à função. Independente, nunca quis ajuda – nem aceitava palpites. Jamais contou com qualquer auxílio da Portela para confeccionar seus trajes carnavalescos; beneficiou-se, sempre, da aptidão de costureira profissional e dos descontos incríveis que conseguia nas boas lojas do ramo. Cruzou a vida fiel a seu jeito, mesmo depois de se casar, “aos vinte e poucos anos”, com Aloísio – “o meu crioulo”, como ela prefere – um estivador mangueirense, folião da Índios da Açaú (escola da rua do mesmo nome, no Engenho Novo), que ela conheceu num baile em Irajá.
As lembranças das jovens jornadas carnavalescas são apaixonantes, como ela mesmo descreveu numa entrevista ao site Democracia Viva, do Portal do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), em 2004. “Na Portela, sempre foi tudo muito emocionante… A cada novo campeonato, os compositores me carregavam no colo. O resultado era na hora, e os jurados não ficavam longe como hoje. Eles olhavam e pegavam na bandeira, botavam a mão na roupa da porta-bandeira e do mestre-sala, olhavam toda a nossa elegância. Nós dois não podíamos de jeito nenhum dar as costas para os jurados, a gente tinha que dançar olhando e sorrindo para eles”, relembrou, descrevendo o julgamento da época, que avaliava a bandeira, além do casal.
Com o pavilhão portelense, Dodô ganhou outros dez títulos – sete deles consecutivos, na famosa sequência de 1941 a 1947 –, na competição carnavalesca que peregrinou pela Praça Onze e pelas Avenidas Rio Branco e Presidente Vargas. Seu guru, Paulo da Portela, esteve com ela e com a escola somente até 1941, mas rompeu antes do Carnaval e se mudou para a pequenina Lira do Amor. (Um dos mais importantes sambistas de todos os tempos, ele morreu em janeiro de 1949, fulminado por um enfarte, aos 47 anos.) Mas Dodô já era da azul e branco, muito além de nomes e pessoas.
No fim da década de 1940, a escola ganhou um patrono lendário, o bicheiro Natalino José do Nascimento, o Natal da Portela, líder forte na harmonia da Avenida e no xadrez dos bastidores. Para o Carnaval de 1957, ele estava encantado com o talento de uma jovem porta-bandeira chamada Vilma, e procurou a titular. “Dodô, ela quer ser porta-bandeira”, arriscou, recebendo resposta lacônica – e digna: “O pavilhão está às ordens.”
Como o amor, quando legítimo, despreza postos e vaidades, a primeira campeã com a Portela aceitou o capricho do chefe e foi ser segunda porta-bandeira. Sem crise. Reestreou no novo cargo dia 3 de março de 1957, cruzou a Rio Branco com o empenho e a competência de sempre, para conquistar mais um título, sob o enredo “Legados de D. João VI”. A azul e branco de Oswaldo Cruz transformara-se num dream team de bambas, e Dodô passou a conviver com lendas como Candeia e Monarco – além da própria Vilma, que justificou o prestígio com seu talento impecável. A bandeira da águia estava em boas mãos.
