Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!

sexta-feira, setembro 18, 2009

Discurso de Obama foi acusado de doutrinar as crianças americanas. O que você acha?

Veja abaixo a íntegra do discurso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para estudantes americanos.




"Olá a todos. Como estão todos hoje? Estou aqui com estudantes da Escola Wakefield em Arlington, na Virgínia. E temos alunos nos ouvindo em toda a América, do jardim de infância até a 12ª série. Estou feliz de que todos vocês possam estar conosco hoje.

Eu sei que para muitos de vocês hoje é o primeiro dia de aula. E para aqueles de vocês que estão no jardim de infância, ou começando o ensino fundamental ou o ensino médio, é o primeiro dia de vocês em uma nova escola, então é compreensível que vocês estejam um pouco nervosos.
Eu acredito que existam alguns estudantes mais antigos, que estão se sentindo muito bem, já que está faltando apenas mais um ano. E não importa em que série vocês estejam, alguns de vocês provavelmente estão desejando que ainda estivéssemos no verão e pensando que vocês poderiam ter ficado um pouco mais na cama nesta manhã. Eu conheço essa sensação.
Quando eu era novo, minha família viveu na Indonésia por alguns anos e minha mãe não tinha dinheiro para me mandar para as escolas onde todos as crianças americanas iam. Então ela resolveu que ela mesma me daria aulas extras, de segunda a sexta-feira, às 4h30 da manhã.E eu não gostava muito de acordar tão cedo. Muitas vezes eu pegava no sono ali mesmo, na mesa da cozinha. Mas sempre que eu reclamava, minha mãe me dava aquele olhar e dizia: "Isto não é um piquenique para mim também".
Então eu sei que alguns de vocês ainda estão se adaptando à volta às aulas. Mas eu estou aqui hoje porque eu tenho uma coisa importante para conversar com vocês. Eu estou aqui porque quero falar sobre a educação de vocês e o que se espera de todos vocês neste novo ano escolar.
Eu já fiz muitos discursos sobre educação. E eu já falei muito sobre responsabilidade. Eu já falei sobre a responsabilidade de seus professores de inspirar vocês e fazê-los aprender. Eu já falei sobre a responsabilidade que seus pais têm de ter certeza de que vocês estejam no caminho certo, de fazer com que os deveres de casa sejam feitos e de que vocês não passem todas as horas acordados em frente à televisão ou com aquele Xbox.
Eu falei bastante sobre a responsabilidade de seu governo de manter altos padrões, de ajudar professores e diretores e de mudar a atitude de escolas que não estão funcionando, onde os alunos não estão tendo as oportunidades que eles merecem.
Mas no final das contas, nós podemos ter os professores mais dedicados, os pais mais atenciosos, as melhores escolas no mundo e nada disso vai ter importância a não ser que todos vocês cumpram as suas responsabilidades. A não ser que vocês compareçam a essas escolas, prestem atenção a esses professores, ouçam os seus pais, avós e adultos e tenham o empenho necessário para obter sucesso.
E é nisso que eu quero focar hoje: na responsabilidade que cada um de vocês tem na educação de vocês. Eu quero começar com a responsabilidade que vocês têm com vocês mesmos. Todos têm uma coisa na qual são bons. Cada um de vocês tem algo a oferecer. E vocês têm a responsabilidade com vocês mesmos de descobrir o que é.
Esta é a oportunidade que a educação pode dar.Talvez você pudesse ser um bom escritor, talvez bom o suficiente para escrever um livro ou artigos num jornal. Mas você pode nunca saber até que escreva uma redação para a sua aula de inglês.
Talvez você pudesse ser um inventor, talvez você seja bom o suficiente para inventar o novo iPhone ou um remédio ou vacina novos. Mas você não saberá até que faça um trabalho para a sua aula de ciência.
Talvez você pudesse ser um prefeito, um senador ou um integrante da Corte Suprema de Justiça, mas você pode não saber até que se junte a um governo estudantil ou a um grupo de debate.
E não importa o que você queira fazer com a sua vida, eu garanto que você precisará da educação para fazê-lo. Você quer ser um médico, um professor, ou um policial? Você quer ser enfermeiro ou um arquiteto, um advogado ou um membro das nossas Forças Armadas? Você precisará de uma boa educação para cada uma dessas carreiras.
Você não pode cair fora da escola e engrenar num bom emprego. Você tem que trabalhar por isso, treinar para isso e aprender para isso.E isso não é importante apenas para a vida de vocês ou para o futuro de vocês. O que vocês fazem da educação de vocês vai decidir nada menos que o futuro desse país.
O que vocês estão aprendendo na escola hoje vai determinar se nós, como uma nação, podemos enfrentar nossos maiores desafios no futuro.Vocês vão precisar do conhecimento e habilidade para resolver problemas que vocês aprenderam nas aulas de ciência e matemática para curar doenças como câncer ou Aids, e para desenvolver tecnologia de novas energias e proteger o meio ambiente.
Vocês vão precisar da compreensão e habilidade de pensamento crítico que vocês ganharam nas aulas de história e estudos sociais para lutar contra a pobreza, a falta de moradia, o crime, a discriminação e fazer a nossa nação mais justa e mais livre.
Vocês vão precisar da criatividade e inventividade que desenvolveram em todas as suas aulas para construir novas empresas, que vão criar novos empregos e impulsionar nossa economia.
Nós precisamos que cada um de vocês desenvolva seus talentos, habilidades e intelecto para que possam ajudar a resolver os nossos problemas mais difíceis. Se vocês não fizerem isso, se desistirem da escola, vocês não estão apenas desistindo de vocês mesmos, estão desistindo do seu país.
Eu sei que nem sempre é fácil ir bem na escola. Eu sei que muitos de vocês têm desafios nas vidas de vocês que podem dificultar o foco na escola. Eu entendo. Eu sei como é isso. Meu pai deixou a minha família quando eu tinha dois anos de idade, e fui criado por uma mãe solteira que lutava às vezes para pagar as contas e que nem sempre podia dar coisas para nós que os outros garotos tinham.
Houve épocas em que eu senti falta de ter um pai na minha vida. Houve épocas em que eu me senti só e senti que não me encaixava.Então eu não estava sempre tão focado como eu deveria estar. Eu fiz algumas coisas das quais não me orgulho, e tive mais problemas que eu deveria ter tido. E minha vida poderia ter facilmente ter dado uma virada para o pior.
Mas eu fui afortunado. Eu tive muitas segundas chances e tive a oportunidade de ir para a faculdade, de estudar Direito e seguir os meus sonhos.
Minha mulher, a primeira-dama Michelle Obama, tem uma história parecida. Nenhum dos pais dela foi para a faculdade e eles não têm muito. Mas eles trabalharam duro e ela trabalhou duro para que pudesse ir às melhores escolas do país.
Alguns de vocês podem não ter estas vantagens. Talvez vocês não tenham adultos nas suas vidas que dêem o suporte que vocês precisam. Talvez alguém nas suas famílias perdeu o emprego e não haja dinheiro suficiente para se virar. Talvez você viva numa vizinhança onde você não se sinta seguro, ou tenha amigos que estão pressionando você para fazer coisas que você sabe que não são corretas.
Mas no final do dia, as circunstâncias da sua vida - como você se parece, de onde você vem, quanto dinheiro você tem, o que está acontecendo na sua casa - não é desculpa para negligenciar seu trabalho de casa ou ter um comportamento ruim. Não é desculpa para dar uma resposta rude para seu professor, ou matar aula, ou desistir da escola. Não é desculpa para não tentar.Onde você está agora não tem que determinar o lugar onde você vai acabar.
Ninguém está escrevendo o seu destino para você. Aqui na América você escreve o seu próprio destino. Você faz seu próprio futuro.É isso que jovens como vocês estão fazendo todos os dias, em toda a América.
Jovens como Jazmin Perez, de Roma, no Texas. Jazmin não falava inglês quando ela começou na escola. Quase ninguém na cidade natal dela fez faculdade e os pais dela também não. Mas ela trabalhou duro, obteve boas notas, ganhou uma bolsa de estudos na universidade Brown e está agora na escola técnica, estudando saúde pública, no caminho para se tornar Doutora Jazmin Perez.
Estou pensando em Andoni Schultz, de Los Altos, na Califórnia, que lutou contra um câncer no cérebro desde que tinha três anos de idade. Ele enfrentou toda a sorte de tratamentos e cirurgias, uma delas afetou a sua memória, então ele levou muito mais tempo - centenas de horas extras - para fazer o dever de casa. Mas ele nunca ficou para trás, e ele rumou para a faculdade neste outono.
E há também Shantell Steve, da minha cidade natal Chicago, em Illinois. Mesmo quando ela estava pulando de lar adotivo para lar adotivo nas mais árduas vizinhanças, ela conseguiu um emprego num centro de saúde local, entrou num programa para manter jovens fora de gangues e está no caminho para terminar o ensino médio com honras e ir para a faculdade.
Jazmin, Andoni e Shantell não são diferentes de nenhum de vocês. Eles enfrentaram desafios nas suas vidas assim como vocês enfrentam. Mas eles se recusaram a desistir. Eles escolheram ter responsabilidade sobre a educação deles, e estabeleceram objetivos para eles mesmos. E eu espero que todos vocês façam o mesmo.
É por isso que hoje eu estou pedindo que cada um de vocês estabeleça metas na sua educação e façam tudo que vocês podem para alcançá-las. Seus objetivos podem ser tão simples como fazer todo o dever de casa, prestar atenção nas aulas, ou passar um tempo diariamente lendo um livro.
Talvez vocês decidam se envolver em alguma atividade extracurricular, ou ser voluntário na sua comunidade. Talvez vocês decidam apoiar crianças que são caçoadas ou intimidadas por causa da maneira como são ou como se parecem, porque você acredita, como eu, que todas as crianças merecem um ambiente seguro para estudar e aprender.
Talvez você decida tomar mais cuidado de você mesmo para que esteja mais pronto para aprender. E eu espero que vocês lavem muito as mãos, e fiquem em casa quando não se sentirem bem, para que evitemos que as pessoas peguem esta gripe neste outono e no inverno.
O que quer que vocês resolvam fazer, eu quero que vocês se comprometam. Eu quero que vocês realmente trabalhem para isso. Eu sei que às vezes você pode ter a impressão pela televisão de que você pode ser rico e bem sucedido sem nenhum trabalho duro, que o seu tíquete para o sucesso está no rap ou no basquete ou em ser uma estrela de reality show da TV, quando a probabilidade é que você não vai ser nenhuma dessas coisas.
Mas a verdade é que ter sucesso é difícil. Vocês não vão amar todas as matérias que estudarem. Vocês não vão se conectar com cada professor. Nem toda tarefa de casa vai parecer completamente relevante para sua vida naquele minuto. E você não vai necessariamente ser bem sucedido em tudo na primeira vez que tenta.
Mas não há problema. Algumas das pessoas mais bem sucedidas no mundo são aquelas que tiveram os maiores fracassos. O primeiro livro Harry Potter de JK Rowling foi rejeitado doze vezes antes de ter sido finalmente publicado.
Michael Jordan foi cortado do time de basquete de sua escola e perdeu centenas de jogos e milhares de cestas na carreira dele. Mas uma vez ele disse: "Eu falhei várias e várias e várias vezes na minha vida. E foi por isso que eu venci".
Estas pessoas venceram porque elas entenderam que não se pode deixar os fracassos definirem você. Você tem que deixar eles te ensinarem. Você tem que deixar que eles te mostrem o que fazer diferente da próxima vez.
Se você se meter em problemas, não significa que você seja problemático, significa que você tem que tentar se comportar mais. Se você tirar uma nota ruim, isso não significa que você é estúpido, significa apenas que você tem que passar mais tempo estudando.
Ninguém nasceu sendo bom nas coisas, você se torna bom nas coisas por meio do trabalho duro. Você não é atleta da equipe do seu colégio na primeira vez que você joga um novo esporte. Você não alcança todas as notas na primeira vez que canta uma canção. Você tem que praticar.
É o mesmo com sua vida escolar. Você pode ter que fazer um problema matemático algumas vezes antes de acertá-lo ou ler alguma coisa algumas vezes antes de entender, ou fazer alguns rascunhos no papel antes de estar pronto o suficiente para entregar.
Não tenham medo de fazer perguntas. Não tenham medo de pedir ajuda quando precisarem. Eu faço isso todos os dias. Pedir ajuda não é um sinal de fraqueza, é um sinal de força. Mostra que você tem a coragem de admitir quando você não sabe algo, e de aprender algo novo.
Então ache um adulto em quem você confia - um pai, avó ou professor, um treinador ou conselheiro - e peça a ele ajuda para que você continue na linha para atingir as suas metas.E mesmo quando você estiver lutando, quando estiver desestimulado e sentir que outras pessoas desistiram de você, nunca desista de você mesmo. Porque quando você desiste de si mesmo, desiste de seu país.
A história da América não é sobre pessoas que desistiram quando as coisas ficaram difíceis. É sobre pessoas que prosseguiram, que tentaram com mais força, que amavam demais seu país para fazer algo menos que o melhor que podiam.
É a história de estudantes que sentaram onde vocês estão sentados 250 anos atrás e foram promover uma revolução e fundaram essa nação. Estudantes que sentaram onde vocês estão sentados 75 anos atrás e superaram a Depressão e ganharam uma guerra mundial, que lutaram pelos direitos civis e colocaram um homem na lua. Estudantes que sentaram onde vocês estão sentados 20 anos atrás e fundaram o Google, o Twitter e o Facebook a mudaram a maneira como nós nos comunicamos.
Então hoje eu quero perguntar a vocês: qual será a contribuição de vocês? Que problemas vocês vão resolver? Que descobertas vocês farão? O que um presidente que virá aqui daqui a 20, 50 ou cem anos dirá sobre o que todos vocês fizeram pelo seu país?
A família de vocês, seus professores, e eu estamos fazendo tudo que podemos para ter certeza que vocês tenham a educação que precisam para responder a estas perguntas.
Estou trabalhando duro para consertar as salas de aula de vocês, e conseguir livros, equipamento e os computadores que precisam para aprender. Mas vocês têm que fazer a sua parte também. Então espero que vocês levem a sério esse ano.
Espero que vocês ponham o máximo esforço em tudo que façam. Espero grandes coisas de cada um de vocês. Então não nos desapontem, não desapontem sua família ou sem país ou a si mesmos. Façam-nos orgulhosos. Eu sei que vocês podem. Obrigado.
Que Deus abençoe vocês, e que Deus abençoe a América".
UOL

