Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!

segunda-feira, janeiro 16, 2012

Funcionalismo ameaça Dilma com greve geral


O funcionalismo público federal ameaça com uma greve geral o governo da presidente Dilma Rousseff. Após oito anos de proximidade com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, responsável pela concessão dos melhores acordos salariais desde a redemocratização, as categorias que representam os cerca de 1 milhão de servidores públicos estão insatisfeitas com o tratamento dispensado a elas pela sua sucessora. Em 2011 reivindicaram aumento de salários equivalente a R$ 40 bilhões, mas o governo concedeu apenas R$ 1,6 bilhão. Neste ano, Dilma já avisou que as negociações que vierem a acontecer não contemplarão novos reajustes.
A reportagem é de Caio Junqueira e publicada pelo jornal Valor, 12-01-2012.


Algumas razões sustentam essa sombria perspectiva para o governo do PT, que teve o movimento sindical como um dos mais consistentes pilares durante a sua formação. A principal delas é que o último grande reajuste foi feito em 2007, o primeiro ano do segundo mandato de Lula. Foram R$ 35,2 bilhões divididos em três parcelas anuais até 2010, com resíduos em 2011.

Finalizadas essas parcelas, no ano passado as categorias aguardavam novos reajustes. Segundo o Ministério do Planejamento, da soma das reivindicações Dilma cedeu somente R$ 1,6 bilhão e apenas para a área da educação. E mandou recados de que, se houvesse concessões no futuro, não seria naquele montante pretendido. A justificativa oficial: a necessidade de manter os compromissos fiscais associada às incertezas do cenário econômico internacional.

A explicação pode ser insuficiente para acalmar os sindicatos, que, neste ano, se animam com a possibilidade de afrouxamento na política fiscal por conta das eleições municipais. O funcionalismo pretende obter não só reajustes, mas também melhorias nas condições de trabalho. São mencionadas a falta de estrutura tanto nas fronteiras do país quanto nos novos campi abertos por Dilma e Lula, além da excessiva terceirização e falta de segurança, por exemplo, para os fiscais do trabalho.



O pedido mais vistoso, porém, é de recomposição salarial decorrente de perdas causadas pela inflação acumulada desde o acordo de 2007. O IPCA acumulado no período foi de 24,58 % o que, ao menos por ora, ainda não sensibilizou Dilma. Na gestão Lula, a folha de salários teve crescimento real de 36%, o que representou ganhos importantes para praticamente todas as categorias dos servidores.

"As perspectivas não são boas e as sinalizações de Dilma são piores. Vamos apostar nas negociações até esgotá-las e se elas não avançarem, vamos radicalizar", disse Josemilton Costa, secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef). Ligada à CUT, o órgão representa mais de 700 mil servidores, quase 70% de todos os funcionários do Executivo nacional. Não bastassem os possíveis efeitos da crise internacional, ele aponta ainda outro fator que tem contribuído para tensionar a relação com a presidente: "Dilma não é do movimento sindical como Lula era. A relação com ela é distante e isso interfere nas negociações."

Tal relato é frequente nos sindicatos ligados ao funcionalismo público federal. Citações como "fomos enrolados", "fomos ludibriados" e "fomos enganados" são recorrentes nas diversas carreiras. O fato concreto que sustenta essa avaliação também é comum. No primeiro semestre, houve promessas por parte do negociador oficial, o secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva, de que os servidores teriam ao menos parte das reivindicações atendidas. Próximo ao prazo final, a mando do Palácio do Planalto, as entidades foram informadas de que não seriam contempladas com praticamente nada.

"O governo Lula conversava e o governo Dilma também conversa. Só que, com Lula, a conversa tinha consequências. O governo tinha intenção de negociar e dar aumento. Com Dilma não há nada efetivo para oferecer. Há muita conversa e pouca ação", afirma Pedro Delarue, presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindfisco). De acordo com ele, "neste ano as insatisfações vão estourar". "Nós mesmo estamos nos preparando. Se as propostas resultarem em algo que não reconheça as perdas podemos chegar a um movimento para demonstrar a nossa insatisfação."

Não que uma eventual greve seja novidade no governo Dilma. Em 2011, duas entidades, o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) e a Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras (Fasubra) pararam entre 1º de agosto e 26 de outubro.

Só que as outras duas principais entidades educacionais, o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) e o Fórum de Professores das Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), não aderiram e seguiram adiante nas conversas com o governo. Foi a única classe que conseguiu tirar algo de Dilma no seu primeiro ano de mandato: promessa de reestruturação da carreira de professor e 4% de reajuste, abaixo, portanto, da inflação.

Esse processo mostrou outra característica da relação com o funcionalismo sob o comando de Dilma, segundo os sindicalistas: a aposta na fragmentação dos interlocutores justamente para fragilizá-los. "O governo estabeleceu com quem queria negociar. Decidimos parar a greve quando vimos que estávamos isolados. Quando você negocia com parte do movimento você enfraquece todo o movimento", afirma William Carvalho, coordenador do Sinasefe.

Ele avalia, porém, que essa estratégia será prejudicada em 2012, tendo em vista que os servidores sentirão ainda mais as perdas com a inflação e já estarão mais preparados para negociar com Dilma, por conta da experiência de 2011. "O governo tem que se organizar porque vai ter que controlar a economia e o ânimo dos trabalhadores. Terá que quebrar nossa unidade de novo, só que com menos dinheiro ainda para gastar. E quem teve acordo abaixo da inflação vai perceber isso."

Essa unidade começou a ser buscada nesta semana, na primeira reunião do fórum que reúne 32 entidades sindicais do funcionalismo federal. Ali foram ventiladas possibilidades de atuação, mas não houve uma definição clara sobre a estratégia a ser adotada neste ano. Se por um lado percebe-se facilmente uma insatisfação geral com Dilma, por outro há divergências quanto ao melhor caminho a seguir.

