Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!

terça-feira, julho 10, 2012

Para onde vão as revoluções no mundo árabe?


Os rebeldes avançaram para o centro de Damasco. Entraram na garagem do Palácio da Justiça e numa base da Guarda Republicana próxima ao palácio presidencial. Síria Turquia posicionaram tanques e baterias antiaéreas na fronteira. "Estamos em guerra", disse, na terça-feira, o presidente sírio,Bashar Assad, quando se reuniu com seu recém-nomeado gabinete.

A reportagem é de Juliane Von MittelstaedtChristophAlexander SmoltczykBernhard Zand, publicada no Der Spiegel e reproduzida pelo jornal O Estado de S.Paulo, 08-07-2012.

Um ano e meio depois de o tunisiano Mohamed Bouazizi ter se imolado e do torpor do despotismo árabe ser interrompido, as visões otimistas do futuro ocorridas naqueles primeiros meses são hoje obsoletas. Os líderes de quatro países,Zine al-Abidine Bem Ali (Tunísia),Hosni Mubarak (Egito),Muamar Kadafi (Líbia) e Ali Abdula Saleh (Iêmen), foram depostos, condenados ou mortos. Um quinto líder, o sírio Bashar Assad, ao que parece está travando uma batalha perdida pela sobrevivência.

Esperança e medo. A esperança de que o mundo árabe se tornaria democrático tão rapidamente quanto a Europa Oriental20 anos atrás não se realizou. Mas os temores de que os países do Norte da África e do Oriente Médio mergulhariam no caos um após o outro também não se materializaram.

Em vez disso, o quadro é mais confuso do que nunca. Em Damasco Alepo, uma burguesia secular - a mesma que apoiou os outros levantes - teme as consequências caso Assad seja derrubado. A família real que governa a vizinha Jordânia comporta-se como se não fosse afetada pelos tumultos gerais.

Iêmen, um país tribal que depôs seu presidente de longa data, está sendo exaltado como modelo de uma transição pacífica, apesar de a Al-Qaeda por vezes controlar províncias inteiras do país. E na Tunísia, a terra da Revolução de Jasmim, cinemas estão sendo destruídos e bordéis queimados.
A ascensão do Islã. A Tunísia chegou relativamente longe. O país tem um Parlamento eleito, um governo dominado pelo partido islâmico Ennahda, um presidente secular e um Exército que monitora o processo de transição sem forçar sua passagem para o primeiro plano. Por ironia, é precisamente na Tunísia, onde a Primavera Árabe começou, que está ficando claro que a liberdade política não vem necessariamente acompanhada de liberdade cultural. A Tunísia sempre foi o mais ocidentalizado dos países árabes, um forte bastião contra a corrente islâmica da história árabe mais recente. Poligamia e casamentos de crianças foram proibidos, havia educação sexual nas escolas e o sistema de ensino era considerado o melhor da região. Filmes pornográficos leves eram exibidos em cinemas de Túnis e as prostitutas da região antiga da cidade pagavam impostos e tinham documentos emitidos pelo Ministério do Interior.

Mas, apenas alguns dias após a deposição de Ben Ali, uma autonomeada "polícia da moralidade" apareceu no bairro da luz vermelha de Túnis, onde os policiais atiraram coquetéis Molotov em bordéis e ameaçaram as mulheres. Duas semanas atrás, um grupo de salafistas invadiu a exposição Primavera das Artes. A violência foi desencadeada por causa de um quadro em que formigas formavam as palavras "Graças a Deus".

No Egito, que seguiu as pegadas da Tunísia, o Islã político saiu fortalecido de uma revolução na qual ele não desempenhou nenhum papel, ao menos no começo. AIrmandade Muçulmana e os salafistas radicais venceram a primeira eleição parlamentar livre do país por grande maioria. Seus representantes extremistas fizeram uma declaração que, se fosse cumprida, transformaria o país numa república islâmica: a introdução incondicional da sharia, a lei islâmica. O Egito está vivendo uma luta entre instituições que poderia ser descrita, com reservas, como uma adoção egípcia do conceito de equilíbrio de poderes.

Sede por democracia na Líbia.

 Muamar Kadafi não deixou nem sequer os fundamentos de um Estado operacional. O país realizou ontem suas eleições para um Congresso que nomeará um novo governo interino e um conselho encarregado de escrever o anteprojeto de uma Constituição. A votação já foi adiada uma vez. Mas o país não teve nenhum partido político em 40 anos. O que prosperou sob a fachada grotesca do "Estado das massas" do ditador foram regiões, cidades e tribos que moldam a imagem caótica de que o país hoje desfruta. No início de junho, uma brigada armada ocupou o aeroporto deTrípoli e, alguns dias depois, outra milícia prendeu funcionários do Tribunal Penal Internacional. Eles tinham visitado o filho de Kadafi Saif al-Islam, que está preso em Zintan desde novembro - 1 dos mais de 4 mil líbios mantidos prisioneiros por milícias por todo o país.

O ativista de direitos humanos Hana al-Gella admite que a Líbia está presa num círculo vicioso. "Não estamos realmente preparados para realizar eleições", diz. "Mas precisamos de um governo legítimo para superar o caos." Os líbios estão aparentemente decididos a ter uma democracia. Cerca de 80% dos eleitores qualificados registraram-se, 2.500 candidatos diretos concorreram além dos 1.200 representantes de mais de 140 partidos que foram virtualmente criados do dia para a noite. Eles competiram por 200 cadeiras num Parlamento que atuará por 18 meses e terá 2 objetivos: nomear um primeiro-ministro e uma comissão constitucional de 60 membros. À primeira vista, parece um bom começo.

