Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!

segunda-feira, junho 25, 2012

Uruguai plantará maconha em setembro


O governo do Uruguai pretende começar a plantar maconha em setembro, depois da aprovação da lei que regularizará a produção e a venda da planta.
A colheita da Cannabis é feita seis meses depois do plantio, o que permitiria o início da lavoura no começo do próximo ano.
“Com a regulamentação do mercado da maconha da forma que estamos propondo, vamos conseguir minar o desenvolvimento do mercado de outras drogas”, disse o secretário-geral da Junta Nacional de Drogas, Julio Calzada.
O governo do presidente José Mujica anunciou na quarta-feira que legalizará a comercialização de maconha como parte de um plano de 15 medidas para combater aumento da criminalidade nos últimos meses, embora o Uruguai seja um dos países mais seguros do continente.
A legislação deve ser aprovada pelo Congresso, onde a governista Frente Ampla tem maioria nas duas Casas.
O governo nega que vá montar uma rede de comercialização da droga e diz que centralizará a distribuição por meio de lojas privadas controladas.
“A ideia central do Poder Executivo é que o Estado tenha uma forte presença na regulamentação da produção. Inicialmente nos inclinamos por uma regulação e produção no âmbito do próprio Estado”, disse o funcionário.
O Uruguai estuda impor um consumo máximo de 30 gramas mensais por pessoa, por meio de um registro que buscará evitar o “narcoturismo” e o mercado negro.
“A ideia é só vender aos cidadãos nacionais. A Holanda teve de alterar parte de sua estratégia, depois de muitos anos de dificuldades com países de sua região”, afirmou Calzada.
No Uruguai há cerca de 75 mil pessoas que consomem maconha pelo menos uma vez por mês. O governo estima produzir 27 mil quilos por ano, o que fará em uma área de uns 100 hectares ainda não divulgada.
Calzada acrescentou que a regulamentação permitirá controlar a qualidade da droga consumida, o que não é possível fazer atualmente. Ele disse que a produção poderá servir como base para medicamentos oncológicos.
O governo afirma que sua intenção não é obter lucro com o negócio, embora pretenda taxar a venda e destinar o valor arrecadado à reabilitação de dependentes químicos.
FONTE: BLOGS ESTADÃO / APONTA ESTUDO

IF-SUL Campus CAVG; Prédios Interditados e Aulas Suspensas








Os alunos e funcionários que estudam e trabalham nos prédios 68 e 69 do campus Pelotas Visconde da Graça (CAVG) terão de aguardar até quarta-feira (27) para uma nova perspectiva sobre o recomeço das aulas e atividades suspensas devido à interdição dos imóveis que necessitam com urgência de reformas. Após reunião entre o reitor do Instituto Sul-rio-grandense (IF-Sul)- gestor do CAVG - Antônio Carlos Brod, e o reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Cesar Borges, ficou estabelecido que os estudantes devem permanecer sem aulas pelo menos até o dia 30. Enquanto isso, na terça-feira, Brod irá a Brasília, representando as duas reitorias, para solicitar recursos emergenciais ao Ministério da Educação (MEC) visando solucionar o problema. 


Com forte indicativo de greve no IF-Sul a partir do dia 2 de julho, o que poderá refletir também no CAVG, a reitoria pode ganhar tempo para achar soluções para o problema e as aulas devem ficar suspensas por tempo indeterminado. Brod já estava com a viagem a Brasília agendada para reuniões relacionadas ao IF-Sul e aproveitará para a ocasião para solicitar repasse de verba. O recurso será utilizado para viabilizar um local para transferência das aulas até que os prédios - interditados desde a última quarta-feira, após laudo técnico assinado pelo Departamento de Projetos e Obras (DPO) do IF-Sul - sejam reformados. 

A ideia inicial para resolução do problema - que chegou a ser solicitada pelo diretor do CAVG, Ricardo Lemos Sainz - seria utilizar as instalações do Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas (CPPMet/UFPel). Porém, na quinta o reitor da UFPel, Cesar Borges, emitiu um comunicado afirmando que esta solicitação inviabilizaria o serviço meteorológico realizado no local "com prejuízos marcantes para nosso Estado, inclusive para o Polo Naval em Rio Grande". 

Representantes do Grêmio Estudantil e do Diretório Acadêmico do CAVG devem comparecer à reitoria do Instituto na segunda, às 9h, para questionarem e pressionarem a reitoria quanto a sua situação. Uma das principais preocupações é em relação ao comprometimento do semestre para aqueles que estão em preparação  para o Enem (Exame Nacional de Ensino Médio).

FONTE: DIÁRIO POPULAR / Mônica Jorge 

sexta-feira, junho 22, 2012

Fórum de entidades do funcionalismo federal se reúne na próxima terça-feira (26) para definir ações para o próximo período


O Fórum das entidades do funcionalismo federal irá realizar, na próxima terça-feira (26), uma reunião em Brasília para dar continuidade ao plano de mobilização e definir ações para o próximo período.

A CSP-Conlutas e a CONDSEF acertaram, em reunião realizada no SINTRASEF na quarta-feira (20), orientar as entidades de base para realização de novas atividades conjuntas na próxima semana, ou seja, construir manifestações dos servidores federais em greve nos estados nos dias 27 e 28 de junho.

A Central também irá propor a realização de uma série de atividades para o próximo período, dentre essas um acampamento do funcionalismo em greve, em Brasília, na primeira semana de julho como parte do processo de pressão sobre o governo para forçar o atendimento de suas reivindicações. Por outro lado, as entidades já trabalham com a perspectiva de realização de uma nova marcha nacional, com previsão de ocorrer ainda no mês de julho.

“Todas essas iniciativas serão para mostrar ao governo a força e unidade de nosso movimento. Até o momento o governo não apresentou nenhuma proposta para a categoria que está revoltada com tamanho descaso. Por isso, vamos intensificar as mobilizações nos estados. Chamamos a todos os servidores a fazerem parte dessa luta”, enfatizou o membro da CSP-Conlutas Paulo Barela.


A greve nacional dos servidores públicos cresce a cada dia. Aderiram à paralisação funcionários da Funasa, Incra, Ministério da Agricultura, Arquivo Nacional Saúde, Desenvolvimento Agrário, Justiça, Trabalho e Emprego, Previdência Social, Polícia Rodoviária Federal, Cinema e Área Ambiental . Assembleias agendadas em todo o Brasil devem confirmar a adesão de outros estados e categorias no movimento paredista. Os servidores estão mobilizados nos Estados do Pará Sergipe, Amapá, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro.