quinta-feira, setembro 17, 2009

Assembleia aprovou estado de greve





Em assembleia promovida na manhã deste sábado, 12, os metalúrgicos de São José dos Campos e região aprovaram estado de greve.
A mobilização, que valerá a partir da segunda-feira, 14, é uma resposta dos trabalhadores à proposta das montadoras, que ofereceram 4,4% de reajuste, com base no INPC, aumento real de 1,5% e abono de R$ 1 mil. A categoria reivindica 14,65% de reajuste.
A proposta foi rejeitada na mesa de negociação pelos sindicatos de São José dos Campos, Campinas, Limeira e Santos, que formam o bloco unificado do interior.
Segundo informações do Sindicato dos Metalúrgicos de São José, a assembleia definiu a aprovação de paralisações em todos os setores e, a partir de segunda-feira, devem acontecer novas assembleias nas portas das fábricas.
Além da proposta das montadoras, os trabalhadores rejeitaram os valores oferecidos pelos sindicatos patronais dos setores de autopeças, eletroeletrônicos e fundição, que faziam referência apenas à reposição da inflação.
A assembleia também aprovou estado de greve na Embraer para que a data-base do setor aeronáutico seja unificada para setembro, acompanhando toda a categoria metalúrgica. Atualmente, a data-base na empresa é o mês de novembro.

Além dos 14,65% de reajuste, os metalúrgicos reivindicam redução da jornada para 36 horas sem prejuízos nos salários e sem banco de horas, estabilidade no emprego por, no mínimo, dois anos, e renovação e ampliação das cláusulas sociais.
O presidente do sindicato da categoria, Vivaldo Moreira Araújo, afirmou que as propostas patronais são "uma afronta à toda classe trabalhadora".
Segundo ele, as empresas lucraram com a redução do IPI e com o aumento da produtividade. Araújo disse também que o aviso de greve já foi entregue às empresas e que agra deve ter início a paralisação em todas as fábricas.

Caminhada terá presenças internacionais




A II Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa neste domingo (20/09) – no Posto 6, da praia de Copacabana é marcada por participações internacionais.



O pastor Jeremiah Wright (que casou Obama e batizou as filhas do presidente americano) vem de Chicago especialmente para o evento.



Outras presenças internacionais são a do Arabá de Ilê Ifé (o mais alto sacerdote da tradição yorubá), vindo diretamente da Nigéria para a Marcha e do Oluwo Bangkoli Jokotoyé, de Ogmobosó.



Será um encontro inusitado, mas que vai entrar definitivamente para a história da cidade. Este ano, a produção artística do evento está muito mais organizada: os grupos Olodum e Ilê Aiyé vêm de Salvador, com recursos próprios, para um espetáculo de fé e cidadania.



Todos os grupos que se apresentarão na II Caminhada são formados por religiosos e nenhum deles cobrou cachê. Todas as religiões estarão representadas. Um CD gravado com canções religiosas dará o tom da diversidade do evento. Os religiosos vão cantar a tradução em yorubá da música "Faz um milagre em mim" – hit evangélico – no ritmo Ijesá.




Delegações e caravanas


São esperadas seis delegações internacionais – Nigéria, Angola, Congo, Argentina, Uruguai e Paraguai – além de caravanas oriundas de 23 estados do Brasil.




A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa espera receber 150 ônibus de fora do Rio de Janeiro. Não há estimativas sobre a quantidade de ônibus de outros municípios do Estado. A expectativa de público é de 100 mil participantes.




Os ônibus, após deixarem os religiosos no Posto 6, seguem para estacionar no Teleporto.



Estrutura



A II Caminhada será composta por quatro trios elétricos e a divisão é a seguinte: no primeiro caminhão ficam as lideranças religiosas internacionais e de maior expressão no país, de todas as religiões; no segundo caminhão acontecem os shows; o terceiro e o quarto trios estarão os religiosos mais velhos.



A produção envolve mais de 200 técnicos, seguranças e pessoal de apoio.



