Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!

quinta-feira, outubro 23, 2014

Entidades do movimento negro declaram apoio a Dilma Rousseff














Em manifesto, grupos dizem que o Brasil não pode permitir “retrocessos e nem a volta dos grupos conservadores e contrários às ações afirmativas”

Vinte e uma entidades do movimento negro divulgaram, nesta quinta-feira (16), um manifesto onde declaram voto na candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) e explicitam os motivos. Entre eles, alegam que não se pode permitir “retrocessos”. “Não podemos permitir retrocessos e nem a volta dos grupos conservadores e contrários às ações afirmativas. É preciso garantir o emprego e ascensão econômica, política e social da população negra. Trata-se de medida fundamental de combate ao racismo e às desigualdades sociais”, diz a carta.

Os grupos também atentam para a violência contra as juventudes das periferias brasileiras. “O extermínio seletivo da juventude negra é uma questão aguda a ser enfrentada e resolvida de forma consistente e imediata. Exigimos ações decisivas a fim de extirpar as causas e efeitos desse fenômeno nefasto em nossa sociedade”, afirma o manifesto.

Em outro momento, dizem que é preciso garantir o respeito às religiões de matriz africana: “A intolerância religiosa contra as religiões de matriz africana é uma afronta à democracia e aos direitos humanos consagrados na Constituição Brasileira. Defendemos o Estado Laico, a liberdade religiosa e o respeito aos povos e comunidades tradicionais de matriz africana”.

Pele Negra

O grupo Pele Negra também divulgou um manifesto em que repudia o voto em Aécio Neves (PSDB). Na carta, os integrantes defendem a luta contra a classe dominante e políticas neoliberais. “A classe dominante no Brasil impõe e mantém sua visão de mundo a partir de seus valores eurocêntricos, capitalistas e neocolonialistas. Nossa posição política caminha, necessariamente, para uma ação imediata de enfrentamento e mobilização contra a possibilidade da direita racista, homofóbica e conservadora assumir o controle do governo do país. A vitória desta política significa um profundo retrocesso das principais conquistas sociais e democráticas que obtivemos nos últimos anos de enfrentamento ao neoliberalismo”, criticam.

Os ativistas defendem o BRICS (união de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e o aprofundamento das políticas internacionais com os governos da América Latina. “Concepção elitista de sociedade está integrada ao poder imperialista concebido pelos banqueiros e empresários que controlam o mercado financeiro e não admitem a construção de uma alternativa internacional que se contraponha ao domínio do FMI como é a proposta do banco dos BRICS. Uma alternativa de política que apoia os indígenas e o governo na Bolívia, a resistência cubana, a política libertária de José Mujica no Uruguai, a rebeldia Argentina contra os fundos abutres e a reconciliação colombiana. Uma política que priorize a relação com a América Latina e o continente africano”, apontam.

A seguir, confira a carta na íntegra dos 21 grupos e aqui a carta do Movimento Negro Unificado.

“CARTA DO MOVIMENTO NEGRO BRASILEIRO

A eleição presidencial de 2014 é um momento singular da vida política do Brasil, especialmente para a população negra. Não podemos permitir retrocessos e nem a volta dos grupos conservadores e contrários às ações afirmativas.

É preciso garantir o emprego e ascensão econômica, política e social da população negra. Trata-se de medida fundamental de combate ao racismo e às desigualdades sociais.

Por isso defendemos mais investimentos e melhoria da qualidade do ensino público e do Sistema Único de Saúde, tendo em vista o avanço das ações afirmativas na educação e na saúde.

O Pré-Sal é importante para o desenvolvimento do País e deve ser estrategicamente utilizado para a melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro. Por isso, apoiamos a decisão do Governo Federal de destinar recursos do Pré-Sal para o financiamento e melhoria da educação e da saúde.

O extermínio seletivo da juventude negra é uma questão aguda a ser enfrentada e resolvida de forma consistente e imediata. Exigimos ações decisivas a fim de extirpar as causas e efeitos desse fenômeno nefasto em nossa sociedade.

Defendemos uma reforma política democrática e com a efetiva participação do povo e que resulte no aumento significativo da presença negra no Executivo e no Legislativo.

Defendemos o recorte orçamentário exclusivo para o fomento e preservação da cultura negra, bem como a democratização dos meios de comunicação, incentivo à produção artística e audiovisual da cultura afro-brasileira.

É necessário acelerar o processo de titulação das terras quilombolas e demais segmentos da população negra, nas áreas urbanas e rurais do País, assim como garantir a implementação de políticas públicas nas comunidades reconhecidas e tituladas, assegurando as condições necessárias para o nosso desenvolvimento.

Defendemos a continuidade das ações e programas que asseguram o fortalecimento da agricultura familiar, bem como a ampliação e o aperfeiçoamento de medidas que assegurem o atendimento qualificado da população negra.

A intolerância religiosa contra as religiões de matriz africana é uma afronta à democracia e aos direitos humanos consagrados na Constituição Brasileira. Defendemos o Estado Laico, a liberdade religiosa e o respeito aos povos e comunidades tradicionais de matriz africana.