No Distrito Federal, servidores dos Ministérios da Justiça da Saúde, INCRA e MDA também aderiam à greve.

No judiciário a greve também está forte com paralisações semanais em todo o país.

Esses segmentos somam-se aos técnicos administrativos que iniciaram greve no dia 11, aos docentes e funcionários dos Institutos Federais de Ensino, cujo movimento iniciou no dia 13 e aos docentes das Universidades Federais que já estão parados há mais de um mês. Os servidores ampliam o movimento grevista e mostram a força da unidade do funcionalismo público federal.

FONTE: CSP-CONLUTAS

O erro de diagnóstico da Unifesp


Em 17 de agosto de 2006, uma excursão saiu de São Paulo em direção ao novo campus Guarulhos da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Éramos 30 professores.

Nem todos haviam tomado posse -eu mesmo só assinaria os papéis em outubro. Mas todos tinham sido aprovados em um concurso público muito concorrido. Parecíamos adolescentes na primeira viagem sem os pais. O clima era de festa, euforia e talvez um pouco de nervosismo.

Nunca esqueci a chegada ao campus: a visão dos monturos de aterro, dos tratores e do descampado não foi digna da ideia do que nós conhecíamos de um campus universitário. Eu me formei em dois: Universidade Federal do Pará e Unicamp. Diferentes, mas dignos do nome de campus. O incômodo era nítido, muitos não disfarçaram as impressões da primeira ida ao bairro dos Pimentas.

Não reproduzo a versão oficial (da Unifesp, MEC ou governo do PT) sobre a razão da escolha daquele lugar (ou falta dela), que desconheço. Sei apenas que era um acordo entre a prefeitura petista de Guarulhos e a reitoria. Tudo com verba do Reuni, programa de apoio a planos de expansão das universidades federais.

Hoje vejo que a tosca decisão pelo local foi política. Não havia um projeto acadêmico, se muito um projeto político-partidário populista.

O projeto acadêmico de expansão da Unifesp para as humanidades éramos nós, professores, alunos e funcionários, que deveríamos ter percebido isso há mais tempo e tomado as rédeas de nosso destino. 

Lamentavelmente não fizemos isso.

As consequências, incluindo a prisão de alunos, estão em todos os jornais nas últimas semanas, ainda que de modo parcial e irresponsável.

Nos primeiros contatos que tive com os colegas médicos (para quem não sabe, a Unifesp era exclusivamente médica), nunca recebi uma acolhida minimamente gentil. Sempre senti que éramos invasores de um espaço tradicional e intocável.

Mesmo que, para nós, trabalhar numa universidade de ponta em São Paulo fosse uma chance única, as conversas deixavam sempre a impressão de que a Escola Paulista de Medicina era um templo inviolável, que não passávamos de intrusos.

Isso teve momentos oficiais, como numa recepção para nós, quando um eminente médico iniciou a sessão dizendo que precisávamos saber logo que eles, médicos, tinham grande soberba, e que deveríamos aceitar isso desde o início.

Cheguei a pensar que fosse uma brincadeira, dessas que colegas fazem com outros nas empresas, um trote profissional. Ledo engano. A frase mostraria que a Unifesp não fez a menor questão de assimilar a dinâmica de trabalho dos pesquisadores das novas áreas.

Existiram casos até casos cômicos: tentei cadastrar o "1° Simpósio de Teoria Crítica da Unifesp". Ouvi: "Tão novo na Unifesp, o senhor não acha estranho organizar um evento para criticar a nossa universidade?". O evento teve de ser rebatizado: "1° Simpósio Unifesp de Teoria Crítica".

O campus Guarulhos foi tratado nesses seis anos com um constrangedor desprezo pela cúpula da Unifesp. 

Segue abandonado, como o conheci em 2006. Há agora apenas um novo prédio de aulas batizado apropriadamente pelos alunos de "puxadinho" e um galpão de madeira precário com o bandejão.

No campus, até recentemente invisível para a reitoria e a imprensa, hoje há seis graduações e quatro mestrados. Fruto de um trabalho docente resignado, mas consciente de sua tarefa. Em condições ideais, talvez irradiássemos algo para o entorno. Hoje a maioria sai da aula pensando em como enfrentar a Dutra.

Apesar de uma verba de milhões, até onde sabemos liberada há anos, o novo prédio nunca passa de uma maquete branquinha que adorna a entrada -sempre supostos entraves burocráticos barrando as licitações.

Quando saio do Estado, colegas de outras instituições me tratam com muito respeito. Demorei a entender. 

Para meu desgosto, vim a saber que isso era fruto da ideia de que éramos privilegiados por trabalhar na Unifesp, "centro de excelência". E eu invejando seus campi arborizados onde tudo funciona, até a internet...

Na minha sala, há três caixas de livros, parte de uma doação dos professores Paulo e Otília Arantes. Não temos onde colocar. Estavam ameaçados por goteiras. Dividimos o acervo nas nossas salas, sem esperança. 

Meu sentimento maior é vergonha.

Sempre argumentam que o campus tem uma missão: levar "civilização" para a região. Cercados pela periferia, com frequência discutimos como melhorar o transporte público para atender alunos e moradores.

Mas tomar o lugar do Estado é a função da universidade? Confesso que me sinto egoísta, mas creio que não. Nossa função deveria ser educar, algo que parece fazer pouco sentido com a intolerância que hoje domina o campus. Alunos e professores em lados opostos, como inimigos num front onde, fora os intolerantes, todos têm razão. Um entrave coletivo que semana a semana piora, de modo descontrolado. 

Uma ferida que não sei se vai cicatrizar.

Quem sou eu para ensinar aos médicos como fazer prognósticos, mas tenho certeza que eles sabem as consequências de um diagnóstico tardio.

FONTE:FOLHA DE SÃO PAULO / HENRY BURNETT, 40, doutor em filosofia pela Unicamp, é professor do campus de Guarulhos da Unifesp

quinta-feira, junho 21, 2012

Maconha legal


Droga era usada para asma e vendida legalmente no Brasil

A maconha já foi usada e vendida legalmente no Brasil entre o final do século 19 e início do 20. Não havia restrição à droga - só em 1938 a substância foi considerada entorpecente -  e seu uso medicinal era corriqueiro. Vários anúncios e testemunhais foram publicados no 'Estado'. A maioria deles exaltava os benefícios da droga em tratamentos de saúde.