Mas uma observação mais atenta revela alguns aspectos perturbadores. Em uma pesquisa realizada pela Universidade Oxford, um terço dos líbios disse preferir o governo de um homem forte. Muitos candidatos são empresários ricos, outros são testas de ferro de políticos - entre os quais, muitos representam a Irmandade Muçulmana, que também é vista como uma força vigorosa e bem organizada na Líbia.

E antes mesmo de ficarem visíveis na futura Assembleia líbia, a força dos partidos religiosos e a fraqueza dos seculares provocaram um conflito que pode colocar em risco a própria eleição. O país é formado por três regiões: Tripolitânia no oeste, Cirenaica no leste e Fezzan no sul. Os políticos do leste sentem-se sub-representados, pois obtiveram direito a somente 60 cadeiras, enquanto 101 cadeiras foram destinadas ao oeste. Na semana passada, um comboio carregando canhões antiaéreos bloqueou a estrada costeira entre Trípoli Benghazi, deixando claro que a região oriental estava decidida a boicotar a eleição caso suas exigências não fossem atendidas.

FONTE: .ihu.unisinos

segunda-feira, julho 09, 2012

Greve dos servidores continua; governo apresenta proposta dia 18


 O governo federal se comprometeu nesta segunda-feira (9) a apresentar aos servidores públicos federais em greve uma proposta de reajuste salarial até o dia 18 de julho, data em que a paralisação em diversos órgãos da administração pública completará um mês: “Foi uma reunião extremamente proveitosa. Foi o melhor dia desde o início das negociações com o governo porque agora definimos um calendário mais objetivo”, resumiu Oton Pereira, que é secretário-geral do Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Distrito Federal (Sindsep-DF) e participou da reunião realizada na Secretaria de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento. 
De acordo com o sindicalista, o Ministério do Planejamento assumiu o compromisso de entregar até a próxima sexta-feira (13) um novo estudo com um diagnóstico sobre a evasão de quadros no setor público, já que um primeiro estudo apresentado pelo governo foi considerado irregular pelos representantes dos servidores: “Na segunda-feira seguinte (16) teremos um novo debate conclusivo sobre esse diagnóstico e na quarta-feira (18), finalmente, o governo nos entregará sua proposta de correção salarial para os servidores”, afirmou Pereira. 
O certo, segundo o secretário-geral do Sindsep-DF, é que a paralisação dos servidores federais continuará até dia 19, data para a qual está programada uma grande assembleia na capital federal, com a provável participação de milhares de trabalhadores de diversos pontos do país: “Vamos pegar a proposta do governo e fazer um amplo debate com a categoria. A partir do dia 16 começarão a chegar caravanas de servidores federais a Brasília”, anunciou Pereira. 
Os servidores querem ainda que o governo recue na decisão de cortar o ponto dos grevistas e promover um desconto dos dias parados na folha de pagamento: “Na reunião de hoje colocamos que a decisão do governo de determinar de forma unilateral a suspensão do pagamento dos salários dos servidores era um desrespeito total ao processo de negociação que está ocorrendo. O governo concordou em abrir a discussão sobre não descontar os dias da greve”, garantiu o sindicalista. 
Na quinta-feira (12), o sindicato promete fazer em frente ao Palácio do Planalto um ato em repúdio à declaração do secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça, que sugeriu o corte do pagamento dos servidores em greve. Nesta segunda-feira, lideranças sindicais aproveitaram o dia para percorrer diversos setores em greve e reforçar a necessidade de manutenção da paralisação: “A greve não só continua como será ampliada”, disse Oton Pereira. 
Além do reajuste salarial, os servidores federais reivindicam aumento do auxílio-alimentação, reajuste da contrapartida dos planos de saúde e realização de novos concursos públicos. Com o novo estudo a ser entregue pelo Ministério do Planejamento, o Sindsep-DF espera conhecer a evolução salarial dos servidores entre 2002 e 2012 e ter uma noção exata de quantos servidores integram atualmente o Plano Geral de Cargos do Poder Executivo (PGPE).
FONTE: REDE BRASIL ATUAL

Serena Williams vence polonesa e é pentacampeã em Wimbledon


A americana Serena Williams superou a polonesa Agnieszka Radwanska e conquistou o torneio de Wimbledon neste sábado. Em um jogo que durou pouco mais de duas horas, Serena venceu por 2 sets a 1 (parciais de 6/1, 5/7 e 6/2) e voltou a vencer um título de Grand Slam após dois anos.
Essa foi a sétima decisão da americana em Wimbledon e 18ª em torneios de Grand Slam. A tenista de 30 anos chegou ao pentacampeonato do torneio de Londres, mesma marca da sua irmã, Venus Williams. Na carreira, foi o 14º título de um torneio Grand Slam. Mais uma vez, Serena contou com uma grande número de aces para chegar a vitória. Foram 17 contra apenas dois da adversária.
Já Radwanska não conseguiu o título na primeira final de Grand Slam que disputou. Caso vencesse, a polonesa assumira a liderança do ranking mundial da WTA. Com a derrota, a primeira posição agora é da bielorussa Victoria Azarenka. Mesmo assim, a atleta já atingiu uma marca histórica, já que foi a primeira tenista do país a chegar a uma decisão desde 1939.
O jogo
Serena Williams não teve dificuldades para vencer o primeiro set. Com um saque potente e um jogo muito agressivo, a americana quebrou o saque da adversária por duas vezes a abriu 5 a 0. Radwanska conseguiu o primeiro ponto em seu terceiro serviço, mas Serena confirmou seu saque logo depois e fechou o set em 36 minutos.
Após o final do primeiro set, a partida foi interrompida por 24 minutos por conta da chuva que atingiu a cidade de Londres. No retorno, o confronto foi equilibrado.
Apesar de quebrar o saque de Radwanska no segundo serviço da polonesa, Serena não manteve a superioridade do início do jogo e teve seu saque quebrado na metade e no final do set, o que deu vitória a polonesa por 7 a 5, em 46 minutos.
No terceiro set, a partida permaneceu igual até a metade, quando Serena Williams quebrou o saque de Radwanska por duas oportunidades e fechou o set, que durou 37 minutos, em 6 a 2.
FONTE: TERRA.COM

