Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!

quinta-feira, outubro 07, 2010

Trabalhismo inglês volta a ser trabalhista











Em 1900, o movimento sindical inglês e os partidos socialistas do país fundaram o Partido Trabalhista, lançando a candidatura para o parlamento de representantes da classe operária.


Em sua cláusula 4, o manifesto original do partido defendia a socialização das indústrias básicas, a intervenção do governo na economia, a redistribuição da riqueza, a ampliação dos direitos dos operários e educação e saúde públicas estatais.


O partido cresceu, participou de coligações e, no fim da 2ª. Grande Guerra, chegou ao poder com força suficiente para realizar seus ideais socialistas.


Assim, entre 1945 e1950, no governo trabalhista de Clement Attlee, foram estatizados o Banco da Inglaterra, as minas de carvão, a siderurgia, as indústrias elétricas, de gás e os transportes. Implantou-se o estado de "bem estar social" (welfare state) com a criação do Sistema Nacional de Saúde e a expansão da escola pública. No plano externo, o governo Attlee iniciou o desmantelamento do império britânico, dando independência à Índia, ao Paquistão, à Birmânia e ao Ceilão.


Posteriormente, no governo conservador de Margareth Thatcher, a maioria das nacionalizações foi revogada e os sistemas de educação e de saúde pública, bastante enfraquecidos por pesados cortes orçamentários.


Em fins dos anos 80, com o argumento de que o partido estava perdendo a classe média devido a suas posições radicais, uma ala passou a defender políticas de livre mercado.


Surgiu, então, o projeto do "Novo Trabalhismo" (New Labour), que acabou triunfando internamente sobre a esquerda do partido. E, na convenção nacional de 1992, a cláusula 4 (que pregava o socialismo) acabou sendo retirada.


Com essa nova face, os trabalhistas, liderados por Tony Blair, ganharam as eleições de 1997.


No governo Blair, com o "Novo Trabalhismo", reduziu-se ao máximo a intervenção estatal na economia e o partido alinhou-se à política externa dos EUA. Com isso, pouco se diferenciou dos conservadores. Talvez apenas nas áreas da educação e da saúde públicas, que foram recuperadas com pesados investimentos.


Depois de sucessivas vitórias eleitorais, Blair teve seu prestígio abalado pela participação inglesa na guerra do Iraque, rejeitada pela maioria da população. Seu sucessor, Gordon Brown, não resistiu à crise econômica de 2008/2009; sob sua liderança, o Partido Trabalhista, depois de 13 anos no poder, perdeu as eleições para o Partido Conservador.


Em fins de setembro, na convenção trabalhista de Manchester, as coisas mudaram. Ed Miliband foi eleito líder do partido, o que o tornará primeiro-ministro num eventual governo trabalhista, vencendo o establishment do partido e o blairismo.


Em suas intervenções, Ed não contestou explicitamente o New Labour, mas deixou clara sua posição contrária ao criticar os governos dessa tendência por sua postura demasiado tolerante diante do mercado financeiro e demasiado fraca diante da defesa dos direitos humanos.


Além disso, ele insistiu em afirmar ser parte de uma "nova geração" que chegava para mudar o partido.


Para malquistar o novo líder trabalhista com a opinião pública inglesa, os tablóides sensacionalistas ingleses chamaram-no de "Ed, o Vermelho", por ter sido apoiado pelos sindicatos. Mas, Miliband os desmentiu, declarando-se "de centro".


Não é bem assim. Ele não é esquerdista internamente, pois não faz parte do grupo socialista do partido.


Mas em termos da política inglesa, mais amplos, portanto, Ed tem posições bastante avançadas.


Como membro do parlamento, votou contra a guerra do Iraque. Como ministro da Energia e da Mudança Climática do governo Brown, afirmou que só permitiria a construção de novas usinas térmicas a carvão se se instalasse tecnologia impeditiva da emissão de gases poluentes.


Discursando em Manchester, ele concordou com a idéia do governo conservador de economizar 83 bilhões de libras. Mas não concordou que 2/3 dessa economia viessem de cortes no orçamento, o que prejudicaria os programas sociais públicos e geraria desemprego. Como alternativa, propôs o aumento dos impostos sobre os lucros dos bancos e taxação das grandes fortunas.


A política de apoio irrestrito aos EUA foi condenada por Ed Miliband. Declarou que, ao invés de a política externa inglesa ser norteada por suas alianças tradicionais, deveria se guiar pelos valores do partido, ou seja, a busca da paz e da justiça, posição por ele considerada fundamental. Na ocasião, Ed citou recente pesquisa em que 75% das pessoas atacaram a "subserviência" inglesa à Casa Branca.


"O povo palestino tem direito a ter um Estado com as fronteiras reconhecidas internacionalmente". Esta frase de um artigo escrito por Ed não deixa dúvidas quanto à sua posição face ao problema da Palestina. Como se sabe, as "fronteiras internacionalmente reconhecidas" são, conforme a ONU, as existentes antes de Israel invadir e ocupar a Cisjordânia. Ele foi adiante, condenando o bloqueio a Gaza e o ataque ao navio que levava suprimentos à região, qualificando-o como "uma desgraça", exigindo investigação internacional.