Um 'infeliz carregador de jornais', afirma quase ter largado a "modesta posição que lhe assegurava o pão" por causa da asma. Mas depois de fazer uso dos cigarros de 'cannabis' ficou tão satisfeito com os resultados que sua vida sem eles seria impossível, destaca o anúncio de 22 de maio de 1896.  

As principais indicações da maconha eram para problemas respiratórios: asma, bronquite, tosse. Mas, também, era indicada para insônia. Os “Cigarros Índios” (cigarrettes indiennes) com a substância 'cannabis indica' prometiam alívio imediato dos sintomas. Os cigarros, industrializados, eram vendidos embalados e comercializados pelo laboratório francês Grimault & Comp.

FONTE: Estadao.com

Carta a Rede Bandeirantes de Comunicação


Ao Diretor de Jornalismo da Rede Bandeirantes de Televisão

Prezado Senhor Fernando Mitre,

Dirigimo-nos respeitosamente ao Departamento de Jornalismo da Rede Bandeirantes, cujo jornalismo é reputado como um dos mais qualificados da televisão brasileira, para refutar a opinião do comentarista Alberto Almeida, emitida no Jornal da Noite no dia 13/06/2012.

O comentarista aproveita o bordão do âncora Boris Casoy para dizer que a “greve nas universidades é uma vergonha” e começa a elencar de forma simplista os seus argumentos. Alberto Almeida afirma que as greves são decididas por uma minoria. As atas das assembleias que têm chegado ao Comando Nacional de Greve (CNG) – ANDES/SN mostram que um número representativo de docentes tem comparecido às assembleias , que são abertas e amplamente divulgadas pelas seções sindicais. É importante frisar que os docentes que comparecem às assembleias têm uma representatividade legítima que não pode ser levianamente desqualificada. São milhares de professores em todos os cantos do país que participam de discussões aprofundadas sobre o tipo de Universidade que queremos.

O segundo argumento elencado pelo comentarista é que cursos de Engenharia, Medicina e Direito nunca param. Uma conferência in loco, papel do bom jornalismo, desmentiria essa afirmação. A ampliação do número de cursos e de campi no Brasil afora (o que defendemos), mas feita sem o devido planejamento (o que criticamos), tem deixado vários cursos em precárias condições de funcionamento - cursos sem laboratórios, sem professores, prédios inacabados- alguns tiveram inclusive que retardar o início do semestre letivo. A precariedade das condições de trabalho atingiu níveis tão alarmantes, que os cursos de Medicina e Direito também aderiram ao movimento paredista.

A verdade é que a desvalorização, por parte do governo, do trabalho docente e da dedicação exclusiva ao ensino, pesquisa e extensão, leva muitos professores desses cursos a procurarem na iniciativa privada complementos salariais. A necessidade de buscar outras fontes de renda precariza as condições de trabalho do professor e pode comprometer a qualidade do Ensino.

Ignorando o direito constitucional, através do qual os trabalhadores têm na greve um instrumento legítimo de reivindicação dos seus direitos, o comentarista diz que as greves dos professores são remuneradas. Todo professor ético, compromissado com a educação de qualidade, repõe as aulas que não foram dadas durante a paralisação, portanto, recebe pelo seu trabalho. Vale lembrar que os professores só consideraram a alternativa da greve depois de dois anos de tratativas com o governo que não resultaram em cumprimento de acordos assinados.

Acrescentamos ainda que o próprio momento da greve é tempo/lugar de reflexão sobre a Universidade, seu papel na construção de cidadania e análise crítica sobre os rumos da Educação. As aulas de cidadania que têm sido ministradas nas praças e anfiteatros demonstram que outra Universidade é possível, viva, pulsante, participativa.

Temas fundamentais como a discussão sobre os modelos produtivistas exigidos pelas agências de fomento (CAPES, CNPq, entre outras), a reflexão sobre as formas de democratização da gestão das Universidades, tem estado no centro dos debates feitos durante essa greve. O apoio maciço dado pelos estudantes, vários deles também votaram pela greve no segmento discente, comprova que a luta pela valorização do trabalho docente é também uma bandeira empunhada por eles.

Alberto Almeida termina por dizer que esta é uma greve conveniente e que não dá em nada. As greves não são convenientes, todos os docentes, estudantes e técnicos administrativos que estão envolvidos na construção do movimento de resistência ao desmonte da Universidade pública têm trabalhado arduamente durante esses dias. Preferíamos estar em sala de aula, prosseguindo nossas pesquisas e orientações, executando as muitas formas de extensão. A paralisação reafirma nossa resistência, nossa dignidade, nosso papel de educadores, conscientes de que sem Universidade pública, gratuita e de qualidade o Brasil jamais fará jus à condição de “gigante” que a propaganda oficial alardeia. 

A partir dessas ponderações pedimos ao Departamento de Jornalismo da Band, o direito ao contraditório. O Comando Nacional de Greve e a diretoria do ANDES-SN se colocam à disposição da emissora no endereço e telefones em Brasília para posicionarem-se sobre o assunto.

Gratos pela atenção,

Andes/SN CNG

quarta-feira, junho 20, 2012

Sem chegar a acordo, 54 federais estão em greve

Em um mês, as greves já abrangem professores, funcionários e alunos. O governo promete aumento ano que vem apenas para professores

No dia 17 de junho, a greve dos professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) completou um mês. Entre as reivindicações da classe estão o reajuste do piso salarial (que hoje é de R$ 2,8 mil) e a elaboração de um plano de carreira único. Os funcionários iniciaram greve dia 11 de junho. Entre suas reivindicações está o reajuste do piso para três salários mínimos. Passado pouco mais de um mês do início da greve dos professores, 54 das 59 Ifes têm seus professores paralisados; entre funcionários o número é de 47 unidades em greve.

