Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!

sexta-feira, setembro 21, 2012

Femen Brazil não tem propostas feministas, acusa ex-número 2 do grupo

Em entrevista exclusiva, Bruna Themis contou também que o grupo rejeita a participação de meninas acima do peso

O Femen Brazil é um movimento sem propostas e afastado dos ideais do feminismo. Foi dessa forma que a estudante paulistana e ex-número 2 do Femen Brazil, Bruna Themis, classificou em entrevista exclusiva ao Opera Mundi o braço brasileiro do grupo feminista ucraniano, cujas integrantes ficaram conhecidas no mundo por fazer do topless uma arma de protesto.

Themis, que vive em São Paulo, acusou a líder do grupo no Brasil Sara Winter de ser centralizadora: "a palavra final é sempre da Sara, sem nenhuma discussão prévia". A ex-Femen Brazil também sugeriu que a líder do grupo é simpática ao nazismo. "A Sara disse que admira Hitler como pessoa, que ele foi um bom marido, que amava os animais, mas que não admira o Hitler público", afirmou. 

Além disso, Themis detalhou como é o processo de seleção das meninas que desejam ingressar no Femen Brazil e contou que a "matriz" ucraniana criticou as brasileiras, "porque colocamos meninas gordinhas nos protestos". De acordo com ela, o Femen "quer somente meninas que se enquadrem no padrão de beleza delas" nos protestos. 

Opera Mundi: O Femen cada vez mais ganha novos adeptos em diversos países e, apesar da crescente popularidade do grupo, você resolveu se desvincular do movimento. Por quê?

Bruna Themis: Eu acreditava no movimento, na causa, mas o tempo foi passando e eu vi que não compartilhávamos a mesma ideologia. Participei do meu primeiro protesto em 29 de julho, pela humanização do parto em casa, mas em menos de um mês já não estava contente com os rumos do projeto. O movimento no Brasil está sem propostas, sem perspectivas, sem embasamento teórico. O Femen Brazil está perdido, sem rumo algum.

A questão do envolvimento político do grupo também pesou para a minha saída. O Femen se apresenta como apartidário, mas eu não sabia que o Andrey (Russo, assessor da Sara Winter, líder do grupo, e do Femen Brazil) era candidato a vereador. Eu perguntei à Sara quem era o Andrey, qual era a relação que eles tinham, mas não tive resposta. Os dois estão enganando muita gente e tenho provas. Não quero prejudicar ninguém, mas não quero que mais pessoas caiam na mesma história.

(Andrey Cuia ou Andrey Russo é candidato a vereador em Santo André pelo PMN, o Partido da Mobilização Nacional, que apoia a candidata Soninha Francine para a prefeitura de São Paulo. Em seu perfil do Twitter, ele se apresentava como “assessor voluntário do Femen Brazil”, mas já não coloca o “cargo” na descrição do perfil)

Tive muito pouco contato com o Andrey. Ele aparecia somente quando dávamos entrevistas. Há muita falta de comunicação no grupo. Tudo é passado diretamente à Sara e ela repassa à equipe. Passei uma semana na casa dela em São Carlos e as conversas que tivemos me fizeram ter ainda mais certeza de que queria deixar o movimento. Muitas coisas me desagradaram, como a maneira que ela enxerga o projeto e o futuro dele. Também questionei as inúmeras revistas com a figura de Hitler que ela tem em casa. A Sara disse que admira Hitler como pessoa, que ele foi um bom marido, que amava os animais, mas que não admira o Hitler público. Achei meio estranho.

OM: Mas vocês tiveram alguma formação teórica, algum curso? Qual é a relação do Femen Brazil com a sede na Ucrânia?

BT: Não sei o que elas querem, por que elas criaram o Femen. O Femen Ucrânia me escreveu somente agora, quando eu saí do movimento. Eles não sabem quem é a líder, quem é a Sara Winter. E nós não sabemos nada delas. A Sara foi a Kiev (capital da Ucrânia) sozinha.

Funcionamos quase de maneira independente. Sou contra muitas das ações do grupo. Não concordei com o protesto pela banda punk russa Pussy Riot, por exemplo, na porta da embaixada. Não estou de acordo com a sentença das meninas, obviamente, mas acho que no Brasil temos muitos problemas, temos muitos assuntos para serem debatidos. O assunto das Pussy Riot é menos relevante para nós. Precisamos falar de números, de estatísticas e apresentar propostas ao governo. Fui contra também quando as meninas cortaram a cruz lá na Ucrânia. Achei desnecessário.

OM: O Femen Ucrânia é muitas vezes classificado como conservador por posicionar-se contra a prostituição, mesmo quando a mulher quer exercer a atividade. A Sara declarou em uma entrevista que pensa igual. Essa era a posição do Femen Brazil?

BT: O Femen Brazil não se posiciona sobre o assunto. O Femen Ucrânia acredita que a mulher escolhe a prostituição por falta de opção, mas não acho que seja sempre a verdade. Os membros do Femen Brazil nunca sentaram para falar sobre isso, porque toda e qualquer opinião vem da Sara.

Sou a favor do direito de escolha da mulher. Já conversei com algumas meninas que se dedicam à prostituição e inclusive tenho uma amiga que já trabalhou neste ramo, mas se ela chegar pra mim e disser que é realmente a escolha dela, eu não tenho nada a dizer. É a decisão dela. Eu ouvi histórias de meninas que disseram que não tinham opção e caíram nesta vida, mas outras que realmente preferiam vender o corpo. A decisão tem que ser sempre da mulher, é o corpo dela.

OM: Mas qual é a proposta do Femen?

BT: O Femen não tem proposta, isso eu posso afirmar. Elas não gostam nem de ler as críticas nos jornais ao movimento. Eu sempre lia e queria saber o porquê de falarem isso ou aquilo.

A sociedade ucraniana é diferente da nossa e o discurso do Femen deveria ser adaptado ao nosso contexto. As meninas da Ucrânia não sabem o que acontece no Brasil. Na Ucrânia, elas são o primeiro movimento feminista do país. No Brasil, não. Como podemos ser um movimento feminista no Brasil se não dialogamos com os outros movimentos que compartilham a mesma luta?

Muitas pessoas se ofereceram para ajudar, para nos dar formação, para nos explicar um pouco a história do movimento feminista no país, mas a Sara sempre recusou. O Femen é um movimento feminista que não trabalha com as feministas. E o Femen não é nem um movimento social porque não desenvolve e nem tem projeto para realizar nenhum trabalho social. Nenhum.