Completando suas manifestações sobre política internacional, o novo líder trabalhista declarou não ser possível uma solução militar no Afeganistão. O caminho seria negociações com "todos os partidos envolvidos, incluindo as forças do Talibã".


Finalmente, foram deixadas em aberto as possibilidades de uma futura coligação com os liberais com a proposta de modificação do sistema eleitoral conforme o desejado pela liderança deste partido. O que talvez aconteça bem antes do fim do mandato do governo dos conservadores. Eles estão iniciando um severo programa de contenção de despesas que poderá provocar a revolta da população inglesa e a saída dos liberais da coligação governamental, causando sua queda.


E assim os trabalhistas poderiam voltar ao poder. Dessa vez, com Ed Miliband, trabalhistas de verdade. Não semi-conservadores tipo Tony Blair.

FONTE: CORREIO DA CIDADANIA / Luiz Eça jornalista.

quarta-feira, outubro 06, 2010

Casseta xinga Lula...

...e é censurado pela Globo


Convidado especial do programa Manhattan Connection do último domingo (3/10), o humorista Marcelo Madureira, integrante do Casseta & Planeta, xingou o presidente Lula de "impostor, vagabundo e picareta". O programa foi exibido ao vivo pelo canal pago GNT, da Globosat, programadora de canais pagos da Globo. Nas reprises apresentadas na madrugada e às 10h e às 14h de segunda-feira, no entanto, a fala de Madureira foi cortada. Na versão que está no site oficial do GNT, o xingamento do casseta também sumiu.

Madureira falava com cara de sério. No programa, ele foi muito ácido também com Dilma Rousseff. Referindo-se às roupas usadas pela candidata, disse que ela parece "um travesti de Kim Jong-Il [ditador da Coreia do Norte]".

FONTE: jornal agora

EM TEMPO: Agora resta a dúvida; Os picaretas são 300 ou 301?

Luís Inácio e os 300 Picaretas - Paralamas do Sucesso



SUGESTÃO: DOM OBÁ

terça-feira, outubro 05, 2010

Fundamentalismos religiosos são ameaça à democracia brasileira







Um dos problemas que afloraram nesta eleição é o da emergência dos fundamentalismos religiosos católicos e protestantes, tentando influir nas decisões políticas do país. Até mesmo a famosa organização fascista-católica Opus Dei, de grande penetração na Península Ibérica, estaria presente em São Paulo, apoiando o candidato do PSDB.

Infelizmente, as eleições presidenciais não se resolveram no primeiro turno. Ter-se-á que voltar às urnas no próximo dia 31 de outubro. Nesta data, quando chegar a noite, o novo presidente(a) será conhecido de todos brasileiros. Ao que parecia, no primeiro turno, o processo eleitoral teria resolvido a mesma questão. Mas isto não ocorreu. Os resultados impuseram a celebração do segundo turno e para isto os candidatos e eleitores terão que se posicionar. A política é cheia de surpresas, de revelações que precisam ser claramente avaliadas.

A disputa voltará a ser, com mais ênfase, a luta contrária ao candidato-síntese das direitas do país. É possível que ambos disputantes digam – verdade ou mentira – que eram ambientalistas desde criancinhas, bem como, sempre defenderam os princípios religiosos, como mais importantes do que os de natureza laica, isto é, os relacionados à política real.

Equívocos sobre equívocos serão cometidos na tentativa de se obter a vitória final. É quase impossível evitar que tal ocorra, quando o objetivo se esvai em trinta dias e o que se quer é vencer de qualquer modo. De todo o jeito, é preciso lembrar que o presidente da República não é e nem será o proprietário das crenças de ninguém e que o Brasil é um país plural, onde convivem modos diversos de se crer. O que se espera é que o futuro presidente(a) garanta a continuação das conquistas dos trabalhadores, as ampliem e eleve o país a um novo patamar possível, do ponto vista social e cultural.

Um dos problemas que afloraram nesta eleição é o da emergência dos fundamentalismos religiosos católicos e protestantes, tentando influir nas decisões políticas do país. Até mesmo a famosa organização fascista-católica Opus Dei, de grande penetração na Península Ibérica, estaria presente em São Paulo, apoiando o candidato oficial do PSDB. O fundamentalismo de origem protestante renovada teria tido o seu peso nas eleições em vários níveis. Padres e pastores ultraconservadores instaram seus fiéis a apoiarem determinados candidatos e participaram na rede de intrigas sociomidiáticas que vem caracterizando esta eleição. Esta atitude vinha sendo desenvolvida em várias campanhas e problemas nacionais. Desta vez, surgiu com maior força e, talvez, para ficar.