Jorge Luiz Souto Maior, professor da Faculdade de Direito (FD) da USP, pontua que as leis que regem as universidades estaduais e federais são distintas, mas que “o meio de luta pode, muito bem, ser o mesmo”. Segundo o professor a legitimidade da greve “é indiscutível” e, historicamente, ela tem sido “o meio mais eficaz na luta por direitos trabalhistas”.
Apesar do número de universidades paralisadas, poucas notícias têm sido veiculadas na mídia. “Essa é uma questão que de fato me intriga. São inúmeras Faculdades em greve há vários dias, tendo gerado, inclusive, conflitos com agressões e prisões, e a difusão midiática tem sido infinitamente menor do que aquela que se deu no caso da USP no final do ano passado, que se tratava de uma revolta de estudantes contra o convênio da USP com a PM e que durou poucos dias”, afirma.
O governo também tem dado pouca atenção às reivindicações. A primeira reunião com as entidades que representam os professores aconteceu dia 12 de junho. Participaram dela integrantes do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e da Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) e Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe).
Além da trégua de 20 dias na greve, rejeitada pelos docentes, o governo propôs aumento salarial e equiparação das carreiras dos professores às dos funcionários do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Uma das diferenças diz respeito ao salário. Enquanto um docente de uma unidade federal tem piso de cerca de R$ 2,8 mil, o de um funcionário do Ministério é de R$ 5 mil. O teto também muda: enquanto o de um professor é de R$ 12 mil, o de um funcionário do ministério bate os R$ 17 mil. Além disso, o plano de carreira do Ministério inclui titulação mínima; no novo sistema, seria necessário ter o título de doutor para o docente começar a carreira.
A promessa do governo, no entanto, é para o ano que vem e não se aplica a funcionários. A justificativa do governo é de que há espaço no orçamento apenas para o reajuste nos salários dos professores e militares. Caso os funcionários também recebessem aumento, as contas não bateriam.
João Paulo Ribeiro, coordenador de organização sindical da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras (Fasubra), questiona a posição do governo “O governo teve um superávit primario de R$ 138 bi. Ou seja, dinheiro para a dívida externa eles têm, para os empresários eles têm, para saldar a dívida das entidades filantrópicas eles têm; por que não vão dar para os trabalhadores?”.
Um dia antes da reunião com os docentes, os funcionários também haviam entrado em greve. Em uma semana, 47 unidades de ensino federais, com sindicatos ligados à Fasubra, haviam aderido à greve.
A próxima rodada de negociação entre professores e governo estava marcada para dia 19, terça-feira. No entanto, no final da tarde de segunda-feira o governo a desmarcou, o que levou os professores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) a aderir e os da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) a convocarem assembleia  no dia 19 para decidir se entram ou não.
Alunos
Além de professores e funcionários, alunos de mais de 15 Ifes, inclusive a Unifesp, em São Paulo, também estão paralisados. O movimento, que começou a partir da greve dos docentes, agora já agrega pautas estudantis, que variam em cada instituição e giram também em torno de eixos gerais.
Para Ana Carolina Meirelles, estudante da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e representante no Comando Nacional de Greve, “se o movimento estudantil esperava algum momento para se reerguer, essa hora chegou”, afirma.
Os alunos em greve ou mobilizados em torno dos eixos centrais reivindicam, entre outros, a destinação de 10% do PIB para a educação e eleições paritárias para conselhos e reitorias. No dia 5 de junho, os estudantes realizaram um ato em Brasília e uma plenária. Nesta ocasião, definiram um Comando a nível nacional e eixos gerais.
Dentro do eixo de “Democracia e Autonomia”, os estudantes em greve reivindicam o fim das indicações para diretores de campus, eleições no mínimo paritárias para reitor e o fim da entrada da PM nos campi. Já no eixo de “Financiamento”, pedem o fim do processo de privatização nas universidades, reconhecido através dos cursos pagos e fundações privadas que se instalam nas universidades e Ifes e a destinação de 10% do PIB para educação.
Por fim, o último eixo é “Assistência Estudantil”, que cobra a universalização das bolsas de pesquisa, o aumento dos recursos para assistência estudantil, e o aumento das bolsas de permanência em equivalência ao salário mínimo, entre outros.
A militarização da segurança nos campi é tema da greve. Na Unifesp, 22 estudantes foram presos no dia 15 de junho ao realizarem um ato no campus de Guarulhos. No blog do comando de greve dessa federal, os alunos estampam sua indignação: “as forças representativas nas Universidades Públicas como um todo esqueceram o diálogo tão caro conquistado democraticamente e adotaram a mesma postura, a saber: tratar o problema da educação como caso de polícia. Foi assim na USP. É assim na Unifesp”.
A estudante Ana Carolina acredita que a greve pode sair vitoriosa em diversos eixos. “As nossas pautas estudantis locais, aqui na Ufop, já foram anexadas à greve dos professores e servidores, por exemplo. E isso tende a acontecer em outros lugares”, ilustra. “O momento é histórico”.
FONTE: Jornal do Campus - USP /Letícia Fucuchima; Marcelo Carvalho; Paulo Fávari  

MANIFESTO À POPULAÇÃO: ANDES-SN/ FASUBRA/ SINASEFE


MANIFESTO À POPULAÇÃO
A defesa do ensino público, gratuito e de qualidade expressa uma exigência da população brasileira, que há tempos clama por serviços públicos de qualidade e é também parte essencial da história dos movimentos sociais ligados à educação. Vale lembrar que educação, saúde, segurança, transporte, entre outros, são direitos de todos e dever do Estado.
Nas últimas semanas, professores, técnico-administrativos e estudantes das Instituições Federais de Ensino voltaram às ruas para cobrar dos governantes que cumpram seu papel e dediquem atenção, de fato, às reais demandas sociais.
Os trabalhadores da educação federal e estudantes estão em greve, porque estão conscientes de que é imprescindível lutar em defesa das Instituições Federais de Ensino. As negociações com o governo não avançam. No entanto, crescem a degradação das condições de trabalho, ensino e a deterioração da infraestrutura oferecida nas universidades, institutos e centros tecnológicos federais.
Os professores, técnicos e estudantes defendem sim uma expansão, desde que exista qualidade. Não adianta criar novas instituições sem oferecer as condições satisfatórias para que elas funcionem.
A realidade vivenciada pelos professores, técnicos e estudantes é muito diferente do que divulga a propaganda oficial do governo federal. A cada começo de ano fica mais evidente a precariedade de várias instituições federais de ensino, principalmente naquelas em que ocorreu a expansão via
Reuni.
Faltam salas de aula, laboratórios, restaurantes estudantis, bibliotecas, banheiros, saneamento básico e em alguns lugares até papel higiênico. Ninguém deveria ser submetido a trabalhar, a ensinar e aprender num ambiente assim.
Além disso, é necessário também oferecer um plano de carreira, que valorize os professores e técnicos e os incentivem a dedicar suas vidas a essas instituições, à construção do conhecimento, aos projetos de pesquisa e de extensão. Só assim, é possível oferecer educação com a qualidade que a população brasileira merece.
No entanto, o governo federal vira as costas para os argumentos e propostas dos servidores públicos e usa seguidamente o discurso da crise financeira internacional como justificativa para não atender às reivindicações que são apresentadas pelos movimentos sociais em defesa da educação.
Não faltam recursos, o que falta é vontade política dos governantes. A verdadeira crise brasileira não é a crise financeira, mas sim ausência de políticas públicas que atendam as necessidades da população.
Priorizar a destinação dos recursos públicos na lógica do setor empresarial financeirizado, como o governo tem feito, causa impactos cada vez mais negativos nos serviços públicos.
Os professores, técnicos e estudantes estão nas ruas para dar um novo rumo ao ensino federal e, para isso, conclamam toda a população a fazer de 2012 um marco na história da educação brasileira.
ENTIDADES NACIONAIS DA EDUCAÇÃO FEDERAL  
ANDES-SN/ FASUBRA/ SINASEFE

Rio+20: Rascunho Zero, Nota Zero!