OM: E como é a seleção das meninas? Quem pode participar do grupo?

BT: O processo seletivo tem três etapas. Primeiro, fazemos uma entrevista, depois pedimos para que a candidata coloque um foto de topless no Facebook, para receber a reação de amigos e família e, por último, para que faça um topless em público, para que ela sinta o corpo dela. Mas muitas pessoas entraram no Femen sem entrevista. Não sabemos nem o que a pessoa buscava no movimento. A Sara estava mais preocupada com quantidade do que com a qualidade.

OM: Muita gente critica o movimento dizendo que as meninas só querem ficar famosas. Dizem que é um produto para ser consumido pelos meios de comunicação de massa, mas sem profundidade.

BT: Quando fui detida, uma das meninas me empurrou porque queria aparecer na câmera. É engraçado e triste. O Femen não é um movimento feminista. Ninguém lá sabe o que é feminismo. Eu sugeri que a gente buscasse vínculos com outros coletivos ou outros grupos feministas, mas a Sara recusou.

OM: Mas o movimento da Ucrânia também é assim? Elas também só querem estar na televisão ou essa crítica é somente ao grupo no Brasil?

BT: Da Ucrânia a gente sabe muito pouco. Mas segundo a Sara, nós recebemos criticas porque colocamos meninas gordinhas nos protestos. Elas querem somente meninas que se enquadrem no padrão de beleza delas. Nem sei se eu deveria estar falando sobre isso, mas enfim… As meninas da sede do Femen reclamaram dizendo que não seria bom para o movimento colocar meninas acima do peso no grupo.

OM: E quem administra a parte financeira?

BT: Eu nunca me envolvi com a questão de dinheiro, mas não há nenhuma prestação de contas. O dinheiro vai pra conta da Sara e pelo que a gente ficou sabendo agora, para a conta de PayPal do Andrey. Não sei como ela gasta o dinheiro. Eu disse pra Sara que o dinheiro das camisetas poderia ser usado para cobrir nossos gastos, mas as doações poderiam ser revertidas a organizações e ONGs que trabalham, por exemplo, com mulheres que são vítimas de violência domestica. A Sara não se posicionou. Não sei se ela vai considerar esta ideia.

OM: Você era a número 2 do movimento. Por que você saiu do grupo sem nenhuma explicação prévia?

BT: Eu já sabia que não ia fazer o protesto em Brasília. Não falei nada com a Sara. Fiz o check-in no aeroporto, fomos para a praça de alimentação e, enquanto a Sara cochilava, eu resolvi dar uma volta. Precisei de uns minutos pra tomar coragem, cancelei o meu voo e não falei nada para ela. Fiquei na sala de desembarque e desliguei o celular.  Liguei para o Andrey e avisei que estava me desligando do movimento. Ele me disse que a Sara estava me procurando, mas que depois nós podíamos conversar, quando ela voltasse de Brasília. Fui para casa, dormi e não liguei o computador nem chequei as redes sociais. Às 22h, a minha mãe me ligou perguntando o que havia acontecido, que história era aquela de sequestro. Eu não sabia de nada, estava em casa. A Sara inventou isso pra imprensa e deixou todo mundo preocupado. Eu nunca recebi ameaça nenhuma.

OM: E você não recebeu ameaças da Sara ou do Andrey, depois de ter saído do grupo?

BT: Ainda não. Talvez depois desta entrevista (risos). Eu não quero prejudicar ninguém. Eles vão se destruir sozinhos. Cada um querendo comer o outro. O Femen não conversa nem mesmo sobre o que a líder ou os membros vão falar em público. A única preocupação é em aparecer. A palavra final é sempre da Sara, sem nenhuma discussão prévia. Não éramos uma equipe. Temos uma líder que não sabe pra onde ir. A Sara me disse que eu estou recebendo dinheiro de alguém pra prejudicá-la, mas eu só quero mesmo é alertar as pessoas que acreditam na história do Femen.

OM: Você é feminista ou neofeminista?

BT: Eu perguntei à minha psicanalista esta semana algo parecido, mas a minha dúvida é se eu sou feminista ou humanista. Quero continuar com trabalhos sociais, mas quero ver que estou mudando algo. Não entrei no Femen buscando fama e não tenho intenção de participar de nenhum programa de televisão, mesmo se me chamarem.

OM: E posar nua?

BT: Quando eu estava no Femen, não fazia sentido posar nua. Agora eu não sei se teria coragem de fazer isso.

OM: Você se arrependeu de ter feito parte do movimento?

BT: Não estou frustrada. Estou magoada. Conheci pessoas erradas.

terça-feira, setembro 18, 2012

Centenas de milhares lotam as ruas do país para mandar embora o governo e a troika


Não há volta a dar: a maior manifestação desde o 1º de Maio de 1974 não quer mais a troika nem o governo de Pedro Passos Coelho a chefiar os destinos do país. “Fora, fora, fora já daqui, a fome, a miséria e o FMI”; “Está na hora, está na hora de o governo ir embora”; “Troika não, troika não, troika não”; “Gatunos”; “Portugal”; e apelos à unidade da esquerda foram algumas das palavras de ordem gritadas por centenas de milhares de pessoas, de jovens a reformados, trabalhadores, desempregados, estudantes e pequenos empresários, famílias inteiras, em 40 cidades do país. Muitas pessoas disseram que esta foi a primeira manifestação em que participaram.
“Foi o enterro mais animado que eu já vi”, ironizou um jovem durante a manifestação em Lisboa, referindo-se ao “defunto” governo de Passos Coelho. Em Lisboa, havia ainda mais gente nas ruas do que no 12 de Março do ano passado, na manif da Geração à Rasca, quando ficou claro que o governo de José Sócrates/PS não teria mais condições políticas de continuar a governar. No Porto, segundo o Jornal de Notícias, o protesto juntou mais de 100 mil pessoas; em Braga, cerca de 5 mil (Diário de Notícias); em Coimbra, cerca de 20 mil pessoas, segundo a PSP; em Viseu, cerca de mil; em Setúbal, cerca de 4 mil. Em todas as cidades, muitos cartazes diziam “Passos emigra”, “Passos Rua” ou “Coelho vai para a toca”.
Em Lisboa, a manifestação percorreu várias avenidas do ponto de concentração, na praça José Fontana, até a Praça de Espanha, onde os organizadores propuseram a realização de uma greve geral popular - em que todo o país parasse, e não apenas os trabalhadores contratados – e uma concentração na próxima sexta-feira, dia 21 de setembro, às 18 horas, em frente do Palácio de Belém, durante a reunião do presidente da República, Cavaco Silva, com o Conselho de Estado. Mas a manifestação não terminou na Praça de Espanha. Espontaneamente, dezenas de milhares de manifestantes dirigiram-se para a Assembleia da República para continuar o protesto.
Esta grandiosa manifestação demonstrou de forma categórica que a paciência do povo se esgotou e que uma nova situação política se abriu no país. Agora é necessário canalizar esse ódio e vontade de lutar para organizar a população nos locais de trabalho e nos bairros; fazer uma forte greve geral que pare o país; e novas mobilizações de rua até que as medidas de austeridade sejam anuladas e o governo e a troika, forçados a ir embora.
FONTE: Escrito por MAS - PORTUGAL