O problema dos grupos religiosos fundamentalistas não é de natureza teológica. Eles demonstram possuir, onde atuam, uma visão política antiga que flerta com o fascismo. Segundo estas organizações, a verdade que acreditam devem ser estendidas a todos. As pessoas deveriam simplesmente obedecer como cordeiros a determinação desta minoria. Apesar de numerosos, eles são minoria e não são tão organizados como parecem ser. Suas opiniões flutuam como folhas ao vento, porque são determinadas pelo que ouvem nos seus templos e nas redes de comunicação que dominam. O recado que passaram é que existem e precisam ser considerados. Entretanto, não é difícil ver que suas convicções, quando ultrapassam o terreno religioso, são facilmente moldáveis pelas exigências que pesam sobre todo mundo, vindas da sociedade de consumo e do espetáculo, isto é, do capitalismo contemporâneo.

As próprias características das religiões professadas pelos mais fundamentalistas os aproximam de problemas materiais bastante concretos. O autor destas linhas não crê que o problema seja exatamente o aborto, praticado na ilegalidade por pelo menos três milhões de brasileiras a cada ano. Pensa que existem muitos que não crêem de fato nas mesmas coisas ditas nos templos, nos programas religiosos da TV e das emissoras de rádio, na imprensa religiosa e nos canais internéticos dominados pela ortodoxia da fé. De algum modo, eles sabem disto tudo, mesmo que neguem ou façam de conta que o mundo é exatamente o que eles acham que deveria ser. De fato, o que desejam é ser reconhecidos e precisam para isto provocar e aprender os limites de suas ações. Não se vive o mundo medieval e nem mesmo o da Reforma e o da Contra-Reforma. Queira-se ou não, religião é coisa fundamentalmente de foro íntimo, compartilhada entre iguais em lugares específicos.

É difícil imaginar que todos os eleitores que votaram sob a influência fundamentalista sejam tão radicais, e acreditem na teoria e na prática que suas verdades são inabaláveis. Certamente, entre as ovelhas existem muitas que podem ser desgarradas e entre os padres, os pastores, nem todos, são tão obedientes assim às ordens da conservação. Como quaisquer seres humanos, eles têm dúvidas e esperam ser ensinados a partir de outras fontes de autoridade, além das que se apropriaram de suas consciências. É provável que alguns queiram ser eles mesmos, por não serem absolutamente alienados ou loucos. Esses podem vir a rejeitar posturas de grupo que não contemplem diferenças individuais. Podem se dividir e votar no segundo turno de modo diverso.

Para convencê-los é preciso repolitizar o debate. A agenda básica do país não é a perseguição às religiões minoritárias e às suas crenças. Espera-se que isto jamais seja o mote de qualquer governo. O Brasil é um país tolerante a qualquer crença e a qualquer movimento religioso. As pessoas devem ser livres para acreditar no que quiserem, mas precisam ser educadas para entender que suas crenças e o modo em que vivem não são únicos. Alguém precisa lhes dizer que não se está na Idade Média, na época do nazifascismo e da ditadura militar. Todos podem ser livres responsavelmente, sabendo os limites sociais de suas liberdades. Ninguém deve impor aos outros, o que acredita como certo e inelutável. A luta é pelo convencimento livre de pressões e imposições é uma conquista que abrange a todos. Mesmo que se saiba que o problema de alguns é o da falta de escolas sérias e de mídias que realmente complementem o processo educacional.

Acha-se estéril uma discussão retórica sobre o problema do aborto. Esta não é uma questão a ser tratada no calor de uma eleição. De outro lado, mais cedo ou mais tarde ele será legalizado. Isto já ocorreu há muito tempo nos EUA, no Canadá, na Europa Ocidental e em Cuba. No Oriente inúmeras nações o legalizaram, tais como a China, a Índia, dentre outras. A América Latina é um bastião contrário, cada vez mais solitário. Todavia, há inúmeros sinais de ruptura. O mais recente foi sua legalização na cidade do México. A marcha é inexorável e precisa ser conhecida de todos. Se ele vier, quem for contrário poderá continuar a sê-lo. Ninguém será obrigado a fazê-lo. Tal como as religiões, isto é, em grande parte do mundo atual, uma questão de foro íntimo. O que tem que acabar é a hipocrisia e a exploração radical das crianças no mundo real.


FONTE: CARTA CAPITAL / Luís Carlos Lopes é professor e escritor.


Eleição não altera representação negra no Congresso






A bancada de parlamentares negros e antirracistas no Congresso e nas Assembléias Legislativas dos Estados permanecerá do mesmo tamanho, segundo as primeiras análises dos resultados das eleições, após o encerramento das apurações na madrugada de domingo para segunda (04/10), ao contrário do que indicavam pesquisas de intenção de voto.

A surpresa da eleição foi a derrota do empresário, cantor, apresentador e vereador paulistano, Netinho de Paula, que concorreu ao Senado pelo PC do B e liderava a disputa para uma das vagas até a véspera da eleição. Embora tenha tido mais de 7 milhões de votos ( 7.773.327, o equivalente a 21,14%) Netinho foi batido pelo tucano, Aloysio Nunes Ferreira, e pela ex-prefeita
Marta Suplicy, do PT, e ficará de fora.

Netinho tinha como segunda suplente, a ex-ministra Matilde Ribeiro, destacada pela Executiva do PT para compor a chapa.

