Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!
segunda-feira, janeiro 16, 2012
Começa o 31º. Congresso do Andes-SN
O 31º. Congresso do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) teve início nesse Domingo, 15, no resort Tropical Hotel. Com um público estimado em 350 professores de todo o Brasil, o evento acontecerá até a sexta-feira, 20, e discutirá assuntos pertinentes à atuação da categoria no contexto da luta sindical. Dessa forma, serão debatidos no decorrer do congresso temas que vão desde a política interna do Andes-SN, que norteia todas as seções sindicais do país, passando por questões relativas ao financiamento e plano de lutas.
A Plenária de Abertura do congresso teve início às 10h de domingo contou com a presença de membros de diversas entidades sindicais.
Além da Presidente do Andes-SN, professora Marina Barbosa, estiveram presentes o Secretário Geral do Andes-SN, professor Márcio Antonio Oliveira, o 1º. Secretário da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua), professor José Alcimar de Oliveira, o reitor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), José Ademir de Oliveira, assim como Júlio César Ferraz, representante do Movimento dos Sem Teto, Juliana Melim, do Conselho Federal de Serviço Social, Edison Guilherme Haubert, do Movimento Nacional de Servidores Aposentados e Pensionistas (Mosap), Rogério Monteiro, da Associação dos Servidores da Universidade Federal do Amazonas (Assua), José de Araújo, do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), Clara Saraiva, da Assembleia Nacional de Estudantes Livre! (Anel), José Maria de Almeida, da Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas), e Francisco Jacob Paiva, 2º. Vice-presidente da Regional Norte I.
Durante a plenária, o professor José Alcimar afirmou que o congresso anual do Andes-SN é um espaço de maior relevância política e reflexiva do país, enfatizando o contexto de luta geral da Região Norte e a necessidade de abranger durante as discussões a serem travadas no evento os diferentes pontos de vista e ideologias em prol de um bem maior para toda a sociedade.
O reitor da UEA, professor José Ademir, frisou que o Andes-SN presta um relevante serviço para a educação brasileira, destacando ainda que a atuação do sindicato deve ser vista com atenção não apenas pelos docentes, mas também pelos gestores das universidades. Outra que evidenciou a atuação do Andes-SN foi Juliana Melim, representante do Conselho Federal de Serviço Social. “Essa é uma das categorias mais combativas do país”, afirmou. “O apoio do Andes-SN em lutas como a que travamos na campanha ‘Educação não é Fast Food’ foi fundamental para defendermos a visão de universidade que defendemos”, completou Melim.
Movimentos em sintonia
A plenária de abertura do congresso foi marcada pela contextualização do posicionamento do sindicato docente frente ao atual cenário de mudanças sociais em todo o mundo. Esse ponto foi destacado por Edison Haubert, do Mosap. Segundo Haubert, a união do Mosap com o Andes-SN e outras entidades reforça a busca pelos objetivos em comum em nível nacional. “O Mosap participa dos diversos movimentos porque devemos estar irmanados em nossas causas em prol da educação de qualidade”, afirmou, frisando ainda a confiança do Mosap na integridade do Andes-SN. “Tenho certeza de que os presentes têm condições de direcionar a luta para decidir os rumos da educação no Brasil”, concluiu.
Clara Saraiva, da Anel, citou durante a plenária acontecimentos diversos como a Primavera Árabe, o movimento dos Indignados na Espanha e o movimento estudantil no Chile para expor o contexto mundial de luta no qual se inserem as temáticas a serem discutidas durante o congresso do Andes-SN. Dentre elas, Clara frisou a luta pelo investimento imediato de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação pública, defendida tanto pela Anel como pelo Andes-SN. “Sabemos hoje que temos aliados estratégicos na luta pelos 10% do PIB: os trabalhadores, e, em especial, os professores, que é a categoria mais próxima dos estudantes”, afirmou.
Outra característica do atual contexto de luta docente foi abordada por José Maria de Almeida, representante do CSP-Conlutas: a crise do capitalismo unindo diferentes manifestações por mudanças sociais. “O Congresso do Andes-SN ocorre num momento muito delicado, no qual acontece a unificação de lutas diversas para avançar na defesa dos direitos confrontados pela política do grande capital”, explicou José Maria.
Finalizando a Plenária de Abertura, o professor Jacob Paiva destacou a importância de as discussões do Congresso do Andes-SN acontecerem justamente na região amazônica. “As particularidades da Amazônia dão uma chance de compreendermos toda a complexidade do contexto de luta nas diferentes regiões do Brasil”, afirmou o professor.
Reconhecimento do sindicato
A presidenta do Andes-SN, Marina Barbosa, agradeceu o reconhecimento da atuação do sindicato nacional pelas demais entidades, explicando que o trabalho conjunto é vital para a conquista dos diversos movimentos. A professora explicou ainda que o Congresso do Andes-SN não se somente a assuntos diretamente ligados à atuação dos professores. “As decisões tomadas aqui têm conseqüências em vários movimentos sociais no Brasil”, comentou, “por isso, todas elas serão fruto de debates coletivos”. Nesse sentido, a continuidade pelo movimento dos 10% do PIB para a Educação, o fortalecimento dos docentes no processo de negociação junto ao governo pelo Plano de Carreira docente e a aprovação de um Plano Nacional de Educação (PNE) condizente com os princípios sindicais foram os principais assuntos destacados como essenciais durante o congresso. Em nível interno do funcionamento do sindicato, a professora enfatizou a apresentação das chapas que concorrerão à próxima direção do Andes-SN.