Até 1960, a Portela foi tetracampeã, resultado da competência de seus craques na Avenida e do trabalho intenso do patrono Natal nos bastidores. Dodô conduziu a “segunda” bandeira ainda nas vitórias de 1962, 1964 e 1966. Neste último, o do enredo “Memórias de um sargento de milícias” – cantado no samba de um jovem compositor chamado Paulinho da Viola –, esperou terminar a festa e comunicou que fora seu derradeiro desfile como porta-bandeira. Tinha 46 anos e inacreditáveis dezoito títulos.
Consolidada como baluarte, assumiu novo posto como comandante da Ala das Damas (vencedora do Estandarte de Ouro em 1991). Na primeira metade da década de 1970, a escola ganhou novo presidente, o bicheiro Carlos Teixeira Martins, o Carlinhos Maracanã, que presenteou Dodô com uma loja dentro do Portelão, a quadra inaugurada em 1972. Lá, recebia os turistas no ritmo de recordações emocionantes e frases divertidas, para vender camisetas e suvenires da Portela, até que outro presidente, Nilo Figueiredo (2005-2013), fechou o lugar. Eleito em 2013 para o cargo, o partideiro e cavaquinista Serginho Procópio, integrante da famosa Velha Guarda da escola, fez justiça à grande portelense e devolveu-lhe a loja na quadra, reformada em 2012.
Dodô merece. Em 2000, no aborrecido Carnaval temático, por causa dos 500 anos do Descobrimento do Brasil, a escola, já mergulhada na crise que lhe impôs um imenso jejum de títulos – o último fora em 1984 –, fez um desfile opaco, mas a veterana foi um dos pontos altos da festa, ao voltar a empunhar o pavilhão azul e branco. Cruzou a Passarela do Samba com empenho igual aos tempos adolescentes e emocionou o público. Um mérito raro na esmaecida Portela, que conseguiu apenas o 7º  lugar.
Como vários fiéis da religião samba, a eterna primeira porta-bandeira lembra com saudade das muitas vitórias que protagonizou. Colecionadora minuciosa de vestidos, bandeiras, faixas, troféus e todo tipo de recordação da sua trajetória, acabou por transformar o segundo andar de sua casa, no mesmo Morro da Providência de sempre, num incrível museu do Carnaval. O azul e o branco, claro, dominam o lugar, onde Dodô recebe orgulhosa os visitantes, que ouvem fascinados a história e as histórias da anfitriã. Só não adianta procurar imagens da família. “Tenho fotos da minha mãe e do meu crioulo, mas não boto na parede. Prefiro assim”, avisa ela, que não teve filhos.
O Carnaval a levou de volta à sua Barra Mansa, onde batizou uma escola de samba. Vez ou outra, vai lá para ser homenageada. “A casa onde a gente morava ainda existe. Está escrito até hoje: Vila Otília”, conta, feliz, ao citar o nome da mãe.
O passado de glórias estará para sempre presente na vida de Dodô, que, quase um século depois de iniciar sua jornada carnavalesca, continuava desfilando além dos 90 anos de idade, lúcida e feliz. Ela viu tudo – todas as sucessoras no quesito do qual foi precursora, os bambas lendários da grande festa carioca, os desfiles da pioneira Praça Onze à milionária Passarela do Samba – e sabe o valor da alegria. A ponto de, no balanço que se permite fazer da própria vida, não ter dúvida. “Na outra encarnação quero vir eu. Do jeito que eu sou.”
O Carnaval só tem a agradecer.
FONTE: Aydano André Motta / CHOPE DO AYDANO