Isso se deve ao fato de a maioria das organizações sindicais do funcionalismo público, assim como no setor privado, estar vinculada a partidos políticos. Nesse sentido, sindicatos mais favoráveis à greve tendem a ser mais ligados a partidos de oposição à Dilma. Em especial os situados à extrema-esquerda com pouca ou nenhuma representação no Congresso Nacional, como PSTU e PSOL. Consideram, portanto, uma paralisação como o espaço ideal para impor seu discurso. Em outra frente, estão as entidades mais moderadas, muitas delas oriundas do petismo.

Esse quadro ficou nítido com o que ocorreu no setor da educação em 2011. As entidades que fizeram greve, Fasubrae Sindsefe, são mais oposicionistas, embora a primeira seja mais dividida. A que liderou as negociações com o governo Dilma, o Proifes, foi criado em 2004, de dentro do governo Lula. Desde então, desidratou a Andes, que sempre liderou o setor e também é mais ligada à oposição. Só que em 2011, caminharam juntas pela primeira vez.

Dirigente do Proifes, o professor de matemática da Ufscar, Gil Vicente, nega haver governismo na entidade. "Não se pode colocar um debate sindical a reboque de forças partidárias e na nossa avaliação era isso que ocorria. Entidades sempre querendo reajustes inviáveis para gerar conflito. Era greve todo ano e o salário caindo", disse. Vicenteclassifica a atuação do Proifes como "mais que pragmática, embora independente". Declara ainda haver muitas entidades que "estão aí para fazer a revolução do proletariado e derrubar o capitalismo".

FONTE: ihu.unisinos

Avalanche racista ou cotidiano relevado?

Usp, Restaurante, Colégio e Estado - Racismo em todo lugar

Há menos de um mês, em 13 de Dezembro, cerca de 60 manifestantes realizaram um protesto em frente ao colégio Internacional Anhembi Morumbi, no bairro do Itaim Bibi, área nobre de São Paulo, depois de um caso de racismo ter ocupado o noticiário dos principais telejornais do país: a estagiária negra Ester Elisa da Silva Cesário, de 19 anos, teria sido coagida por sua chefa a alisar o cabelo para continuar em seu emprego.
 
Naturalmente a Escola negou o ocorrido, a Professora que promoveu a agressão se afastou por motivos psicológicos e o caso segue investigado pela polícia.
 
Ainda antes da virada do ano, em 30 de Dezembro, um casal de turistas espanhóis teve seu filho adotivo expulso do interior do fino restaurante Nonno Paolo, no bairro do Paraíso, em São Paulo. O menino etíope – e negro, de apenas 6 anos, bem cuidado e convenientemente trajado, foi “confundido” com uma criança de rua, segundo admitido pelo próprio gerente que o escorraçou.
 
Boletim registrado e ampla repercussão, primeiro na internet, depois em toda grande imprensa nacional. Após uma semana de campanha de boicote ao restaurante, um grupo de ativistas indignados realizou um comovente protesto em frente ao estabelecimento.
 
Ainda sob a ressaca do novo ano, a rede globo levou ao ar no seu Jornal da Globo, a denúncia da prisão irregular do jovem negro de 26 anos, Michel Silveira, Agente de Saúde da Prefeitura de São Paulo. O rapaz, “reconhecido” na rua por uma vítima de assalto, está preso há mais de dois meses. Família, amigos e colegas de trabalho reuniram provas que demonstram que no dia do roubo, o jovem negro estava trabalhando. Há inclusive gravações de câmeras de segurança do posto de saúde, além do testemunho de colegas que o acompanharam durante o dia e à noite, em um curso.
 
Na “Cracolândia” no bairro da Luz em São Paulo, uma população, de esmagadora maioria negra, é tratada como manda a praxe: espancamentos, bala de borracha na boca e atropelamentos por viaturas da polícia, tudo sob a justificativa de “combater o crack”.
 
E agora, no dia 9, nos estarrecemos com a ação do Policial Militar na USP que, após um diálogo acalorado com diversos jovens estudantes brancos, resolveu descontar sua raiva no único negro presente, primeiro duvidando de que seria um estudante da USP e em seguida o agredindo gratuitamente, tendo inclusive apontado sua arma para a cabeça do rapaz. A partir das redes sociais e do youtube, as imagens repercutiram em todo o Brasil e mais uma vez ocupou os principais noticiários de TV, rádio e jornais.
 
No Brasil, cabelo liso é padrão estético e corporativo. Errado é quem desobedece à norma. Se comprovada a ação racista da Diretora, ela será punida pela Justiça e pelo empregador. Mas e o Colégio?
 
A rua é o lugar de crianças negras, e não buffets de classe média. O gerente só fez o habitual. Estranho ali, só o etíope de 6 anos. O funcionário já foi afastado. Mas e o restaurante?
 
Um negro preso sem provas de crime algum. Mais que isso: com provas de sua inocência. E há mais de dois meses! Ora, um preto acusado de roubo? Quem dúvida? Pra quê provas? E o Delegado que prendeu sem provas? E o Judiciário Brasileiro?
 
Vício é crime e não doença, portanto, polícia e não médicos. Pretos, pobres, moradores de rua são lixo, não gente. E os direitos humanos?
 
O PM “agressor racista” da USP foi afastado. Ele deve morar mal, vestir mal, comer mal, mas já foi corretamente punido. Mas e a corporação? E o Governador? E o Estado?
 
Até quando o racismo terá condição coadjuvante para efeito da ação política dos movimentos populares, sindicatos e partidos de esquerda?
 