Ao contrário da trajetória de Netinho na campanha, no Rio Grande do Sul, o senador Paulo Paim, do PT, começou atrás nas pesquisas, teve a permanência no Senado ameaçada durante quase toda a campanha, mas conseguiu a reeleição com 3.895.822 (33,83%) e ficará mais oito anos no Senado.

Reeleição

Ainda em S. Paulo, o deputado Vicente Cândido, do PT, coordenador da Frente Parlamentar pela Igualdade Racial na Assembléia, se elegeu para a Câmara Federal com 160.242 votos. Também conseguiram a reeleição, a deputada Janete Pietá, que tem base em Guarulhos, e Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, ex-presidente nacional da CUT e oriundo do movimento sindical do ABC. Pietá, cujo marido, Elói Pietá, já foi prefeito da cidade, teve 144.529 votos, enquanto Vicentinho ficou com 141.068 votos.

Luiz Carlos Prates, o Mancha, do PSTU, o único negro entre os nove candidatos que concorreram ao Governo de S. Paulo, teve 16.441 votos.

Segundo a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio do IBGE (PNAD), 51,3% de população brasileira é negra. Nas eleições de 2006, a representação negra era de apenas 9% dos 513 parlamentares eleitos, de acordo com o Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil (2007/2008), elaborado pelo professor Marcelo Paixão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Regresso

No Rio, a eleição deste ano marcou a volta da ex-ministra Benedita da Silva, que saiu candidata a deputada federal, depois de perder as prévias no PT carioca para o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Lindenberg Farias, eleito senador pelo Rio. Benê se elegeu com 71.036 votos.

Também volta à Brasília, o ex-ministro da SEPPIR, Edson Santos, reeleito para a Câmara Federal, com 52.123 votos – menos da metade dos votos que o elegeram em 2006, quando obteve 105 mil votos.

Enquanto a ex-ministra Benedita da Silva, volta à Brasília, Carlos Santana, o ex-presidente da Frente Parlamentar pela Igualdade Racial na Câmara dos Deputados volta prá casa. Santana obteve apenas 42.327 e não se reelegeu.

Na Bahia, o deputado Luiz Alberto, do PT, manteve a votação que tem garantido sua permanência em Brasília e se reelegeu com 63.686 votos. A Bahia também elegeu Valmir Assumpção que obteve 132.999 votos.

Assembléias

A cantora Leci Brandão, também do PC do B, teve melhor sorte e foi eleita para Deputada Estadual com 86.298 votos. Leci será a segunda mulher negra a ocupar um lugar na Assembléia Legislativa de S. Paulo desde 1.934 quando as mulheres brasileiras conquistaram o direito de voto. A primeira foi a ex-deputada Theodosina Ribeiro.

O único parlamentar negro na Assembléia paulista – o deputado José Cândido – também continuará. Cândido, do PT, se reelegeu com 68.202 votos.

O jornalista Dojival Vieira, que concorreu a Deputado Estadual também pelo PC do B, teve 1.271 votos.

Bahia

Concorrendo a uma vaga na Assembléia Legislativa baiana, a vereadora Olívia Santana e o advogado Sérgio São Bernardo, não tiveram a mesma sorte. Olívia teve 30.466 votos e S. Bernardo 3.468.

Já o deputado Bira Corôa, que tem sido um aliado do Movimento Negro baiano, se reelegeu com 39.254 votos.

Em Sergipe, a ex-secretária de Inclusão Social, Conceição Vieira, se reelegeu com 27.378

DF

No Distrito Federal, a jornalista Jacira da Silva, do Movimento Negro Unificado (MNU), teve 681 votos e não conseguiu se eleger para a Câmara Distrital.

Em Minas, o jornalista José Amaral Neto, que foi candidato pelo PT do B, obteve 721 votos e também não se elegeu.
FONTE: AFROPRESS

Nova classe C é jovem, negra e magra, diz Ibope

Apenas 27% da classe C1 estão acima do peso, segundo pesquisa. Levantamento foi feito com base nas informações do Target Group Index




A nova classe média tem maioria jovem, negra e que sofre menos de problemas de excesso de peso que as classes mais ricas, aponta levantamento do Ibope divulgado nesta terça-feira (5).

De acordo com o estudo “Classe C Urbana do Brasil: Somos iguais, Somos Diferentes”, quase 100 milhões de pessoas fazem parte dessa fatia da população.

“A nova classe C é predominantemente jovem, composta em sua maioria por afrodescendentes”, informa comunicado do Ibope. Em Salvador, por exemplo, 41% das pessoas que fazem parte dessa faixa da população são negros e, em Brasília, 22%.

A população da classe C tem menos problemas com o peso em comparação com os mais ricos, segundo o Ibope, “decorrência direta de menos excessos na alimentação, somado a mais mobilidade física rotineira”, diz a pesquisa. Apenas 27% da classe C1 estão acima do peso, contra 31% da AB1.