PSOL repudia alterações nos direitos trabalhistas e reafirma disposição de luta em 2015











Fortaleceremos as iniciativas desatadas
 pelos movimentos sociais para lutar
 por mais direitos e barrar qualquer
 ofensiva contra os trabalhadores.


Dois dias antes da posse para seu segundo mandato, a presidenta Dilma Roussef (foto: à esquerda) anunciou, através do Ministro-Chefe da Casa Civil (foto: à direita), alterações nas regras para a concessão de cinco benefícios previdenciários: seguro-desemprego, auxílio defeso, pensão por morte, abono salarial e seguro-doença. As mudanças fazem parte do chamado "ajuste fiscal" que o governo tem feito com o objetivo de enxugar os investimentos públicos e, assim, economizar o suficiente para seguir bancando a farra dos especuladores que lucram com as altas taxas de juros praticadas pelo governo brasileiro. A estimativa do governo é que estas medidas "economizem" até R$ 18 bilhões de reais.

Esse ataque aos direitos dos trabalhadores visa dificultar o acesso a esses benefícios. Um pescador artesanal, por exemplo, agora terá que trabalhar três anos sem qualquer amparo antes de requerer o auxílio-defeso, benefício pago pelo governo no período em que a pesca é proibida devido à reprodução dos peixes. A pensão por morte, por sua vez, só será paga ao dependente se quem morrer tiver contribuído por, pelo menos, 24 meses. Assim o governo institui uma espécie de "carência" aos moldes dos planos de saúde privados, impedindo que este benefício seja concedido a milhões de pessoas que dele necessitarão a partir de agora. Quanto ao seguro-desemprego, essencial para garantir uma recolocação no mercado de trabalho, só será concedido caso o trabalhador tenha tido ao menos 18 meses de carteira assinada, triplicando o tempo exigido atualmente. Um absurdo num mercado de trabalho com alto índice de rotatividade!

Tudo isso serve a um propósito: ajustar as contas para agradar o mercado e o grande capital. Ao invés de cobrar a conta da crise econômica dos bilionários que seguem lucrando como nunca, o governo opta por dividir a fatura da crise com quem mais precisa: os desempregados, os dependentes que perdem seus companheiros ou companheiras, os pequenos pescadores, os trabalhadores que se afastam do trabalho por doenças que o impeçam de continuar com suas atividades laborais.

E tudo feito no apagar das luzes de 2014 com o beneplácito de centrais sindicais vendidas ao governo, sem qualquer autonomia para opor-se a este ataque aos direitos trabalhistas e previdenciários! Com isso, Dilma demonstra que seu governo, longe do que foi proclamado por ela no segundo turno das eleições, será marcado por mais arrocho e menos direitos para os mais pobres e aqueles que vivem do seu trabalho.

O PSOL repudia as medidas anunciadas pelo governo e reafirma seu compromisso com os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. Teremos um 2015 de muitas lutas, enfrentando desde já todos aqueles que atacarem os direitos do povo brasileiro. Para isso, fortaleceremos as iniciativas desatadas pelos movimentos sociais para lutar por mais direitos e barrar qualquer ofensiva contra os trabalhadores. Se o governo e os patrões terminarão 2014 atacando os direitos trabalhistas e previdenciários, começaremos 2015 de pé, lutando contra este e outros retrocessos que as elites tentarão impor.
Venceremos!
Executiva Nacional do PSOL
30 de Dezembro de 2014.

Operários da Volkswagen de São Bernardo aprovam greve contra demissões









Montadora demite 800 funcionários no ABC paulista e já afirmou que haverá mais demissões



Na manhã desta terça-feira, 6 de janeiro, os trabalhadores da Volkswagen de São Bernardo, região do ABC paulista, decidiram em assembleia iniciar uma greve por tempo indeterminado contra as demissões anunciadas pela empresa aos trabalhadores por carta durante o último final de semana. As demissões foram confirmadas quando os trabalhadores voltavam ao trabalho nesta terça, depois das férias coletivas. As primeiras demissões atingem até agora cerca de 800 trabalhadores mas, de acordo com a própria carta enviada pela empresa, as demissões devem atingir um número maior de empregados.

A decisão tomada em assembleia pelos trabalhadores da VW é muito importante, pois aponta um caminho correto para o enfrentamento com estas empresas. Trata-se de um abuso absurdo as demissões.
 
Esta decisão dos trabalhadores da VW é muito importante e podemos estar frente ao primeiro grande fato político no novo governo onde o protagonismo é dos trabalhadores em luta. Trata-se de um acontecimento importante, em primeiro lugar porque sinaliza disposição dos trabalhadores de enfrentar a chantagem e a ganância de lucros destas multinacionais. Em segundo lugar, porque tende a colocar em xeque, de forma mais categórica, todo o discurso do governo do PT.
 
Além das demissões anunciadas na VW, também a Mercedes Benz em São Bernardo do Campo acaba de demitir cerca de 250 de seus empregados que estavam em Lay Off, sem falar nas demissões que houve no Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. A queda de vendas dos carros no ano passado não justifica de forma alguma estas demissões.
 