Até quando o racismo será apenas um traço e não característica, para efeito da análise de conjuntura e da elaboração de um projeto político e popular para o país?
 
As elites, os ricos e o Estado entendem isso muito bem. Nós não.
 
Ano novo, racismo de sempre! O Movimento Negro e Popular tem motivos para antecipar o carnaval, não acham?
 
FONTE: Douglas Belchior / Professor de História e membro do Conselho Geral da UNEafro-Brasil

Começa o 31º. Congresso do Andes-SN



O 31º. Congresso do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) teve início nesse Domingo, 15, no resort Tropical Hotel. Com um público estimado em 350 professores de todo o Brasil, o evento acontecerá até a sexta-feira, 20, e discutirá assuntos pertinentes à atuação da categoria no contexto da luta sindical. Dessa forma, serão debatidos no decorrer do congresso temas que vão desde a política interna do Andes-SN, que norteia todas as seções sindicais do país, passando por questões relativas ao financiamento e plano de lutas.

A Plenária de Abertura do congresso teve início às 10h de domingo contou com a presença de membros de diversas entidades sindicais. 


Além da Presidente do Andes-SN, professora Marina Barbosa, estiveram presentes o Secretário Geral do Andes-SN, professor Márcio Antonio Oliveira, o 1º. Secretário da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua), professor José Alcimar de Oliveira, o reitor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), José Ademir de Oliveira, assim como Júlio César Ferraz, representante do Movimento dos Sem Teto, Juliana Melim, do Conselho Federal de Serviço Social, Edison Guilherme Haubert, do Movimento Nacional de Servidores Aposentados e Pensionistas (Mosap), Rogério Monteiro, da Associação dos Servidores da Universidade Federal do Amazonas (Assua), José de Araújo, do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), Clara Saraiva, da Assembleia Nacional de Estudantes Livre! (Anel), José Maria de Almeida, da Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas), e Francisco Jacob Paiva, 2º. Vice-presidente da Regional Norte I.

Durante a plenária, o professor José Alcimar afirmou que o congresso anual do Andes-SN é um espaço de maior relevância política e reflexiva do país, enfatizando o contexto de luta geral da Região Norte e a necessidade de abranger durante as discussões a serem travadas no evento os diferentes pontos de vista e ideologias em prol de um bem maior para toda a sociedade. 

O reitor da UEA, professor José Ademir, frisou que o Andes-SN presta um relevante serviço para a educação brasileira, destacando ainda que a atuação do sindicato deve ser vista com atenção não apenas pelos docentes, mas também pelos gestores das universidades. Outra que evidenciou a atuação do Andes-SN foi Juliana Melim, representante do Conselho Federal de Serviço Social. “Essa é uma das categorias mais combativas do país”, afirmou. “O apoio do Andes-SN em lutas como a que travamos na campanha ‘Educação não é Fast Food’ foi fundamental para defendermos a visão de universidade que defendemos”, completou Melim.

Movimentos em sintonia



A plenária de abertura do congresso foi marcada pela contextualização do posicionamento do sindicato docente frente ao atual cenário de mudanças sociais em todo o mundo. Esse ponto foi destacado por Edison Haubert, do Mosap. Segundo Haubert, a união do Mosap com o Andes-SN e outras entidades reforça a busca pelos objetivos em comum em nível nacional. “O Mosap participa dos diversos movimentos porque devemos estar irmanados em nossas causas em prol da educação de qualidade”, afirmou, frisando ainda a confiança do Mosap na integridade do Andes-SN. “Tenho certeza de que os presentes têm condições de direcionar a luta para decidir os rumos da educação no Brasil”, concluiu.

Clara Saraiva, da Anel, citou durante a plenária acontecimentos diversos como a Primavera Árabe, o movimento dos Indignados na Espanha e o movimento estudantil no Chile para expor o contexto mundial de luta no qual se inserem as temáticas a serem discutidas durante o congresso do Andes-SN. Dentre elas, Clara frisou a luta pelo investimento imediato de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação pública, defendida tanto pela Anel como pelo Andes-SN. “Sabemos hoje que temos aliados estratégicos na luta pelos 10% do PIB: os trabalhadores, e, em especial, os professores, que é a categoria mais próxima dos estudantes”, afirmou.

Outra característica do atual contexto de luta docente foi abordada por José Maria de Almeida, representante do CSP-Conlutas: a crise do capitalismo unindo diferentes manifestações por mudanças sociais. “O Congresso do Andes-SN ocorre num momento muito delicado, no qual acontece a unificação de lutas diversas para avançar na defesa dos direitos confrontados pela política do grande capital”, explicou José Maria.

Finalizando a Plenária de Abertura, o professor Jacob Paiva destacou a importância de as discussões do Congresso do Andes-SN acontecerem justamente na região amazônica. “As particularidades da Amazônia dão uma chance de compreendermos toda a complexidade do contexto de luta nas diferentes regiões do Brasil”, afirmou o professor.