CUT diz que irá às ruas para defender réus do mensalão


O novo presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Vagner Freitas, 46, diz que pode levar às ruas a força da maior central sindical do país para defender os réus do mensalão, que começarão a ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal em agosto.

"Não pode ser um julgamento político", disse Freitas à Folha. "Se isso ocorrer, nós questionaremos, iremos para as ruas." Freitas será empossado presidente no congresso que a CUT realizará nesta semana em São Paulo.

A abertura do evento hoje deverá contar com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A central nasceu como uma espécie de braço sindical do PT nos anos 1980 e a maioria dos seus dirigentes é filiada ao partido.

Freitas disse temer que o julgamento do mensalão se transforme em mais um campo de batalha entre os petistas e seus adversários, e afirmou que isso poderia colocar em risco os avanços sociais conquistados pelo país após a chegada do PT ao poder.

"Nós vivemos um bom momento político e a estabilidade é importante para os trabalhadores", disse o sindicalista. "Não queremos um país desestabilizado por uma disputa político-partidária, entre o bloco A e o bloco B."

Se isso acontecer, a central não ficará de braços cruzados: "A CUT é um ator social importante e não vai ficar olhando", afirmou Freitas.

Em 2005, quando o escândalo do mensalão veio à tona, a CUT reuniu 10 mil pessoas em Brasília para uma manifestação em defesa do governo Lula. O protesto foi organizado logo depois da queda do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, um dos réus do processo no STF.

Nos últimos meses, sindicatos ligados à CUT serviram frequentemente de palco para os réus do mensalão apresentarem sua defesa. O próprio Dirceu foi a congressos estaduais da central neste ano para falar sobre a conjuntura política e o julgamento.

No ano passado, foi numa plenária da CUT em Guarulhos, na Grande São Paulo, que o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares lançou uma campanha para mobilizar militantes em sua defesa.

Delúbio, que foi dirigente da CUT antes de cuidar das finanças do PT, foi expulso do partido no auge do escândalo e reintegrado no fim do ano passado. Ele e Dirceu receberam manifestações de apoio nos encontros da central.

Ligado ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, Freitas será o primeiro representante da categoria a comandar a CUT, que foi dirigida por metalúrgicos do ABC paulista na maior parte dos seus quase 30 anos de existência.

Há duas semanas, ele liderou uma manifestação que reuniu 2.000 militantes na avenida Paulista, no centro de São Paulo, para protestar contra a situação do transporte público da cidade e fazer ataques ao prefeito Gilberto Kassab (PSD) e ao governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Nas eleições deste ano, os problemas na área de transporte são um dos principais temas do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. O ex-governador José Serra (PSDB) concorre com o apoio de Kassab e Alckmin e é apontado pelas pesquisas como favorito.

FONTE: FOLHA.COM / MARIANA CARNEIRO

sexta-feira, julho 06, 2012

Governo diz que não tem agenda para marcar reunião com professores em greve antes de 31/7


A greve nacional dos professores de universidades federais completa 50 dias neste sábado (7) e pode não acabar antes de 31 de julho. Segundo o Ministério do Planejamento, uma nova reunião com os representantes dos docentes ainda não foi marcada por “falta de agenda” e não deve acontecer antes do final de julho. O órgão disse que a pauta dos professores é importante, mas afirmou que está negociando com mais de 30 entidades sindicais e que não é possível privilegiar uma agenda em função da outra.
A última reunião entre sindicalistas e o Ministério do Planejamento aconteceu em 12 de junho, quando um novo encontro ficou marcado para o dia 19 do mesmo mês, mas foi adiado. “Lá [com o governo] que está parada a negociação, é de lá que tem que sair a proposta e a proposta não sai”, afirmou Luiz Henrique Schuch, vice-presidente do Andes-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior).
Para o presidente do Proifes-Federação (Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior), Eduardo Rolim, a insatisfação dos docentes só aumenta com a falta de diálogo. “Nos sentimos afrontados com o fato do governo não marcar uma nova reunião e não apresentar propostas”, afirmou.
Segundo Schuch, o governo não está completamente fechado para os professores: “Mas os espaços que a gente consegue entrar, são espaços vazios. Eles recebem documentos, mas não negociam. O próprio governo assumiu essa posição – ‘a palavra está conosco’ - nós só tentamos lembrar eles disso”, disse Schuch.
Reivindicação
A principal reivindicação do movimento grevista é a reestruturação da carreira docente, por isso, as negociações são feitas com o Ministério do Planejamento. Na última reunião, o Ministério do Planejamento propôs que a greve fosse encerrada e que as discussões continuassem com base na carreira do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação). Os docentes não concordaram em acabar com a paralisação.
PRINCIPAIS PONTOS DA REESTRUTURAÇÃO DE CARREIRA DOS DOCENTES DE INSTITUIÇÕES FEDERAIS
Carreira única para todos os professores das instituições federais (sem a distinção entre Magistério Superior e do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico
Estrutura de carreira simples, dividida em 13 níveis, com degraus de 5% na referência salarial, a serem cumpridos a cada dois anos
Piso salarial com referência no salário mínimo do DIEESE (atualmente R$ 2.329,25), para 20 horas semanais
Ingresso através de concurso no nível inicial
Desenvolvimento na carreira que valorize critérios acadêmicos e atribuições que tenham como base o tripé ensino – pesquisa – extensão
Dedicação Exclusiva como regime preferencial de trabalho
Restabelecimento da isonomia salarial por meio de remuneração única e uma linha só no contracheque, incorporando todas as gratificações
Paridade dos docentes da ativa com os aposentados e pensionistas
Fonte: Andes-SN