Ganância de lucros das multinacionais
Só de recursos públicos (redução de impostos e outros benefícios), as montadoras de veículos receberam mais de 27 bilhões de reais nos últimos 10 anos, e a justificativa era justamente a “garantia do emprego dos trabalhadores”.
 
Estas empresas enviaram para o exterior, apenas nos últimos 8 anos, mais de 10 bilhões de dólares em remessa de lucros. Este dinheiro daria para cobrir o salário dos empregados agora demitidos por anos a fio sem que tivessem de produzir um carro sequer. Ou seja, as demissões são fruto apenas da ganância por lucros destas multinacionais, simples assim. O emprego e as condições de vida de milhares de famílias de trabalhadores, sem falar nas outras conseqüências econômicas e sociais destas demissões, são sacrificadas em nome da incessante busca por lucro.
 
Para além do discurso do governo Dilma, qual será a prática? 
Dias atrás, a presidenta Dilma assumiu seu segundo mandato falando que faria um “ajuste na economia sem sacrificar os trabalhadores e os pobres”. Já vimos que este discurso foi desmentido por ela mesma ao autorizar os cortes de direitos trabalhistas e sociais anunciados em dezembro ainda pela sua equipe econômica. Mais de 18 bilhões cortados do seguro desemprego, auxilio doença, pensão por morte, etc. E, agora, como vai ser com relação ao emprego? O governo vai permitir, como sempre aconteceu em nosso país, e ao contrário do que prometeu, que o custo da crise econômica recaia mais uma vez sobre as costas dos trabalhadores e dos pobres?

Nota-se que as demissões, contrariando a propaganda oficial, já estão “correndo solto” em vários setores da economia. Nesta terça mesmo, dia 6 de janeiro, o SINTEPAV da Bahia (Sindicato dos Trabalhadores na Construção Pesada) denuncia a demissão de 500 e férias coletivas para mais 1000 trabalhadores no Estaleiro Naval Baiano. De acordo com o sindicato, a perspectiva que se apresenta é de fechamento da empresa, com a perda de mais de 3 mil postos de trabalho. No Rio Grande do Sul (Charqueadas), mais de mil trabalhadores foram demitidos na IESA. Estes dois processos, na Bahia e no Rio Grande do Sul, estão relacionados à crise aberta com o escândalo da Lava Jato que deve ampliar-se. Há dezenas de milhares de trabalhadores das empreiteiras envolvidas no escândalo da Petrobrás que estão com seu emprego ameaçado neste momento. Em Minas Gerais, as demissões contam-se aos milhares no setor de Ferro Ligas e de Alumínio, além do setor automotivo.
 
O governo não pode ficar inerte em uma situação como essa. Tem responsabilidade concreta com essa situação, pois trata-se de um problema social grave e o governo tem instrumentos jurídicos e políticos para agir. Os trabalhadores e trabalhadoras de todo o país que votaram na presidenta Dilma já tiveram uma decepção com o anúncio do corte de direitos anunciado pelo governo em dezembro. Esta decepção vai se repetir agora? O governo vai adotar medidas concretas para impedir as demissões? Ou o governo do PT só age quando é para atender as empresas? É preciso sair do discurso para a adoção de medidas concretas.
 
O governo pode e deve baixar uma medida provisória que proíba as demissões. Se o governo baixou dezenas de medidas provisórias para ajudar as empresas durante todos estes anos, destinando a elas mais de 27 bilhões de reais em recursos públicos, porque não pode tomar uma medida para ajudar os trabalhadores neste momento?
 
O governo pode e deve estatizar as empresas que insistirem em demitir em massa, e colocá-las sob controle dos próprios trabalhadores, garantindo o emprego de todos. E não apenas no caso das montadoras, mas também das empreiteiras da construção civil que estão demitindo em massa no país. Afinal, quem deve ser punido com o escândalo da Petrobras são os corruptos e corruptores responsáveis por esta situação, e não os trabalhadores.
 