Reconhecimento do sindicato


A 
presidenta do Andes-SN, Marina Barbosa, agradeceu o reconhecimento da atuação do sindicato nacional pelas demais entidades, explicando que o trabalho conjunto é vital para a conquista dos diversos movimentos. A professora explicou ainda que o Congresso do Andes-SN não se somente a assuntos diretamente ligados à atuação dos professores. “As decisões tomadas aqui têm conseqüências em vários movimentos sociais no Brasil”, comentou, “por isso, todas elas serão fruto de debates coletivos”. Nesse sentido, a continuidade pelo movimento dos 10% do PIB para a Educação, o fortalecimento dos docentes no processo de negociação junto ao governo pelo Plano de Carreira docente e a aprovação de um Plano Nacional de Educação (PNE) condizente com os princípios sindicais foram os principais assuntos destacados como essenciais durante o congresso. Em nível interno do funcionamento do sindicato, a professora enfatizou a apresentação das chapas que concorrerão à próxima direção do Andes-SN. 
Fonte: Adua

sexta-feira, janeiro 13, 2012

Nigerianos suspendem protestos durante fim de semana

Greve geral já dura cinco dias e será mantida no país em retaliação a aumento de combustíveis

O principal sindicato da Nigéria afirmou nesta sexta-feira que os protestos que acontecem há dias serão suspensos durante este fim de semana para que o governo dialogue com os manifestantes. A greve geral que paralisa o país há cinco dias, entretanto, está mantida. Pelo menos 10 pessoas já foram mortas durante as manifestações, que pedem também mudanças sobre a corrupção existente no governo.

- Até que tenhamos um fim conclusivo da discussão, vamos manter o status quo. Por agora, a greve continua - afirmou Abdulwaheed Omar, presidente do Congresso Trabalhista da Nigéria à TV al-Jazeera.

Mais cedo, um assessor nacional do sindicato Pengassan, o principal sindicato de trabalhadores do setor, havia afirmado que as greves seriam suspensas, mas líderes de sindicatos disseram que ele se enganou e que apenas os protestos não acontecerão nos próximos dois dias.

- Os protestos estão suspensos no fim de semana. A greve continua até que tenhamos um acordo - afirmou Isa Aremu, vice-presidente do Congresso Trabalhista da Nigéria. Em 2003, uma greve semelhantes durou oito dias.

Na quinta-feira, antes de um encontro entre representantes de sindicatos e o governo, o sindicato Pengassan disse que suspenderia a produção de petróleo e gás do país a partir de domingo, para apoiar a greve nacional. 

A Nigéria é o maior produtor de petróleo dea África, com 2 milhões de barris exportados por dia. De acordo com o presidente do sindicato, Babatunde Ogun, se a produção for interrompida, pode-se levar de seis meses a um ano para reiniciá-la. O país é um dos principais fornecedores de petróleo cru para os Estados Unidos e a União Europeia, e a perspectiva de interrupção, somada às ameaças do embargo europeu ao Irã, causam preocupação por uma provável alta dos preços.

O governo da Nigéria cancelou subsídios das importações de gasolina em 1 de janeiro, o que provocou mais que o dobro de seu preço de bomba, que passou para R$ 0,93 por litro, e motivou protestos em todo o país. Os custos de alimentação e transporte também já dobraram.
Os manifestantes têm demonstrado uma raiva que pode se transformar em violência. Abraham Overare, de 49 anos, disse que, se tivesse chances, invadiria o palácio presidencial de Aso Rock para atacar o presidente Goodluck Jonathan. Na quinta-feira, ele carregava um cartaz com os dizeres “Jonathan, vá ou morra como Kadafi”.

FONTE: GLOBO.COM

quinta-feira, janeiro 12, 2012

CSP-Conlutas RJ sobre as chuvas: a maior calamidade no Rio é o governo


Nota CSP-Conlutas RJ


O governo federal, o governo estadual e as prefeituras são os responsáveis pela tragédia e devem ser punidos

O Brasil não é assolado por furacões, tufões ou vendavais. Aqui não há vulcões ativos ou terremotos que atinjam algum grau de perigo. O fenômeno natural que existe em nossa rica terra são as chuvas. Em pleno século 21, no terceiro milênio, com todo o desenvolvimento científico e tecnológico a previsão das precipitações destas chuvas são cada vez mais previsíveis e controláveis. No entanto, os governos preferem reconstruir as áreas atingidas a fazer as necessárias obras de prevenção. E mesmo a reconstrução só ocorre em áreas onde há especulação imobiliária. Em outras a reconstrução só serve para alimentar os velhos circuitos fechados da corrupção.
  
Foi assim com o Morro do Bumba, em Niterói, onde milhares de trabalhadores amargam há dois anos os efeitos das chuvas de verão. Também foi assim com Nova Friburgo que neste dia 12 de janeiro, completado um ano da calamidade que se abateu sobre aquela e as demais cidades serranas em nosso estado.

 Em 2012 nada mudou

A chuva que atinge as regiões norte e nordeste do Rio de Janeiro nos últimos dias já deixou seis municípios em situação de emergência, segundo balanço da Secretaria de Estado de Defesa Civil divulgado na noite desta quarta-feira (4 de janeiro). O decreto vigora em Laje do Muriaé, Santo Antônio de Pádua, Itaperuna, Italva, Cardoso Moreira e Miracema.
  
Santo Antonio de Pádua é onde a situação é mais grave. Cerca de 12 mil pessoas estão desalojadas e 1,2 mil desabrigadas. Também é difícil o quadro em Itaperuna, com 5 mil desalojados e 60 desabrigados, e em Laje do Muriaé, que tem 2,5 mil desalojados, 100 desabrigados e um morto.

De acordo a Defesa Civil, outros municípios fluminenses sofrem com as inundações: Aperibé conta 1,8 mil desalojados e 60 desabrigados; Italva tem 500 pessoas desalojadas e 90 desabrigadas; Cardoso Moreira, 447 desalojados e 80 desabrigados; Cambuci, 310 desalojados e 80 desabrigados; e Campos dos Goytacazes, onde o Rio Paraíba do Sul transbordou, 113 pessoas estão desabrigadas.

Nesta segunda-feira (9) já havia confirmada a morte de seis pessoas no município de Sapucaia, na região do médio Paraíba, em razão das chuvas. Cinco corpos foram encontrados em deslizamento de terra no distrito de Jamapará, onde até 20 pessoas estariam soterradas. A outra vítima morreu no desabamento de uma casa, perto do local do deslizamento.