Mas, segundo o Andes, outra parte das reivindicações são de responsabilidade do MEC (Ministério da Educação), como condições de trabalho dos docentes e verbas para universidades. “O MEC não pode ficar alheio. O governo, no seu arranjo interno, estipula que todos os processos que envolvem pessoal e orçamento devem ser tratados no Ministério do Planejamento, mas temos muitos pontos na pauta que é o MEC que tem que resolver”, afirmou Schuch.
Segundo a assessoria de imprensa do MEC, “O Ministério da Educação acompanha com atenção o desenrolar da greve dos professores nas universidades federais. O MEC informa ainda que está no aguardo da retomada das negociações por parte do Ministério do Planejamento. E que elaborou sua proposta, que tem como base a carreira do MCTI, e que favorece a titulação e a dedicação exclusiva”.
Carreira
Uma sugestão apresentada no dia 12 de junho foi a utilização da carreira de pesquisador do MCTI como base para reestruturação da carreira dos docentes. Segundo Rolim, a reivindicação do Proifes é que se faça uma equiparação salarial com a carreira do MCTI: “Nós não queremos a carreira deles, só a equiparação salarial”, disse. 
O representante do Andes também apresentou uma visão contrária a essa sugestão. “Não queremos comentar uma proposta que não é oficial. Além disso, a carreira de ciência e tecnologia é criticada pelo próprio sindicato deles. É uma carreira bem diferente, com números menores de níveis e sem dedicação exclusiva”, afirmou Schuch.
Segundo o Ministério do Planejamento, a proposta de reestruturação da carreira ainda precisa ser detalhada melhor, o que deve acontecer quando a próxima reunião for marcada.
 FONTE:Suellen Smosinski /  Do UOL, em São Paulo 

Dilma diz a estudantes que negociações ocorrerão na hora certa


Declaração foi dada em resposta a protesto de alunos da Federal do ABC

A presidente Dilma Rousseff enfrentou hoje, durante inauguração de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), em São Bernardo do Campo (SP), protesto de cerca de 30 estudantes da Universidade Federal do ABC, UFABC, uma das universidades federais que estão em greve no País desde o dia 17 de maio. No final de seu discurso, Dilma respondeu as críticas dos universitários afirmando que um acordo com os grevistas acontecerá no momento certo. "O pessoal pode acalmar que as coisas vão para os seus lugares na hora certa". Depois disso, encerrou o pronunciamento e seguiu para Brasília, sem conceder entrevista à imprensa.

Os estudantes protestaram com palavras de ordem, como "Dilma a culpa é sua, a minha aula é na rua", e reivindicaram a abertura de um canal com o governo federal para que a greve encerrada. O grupo de manifestantes conseguiu entrar no evento, na área destinada ao público, trajando camisetas pretas com a inscrição: "UFABC em greve".

O prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, que discursou antes da presidente Dilma no evento, falou que os protestos são momentâneos. "É um conflito grevista que passa. Tenham tranquilidade porque a negociação acontecerá no momento correto", disse ele, sem, contudo, conter o ânimo dos estudantes que, ao longo do discurso da presidente da República, entoaram as palavras de ordem.

Acompanharam a presidente Dilma neste evento o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ex-primeira dama Marisa Letícia, o netinho de Lula, Arthur (filho de seu filho Sandro), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, dentre outros. A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas que Dilma inaugurou fica no bairro Alves Dias e deve beneficiar moradores de 30 bairros da região. Além da inauguração no ABC paulista, Dilma inaugura simultaneamente UPAs em Porto Seguro (BA) e no Distrito Federal.

FONTE: Daiene Cardoso, da Agência Estado

quinta-feira, julho 05, 2012

05 de julho de 1982: "A Tragédia do Sarriá"



Tragédia do Sarriá: O dia em que o futebol morreu
A Seleção Brasileira de 1982 tinha tudo para 
se sagrar campeã mundial. Só não avisou Paolo Rossi

O dia 5 de julho de 1982 ficou marcado na história como um dos dias mais tristes do futebol brasileiro, para muitos rivalizando com o "Maracanazo" de 1950. Nesta data, a Seleção, considerada favorita ao título foi eliminada pela "zebra "Itália no grupo da segunda fase da Copa do Mundo no episódio conhecido como "A Tragédia do Sarriá".