Apoios



Este ano a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa também ampliou o leque de apoios. Apóiam a II Caminhada a Secretaria Especial de Políticas de Inclusão e Igualdade Racial (Seppir), Petrobras, Metro Rio, SuperVia, Superintendência de Políticas de Inclusão Racial do Governo do Estado do Rio (Superdi) e a Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia.



Imprensa



Uma tenda de 200 m2, montada sobre as areias do Posto 6, abrigará uma mini-redação e servirá como apoio aos jornalistas que estiverem fazendo a cobertura da Caminhada.




A FAETEC doou 10 computadores, conectados a internet, que ficarão à disposição da imprensa e dos veículos de comunicação especializados em religião. Todos os jornalistas que compõem a assessoria de imprensa da II Caminhada são religiosos – umbandistas, candomblecistas, católicos e evangélicos.
Afropress

ONG britânica denuncia destruição de povoado guarani kaiowá em MS





A ONG (Organização Não-Governamental) Survival Internacional denunciou nesta quinta-feira a expulsão de uma comunidade de 130 guaranis kaiowá de seu povoado de Laranjeira Ñanderu, em Mato Grosso do Sul, que ainda foi queimado e totalmente destruído.




Em comunicado, a Survival afirmou que os 130 indígenas --entre eles 60 crianças-- foram transferidos para um acampamento, sem acesso a água potável e nem terras cultiváveis, junto a uma estrada movimentada.




"Após serem expulsos, um grupo não identificado queimou o povoado, destruindo as casas dos indígenas e outras propriedades, matando aos animais", divulgou a ONG.




A Survival lembrou que esta comunidade já havia sido expulsa de suas terras nos anos 60 por criadores de gado.




De acordo com a Anistia Internacional, a extensão reivindicada pelos guaranis está em processo oficial de identificação, primeiro passo para o reconhecimento legal de seus direitos sobre a posse.
O processo de identificação deveria ter sido concluído em 2008, mas os diversos recursos feitos pelos fazendeiros nos tribunais acabaram por atrasar.
Segundo a Anistia Internacional, com a mudança os índios viverão em uma faixa de terra de cinco metros de largura, espremida entre fazendas com segurança armada e uma estrada movimentada, a BR-163, por onde passam veículos pesados.
O chefe da comunidade, Farid Mariano, disse aos fiscais federais em dezembro de 2008: "se nos tirarem daqui, não temos para onde ir. Mas não nos coloquem na beira da estrada. Se isso ocorrer haverá atropelamentos, suicídios e doenças infantis".
Survival lembrou ainda que mais de 500 guaranis cometeram suicídio nas últimas duas décadas (incluído uma criança de 9 anos) por causa das duras condições em que vivem --violência, álcool e desnutrição-- e diante das poucas expectativas de futuro.
Efe

REUNI

Alunos reclamam que falta de professor a talher na UFMG






Preso na porta da sala do recém-criado curso de restauração de bens culturais imóveis da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), um papel informa os alunos sobre as seis disciplinas que aguardam a contratação de professores. Outras cinco foram canceladas.



O curso de restauração, criado em 2008, foi a primeira graduação fruto do Reuni (Reestruturação e Expansão das Universidades Federais) na universidade mineira, que alcançou nota máxima no mais recente IGC (Índice Geral de Cursos), indicador que mede a qualidade das instituições.




O Reuni, programa do Ministério da Educação, tem, entre outras metas, dobrar até 2012 as vagas nas universidades federais ao criar cursos ou ampliar as vagas nos já existentes.

Com a chegada de um volume maior de calouros, as longas filas do bandejão do campus Pampulha da federal mineira se tornaram outra dor de cabeça, afirmam os alunos. Segundo eles, há dias em que falta talher.

Além de poucos professores e da superlotação do restaurante, as salas de aula também andam mais cheias do que os alunos gostariam. As obras de expansão, relatam os estudantes, estão atrasadas e atrapalham por serem feitas de dia.

Aluna do segundo período de restauração, Alice Gontijo, 19, diz que falta ainda formação específica a professores de disciplinas técnicas, como a que trata dos insetos que danificam os bens culturais. Segundo ela, a aula é dada por uma professora sem formação em biologia."A impressão é que tudo é feito na base do improviso", diz.

O reitor da UFMG, Ronaldo Tadêu Pena, reconhece que houve um problema na contratação de professores para o curso de restauração, mas diz que foi uma questão pontual.

"Ali aconteceu uma coisa bem localizada. O problema se prendeu à autorização para contratação. Eu liguei para o ministro [Fernando Haddad], e o MEC me deu uma solução. Talvez, se a gente começasse esse curso em 2010, não haveria problema, mas perderíamos um ano", diz Pena.

Sobre possíveis atrasos na contratação de professores em outros cursos, Pena os chamou de "pequenos contratempos". "Visto por mim, como gestor, eu considero pequenos contratempos.
Visto pelo aluno, que está lá vivendo a questão, é um grande problema. Eu reconheço que é. Mas a gente tem que pensar no médio e no longo prazo", afirmou.

O reitor concordou que as obras trazem transtornos a todos, mas disse que o período é transitório. "Não tem jeito de fazer obra sem barulho", diz.

Afinado com o discurso do MEC, Pena considerou a falta de talher --da qual diz não ter notícia-- um problema menor diante do que a expansão representa para a universidade e para o país.

Os problemas não são exclusivos da UFMG. Na UnB (Universidade de Brasília), que também participa do Reuni, os alunos dizem que o barulho das obras atrapalha as aulas.

Além disso, até a semana passada, estudantes do segundo período da recém-criada graduação em gestão de políticas públicas temiam ficar sem professores para as matérias específicas.

No entanto, após ser questionada pela reportagem sobre a falta de docentes, a UnB informou aos alunos que dez novos professores foram contratados.

Sobre as obras, a decana de graduação da UnB, Márcia Abrahão, disse que melhorias no espaço físico são reivindicadas há anos por professores e alunos e pede a compreensão deles para os transtornos.

Outro lado
A responsável pela Secretaria de Educação Superior do MEC, Maria Paula Dallari Bucci, negou a falta de professores, mas assumiu que possam existir problemas pontuais.
Segundo ela, "a UFMG está passando por uma revitalização inédita. É evidente que pode haver uma questão aqui ou ali. A universidade é uma instituição que está muito bem nos indicadores de qualidade nacionais e internacionais."

Já quanto as reclamações que os alunos fazem em relação à falta de professores, Bucci afirma: "Isso não é verdade. A contratação de professores não tem precedentes.
A UFMG certamente não é uma instituição onde falta professor. Eles estão com muitas inovações, estão a pleno vapor. "
FOLHA DE SÃO PAULO

EXPANSÃO UNIVERSITÁRIA 2

Alunos da Unipampa fazem protesto em Bagé






Dezenas de alunos da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) estiveram em frente ao prédio da reitoria, em Bagé, na região da Campanha, cobrando melhorias para os dez campi espalhados no Estado.



A intenção dos acadêmicos é se reunir com a reitora, Maria Beatriz Luce. Entre as reclamações, os estudantes apontam deficiente estrutura para cursos, prédios em condições precárias e falta de professores.



Existe, ainda, receio entre os alunos de que cursos não sejam validados pelo Ministério da Educação (MEC). Maria Beatriz já confirmou que vai se reunir com representantes dos acadêmicos na tarde de hoje. Segundo a reitora, melhorias estão sendo providenciadas, como novos equipamentos para os cursos. Ela salientou ainda que nenhum curso corre chance de ser reprovado pelo MEC.
clic rbs

EXPANSÃO UNIVERSITÁRIA 1

Dos seis blocos previstos para a UFABC, só um é usado hoje
Com três anos de existência, a UFABC (Universidade Federal do ABC) tem só 20% das obras do campus de Santo André concluídas.
Ao ser criada, em 2006, a previsão era que as obras terminassem em 30 meses, prazo que acabou em março deste ano. Dos seis blocos previstos, apenas um funciona. De acordo com Helio Waldman, pró-reitor de graduação da UFABC, o bloco A "já está com cara de pronto".

Ele será composto por três prédios e é o maior de todos: terá o triplo de área construída do que tem o bloco B, o único inaugurado. "A entrega está prometida para dezembro e me parece viável." Segundo Waldman, depois da entrega, ainda será necessário um tempo para que o lugar seja mobiliado e receba as instalações de rede e internet. "Para 2010, a área disponível da universidade vai triplicar."

Alex Vitorio Amadio, 22, aluno do sexto trimestre do bacharelado em ciência e tecnologia, reclama que o campus é um canteiro de obras. Ele destaca o "alagamento em dia de chuva forte" como um dos maiores problemas estruturais. O pró-reitor Waldman não tira a razão de Alex. Ele confirma que uma área do campus, devido à sua geografia, sofre com alagamentos. Hoje, ela abriga sala de aula e estacionamento.

Quando as obras terminarem, haverá quadras esportivas no local. O problema fica mais sério, diz Waldman, quando o rio Tamanduateí, que passa nas proximidades, transborda. Isso já aconteceu duas vezes desde a inauguração da UFABC. Na terça passada, por precaução, as aulas foram suspensas.