Enquanto os governos desviam todos os recursos produzidos pelos trabalhadores para o pagamento da dívida interna e externa. Enquanto bilhões de reais evacuam nos ralos da corrupção. Enquanto gasta-se milhões com obras de utilidade duvidosa preparando o país para mega eventos internacionais como a Copa e as Olimpíadas. Os trabalhadores, já endividados pela crise do capitalismo, ainda perdem suas casas, roupas, pertences e até a vida.

A CSP-Conlutas se solidariza com as famílias e os parentes dos mortos, desabrigados e desalojados. A única saída é a mobilização e luta de todos os trabalhadores para exigir do governo de Dilma Rousseff, Sérgio Cabral e dos prefeitos destas regiões medidas eficazes para minimizar os efeitos de uma calamidade anunciada.

Exigimos que estes governos construam casas em locais seguros para todos os desabrigados e liberem, em caráter emergencial, R$ 10 mil para todos os atingidos, independentemente de FGTS.

Os governos, negligentes com a situação de risco das famílias que são atingidas ano após ano são os culpados pelo drama da população. É preciso que os governos executem um verdadeiro plano de obras públicas para evitar novas tragédias, sob controle dos trabalhadores para evitar novos desvios de recursos para a corrupção.

Além disso, é urgente que os atingidos pelas chuvas sejam isentados das tarifas públicas de luz, IPTU, água, etc., tendo o direito de permanecerem em hotéis não afetados até a construção de suas novas casas.

O mínimo que se espera é que as comunidades de trabalhadores que foram atingidas, ou seja, daqueles que ganham o pão com o suor do próprio rosto, tenham seus bens materiais repostos pelos governos responsáveis por conta de sua omissão através dos anos. O governo federal, o governo estadual e as prefeituras são os responsáveis pela tragédia e devem ser punidos.

FONTE: CSP-CONLUTAS RJ

Caprichar na Educação, Garantir Direitos dos Trabalhadores para ter Futuro


O 31º Congresso do ANDES-SN, convocado pela Diretoria e sediado pela ADUA Seção Sindical, ocorrerá em Manaus/AM no período de 15 a 20 de janeiro de 2012, tendo como tema Caprichar na Educação, Garantir Direitos dos Trabalhadores para ter Futuro.

O Congresso será realizado em uma conjuntura que denota uma grande complexidade, considerada a persistente crise econômica e social que assola os países centrais do capitalismo – particularmente os países da Europa e os Estados Unidos –, com reflexos fartamente assinalados em todas as partes do mundo coparticipantes da ciranda financeira e dos desmandos do capital.

No Brasil, as ações do governo pretendem ajustar o país a esse quadro de crise, cujas soluções propostas vão na direção do arrocho fiscal e da utilização da maior parte dos recursos orçamentários para cobrir os encargos da imensa dívida pública. De outra feita, amplia-se o espaço dos interesses privados que se agigantam na apropriação do setor público.

Não por acaso, o governo patrocina iniciativas de congelamento salarial dos servidores públicos, a privatização dos hospitais universitários e tem urgência na implantação dos Fundos de Pensão. No campo educacional, os ajustes se dão com o desmonte do Sistema Nacional de Educação e na multiplicação de carreiras da educação, buscando enfraquecer, ao invés de fortalecer, a categoria dos professores. De igual forma, essas proposições são reproduzidas pelos governos estaduais, por vezes antecipando-se às diligências do governo federal.

O governo insiste, também, na política de favorecer os interesses privados pelas concessões feitas aos empresários do setor, e continua a investir em um Plano Nacional de Educação cujos recursos estarão aquém das necessidades reais para a universalização da educação em todos os níveis. Ademais, permanecem as pressões sobre as organizações sociais e sindicatos independentes.

Nessa linha de reforço ao polo que busca aglutinar os setores classistas e independentes estaremos nos preparando para o Congresso da CSP-Conlutas, nossa opção para o enfrentamento da crise e de luta pelos direitos dos trabalhadores.

No 31º Congresso se discutirá a sucessão da Diretoria para o biênio 2012-2014 – momento importante de continuidade democrática do nosso Sindicato – e serão apresentadas as chapas para a eleição, que ocorrerá em maio de 2012.

Eis, portanto, nossa tarefa: dar respostas ao grande número de desafios que teremos em 2012, estabelecendo, para o Sindicato, políticas e um Plano de Lutas que vivifiquem o movimento docente, dando-lhe condições para o enfrentamento necessário.

Até breve! Até Manaus!
A Diretoria

FONTE: ANDES - SN

Governo deve acabar com a corrupção para obter mais recursos para a saúde


PESQUISA CNI | Brasileiros rejeitam criação de imposto 

para financiar a saúde


Apesar de 61% dos brasileiros reprovarem o sistema público de saúde e 95% acreditarem que o setor precisa de investimentos, praticamente toda a população (96%) é contrária à criação de impostos para melhorar a situação. As informações são da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira: Saúde Pública, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quinta-feira, 12 de janeiro.

Para 82% dos entrevistados, o governo deve acabar com a corrupção para obter mais recursos para a saúde. Outra solução, apontada por 53% das pessoas, é a redução de desperdícios. Somente 18% da população acreditam que seja necessário transferir recursos de outras áreas para o setor.

De acordo com o estudo, o principal problema do sistema público de saúde é a demora no atendimento, assinalado por 55% dos entrevistados. Em seguida, está a falta de equipamentos e de unidades de saúde, apontado por 10% das pessoas, e a falta de médicos, indicado por 9% da população.