Fonte: Adua
sexta-feira, janeiro 13, 2012
Nigerianos suspendem protestos durante fim de semana
Greve geral já dura cinco dias e será mantida no país em retaliação a aumento de combustíveis
O principal sindicato da Nigéria afirmou nesta sexta-feira que os protestos que acontecem há dias serão suspensos durante este fim de semana para que o governo dialogue com os manifestantes. A greve geral que paralisa o país há cinco dias, entretanto, está mantida. Pelo menos 10 pessoas já foram mortas durante as manifestações, que pedem também mudanças sobre a corrupção existente no governo.
- Até que tenhamos um fim conclusivo da discussão, vamos manter o status quo. Por agora, a greve continua - afirmou Abdulwaheed Omar, presidente do Congresso Trabalhista da Nigéria à TV al-Jazeera.
Mais cedo, um assessor nacional do sindicato Pengassan, o principal sindicato de trabalhadores do setor, havia afirmado que as greves seriam suspensas, mas líderes de sindicatos disseram que ele se enganou e que apenas os protestos não acontecerão nos próximos dois dias.
- Os protestos estão suspensos no fim de semana. A greve continua até que tenhamos um acordo - afirmou Isa Aremu, vice-presidente do Congresso Trabalhista da Nigéria. Em 2003, uma greve semelhantes durou oito dias.
Na quinta-feira, antes de um encontro entre representantes de sindicatos e o governo, o sindicato Pengassan disse que suspenderia a produção de petróleo e gás do país a partir de domingo, para apoiar a greve nacional.
A Nigéria é o maior produtor de petróleo dea África, com 2 milhões de barris exportados por dia. De acordo com o presidente do sindicato, Babatunde Ogun, se a produção for interrompida, pode-se levar de seis meses a um ano para reiniciá-la. O país é um dos principais fornecedores de petróleo cru para os Estados Unidos e a União Europeia, e a perspectiva de interrupção, somada às ameaças do embargo europeu ao Irã, causam preocupação por uma provável alta dos preços.
O governo da Nigéria cancelou subsídios das importações de gasolina em 1 de janeiro, o que provocou mais que o dobro de seu preço de bomba, que passou para R$ 0,93 por litro, e motivou protestos em todo o país. Os custos de alimentação e transporte também já dobraram.
Os manifestantes têm demonstrado uma raiva que pode se transformar em violência. Abraham Overare, de 49 anos, disse que, se tivesse chances, invadiria o palácio presidencial de Aso Rock para atacar o presidente Goodluck Jonathan. Na quinta-feira, ele carregava um cartaz com os dizeres “Jonathan, vá ou morra como Kadafi”.
FONTE: GLOBO.COM
quinta-feira, janeiro 12, 2012
CSP-Conlutas RJ sobre as chuvas: a maior calamidade no Rio é o governo
Nota CSP-Conlutas RJ
O governo federal, o governo estadual e as prefeituras são os responsáveis pela tragédia e devem ser punidos
O Brasil não é assolado por furacões, tufões ou vendavais. Aqui não há vulcões ativos ou terremotos que atinjam algum grau de perigo. O fenômeno natural que existe em nossa rica terra são as chuvas. Em pleno século 21, no terceiro milênio, com todo o desenvolvimento científico e tecnológico a previsão das precipitações destas chuvas são cada vez mais previsíveis e controláveis. No entanto, os governos preferem reconstruir as áreas atingidas a fazer as necessárias obras de prevenção. E mesmo a reconstrução só ocorre em áreas onde há especulação imobiliária. Em outras a reconstrução só serve para alimentar os velhos circuitos fechados da corrupção.
Foi assim com o Morro do Bumba, em Niterói, onde milhares de trabalhadores amargam há dois anos os efeitos das chuvas de verão. Também foi assim com Nova Friburgo que neste dia 12 de janeiro, completado um ano da calamidade que se abateu sobre aquela e as demais cidades serranas em nosso estado.
Em 2012 nada mudou
A chuva que atinge as regiões norte e nordeste do Rio de Janeiro nos últimos dias já deixou seis municípios em situação de emergência, segundo balanço da Secretaria de Estado de Defesa Civil divulgado na noite desta quarta-feira (4 de janeiro). O decreto vigora em Laje do Muriaé, Santo Antônio de Pádua, Itaperuna, Italva, Cardoso Moreira e Miracema.
Santo Antonio de Pádua é onde a situação é mais grave. Cerca de 12 mil pessoas estão desalojadas e 1,2 mil desabrigadas. Também é difícil o quadro em Itaperuna, com 5 mil desalojados e 60 desabrigados, e em Laje do Muriaé, que tem 2,5 mil desalojados, 100 desabrigados e um morto.
De acordo a Defesa Civil, outros municípios fluminenses sofrem com as inundações: Aperibé conta 1,8 mil desalojados e 60 desabrigados; Italva tem 500 pessoas desalojadas e 90 desabrigadas; Cardoso Moreira, 447 desalojados e 80 desabrigados; Cambuci, 310 desalojados e 80 desabrigados; e Campos dos Goytacazes, onde o Rio Paraíba do Sul transbordou, 113 pessoas estão desabrigadas.
Nesta segunda-feira (9) já havia confirmada a morte de seis pessoas no município de Sapucaia, na região do médio Paraíba, em razão das chuvas. Cinco corpos foram encontrados em deslizamento de terra no distrito de Jamapará, onde até 20 pessoas estariam soterradas. A outra vítima morreu no desabamento de uma casa, perto do local do deslizamento.
Enquanto os governos desviam todos os recursos produzidos pelos trabalhadores para o pagamento da dívida interna e externa. Enquanto bilhões de reais evacuam nos ralos da corrupção. Enquanto gasta-se milhões com obras de utilidade duvidosa preparando o país para mega eventos internacionais como a Copa e as Olimpíadas. Os trabalhadores, já endividados pela crise do capitalismo, ainda perdem suas casas, roupas, pertences e até a vida.