A diplomacia brasileira perdeu uma chance única para surgir como um polo inovador e ousado, comportando-se de forma tradicional e como se o tema tivesse que ser tratado como uma das muitas crises retóricas existentes no âmbito da ONU.


Riocentro, Rio de Janeiro – cerca de 170 representantes de todo o mundo, entre chefes de estado e chefes de governo, começaram hoje, aqui no Rio, a Conferência da ONU para deter um modo destrutivo e insustentável de uso dos recursos do planeta. Trata-se de reverter, em pouco tempo, um modo de produção e de consumo instalado desde a Revolução Industrial, no século XVIII, que se mostra hoje insustentável e destrutivo. 

O Brasil como articulador global
O Rio está em festa! Claro que os moradores comuns, aqueles que vão ao trabalho, que usam os aeroportos, que pegam táxis e trafegam pelas linhas de acesso ao centro da cidade não estão contentes. 

Engarrafamentos, passeatas que fecham avenidas, lotação de voos e outros dissabores estão no pacote. O humor carioca já apelidou a Conferência de Rio+20 "minutos" – margem mínima de atrasos... Mas, em compensação, as ruas estão cheias de gente alegre, colorida, diferentes e muito curiosos sobretudo, como as belas moças, de peito nu, dos “Tambores de Safo”. Os hotéis estão lotados, pousadas e mesmo moradias abrigam o pessoal dos movimentos sociais. Nas ruas manifestam-se mulheres, índios, gays, camponeses, sem-tetos e, claro, funcionários públicos em greve.

Em fim, a cidade cumpre seu papel de cidade de acolhimento, cosmopolita e amigável com todas as tribos.

A irritação, e mesmo certa decepção, ficou por conta das reuniões preparatórias do Documento Base a ser discutido e assinado pelos representantes aqui presentes. O chamado Documento Zero, inicialmente realista, apontando para as graves necessidades de alimentos, energia e água da humanidade até 2030 – em termos de história isso quer dizer “amanhã pela manhã” – não foram contemplados com a gravidade imposta pela realidade. A direção da diplomacia brasileira – anfitriã a quem cabia dirigir os trabalhos – foi fraca e muito mais interessada em “costurar” consensos superficiais do que aprofundar decisões. 

Ao contrário de Copenhague em 2009, quando em face de uma tentativa dos Estados Unidos e da China Popular em esvaziar o processo de tomada de decisões, o Brasil e a França (representando a União Europeia) fizeram esforços e tomaram decisões autônomas, a diplomacia brasileira no Rio este ano optou por eliminar os pontos mais difíceis, transformou metas objetivas em promessas para o futuro e transferiu para 2015 as decisões que (com atraso) já deviam ter sido decididas. Por fim, abandonou a parceria com a França como país líder no desenvolvimento sustentável.

A Rio+20 tornou-se uma conferência criadora de uma mapa, de uma “folha de rota”, mas não uma conferência decisiva.

Uma agenda internacional confusa
O momento de reunião da Rio+20 é, em seu conjunto, é muito ruim. A crise econômica mundial – choque brutal sobre a Zona do Euro, fragilidade da economia americana, paralisia do Japão e desaceleração dos países emergentes – é, sem dúvida, um quadro de pessimismo, com a maioria dos países lutando por emprego e crescimento da renda. Além disso, o calendário diplomático mundial foi mal pensado. Com as eleições nos Estados Unidos e na Europa – exceção valorosa para François Hollande – a maioria dos chefes de estado não estão disponíveis para uma agenda tão longa na Rio e, muito menos, para promessas de encarecimento da produção e do consumo através da limitação da “economia fóssil”. 

Para piorar a situação, a reunião do G-20 no México, ficou colada na Rio+20, fazendo com que muitos chefes de estado não pudessem ficar fora de seus países tanto tempo. E, incluímos aí, o ministro do exterior do Brasil, que ausente, não pode tomar as iniciativas necessárias, deixando as decisões sobre o Rascunho Zero nas mãos dos diplomatas formados na “escola do consenso”.

Tudo isso era previsível. Tudo isso era agenda aguardada. Houve imprevisão.

As decisões não tomadas
Para conseguir tal consenso a diplomacia mundial, e em especial a brasileira, aceitou a limitação castratadora do Documento Base. Pontos fundamentais foram afastados, in limine, das decisões em pauta, a saber:

i. A transformação do PNUMA (Programa das Nações Unidas para Meio-Ambiente, criado em 1972) numa agencia mundial, com poderes normativos e reguladores;

ii. Total silêncio sobre a proposta de criação de um imposto sobre as transações financeiras mundiais (o “hot Money”) para financiar a nova “economia verde”;

iii. O estabelecimento de metas objetivas, gerais, com clara distribuição entre os países, capazes de serem verificadas, de imediato.

Ao abrir mão de tais questões, num debate diplomático baseado, de forma equivocada, na ideia de que pouco é melhor do que nada, a Rio+20 esvaziou suas principiais expectativas.

A diplomacia brasileira perdeu uma chance única para surgir como um polo inovador e ousado, comportando-se de forma tradicional e como se o tema tivesse que ser tratado como uma das muitas crises retóricas existentes no âmbito da ONU.

O Secretário-geral a ONU, Bam Ki-moon, normalmente invisível, foi, em seu discurso de abertura, inciso e não deixou de demonstrar sua decepção, e o presidente François Hollande, foi, por sua vez, claramente ousado e propondo metas e ações imediatas, são as exceções, até o momento, no pavilhão de conferencias do Riocentro. Infelizmente o Brasil ficou na retaguarda da luta pela sustentabilidade.