O levantamento do Ibope foi feito com base nas informações do Target Group Index, estudo do Ibope que analisa mais de 200 categorias de produtos junto a uma amostra de cerca de 20 mil indivíduos entre 12 a 64 anos nas principais regiões metropolitanas do Brasil. De acordo com o instituto, a amostra representa quase metade da população dentro da faixa etária pesquisada. Dos membros da classe C, 32 milhões têm idade entre 12 e 64 anos nas principais regiões metropolitanas de todo o país.

“O homem dessa categoria tende a viver menos e as mulheres exercem mais responsabilidade sobre a família, têm mais autonomia socioeconômica e, consequentemente, de consumo”, diz Dora Câmara, responsável pela pesquisa.

FONTE: gazetadopovo

segunda-feira, outubro 04, 2010

Voto contra a direita no segundo turno é voto nulo










No segundo turno das eleições vão se enfrentar Dilma e Serra. Vai haver uma pressão grande entre os trabalhadores no sentido de votar em Dilma “para evitar a volta da direita”.

O PSTU tem total acordo com a luta contra a oposição de direita. Somos radicalmente contra a volta da turma do FHC. No primeiro turno, o PSTU teve seu programa final cassado pela justiça a pedido do PSDB. Isso ocorreu por termos mostrado que Serra- que atacava Dilma por corrupção- também tinha o rabo preso, por ter apoiado o ex-governador Arruda de Brasília. Isso foi parte de nossa batalha contra a oposição de direita, que ocorreu em todo o primeiro turno.

Mas lutar contra a direita não significa votar em Dilma Roussef. A direita não é representada nessa campanha só por Serra. Direita e esquerda são termos relativos, mas em geral a direita representa a grande burguesia. E hoje, no Brasil, as grandes empresas estão divididas. Um setor apóia Serra, o que é mais que evidente nas empresas de TV e jornal. Outro setor, que inclui uma parte dos banqueiros (talvez a maioria), as multinacionais, os governos imperialistas, apóia política e financeiramente as duas campanhas, com um leve pendor para Dilma.

Não é por acaso que a candidatura de Dilma arrecadou bem mais que a de Serra junto às grandes empresas. Não é por acaso o apoio dos governos imperialistas para marcar aqui as Olimpíadas e a Copa do Mundo. Tampouco foi um acaso que a cotação do dólar se manteve estável nas eleições, chegando a baixar um recorde inferior a 1,6 reais.

Temos duas candidaturas em defesa do grande capital nas eleições, duas candidaturas de direita. Votar por Dilma ou por Serra é votar na manutenção do plano econômico neoliberal aplicado por FHC e continuado por Lula. É votar contra a reforma agrária que foi bloqueada por FHC e também por Lula. É votar na ocupação militar do Haiti defendida por Dilma e Serra.

Qualquer um dos dois vai atacar os trabalhadores duramente quando a crise econômica internacional voltar a se abater sobre o Brasil. Tanto um como outro já anunciaram sua disposição de mudar a previdência, atacando mais ainda os aposentados. Pense nisso: cada voto em Dilma no segundo turno é uma força a mais para uma nova reforma da previdência. Uma votação em Serra teria a mesma conseqüência.

Votar em Serra seria votar junto com FHC, Cesar Maia, Yeda Crusius, velhas figuras da direita desse país. Votar em Dilma seria votar junto com Maluf, Collor, Sarney, Jader Barbalho, outras figuras da mesma direita.

Por esses motivos, votar contra a direita nesse segundo turno é votar nulo. Chamamos os trabalhadores e jovens que nos acompanham a seguir votando em nossa legenda 16, que agora vai significar um voto nulo.

Direção Nacional do PSTU


Seminário Trabalho Docente e Adoecimento começa nesta terça-feira (5/10)















Começa nesta terça-feira (5/10) o Seminário "Trabalho Docente e Adoecimento", evento promovido pela Adufpa Seção Sindical na Universidade Federal do Pará - UFPA. A conferência de abertura será às 15h, no ICJ, ministrada pelo professor doutor da Unicamp, Ricardo Antunes. Ele discutirá “A nova morfologia do trabalho na era do capital financeiro: para onde vai o trabalho docente?”.

Ricardo Antunes é um dos mais renomados sociólogos do Brasil, com várias publicações relacionadas à dinâmica do trabalho. Sua produção científica reúne 37 livros de autoria própria e organizados, além de 113 artigos científicos e 71 capítulos de livros publicados. Atualmente, Ricardo ocupa a cadeira de professor titular de Sociologia, no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A programação do seminário "Trabalho Docente e Adoecimento" prossegue na quarta-feira, dia 6, a partir das 9 horas, no auditório da SEGE, com palestra proferida pelo pró-reitor de Planejamento da UFPA, professor Erick Nelo Pedreira, e a professora e pesquisadora Vera Lúcia Jacob Chaves. Ambos abordarão as mudanças no atual plano de trabalho da universidade e na carreira docente nacional. À tarde, o professor e psicólogo Thiago Costa e o diretor do Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor - SIASS, Jadir Campos, dão continuidade à programação.