A CSP-Conlutas se solidariza com as famílias e os parentes dos mortos, desabrigados e desalojados. A única saída é a mobilização e luta de todos os trabalhadores para exigir do governo de Dilma Rousseff, Sérgio Cabral e dos prefeitos destas regiões medidas eficazes para minimizar os efeitos de uma calamidade anunciada.
Exigimos que estes governos construam casas em locais seguros para todos os desabrigados e liberem, em caráter emergencial, R$ 10 mil para todos os atingidos, independentemente de FGTS.
Os governos, negligentes com a situação de risco das famílias que são atingidas ano após ano são os culpados pelo drama da população. É preciso que os governos executem um verdadeiro plano de obras públicas para evitar novas tragédias, sob controle dos trabalhadores para evitar novos desvios de recursos para a corrupção.
Além disso, é urgente que os atingidos pelas chuvas sejam isentados das tarifas públicas de luz, IPTU, água, etc., tendo o direito de permanecerem em hotéis não afetados até a construção de suas novas casas.
O mínimo que se espera é que as comunidades de trabalhadores que foram atingidas, ou seja, daqueles que ganham o pão com o suor do próprio rosto, tenham seus bens materiais repostos pelos governos responsáveis por conta de sua omissão através dos anos. O governo federal, o governo estadual e as prefeituras são os responsáveis pela tragédia e devem ser punidos.
FONTE: CSP-CONLUTAS RJ
Caprichar na Educação, Garantir Direitos dos Trabalhadores para ter Futuro
O 31º Congresso do
ANDES-SN, convocado pela Diretoria e sediado pela ADUA Seção Sindical, ocorrerá
em Manaus/AM no período de 15 a 20 de janeiro de 2012, tendo como tema
Caprichar na Educação, Garantir Direitos dos Trabalhadores para ter Futuro.
O Congresso será realizado
em uma conjuntura que denota uma grande complexidade, considerada a persistente
crise econômica e social que assola os países centrais do capitalismo –
particularmente os países da Europa e os Estados Unidos –, com reflexos fartamente
assinalados em todas as partes do mundo coparticipantes da ciranda financeira e
dos desmandos do capital.
No Brasil, as ações do
governo pretendem ajustar o país a esse quadro de crise, cujas soluções
propostas vão na direção do arrocho fiscal e da utilização da maior parte dos
recursos orçamentários para cobrir os encargos da imensa dívida pública. De
outra feita, amplia-se o espaço dos interesses privados que se agigantam na
apropriação do setor público.
Não por acaso, o governo
patrocina iniciativas de congelamento salarial dos servidores públicos, a
privatização dos hospitais universitários e tem urgência na implantação dos
Fundos de Pensão. No campo educacional, os ajustes se dão com o desmonte do
Sistema Nacional de Educação e na multiplicação de carreiras da educação,
buscando enfraquecer, ao invés de fortalecer, a categoria dos professores. De
igual forma, essas proposições são reproduzidas pelos governos estaduais, por
vezes antecipando-se às diligências do governo federal.
O governo insiste, também,
na política de favorecer os interesses privados pelas concessões feitas aos
empresários do setor, e continua a investir em um Plano Nacional de Educação
cujos recursos estarão aquém das necessidades reais para a universalização da
educação em todos os níveis. Ademais, permanecem as pressões sobre as
organizações sociais e sindicatos independentes.
Nessa linha de reforço ao
polo que busca aglutinar os setores classistas e independentes estaremos nos
preparando para o Congresso da CSP-Conlutas, nossa opção para o enfrentamento
da crise e de luta pelos direitos dos trabalhadores.
No 31º Congresso se
discutirá a sucessão da Diretoria para o biênio 2012-2014 – momento importante
de continuidade democrática do nosso Sindicato – e serão apresentadas as chapas
para a eleição, que ocorrerá em maio de 2012.
Eis, portanto, nossa
tarefa: dar respostas ao grande número de desafios que teremos em 2012,
estabelecendo, para o Sindicato, políticas e um Plano de Lutas que vivifiquem o
movimento docente, dando-lhe condições para o enfrentamento necessário.
Até breve! Até Manaus!
A Diretoria
FONTE: ANDES - SN
Governo deve acabar com a corrupção para obter mais recursos para a saúde
PESQUISA CNI | Brasileiros rejeitam criação de imposto
para financiar a saúde
Apesar de 61% dos brasileiros reprovarem o sistema público de saúde e 95% acreditarem que o setor precisa de investimentos, praticamente toda a população (96%) é contrária à criação de impostos para melhorar a situação. As informações são da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira: Saúde Pública, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quinta-feira, 12 de janeiro.
Para 82% dos entrevistados, o governo deve acabar com a corrupção para obter mais recursos para a saúde. Outra solução, apontada por 53% das pessoas, é a redução de desperdícios. Somente 18% da população acreditam que seja necessário transferir recursos de outras áreas para o setor.
De acordo com o estudo, o principal problema do sistema público de saúde é a demora no atendimento, assinalado por 55% dos entrevistados. Em seguida, está a falta de equipamentos e de unidades de saúde, apontado por 10% das pessoas, e a falta de médicos, indicado por 9% da população.
Segundo a pesquisa, esses problemas estão ligados, pois a demora no atendimento em hospitais e postos de saúde se deve, principalmente, à falta de equipamentos e de médicos. “Para a população, no entanto, é o resultado final – a demora para ser atendido – que aparece como o principal problema”, explica o estudo.
Para melhorar a situação, 57% dos entrevistados dizem que é preciso aumentar o número de médicos. Outros 54% afirmam que o governo deve equipar melhor os hospitais públicos e os postos de saúde. A terceira ação, assinalada por 30% dos brasileiros, é o aumento de salário para os médicos.