LEIA MAIS EM: "Hoje é o dia zero para correr com este Governo"
http://guebala.blogspot.com.br/2012/09/hoje-e-o-dia-zero-para-correr-com-este.html

A Rota, o PCC e a pena de morte


Na noite de 11 de setembro, todos os telejornais abriram espaço para declarações do comandante-geral das Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota), coronel Roberto Ferreira França, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), festejarem uma ação que resultou na morte de pelo menos nove pessoas na Várzea Paulista, região da Grande São Paulo.



O tom de celebração do coronel e do governador (como também de parte significativa da imprensa) tinha como justificativa o fato de que todos os mortos estariam participando de um “tribunal do crime”, convocado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para “julgar” e punir um homem acusado de ter estuprado uma garota de 12 anos, irmã de um dos traficantes da região. Além dos mortos, oito pessoas (dentre elas a própria garota e seus parentes) foram presos. Nenhum dos 40 policiais envolvidos na operação saiu sequer ferido.


Como é comum neste tipo de cobertura, as emissoras de TV e a imprensa em geral rechearam suas matérias com depoimentos de “populares” dando apoio à ação policial contra a barbárie e a violência promovidas por criminosos. Um apoio que, diga-se de passagem, é muito mais complexo e contraditório do que a imprensa quer nos fazer crer.

Primeiro, porque, evidentemente, os depoimentos foram selecionados pela própria mídia, controlada pela mesma elite que alimenta a violência policial. Segundo, porque, além de realmente se sentirem acuados pela violência que impera nas grandes cidades, nenhum morador destas regiões é ingênuo o suficiente para dizer o que realmente pensa sobre a polícia diante das câmeras.

Contudo, o que as reportagens, no geral, deixaram de lado é algo que deveria no centro desta história: a polícia militar brasileira, há muito, e cada vez com maior intensidade, tem se utilizado da pena de morte, apesar da Constituição ser abertamente contra isto. E neste episódio, de forma hipócrita, a PM se utilizou da execução sumária para supostamente deter outra execução, igualmente ilegal e criminosa.

A execução como política sistemática

Em artigo publicado no jornal “O Estado de S. Paulo”, no dia 12 de setembro, Bruno Paes Manso sintetizou de forma bastante simples o que deveria ser óbvio: “O ideal em uma operação policial de sucesso é a prisão de suspeitos sem que nenhum tiro seja disparado (...) e não o número de corpos depois das intervenções”. 

Como também lembrou o jornalista, isto, de forma alguma, tem sido a prática da das policias, particularmente de sua “tropa de elite”, a Rota que, desde 2011, somente em três operações, matou 18 pessoas. Vale lembrar que em pelo menos um dos casos, que resultou na morte de seis moradores da Zona Leste (evidentemente negras, na sua maioria), em maio passado, ficou comprovado que houve execução de inocentes, contrariando a versão inicial do comando do pelotão, que afirmava que os jovens eram integrantes do PCC.

Foram exatamente estas execuções que detonaram a onda de violência que tomou a cidade entre o final de maio e junho. Logo depois, os dirigentes do PCC foram flagrados em grampos telefônicos ordenando a execução de policiais da corporação. O que de fato ocorreu, quebrando o equilíbrio “silencioso” e instável que PM e PCC mantêm e, como sempre, colocando na linha de tiro a população; principalmente a juventude negra.

A “guerra suja” entre os braços armados da burguesia e do crime organizado foi responsável pelo fato de que em julho houvesse um absurdo aumento de 300% no número de mortos pela PM, em relação ao mesmo período no ano passado. Outras pesquisas indicam que somente no primeiro semestre de 2012, as forças de repressão comandadas por Alckmin assassinaram 637 pessoas, um aumento de 53% em relação ao mesmo período, no ano passado.

Já os dados apontados pelo “Mapa da Violência 2012” são ainda mais escabrosos: entre 2005 e 2011, a PM de S. Paulo matou 3.921 pessoas. Um número impressionante que explica porque, desde 2009, as polícias (Militar e Civil) respondam por uma a cada cinco mortes cometidas na cidade de São Paulo: 290 (22,3%) dos 1.299 assassinatos de 2011. Neste mesmo período, para cada policial militar morto ou ferido, 4,2 “populares” foram vitimados ou saíram com ferimentos.

“A Rota arrota projéteis na calçada”
Quando a ditadura começava a sucumbir, no início dos anos 1980, era comum se ler esta frase pichada sorrateiramente em algum muro da cidade. Lamentavelmente a história continua exatamente a mesma. As famigeradas Rondas Ostensivas (as mesmas idolatradas por Maluf, o companheiro de campanha de Lula/Haddad) têm responsabilidade pela maior parte dos assassinatos. E se orgulha de ocupar este posto.

A operação que resultou na chacina em Várzea Paulista, por exemplo, foi comandada pelo tenente Rafael Telhada, filho do coronel e ex-comandante da Rota Paulo Telhada, atual candidato a vereador pelo PSDB que, como parte de sua campanha, comemorou, no Facebook, a operação chefiada pelo filho. Uma declaração postada por um dos apoiadores desta família é suficiente para ilustrar as asquerosas motivações racistas e criminosas que alimentam a violência praticada pela Rota pelos comparsas dos Telhadas: “Pau na macacada. Bandido bom é bandido deitado pra sempre”. 

Como sempre, o comandante-geral da PM, coronel Roberval França, legitimou a ação e disse que as 10 viaturas que chegaram à chácara onde os suspeitos se encontravam foram recebidas a tiros. Ou seja, a velha e esfarrapada história de “resistência seguida de morte”, o jargão utilizado para denominar as execuções sistemáticas cometidas pelos policiais.