FONTE: ANDES SN

Famílias ocuparam quatro prédios abandonados no centro da Capital Paulista nesta madrugada

Desde as primeiras horas desta segunda-feira, 04 de outubro, famílias sem teto, estão ocupando quatro prédios abandonados no centro da capital Paulista. Muitas delas já foram despejadas ou estão em favelas da periferia sob ameaça de iminente despejo.

Na Avenida Ipiranga,799, estão 1100 pessoas despejadas, em novembro de 2009, do terreno localizado na Av. Bento Guelfi,1.800, Jdm Limoeiro – São Matheus, e a área que tem dívidas de dois milhões com o BNDES, continua abandonada.

Na Av. Prestes Maia, 911, estão mais 300 pessoas, representando suas famílias que estão em cortiços e áreas de risco, no centro. O Edifício Prestes Maia continua abandonado há mais de 20 anos, com dívidas de IPTU em torno dos de 4 milhões.

Na avenida São João, 88,está ocupado por. cerca de 600 pessoas da Zona Leste, parte dos despejados da Bento Guelfi e outras da ocupação do Linhão da Eletropaulo. Na Av. Nove de Julho,584, o Prédio também do INSS, abandonado há mais de vinte anos, já foi ocupado quatro vezes por famílias sem teto e na última negociação foi homologado Termo de Compromisso entre os governos Federal, Estadual e municipal para habitação de interesse social. O TC até o momento não saiu do papel. A Frente de Luta Por Moradia pede a desapropriação dos imóveis e o cumprimento dos acordo por parte do poder público.

Excelências

Do Executivo, Legislativo e Judiciário;

Poderes Públicos, Federal, Estadual e Municipal;

Homens e Mulheres de bem!

Estamos aqui para dar início a um grande projeto. Seja, estabelecer parceria com os poderes públicos para construir moradia para nossas famílias. Somos trabalhadores desta grande cidade. Mantemos nossa São Paulo em pé 24 horas por dia. Entretanto, não usufruímos dos benefícios por nós construídos e mantidos. Por insuficiência de meios de sobrevivência somos empurrados e forçados, contra nossa vontade, a morar nos morros, nos lixões, nas encostas, nas áreas alagadiças, nas moradias insalubres e também nas ruas. Situação que não somos causadores. Somos vitimas da desigualdade econômica.

As enchentes ocorridas em São Paulo, Rio e Salvador revelaram a situação dramática em que vivemos. Aquilo que deveria ser apenas uma forte chuva, como é para aqueles que vivem bem nas melhores terras da cidade, se transformou em uma tragédia para nossas vidas. As chuvas adicionaram sofrimentos às difíceis condições de sobrevivência em nosso cotidiano. Mas, não é momento de se lamentar. É momento de agir. A moradia digna é um DIREITO. Os poderes públicos têm aobrigação de fazer habitações para quem não tem, assim como devem garantir saúde, educação, transportes, segurança,…

Deste modo, todos aqueles que possuem algum poder, tem o dever de trabalhar para que nenhuma criança e sua família sofram a violência dessas catástrofes. Ou tenham suas vidas humilhadas nas péssimas condições habitacionais. Por isso estamos aqui, sugerindo aos poderes públicos a construção de moradias e o atendimento de nossas famílias.

Para nós aqui em São Paulo, não fluem os projetos habitacionais. Não há atendimento para quem ganha até 3 salários mínimos, justamente quem mais precisa. Para essa faixa de renda, não foi assentado nenhum tijolo do Minha Casa, Minha Vida na cidade de São Paulo. Os programas habitacionais existentes como carta de crédito, parceria social e até o Minha Casa, Minha Vida contribuem para elevar a renda da terra, triplicam o preço dos imóveis. Em contrapartida dificulta ainda mais o acesso das nossas famílias a uma moradia decente. Os subsídios a esses programas triplicaram o preço das moradias. Queremos projetos de moradia popular. Desenvolvidos pelo poder público. Aquisição das terras por preços justos. Desapropriação dos imóveis abandonados e dos devedores de impostos. Medidas fiscais, como o Imposto Progressivo para os imóveis vazios e abandonados, e de acordo com o tamanho e a quantidade de propriedades de um mesmo dono. Sem estas medidas não se resolverá a penúria habitacional existente no Brasil.

Pleiteamos ainda que os projetos habitacionais sejam desenvolvidos, construídos e geridos em parceria com a demanda organizada. Costumamos ouvir que não devemos agir, pedem para esperar quietos na fila. Ora, DIREITO NÃO TEM FILA, estamos somente exercendo nosso Direito de Ação. Direito é Direito e obtêm quem pleiteia.