É preciso garantir a aprovação de novo marco legal que proteja os direitos fundamentais dos Povos de Terreiros, povos e comunidades tradicionais de matriz africana, quilombolas, indígenas, ciganos e demais comunidades tradicionais.

O racismo, a pobreza e o machismo impactam a cidadania das mulheres negras e as mantêm em situação cotidiana de violências física e psicológica.

Entendemos que o Programa de Governo iniciado em 2003, com o Presidente Lula, é fortemente comprometido com a pauta política do movimento negro brasileiro, motivo pelo qual as organizações signatárias desta carta apoiam a reeleição da Presidenta Dilma Rousseff.

ACBANTU – Associação Nacional Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu
APNs – Agentes de Pastoral Negro do Brasil
ARATAMA – Articulação Amazônica de Povos Tradicionais de Matriz Africana
BLOCO AFRO ILÊ AIYÊ
BLOCO AFRO OLODUM
CCN – Centro de Cultura Negra do Maranhão.
CENARAB – Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira
CEN – COLETIVO DE ENTIDADE NEGRA
CONAQ – Coordenação Nacional de Articulação das Entidades Negras Rurais Quilombolas
CONERUQ – Associação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Maranhão
CONEN – COORDENAÇÃO NACIONAL DAS ENTIDADES NEGRAS
ENEGRECER – Coletivo Nacional da Juventude Negra
FALA PRETA – ORGANIZAÇÃO DE MULHERES NEGRAS
FÓRUM AMAZÔNIA NEGRA
FÓRUM DE MULHERES NEGRAS
FÓRUM NACIONAL DE JUVENTUDADE NEGRA
MALUNGU – Coordenação das Associações das Comunidades Remanescente de Quilombo do Pará
MUDA – Movimento Umbanda do Amanhã
REDE NACIONAL DE RELIGIÕES AFROBRASILEIRAS E SAÚDE
REDE KÔDYA – Rede de Comunidades Organizadas da Diáspora Africana pelo Direito Humano à Alimentação.
SOCIEDADE PROTETORA DOS DESVALIDOS
UNEGRO – UNIÃO DE NEGROS PELA IGUALDADE”

Posição do Movimento Negro Unificado: Fora Aécio










COORDENAÇÃO DO MOVIMENTO NEGRO UNIFICADO.




RESOLUÇÃO POLÍTICA SOBRE
 O SEGUNDO TURNO DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS.

A nossa organização foi criada em plena ditadura militar em 1978 e durante estes 36 anos de resistências , combatemos a segregação racial em nosso país.

O racismo no Brasil é determinado pelos interesses econômicos da oligarquia burguesa brasileira que detém e concentra a maior parte das riquezas produzidas pela classe trabalhadora , onde o povo negro está inserido.

A classe dominante no Brasil impõem e mantém sua visão de mundo a partir de seus valores eurocêntricos , capitalistas e neocolonialista.

Nossa posição política caminha , necessariamente , para uma ação imediata de enfrentamento e mobilização contra a possibilidade da direita racista , homofóbica e conservadora assumir o controle do governo do país.

A vitória desta política significa um profundo retrocesso das principais conquistas sociais e democráticas que obtivemos nos últimos anos de enfrentamento ao neoliberalismo.

O processo eleitoral no primeiro turno , demonstrou que partidos políticos conservadores e de direita e seus  respectivos líderes foram eleitos em vários estados com uma plataforma política baseada na xenofobia racial e religiosa contra principalmente as religiões de matrizes africanas.

A candidatura Aécio Neves , representa os interesses do grande capital financeiro especulativo internacional e das grandes multinacionais.

Neste segundo turno o mecanismos golpistas foram acionados , como em vários momentos , na história.

Recentemente a Rede Globo fez autocrítica do apoio que deu ao golpe militar e não podemos esquecer a manipulação do último debate entre os então candidatos LULA e COLLOR.

A manipulação da grande mídia , representada pelas organizações Globo , a revista Veja , a Folha de São Paulo entre outros meios de comunicação introduzem na sociedade denúncias não comprovadas de um criminoso , através de um festival de denúncias sensacionalistas com o objetivo de manipular o eleitorado favorecendo a coligação de direita e conservadora.

Esta mesma mídia se cala frente a denúncia de compra de votos para introduzir a reeleição em nosso país feita pelo governo FHC.

Se cala frente as denúncias de corrupção no Metro de São Paulo governado pelo PSDB.

Se cala frente a construção do aeroporto em terras particulares da família Aécio em Minas Gerais  e outras denúncias nos governos tucanos em todo o país.

DEFENDEMOS UMA PROFUNDA LIMPEZA NA POLÍTICA BRASILEIRA CRIMINALIZANDO PRINCIPALMENTE OS CORRUPTORES ENCOBERTOS NOS GRANDES CONGLOMERADOS ECONÔMICOS.

A concepção elitista de sociedade esta integrada ao poder imperialista concebido pelos banqueiros e empresários que controlam o mercado financeiro e não admitem a construção de uma alternativa internacional que se contraponha ao domínio do FMI como é a proposta do banco dos BRICS.