Basta lembrar que das 3.921 mortes cometidas pela PM’s, levantadas pelo “Mapa da Violência”, nada menos que 3.074 foram registradas como “resistência seguida de morte”. Um número absurdo, por trás do qual, certamente, está uma maioria de jovens negros, e que em muito contribuiu para colocar a polícia brasileira entre uma das mais violentas do mundo, responsável, por exemplo, por 108 vezes mais mortes do que a de todo os Estados Unidos. 



Somente em 2011, a Rota fuzilou 91 pessoas, 82 duas delas em situações de “resistência”. Uma tendência que está longe de ser revertida: entre janeiro e maio de 2012, foram cometidos outros 45 assassinatos (17 só em maio), o que equivaleu a 104,5% a mais do que o mesmo período em 2010. 



Números que acima de tudo comprovam que a verdadeira política de “segurança” que está em curso em S. Paulo (como também país afora), além de ter a violência como norma, é baseada pura e simplesmente na inconstitucional, mas institucionalizada (na medida em que é acobertada pelas autoridades), “pena de morte”. 


Chega de Carandirus, “Maios”, Pinheirinhos e chacinas! 

O fato de estarmos às vésperas das eleições certamente contribuiu para que Alckmin tentasse apresentar as mortes desta semana como prova de que o governo do PSDB está combatendo a criminalidade, utilizando um argumento totalmente sintonizado com as práticas assassinas da Rota: “Quem não reagiu está vivo”.

Mesmo que uma pesquisa divulgada em agosto pelo Instituto de Pesquisa Econômica (Ipea) tenha revelado que 62% dos brasileiros “confia pouco” ou “não confia” na polícia, é provável que muitos alimentem essa ilusão. Mas isto é um equívoco. 

Primeiro, porque está provado que esta prática só alimenta o maldito círculo da violência que acaba voltando-se contra o próprio povo trabalhador e pobre, principalmente a juventude negra (cuja chance de ser morta é, segundo o “Mapa”, 139% maior em relações aos jovens brancos). Ou seja, o pretenso combate à criminalidade está servindo como cortina de fumaça para o projeto de higienização étnico-racial e criminalização da pobreza que tem sido levado a cabo por Alckmin, Kassab e amplos setores da burguesia.

Exemplos não faltam. Da truculência utilizada contra os moradores do Pinheirinho aos incêndios criminosos que têm varrido as favelas na capital (79 em 2011 e outras 34, desde o início de 2012). Dos 493 mortos em maio de 2006 (também em uma suposta represália ao PCC) aos 111 que foram mortos no Carandiru, há exatos 20 anos.

Por estas e muitas outras, é que o PSTU defende não só a punição exemplar de todos os que utilizam da proteção do Estado para praticar a pena de morte, mas também o completo desmantelamento dos aparatos policiais. Bem como o direito de organização e autodefesa da população, hoje refém de execuções sumárias praticadas sob a proteção do Estado. 

FONTE: OPINIÃO SOCIALISTA


Reuni: CGU aponta ‘sistemática de atrasos’ em obras das universidades federais


Relatório entregue ao MEC revela que demora na conclusão atinge uma em cada quatro construções avaliadas; 8% dos projetos têm 'problemas graves'