Além das chuvas, o próprio pró-reitor lista outros dois problemas que, segundo ele, "estão com os dias contados": falta de refeitório e de lugar adequado para os alunos estudarem. Segundo ele, o refeitório deve ser terminado até o fim do ano, e a biblioteca, que hoje funciona em instalação provisória, vai se mudar para um lugar melhor no bloco A, mas ainda não será seu endereço definitivo.

"A convivência com a obra não é fácil. O ideal era que colocasse rede, móveis e só então se pusesse uma fita para o presidente inaugurar. Mas, se fizéssemos isso, milhares de alunos seriam privados de estudar", afirma. Apesar da perspectiva de encontrar lama e instalações provisórias, Caio Ignacio, 23, ainda quer se candidatar a uma vaga. Ele tem amigos que já estudam na UFABC e gostam.

Caio visitou o campus, pesquisou o currículo do bacharelado em tecnologia, ouviu falar bem do corpo docente e, por tudo isso, está disposto a estudar lá, caso seja aprovado no vestibular.

A federal do ABC integra o programa de expansão das universidades federais do governo, mas não participa do Reuni, que visa reestruturar instituições já existentes, e não as começadas do zero. Além do campus de Santo André, está sendo construído outro em São Bernardo. A pedra fundamental foi lançada em 23 de agosto.
FOLHA DE SÃO PAULO

Advogadas debatem sistema de cotas nas universidades







O sistema de cotas para a inclusão de negros no ensino superior brasileiro é uma questão racial ou social?


A pergunta vai nortear o debate no Supremo Tribunal Federal (STF) que vai julgar ação do partido Democratas (DEM) que pede a revogação do sistema de cotas para negros na UnB.



Outras 80 universidades públicas no país que possuem sistema de ingresso diferenciado para afrodescendentes.



Em entrevista à Agência da Universidade de Brasília (UnB), as duas advogadas que vão se enfrentar no julgamento - Indira Quaresma, pela UnB, e Roberta Kaufmann, pelo DEM - defenderam seus pontos de vista sobre a questão, que deve ir para o tribunal em março do ano que vem.



Estigma

Advogada da Advocacia-Geral da Uniao, que vai representar a UnB no julgamento, Indira Quaresma aposta em estatísticas para provar que o sistema de cotas deve, sim, levar em consideração o tom da cútis.



"Ainda hoje há fortes resquícios do preconceito: negros têm menos tempo de estudo e ocupam posições menos vantajosas no mercado de trabalho", afirmou. "Isso se reflete diretamente no ingresso deles nas universidades", completa Indira, da Advocacia-Geral da União.



A advogada, que é negra, ressalta que o debate sobre a ação afirmativa não pode ser restrita à questão social. "Além de sofrer preconceitos por estar entre a população carente do Brasil, a maioria dos negros carregam o estigma relacionado à cor da pele, que vem da sua origem étnica na África", explicou.



"Devemos escolher se vamos cumprir a dívida histórica para por uma igualdade de oportunidades ou se vamos deixá-los sós nessa luta", completou Indira.



Cotas Sociais


Do outro lado do embate, a procuradora Roberta Kaufmann defende que o mérito racial estimula o preconceito já existente. "A ciência provou que o conceito de raça não tem fundamento biológico e sim cultural. É preciso desconstruir essa diferença em prol de uma sociedade igualitária", comentou a representante do DEM.



Ela ressalta que a ação afirmativa deve levar em conta a posição social do candidato ao vestibular. "Dessa forma, automaticamente contemplaremos os negros", observou ela, ressaltando que 70% da população afrobrasileira se encontra entre as classes sociais menos favorecidas.



A advogada, que teve a polêmica como tema da dissertação de mestrado na UnB e procurou voluntariamente o DEM para defender a causa no STF, ressalta a importância de levar a questão para o tribunal. "Uma questão como essa, que já abrange diversas universidades brasileiras, não pode ficar de fora de um parecer da suprema corte", comentou.



Roberta classifica o sistema de seleção dos cotistas usado pela UnB, desde 2004, como um tribunal racial. "Os critérios não são claros. E quem poderá dizer quem é negro ou não?", questionou.



Disputa


Segundo as advogadas, o julgamento sobre a permanência do sistema de cotas raciais pelos 11 ministros do STF deve ocorrer em março. Até lá, a partir de novembro, uma série de audiências públicas devem repercutir o tema com especialistas – como antropólogos, historiadores, psicólogos.



Tanto Indira como Roberta reconhecem que a briga vai ser dura. Mas ambas demonstram confiança nos argumentos próprios. "Os números e os registros históricos não deixam outra alternativa", comenta Quaresma. "Nosso discurso não é racista, é contra o racismo", observa Kaufmann.



Na manhã desta segunda-feira, o ouvidor da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Humberto Adami, visitou o reitor da UnB, José Geraldo, para expressar o apoio do órgão vinculado à Presidência da República em favor da manutenção das cotas raciais. "Outros órgãos, como a Fundação Palmares, a Central Única dos Trabalhadores e o Diretório Central dos Estudantes também já manifestaram o desejo de contribuir para a defesa da causa", comentou a professora Débora dos Santos, do Centro de Convivência Negra da UnB, que acompanhou a reunião na Reitoria.
Fonte: Clica Brasília

A CARNE

(Seu Jorge, Marcelo Yuca e Wilson Capellette)

A carne mais barata do mercado é a carne negra
Que vai de graça pro presídio
E para debaixo do plástico
Que vai de graça pro subemprego
E pros hospitais psiquiátricos
A carne mais barata do mercado é a carne negra
Que fez e faz história
Segurando esse país no braço, meu irmão.
O gado aqui não se sente revoltado
Porque o revólver já está engatilhado
E o vingador é lento, mas muito bem intencionado
Esse país vai deixando todo mundo preto
E o cabelo esticado
E mesmo assim, ainda guardo o direito
De algum antepassado da cor
Brigar por justiça e por respeito
De algum antepassado da cor
Brigar bravamente justiça e por respeito

domingo, setembro 13, 2009

Estatuto da Igualdade Racial divide movimento negro

Câmara aprovou na quarta projeto que define direitos dos negros.Entidades avaliam que estatuto exclui bandeiras importantes.
Aprovado nesta semana na Câmara dos Deputados, o Estatuto da Igualdade Racial divide opiniões de integrantes do movimento negro.

Há consenso, no entanto, em um ponto: o texto da lei não contempla bandeiras importantes e históricas para os negros, como a definição de cotas em universidades e na mídia e sobre quem são os remanescentes dos quilombos.
O projeto de lei que cria o estatuto foi aprovado pelos deputados em caráter conclusivo (não passou pelo plenário), na quarta-feira (9), dez anos após o início das discussões do projeto no Congresso.
Agora, ainda precisa passar pelo Senado. Ou será analisado em comissão em caráter conclusivo ou irá à votação em plenário, conforme o que ficar decidido entre os senadores. Só depois é que irá à sanção presidencial. O governo quer que tudo esteja pronto para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancione a lei no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra.

Prós

O ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, diz que o estatuto ressalta a tese de que não há igualdade racial no Brasil. Segundo ele, no caso das cotas nas universidades, o tema ficou de fora porque está sendo analisado em projeto separado que tramita no Senado.

"O estatuto é o reconhecimento do Estado brasileiro em relação às desigualdades raciais e é a criação de um instrumento que garante inclusão. É uma vitória daqueles que defendem a tese de que nem todos são iguais e que há obrigação do Estado brasileiro com aqueles que estão excluídos de oportunidades do nosso país", afirma o ministro.
Edson Santos participou das negociações para aprovação do estatuto na Câmara e afirmou que o consenso "não foi fácil". "Foi gratificante. Nos levou a empenho grande, no convencimento das pessoas. Não foi fácil buscar o consenso até na questão do projeto ser votado na Câmara de forma terminativa."
O ministro disse que assim que o projeto de lei sair da Câmara ele deve ir pessoalmente ao Senado conversar com o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), para discutir a criação de uma comissão especial para que o tema seja analisado em caráter terminativo.
Um dos dirigentes da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), Flávio Jorge afirma que, embora o estatuto não seja "exatamente" o que a entidade deseja, "significa o coroamento de uma luta que o movimento negro tem desenvolvido na construção de políticas públicas e superação do racismo". "Passa a ser um marco desses 30 anos de luta."

'Incompleta'

Para o dirigente da Conen, o estatuto ficou incompleto porque não trata sobre a questão dos quilombos e nem das cotas nas universidades.

"Vamos continuar lutando pelas cotas porque a elite branca continua criando resistência e a terra e o conhecimento geram privilégios e resistência." Ele diz que, embora incompleta, a lei é um avanço democrático. "Não foi uma concessão. É fruto de nossa luta, é uma conquista. O estatuto permite que se continue avançando. O combate ao racismo é um processo. Não é conquista de um dia para outro."

Consenso possível

Autor da proposta que cria o estatuto, o senador Paulo Paim (PT-RS) diz que o ideal teria sido aprovar o projeto "do jeito que saiu do Senado", com cotas para negro na mídia e definições sobre a população quilombola.