Segundo a pesquisa, esses problemas estão ligados, pois a demora no atendimento em hospitais e postos de saúde se deve, principalmente, à falta de equipamentos e de médicos. “Para a população, no entanto, é o resultado final – a demora para ser atendido – que aparece como o principal problema”, explica o estudo.

Para melhorar a situação, 57% dos entrevistados dizem que é preciso aumentar o número de médicos. Outros 54% afirmam que o governo deve equipar melhor os hospitais públicos e os postos de saúde. A terceira ação, assinalada por 30% dos brasileiros, é o aumento de salário para os médicos.

DESAFIOS –

 Na avaliação de 85% da população, o serviço público de saúde não melhorou nos últimos três anos.  Para 43% dos entrevistados, houve piora na saúde pública no período. O estudo da CNI aponta ainda que, nos últimos 12 meses, dos entrevistados que fizeram algum tratamento de saúde, 79% usaram a rede pública. O serviço público recebeu de seus usuários nota média de 5,7, em uma escala de zero a dez. Conforme a pesquisa, quanto maior a nota, melhor o serviço. Já os hospitais particulares receberam nota média de 8,1 de seus usuários.

Os hospitais públicos são os principais fornecedores de serviços de saúde para 68% da população enquanto a rede privada é usada de forma exclusiva por apenas 10% dos brasileiros. Segundo a pesquisa, a procura por hospitais e clínicas particulares está diretamente relacionada à propriedade de um plano de saúde. Entre os entrevistados que usam somente o serviço privado, 91% têm plano de saúde. Entre os que utilizam apenas a rede pública de saúde, só 1% têm plano de saúde.

O estudo revela ainda que 95% dos entrevistados concordam com a oferta gratuita de serviços de saúde. Mesmo assim, 68% consideram injusto todos pagarem pelo sistema independentemente do uso da rede pública de saúde.

A pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira: Saúde Pública foi realizada pela CNI em parceria com o Ibope. Foram ouvidas 2.002 pessoas em 141 municípios entre os dias 16 e 20 de setembro de 2011. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais e o grau de confiança é de 95%.

FONTE: Confederação Nacional da Indústria (CNI)

Fé e devoção marcam história da Lavagem do Bonfim na Bahia


Cortejo sai da Basílica da Conceição da Praia até a Igreja do Bonfim.
Devoção dos baianos na Cidade Baixa une o sagrado ao profano.

Tradição mantida há mais de dois séculos, a Lavagem do Bonfim é marcada pela forte presença do sincretismo religioso entre o catolicismo e o candomblé. Nesta quinta-feira (12), devotos do Senhor Bom Jesus do Bonfim e Oxalá se reúnem para festejar, prestar homenagens e pagar promessas no cortejo em direção à Colina Sagrada. Além do contexto religioso, a Lavagem do Bonfim também é caracterizada pela grande festa que acompanha e circunda o trajeto de fé.
Cerca de um milhão de fiéis e 300 baianas devem participar do cortejo que sai, por volta das 9 horas, da Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no Comércio, até a Igreja do Bonfim. Ao todo, 34 entidades, reunindo mais de nove mil integrantes, foram cadastradas pela Empresa Salvador Turismo (Saltur) para participar do evento. Dentre elas, 18 são de percussão, cinco de sopro, dois de samba, além de afoxé, instrumental, som mecânico, kuduro e marchinha de carnaval. A expectativa é de que o cortejo chegue à Basílica do Bonfim ao meio-dia, quando o adro e as escadarias são tradicionalmente lavados pelas baianas com vassouras e água de cheiro.
Há mais de 20 anos, a professora Mercês Palma participa da Lavagem do Bonfim com um grupo de amigos. Devota de Senhor do Bonfim e também de Oxalá, Mercês revela que sempre gostou das festas de largo e já perdeu as contas de quantas participou. Para ela, a lavagem do Bonfim tem um significado especial. “É uma oportunidade de encontrar os amigos. Tem muita alegria no cortejo”, diz ela. Assim como a professora, o motorista Afrânio Gama, de 52 anos, participa da lavagem desde os 16 anos, e nesta quinta-feira pretende levar toda a família para realizar o cortejo da Basílica da Conceição da Praia até a Igreja do Bonfim. “Esse ano eu vou juntar a família toda para realizar o trajeto e aí a gente comemora. É um dia de festejos”, anima-se Afrânio.
História
Segundo Padre Edson Menezes, pároco responsável pelo templo no Bonfim, a partir da proibição, foi iniciada a tradição da lavagem das escadarias. “Após essa determinação, o pessoal do candomblé começou a fazer o cortejo para lavar escadarias”, conta. Na procissão, fiéis se vestem de branco e acompanham baianas que carregam a água de cheiro e vassouras para lavar as escadarias. “Esse ato passou a ser religioso, de penitência e agrega muitas pessoas. No contexto maior, o sentido da lavagem é religioso, independente da crença”, revela o padre.Segundo relatos históricos, a lavagem do Bonfim começou a partir dos moradores da região que tinham o objetivo de lavar a igreja para deixá-la pronta para a Festa do Bonfim, realizada pelo catolicismo no segundo domingo após o Dia de Reis, que acontece no dia 6 de janeiro. A “faxina” do templo religioso acontecia três dias antes da festa, numa quinta-feira. A chegada até à colina sagrada era marcada por muita dança durante o cortejo, o que provocou a proibição da lavagem da igreja, em 1889, pelo arcebispo da Bahia Dom Luís Antônio dos Santos.
Sincretismo
Para a historiadora Wlamyra Albuquerque, as críticas que os líderes religiosos fazem ao sincretismo devem ser compreendidas no contexto de cada segmento religioso. “Quando uma Ialorixá diz que Senhor do Bonfim não é Oxalá ela está demarcando não só no campo religioso, mas também político, a autonomia do candomblé em relação a Igreja Católica hoje”, avalia a pesquisadora. Segundo ela, “a lavagem do Bonfim ventila a cultura popular baiana, porque continua a ser um espaço para reinventá-la. Não é uma festa do passado a se repetir, mas um festejo antigo que recriamos a cada ano”. Apesar dos significados distintos para as religiões, baianos e turistas preservam a cultura "sincrética" traçada desde o princípio das celebrações religiosas na Bahia e fazem da lavagem do Bonfim a festa de largo mais importante de Salvador.Contrária ao sincretismo, Valdina Pinto, que é Makota (alto cargo feminino dentro da religião do candomblé) do terreiro Tanuri Junsara, em Salvador, afirma que a lavagem do Bonfim não é ligada ao candomblé e sim à cultura popular. “Hoje já tem muito folclore. É o candomblé? Não, não é o candomblé. Aquela água (a água de cheiro que lava a escadaria) não tem nada a ver com a água de Oxalá. A água de Oxalá é uma outra coisa. O fundamento é outro. Ali é uma prática popular”, defende Makota Valdina. Segundo ela, a fé das pessoas que fazem o percurso é que faz da lavagem uma festa especial. “As pessoas vão lá pela fé no Senhor do Bonfim? Vão. Fazem promessas? Fazem. Alcançam? Alcançam. Porque o espiritual transcende o material e a fé está ligada à espiritualidade, que é invisível”, conclui.