DESAFIOS –
Na avaliação de 85% da população, o serviço público de saúde não melhorou nos últimos três anos. Para 43% dos entrevistados, houve piora na saúde pública no período. O estudo da CNI aponta ainda que, nos últimos 12 meses, dos entrevistados que fizeram algum tratamento de saúde, 79% usaram a rede pública. O serviço público recebeu de seus usuários nota média de 5,7, em uma escala de zero a dez. Conforme a pesquisa, quanto maior a nota, melhor o serviço. Já os hospitais particulares receberam nota média de 8,1 de seus usuários.
Os hospitais públicos são os principais fornecedores de serviços de saúde para 68% da população enquanto a rede privada é usada de forma exclusiva por apenas 10% dos brasileiros. Segundo a pesquisa, a procura por hospitais e clínicas particulares está diretamente relacionada à propriedade de um plano de saúde. Entre os entrevistados que usam somente o serviço privado, 91% têm plano de saúde. Entre os que utilizam apenas a rede pública de saúde, só 1% têm plano de saúde.
O estudo revela ainda que 95% dos entrevistados concordam com a oferta gratuita de serviços de saúde. Mesmo assim, 68% consideram injusto todos pagarem pelo sistema independentemente do uso da rede pública de saúde.
A pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira: Saúde Pública foi realizada pela CNI em parceria com o Ibope. Foram ouvidas 2.002 pessoas em 141 municípios entre os dias 16 e 20 de setembro de 2011. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais e o grau de confiança é de 95%.
FONTE: Confederação Nacional da Indústria (CNI)
Fé e devoção marcam história da Lavagem do Bonfim na Bahia
Cortejo sai da Basílica da Conceição da Praia até a Igreja do Bonfim.
Devoção dos baianos na Cidade Baixa une o sagrado ao profano.
Tradição mantida há mais de dois séculos, a Lavagem do Bonfim é marcada pela forte presença do sincretismo religioso entre o catolicismo e o candomblé. Nesta quinta-feira (12), devotos do Senhor Bom Jesus do Bonfim e Oxalá se reúnem para festejar, prestar homenagens e pagar promessas no cortejo em direção à Colina Sagrada. Além do contexto religioso, a Lavagem do Bonfim também é caracterizada pela grande festa que acompanha e circunda o trajeto de fé.
Cerca de um milhão de fiéis e 300 baianas devem participar do cortejo que sai, por volta das 9 horas, da Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no Comércio, até a Igreja do Bonfim. Ao todo, 34 entidades, reunindo mais de nove mil integrantes, foram cadastradas pela Empresa Salvador Turismo (Saltur) para participar do evento. Dentre elas, 18 são de percussão, cinco de sopro, dois de samba, além de afoxé, instrumental, som mecânico, kuduro e marchinha de carnaval. A expectativa é de que o cortejo chegue à Basílica do Bonfim ao meio-dia, quando o adro e as escadarias são tradicionalmente lavados pelas baianas com vassouras e água de cheiro.
Há mais de 20 anos, a professora Mercês Palma participa da Lavagem do Bonfim com um grupo de amigos. Devota de Senhor do Bonfim e também de Oxalá, Mercês revela que sempre gostou das festas de largo e já perdeu as contas de quantas participou. Para ela, a lavagem do Bonfim tem um significado especial. “É uma oportunidade de encontrar os amigos. Tem muita alegria no cortejo”, diz ela. Assim como a professora, o motorista Afrânio Gama, de 52 anos, participa da lavagem desde os 16 anos, e nesta quinta-feira pretende levar toda a família para realizar o cortejo da Basílica da Conceição da Praia até a Igreja do Bonfim. “Esse ano eu vou juntar a família toda para realizar o trajeto e aí a gente comemora. É um dia de festejos”, anima-se Afrânio.
História
Segundo Padre Edson Menezes, pároco responsável pelo templo no Bonfim, a partir da proibição, foi iniciada a tradição da lavagem das escadarias. “Após essa determinação, o pessoal do candomblé começou a fazer o cortejo para lavar escadarias”, conta. Na procissão, fiéis se vestem de branco e acompanham baianas que carregam a água de cheiro e vassouras para lavar as escadarias. “Esse ato passou a ser religioso, de penitência e agrega muitas pessoas. No contexto maior, o sentido da lavagem é religioso, independente da crença”, revela o padre.Segundo relatos históricos, a lavagem do Bonfim começou a partir dos moradores da região que tinham o objetivo de lavar a igreja para deixá-la pronta para a Festa do Bonfim, realizada pelo catolicismo no segundo domingo após o Dia de Reis, que acontece no dia 6 de janeiro. A “faxina” do templo religioso acontecia três dias antes da festa, numa quinta-feira. A chegada até à colina sagrada era marcada por muita dança durante o cortejo, o que provocou a proibição da lavagem da igreja, em 1889, pelo arcebispo da Bahia Dom Luís Antônio dos Santos.
Sincretismo
Para a historiadora Wlamyra Albuquerque, as críticas que os líderes religiosos fazem ao sincretismo devem ser compreendidas no contexto de cada segmento religioso. “Quando uma Ialorixá diz que Senhor do Bonfim não é Oxalá ela está demarcando não só no campo religioso, mas também político, a autonomia do candomblé em relação a Igreja Católica hoje”, avalia a pesquisadora. Segundo ela, “a lavagem do Bonfim ventila a cultura popular baiana, porque continua a ser um espaço para reinventá-la. Não é uma festa do passado a se repetir, mas um festejo antigo que recriamos a cada ano”. Apesar dos significados distintos para as religiões, baianos e turistas preservam a cultura "sincrética" traçada desde o princípio das celebrações religiosas na Bahia e fazem da lavagem do Bonfim a festa de largo mais importante de Salvador.Contrária ao sincretismo, Valdina Pinto, que é Makota (alto cargo feminino dentro da religião do candomblé) do terreiro Tanuri Junsara, em Salvador, afirma que a lavagem do Bonfim não é ligada ao candomblé e sim à cultura popular. “Hoje já tem muito folclore. É o candomblé? Não, não é o candomblé. Aquela água (a água de cheiro que lava a escadaria) não tem nada a ver com a água de Oxalá. A água de Oxalá é uma outra coisa. O fundamento é outro. Ali é uma prática popular”, defende Makota Valdina. Segundo ela, a fé das pessoas que fazem o percurso é que faz da lavagem uma festa especial. “As pessoas vão lá pela fé no Senhor do Bonfim? Vão. Fazem promessas? Fazem. Alcançam? Alcançam. Porque o espiritual transcende o material e a fé está ligada à espiritualidade, que é invisível”, conclui.