O ex-presidente Lula se vangloriava de, a despeito de não ter chegado à universidade, comandar uma expressiva expansão da rede federal de ensino superior. Em sua administração, foram criadas 15 universidades, superando a marca de Juscelino Kubitschek, com 11. "Eu, torneiro mecânico, já sou o presidente que mais fiz universidades", disse Lula em fevereiro de 2010, durante inauguração da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), em Minas Gerais. Só faltou o então presidente dizer que a expansão viria na base do improviso. Passados mais de dois anos, nem metade das obras UFVJM estão de pé e o atraso, é claro, atrapalha a vida acadêmica. Não se trata de exceção. Desde 2007, quando o governo federal lançou com pompa e circunstância as bases do Reuni, programa destinado a uma bem-vinda expansão das universidades federais, se multiplicam pelo país as queixas de alunos e professores sobre as más condições estruturais das unidades novas ou ampliadas: há jovens estudando em contâiners ou escolas infantis, esgoto correndo a céu aberto e ausência ou precariedade de laboratórios de pesquisa e bibliotecas, vitais à atividade acadêmica. Um relatório preliminar da Controladoria Geral da União que já foi entregue ao Ministério da Educação (MEC) joga luz sobre o uso dos 4,4 bilhões de reais que já foram consumidos pelo programa federal só em obras.
O levantamento esquadrinhou 73 das 3.918 obras realizadas em 59 universidades federais (em alguns casos, o projeto previa a própria criação da instituição). É, portanto, uma amostragem. Mas pode ajudar a compreender a situação do Reuni, uma vez que o MEC não fornece informações detalhadas sobre as 178 obras paralisadas, o número de construções atrasadas ou o eventual prejuízo que isso acarreta. Para chegar às conclusões, os controladores federais colocaram sob a lupa os projetos entregues pelas universidades ao MEC, o repasse de dinheiro do ministério às unidades de ensino e o andamento das respectivas construções. Primeira conclusão: em 23,2% das obras de fato executadas pelas federais, foi detectada "sistemática de atrasos". Isso significa que razões semelhantes determinaram a demora das obras, tais como atraso nos processos de licitação ou até suspeitas de fraude. "O que fizemos foi uma fiscalização paulatina das obras. No início do programa, selecionamos uma amostragem e acompanhamos o desenrolar da situação", diz Valdir Agapito, secretário federal do controle interno da CGU. "Conforme foram sendo detectados problemas, como atrasos ou irregularidades, acendíamos o sinal amarelo e notificávamos a instituição em questão."
O levantamento da CGU aponta a natureza dos problemas. Falta agora determinar o prejuízo que eles dão aos cofres públicos. Em 2007, no lançamento do Reuni, a estimativa do MEC, então comandado pelo candidato à prefeitura de São Paulo Fernando Haddad (PT), era gastar de 2 bilhões de reais somente com obras – menos da metade, portanto, dos 4,4 bilhões dispendidos entre 2008 e 2011, segundo a CGU. Parte do gasto adicional se deve à ampliação do Reuni, pois as universidades incluíram projetos à expansão original. Mas parte é devido a despesas extras geradas pelos projetos originais. De Palotina, cidade que abriga um campus da Univerisdade Federal do Paraná (UFPR), vem um caso exemplar. Ali, projetou-se, ao custo de 9,5 milhões, a construção de 13.500 metros quadrados de estrutura e a reforma de outros 3.480. Até o mês passado, ao custo de 10,5 milhões de reais, pouco menos de 25% do projeto fora cumprido. O pró-reitor de administração da instituição, Paulo Kruger, prevê que a obra toda sairá por nada menos de 23 milhões de reais, 142% a mais do que o planejado originalmente. Fica uma dúvida: quem errou na conta? O pró-reitor e o MEC culpam o mesmo vilão: o desenvolvimento econômico recente. "Não tínhamos como prever, à época do projeto, um aquecimento tão exacerbado do setor de construção civil", diz o pró-reitor. "Os imóveis encareceram e os valores dos insumos, também. As construturas vencedoras das licitações não encontram mão de obra no mercado. Tudo isso encarece o processo", diz o secretário de ensino superior do MEC, Amaro Lins. Não é consenso.
Especialistas em construção e em administração pública afirmam que um planejamento adequado teria mitigado os custos extras. "De fato, vivemos uma elevação dos preços nesse campo, mas não acredito que esse seja o único fator quando falamos de acréscimos da ordem de 100% em orçamentos", diz José Roberto Bernasconi, presidente do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia de São Paulo (Sinaenco/SP). "Quando uma obra não cumpre o cronograma, toda a fase de planejamento de custo fica comprometida." No interior da floresta amazônica, o campus de Benjamin Constant da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) também segue o roteiro de atrasos, paralisação e gastos extras. A unidade, que funciona provisoriamente desde 2006 em uma escola, teria três prédios para abrigar bibliotecas, salas de aula e laboratórios. As obras começaram em 2008, mas foram interrompidas dois anos depois: a construtora responsável consumiu o orçamento de 9 milhões de reais, entregou só 90% de um dos edifícios e decretou falência. As obras só foram retomadas em junho deste ano, após nova convocação pública. Em resumo: o contribuinte pagará mais caro para ver a construção em pé mais tarde. Não é exceção: apesar do orçamento crescente, o número de obras paralisadas do Reuni cresce: são 178 em 2012, ante 53 em 2011. "A morosidade do sistema público não é novidade. A legislação é tão burocrática que só uma gestão muito eficiente pode dar conta dos cumprir prazos e orçamentos. Infelizmente, não é o que vemos", diz o economista Raul Veloso, especialista em contas públicas.
Além de falhas na execução, os atrasos em obras do Reuni pode, sim, ser fruto de projetos mal feitos – vale lembrar, 8% dos avaliados pela CGU ganharam o carimbo de "problemas graves". Nesse quesito, as críticas são disparadas a partir das próprias federais. Um exemplo: no lançamento do Reuni, teria havido pressa e pressão para que as universidades aderissem ao programa. "A universidade não teve tempo hábil de discutir os projetos que seriam incluídos com os conselhos acadêmicos", diz o reitor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Thompson Fernandes Mariz. "Um dos projetos previa a criação do curso de engenharia de alimentos com apenas um professor: o MEC aprovou. Em outro caso, tínhamos em mãos um projeto de auditório que não tinha ralo para escoamento de água, além de outra edificação que não previa a rede elétrica necessária para a instalação de internet. Esses casos são emblemáticos."  Quem se dedicou a estudar o Reuni faz críticas semelhantes. É o caso de Kátia Lima, professora e pesquisadora da Universidade Federal Fluminense (UFF): "O Reuni foi aprovado de forma acelerada e antidemocrática, com reuniões de conselhos universitários suspensas ou realizadas em locais alternativos. Na UFF, a reunião foi transferida para o Palácio de Justiça, e a reitoria convocou a polícia para reprimir estudantes, professores e técnicos administrativos que organizavam manifestações contra o programa."
O Reuni foi criado para ajudar a solucionar um problema: a baixa inclusão de jovens  na universidade. De acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), no Brasil apenas 11% dos jovens entre 25 e 34 anos concluíram o ensino superior, ante 35% nos países desenvolvidos. Isso explica a escassez de mão de obra especializada em alguns setores da economia local. Para enfrentar o desafio de incluir mais alunos, o programa federal conta com o auxílio de universidades privadas e também de outros programas públicos, como o Prouni, que concede bolsas para que estudantes pobres frequentem faculdades particulares. "Em um país que amarga indíces baixíssimos de inclusão no ensino superir, qualquer iniciativa que se proponha a aumentar o número de universitários é bem-vinda", afirma Simon Schwartzman, sociólogo e autoridade quando o assunto é educação. De fato, desde 2007, o Reuni colheu frutos, como a criação de quase 100.000 vagas em universidades públicas.
A boa intenção, contudo, não apaga os atrasos, projetos ruins e custos adicionais do programa federal, lembra o próprio Schwartzman. "Essa política de expansão acelerada não obedeceu a nenhum plano ou avaliação cuidadosa sobre prioridades. Abriu-se instituições onde não havia demanda, admitiu-se alunos antes de existirem os edifícios e instalações adequadas e forçou-se as universidades a criar cursos noturnos e contratar mais professores mesmo quando não havia candidatos qualificados." No último dia 25, foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff a lei 12.677, que reconhece tardiamente o óbvio: "A implantação de novas unidades de ensino e o provimento dos respectivos cargos e funções gratificadas dependerá da existência de instalações adequadas e de recursos financeiros necessários ao seu funcionamento." Aparentemente, a disposição não era tão óbvia até sua publicação.
 FONTE: veja.abril / Nathalia Goulart e Lecticia Maggi