FONTE: G1

terça-feira, janeiro 03, 2012

Beija-Flor relembra desfile polêmico de Joãosinho Trinta


Atual campeã do carnaval carioca, a Beija-Flor, escola da qual Joãosinho Trinta foi carnavalesco por 16 anos, vai homenageá-lo em 2012 relembrando um marco em sua carreira: o desfile "Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia", de 1989, com seu Cristo coberto por um plástico preto (proibido de aparecer por conta de uma ação judicial impetrada pela Igreja), e sua antológica ala de mendigos.

A alegoria está sendo refeita e a ala, recomposta, e as duas fecharão o desfile - em 1989, apareceram na abertura, arrebatando o público. O diretor teatral Amir Haddad, que recrutou a ala em 89 a pedido de Joãosinho, foi convocado pela atual comissão de carnaval. Ele quer reproduzir o forte impacto da estátua (que trazia uma faixa com a inscrição "Mesmo proibido, olhai por nós") e da ala (os componentes-mendigos, em grande parte, atores, chegaram a escalar camarotes e "roubar" salgadinhos, "famintos").

"Vamos recuperar esse momento, que não é só do carnaval, mas do teatro brasileiro", disse Haddad, hoje, um dia depois de acertar detalhes no barracão. "Vou chamar participantes originais e mais uma vez faremos nossas próprias roupas. Estou emocionado desde o momento em que fui chamado, logo depois da morte do João. Desenvolvemos uma amizade profunda. Foi muito decepcionante perder aquele carnaval. Eu acho que Joãosinho começou a morrer ali. Foi uma golfada de vida que ele teve de engolir."

O enredo da escola este ano é São Luís do Maranhão, cidade de nascimento de Joãosinho, que morreu dia 17, aos 78 anos. Em 1989, a Beija-Flor ficou em segundo lugar, perdendo por meio ponto para a Imperatriz, que fez um desfile tecnicamente impecável sobre o centenário da Proclamação da República. A imagem do Cristo e da ala entrou para a história do carnaval. O desfile era o preferido do carnavalesco, que contava 12 vitórias em 31 anos de avenida.

Ubiratan Silva, integrante da comissão da Beija-Flor, contou que Joãosinho iria desfilar no último carro, sentado num trono (ele se deslocava em uma cadeira de rodas desde que ficou com os movimentados limitados, decorrência de dois derrames). Quando a notícia da morte chegou, os planos foram adaptados.

"A decisão foi instantânea. A ligação entre Joãosinho, Beija-Flor e São Luís é direta. A homenagem estará no último setor, que resume as festas populares da cidade", revelou Bira, que entrou na escola um ano depois da saída de Joãosinho - ele estreara no Salgueiro, em 1973, mas foi alçado ao posto de revolucionário na escola de Nilópolis, à qual se iria se vincular em 76. Nela, sagrou-se campeão cinco vezes; vice, seis.

"Estamos falando de várias personalidades maranhenses, como João, Alcione, Ferreira Gullar, Josué Montello, Rita Ribeiro, Zeca Baleiro. João não poderia faltar. O legado de sua linguagem artística rendeu frutos não só para a Beija-Flor, mas para o carnaval. Todo mundo vai estar muito emocionado." O enredo terá patrocínio de empresas que atuam no estado do Maranhão.
FONTE: Diário do Grande ABC

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Parceria do Brasil com a África é foco de estudo

Relatório foi lançado, em Brasília, por especialistas do Ipea, MRE, Banco Mundial e UnB

Para analisar a crescente participação política e econômica do Brasil em vários países africanos, principalmente os subsaarianos, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) desenvolveu, em Parceria com o Banco Mundial (BM), o relatório Ponte sobre o Atlântico – Brasil e África Subsaariana: parceria Sul-Sul para o crescimento.

O documento representa, de acordo com o diretor de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais (Dinte), Marcos Cintra, o esforço pra se tentar entender as inúmeras relações entre Brasil e África (cooperação, política externa, investimento e comércio).