Não podemos esperar. É agora ou nunca. Vamos juntos: União, Estado, Município e famílias organizadas combater o desperdício, transformar os imóveis abandonados em moradia popular. Vamos concretizar as seguintes propostas habitacionais:

  1. Abertura do edital de contratação do projeto do imóvel do INSS na Avenida Nove de Julho, número 1084, com 540 unidades habitacionais. O projeto está parado há mais de dez anos.
  2. Desapropriação dos seguintes imóveis e terrenos apresentados pela FLM: Edifício Prestes Maia, nº 911, com 229 unidades; Prédio da Rua Mauá, 340 com 130 unidades; e terreno localizado à Av. Bento Guelfi,1.800 com 840 unidades. Essas são lutas que os movimentos da FLM travam há pelo menos 8 anos.
  3. Apresentação de cronograma de atendimento em unidades habitacionais de COHAB, CDHU e Minha Casa, Minha Vida para as famílias assistidas no programa de atendimento emergencial e Parceria Social totalizando 1.200 famílias;
  4. Assegurar atendimento das famílias assistidas no Programa emergencial e Parceria Social nos empreendimentos Teotônio Vilela na Zona Leste de São Paulo, são 480 unidades;
  5. Atendimento imediato das 60 famílias habilitadas no Programa PAR II (compromisso feito pela Diretoria Comercial de COHAB e Superintendência de HABI), há 5 anos na espera;
  6. Definir a demanda dos 53 imóveis desapropriados no centro, garantindo a destinação de 1000 unidades para famílias organizadas nos movimentos do centro ligados à FLM;
  7. Construção de projeto habitacional destinado as 700 famílias da Favela da Eletropaulo, localizada no Jardim Ipanema, Zona Lestes, prestes a sofrer reintegração de posse;
  8. As famílias devem ser indicadas a projetos habitacionais definitivos pelas suas organizações de sem-teto. Participar da demanda quem pleiteia seu Direito. Devem acompanhar a implementação do empreendimento desde seu inicio.NINGUÉM DEVE TEMER A DEMOCRACIA. Queremos participar da gestão do projeto.

São Paulo, 04 de outubro de 2010.

FLM – Frente de Luta por Moradia

domingo, outubro 03, 2010

Eleitores ocultos da jihad brasileira


"A questão política como questão religiosa, no Brasil, se propõe desde a Proclamação da República e da separação entre o Estado e a Igreja. Bispos e padres deixaram de ter status similar ao de funcionário público e a Igreja deixou de ter privilégios de repartição pública", escreve José de Souza Martins, sociólogo, em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo, 03-10-2010.

Segundo o sociólogo, as igrejas "no altar das ambições de poder de sua guerra santa, sacrificam a missão profética e minimizam a grande função histórica e libertadora que poderiam e deveriam ter na miséria moral e política da sociedade contemporânea".

Eis o artigo.

Um pastor manda de Nova Iorque aos crentes de sua numerosa e obediente igreja evangélica recomendação para que votem na candidata oficial. Um bispo católico publica declaração recomendando aos fiéis que não votem nela. Um pastor de importante igreja protestante lança apelo para que os adeptos de sua igreja votem na candidata não oficial. Um frade católico há muito declara que espera que a candidata oficial ganhe a eleição e a oposição nunca mais retorne ao poder. Se é para a oposição nunca mais voltar ao poder não se trata de eleição, e sim de nomeação. Estamos em face do eleitor oculto, o das religiões, que vota corporativamente e sem liberdade, por motivos religiosos e não por motivos políticos.

A questão política como questão religiosa, no Brasil, se propõe desde a Proclamação da República e da separação entre o Estado e a Igreja. Bispos e padres deixaram de ter status similar ao de funcionário público e a Igreja deixou de ter privilégios de repartição pública. O caráter missionário da atuação católica foi largamente beneficiado pela cessação da tutela, dando-lhe a oportunidade de, pela primeira vez em nosso País, fazê-la Igreja livre e profética.

A Igreja Católica, porém, aproveitou mal a possibilidade involuntariamente aberta pela República do ideário positivista dos militares que a proclamaram. Do mesmo modo, a democracia da pluralidade religiosa não consolidou essa premissa básica do Estado moderno entre nós, como se esperava e era necessário. Os protestantes e as outras denominações religiosas foram tímidos na consolidação da democracia nascente e na defesa do Estado não confessional.

Politicamente marginalizada durante toda a República Velha, que era de inspiração positivista e anticlerical, preparou-se a Igreja nesse período para a Restauração Católica, fundada num ideário de direita e em valores da tradição conservadora. Significativamente, e por isso mesmo, lograria o status de "religião da maioria do povo brasileiro" no governo Vargas. Um intercâmbio claramente informado pelo populismo que nascia. O protestantismo se difundiu devagar, à margem da política e do poder, pesando sobre ele o informal veto católico. Poucos notaram, até que um presbiteriano,Café Filho, sendo vice de Getúlio Vargas, assumira a Presidência da República com o suicídio do presidente em 1954. Era a via silenciosa da ascensão política dos protestantes.