Uma alternativa de política que apoia os indígenas e o governo na Bolívia , a resistência cubana , a política libertária de José Mujica no Uruguai , a rebeldia Argentina contra os fundos abutres e a reconciliação colombiana.

Uma política que priorize a relação com a América latina e o continente africano.

O retorno de um governo neoliberal , do latifúndio e agronegócio determinará a impossibilidade do prosseguimento da reforma agrária , do fortalecimento  agricultura familiar e do enfrentamento as resistências a titulação das terras quilombolas.

Repudiamos e lutaremos contra o acirramento e o fortalecimento da repressão policial e o redimensionamento do genocídio da juventude negra através da REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL  como defende o candidato Aécio Neves.

Não queremos e lutaremos contra a homofobia , a violência contra a mulheres , a exploração das terras indígenas e da mão de obra escrava , da exploração dos trabalhadores e trabalhadoras através da precarização do mercado de trabalho , da privatização das empresas públicas , da abertura irrestrita da economia ao capital internacional e a repressão a participação popular e democrática que impossibilitará a efetiva conquista de uma reforma política que atenda os interesses dos setores excluídos e marginalizados.

PELA PRESENÇA EFETIVA DE NEGROS E NEGRAS 
NO PRIMEIRO ESCALÃO DO GOVERNO.

PELA APROVAÇÃO DE UM PLANO NACIONAL 
DE COMBATE A HOMOFOBIA E SUA CRIMINALIZAÇÃO.

PELO APOIO A NÃO CRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO.

PELA EFETIVA TITULAÇÃO DA TERRAS QUILOMBOLAS.

PELO APOIO INCONDICIONAL AS RELIGIÕES 
DE MATRIZES AFRICANAS.

PELO FIM DO EXTERMÍNIO DA JUVENTUDE NEGRA.

PELA RETIRADA DAS TROPAS DO HAITI.

POR REPARAÇÃO HISTÓRICA E HUMANITÁRIA AO POVO NEGRO.

BASTA DE CASA GRANDE E SENZALA EM NOSSO PAÍS.


NO DIA 26 DE OUTUBRO.
FORA AÉCIO NEVES.

NENHUM PASSO ATRÁS. REAJA A VIOLÊNCIA RACIAL.

quarta-feira, outubro 22, 2014

Um choro chamado acesso (Grêmio Esportivo Brasil de Pelotas)







Opinião

O repórter Henrique Massaro esteve na Boca do Jacaré, em Taguatinga, Distrito Federal, e vivenciou de perto a emoção do acesso para a Série C, vinda após disputa de pênaltis emocionante

Não foi exatamente em Brasília, mas em Taguatinga, localizada a pouco mais de 20 quilômetros da capital federal. Mais de 800 torcedores vestidos de vermelho e preto se espalharam pela cidade. A maioria veio de avião. Mas também de ônibus. São cerca de 30 horas de viagem e nenhuma novidade no fanatismo rubro-negro. Em 2009, por exemplo, três ônibus saíram de Pelotas com destino a Minas Gerais em uma das grandes decisões xavantes - uma tentativa frustrada de acesso à série B do Campeonato Brasileiro.

Em disputa, desta vez, uma tentativa de retorno à série C. O que não mudava era a paixão do torcedor. Para estes loucos conhecidos como xavantes, de fato, não há derrota que os impeça de exercer sua natureza: torcer eternamente pelo Brasil. No Distrito Federal, ficaram divididos, basicamente, entre dois hotéis, o Smart4 e o Days Inn - este último a apenas uma quadra de onde estava concentrada a equipe xavante.

Pelas imediações dos hotéis, as cores do Brasil podiam ser vistas desde sábado, quando chegou a maioria das excursões. Em alguns pontos de Brasília, como o Congresso Nacional, elas também brilhavam. Mas o grande encontro dos torcedores - o êxtase, a explosão, característica do fanatismo futebolístico - viria no domingo, horas antes do confronto que determinaria como seria a viagem de volta e o restante do ano de todas aquelas pessoas.

Em uma estação de metrô, a colisão de emoções pré-decisão tinha hora marcada. Às 13h30min a festa começava. O trem de acesso ao estádio Serejão não tinha os passageiros de costume nem um simples local de chegada. Ele transportava exaltação e seu destino era uma redenção materializada em partida de futebol. Quando emergiu do subterrâneo e aquele estádio apareceu, o pensamento era um só. Ali teria de se justificar todas as forças depositadas em um só time.

Nos 90 minutos, a oscilação de ânimos não parava. Com a derrota parcial, como em qualquer jogo de qualquer time, havia os mais pessimistas, outros mais enfurecidos e os que tentavam se manter positivos. "Vai dar, eu vi 1985 e acredito", dizia um xavante de mais idade para um da nova geração, fazendo referência ao ano em que o Brasil foi terceiro colocado do Campeonato Brasileiro.

Mas ali não estava apenas um time e seus torcedores. Era o Grêmio Esportivo Brasil e seus fiéis seguidores. Pela arquibancada, quando saiu o gol rubro negro, veio também a exaltação unânime. Os sentimentos voltaram a desequilibrar quando, nas penalidades máximas, se encontrava a última chance de subir de divisão.