Esperemos que nos próximos dias, quiçá horas, o Itamaraty acorde para o imenso dano que pode representar uma Rio+20 fraca e sem objetivos claros.

FONTE:carta maior - Francisco Carlos Teixeira -  Professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Direção do IFRO ameaça estudantes para desestabilizar movimento grevista


Mães de alunos do InstitutoFederal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (Ifro) denunciaram ao Novo Jornal que os filhos estão sendo coagidos para não apoiar a greve dos professores e técnicos administrativos da instituição.
Elas afirmam que os estudantes são menores e a forma como vêm sendo pressionados contraria o Estatuto da Criança e do Adolescente. “O ideal, até para uma boa formação intelectual e moral, é que eles (os menores) tivessem liberdade para escolher se apóiam ou não a greve”, disse uma das mães bastante preocupada com a forma de pressão pela qual os alunos são submetidos pela direção do estabelecimento de ensino.
Os estudantes também alegam que, desde a formação de um grêmio estudantil, a direção da escola tenta impedir as assembléias, proibindo reuniões nas dependências da instituição e distribuição de cartazes e panfletos. “Agora com a deflagração da greve dos técnicos e docentes, os diretores ignoram nosso direito de livre organização e pensamento”, afirmam em panfleto, convocando alunos para participar da manifestação em apoio à greve marcada para esta quarta-feira (20 de junho).
No mesmo documento, que é assinado pelo Comando Estudantil de Luta pela Educação, os estudantes garantem que desde o começo da greve no dia 13 deste mês, quem declarou que pensava em dar apoio aos professores estão sendo sofrendo represarias, coações e ameaças.
Duas conselheiras do Conselho Tutelar, ainda conforme denúncias dos líderes estudantis foram até a instituição com o único propósito de impedir que alunos apoiassem a greve.
A paralisação nacional foi decidida no dia 23 de maio, em Brasília. Os grevistas reivindicam aumento salarial de 22%, reestruturação de carreira e melhor condição de trabalho.
Em Porto Velho, de acordo com o comando de greve, a paralisação atinge mais de70 professores da instituição. Eles afirmam que estão trabalhando seis anos sem reajuste salarial.
Lamentam também que a construção do prédio de mais um campus em Porto Velho se arrasta há mais de três anos. Sem a conclusão, os laboratórios para aulas práticas continuam precários.


Fonte : NOVO JORNAL    

2012 GREVE ESTUDANTIL: ALUNOS DO IFMG CAMPUS OURO PRETO


PAUTA INTERNA DE REIVINDICAÇÕES DOS ALUNOS

 DO IFMG CAMPUS OURO PRETO


O Grêmio Livre Estudantil Voz Ativa dos Estudantes do IFMG Campus Ouro Preto deflagrou greve em 13 de maio em apoio ao movimento paredista dos servidores e juntos, corpo discente e trabalhadores, lutam em prol de melhorias na educação.
CONFIRA A PAUTA DE REIVINDICAÇÕES DOS ESTUDANTES:
INTERNAS:
* aceleração da obra do restaurante, com opção vegetariana;
* biblioteca com mais espaço para estudar e mais livros de literatura;
* armários nas salas;
* melhorias nas salas dos pavilhões;
* mais eventos culturais e educativos;
* mobiliários das salas; mais acessibilidade;
* maior divulgação dos cursos superiores;
* infraestrutura dos cursos superiores.
EXTERNAS:
* 10% do PIB para Educação;
* Abertura de concursos para professores efetivos;
* Expansão e aumento das bolsas pesquisa, extensão e assistência estudantil;
Mais informações sobre o Grêmio Estudantil podem ser obtidas no perfil da entidade no Facebook.
FONTE: GREVE SINASEFE

terça-feira, junho 19, 2012

Maluf e o PT provam que pior do que está pode ficar sim

Foto de Maluf com Haddad e Lula causaram indignação até mesmo em quem já está acostumado com as alianças do PT

Quando ninguém mais acreditava que pudesse se surpreender com o jogo das alianças espúrias na política, eis que algo novo sempre aparece para desafiar esse limite. Nesse dia 18 de junho, a foto do ex-presidente Lula e seu candidato Fernando Haddad, empurrado goela abaixo da militância petista como pré-candidato à prefeitura da cidade, com ninguém menos que Paulo Maluf, foi um desses momentos de consternação.


A aliança do PT com o PP de Maluf foi selada oficialmente na própria casa do ex-prefeito de São Paulo. As conversas e articulações, porém, já estavam adiantadas. Em troca do apoio de Maluf e do 1min35 de tempo de TV de seu partido, o PT deu uma secretaria do Ministério das Cidades a um de seus apadrinhados. Mas, num tempo em que a imagem predomina, Maluf exigiu que Lula fosse pessoalmente à sua casa, para registrar o momento histórico em uma foto. E assim foi. 

A imagem do candidato do PT com uma das figuras símbolo da corrupção no país, dono de bordões como "estupra, mas não mata" e presente na lista de procurados da Interpol causou indignação até mesmo entre os petistas já acostumados à política de alianças "pragmáticas" de seu partido. A foto com Maluf deu a impressão até mesmo a esse setor de que, desta vez, o partido "passou do limite". O apoio de Maluf a Marta em 2004, por exemplo, reduzira-se a uma declaração de voto e não a poses para retratos.

O acordo com Maluf pegou até mesmo Luiza Erundina (PSB) de surpresa. Balançada, a pré-candidata a vice de Haddad criticou a aliança, ainda que, ao contrário do que chegou a noticiar alguns veículos, aceite permanecer na chapa do PT.

O coro dos hipócritas

Mas não foi só parte da militância petista que comentou a foto de Lula com Maluf. Os maiores veículos da imprensa paulista, como a Veja, Estadão e Folha de S. Paulo, estamparam com destaque a imagem, como forma de desgastar a imagem de Haddad em prol da candidatura Serra. 

Menor destaque dão, porém, ao recente apoio prestado por Valdemar da Costa Neto ao candidato tucano. Valdemar, presidente do PR (então PL), foi um dos protagonistas do escândalo do mensalão. Na época, em 2005, o então deputado renunciou para não ser cassado. O apoio a Serra em São Paulo seria uma forma de vingança pelo PR ter sido preterido pelo Governo Federal na distribuição de cargos e ministérios. 