A cidade era Barcelona e o estádio, que pertencia ao Espanyol, já não existe mais, tendo dado lugar a um condomínio de luxo. A memória, entretanto é dolorida para o torcedor verde-amarelo, que viu um verdadeiro esquadrão envergando a camisa da Seleção Brasileira, então vinda de outra decepção: o título de "campeão moral" na Argentina, em 1978, quando a equipe da casa venceu a Copa sob circunstâncias, assim por dizer, duvidosas.

Até aquele momento, a equipe, então comandada por Telê Santana, fazia uma campanha respeitável. Na estreia, um jogo duro, em que a equipe sofreu para vencer a forte União Soviética, de virada, por 2 a 1, com gols de Éder e Sócrates nos últimos quinze minutos (Bal havia aberto o placar aos 34).

Na segunda partida, contra a Escócia, mais uma vez um começo complicado: Narey abriu o placar para a Escócia. Mas o gol, ao contrário do que se poderia esperar, acendeu a "chama da vitória" nos brasileiros. O show que encantou o mundo começara ali. Com bom toque de bola e um futebol plasticamente perfeito, a equipe, considerada a melhor que o Brasil já tivera desde 1970, virou o jogo com gols de Zico, Oscar, Éder e Falcão, vencendo por 4 a 1.

Restava a partida contra a Nova Zelândia, pior equipe do grupo. Era impensável outro resultado que não uma goleada. E ela veio, com gols de Zico (2), Falcão e Serginho Chulapa, o Brasil encerrou a primeira fase de grupos com seis pontos (a vitória contava apenas dois na ocasião), três vitórias e o melhor ataque, disparado da competição, com 10 gols em três jogos, média em dízima periódica de 3,33 por jogo. Para comparar, os segundos melhores ataque foram os da Inglaterra e da Alemanha Ocidental (atual Alemanha), com seis gols. 

A taça era quase uma certeza

Aquele time, de fato, era diferente e até mesmo entre os adversários era consenso de que o título, que seria o tetracampeonato era questão de tempo, a não ser é claro, que o destino atuasse contra o Brasil.

E, enfim, Zico, Sócrates, Toninho Cerezo, Falcão, Oscar, Júnior, Éder e Serginho Chulapa conheceram a força implácavel deste. Já em Barcelona (a primeira fase fora em Sevilha), o emparelhamento colocou a Itália, que fazia uma campanha sofrível e se classificou em segundo do grupo apenas por ter marcado dois gols contra um de Camarões e a Argentina, que fazia boa campanha, mas perdera a liderança de sua chave para a Bélgica.

A Itália, como todos os amantes de futebol bem sabem, é muito perigosa quando vira franco-atiradora. Portanto, não foi surpresa a vitória sobre a Argentina por 2 a 1 na primeira partida. Depois, no clássico sul-americano, o Brasil, jogando bem e com gols de Zico, Júnior e Serginho Chulapa venceu por 3 a 1 (Díaz descontou no último minuto) e mandou os Hermanos para casa.

Chegava então a decisão do grupo. A Itália, desacreditada, fazia greve de silêncio com a imprensa que, por sua vez, não economizada nas críticas à equipe. Ou seja: o esperado era um passeio do Brasil e a vaga nas semi-finais contra a Polônia.

A mão inapelável do destino



O destino então colocou o nome de Paolo Rossi na história do futebol brasileiro. Então com 25 anos, o atacante vinha de uma suspensão por manipulação de resultados e teve sua presença no grupo questionada. Ele estava na Espanha pelo que havia feito em 1978, com três gols na competição.

Sua estrela então começou a brilhar. Na hora certa. E que hora. A equipe italiana venceu por 3 a 2 e Paolo Rossi foi o heroi, sendo autor dos três tentos que fizeram a Azzurra ser protagonista de uma das maiores zebras em Copas do Mundo.

Bem, a equipe brasileira também tinha lá suas deficiências. Cabrini cruzou da esquerda no segundo pau e a bola foi certeira na cabeça de Paolo Rossi, que cabeceou no canto oposto de Valdir Peres, logo aos cinco minutos de partida. Nada demais, já que o Brasil vinha de viradas na competição. Só um susto que durou sete minutos, quando Sócrates empatou para o Brasil, batendo quase sem ângulo, cruzado, no mínimo espaço entre entre a trave e o veterano Dino Zoff, então com quarenta anos, após jogada brilhante de Zico.

O Brasil jogava bem, mostrando o toque de bola que encantava o mundo. Mas, às vezes, a plasticidade é traidora, até mesmo dos maiores craques. Aos 25, Cerezo falhou feio ao tentar tocar uma bola no campo de defesa. Paolo Rossi, esperto, roubou a bola, agradeceu e marcou o segundo gol.

Pouco depois, uma polêmica: Gentile rasgou a camisa de Zico dentro da área e sofreu pênalti, não marcado pela arbitragem. Perdendo por 2 a 1, o Brasil desanimou: "no intervalo, nosso vestiário parecia um velório. Nunca senti uma decepção tão grande em minha vida", afirmou o zagueiro Oscar, sobre o que acontecera. 

Na volta, entretanto, o Brasil voltou disposto a mudar o destino, que insistia em se personificar nas mãos de Dino Zoff, um monstro no gol. Aos 23, contudo, não teve jeito. Após um passe de trivela de Júnior, o Brasil empatou com um chutaço de Falcão, o "Rei de Roma", que mandou uma bomba de fora de área.