"Temos que entender que na correlação de forças da Câmara, foi o possível. (...) Tem muitas questões importantes. Vamos dando passos, foi uma vitória parcial." Ele afirmou que a expectativa é que o texto seja aprovado com facilidade no Senado. "O estatuto saiu do Senado muito mais contundente e volta em linha de mais consenso. Por isso, não vejo muita dificuldade."
O deputado federal Damião Feliciano (PDT-PB) afirmou que a origem do estatuto tinha "muito mais avanço". "Eles foram negociando durante todo o processo sempre para diminuir a questão dos direitos da negritude. Aprovou com toda negociação diminuída. Vejo como um estatuto desidratado." "Aprovamos porque é melhor 20% de alguma coisa do que 100% de nada", completa o deputado.
Feliciano avalia que a questão das cotas nas universidades deveria estar no estatuto. Ele disse que nem mesmo a questão dos incentivos para quem contratar negro deve ser comemorada se não houver implantação das cotas nas universidade.

"É preciso chamar atenção que a questão é mais profunda. Contratar 20% para ser serviçal não é avançar na sociedade. Para o negro ser porteiro, ser motorista, trabalhar na cozinha. É preciso que se avance na posição social e para isso precisa de estudo."

Contra

Para o coordenador nacional de organização do Movimento Negro Unificado (MNU), Ricardo Bispo, o estatuto é um "retrocesso".
"Foi o retrocesso mais criminoso que o movimento negro já assistiu. (...) Somos maioria em um país que faz questão de não nos dar visibilidade. O estatuto veio para destruir nossa auto-estima.
Rigorosamente, só sobrou coisa para quem não tem postura crítica, para quem acha que coisa qualquer serve." Ele cita que a redução para candidatos em partidos, a falta de cotas nas universidades e de definições sobre quilombolas e sobre o que é racismo prejudicou o texto.
"Nesse momento o que temos mostrado é que era um erro aprovar o estatuto porque seria aprovado um estatuto esvaziado. Cansamos de denunciar e eles diziam que estávamos errados. Que era preferível qualquer coisa desde que houvesse um marco legal. (...) Mas isso é inócuo. Da forma que está dificulta a nossa luta. Eles vão jogar na nossa cara que já temos um estatuto."
G1

Seminário discute sucessivas mortes de negros no Brasil


"Atrás de mim tem um cortejo de defuntos", disse o articulador da campanha Reaja ou será Morto! Reaja ou será Morta!, Hamilton Borges Walê, se referindo aos inúmeros casos de mortes de negros que estão impunes. É um massacre, completou Walê. A fala foi proferida ontem, durante o debate que finalizou o Seminário Violência Racial, em São Paulo.

O seminário é homônimo ao projeto - consiste no lançamento de documentos contendo a leitura de dados sobre homicídios no Brasil com um olhar de direitos humanos, além da realização de debates sobre o tema. Após essas etapas, serão encaminhadas recomendações ao Estado Brasileiro com o objetivo de diminuir e até mesmo acabar com as situações de violência racial.

Organizado pelo Geledés - Instituto Mulher Negra e o Global Rights Partners for Justice o seminário reuniu a sociedade civil organizada, ativistas do movimento negro, pesquisadores e autoridades para discutir um problema que está destruindo famílias e mais famílias brasileiras: o homicídio de negros.

Além de Hamilton Borges, participaram do debate o rapper dos Racionais MCs, Mano Brown, o ativista do movimento negro Luis Silva (ES) e o Paniquinho, do movimento hip hop de SP. Também estiveram no debate, a integrante do movimento de juventude negra, Thaís Zimbwe, o vereador e cantor Netinho de Paula (PcdoB-SP), além do editor do jornal Irohin, Edson Cardoso, que mediou o debate.

DEBATE

Muitas foram as contribuições e experiências relatadas durante a discussão. Os relatos serviram para entender melhor como e por que os negros são alvo da violência racial em suas diversas formas (falta de acesso à saúde, educação, emprego, alimentação de qualida
de e segurança pública) no Brasil. Ou seja, todas essas "faltas" de componentes básicos para a vida de um ser humano devem ser lidas como manifestação da violência.
Entre os questionamentos feitos, respondidos contextualizados com diversos casos fica um desafiado para cada cidadão: quem e como será mudada a situação de violência e morte de negros no Brasil?
AFROPRESS

Apenas 10% dos brasileiros terminam o ensino superior

Um relatório divulgado nesta terça-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indica que no Brasil apenas 10% da população jovem - entre 25 e 34 anos - concluem o ensino superior, enquanto a média nos 36 países que participaram da pesquisa a média é de 34%.
O Brasil tem o menor índice de adultos com diploma universitário, segundo o relatório Education at a Glance 2009 (Panorama da Educação).

O relatório aponta ainda que as taxas de conclusão da educação secundária entre os adultos (de 25 a 64 anos) na maioria dos países analisados é de 60%. O número é bem inferior ao verificado no Brasil, onde 63% da população na mesma faixa etária não concluíram esse nível de ensino.

Na maioria dos países-membros da OCDE, a conclusão do ensino superior aumenta em 50% a renda dos trabalhadores. No Brasil, os ganhos excedem 100%. É o que aponta o relatório Panorama da Educação, divulgado nesta terça-feria pelo órgão.

O relatório destaca que, diante da crise econômica mundial, investimentos em educação podem ajudar os países a se recuperar. Os dados são referentes aos anos de 2006 e 2007. Participaram do estudo os membros da OCDE e um grupo de países associados que inclui, além do Brasil, Alemanha, Austrália, Bélgica, Canadá, Coreia do Sul, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Japão, Chile e México.

Os ganhos para aqueles que concluem a educação secundária, equivalente ao ensino médio brasileiro, aumentam em 50% em 17 dos 28 países. Percentual semelhante é registrado no Brasil.

- Os investimentos em capital humano contribuirão para a retomada do crescimento, sob a condição de que os estabelecimentos de ensino estejam em condições de responder a essa demanda - diz Angel Gurria, secretário-geral da OCDE.
O Globo

JOSÉ E O PROUNI: "NÃO ERA PARA SER UNIVERSIDADE PARA TODOS"?




"Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz verso,
que ama, protesta?
e agora, Jose?"
"José",
Carlos Drumontde Andrade






Acordar todo dia às 5 da manhã e se pendurar no ônibus Terminal Parque Dom Pedro é o cotidiano de José, 23 anos, que atravessa a cidade para chegar no emprego de telemarketing que arranjou, depois de muito tempo desempregado.
Foi nessa correria que José conseguiu completar seu segundo grau, já que precisa ajudar nas despesas de casa. Seus pais não sabem ler nem escrever, talvez por isso José nunca imaginou que entraria em uma faculdade.

Sem muito acreditar que conseguiria José tentou uma bolsa de estudos para a faculdade via um tal de .Prouni (Programa Universidade Para Todos), seguindo indicações de sua vizinha. A grande dúvida veio na hora da escolha do curso.
"E agora, que curso prestar!" Afinal, foi sempre uma possibilidade tão longe, que se imaginar dentro da faculdade parecia uma piada. José lembrou-se de um amigo que, quando pequeno, foi acertado por uma bala perdida, ele acabou perdendo alguns movimentos por que não conseguiu desenvolve-los e recupera-los. Disseram a ele que a rede pública não oferecia fisioterapia.
Naquela época José prometeu que seria fisioterapeuta, mas depois esqueceu. Seria agora a possibilidade de José fazer o curso de fisioterapia? Talvez, mas os 45 pontos que ele obteve na prova do ENEM não lhe permitiam e, também, este era um curso integral e José teria que parar de trabalhar, receberia uma bolsa auxílio de 300 reais, o que não seria o suficiente para alimentar seus 4 irmãos e pagar os custos dos estudos.

Bem, já sem muitas escolhas, José optou por ciências sociais, ele não sabia muito bem o que era isso, mas pensar a sociedade poderia ser interessante. Só tinha mais um probleminha, a bolsa que o José conseguiu era de 75%. Pensou ele que tudo bem, afinal, ele nem sonhava em estar dentro da universidade e agora só precisaria pagar 25% do curso.

Estava tudo muito bem, o curso era até que bacana, mas José começou a ficar um pouco assustado com o custo dos livros e das xerox. Deixou de comprar alguns livros, poderia ler na biblioteca ou pegar emprestado com alguém. A passagem, também, não era barata, mas poderia voltar de trem e depois, andar da estação até sua casa, poderia ser legal, pois mesmo sendo longe ele iria relembrando as coisas que aprendeu na aula. Levava um lanche para almoçar já que saía do trabalho e ia direto para a faculdade. Até sentia um pouco de fome no fim do dia, mas não é que ele estava meio gordinho mesmo.

Problema mesmo foi quando as parcelas da faculdade começaram a acumular. No começo José deixou de pagar outras contas, um mês pagava água, no outro pagava a luz, e assim foi todo o seu primeiro semestre. José achou que poderia empurrar com a barriga até completar aquele curso de ciências sociais, só que a faculdade não o deixou fazer a rematrícula, afinal, agora ele era um... como que se diz, ha!, inadimplente.

Foi orientado pela faculdade para solicitar a bolsa do FIES (Programa Financiamento Estudantil). José viu mais uma possibilidade de se manter na universidade, suas dívidas dos meses anteriores seriam parceladas para serem pagas neste semestre e sua mensalidade seria paga só quando ele se formasse.
A mãe do José não gostou nada dessa idéia, já que ele vai deixar de dever agora para dever quando se formar, além do mais ele terá 6,5% de juros anuais e precisará pagar a dívida no primeiro ano, quando as parcelas são menores, porém muito provavelmente José ainda não terá se estabilizado financeiramente. Apesar disso, José não queria desistir agora, só precisaria arranjar um fiador, o que teve dificuldades, mas conseguiu com um tio meio distante.