O PSDB, também de olho no tempo de TV do PR, prefere esquecer por hora o mensalão, cujo julgamento no STF está marcado para agosto. Questionado sobre a "incoerência", Serra deu sua contribuição ao rol de frases esdrúxulas afirmando que faz aliança "com partidos, não com pessoas".

Diga-me com quem andas...

A foto de Maluf e Lula de fato choca. Porém não chega a ser exatamente uma novidade, já que o PP sempre esteve na base aliada do governo Lula, e agora no de Dilma. A coerência e o discurso da “ética na política” já foi há muito abandonado a favor da chamada “real politik”, que já produziu imagens como a do hoje senador Lindberg Farias (PT) apertando as mãos do colega Fernando Collor de Melo, vinte anos após as mobilizações dirigidas pelo então presidente da UNE.

Há tempos o PT se lançou de corpo e alma ao mais puro fisiologismo. Com as fronteiras de classe dissolvidas, vale tudo, e qualquer preço nunca é caro o bastante para chegar e se manter no poder. De ruralistas a mais conservadora bancada evangélica. Os poucos militantes petistas que ainda se vêem obrigados a justificar tais alianças, costumam apontar o dedo para o PSTU “que não se alia com ninguém, mas também não elege”. Nessa lógica, faria sentido abrir mão de alguns princípios para chegar ao poder. Mas seria mesmo assim?

Passada uma década de governo petista, nenhuma mudança estrutural foi realizada. Velhas oligarquias regionais, como a família Sarney, são eternizadas pelo próprio PT. Medidas como a reforma do Código Florestal, há anos parada no Congresso, são retomadas. Até mesmo medidas aparentemente tão simples e básica, como uma cartilha anti-homofobia nas escolas para combater a violência contra homossexuais, são vetadas em nome das alianças conservadoras. 

Na política, ou você luta contra a direita, os ricos e poderosos, ou se alia a eles. O PT, há muito, já escolheu o seu lado. Ingenuidade é achar que, abraçado a Paulo Maluf, é possível mudar alguma coisa.


FONTE: OPINIÃO SOCIALISTA

Rio+20: Indígenas do mundo todo cobram governos


Em texto, lideranças pedem respeito a direitos humanos
Indígenas reunidos na Rio+20, que ocorre no Rio de Janeiro, reivindicam a inclusão da cultura como um dos pilares do desenvolvimento sustentável.
Na quinta-feira (14), quando iniciaram sua participação na cúpula mundial, lideranças indígenas leram o documento "Bem Viver e os Direitos da Mão Terra", em que pedem a inclusão da cultura, mas também respeito aos direitos humanos e coletivos.
No texto, também cobram regulação das atividades extrativistas e reconhecimento das diversas economias.
Leia abaixo a íntegra do documento.
Honra aos nossos povos, honra à nossa Mãe
Os povos indígenas de todo mundo temos uma conexão especial com nossas terras e recursos, produto da longa relação com nossos territórios. Dentro desta sala, todos temos a obrigação moral e legal de assegurar que as futuras gerações tenham um acesso aos recursos necessários para assegurar sua sobrevivência e bem-estar em longo prazo. Devemos respeitar os direitos da Mãe Terra, e proteger o tecido da vida, que nos sustenta a todos.
Devemos criar as necessárias mudanças políticas e o entendimento cultural para fazer frente a uma mudança sistémica a nível global. Neste sentido, os povos indígenas propomos o paradigma alternativo do Bom Viver, que significa o pleno exercício dos direitos humanos, respeitando a diversidade de todos os modos de vida, bem como viver em harmonia com a natureza. Os povos indígenas queremos a inclusão de um pilar cultural no desenvolvimento sustentável. Sacando forças de nossos valores espirituais e culturais, estamos decididos a superar as extremas divergências de poder e riqueza para evitar maiores perdas da diversidade biológica e cultural.
Aprofundar as democracias e cumprir com os direitos humanos
O desenvolvimento sustentável é um esforço dos governos e todos os povos, exigindo medidas audazes para consolidar a democracia em todos os âmbitos do governo e o cumprimento de todos os direitos humanos. A posta em prática dos direitos dos povos indígenas à livre determinação é uma garantia necessária e o resultado de um desenvolvimento equitativo e sustentável.
O marco institucional para o desenvolvimento sustentável requer a participação plena e efectiva dos povos indígenas na tomada de decisões em todos os níveis. Os governos são responsáveis e devem cumprir com os tratados, acordos e convênios com relação a povos indígenas.
A plena implementação da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, incluindo o respeito por nosso consentimento livre, prévio e informado é exigible para qualquer política, programa e projecto que afectam a nossas terras, territórios e recursos e nosso bem-estar.
Regular as indústrias extractivas e exigir a rendição de contas das empresas
É dever dos governos trabalhar com os povos indígenas para elaborar leis e regulações que incorporam o consentimento prévio, livre e informado para regular as indústrias extractivas. Requerem-se mecanismos para reconhecer os direitos dos povos indígenas a exercer a jurisdição e autoridade sobre a extracção de recursos dentro de seus territórios. A regulação conjunta é uma alternativa viável.
Em busca do crescimento econômico, os governos e as corporações entram em conflitos violentos com os povos indígenas, cujos territórios e lugares sagrados estão a ser contaminados e destruídos.
São necessárias sanções legalmente vinculantes para que as empresas rendam contas por seus danos ambientais, sociais e econômicos. Diversas economias locais devem ser reconhecidas e protegidas dos investimentos depredadoras que levam aos conflitos sociais.

FONTES: CAROS AMIGOS / da Redação

O preço do progresso: A Amazônia brasileira


Em discussão desde as primeiras conferências mundiais sobre problemas climáticos, a maior floresta do planeta está em pauta também na Rio+20. O que mudou no pensamento sobre a Amazônia ao longo dos anos?