O olhos embargados, os punhos cerrados e as camisas apertadas junto às centenas de corações eram constantes durante cada batida. Ao fim da última cobrança, a explosão final. Foi um soluço único, um choro de toda uma massa. Desta vez, contudo, as lágrimas não eram por eliminação, rebaixamento ou tragédia. Não. No dia 19 de outubro de 2014, o choro teve um só nome: acesso.

Torcida xavante promove recepção inesquecível aos heróis do acesso











Nação rubro-negra protagoniza uma festa histórica na chegada da delegação a Pelotas-negra protagoniza uma festa histórica na chegada da delegação a Pelotas

Aguardada por milhares de pessoas, a delegação do Brasil chegou no ônibus do clube no prolongamento da Avenida Bento Gonçalves, em Pelotas, com mais de duas horas de atraso.

"Até para isso o Xavante nos faz sofrer", comentou uma torcedora, ansiosa pela aparição dos ídolos.

Foi por volta das 21h que os atletas finalmente apareceram. Na cabine do motorista, o capitão Leandro Leite, expulso no confronto decisivo com o Brasiliense, aparecia como o jogador mais empolgado com a façanha, exibindo um largo sorriso e vestindo a camisa de uma torcida organizada. Ouvindo os gritos da multidão, apenas retribuía o carinho com "obrigado, obrigado".

Márcio Hahn, Márcio Jonathan, Alex Amado, Gustavo Papa e Rafael Forster, responsável por converter o pênalti decisivo, também utilizavam o vidro frontal do ônibus para acompanharem a recepção histórica.

Atrás, os demais jogadores do elenco caminhavam pelos corredores parecendo não acreditar na quantidade de pessoas à espera do grupo.

O atacante Éder, trazido para o segundo semestre, utilizava o celular moderno para gravar a festa rubro-negra, iluminada com foguetes, sinalizadores e bandeiras.

Baixada
No Bento Freitas o tom da festa foi o mesmo. Todos os jogadores fizeram volta olímpica para um estádio repleto de torcedores.

FONTE: DIÁRIO POPULAR / RENAN SILVA

Nação rubro-negra Avenida Bento Gonçalves Pelotas- RS Brasiliense                                                        torcida organizada Baixada Bento Freitas rubro-negra 
SérieC 2015 

Jogadores receberam no Bento Freitas os torcedores que foram a Taguatinga (DF) de ônibus










Torcedores que chegaram nesta terça em Pelotas foram direto ao Bento Freitas para serem recepcionados por jogadores, dirigentes e comissão técnica. O dia seguinte da festa do acesso histórico do Brasil foi marcada por mais receptividade.

Nesta terça-feira (28), porém, o acolhimento de quem já estava em Pelotas ocorreu às avessas. Foram os jogadores que estiveram em frente ao Bento Freitas para receber os xavantes que foram a Taguatinga de ônibus. Chegaram 40 horas depois.

Abraçado pelos torcedores que desciam do ônibus, o meio-campista Márcio Hahn exibia um olhar de admiração. "O mínimo que podíamos fazer por eles era isso", disse entre um abraço e outro. Igualmente festejado, o reserva Nunes também olhava os viajantes impressionado. "Eu não imaginava que seria assim. É uma torcida muito fiel, apaixonada", comentou.

"Essa torcida é louca"
Ansiosa, a torcedora Tânia Porto, 40, esperava o ônibus dos torcedores xavantes chegar. Fanática pelo Brasil, acompanhou toda a festa de segunda-feira no Bento Freitas. Nesta terça, esperava o último grupo de pelotenses demonstrando enorme admiração pelos incansáveis viajantes. "Essa torcida é louca, né criatura?", dizia.

Entre os torcedores, estava a própria filha: Bruna, 24 anos, que sempre recebe carta branca da mãe para todas as viagens para torcer pelo Brasil. Sem arrependimento de ter liberado a jovem, Tânia lembrava antes da chegada, porém, os sustos que levou durante a longa aventura da garota. "Eu sempre rezo pelas mães que perdem os filhos. Então dessa vez eu rezei muito mais, por todos. Essa noite eu não consegui dormir", contou, explicando que às 3h da madrugada de terça recebeu a ligação da filha, que informava ter faltado óleo no ônibus, ainda no Paraná.

Problema que não foi o único, já que em Goiás, antes do jogo, um pneu já havia estourado.

Na chegada de Bruna, mãe e filha trocaram um longo abraço emocionado. "Foi a melhor viagem do mundo. Faria tudo isso de novo", comentou a jovem torcedora ao descer do ônibus.

Pés inchados de seu Expedito
Respeitado por todos os integrantes da excursão, o veterano seu Expedito, 77 anos, chegou a Pelotas tranquilo.

Mascote de um ônibus composto em maioria por jovens, o xavante que já havia viajado por vários cantos do país, mas nunca para tão longe, apenas resumia: "Foi legal, foi legal". Perguntado se a jornada foi cansativa, ele negou. Fazendo uma única ressalva. "Não. O único problema são meus pés que incharam", falou, mostrando as sandálias apertadas.

Trabalho é marcado pela descontração
Após receberem a torcida, os jogadores xavantes foram para o vestiário. Depois, no gramado, tiveram uma conversa de cerca de 15 minutos com o técnico Rogério Zimmermann.