FONTE: G1
Tradição mantida há mais de dois séculos, a Lavagem do Bonfim é marcada pela forte presença do sincretismo religioso entre o catolicismo e o candomblé. Nesta quinta-feira (12), devotos do Senhor Bom Jesus do Bonfim e Oxalá se reúnem para festejar, prestar homenagens e pagar promessas no cortejo em direção à Colina Sagrada. Além do contexto religioso, a Lavagem do Bonfim também é caracterizada pela grande festa que acompanha e circunda o trajeto de fé.
Cerca de um milhão de fiéis e 300 baianas devem participar do cortejo que sai, por volta das 9 horas, da Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no Comércio, até a Igreja do Bonfim. Ao todo, 34 entidades, reunindo mais de nove mil integrantes, foram cadastradas pela Empresa Salvador Turismo (Saltur) para participar do evento. Dentre elas, 18 são de percussão, cinco de sopro, dois de samba, além de afoxé, instrumental, som mecânico, kuduro e marchinha de carnaval. A expectativa é de que o cortejo chegue à Basílica do Bonfim ao meio-dia, quando o adro e as escadarias são tradicionalmente lavados pelas baianas com vassouras e água de cheiro.
Há mais de 20 anos, a professora Mercês Palma participa da Lavagem do Bonfim com um grupo de amigos. Devota de Senhor do Bonfim e também de Oxalá, Mercês revela que sempre gostou das festas de largo e já perdeu as contas de quantas participou. Para ela, a lavagem do Bonfim tem um significado especial. “É uma oportunidade de encontrar os amigos. Tem muita alegria no cortejo”, diz ela. Assim como a professora, o motorista Afrânio Gama, de 52 anos, participa da lavagem desde os 16 anos, e nesta quinta-feira pretende levar toda a família para realizar o cortejo da Basílica da Conceição da Praia até a Igreja do Bonfim. “Esse ano eu vou juntar a família toda para realizar o trajeto e aí a gente comemora. É um dia de festejos”, anima-se Afrânio.
História
Segundo Padre Edson Menezes, pároco responsável pelo templo no Bonfim, a partir da proibição, foi iniciada a tradição da lavagem das escadarias. “Após essa determinação, o pessoal do candomblé começou a fazer o cortejo para lavar escadarias”, conta. Na procissão, fiéis se vestem de branco e acompanham baianas que carregam a água de cheiro e vassouras para lavar as escadarias. “Esse ato passou a ser religioso, de penitência e agrega muitas pessoas. No contexto maior, o sentido da lavagem é religioso, independente da crença”, revela o padre.Segundo relatos históricos, a lavagem do Bonfim começou a partir dos moradores da região que tinham o objetivo de lavar a igreja para deixá-la pronta para a Festa do Bonfim, realizada pelo catolicismo no segundo domingo após o Dia de Reis, que acontece no dia 6 de janeiro. A “faxina” do templo religioso acontecia três dias antes da festa, numa quinta-feira. A chegada até à colina sagrada era marcada por muita dança durante o cortejo, o que provocou a proibição da lavagem da igreja, em 1889, pelo arcebispo da Bahia Dom Luís Antônio dos Santos.
Sincretismo
Para a historiadora Wlamyra Albuquerque, as críticas que os líderes religiosos fazem ao sincretismo devem ser compreendidas no contexto de cada segmento religioso. “Quando uma Ialorixá diz que Senhor do Bonfim não é Oxalá ela está demarcando não só no campo religioso, mas também político, a autonomia do candomblé em relação a Igreja Católica hoje”, avalia a pesquisadora. Segundo ela, “a lavagem do Bonfim ventila a cultura popular baiana, porque continua a ser um espaço para reinventá-la. Não é uma festa do passado a se repetir, mas um festejo antigo que recriamos a cada ano”. Apesar dos significados distintos para as religiões, baianos e turistas preservam a cultura "sincrética" traçada desde o princípio das celebrações religiosas na Bahia e fazem da lavagem do Bonfim a festa de largo mais importante de Salvador.Contrária ao sincretismo, Valdina Pinto, que é Makota (alto cargo feminino dentro da religião do candomblé) do terreiro Tanuri Junsara, em Salvador, afirma que a lavagem do Bonfim não é ligada ao candomblé e sim à cultura popular. “Hoje já tem muito folclore. É o candomblé? Não, não é o candomblé. Aquela água (a água de cheiro que lava a escadaria) não tem nada a ver com a água de Oxalá. A água de Oxalá é uma outra coisa. O fundamento é outro. Ali é uma prática popular”, defende Makota Valdina. Segundo ela, a fé das pessoas que fazem o percurso é que faz da lavagem uma festa especial. “As pessoas vão lá pela fé no Senhor do Bonfim? Vão. Fazem promessas? Fazem. Alcançam? Alcançam. Porque o espiritual transcende o material e a fé está ligada à espiritualidade, que é invisível”, conclui.
terça-feira, janeiro 03, 2012
Beija-Flor relembra desfile polêmico de Joãosinho Trinta
Atual campeã do carnaval carioca, a Beija-Flor, escola da qual Joãosinho Trinta foi carnavalesco por 16 anos, vai homenageá-lo em 2012 relembrando um marco em sua carreira: o desfile "Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia", de 1989, com seu Cristo coberto por um plástico preto (proibido de aparecer por conta de uma ação judicial impetrada pela Igreja), e sua antológica ala de mendigos.