CNG ANDES GREVE2012 - AVALIAÇÃO POLÍTICA



A greve nacional dos docentes das IFE, que neste dia 17 de setembro completa 4 meses, constituiu-se em torno de uma pauta com dois pontos – reestruturação do plano de carreira e valorização e melhoria das condições de trabalho,- a partir da realidade, dos interesses e demandas dos docentes e foi potencializado por um movimento forte pelas bases. Essa greve foi marcada pela intensa mobilização interna e ações unitárias dos segmentos da educação, que envolveram criatividade e radicalização em conjunto com estudantes e técnicoadministrativos, o movimento evidenciou, para a comunidade acadêmica e para a sociedade, a  disputa por projetos distintos de educação.
A mobilização realizada pelo conjunto das seções sindicais que construíram esta greve apresentou um quadro de ações com grande participação da base, aproximando um número significativo de novos docentes da luta e do sindicato. As assembleias gerais promoveram, a cada ciclo, amplos debates que apontaram os caminhos para greve que se deu nos embates com o governo e com setores antissindicais, na perspectiva de dar concretude às disputas por projetos de educação e de sindicato.
A greve docente, iniciada em 17 de maio, contribuiu para desencadear o ciclo de greve na Educação bem como a greve unificada do Serviço Público Federal, ao mesmo tempo em que foi impulsionada pelas ações conjuntas de mobilização e de pressão junto a diferentes setores do governo. 
Os ataques feitos ao movimento, de corte de ponto e de judicialização, com destaque para dois momentos, a assinatura do simulacro de acordo (03/08) e o envio do PL ao congresso nacional (31/08), não esmoreceram o conjunto dos professores. A intransigência do governo e o papel nefasto do Proifes, que não se constitui como entidade sindical e não representa a categoria, voltados ao fim de golpear a greve, foram enfrentados com disposição e vigor, fortalecendo a quadra de atos de rua e visibilidade que expressivamente demonstraram a capacidade de resistência e disposição de luta da categoria. Nesta greve, destaca-se o levante dos companheiros dos locais onde a direção das entidades estava vinculada ao PROIFES, e que autonomamente se inseriram no movimento, assumindo a pauta do ANDES-SN à revelia dos desmandos destas direções, a qual não conseguiu sufocar a mobilização e a força dos professores. 
Contudo, a greve que construímos com a força da base assumindo a luta pela pauta, com mobilização interna nas IFE e capacidade de articulação e unidade de ação com outros setores da Educação e Serviço Público Federal, não foi suficiente para inverter a correlação de forças e superar a dureza do governo no que tange aos dois pontos de nossa pauta. 
O governo formalizou uma comissão, composta por UNE, ANDIFES e MEC, incumbida de acompanhar as ações do MEC com vistas à consolidação do processo de expansão das Universidades federais e de tratar assuntos  estudantis correlatos ao tema, pela Portaria número 126, de 19 de julho de 2012, da qual estão excluídas as entidades sindicais que efetivamente dirigiram a greve e legitimamente representam os docentes das IFE, ANDES-SN e SINASEFE. Na tentativa de encerrar a greve, o governo após realizar o simulacro de acordo com a entidade títere, enviou ao Congresso o  seu projeto (PL 4368/12), com conteúdo de lógica amplamente rejeitada pela categoria nas assembléias de base, uma vez que desestrutura ainda mais a carreira, descaracteriza o regime de trabalho de dedicação exclusiva, fere a autonomia universitária e contém a retirada de direitos, na medida que não aplica as disposições do Decreto número 94.664, de 23/07/1987 (PUCRCE).  
O governo, intransigente em todo o processo negocial, recusou-se a dialogar com nossa proposta de carreira, mesmo diante de todas as tentativas por parte do movimento docente para reabrir as negociações e apresentação de uma contraproposta, fazendo prevalecer seu objetivo estratégico de adequar nosso trabalho às determinações de um novo modelo de Educação Federal. Além disso, recusou-se a tratar do tema condições de trabalho, pois isso seria, na prática, admitir que o quadro de precarização e ausência de infraestrutura nas IFE não é uma abstração, conforme anunciado pelo Ministro Aluízio Mercadante no início da greve e, portanto, colocaria em xeque um dos principais instrumentos de propaganda governamental  – a Educação.
Além de buscar por várias vezes desmontar  nossa greve, o governo, também atuou para quebrar as greves, fragmentando as negociações e apresentando propostas que atendiam em parte reivindicações de alguns setores. A categoria resistiu e manteve o movimento grevista.
Tudo isso, pela força do movimento, que obrigou o governo a responder às  mobilizações, mas  com respostas que mantinham seu objetivo central de fortalecer seu projeto de Contrarreforma do Estado e, concomitantemente, o de Educação.
Nas diversas AG realizadas na última semana, a categoria analisou a conjuntura, considerando o encerramento das greves de outros setores dos Servidores Públicos Federais, alguns com ganhos importantes;  as medidas antissindicais do governo,  que mais uma vez atua na contraposição dos interesses dos docentes; o  estreitamento das possibilidades efetivas de ações para reabertura de negociações com o executivo, mesmo a partir da incidência de parlamentares, e indicou a continuidade da luta em outro patamar.
É neste contexto, pois, que a maioria das AG  desta semana, pautou o debate sobre nossa  greve como instrumento de luta neste momento e aponta para  a canalização da disposição de seguir lutando para um processo nacional que redesenhe os rumos do enfrentamento. E, neste momento, com o uso de outros instrumentos que nos permitam incidir no novo contexto da luta que segue, assegurando principalmente a unidade nacional do movimento em que reside boa parte da capacidade de resistência dos docentes.  
Majoritariamente as assembléias apontam para uma suspensão unificada do movimento grevista, indicando a necessidade de revigorar as estratégias da luta que continua, agora, num outro patamar. A disposição e a indignação expressa pelas bases devem orientar e constituir as novas ações  para o enfrentamento desse novo momento, em uma cadência nacional, articulando a luta pelas condições de trabalho, a negociação das pautas locais  e a intervenção a respeito da reestruturação da carreira, bem como mantendo e ampliando o saldo organizativo conquistado nesse processo.
Assim, analisando o cenário nacional, o CNG indica os seguintes ENCAMINHAMENTOS:
- Suspensão unificada da greve nacional dos docentes do setor das IFE, no período de 17 a 21 de setembro;
- Recomendar às seções sindicais que, com  a suspensão da greve, seja potencializada a estrutura sindical fortalecendo os GT locais, o Conselho de Representantes e as demais estruturas do sindicato, com o objetivo de dar conseqüência ao acúmulo político da greve, mantendo dentro das possibilidades comissões de mobilização;
- Indicar à diretoria do ANDES-SN a necessidade de convocação do Setor das IFES nos dias 29 e 30 de setembro para fazer um balanço da greve e definir novos encaminhamentos na luta por nossa pauta;
- Indicar à diretoria a necessidade de convocação da Comissão Nacional de Mobilização - CNM a partir das próximas semanas;
- Estimular a constituição de Grupos de Trabalho de Política e Formação Sindical – GTPFS em âmbito local, bem como a participação no GTPFS nacional;
- Incrementar o processo de formação sindical (cursos, seminários, debates, elaboração de materiais específicos, etc) a partir das atividades já em curso, definidas pela política nacional de formação sindical do ANDES-SN;
- Atuação junto a CSP - Conlutas e todas as entidades dos SPF para fortalecimento da unidade com os demais sindicatos/organizações/setores classistas;
- Intensificar a atuação no âmbito dos SPF fortalecendo a CNESF e o Fórum das entidades intervindo sobre as temáticas atuais lei de greve/institucionalização da negociação coletiva e preparando a campanha 2013;
- Indicar a continuidade da articulação entre as entidades do setor da educação federal, no âmbito nacional e local, para dar prosseguimento à luta;
- Indicar à diretoria nacional a produção de material de divulgação, dirigido à sociedade, versando sobre a pauta de reivindicações, a situação das IFE, a carreira docente e os desdobramentos dessa luta. Elaborar carta específica dirigida aos estudantes das IFE;
- Indicar que as seções sindicais pautem a discussão sobre a luta e seus desdobramentos com a comunidade acadêmica no retorno às atividades;
- Participar do “Dia Nacional de Luta Contra a Privatização dos HU” em 03/10, com atos nos estados, envolvendo-se na organização e realização das atividades unificadas. Esta atividade é promovida pela Frente Nacional contra a Privatização da Saúde;
- Manter mobilizações em defesa da pauta local de reivindicações, defendendo-a junto à Reitoria e Colegiados Superiores;
- Articular com o SINASEFE atuação conjunta no Congresso Nacional em defesa de nossa pauta de reivindicação relativa à carreira docente, a partir das estratégias de ação frente à tramitação do PL 4368/2012 definidas pela categoria;
- Solicitar audiência pública na Comissão de Educação e Cultura e na Comissão de Trabalho e Serviço Público sobre o PL e carreira docente;
- Organizar agenda para o acompanhamento da tramitação do PL 4368/12, divulgando-a para as bases. Incluir explicação sobre a dinâmica da tramitação do PL;
- Encaminhar as analise políticas, técnicas e jurídicas do PL 4368/12, para o congresso nacional e a imprensa, indicando essencialmente o quanto desestrutura a carreira docente, fere a autonomia e a isonomia, ataca os direitos trabalhistas, desconstitui o PUCRCE, ao contrário do que o movimento reivindica;
- Solicitar que nas próximas AG a categoria explicite ações políticas com relação ao PL, ao simulacro de acordo, à Comissão de acompanhamento da expansão, para aprofundar o debate público sobre a intervenção no Congresso Nacional, na reunião do Setor das IFE, definindo estratégias e tática;
- Incluir na pauta dos GT carreira, Política Educacional, Política e Formação Sindical, Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria, o debate sobre o PL nº 4368/12;
- Indicar a convocação do GT Carreira conjuntamente com o setor das IFES, além de incentivar a reativação dos GT carreiras locais para aprofundar o debate a respeito do PL;
- Que a diretoria nacional busque, nesta semana, contato com parlamentares a fim de expor as posições do Movimento Docente, defendidas pelo ANDES-SN, priorizando as Comissões para os quais o PL foi distribuído, além das lideranças partidárias;
- As seções sindicais devem realizar ações  nos Estados junto aos parlamentares federais, articuladas pelas regionais, visando dialogar as respeito do PL e apresentando os fundamentos do nosso projeto de carreira;
- Indicar à diretoria nacional e às diretorias das seções sindicais coletivas à imprensa para explicar o sentido da suspensão da greve e os próximos passos da luta da categoria para conquistar atendimento da pauta da greve 2012;
- Encerramento do comando nacional de greve no dia 16 de setembro;
- Os companheiros que já se encontram em Brasília e tenham disponibilidade para permanecer aqui após o encerramento das atividades do  CNG estão autorizados a permanecer para desenvolver em articulação com a diretoria do ANDES-SN atividades no Congresso Nacional, no período de 17 a 20 de setembro, mantidos financeiramente pelas suas respectivas seções sindicais ou, se dentro dos critérios já definidos anteriormente custeados pelo fundo de greve.
 AGENDA
- Dia 17 de setembro, realizar atividades no portão central das Instituições;
- Dias 17 a 21 de setembro, rodada de assembléias gerais
- Dias 29 e 30 reunião do Setor das IFE;
- Dia 3 de outubro, atos nos Estados - Dia Nacional de Luta Contra a Privatização dos HU;