Lembrou-se que na época da eleição o senhor presidente falou muito desse Prouni, ele e sua vizinha pensaram que seria mais fácil estudar agora e até votaram nele. Bem, fácil é, mas para os donos das faculdades. O que eles fariam com a vaga do José se o governo não pagasse para ele estudar? Escutou falar, na faculdade, que o número de vagas ociosas só crescia e que as faculdades que aceitaram o Prouni tinham a isenção de 4 impostos, algo entorno de 105,6 milhões de reais que vai para os donos dessas universidades todo ano. Ele nem tinha idéia de quanto dinheiro era isso, já que sua renda per capita familiar era inferior a um salário mínimo, mas sabia que era muito dinheiro.

José tinha um amigo que entrou no curso de letras/Chinês a noite em uma universidade pública, que relatou ter se frustrado com a mesma, já que as salas são super lotadas, a infra-estrutura é debilitada. Lembrou daquele número gigante de dinheiro público (impostos das pessoas), que vai para a iniciativa privada (benefício de um só indivíduo). "E se esse dinheiro fosse investido para melhorar a universidade pública e para a ampliação de vagas na mesma?" Indagou José, sem muitas conclusões.

Parque Dom Pedro, telefone, metas, estresse, dívidas, livros, notas baixas, fome, caminhadas, Parque Dom Pedro, telefone, metas... assim era a vida de José, até ele ser pego em seu trabalho, por um dos supervisores, questionando com seus amigos as precárias condições de trabalho que tinham ali, o quanto eram explorados e a necessidade de se contraporem aquilo.

Com todas essas dificuldades, José foi reprovado em três matérias, o que implicou na perda da sua bolsa de estudo. Agora, compondo o enorme índice de jovens desempregados e fazendo parte dos 15% de bolsistas do Prouni que não concluem os estudos, sentiu na pele a contradição.
Ao invés de uma universidade que produza conhecimento Para Todos e que acolhe à Todos, se viu diante uma universidade Para alguns e com alguns. Sem emprego, sem educação, sem dignidade, sem respeito.
E agora, José?
Mariana Cristina, estudante de psicologia na PUC-SP - 28 de fevereiro de 2007

UNIVERSIDADE PARA TODOS

Alunos não conseguem pagar crédito estudantil
Taxa do Fies caiu para 3,5% esse mês. No país, 22% dos beneficiados estão inadimplentes.
Mesmo com o anúncio da queda da taxa de juros do Programa de Financiamento Estudantil (FIES), para 3,5% ao ano, é preciso fazer bem os cálculos antes de recorrer à alternativa para pagar a universidade.

No país, 22% dos beneficiados com o Fies estão inadimplentes.
A farmacêutica Lavínia Magalhães recorreu ao programa e pegou seu diploma junto com uma dívida. "O valor inicial que eu devia, que foi emprestado [...] foi de R$ 14.000 e mesmo eu pagando em dia, naquele momento que eu procurei já estava em R$ 15.000", conta.

Aldira Magalhães, também farmacêutica, não teve mais condições de pagar a prestação de R$ 700. Ela faz parte de um movimento nacional que pede a revisão dos valores na Justiça. "Que eles recalculem a dívida e que eu possa pagar isso dentro do meu orçamento", disse.

Orientação

O programa cobre de 50% a 100% da faculdade, mas para a economista, Suely Chacon, quanto menos o aluno financiar, melhor. "Você tem que fazer o planejamento dentro de uma realidade que você percebe que é adequada para você. A sua renda familiar e a sua possibilidade de salário no início da carreira".

Isso porque o estudante começa a pagar o financiamento estudantil quando ainda está na universidade. A parcela é de, no máximo, R$ 50 a cada três meses. Esse valor é abatido da dívida, mas não é suficiente nem para abater os juros. Por isso, quando termina o curso, o estudante já está devendo bem mais do que pegou emprestado.

Por exemplo: em um contrato feito em 2006, com juros de 9% ao ano. Quem pediu emprestado R$ 18 mil reais, ao final do curso já devia R$ 21.800. Depois que a pessoa se forma, o prazo para quitar a dívida é duas vezes o tempo que ela utilizou o Fies, mais um ano. E, ao final, a dívida de R$ 18 mil vai ficar em quase R$ 34 mil.
G1

Pense no Haiti, reze pelo Haiti; O Haiti é aqui1


Salário mínimo reacende protestos no Haiti


Apesar da forte mobilização popular e dos operários, o congresso do Haiti derrubou o reajuste do salário mínimo para 200 gourdes diários (equivalente a 4,76 dólares diários, ou 8,78 reais). Mas a medida reacendeu os protestos no país e fez com que os trabalhadores entrassem em confronto direto com o governo de René Préval. Por duas semanas, operários da indústria têxtil e estudantes realizaram uma impressionante jornada de lutas pelo reajuste salarial.
Os trabalhadores receberam um amplo apoio dos universitários do país. Juntos, marcharam e enfrentaram uma enorme repressão da Minustah (missão militar da ONU dirigida pelo Exército Brasileiro) e da Polícia Nacional do Haiti (PNH). Infelizmente, há um verdadeiro boicote da mídia sobre o que está se passando no Haiti. Uma medida consciente que visa proteger a política do governo Lula de manter soldados brasileiros na ocupação militar do país.
Dessa forma, trabalhadores e jovens são mortos simplesmente porque lutam pelo aumento do salário mínimo mais baixo do continente.Explosão dos protestosAs manifestações explodiram no dia 3 de agosto no parque industrial da região metropolitana de Porto Príncipe, capital do país. Nos dias posteriores, a adesão foi aumentando cada vez mais. Todas as fábricas têxteis da região foram paralisadas e os manifestantes marcharam em direção ao congresso.
A cada dia o protesto se fortalecia. No dia 10, os operários se mobilizaram novamente no parque industrial, mas logo foram atacados pela PNH e a Minustah. Nesse dia, estudantes que estavam apoiando a mobilização e operários foram presos. As prisões indignaram ainda mais os trabalhadores. No dia seguinte, uma nova mobilização foi realizada para exigir a libertação imediata dos detidos. No entanto, o protesto foi novamente reprimido e, ao chegar à base da PNH, os manifestantes foram recebidos à bala pela polícia e a Minustah. Novas prisões foram realizadas.










A favor dos patrões
Em maio deste ano, os deputados votaram um reajuste elevando o salário mínimo de 70 gourdes (1,66 dólar) para 200 gourdes. Desde então, os trabalhadores e seus aliados foram para as ruas exigir a publicação da lei no diário oficial e seu cumprimento.
Durante um protesto pelo reajuste nos dias 10 e 11 de junho, estudantes e trabalhadores sofreram uma selvagem repressão por parte das tropas da ONU e da polícia. Soldados invadiram a universidade do país e executaram dois estudantes.
Apesar da mobilização, o presidente vetou o salário de 200 gourdes. Sem nenhuma vergonha, os deputados recuaram e, no dia 4 de agosto, negaram o reajuste que eles mesmos haviam aprovado em maio. Como se não bastasse, os deputados reduziram o aumento para 150 gourdes (3,57 dólares, ou 6,58 reais por dia).
Préval se utilizou de seu poder de "persuasão econômica" para "convencer" os deputados. Há inúmeras denúncias de compra de votos e corrupção para derrubar o salário de 200 gourdes.Por outro lado, o novo valor proposto pelos deputados foi apresentado como um meio termo, uma vez que o governo se recusava a dar um reajuste maior do que 125 gourdes.
Foi uma tentativa mal sucedida de impedir o confronto entre governo e trabalhadores. "O presidente Préval não fez mais que reproduzir textualmente o que os maiores donos da indústria têxtil lhe tinham ordenado: diminuir ainda mais um salário que não ajudava já em quase nada para uma família sobreviver.
E assim, em vez dos já miseráveis 200 gourdes, propôs 125", avalia a organização sindical popular Batay Ouvriye.
OPINIÃO SOCIALISTA

Pense no Haiti, reze pelo Haiti; O Haiti é aqui

Povo haitiano vive exploração econômica e repressão política




Depois de denunciarem ao Senado Federal o caráter repressor da Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti – Minustah (sigla derivada do francês: Mission des Nations Unies pour la stabilisation en Haïti), os haitianos Didier Dominique e Frantz Dupuche falaram ao InformANDES Online sobre a luta daquele povo por um novo salário mínimo, denunciando, mais uma vez, a utilização das missão da ONU como instrumento de repressão pela "burguesia têxtil".

Sobre a audiência pública realizada hoje (17/6) no Senado, na qual eles denunciaram os abusos cometidos pela Minustah e pediram a retirada imediata das tropas comandadas pelo Exército Brasileiro de seu país, o membro da Central Sindical e Popular Batay Ouvrier Didier Dominique afirmou: "é sempre útil falar com os parlamentares, porém, não sabemos o peso que pode ter essa comissão [Relações Exteriores e Defesa Nacional] dentro do parlamento, tampouco a proporção de senadores realmente progressistas".