Atentos no bate-papo, os atletas voltaram a sorrir quando iniciaram o alongamento.

O pico da descontração ocorreu quando Zimmermann perguntou a um funcionário do clube pelas redes das goleiras. Todo elenco parou para ouvir a conversa.

Foi quando o mesmo disse que não poderia pegá-las e calou-se por alguns segundos, peitando a autoridade do técnico. Só após ver a reação do comandante é que confessou a brincadeira e que já providenciaria o material solicitado. Todos caíram na gargalhada.

O filme de Forster e Márcio Jonathan
Responsáveis por duas das cinco penalidades do Brasil contra o Brasiliense, Rafael Forster e Márcio Jonathan ontem contaram o filme que passou em suas cabeças segundos antes de irem à marca da cal. "Passou todo o filme da minha recuperação, que me deixou um bom tempo parado. Mas graças a Deus com bastante trabalho eu pude retornar", disse Jonathan. "A única coisa que me lembrei foi quando a gente se reapresentou em maio e muitos falavam que a gente teria que ter um time diferente", comentou Forster.

Adesões no quadro social triplicam
A conquista do acesso teve reflexo imediato no quadro social. Ontem, o número de adesões triplicou em relação à média do mesmo período do mês. "Mesmo pelo o que ocorreu no domingo a procura nesta terça está sendo acima do esperado. Há procura grande por planos família inclusive", disse Maria do Socorro, gerente de sócios do clube.

Atualmente, o Brasil tem cerca de cinco mil sócios adimplentes. O valor da mensalidade atual é de R$ 50,00.

Ingressos à venda
Os ingressos para Brasil e Londrina, domingo, às 20h30min, no Bento Freitas, custam R$ 30,00 até esta quarta-feira (22). Na sexta-feira (24) o valor sobe para R$ 40,00 e para R$ 60,00 no sábado (25) - dia do jogo. Idosos e estudantes já podem comprar o ingresso antecipadamente por R$ 30,00.


terça-feira, outubro 21, 2014

Cinco fatores que levaram o Brasil à Série C









Manutenção e aglutinação do elenco, jogadores decisivos e o técnico Rogério Zimmermann foram apontados pela equipe do Diário Popular como pontos importantes no acesso. 

Nena cresceu durante o campeonato e se tornou o artilheiro Xavante jogadores decisivos como o goleiro Eduardo Martini foram essenciais na campanha .  Com 29 meses de trabalho, Rogério Zimmermann é apontado como peça fundamental do acesso.  Torcedor Xavante acompanhou todos os jogos da competição A equipe de Esportes do Diário Popular elencou cinco fatores que levaram o rubro-negro ao acesso à Série C do Campeonato Brasileiro.

Confira:

Manutenção do elenco
Nesta segunda-feira (20), Rogério Zimmermann completou exatos 29 meses à frente do Brasil. A partir de então, o técnico trouxe jogadores de confiança com os quais já havia trabalhado e adotou a filosofia de planejar suas ações como se fosse ficar por dez anos no clube. Mas o comandante rubro-negro não é o grande exemplo neste aspecto. Quando o assunto é manutenção de elenco, o polivalente Wender e o atacante Alex Amado são os dois melhores casos para exemplificar a continuidade: ambos foram anunciados no clube ainda em 2011.

Aglutinação
A capacidade do atual grupo em se fechar em torno de um único objetivo é um dos fatores mais impressionantes na caminhada até o acesso à Série C. O discurso uníssono de jogadores e comissão técnica, muitas vezes considerado chato pelo tom pouco revelador, mostraram que no vestiário rubro-negro poucos podem entrar. Nada pode sair. Assim, com um incrível poder de aglutinação, o elenco superou dificuldades dentro e fora de campo, superando salários atrasados e adversários com poderosas folhas salariais.

Jogadores decisivos
Ao perder Luiz Müller, o Brasil poderia ter perdido um líder, além de um bom goleiro. Trouxe, em contrapartida, um camisa 1 experiente e acostumado com decisões. Superando até um momento de raiva do torcedor, contra o Maringá, quando acabou vaiado pelos próprios xavantes, Eduardo Martini sobriamente mostrou o porquê foi escolhido para o posto. Com defesas decisivas e defendendo pênaltis na decisão, cravou seu nome na história do clube. Martini, porém, é só um exemplo. Os gols decisivos de Cirilo e Nena e as cobranças de falta de Rafael Forster também são dignas de registro histórico.

Torcida
Os torcedores podem até não ganhar jogo. Podem até cometer injustiças, como cometeram com Eduardo Martini. Mas a presença dos rubro-negros em todos os jogos do clube na Série D, dentro e fora de Pelotas, passaram aos jogadores a sensação de que nunca estariam sozinhos. Não por acaso, aliás, atletas como Leandro Leite já declararam ter ficado no clube por conta dos torcedores.