O empate era do Brasil, que tinha saldo igual ao dos italianos, mas havia marcado um gol a mais. Tudo certo, mas nada decidido. Paolo Rossi estava, literalmente, no lugar errado, na hora errada (ao menos para a Seleção). Cobrança de escanteio aberta, Sócrates e Oscar bateram cabeça e a bola sobrou para Tardelli que bateu de primeira. Ela saiu mascada, seria fácil para Valdir Perez. 

So que Rossi estava na linha da pequena área e deu um desvio fatal, marcando o seu terceiro gol no jogo, aos 29 minutos. O Brasil ainda tinha 15 minutos para tentar mudar a sorte e foi com tudo para o ataque. Dino Zoff estava lá e deu um ponto final para a história do Brasil na Copa de 1982 no que foi chamado por muitos de "o dia em que o futebol morreu", em que o pragmatismo, o espírito de competição, venceu a arte (e conquistou o título mundial dias depois). O dia da Tragédia do Sarriá.

FONTE: JOVEM PAN / Da redação






Servidores públicos definem calendário de luta com atos nos estados, marcha e acampamento em Brasília


Contra a intransigência do governo em não reabrir a negociação com os setores do funcionalismo público, servidores em greve prometem intensificar ainda mais as mobilizações neste mês de julho. A categoria promoverá diversas atividades com mobilizações nos estados, acampamento e marcha dos servidores em Brasília. 

Os docentes das universidades Federais em unidade com os professores, técnicos-administrativos e estudantes das Instituições Federais de Ensino (IFE) já deram o ponta pé inicial nas atividades e realizaram um café da manhã em frente ao Ministério do Planejamento nesta segunda-feira (2) e se somou à atividade do Comando Nacional da Greve dos Estudantes nesta terça-feira (3).

As mobilizações não param por aí. De 9 a 13 de julho diversas categorias, organizadas pelo Comando de Greve, promoverão atividades conjuntas no Distrito Federal. Essas ações vão se combinar com mobilizações unitárias realizadas em todo país.

Os servidores vão tomar novamente as ruas de Brasília numa nova marcha que será realizada no dia 18 de julho.

Um Acampamento Unificado da Greve Nacional dos Servidores Federais em Brasília também está sendo organizado pela categoria de 16 a 20 de julho.

Esse calendário de luta foi definido na última reunião do Fórum Nacional das entidades do funcionalismo federal, realizada no dia 26 de junho. Segundo o relatório, divulgado pelo órgão, o governo não apresentou qualquer perspectiva de abertura de diálogo com o movimento grevista. Por isso, a análise feita pelas entidades presentes é da necessidade de fortalecer as ações do movimento grevista e ampliar a paralisação. 

Balanço das greves
A paralisação nas Universidades Federais, iniciada em 17 de maio, já abrange 57 das 59 Universidades e 37 Institutos Federais. Esses docentes têm realizado diversos atos e manifestações em Brasília e nos estados em busca da abertura de diálogo com o governo, interrompida no dia 19 de junho.

Os servidores da base da Fasubra estão parados há mais de 20 dias, com adesão de 56 instituições e também realizam um processo intenso de lutas.

A greve dos servidores da saúde, organizados pela Fenasps , teve início em dia 20 de junho e o processo de adesão ao movimento que cresce a cada dia.

A greve dos servidores da base do Sinafese conta com 183 campi paralisados.

Todos esses servidores estão fortalecendo suas lutas unificando as atividades e calendário de mobilizações.

FONTE: CSP-CONLUTAS

3-J, um dia marcante na greve geral da educação!


Veja, o informe do Comando Nacional da Greve dos Estudantes sobre a manifestação 3-J, realizada neste 3 de julho:

3-J, um dia marcante na greve geral da educação!

Saudações aos estudantes em greve de todo o país. Se vivemos uma greve geral histórica da educação, e certamente é, com 95% das Instituições Federais de Ensino Superior em greve, o dia 3 de Julho marca os rumos dessa greve. O 3-J, como ficou conhecido o Dia Nacional de Mobilização dos Estudantes em Greve, representa um crescimento significativo das nossas mobilizações e da capacidade do movimento estudantil de construir uma articulação nacional das nossas lutas, trazer vitorias para o movimento estudantil e colocar na rua o nosso projeto de educação.

Por todo o país, os estudantes responderam ao chamado do Comando Nacional de Greve Estudantil e organizaram manifestações nas universidades, unificando a luta com os servidores e professores em greve. No Ceará, Rio de Janeiro, São Paulo, Alagoas, Mato Groso do Sul, Mato Grosso, Espírito Santo, Sergipe, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Distrito Federal, foram alguns dos estados que já repassaram informes para o CNGE sobre as atividade do 3-J, certamente, muitos outros chegarão ao longo dessa semana e muitas lutas mais estão sendo impulsionadas em todo o país. Dois fatos marcantes das mobilizações locais são a ocupação da reitoria da UNB (onde está funcionando temporariamente o Comando Nacional) e a ocupação da reitoria do Paraná.

Em Brasília, nossas mobilizações tiveram a presença marcante do Comando Nacional de Greve da FASUBRA, do ANDES-SN e do SINASEFE, que estão construindo junto do CNGE as lutas em defesa da educação pública. Uma grande vitória desse dia foi a primeira reunião dos Comandos das categorias em greve com representantes do Ministério da Educação. Há muito tempo o governo se nega a sentar com os grevistas, pelas palavras do próprio Ministro, ex-grevista, Aloizio Mercadante. A reunião cobrou o governo de reabrir de forma efetiva as negociações e saímos com data marcada para a primeira reunião com do MEC com o CNGE – nesta quinta-feira, dia 5, as 9 horas.