O ministro Marco Farani, diretor da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) do Ministério das Relações Exteriores (MRE), afirmou que o governo federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento Agrário, estabeleceu acordo de cooperação financeira com países daquele continente, para que eles possam solicitar empréstimos, com juros de aproximadamente 2% ao ano, para a compra de mini tratores voltados à agricultura familiar. “A cooperação brasileira se dá no campo da capacitação técnica. O Brasil quer ter papel importante também no campo da cooperação financeira”, apontou.

Desafios


Farani considerou que a relação com a África transcende a cooperação técnica e que a priorização da região sul do continente vem ocasionando a abertura de novas oportunidades comerciais e investimentos. “Lula, durante o período de sua presidência, viu que o Sul será importante para desenvolver relação política e discurso mais uniforme, e o Brasil tem um papel importante na construção de uma agenda internacional nessa perspectiva”, disse.

A ABC tem procurado qualificar a sua cooperação nessas duas áreas (técnica e financeira). “Isso não se dá por escolha, mas porque o Brasil não tem ainda uma agência estruturada, assim o trabalho fica ao sabor do movimento política; o segundo ponto é pelo nosso orçamento, muito pequeno, e não podemos nos lançar em projetos que financiem projetos de maior assistência, mais estruturantes.

Ele garante que se esses atuais obstáculos forem resolvidos isso, o Brasil poderá trabalhar de forma mais efetiva. “O que fazemos hoje é muito bom, mas os resultados são de longo prazo. Poderíamos fazer muito mais se o Brasil tivesse uma visão mais clara de como trabalhar no campo da cooperação internacional”, alertou.

Outro ponto importante elencado pelo ministro é que se o Brasil mostrar ainda mais engajado nos processos de cooperação internacional, países desenvolvidos que dispõem de recursos podem se interessar e colaborar. “Gostaria que o BM fizesse novo relatório em cerca de três anos, para analisar se as coisas avançaram, pois o estudo vai nos ajudar a ter clareza sobre o futuro”, afirmou. Em 2010, concluiu ele, o Brasil gastou 0,04% do PIB em cooperação internacional e precisa fazer crescer essa parcela de contribuição com a comunidade internacional.

Elos


Tânia Malinski, do Departamento da África do MRE, ressaltou que o continente é uma área geográfica de permanente interesse para o país. “O período colonial nos uniu de forma trágica e isso ainda nos une, portanto, temos o desafio de superar as marcas da escravidão, que ainda se fazem sentir”, iniciou. Ela lembrou que a migração maciça involuntária de africanos nos faz o segundo maior país em descendência africana.

O que une essas duas margens do Atlântico Sul na política internacional, de acordo com Tânia, são fatos emblemáticos, como o apoio do Brasil aos processos de emancipação política dos países africanos; o esforço conjunto na superação do subdesenvolvimento; o Brasil ter condenado o regime de apartheid na África do Sul; e por fim, o movimento importante das décadas de 1960 e 70 para se tentar conferir mais dinamismo na relação Brasil-África.

Os interesses mútuos dessa parceria são a agricultura tropical e familiar, agroexportação, reaparelhamento de hospitais, combate à malária, à AIDS e à anemia falciforme, diversificação do comércio, interconectividade por rotas marítimas e aéreas.

Já o grande interesse convergente destacado por Tânia é o trabalho político para tornar os países do Hemisfério Sul mais presentes e estruturados na política internacional, “na advocacia por uma nova ordem mundial”.

Quem também participou da cerimônia de lançamento do relatório foram: o coordenador geral de Operação do Banco Mundial, Boris Utria; Keith Martin, Susana Carrillo e Eduarda Hamann, integrantes do BM envolvidos na elaboração do documento; a técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea, Fernanda Lira Goes e o professor da Universidade de Brasília, José Flávio Sombra Saraiva, ambos também participantes da equipe.
FONTE: ipea .gov

Quilombolas apelam a Dilma em protesto contra Marinha


Cerca de 50 integrantes da Comunidade Quilombola de Rio dos Macacos, localizada em Simões Filho (BA), na região metropolitana de Salvador, aproveitaram a presença da presidente Dilma Rousseff na Base Naval de Aratu, vizinha à área do quilombo, para promover um protesto contra a Marinha.
Os manifestantes reuniram-se no fim da manhã de hoje, ao lado do muro que separa a Praia de Inema, exclusiva para os militares, e a de São Tomé de Paripe. Ali, gritaram frases como "Presidenta, cadê você?" e "Com a Marinha, quilombola não aguenta", munidos de instrumentos percussivos e faixas.
De acordo com os quilombolas, oficiais da Marinha têm promovido atos de violência contra os moradores da comunidade, tentando pressionar os habitantes a deixar o local. "A gente veio pedir socorro à presidente", conta a líder da comunidade, Rose Meire dos Santos Silva, de 33 anos. "Os militares ameaçam até crianças com as armas."
Dilma, porém, não apareceu na Praia de Inema até o início da tarde. Segundo relatos de barqueiros e pescadores da região, Dilma tem passeado por ilhas da Baía de Todos os Santos, em lanchas da Marinha. A informação, porém, não é confirmada pela assessoria da presidente.
Disputa
Parte da área onde a comunidade está instalada, segundo os moradores, há cerca de 200 anos, é disputada judicialmente pela Marinha, que pretende usar o local para ampliar as instalações da base naval.
Em outubro de 2010, a 10ª Vara Federal da Bahia determinou, por meio de liminar, a desocupação de 43 imóveis do quilombo. A área na qual eles estão localizados foi cercada pela Marinha, e a entrada e saída dos moradores passou a ser monitorada. Um ano depois, porém, a área foi oficialmente declarada comunidade quilombola, com publicação no Diário Oficial da União em 4 de outubro, e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), do governo federal, solicitou que a Procuradoria Geral da União (PGU) interviesse no caso.
FONTE: TIAGO DÉCIMO - Agência Estado