Rogério Zimmermann

Ídolo da torcida desde 2004, quando colocou o clube na elite do Gauchão, Zimmermann retornou com um Brasil em crise em 2012. Aconselhando dirigentes, quando solicitado, e construindo um grupo que confiava na sua palavra, levou o Brasil ao título do Interior no Gauchão e deu ao clube um calendário completo em 2015: com Estadual, Copa do Brasil e Série C. Ganhou tanto crédito no clube que já há algum tempo que se sente à vontade até mesmo para cobrar salários atrasados em entrevistas às rádios.

Quando cada titular chegou ao Brasil

Eduardo Martini - maio de 2014
Wender - novembro de 2011
Fernando Cardozo - janeiro de 2013
Cirilo - julho de 2012
Rafael Forster - março de 2013
Leandro Leite - abril de 2012
Washington - junho de 2012
Márcio Hahn - abril de 2013
Alex Amado - novembro de 2011
Felipe Garcia - abril de 2014
Nena - janeiro de 2014

domingo, outubro 19, 2014

Vítimas de preconceito, antropólogos, artistas respondem: o Brasil é racista?







Caso do goleiro Aranha reacende a discussão sobre o preconceito no país.

Novos casos reacendem a discussão sobre o peso do preconceito racial no Brasil. Ofensas diárias contra negros e indígenas, principalmente, e episódios de discriminação de notoriedade questionam a ideia de harmonia racial no país. O goleiro Aranha, do Santos, foi chamado de “macaco” pela gremista Patrícia Moreira e por outros torcedores do clube durante um jogo e se voltou contra os gritos da arquibancada em um caso que ainda é debatido nas ruas.

O G1 fez a pergunta "o Brasil é racista?" a vítimas de injúria racial, artistas e antropólogos. 

Veja as respostas abaixo:

VINÍCIUS ROMÃO DE SOUZA, ator e psicólogo
Foi considerado injustamente suspeito de assaltar uma mulher no Rio, em fevereiro deste ano, e passou 16 dias em uma prisão. Leia sobre o caso.
“O Brasil é um país racista, sim. Pelos fatos que estão acontecendo e sempre aconteceram, e têm tomado maiores proporções. As pessoas têm mais informações, o que seria uma forma de combater o racismo. Eu não tinha vivido preconceito, não sei se por ser ingênuo ou se eu nunca reparei. Meus amigos, as pessoas com quem eu convivo, nunca me puseram apelido pejorativo, nunca liguei pra essa questão, porque eu sempre fui muito respeitado pelas pessoas do meu círculo social. Na verdade, o racismo dela [mulher que o acusou de tê-la assaltado] foi de generalizar os negros, mas acredito que fui preso porque a autoridade não fez o caminho certo. Vejo que o racismo mudou, não aparece na forma de agressão como antigamente, agora é mais emocional. É mais psicológico. Prende a mente das pessoas para que elas se sintam inferiores e não se achem dignas de um lugar de destaque.”
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JAIR OLIVEIRA, cantor
“Não tem como dizer que o Brasil não é racista. O Brasil abraça o racismo de uma forma muito cruel e maldosa. É de uma forma velada, enfim, todo tipo de racismo, velado ou não, é muito prejudicial. Aqui no Brasil o preconceito racial está muito ligado ao preconceito social. Eu já nasci em um contexto em que meu pai negro [o cantor Jair Rodrigues] tinha um status diferente. Ele era conhecido. Então, pra gente, isso já mudou muito. Mas eu, como qualquer outro negro, tenho histórias de preconceito. Já fui parado pela polícia por acharem que eu estava em uma situação fora da lei - simplesmente, por eu ter a cor mais escura. Também já aconteceu de estar em shopping com a Tânia [Kallil, esposa] e entramos em uma loja e o segurança ficar me acompanhando. São situações horrorosas, mas costumo não me deixar abater, até porque não sofro isso diariamente. São casos mais raros e eu sei que isso tem ligação com o fato de ser conhecido, de não ser um negro desconhecido, porque essa variável da equação faz uma diferença gigantesca.”
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ROBERTO DA MATTA, antropólogo
"No mundo ocidental, partindo de determinados pensamentos filosóficos, intelectuais e históricos, a gente tem essa ideia de que as coisas têm uma essência, elas não mudam. Então, existe essa ideia de que se misturar um negro puro e um branco puro dá merda. Não é verdade. E o Brasil é prova de que não é verdade. A lei é importante porque ela alerta. Minha visão do Brasil neste momento é pessimista. O racismo, na maioria dos casos, é inocente, acontece no dia a dia, em casa, com os filhos, com os amigos. Mas tem de punir, sou favorável à punição. O preconceito não acaba e ele se torna incontrolável. Já fui vítima de preconceito no sul dos EUA por ser latino, em 1963.
O Pelé ao lado de um negro pobre é branco."
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BRUNO VERON, cantor de banda indígena de rap Brô
Em 2012, uma usuária do Facebook chamou os integrantes do grupo de "fedorentos" e o Ministério Público Federal em Dourados, MS, abriu uma investigação. 