Amanhã, dia 4 de Julho, as 14h realizaremos uma grande e importante reunião do Comando dos Estudantes, na sala de atos, da Reitoria da UNB ocupada, onde discutiremos a fundo as nossas pautas, avaliando todo o processo que vivemos e preparando os estudantes para essa reunião. Não temos ilusão de que essa reunião atenderá o conjunto das nossas reivindicações, pois só o crescimento das mobilizações vai pressionar o governo e nos garantirá a vitória.

Os estudantes em greve falam em nome dos estudantes, e os estudantes em greve estão nas ruas, arrancando vitórias concretas em cada universidade, construindo na luta o nosso projeto de universidade, em defesa de 10% do PIB para a educação pública já!

A universidade está viva, a universidade está em greve! Seguimos na luta!

FONTE: Informativo n°6 do Comando Nacional de Greve Estudantil


quarta-feira, julho 04, 2012

Planalto abre negociações salariais com servidores


O Palácio do Planalto abriu ontem negociações com os servidores que demandam reajustes salariais e ameaçam o governo com greves ou a paralisação de suas atividades. Representantes dos funcionários públicos foram recebidos pelo ministro Gilberto Carvalho, chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. Eles ouviram a sinalização de que o governo está aberto a manter o diálogo com o funcionalismo, mas que eventuais reajustes só devem ser incluídos na proposta do Orçamento de 2013.

Conforme revelou ontem o Valor, se o governo atender a todas as reivindicações de aumento de salários apresentadas pelos servidores civis e militares, a despesa anual da União com o pagamento de pessoal será acrescida em R$ 92,2 bilhões. O cálculo foi feito pelo Ministério do Planejamento. Do total, R$ 60 bilhões referem-se aos pedidos dos servidores civis do Executivo. Já os aumentos solicitados por militares e funcionários do Judiciário, Legislativo e do Ministério Público da União (MPU) totalizariam R$ 32,2 bilhões.

Além de sindicalistas do setor público, Gilberto Carvalho recebeu em seu gabinete representantes dos ministérios da Saúde, Justiça e Transportes, do Hospital das Forças Armadas (HFA), Fundação Nacional do Índio (Funai) e Fundação Nacional de Saúde (Funasa). O ministro é responsável por fazer a ponte entre o Palácio do Planalto e os movimentos sociais, e os sindicalistas têm reclamado da falta de interlocução com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

Autoridades do Palácio do Planalto dizem que a presidente Dilma Rousseff já decidiu acolher algumas demandas dos servidores públicos. No entanto, acrescentam, as concessões devem atender os casos considerados mais críticos. Os aumentos não devem contemplar as carreiras que têm os melhores salários e os ocupantes de cargos de confiança na máquina pública federal. Dilma tem dito que o país não deve arriscar-se numa "aventura fiscal" devido às incertezas geradas pela crise financeira global. Por outro lado, dois dos setores que devem receber atenção do Palácio do Planalto são educação e saúde, áreas que não tiveram boa avaliação nas mais recentes pesquisas de avaliação do desempenho do governo.

Sindicatos dos servidores afirmam que estão em greve funcionários de 13 órgãos públicos, como Funasa, Incra, Funai, professores e técnicos de universidades. Além disso, estão fazendo "operação padrão" cerca de 15 categorias de servidores, entre auditores da Receita Federal, delegados da Polícia Federal e funcionários da Advocacia-Geral da União (AGU).