Dominique afirma que a indústria têxtil do Haiti é a principal responsável pela "implantação de um projeto de extrema exploração dos trabalhadores, e as forças armadas da Minustah asseguram esse projeto de exploração". No início deste mês, várias manifestações de trabalhadores e estudantes haitianos foram violentamente reprimidas pela Minustah e pela polícia, o que resultou em mortes, dezenas de feridos e presos. Dominique conta que essas forças invadiram universidades e um hospital, onde causaram a morte de um recém-nascido e de um homem, além de intoxicarem dezenas de pacientes e seus acompanhantes com gás lacrimogêneo.

Os estudantes e trabalhadores foram às ruas cobrar a promulgação da lei aprovada em abril pelo Congresso Nacional do Haiti que reajusta o salário mínimo (congelado desde 2003) para cerca de US$ 4 (R$ 7,80) diários. O valor atual é de US$ 1,7 (R$ 2,30) diários. "O governo, influenciado pelas organizações patronais", conforme o ativista, se nega a implantar a lei, o que causou a reação da população mais empobrecida das Américas. As manifestações pelo Dia Internacional do Trabalhador (1º de maio) também foram violentamente reprimidas, segundo Dominique. Esses episódios foram narrados pela comissão da Conlutas, presente no país naqueles dias.

Dominique e Dupuche classificam os atos como "totalmente inaceitáveis". "Para manter a superexploração da mão de obra mais barata das Américas e uma das mais baratas do mundo, a classe patronal quer implantar essa paz de cemitério, como dizemos no Haiti", afirmam. Durante a audiência no Senado, os ativistas haitianos entregaram aos senadores dossiês e fotos que comprovam suas denúncias. "Eles disseram que vão pensar numa nova missão de parlamentares para comprovar nossas denúncias. Nós esperamos que isso aconteça", afirma Dominique.

Há alguns dias, o ministro das Relações Internacionais, Celso Amorim, afirmou à imprensa que a retirada das tropas brasileiras do Haiti não depende do país, mas da ONU. Sobre essa afirmação, Dominique pondera: "para nós, a ONU segue claramente as ordens norte-americanas. As principais mutilnacionais têxteis são norte-americanas e canadenses, como, por exemplo, Wrangler, Gildan, GAP, Nike etc., e vão ao Haiti explorar a mão de obra mediante gerentes haitianos, com aval do governo lacaio".

Para Dominique, há duas lógicas claras em oposição hoje no seu país: uma repressora e outra de resistência. "A Minustah optou por apoiar a lógica opressora, por isso a consideramos criminosa e exigimos sua saída o mais rápido possível". Os ativistas já estiveram na Argentina, um dos países que colaboram com a missão da ONU, onde denunciaram a violência contra o povo ao ministério das relações exteriores. "Também estivemos no Uruguai, mas o parlamento daquele país rechaçou nos receber".

A Minustah está no Haiti há cinco anos. Na entrevista, relatei a Dominique que os brasileiros tendem a ver as tropas brasileiras que compõem a Minustah como heróicas. Perguntei a ele se é difícil combater essa idéia romântica que a maioria de nós temos, ao que ele foi taxativo em afirmar que não. "Bastar ir ao Haiti para comprovar o que estamos denunciando, pois isso não acontece às escondidas e é freqüente".
Dominique afirma que no início da ocupação o povo haitiano amava as tropas brasileiras. "Eles chegaram junto com a seleção brasileira de futebol, que é muito amada pelo povo haitiano. Então, o povo foi para as ruas receber o presidente Lula e a seleção com um entusiasmo tremendo. Os atletas saíram do aeroporto a caminho do estádio [onde jogaram com o time haitiano] nos tanques militares da missão da ONU, o que é uma associação interessante. Naquele dia, o povo ainda não sabia da razão e da prática repressiva da Minustah. Agora, que essa razão está clara, o povo sente ódio pelos soldados da Minustah".

Audiência provocou no Senado uma discussão diferente da dominante sobre o papel da Minustah
Para o 1º vice-presidente do ANDES-SN, Antônio Lisboa, a audiência realizada no Senado teve um papel importante porque provocou a discussão de um ponto de vista totalmente diferente do da ONU e do governo brasileiro. Ele representou a Conlutas na audiência pública. "Acho que provocou uma certa sensibilização dentro da comissão de relações exteriores ao fazer os senadores perceberem a necessidade de uma nova missão parlamentar ao Haiti, na qual terão que ouvir os movimentos sociais organizados e seus pontos de vista diferentes do governo de René Préval."

Para Lisboa, a audiência também deixou claro que há um conjunto de organizações sociais no Brasil que têm desenvolvido uma relação solidária com os movimentos sociais do Haiti, e que contribuem para elevar o patamar da discussão sobre as contradições que estão postas pela atuação da Minustah. "O papel ao qual o Brasil tem se prestado é claramente imperialista, de fazer valer os interesses econômicos em detrimento dos interesses sociais. A situação de desestruturação e miséria que vivida pelo povo haitiano não será resolvida pela via da militarização. Essa repressão dificulta o desenvolvimento da democracia naquele país."

Para Lisboa, a audiência também gerou um novo desafio para os movimentos sociais brasileiros, que é o de dar continuidade à ação solidária com os movimentos sociais haitianos dos demais países da América Latina. "Há situações semelhantes de repressão vividas por populações de países como o Peru – onde houve uma matança de trabalhadores indígenas que protestavam contra a privatização da Amazônia peruana, o Equador e o Uruguai, por exemplo."

Antônio Lisboa ainda pondera sobre a participação do ANDES-SN nessa relação solidária com o povo haitiano: "acho que isso enriquece não só o entendimento que o movimento docente passa a ter sobre a situação do Haiti, mas também fortalece o papel que o ANDES-SN tem desenvolvido na reorganização dos trabalhadores, o que é bom para a Conlutas e para o próprio Sindicato Nacional".

Indústrias brasileiras também exploram a mão de obra haitiana

Em agosto do ano passado, o jornal Valor Econômico trazia uma notícia sobre o interesse da indústria brasileira no Haiti. Segundo o jornal "duas gigantes" estavam prestes a se instalar no país: a Coteminas, que pretendia utilizar o Haiti como plataforma de exportação de confecção para os Estados Unidos, e a OAS, que havia vencido uma licitação para pavimentar uma rodovia.
A reportagem afirmava que os benefícios de uma fábrica da Coteminas para um país pobre como o Haiti são óbvios. "Cerca de 80% da população está desempregada. O governo brasileiro também sai ganhando.
A saída das forças de paz está relacionada à segurança e ao desenvolvimento econômico", avaliou o embaixador do Brasil no Haiti, Igor Kipman.
A vantagens estipuladas pelo jornal para a exploração econômica do Haiti são a proximidade e o acesso diferenciado ao maior mercado do mundo, os Estados Unidos, e a mão-de-obra barata.
"Uma costureira, na capital Porto Príncipe, recebe US$ 0,50 por hora. É uma remuneração inferior aos US$ 3,27 pagos no Brasil e muito abaixo dos US$ 16,92 dos EUA, conforme a consultoria Werner. O valor é inferior até aos US$ 0,85 pagos no litoral da China e perde apenas para os US$ 0,46 do Vietnã e os US$ 0,28 de Bangladesh".
InformANDES

quarta-feira, setembro 02, 2009

Argentina despenaliza a posse de maconha



O Supremo Tribunal da Argentina despenalizou a posse de marijuana "para uso pessoal e sem risco de terceiros". Por unanimidade, os sete juízes do Supremo argentino entenderam que é uma questão de privacidade e que não pode ser punida. Ainda assim, o Tribunal sublinhou que a decisão não é um incentivo ao uso de drogas e pediu ao Governo que trabalhe no sentido de implementar medidas preventivas. "Pedimos a todos os poderes públicos que garantam uma política de Estado contra o tráfico ilícito de drogas e que se adoptem medidas de saúde preventivas, com informação e educação que desestimulem o consumo", dizia o acórdão. A decisão foi tomada na sequência do caso de cinco jovens que foram presos em 2006, com pequenas quantidades de marijuana para consumo próprio. A lei atual prevê que, em casos semelhantes, o arguido cumpra até dois anos de cadeia. Agora, os juízes do Supremo argentino vêm considerar inconstitucional a punição do consumo de marijuana em locais privados. Os juízes argumentaram que a perseguição penal aos utilizadores de drogas não serviu para combater o tráfico, antes o dificultou. Para dois dos juízes desperdiçaram-se recursos judiciais e policiais durante vários anos na perseguição a pequenos consumidores. "Só um em cada dez processos iniciados por infracção à lei dos estupefacientes estava relacionado com tráfico", escreveram dois dos juízes nas suas declarações. Os juízes advertem ainda para o perigo de "estigmatizar" o consumidor, o que dificulta a sua recuperação ou deixa-o sem saída. Fracassa o tratamento e volta a ser o castigo prisional a resposta, resposta que "não protege a saúde".
Por Esquerdda.net