"O Brasil, do 100% da população, metade é racista. Aqui em Dourados (MS) é por causa da disputa de terra, de fazendeiro, por isso que aqui há o preconceito. Por questões de terra e luta.  E nós sempre somos barrados quando vamos em alguma loja, porque somos indígenas. Isso acontece muito aqui. Eu acredito que o racismo diminuiu um pouco, acredito que ele existe ainda, mas que diminuiu. Agora as pessoas reconhecem mais os indígenas, o Brô ter aparecido na Xuxa, ter representado os indígenas,  fez com que as pessoas tenham mais respeito. E o sucesso ajudou a diminuir o preconceito, abriu portas. Tem mais pessoas a favor da gente [em relação ao caso], as pessoas aqui da minha aldeia querem ser igual ao Brô, eles estão vendo que nós indígenas estamos evoluindo junto com os brancos. Nós não vamos ficar só no cocarzinho, a gente também está evoluindo."
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EGOR VASCO BORGES, moçambicano, faz doutorado no Brasil em ciências sociais
Ele era aluno da Unesp de Araraquara (SP), quando paredes foram pichadas com mensagens racistas como “sem cotas para os animais africanos”, em abril de 2012. 

“O Brasil tem características de preconceito e de racismo. Quando a gente chega ao aeroporto já nota isso, muda alguma coisa, o policial já lhe trata diferente dos demais passageiros. Você fica travado, todos vão embora e sua bagagem fica correndo sozinha na esteira. Na faculdade [Unesp] escreveram na parede mensagens racistas. Em Moçambique, de onde eu venho, o preconceito é entre diferentes etnias, diferente do que acontece no Brasil. O racismo dói demais. O mais peculiar é que aqui no Brasil o racismo é oculto, disfarçado, dissimulado. Até o negro brasileiro é racista. Ele se acha melhor que o negro africano. Isso é complexo, pois o negro daqui acha que é superior que o africano, que vem de outro lugar.”
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YVONNE MAGGIE, antropóloga
"O Brasil tinha uma visão de si mesmo, até pouco tempo atrás, de que a nação reprimia o racismo. O racismo é uma praga, é uma violência de uns contra os outros. O Brasil tinha essa característica de reprimir esse sentimento, e deve mesmo. Tudo que é nefasto deve ser reprimido. A nossa legislação não dividiu o país em raças. O estado não pode atuar a não ser reprimindo. No caso do goleiro Aranha, ele justamente ficou ofendido, mas me impressionou o julgamento ter sido tão rápido e racial. Outros clubes não foram punidos, aí eu acho que houve uma certa esperteza, porque o Grêmio estava praticamente eliminado [O Santos ganhou o jogou em questão por 2 x 0]. O Brasil reprime o racismo. Para o brasileiro é mais ofensivo o crime de racismo do que a morte. O racismo provoca mais dor do que um homicídio. Não aceitamos que alguém seja desrespeitado, muito embora não indique que o racismo não exista. Existe."
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TONY TORNADO, ator e cantor
“Já estou velho, tenho 83 anos e venho falando isso há tempos. O preconceito existe contra gordo, magro, baixinho, mas o racismo é mais pesado. A cor da pele não determina o caráter. Estamos correndo o risco de voltarmos ao tempo da escravatura. O que falta para o brasileiro é educação. Se não cuidarmos dela, o Brasil vai estar bem encaminhado para ser um país racista. Os EUA é um país educado, mas lá a coisa é heavy metal, barra pesada. Felizmente não temos essa violência aqui, mas estamos perto de ter. Já sofri, sofro e vou sofrer com racismo. Não é porque sou famoso que escapo disso. Fui casado com a Arlete Sales, que é branca, e enfrentamos muito preconceito por isso. Temos de chacoalhar o país para acabar com o racismo.”
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KARINA CHIARETTI, corretora de imóveis
Em um shopping de São Paulo, ela foi chamada de "macaca" pela aposentada Davina Apparecida Castelli, que foi condenada a pena de quatro anos e 39 dias de prisão em regime semiaberto e multa de R$ 28.960 de indenização por danos morais. 

"O Brasil e o brasileiro são racistas. Eu posso afirmar, porque eu fui vítima. Eu fui a primeira pessoa da minha família a sofrer com o racismo. Racismo é crime e a lei deveria ser cumprida. Mas no Brasil as pessoas acham que só bandido deve ir pra cadeia. É como se o agressor não merecesse ir para a cadeia. A Polícia do Estado de SP não tem pessoas aptas a lidar com esse tipo de coisa, eles não tem preparo. Eles ficam na dúvida se prendem ou não. O racismo é considerado crime em qualquer lugar, parece que em todo lugar funciona menos aqui. Eu fui educada numa família de valores claros. Minha filha tem 11 anos, estava comigo no caso da agressão, na época tinha 9 anos, E meu filho, tem  14 anos, e desde pequenos sempre souberam disso [que racismo é crime], que é passível de prisão, se alguém ofendê-los de macaco, ou do que for, essa pessoa pode ser presa."
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CLAUDINEIA GOMES, cobradora de ônibus
Foi chamada de “preta safada” e “negra ordinária” por uma passageira do ônibus em que trabalhava em Taguatinga, no Distrito Federal, em fevereiro deste ano.