FONTE: Por Fernando Exman
 

terça-feira, julho 03, 2012

PCC e imprensa, o enigma e o tabu


No dia 28 de maio, uma segunda-feira, uma unidade da Rota, tropa de choque motorizada da PM de São Paulo, matou seis homens no bairro da Penha. Alguém viu os PMs executarem um homem dominado e três dos policiais foram presos. Essa notícia foi dada na capa do caderno “Metrópole”, do Estado de S. Paulo, e na página 3 do “Cotidiano”, da Folha de S.Paulo, em 30 de maio.
Seguiu-se uma onda de assassinatos de PMs – seis foram mortos até quarta-feira, 27 de junho − e de queima de ônibus em diferentes pontos da periferia paulistana. Em 13 dias, nove ônibus foram queimados. Tudo feito no estilo do PCC, com uma mudança: os PMs agora são assassinados não em serviço, mas de folga ou fazendo “bico” como seguranças.
Praticamente sem falhar um dia, os dois jornais foram até onde poderiam para transmitir aos leitores que se tratava de uma reação do PCC. Usaram uma espécie de mantra: “A polícia investiga se as mortes dos seis PMs são uma retaliação do grupo criminoso PCC à operação da Rota que deixou seis mortos” etc.
Versão oficial
Também como um mantra, as autoridades negaram essa possibilidade, em nome sabe-se lá de que cálculo relativo à sensação de insegurança da população ou de olho na campanha para as eleições municipais, já em curso. A negativa oficial foi a versão comprada pela Veja São Paulo (4/7), que cita o delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro: “Só com a prisão de envolvidos é possível saber se há conexão entre as várias ações”.
Carneiro assegurou que “desvendar os crimes” é a prioridade da polícia, como se ela, tecnicamente uma polícia judiciária, pudesse ter outras prioridades. Sempre evitando cuidadosamente citar o PCC, a revista agradece em nome do povo, embora não tenha sido mandatada para isso: “A população espera justamente esse tipo de reação para que não se repita por aqui um pesadelo semelhante ao de 2006” (descrito antes na reportagem).
A tese por trás dessa recusa a pronunciar a sigla maldita é que assim se evita fazer propaganda involuntária dela.
Com 158 mortes entre os dias 13 e 27 de junho (ante 57 mortes nos quinze dias anteriores), será que não passa pela cabeça dos jornalistas da Vejinha que “esse tipo de reação” não está funcionando? Que é coisa de esquadrões da morte? Ou será que mortes na periferia não preocupam a revista?
Em 27 de junho, o repórter Bruno Paes Manso gravou um vídeo para o Estadão Online com explicações sobre a trajetória do PCC. Ele aponta relações espúrias entre PMs e traficantes como um dos fatores que alimentam o clima de tensão. Veja aqui.
No domingo (1/7), finalmente, o Estadão pôde afirmar: “PCC deu a ordem para matar 6 PMs entre os dias 12 e 23”. Essa confirmação veio de interceptações telefônicas feitas por diferentes departamentos da Polícia Civil paulista. Ainda na terça-feira (3/7), a Folha repetia que "a polícia investiga se as mortes..." etc.
Dentro e fora das cadeias
O PCC é um enigma e um tabu. Enquanto a organização criminosa crescia nos últimos anos, pouco se acrescentou ao que já se sabia sobre sua composição, seus métodos, seus laços com a máquina do Estado (polícias, em primeiro lugar). Essa omissão é um dos artifícios que as autoridades de segurança usam para não passar aos cidadãos o quadro real da criminalidade organizada nas cadeias e fora delas. Os dois maiores jornais paulistas aproveitam cada possibilidade que lhes surge para avançar nesse conhecimento, mas não conseguem ir muito longe.
A negação da existência do PCC acompanha a própria trajetória dessa sigla mafiosa. Eis um resumo da história de seu nascimento.
Em 1992 houve o massacre do Carandiru – 111 presos (número oficial) foram mortos pela tropa de choque da PM. Em 1993, no Piranhão de Taubaté, à época praticamente a única prisão segurança máxima do estado de São Paulo, nasceu o PCC, cujo nome seria pronunciado oficialmente três anos depois pelo então deputado estadual Afanázio Jazadji, que presidia uma CPI. Assim, o Primeiro Comando da Capital entrou no Diário Oficial do estado.
Facção não era ficção
Mas a imprensa levou mais um ano para mencionar a sigla e o grupo. Só em 1997, a jornalista Fátima Souza, então na TV Bandeirantes, fez uma reportagem em que era pronunciado o nome da organização. Fátima foi enfaticamente desmentida. O secretário da Administração Penitenciária da época, Benedicto Marques, em entrevista à rádio Jovem Pan, disse que a jornalista tinha inventado a sigla para ganhar ibope. Segundo Fátima, Marques afirmou que se tratava “de uma ficção, não de uma facção.” O governador Mario Covas ecoou a declaração do auxiliar.
Em 2001 houve uma primeira megarrebelião em 29 unidades prisionais paulistas. Faixas com o nome Primeiro Comando da Capital e com a sigla PCC foram estendidas.
Em maio de 2006, a suposta ficção, o PCC – com a ajuda de emissoras de rádio e televisão sensacionalistas –, parou a maior cidade do país, após ter dado ordem para rebeliões que eclodiram em 74 unidades prisionais, algumas delas de outros estados.
Monopólio da violência
A edição de domingo (1/7) do Estado de S.Paulo ouviu a socióloga Camila Nunes Dias, que em 2011 defendeu na USP tese de doutorado com o título “Da pulverização ao monopólio da violência: expansão e consolidação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema carcerário paulista”. Ela atribui a “pacificação” de São Paulo (um dos fatores que contribuíram para a redução dos índices de homicídio no estado nos últimos anos) a “um equilíbrio precário de forças, envolvendo os agentes do ‘mundo do crime’, as forças policiais e o sistema prisional”.
Sua opinião sobre a política do governo estadual (Geraldo Alckmin, em 27 de junho, desafiou os bandidos a entrarem em confronto com a polícia, disse que eles estão desesperados, que serão presos, que, se enfrentarem a polícia, “vão levar a pior”): “As ações do governo são, a meu ver, desastrosas”.
Explicação: não há controle das polícias, que aceitam corrupção e violência ilegal; as polícias civil e militar vivem em guerra (adivinhe, plácido leitor, qual é o pomo da discórdia); a expansão do sistema prisional paulista só piora o quadro. “Isso forma o caldo necessário não apenas para o aparecimento de grupos como o PCC, mas para seu fortalecimento e para explosões cíclicas de violência”, afirma a socióloga, professora da Universidade Federal do ABC.
O PCC já tentou eleger seu deputado estadual. Nisso, não teve o sucesso de um Carlos Cachoeira, que supostamente ajudou a eleger governador, senador, deputado, prefeito, vereador em Goiás e Tocantins. Deixado na sombra, o PCC tem melhores condições para se aprimorar no campo político. É o destino de toda máfia.
FONTE: Observatório da Imprensa / Mauro Malin 

PCC e os ataques: diferenças entre hoje e 2006

TV Estadão | 27.06.2012
O repórter Bruno Paes Manso faz um paralelo entre a ação do PCC
 em 2006 e os ataques a ônibus da última semana