O governo pode e deve proibir de uma vez por todas a remessa de lucros para o exterior por parte destas multinacionais. Com o dinheiro que é remetido para fora do país, elas poderiam muito bem manter o emprego dos trabalhadores em nosso país.
 
Esta luta não é só dos operários da VW 
Os operários da VW estão fazendo a sua parte. Mas a dinâmica desta luta e seu resultado não depende apenas deles. Estão enfrentando uma empresa poderosa, e o governo petista não tem se mostrado afeito a apoiar os trabalhadores nestas situações. Isso sem falar nas já conhecidas posições políticas da direção do seu sindicato.
 
A diretoria do sindicato defendeu a greve na assembleia, mas ao mesmo tempo fez um balanço negativo da decisão tomada pela assembleia de dezembro em que os trabalhadores recusaram a proposta da empresa e do sindicato que diminuía salário e direitos para manter o emprego. Ou seja, o sindicato continua a defender o seu PPE (Plano de Proteção ao Emprego) que na verdade é um ataque contra os direitos dos trabalhadores para favorecer a empresa. Vai ser preciso muita firmeza dos trabalhadores da VW. Esta é a primeira razão pela qual é preciso cercar de solidariedade esta greve.
 
Mas há outra razão que nos leva a dizer que esta luta não é só dos operários desta empresa. As demissões não ocorrem só na VW, atinge também outras montadoras, além de atingir outros setores da industria. É preciso chamar a unidade e adotar iniciativas concretas que permitam unir nesta luta todos estes setores, estendendo a greve para todas as fábricas onde isso for possível. É preciso transformar a luta dos operários da VW em uma luta de todos os trabalhadores das montadoras do país. A primeira responsabilidade em tomar estas iniciativas é do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
 
A luta é contra as demissões e contra o corte de direitos trabalhistas e sociais
Além da responsabilidade dos Sindicato do ABC, é fundamental também o papel das Centrais Sindicais que podem e devem ser um ponto de apoio fundamental para este processo. Não só impulsionando a solidariedade de todos os sindicatos do país aos trabalhadores em greve, mas adotando medidas concretas de extensão e unificação da luta. E, na medida em que a luta contra as demissões, pode e deve se somar a luta contra os cortes de direitos trabalhistas e sociais adotadas pelo governo em dezembro. Esta luta  também é de toda a classe trabalhadora. Este é o esforço central que devemos todos fazer para unir na luta a classe trabalhadora e os setores explorados do nosso país.
 
Todo apoio a greve dos operários da VW/ABC!
 
Reintegração imediata de todos os demitidos!
 
Os patrões é que devem arcar com os custos da crise na economia! Medida provisória que proíba as demissões, já! Estatização de todas as empresas que demitirem em massa!
 
Os trabalhadores não podem aceitar mais sacrifícios! Exijamos do Congresso Nacional a rejeição dos cortes de direitos anunciados pelo governo!

FONTE: PSTU/ ZÉ MARIA

Quem é o vilão da violência na cidade de SP: o adulto ou o adolescente?






Profissão Repórter investiga questão durante dois meses. Boa parte dos que defendem a redução da maioridade penal não sabem a resposta.


Em sua opinião, quantos são os assassinatos cometidos na cidade de São Paulo por adolescentes com menos de 18 anos de idade?
“Uns 80 por cento”, respondeu uma funcionária pública aposentada da Zona Leste e amiga de uma mãe de menor infrator.
“90 por cento”, disse o empresário de uma construtora da Zona Oeste, vítima de um assalto praticado por um adolescente.
“Mais da metade”, disse uma colega jornalista de uma emissora de TV.
A resposta correta foi revelada por uma pesquisa inédita, exibida no Profissão Repórter desta terça-feira, dia 12 de agosto. A análise de 3.233 crimes de morte ocorridos no ano de 2005 prova que 98,1% (3.172) foram de autoria de adultos, e 1,9% (69) de responsabilidade de  menores.
O  resultado da pesquisa surpreende até os profissionais do Judiciário. Nós entrevistamos um notório defensor de penas mais duras aos menores, o promotor Oswaldo Monteiro, da Vara da Infância e Juventude. “O código penal é de 1940. Você acha que menor que tinha 17 anos lá em 1940 é o mesmo indivíduo hoje de 2014? Se alguém me provar que é, eu me rendo, não peço mais a redução da maioridade penal”, declara.
O promotor  representa uma parte da sociedade que se considera “cidadãos de bem”. “O que a sociedade quer hoje, pelo menos eu sinto aqui no meu dia a dia: punição! Por que você tem os homens de bem e os homens do mal. Tem gente que trabalha, acorda, vai trabalhar, passa o dia inteiro e volta pra sua casa. E tem gente que não quer isso”, afirma.