FONTE: COMANDO NACIONAL DE GREVE - ANDES SN

segunda-feira, setembro 17, 2012

Jorge Amado (1912-2001) um escritor superlativo


Amado em sala de aula

Jorge Amado escreveu romances que retratam diversos aspectos da sociedade brasileira. Sua obra pode ser levada à escola e trabalhada por professores de História, Geografia, Sociologia e Literatura

Jorge Amado (1912-2001) foi um escritor superlativo: publicou 32 livros povoados por mais de 5.000 personagens e vendeu cerca de 30 milhões de exemplares somente no Brasil. Embora editado em 52 países e traduzido para 29 línguas, escreveu quase exclusivamente a partir de sua Bahia natal. Ainda assim, seus romances trazem para a sala de aula provocações relevantes sobre diferentes aspectos da sociedade brasileira, e até mesmo questões universais.
Em Gabriela cravo e canela, por exemplo, há passagens em que a submissão da mulher fica evidente. O livro começa com o assassinato de Sinhazinha por seu marido, que a flagrara com outro. Há prostitutas que são posse exclusiva de certos coronéis. A protagonista Gabriela, por outro lado, destoa ao buscar sua liberdade e sua autonomia. Há também a heroína de Tereza Batista cansada de guerra é uma menina criada pela tia que, ainda adolescente, é obrigada a servir sexualmente um homem violento em troca de dinheiro. A partir da leitura desses romances, ou da projeção das respectivas adaptações audiovisuais, pode-se pedir aos alunos que tracem os perfis femininos encontrados no romance, para depois compará-los às possibilidades e atitudes das mulheres no Brasil do século XXI.

Antonio Balduíno, herói de Jubiabá, tem Zumbi dos Palmares como ídolo. Seu antepassados foram escravos e ele frequenta terreiros de candomblé. Pedro Archanjo, protagonista de Tenda dos milagres, tenta convencer a todos de que as tradições afrobrasileiras enriquecem a cultura nacional e que a mestiçagem é uma grande riqueza. Mas há também personagens racistas, como a mãe de Lu, noiva de Tadeu Canhoto, em Tenda dos milagres, que não gosta dele por causa da cor de sua pele. Ou a cozinheira Amélia, de Jubiabá, que acredita que “o negro tem que saber o seu lugar”. A partir da leitura desses dois livros ou da projeção dos filmes homônimos, o professor de história terá elementos para abordar as consequências da escravidão africana no Brasil; o racismo baseado na cor e na condição socioeconômica; e as polêmicas recentes em torno das cotas raciais nas universidades.