A Amazônia brasileira está determinada por dois elementos básicos: o rio e a floresta. O maior banco genético do planeta ocupa 42% do território nacional com seus 510 milhões de hectares, tem uma cobertura vegetal equivalente a 22% da reserva florestal do mundo, e seu reservatório de água doce detém 25% do total disponível na Terra. Com aproximadamente 20% de todas as espécies de animais, e com espécies únicas, é um verdadeiro paraíso terrestre. Só o Rio Amazonas, o maior do mundo em volume de água, possui mais de cem afluentes, e um celeiro de peixes que enriquece este exótico acervo natural. 
Nos últimos 20 anos, a preocupação com essa biodiversidade e com a diminuição do efeito estufa vem ganhando cada vez mais adeptos. A Amazônia foi protagonista de inúmeros encontros internacionais sediados no Brasil e no exterior e, neste mês, volta a ser discutida na Rio+20, a Conferência das Nações sobre o Desenvolvimento Sustentável, que busca estabelecer metas para uma economia verde, em que sociedade, governo e empresas possam utilizar os recursos da natureza respeitando o meio ambiente.
As capitais dos maiores estados do Norte do país possuem hoje mais de um milhão de habitantes. Manaus e Belém, por exemplo, se situam em locais de antigos acampamentos de tropas de resgate e foram escolhidas pelos portugueses em função de suas características estratégicas militares: em geral grandes platôs de desenho triangular ou quadrado, vastamente irrigados, localizados no meio da floresta Amazônica, à margem dos rios Amazonas, Negro, Solimões, Guaporé e Branco. 
Economia amazônica em décadas
O declínio da economia baseada na extração do látex, entre os anos 1920 e 1940, por um lado, reduziu a pressão sobre as florestas e, por outro, isolou a região do contexto nacional e do capitalismo internacional, retornando à economia de subsistência, os produtos complementares à borracha passando a se constituir a base da economia regional.
Entre os anos de 1970 e 1980, as possibilidades de expansão da economia da Amazônia Ocidental cresceram na medida em que a ciência, a tecnologia e o conhecimento dos recursos naturais se ampliaram, fazendo aumentar as opções e as oportunidades da população.  As reflexões sobre ecologia e desenvolvimento sustentável envolveram o planeta, quando, por exemplo, Estocolmo sediou, em junho de 1972, a “Primeira Conferência Mundial sobre o Homem e o Meio Ambiente”, com a presença de apenas dois chefes de Estado: o anfitrião sueco Olof Palme e Indira Gandhi, da Índia.

Nessa conferência, foram introduzidos temas ligados à ecologia: os índices de poluição, desmatamentos, inversões de temperatura e os danos que causariam às futuras gerações. Na ocasião, os países em desenvolvimento não concordaram em reduzir suas atividades produtivas, uma vez que seus crescimentos estavam relacionados ao processo de industrialização.

No início dos anos 1990, perante o Conselho da Comunidade Econômica Européia e, depois, em reunião do G-7, o chanceler alemão Helmut Kohl comprometeu-se a levantar recursos para financiar o desenvolvimento sustentável na Amazônia. O projeto então proposto pelo G-7, em reunião de dezembro de 1991, teoricamente destinava-se à preservação das florestas tropicais do Brasil. Medidas de impacto se faziam oportunas: decidiram investir U$ 1,5 bilhões nas nossas florestas. Um dinheiro que, no final, acabou não sendo liberado.
Seis meses antes da Conferência Rio-92, quando a região estava mais do que nunca em evidência, o Duque de Edinburgo, Príncipe Philip, esteve em Manaus e se surpreendeu com a exuberância da floresta e seu grau de preservação. Na oportunidade, o visitante questionou a autoridade dos países europeus em acusar os amazônidas de devastar suas florestas, se eles próprios foram incapazes de preservar as suas. Merece também ser ressaltada a ida a Manaus do próprio chanceler alemão Helmut Kohl, também antes da Rio-92. O que ele viu, segundo seu próprio depoimento, foi uma Amazônia praticamente intocada. Suas impressões sobre a exuberância das florestas e dos rios foram registradas pela imprensa internacional que o acompanhava.
 Amazônia na Rio 92
Em 1992, o Brasil sediou a Conferência das Nações Unidas Rio-92: foram mais de cento e cinquenta chefes de Estado debatendo o futuro da humanidade.  A questão amazônica foi posta no centro das discussões, de modo a insinuar a incapacidade dos amazônidas de conter o que era então chamado abertamente de processo incontrolável de devastação.
Em outras palavras, parecia que a população local deveria ser advertida em alto e bom som por estar pondo em risco o futuro das espécies, incluindo a humana. Mas sabemos que a história não é bem assim: o interesse econômico pela região é gigantesco. É preciso deixar claro que existe a Amazônia intocada da floresta de terra firme, aquela sobre a qual pouco se sabe: a Amazônia dos rios, das várzeas, da estrada, da mineração, do extrativismo, das tribos indígenas , das metrópoles e do caboclo.
Hoje, o conhecimento disponível sobre a região nos autoriza a desmentir alguns mitos que têm sido cultivados em relação a ela. Os mitos se devem à falta de informação repassada sobre o tema e o pouco interesse científico brasileiro sobre ela. No Brasil, apenas 2% dos pesquisadores pensam e investigam a Amazônia. É possível localizar, em certas universidades dos Estados Unidos ou da Europa, mais informações sobre o tema do que aquelas disponíveis nos institutos locais de pesquisa. O custo dessa desinformação é muito maior do que se pode imaginar.
Pesquisas recentes indicam que o aumento da temperatura nas próximas décadas pode causar o derretimento das calotas polares e a elevação do nível dos oceanos. Esse aumento pode resultar na destruição de inúmeros ecossistemas, com a extinção de espécies animais e vegetais, além de destruição de cidades litorâneas. Preocupados com esses problemas, organismos internacionais, ONGs, autoridades de diversos países e a população estão exigindo medidas para a redução do desmatamento, da poluição e da emissão de gases. O Protocolo de Kioto, assinado em 1997, prevê a redução de poluentes nos próximos anos. Entretanto, alguns países do G-7, como os Estados Unidos, tiveram dificuldades no cumprimento do acordo alegando que a redução na emissão de gases poderia dificultar o avanço de suas indústrias.
Na Conferência Rio+20 espera-se a presença de 110 Chefes de Estado e de Governo, cujo tema principal será em torno da economia verde. Ela representa uma oportunidade de debater as questões ambientais, e uma reflexão sobre a atuação de certas organizações, com enorme dinamismo em suas redes sociais, que não estão sintonizadas com as necessidades da população de oito Estados Amazônicos. Seguidamente noticiadas pela imprensa, as áreas de conservação ambiental e terras indígenas são alvo de contrabando de diamantes, ouro, mogno etc. Elas deveriam alertar os executores das políticas públicas da FUNAI e do Plano de Ação para Preservação e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal. Espera-se que o encontro coloque a utilização das potencialidades amazônicas acima dos interesses comerciais. E que as coisas, enfim, comecem a mudar. 
FONTE: Revista de Historia / Graciete Guerra da Costa