A alegoria está sendo refeita e a ala, recomposta, e as duas fecharão o desfile - em 1989, apareceram na abertura, arrebatando o público. O diretor teatral Amir Haddad, que recrutou a ala em 89 a pedido de Joãosinho, foi convocado pela atual comissão de carnaval. Ele quer reproduzir o forte impacto da estátua (que trazia uma faixa com a inscrição "Mesmo proibido, olhai por nós") e da ala (os componentes-mendigos, em grande parte, atores, chegaram a escalar camarotes e "roubar" salgadinhos, "famintos").
"Vamos recuperar esse momento, que não é só do carnaval, mas do teatro brasileiro", disse Haddad, hoje, um dia depois de acertar detalhes no barracão. "Vou chamar participantes originais e mais uma vez faremos nossas próprias roupas. Estou emocionado desde o momento em que fui chamado, logo depois da morte do João. Desenvolvemos uma amizade profunda. Foi muito decepcionante perder aquele carnaval. Eu acho que Joãosinho começou a morrer ali. Foi uma golfada de vida que ele teve de engolir."
O enredo da escola este ano é São Luís do Maranhão, cidade de nascimento de Joãosinho, que morreu dia 17, aos 78 anos. Em 1989, a Beija-Flor ficou em segundo lugar, perdendo por meio ponto para a Imperatriz, que fez um desfile tecnicamente impecável sobre o centenário da Proclamação da República. A imagem do Cristo e da ala entrou para a história do carnaval. O desfile era o preferido do carnavalesco, que contava 12 vitórias em 31 anos de avenida.
Ubiratan Silva, integrante da comissão da Beija-Flor, contou que Joãosinho iria desfilar no último carro, sentado num trono (ele se deslocava em uma cadeira de rodas desde que ficou com os movimentados limitados, decorrência de dois derrames). Quando a notícia da morte chegou, os planos foram adaptados.
"A decisão foi instantânea. A ligação entre Joãosinho, Beija-Flor e São Luís é direta. A homenagem estará no último setor, que resume as festas populares da cidade", revelou Bira, que entrou na escola um ano depois da saída de Joãosinho - ele estreara no Salgueiro, em 1973, mas foi alçado ao posto de revolucionário na escola de Nilópolis, à qual se iria se vincular em 76. Nela, sagrou-se campeão cinco vezes; vice, seis.
"Estamos falando de várias personalidades maranhenses, como João, Alcione, Ferreira Gullar, Josué Montello, Rita Ribeiro, Zeca Baleiro. João não poderia faltar. O legado de sua linguagem artística rendeu frutos não só para a Beija-Flor, mas para o carnaval. Todo mundo vai estar muito emocionado." O enredo terá patrocínio de empresas que atuam no estado do Maranhão.
FONTE: Diário do Grande ABC
segunda-feira, janeiro 02, 2012
Parceria do Brasil com a África é foco de estudo
Relatório foi lançado, em Brasília, por especialistas do Ipea, MRE, Banco Mundial e UnB
Para analisar a crescente participação política e econômica do Brasil em vários países africanos, principalmente os subsaarianos, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) desenvolveu, em Parceria com o Banco Mundial (BM), o relatório Ponte sobre o Atlântico – Brasil e África Subsaariana: parceria Sul-Sul para o crescimento.
O documento representa, de acordo com o diretor de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais (Dinte), Marcos Cintra, o esforço pra se tentar entender as inúmeras relações entre Brasil e África (cooperação, política externa, investimento e comércio).
O ministro Marco Farani, diretor da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) do Ministério das Relações Exteriores (MRE), afirmou que o governo federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento Agrário, estabeleceu acordo de cooperação financeira com países daquele continente, para que eles possam solicitar empréstimos, com juros de aproximadamente 2% ao ano, para a compra de mini tratores voltados à agricultura familiar. “A cooperação brasileira se dá no campo da capacitação técnica. O Brasil quer ter papel importante também no campo da cooperação financeira”, apontou.
Desafios
Farani considerou que a relação com a África transcende a cooperação técnica e que a priorização da região sul do continente vem ocasionando a abertura de novas oportunidades comerciais e investimentos. “Lula, durante o período de sua presidência, viu que o Sul será importante para desenvolver relação política e discurso mais uniforme, e o Brasil tem um papel importante na construção de uma agenda internacional nessa perspectiva”, disse.
A ABC tem procurado qualificar a sua cooperação nessas duas áreas (técnica e financeira). “Isso não se dá por escolha, mas porque o Brasil não tem ainda uma agência estruturada, assim o trabalho fica ao sabor do movimento política; o segundo ponto é pelo nosso orçamento, muito pequeno, e não podemos nos lançar em projetos que financiem projetos de maior assistência, mais estruturantes.
Ele garante que se esses atuais obstáculos forem resolvidos isso, o Brasil poderá trabalhar de forma mais efetiva. “O que fazemos hoje é muito bom, mas os resultados são de longo prazo. Poderíamos fazer muito mais se o Brasil tivesse uma visão mais clara de como trabalhar no campo da cooperação internacional”, alertou.
Outro ponto importante elencado pelo ministro é que se o Brasil mostrar ainda mais engajado nos processos de cooperação internacional, países desenvolvidos que dispõem de recursos podem se interessar e colaborar. “Gostaria que o BM fizesse novo relatório em cerca de três anos, para analisar se as coisas avançaram, pois o estudo vai nos ajudar a ter clareza sobre o futuro”, afirmou. Em 2010, concluiu ele, o Brasil gastou 0,04% do PIB em cooperação internacional e precisa fazer crescer essa parcela de contribuição com a comunidade internacional.