O cavaleiro da esperança é uma biografia de Luís Carlos Prestes, líder comunista que liderou a lendária marcha da Coluna Prestes por todo o Brasil. Esse é um dos livros menos conhecidos de Jorge Amado – que, inclusive, foi um dos articuladores da campanha pela libertação de Prestes, quando de sua prisão. A leitura desse livrinho possibilita ao professor de história, geografia ou sociologia recuperar o movimento socialista no Brasil e no mundo, algo hoje distante da realidade dos alunos.

O Sumiço da Santa se passa durante “os piores anos da ditadura militar”, nas palavras do próprio narrador. Episódios de prisão, censura e tortura se fazem presentes em várias passagens. O enredo é pontuado por indícios contextuais da década de 1970. O cineasta Glauber Rocha é citado no livro como um dos freqüentadores “subversivos” do Teatro Vila Velha, em Salvador. O narrador se refere a um show de Caetano Veloso e Gilberto Gil, recém-chegados do exílio, no ano de 1973. Já o poeta Vinícius de Moraes, outro figurante da trama, comenta que acabou de compor “Tarde em Itapoã”, canção gravada em 1971. Pode-se, a partir desse livro, que é divertido e fácil de ler, proporcionar a imersão do aluno no contexto da ditadura militar e da contracultura. Uma possibilidade é solicitar que liste nomes de personalidades e fatos históricos encontrados no romance e depois pesquise sobre suas histórias pessoais, seu engajamento político, e sua produção cultural. 
Produção de cacau
O primeiro plantio de cacau na região de Ilhéus teve início ainda no século XVIII, com sementes trazidas da Amazônia. Até 1900, apenas agricultores estrangeiros dedicavam-se esparsamente ao cultivo do cacau; a partir de 1910, começou a corrida pelas terras da região. O governo passou a doar terras a quem quisesse plantar, atraindo nordestinos que fugiam da seca. A cidade enriqueceu e se transformou rapidamente: a população aumentou, foram erguidos palácios, estabelecimentos comerciais e hotéis, culminando com a construção do porto, em 1924 – financiada pelos próprios cacauicultores. As movimentadas décadas de 1910 e 1920 em Ilhéus constituem o pano de fundo de Terras do Sem Fim,São Jorge dos IlhéusGabriela, cravo e canela A descoberta da América pelos turcos. A leitura de qualquer um desses livros, pelos alunos, terá grande rendimento em aulas de geografia que tratem de migrações internas no Brasil (e também da imigração árabe para o Brasil); dos custos humanos e ecológicos da implantação de fazendas em áreas antes cobertas por mata atlântica; dos impactos da construção de infra-estrutura (estradas, portos) que acompanha o surgimento da agricultura de exportação.
Amado na TV
Jorge Amado, o autor brasileiro que mais inspirou adaptações para cinema e TV, se negava a assisti-las. Isso porque os roteiristas e diretores realçam um aspecto do livro em detrimento de outros, criam novos personagens ou eliminam passagens inteiras, levando em conta a duração dos episódios e as preferências do público. Na adaptação de Gabriela, cravo & canela, feita por Walter Durst, em 1975, Sônia Braga está presente nos primeiros capítulos, ao passo que no livro a protagonista só aparece depois da página 100. A liberdade social e sexual de Gabriela, que perpassa o livro, tornou-se erotismo na telenovela.
Além disso, enquanto no texto literário as imagens se formam em nossa mente, em um processo solitário, silencioso e pautado por nosso próprio ritmo, as telenovelas e filmes nos oferecem imagens prontas – personagens têm rostos específicos, paisagens têm cores definidas –, acompanhados por trilhas sonoras penetrantes. O professor de língua portuguesa ou de artes poderia propor, primeiro a leitura, depois a visualização de um filme adaptado da obra de Jorge Amado, para comparar, junto com os alunos, cada uma das versões – o que têm em comum, o que só é possível em um dos casos, o que foi suprimido ou acrescentado na adaptação audiovisual etc.  Os livros/filmes ideais para essa atividade são: A Morte e a Morte de Quincas Berro D'águaTenda dos Milagres;  Capitães da Areia;Tieta do AgresteGabriela, cravo & canela (este último contém cenas de nudez).


Diferentes gêneros
Jorge Amado combina diferentes gêneros literários e textuais dentro de seus romances. Capitães da areia começa com cartas enviadas ao jornal, nas quais os remetentes emitem opiniões sobre o que deve ser feito com aqueles meninos que moram na praia. No início de Dona Flor e seus dois maridos, a protagonista escreve um bilhete a Jorge Amado, comentando uma receita de bolo de puba e oferecendo um pedaço ao autor, num jogo entre ficção e realidade. Em Tenda dos milagres, os textos que Pedro Archanjo escreve para combater as ideias racistas de Nilo Argolo são na forma de folhetos de cordel. Em Jubiabá, o personagem Gordo canta letras tristes para pedir esmola, ao passo que Zé Camarão é compositor de sambas com letras cheias de malandragem. Partindo desses exemplos, o professor pode trabalhar com seus alunos as diferenças de gêneros textuais e literários e pedir que exercitem-se na redação de alguns desses formatos. Um trabalho análogo pode ser feito em relação à norma culta e ao registro coloquial de linguagem e, por vezes, até mesmo registro vulgar, todos presentes nos livros de Jorge Amado e adequadamente empregados em função da situação de comunicação.
Em 1961, a Editora Martins lançou uma coleção comemorativa especial dos 30 anos da obra de Jorge Amado, toda ilustrada por artistas nacionais. Renina Katz, por exemplo, fez gravuras para Os subterrâneos da liberdade; Oswaldo Goeldi ilustrou Mar morto; e Poty criou ilustrações para 

Capitães da areia
Essas imagens são facilmente encontradas na internet. Sugere-se ao professor de artes e/ou língua portuguesa que discuta com os alunos as relações de complementaridade, redundância ou paralelismo entre texto e imagem. Que explique a técnica da xilogravura, utilizada pelos três ilustradores de Jorge Amado acima citados. E que, em seguida, convide-os a realizarem uma ilustração para uma passagem de Mar Morto ou Capitães da Areia.













FONTE: Revista de Historia / Ilana Seltzer Goldstein