DAS JANELAS, NOITES E LUAS


O Luar (A gente precisa ver o luar)
música e letra: Gilberto Gil1980
O luar
Do luar não há mais nada a dizer
A não ser
Que a gente precisa ver o luar
Que a gente precisa ver para crer
Diz o dito popular
Uma vez que é feito só para ser visto
Se a gente não vê, não há
Se a noite inventa a escuridão
A luz inventa o luar
O olho da vida inventa a visão
Doce clarão sobre o mar
Já que existe lua
Vai-se para rua ver
Crer e testemunhar
O luar
Do luar só interessa saber
Onde está
Que a gente precisa ver o luar

Hip Hop Militante Organiza Ato Nacional em solidariedade ao Haiti no Maranhão



A desastrosa aparição do rapper MV Bill no programa do Faustão da Rede Globo defendendo a ocupação militar no Haiti abriu um grande debate no interior do Hip Hop brasileiro. Muitas organizações e grupos de hip hop (break, rap e grafite) questionaram a veracidade dos depoimentos do referido rapper.
Entre essas organizações destaca-se o Movimento Hip Hop Militante "Quilombo Brasil" que no período de 25 de agosto a 07 de setembro estará realizando um conjunto de atividades políticas e culturais em solidariedade a brava resistência do povo haitiano contra a ocupação das tropas da ONU liderada pelo Brasil.
Esses eventos pretendem ser um marco político no Hip Hop brasileiro que pela primeira vez em sua história consegue articular um ato nacional junto à juventude das periferias do Brasil com um caráter de solidariedade internacionalista. Muitas organizações políticas do nosso país estão apoiando e se empenhando na construção dessas atividades que vai desde show´s de Hip Hop até exibição de vídeos que mostra os reais interesses da ocupação semi-imperialista no Haiti.
NO MARANHÃO A ATO-SHOW ACONTECERÁ NO Quilombo Cultural Lagoa Amarela na próxima sexta-feira, dia 04, CONTAMOS COM A SUA PRESENÇA
DATA: 04 de setembro (sexta-feira)
LOCAL: Praça Quilombo Cultural Lagoa Amarela (Praia Grande)
VÍDEOS QUE SERÃO EXIBIDOS E COMENTADOS: "FORA AS TROPAS DO HAITI" E "O QUE SE PASSA NO HAITI"
APRESENTAÇÃO CULTURAL: Q.I. Engatilhado, Gíria Vermelha, Contravenção Penal, P.R.C., Raio X Nordeste, Dialeto Preto, Renegados do Sistema, Grafite ao Vivo, Rodas de Break, e outras atrações.
INICIO: 19:00h.
ARTICULAÇÃO: Quilombo Urbano, MHM Quilombo Brasil, CONLUTAS, ANEL, APRUMA.



FORAS AS TROPAS DA ONU DO HAITI!!!

Brasileiro aprova cota universitária para pobres



Pesquisa de opinião realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) mostra que 75% dos brasileiros preferem que as cotas nas universidades federais sejam destinadas a alunos pobres que estudaram em escolas públicas, contra 11% que preferem a cota racial. Apenas 9% são contrários a qualquer tipo de reserva de vagas. A pesquisa foi contratada pelo DEM, que pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão das cotas raciais na Universidade de Brasília. Foram entrevistadas mil pessoas, por telefone, em todas as regiões do país.
De acordo com a enquete, as cotas sociais, destinadas a alunos pobres que concluíram o ensino médio na rede pública, contam com o apoio de 84% da população. Quando os entrevistados foram indagados se apoiam apenas as cotas raciais para negros, pardos e índios, o percentual de aprovação foi menor: 53% dos entrevistados defenderam a proposta. Já 44% se disseram contrários às cotas raciais, e 4% não souberam ou não quiseram opinar.
A polêmica sobre as cotas está em debate no Senado. De um lado, o governo defende a reserva de vagas de acordo com critérios raciais e sociais. Do outro, a oposição apoia a reserva de vagas de acordo com critérios sociais, apenas, e rejeita a distinção dos estudantes pela cor da pele.

Relatora vê apoio ao sistema de cotas na consulta

Relatora do projeto sobre as cotas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) afirmou que o resultado da pesquisa do Ipespe confirma o apoio da maioria da população brasileira à políticas de reserva de vagas.
- Fico feliz e animada com os números da enquete. Isso mostra que os brasileiros estão compreendendo cada vez mais que as cotas são importantes - afirmou.
A petista também disse que o resultado vai ao encontro do seu relatório, que prevê a reserva de 50% das vagas nas universidades federais para alunos de escolas públicas, e cria subcotas de acordo com critérios raciais e sociais, com diferenças entre os estados do país de acordo com critérios do IBGE.
- Meu relatório combina as duas propostas. Sempre recebi críticas por apoiar as cotas raciais, mas essa pesquisa mostra que elas também têm apoio da maioria - disse Serys.
A cúpula do DEM é contrária às cotas raciais e afirma que a medida pode incentivar o racismo no país. O presidente da CCJ, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), apresentou substitutivo que limita a distribuição do benefício a estudantes pobres, sem distinção de raça. Ele também interpretou a pesquisa como uma manifestação de apoio à sua proposta.
- A população prefere atender a quem é pobre, independentemente da cor da pele. Raças não existem. A criação de cotas raciais pode gerar um sentimento de ódio e divisão na sociedade brasileira - disse Demóstenes.
O presidente da CCJ também afirmou que a criação de cotas raciais pode gerar injustiças na divisão de vagas nas universidades públicas.
- Existem famílias negras ricas. Os filhos dessas famílias, que puderam estudar em boas escolas, também terão direito às cotas? Eu entendo que não devem ter - disse o senador.
De acordo com a pesquisa do Ipespe, 84% dos entrevistados não tomaram conhecimento da ação do DEM para tentar barrar as cotas da UnB no Supremo Tribunal Federal. Após serem informados sobre o teor da proposta, 54% disseram apoiá-la.
A enquete também ouviu os entrevistados sobre o governo Lula. A administração foi considerada ótima ou boa por 64%, contra 27% de regular e 7% de ruim ou péssimo. O Ipespe é coordenado pelo cientista político Antonio Lavareda, que presta consultoria ao DEM.
O Globo

Votação do Estatuto da Igualdade Racial divide movimento negro


O governo federal espera que a comissão especial da Câmara conclua a votação do substitutivo ao Projeto de Lei nº 6.264 de 2005, que cria o Estatuto da Igualdade Racial. O parecer do relator, deputado Antônio Roberto (PV-MG), foi lido em 13 de maio, mas a votação não foi concluída. Sete deputados estão inscritos para discursar antes da deliberação.
Para o ministro-chefe da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Edson Santos, o projeto será votado:
- Já tem ambiente propício, as posições já estão consolidadas, não tem por que adiar muito.
O ministro acredita que até parlamentares da oposição poderão votar com o governo, mas reconhece que o projeto poderá ainda ter um longo percurso até a aprovação final.
Como a proposta original, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), foi alterada pela Câmara, o projeto deverá voltar ao Senado para nova apreciação. Após a tramitação na comissão especial, os deputados poderão requerer que o substitutivo seja apreciado no plenário da Casa. O prazo é de cinco sessões legislativas e o pedido deve ser assinado por pelo menos 53 deputados.
- Trata-se de uma inovação, um novo formato de política pública - destaca o ministro Edson Santos, reconhecendo a polêmica da discussão e a possibilidade de lentidão na aprovação do Estatuto da Igualdade Racial.
- A conjuntura é de ataque conservador contra as políticas afirmativas - ressalta Alexandre Ciconello, assessor de direitos humanos do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), ao citar ação do Democratas (DEM) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a política de cotas da Universidade de Brasília (UnB).

Entidades do movimento negro, no entanto, criticam o projeto que será votado na comissão especial. O Movimento Negro Unificado (MNU) avalia que o substitutivo não contempla fontes de financiamento das políticas definidas no próprio estatuto; não regulamenta a ocupação da terra por comunidades remanescentes de quilombos; e não obriga a adoção das políticas, mas apenas autoriza a adoção.

- Queremos uma lei que mude as condições de vida da população negra - assinala a coordenadora nacional do MNU, Vanda Gomes Pinedo.

Para ela, "melhor seria não mexer no projeto que chegou do Senado" e, com o substitutivo, "o governo fragiliza a lei". Apesar das críticas, Vanda ressalta que a demora da tramitação não se deve à oposição do MNU ou de qualquer outra entidade do movimento negro.

O relator do projeto, deputado Antônio Roberto (PV-MG), defende o substitutivo afirmando que o projeto original tinha problemas de redação e até de inconstitucionalidade. Segundo ele, a Constituição Federal "prevê claramente" o reconhecimento da propriedade das terras pelos quilombolas e não é preciso uma lei ordinária para regulamentá-la.

O parlamentar reconhece "certo recuo" na definição de um fundo de financiamento. Segundo ele, venceu o argumento de que "seria mais fácil" a tramitação do projeto de lei se todos os custos das políticas e programas estivessem nas diversas áreas do orçamento.

- O substitutivo é um marco simbólico. É um começo - diz o relator, ao acrescentar que apresentará projetos detalhando políticas previstas no Estatuto da Igualdade Racial.

Outras entidades do movimento negro são favoráveis ao relatório do deputado. Flávio Jorge, da Soweto Organização Negra (filiada à Coordenação Nacional de Entidades Negras), avalia que a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, assim como a Lei de Cotas, será um marco importante, mas "a eficácia e a implementação dessas leis vão depender sempre da pressão do movimento social".
Agência Brasil