Oswaldo Monteiro é promotor há mais de 20 anos. Pergunto: "Já que o senhor tem essa experiência toda, o senhor sabe quantos por cento dos assassinatos e latrocínios são praticados por menores?" “Talvez uns 20, 30%, mas nessa ordem de delito, latrocínio e homicídio...”, diz ele.

Questiono: "De onde o senhor tira essa certeza?" “Do dia a dia nosso. Hoje nós praticamente estamos atendendo um menor infrator, um perfil de roubador, latrocida, homicida e de tráfico de drogas. É disso hoje que as varas especiais estão se incumbindo. Nós temos um índice grande aqui”, explica o promotor.
Mostrei o resultado de nossa pesquisa e tentei confrontá-la com os dados da Vara de Infância. Esse foi o nosso diálogo:
Promotor: A sua pesquisa de quando é?
Caco Barcellos: É de 2005.
Promotor: Nós estamos em 2014, nove anos depois.
Caco Barcellos: O senhor tá dizendo que a nossa pesquisa não traduz a realidade atual por que é de 2005?
Promotor: Sim, eu acho. Ela está defasada... defasada! Nós temos dados de departamento de execução. Você pode pedir a lista de latrocínios e homicídios de processos que giraram pela infância e juventude. Tá lá, tá aberto. Claro que corre em segredo de Justiça, o juiz precisa autorizar.

Os dados da Justiça para os crimes mais atuais  apontam que, passados nove anos, o grande  responsável pelas mortes ainda é o adulto.  Não é o menor de idade. Dos 1.530 assassinatos ocorridos na cidade de São Paulo no ano passado, 94% foram praticados por homens e mulheres com mais de 18 anos e 6% por menores infratores.
Inacreditável que  promotores acreditem que os adolescentes  sejam os grandes vilões da violência.
Nós analisamos os dados dos assassinatos mais antigos para poder  avaliar melhor  a qualidade do trabalho do sistema judiciário no combate a violência e na punição e recuperação dos criminosos e infratores.
Como a pesquisa é inédita, seus resultados trazem dados reveladores, essenciais para quem se preocupa em combater as verdadeiras causas da violência.
Mais sobre a pesquisa:
- Dos 2.233 homicídios e latrocínios  de 2005, 1,9% foram cometidos por adolescentes com menos de 18 anos de idade.
- Dos adolescentes envolvidos em 61 assassinatos, 4 foram mortos.
- No mesmo ano de 2005,  264 assassinatos foram de autoria de policiais militares, ou seja, 11%.
- Dos 42 adolescentes que a equipe do Profissão Repórter conseguiu localizar, a maioria (28) voltou a cometer infrações ou crimes na fase adulta.
- Encontramos 8 adolescentes que passaram pela Fundação Casa e hoje estão em liberdade. Quatro deles mataram a facada uma jovem de 15 anos e sumiram com o corpo dela. Até hoje o caso não foi julgado.
- Não conseguimos localizar 6 dos adolescentes envolvidos nos assassinatos de 2005. Todos passaram pela Fundação Casa. Os diretores se negaram a dar entrevista e a fornecer informações para a nossa reportagem.
FONTE: PROFISSÃO REPORTER / CACO BARCELLOS