O golpe militar de 1964 teve a decisiva participação católica com as Marchas da Família com Deus pela Liberdade. No entanto, um fato insólito se passou, revelador das grandes mudanças sociais que haviam ocorrido no País: diversos protestantes, especialmente presbiterianos, ascenderam em diferentes momentos do regime aos governos dos Estados, no Rio de Janeiro, em Pernambuco, no Pará, na Guanabara e mesmo em São Paulo, indiretamente, quando Laudo Natel, ligado ao Bradesco, deAmador Aguiar, presbiteriano, assumiu o governo com a cassação de Adhemar de Barros e nomeou um secretariado com notória presença protestante. A escolha do luterano Ernesto Geisel para a Presidência da República confirmou essa tendência do regime militar. A mudança de orientação da Igreja Católica em relação à ditadura, cuja instauração apoiara, e a hostilidade entre o Estado e a Igreja, nesse período, ganham clareza nesse cenário de fundo religioso.

É nesse quadro adverso e na consequente repressão que alcançou setores engajados da Igreja, até mesmo bispos, que sua atuação política evoluiu na direção do estímulo aos movimentos populares, a ação política orientada contra as incongruências do Estado, sobretudo o descompasso entre o legalmente possível e o politicamente realizado. Nesse legalismo antagônico ao Estado autoritário os setores mais ativos da Igreja não tiveram outra alternativa para afirmação dos seus valores conservadores, dado que o espaço político de direita, de sua atuação mais coerente, fora bloqueado pela tendência anticlerical dos militares e capturado pelos evangélicos. Sobrou-lhes constituírem sua militância no espaço residual de oposição à ditadura. O rapto ideológico do vocabulário de esquerda deu um revestimento moderno ao programa conservador e nem por isso menos transformador de que a Igreja no Brasil se tornou protagonista.

Nem os católicos nem os evangélicos conseguiram formular uma concepção democrática de política, no sentido de resguardar as respectivas religiões contra o monolitismo ideológico a que tende a política partidária. Não conseguiram propor suas religiões, na política, como religiões universais e pluralistas, irredutíveis ao partidário. O que possa lhes parecer um êxito político-partidário, nestas eleições e em outras precedentes, é na verdade um fracasso religioso, sobretudo no fato de que tendo se proposto como instrumentos do aparelhamento religioso-ideológico do Estado, tornam-se inversamente aparelhos da política e do próprio Estado. No altar das ambições de poder de sua guerra santa, sacrificam a missão profética das igrejas e minimizam a grande função histórica e libertadora que poderiam e deveriam ter na miséria moral e política da sociedade contemporânea.

FONTE:.ihu.unisinos

sábado, outubro 02, 2010

DOMINGO É DIA DE ELEIÇÃO

"Povo de Sicupira concidadãos e cidadãs emboramente eu não tenha vindo para isso, não posso deixar de lembrar você que domingo é dia de eleição. Dia de decidir seu destino nas urnas da democracia" Odorico Paraguassú

Em todo este processo tentaram me fazer acreditar que a disputa seria apenas entre dois candidatos; depois apareceram mais dois. Mas ainda assim não aceito estes chamados principais candidatos.

Meus candidatos são estes abaixo, e mais abaixo deles esta minha justificativa. Continue lendo, reflita, vote16












Governador:

Julio Flores – 16
Julio é formado em Ciências e Matemática pela PUC/RS. Iniciou sua militância no movimento estudantil, em 1979. Durante os anos 1980, trabalhou no Banco Meridional, onde foi ativista das grandes greves da categoria bancária e da luta contra a privatização do banco. Foi diretor do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre. Desde 2000, ajuda a organizar a oposição de esquerda no CPers. É professor de Matemática das redes municipal e estadual, além de estudante de Física na UFRGS. Na eleição de 2004, Julio foi o 33º candidato a vereador mais votado da cidade e só não assumiu o mandato por causa da legislação eleitoral antidemocrática. Em 2008, novamente ficou entre os mais votados, sem poder assumir o mandato.


Senadora:
Vera Guasso – 161
É técnica em informática, graduanda pela Pedagogia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e funcionária pública federal do Serpro há 26 anos. Começou sua militância política no movimento estudantil na década de 1980, na luta contra a ditadura militar e pelas “diretas já”. Foi umas das coordenadoras da campanha pelo “Fora Collor” no Rio Grande do Sul. Em 2008, foi candidata a prefeita de Porto Alegre pela frente PSTU e PCB. No ano passado, participou ativamente da luta pela saída da governadora Yeda Crusius, do PSDB, envolvida em escândalos de corrupção. Atualmente, é presidente estadual do PSTU


Jéssica Nucci – 1.606
Tem 21 anos, natural de Porto Alegre e é estudante de geografia da UFRGS. Começou sua militância política no colégio Julio de Castilhos, quando ingressou no PT. Em 2005, entrou no PSTU para fortalecer uma alternativa de esquerda e socialista. Atualmente, faz parte da Assembleia Nacional de Estudantes Livre (ANEL) e será candidata representando a juventude do PSTU.


Deputada Estadual:
Andrea Cezimbra – 16.600
Professora de História da rede estadual de ensino na capital gaúcha, dirigente do CPERS/Sindicato licenciada. Na campanha do FORA YEDA, esteve na linha de frente da defesa da escola pública e contra os escândalos de corrupção.





Cântico negro

José Régio


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.

— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...

Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!

A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
SUGESTÃO: DOM OBÁ