Elos
Tânia Malinski, do Departamento da África do MRE, ressaltou que o continente é uma área geográfica de permanente interesse para o país. “O período colonial nos uniu de forma trágica e isso ainda nos une, portanto, temos o desafio de superar as marcas da escravidão, que ainda se fazem sentir”, iniciou. Ela lembrou que a migração maciça involuntária de africanos nos faz o segundo maior país em descendência africana.
O que une essas duas margens do Atlântico Sul na política internacional, de acordo com Tânia, são fatos emblemáticos, como o apoio do Brasil aos processos de emancipação política dos países africanos; o esforço conjunto na superação do subdesenvolvimento; o Brasil ter condenado o regime de apartheid na África do Sul; e por fim, o movimento importante das décadas de 1960 e 70 para se tentar conferir mais dinamismo na relação Brasil-África.
Os interesses mútuos dessa parceria são a agricultura tropical e familiar, agroexportação, reaparelhamento de hospitais, combate à malária, à AIDS e à anemia falciforme, diversificação do comércio, interconectividade por rotas marítimas e aéreas.
Já o grande interesse convergente destacado por Tânia é o trabalho político para tornar os países do Hemisfério Sul mais presentes e estruturados na política internacional, “na advocacia por uma nova ordem mundial”.
Quem também participou da cerimônia de lançamento do relatório foram: o coordenador geral de Operação do Banco Mundial, Boris Utria; Keith Martin, Susana Carrillo e Eduarda Hamann, integrantes do BM envolvidos na elaboração do documento; a técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea, Fernanda Lira Goes e o professor da Universidade de Brasília, José Flávio Sombra Saraiva, ambos também participantes da equipe.
FONTE: ipea .gov
Quilombolas apelam a Dilma em protesto contra Marinha
Cerca de 50 integrantes da Comunidade Quilombola de Rio dos Macacos, localizada em Simões Filho (BA), na região metropolitana de Salvador, aproveitaram a presença da presidente Dilma Rousseff na Base Naval de Aratu, vizinha à área do quilombo, para promover um protesto contra a Marinha.
Os manifestantes reuniram-se no fim da manhã de hoje, ao lado do muro que separa a Praia de Inema, exclusiva para os militares, e a de São Tomé de Paripe. Ali, gritaram frases como "Presidenta, cadê você?" e "Com a Marinha, quilombola não aguenta", munidos de instrumentos percussivos e faixas.
De acordo com os quilombolas, oficiais da Marinha têm promovido atos de violência contra os moradores da comunidade, tentando pressionar os habitantes a deixar o local. "A gente veio pedir socorro à presidente", conta a líder da comunidade, Rose Meire dos Santos Silva, de 33 anos. "Os militares ameaçam até crianças com as armas."
Dilma, porém, não apareceu na Praia de Inema até o início da tarde. Segundo relatos de barqueiros e pescadores da região, Dilma tem passeado por ilhas da Baía de Todos os Santos, em lanchas da Marinha. A informação, porém, não é confirmada pela assessoria da presidente.
Disputa
Parte da área onde a comunidade está instalada, segundo os moradores, há cerca de 200 anos, é disputada judicialmente pela Marinha, que pretende usar o local para ampliar as instalações da base naval.
Em outubro de 2010, a 10ª Vara Federal da Bahia determinou, por meio de liminar, a desocupação de 43 imóveis do quilombo. A área na qual eles estão localizados foi cercada pela Marinha, e a entrada e saída dos moradores passou a ser monitorada. Um ano depois, porém, a área foi oficialmente declarada comunidade quilombola, com publicação no Diário Oficial da União em 4 de outubro, e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), do governo federal, solicitou que a Procuradoria Geral da União (PGU) interviesse no caso.
FONTE: TIAGO DÉCIMO - Agência Estado
sábado, dezembro 31, 2011
Desperdício de dinheiro público em 2011 com preparação para Copa chega a R$ 776 milhões
O desperdício de dinheiro público com os preparativos do Brasil para a Copa do Mundo de 2014 alcançou a cifra mínima de R$ 776 milhões em 2011. Esta é a soma do que foi gasto em oito episódios protagonizados pelos governos federal, estaduais e municipais em que foram consumidos recursos em obras que não saíram do papel, compras mal sucedidas, eventos privados pagos com dinheiro público e convênios irregulares com ONGs.
O Estado de Mato Grosso lidera a lista dos pouco atentos com os cofres estatais. Em uma só obra, uma linha de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), o dinheiro mal empenhado foi de R$ 700 milhões. É que a obra de mobilidade urbana original planejada para Cuiabá, uma das sedes da Copa, eram dois corredores exclusivos de ônibus (BRT - Bus Rapid Transit).
A escolha do modal aconteceu após a encomenda de estudos técnicos e teve a aprovação unânime de especialistas em transporte público de três universidades (USP, UFRJ e UFMT). Os políticos de Mato Grosso, porém, manobraram para que o projeto fosse substituído pela linha de VLT, elevando os custos para R$ 1,2 bilhão, R$ 700 milhões a mais do que o projeto original.Era este o empreendimento planejado pelo Estado e previsto na Matriz de Responsabilidades da Copa, assinada em janeiro de 2010 pelo Ministério do Esporte e Estados e cidades-sedes do Mundial de 2014.
Em outro episódio no mesmo Estado, em novembro, o governo cancelou o contrato da obra de um teleférico na Chapada dos Guimarães, no valor de R$ 6 milhões, que estava sendo construído dentro do planejamento do Estado para a Copa do Mundo de 2014 (e com os recursos destinados a este fim) como equipamento que fomentaria o turismo na região. O equipamento seria construído a 67 quilômetros da capital Cuiabá, sede da Copa.