“O tempo passa e isso não muda, ainda existe o pensamento hipócrita de racismo. Trabalho com pessoas e esse preconceito mudou minha cabeça. Depois que sofri preconceito passei a dar mais atenção aos idosos, aos deficientes e mulheres grávidas. O ônibus não sai se eles não estiverem acomodados. Eu pensava que cada um devia buscar os seus direitos, mas hoje penso diferente, temos de ajudar uns aos outros.”
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MARCIANO DUARTE
Pai de uma criança que diz ter sido chamado de "sujo e fedido" em uma escola de Mato Grosso do Sul por ser de origem indígena. 

“Eu acho que as pessoas não respeitam mais as outras. Mas somos todos iguais. O Brasil é de todo mundo. Nós que moramos no Brasil, a única coisa que é diferente é que nós, os índios, falamos diferente, só que somos todos do Brasil. Quando a gente vota, votamos para presidente, vereador, governador, tudo para ajudar a gente. É tudo igual. Eu respeito todo mundo. Eles têm que respeitar a gente também. Meu filho não foi respeitado na escola. Vieram falar pra mim que deram risada do meu filho e falaram do meu filho. Para nós, o homem branco é igual ao índio, é a mesma coisa. Não moram todos no Brasil? Só agora que o índio está começando a ser respeitado. Deus vai nos ajudar e vai trabalhar pela gente. Essa gurizada precisa estudar.”

FONTE: G1 SP Glauco Araújo - Colaboraram Gabriela Gonçalves, estagiária, sob supervisão de Shin Oliva Suzuki, e Isabella Formiga, do G1 DF

Brasil-RS bate Brasiliense nos pênaltis e volta à Série C












Neste domingo, quatro partidas de volta agitaram as quartas de final da Série D do Campeonato Brasileiro. Com os resultados, estão definidos os confrontos das semifinais da competição: o Brasil-RS enfrenta o Londrina, enquanto Tombense e Confiança fazem a outra semifinal. Independentemente do que aconteça no restante da Série D, as quatro equipes estão automaticamente classificadas para a terceira divisão do futebol brasileiro em 2015.

Depois de três anos, o Brasil-RS está de volta à terceira divisão do futebol brasileiro. Neste domingo, a equipe gaúcha viajou ao Centro-Oeste do País, resistiu à pressão do Brasiliense e, depois de perder por 2 a 1 no tempo normal, triunfou nos pênaltis por 4 a 3, avançando às semifinais da Série D e garantindo o acesso à Série C do Campeonato Brasileiro. O jogo foi disputado na Boca do Jacaré, em Taguatinga.

O Brasil-RS havia vencido a primeira partida, em Pelotas, por 2 a 1, e poderia até perder por um gol de diferença (a partir do 3 a 2) para se classificar. O resultado do confronto de ida, porém, se repetiu, e a decisão foi para os pênaltis. Nas cobranças, o time da casa desperdiçou duas, enquanto os visitantes erraram somente uma e se classificaram para a semifinal da Série D. Filho do tetracampeão mundial Romário, Romarinho ao menos converteu o seu pênalti para os mandantes.

O herói do Brasil-RS foi o bom e experiente goleiro Eduardo Martini, que evitou o terceiro gol do Brasiliense no tempo normal e ainda defendeu duas cobranças nas penalidades. Fabio Braz e Baiano (ex-Palmeiras e Boca Júniors) pararam no arqueiro do time gaúcho. Pelo lado do Brasil-RS, Nena errou a sua penalidade logo no início, mas ela não fez falta.


No tempo regulamentar, o Brasiliense abriu 2 a 0 ainda no primeiro tempo, após dois gols de Luiz Carlos. O resultado garantiria o acesso à equipe do Centro-Oeste, mas, no último minuto antes do intervalo, Nena descontou para o Brasil-RS. O time da casa pressionou durante toda a segunda etapa, mas a estrela de Eduardo Martini brilhou, e o time gaúcho conseguiu conquistar a vaga para as semifinais da Série D e também o acesso para a terceira divisão do ano que vem – algo que não acontecia desde 2011.

FONTE: TERRA

OUTROS JOGOS

No Estádio do Café, no Paraná, Londrina e Anapolina apenas empataram em 0 a 0. Entretanto, o time paranaense já havia vencido o jogo de ida por 2 a 0. Por isso, a igualdade no placar classificou o time da casa, que já está automaticamente garantido na Série C do ano que vem, e agora enfrenta o Brasil-RS nas semifinais.

Em jogo iniciado às 16 horas, o Brasiliense venceu o Brasil-RS por 2 a 1 no tempo regulamentar (placar inverso ao jogo de ida), mas foi derrotado nos pênaltis por 4 a 3.

Enquanto isso, na cidade mineira de Tombos, o Tombense venceu o Moto Club por 2 a 0 e comemorou bastante a vaga na terceira divisão do ano que vem. Os gols foram marcados pelo artilheiro Daniel Amorim, aos 31min do primeiro tempo, e por Élvis, aos 39min da etapa final. No jogo de ida, as duas equipes haviam empatado por 2 a 2. Agora, o time mineiro enfrenta o Confiança semifinais.

O time sergipano apenas empatou por 0 a 0 com o Jacuipense no Estádio Presidente Médici, garantindo a vaga graças à vitória por 2 a 0 no jogo de ida.