O contrato assinado em 2009 com a empresa Zucchetto Máquinas e Equipamentos Industriais, que construiria o teleférico, não sobreviveu a uma auditoria interna do Poder Executivo de Mato Grosso. A empresa, porém, já havia recebido R$ 600 mil do governo matogressense, e não irá devolvê-los aos cofres públicos. À Procuradoria Geral do Estado do Mato Grosso, cabe ingressar na Justiça para reaver os recursos.
Fialmente, ainda no pantanal, em novembro, um imbróglio envolvendo uma compra frustrada por parte do governo de Mato Grosso de dez veículos Land Rover equipados com radares móveis fez com que os cofres públicos do Estado sofressem um prejuízo de R$ 2,2 milhões.
Os carros, comprados junto a uma empresa brasileira que representa uma fábrica russa, tinham um custo total de R$ 14 milhões, e foram adquiridos pela Secopa-MT (Secretaria Especial da Copa). A justificativa era que eles seriam utilizados no patrulhamento da fronteira matogrossense com a Bolívia para reforçar a segurança brasileira durante o Mundial de futebol, em 2014. O negócio foi fechado em julho deste ano. Cada veículo sairia por R$ 1,4 milhão.
A aquisição, porém, de acordo com o TCE-MT (Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso) e com o Ministério Público do Estado, foi feita com uma série de irregularidades, a começar por uma compra sem licitação injustificável, feita junto a uma empresa "constituída às pressas" e "sem nenhuma experiência comprovada", conforme descreve o relatório do TCE-MT sobre o caso.
Assim, no dia 4 de novembro, o governo de Mato Grosso resolveu cancelar a compra, e os veículos nem chegaram ao Brasil. O problema, porém, é que a Secopa-MT já havia feito o pagamento de R$ 2,2 milhões antes de receber as Land Rovers, a título de "cheque caução". Quando o negócio foi desfeito, a empresa não quis devolver o dinheiro, e os cofres públicos de Mato Grosso amargam o prejuízo.
Já no Rio de Janeiro, em julho, a Geo Eventos, empresa de eventos das Organizações Globo e do Grupo RBS, recebeu R$ 30 milhões do governo estadual e da prefeitura do Rio de Janeiro para organizar o sorteio preliminar das eliminatórias da Copa do Mundo de 2014.
A empresa foi contratada em regime de exclusividade pelo Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014 para produzir a cerimônia. Quando foi ao mercado à caça de patrocinadores para bancar a festa, encontrou apenas dois: a prefeitura do Rio e o governo estadual. Cada um assinou um contrato de patrocínio no valor de R$ 15 milhões.
Ou seja, a Fifa, que era a dona da festa, não investiu qualquer quantia no evento, que foi feito pela Globo e pago integralmente com recursos públicos.
Também em julho, em Fortaleza (CE), o gramado do estádio do Castelão, que está sendo reformado para a Copa, virou jardim de prédios públicos e relvado de campo de "pelada" de soldados da Polícia Militar. O gramado havia sido adquirido pelo Estado em dezembro de 2009, a um custo de R$ 500 mil.
O governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (esq), junto com o secretário da Secopa, Éder Moraes, foI até a Rússia em julho conhecer as Land Rovers. Gostaram, mas não consultaram o Ministério da Defesa para efetuar a compra.
À época, as autoridades públicas justificaram o investimento com argumento de que tratava-se de um tipo de gramado com alta maciez e que requer manutenção apenas a cada dez anos. Não durou nem dois anos.
Em setembro, foi a vez de Minas Gerais e Belo Horizonte abrirem os bolsos públicos. Estado e prefeitura uniram forças para patrocinar uma festa comemorativa para os mil dias que faltavam para a Copa, no dia 15 daquele mês.
O povo mineiro bancou a festa, orçada em R$ 650 mil, que contou com jantar de gala para cartolas da Fifa e políticos do Brasil, apresentações musicais e contratação de agências de marketing e empresa de segurança.
Por fim, o governo federal deixou seu quinhão de desperdício, avaliado em mais de R$ 42 milhões, através de convênios com associações que foram reprovados por órgãos de fiscalização e projetos que não produziram resultado algum, além de prejuízo.
Em setembro, o programa do Ministério do Turismo "Bem Receber Copa", que visava elaborar treinamentos e cursos para recepcionar os milhares de turistas no Mundial através de convênios com entidades privadas, foi suspenso por ser alvo de investigações que indicavam desvio de recursos públicos.
A Polícia Federal acredita que houve desvio de dois terços dos R$ 4,4 milhões destinados pelo Ministério ao Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi).
No mesmo mês, quatro funcionários do Ministério do Esporte foram pegos pelos auditores do Tribunal de Contas da União por descumprirem a lei de licitações 8666/93. Os auditores do TCU pediram que os funcionários fossem multados por terem autorizado pagamentos a quatro empresas do Consórcio Copa 2014 sem ordens de serviço e, pior, sem relatório detalhado do trabalho realizado.
Os funcionários também autorizaram pagamentos de despesas não previstas no edital, como passagens aéreas dos consultores contratados, computadores, hotéis. A exceção custou R$ 700 mil. O Consórcio Copa 2014 foi contratado em licitação de julho de 2009 para dar “suporte de gerenciamento ao Ministério do Esporte”.
O caso foi agravado porque, após auditoria do TCU, o Ministério do Esporte decidiu aumentar o valor do contrato de prestação de serviços em quase 80%. Como se não bastasse, as empresas felizardas renovaram o contrato até julho de 2013.
O custo do serviço foi orçado em R$ 13,1 milhões em 2009 e em 2011, graças a aditivos, o preço saltou para R$ 24 milhões. No total, as empresas vão ganhar cerca de R$ 40 milhões, se não houver mais aumentos, e ninguém explicou ainda quais são efetivamente os serviços prestados nem por que o valor final ficou tão acima do previsto inicialmente.
FONTE: esporte.uol
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