Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!

quarta-feira, abril 06, 2011

Movimentos fazem marcha contra agrotóxicos e novo Código Florestal




A “Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida” será lançada por movimentos de trabalhadores rurais e ambientalistas no Dia Mundial da Saúde, nesta quinta-feira.

De acordo com a coordenadora do MST, Paola Pereira, haverá atos de lançamento nas principais capitais do Brasil. Em Brasília, uma marcha passará pelo Ministério da Saúde, da Agricultura e pelo Congresso Nacional com intuito de fazer dos agrotóxicos um debate público.

“A gente acredita que é importante fazer esse debate com a sociedade porque esse modelo de agricultura que está hoje implementado no Brasil, do agronegócio, tornou o país, desde 2009, em campeão mundial do uso de agrotóxico. Isso é perigoso para a saúde. Afeta os produtores que manejam inadequadamente o agrotóxico e os consumidores da cidade que acabam comprando produtos com um nível elevado de veneno. Por isso vamos fazer o lançamento no dia 7”, afirma.

De acordo com Paola, o Brasil consumiu cerca de 1 bilhão de litros de agrotóxicos em 2009 – uma média de 5 litros por pessoa.

A coordenadora do MST ressaltou que a marcha também protestará contra o projeto do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) de alteração do Código Florestal. “Nossa campanha defende um novo modelo agrícola, sem agrotóxico e que também viabilize o desmatamento zero. O projeto deste deputado é um desastre”.

Na mesma quinta-feira, na Câmara dos Deputados, a Comissão de Seguridade Social e Família promoverá uma audiência pública sobre agrotóxicos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Fórum Nacional de Agrotóxicos, o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) estão convidadas para expor sobre o tema.

Além do MST, a “Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida” reúne entidades como o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf), Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Instituto Socioambiental (ISA), Greenpeace, SOS Mata Atlântica, Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC).

FONTE: MST

OEA intima Brasil a se manifestar sobre licença de usina de Belo Monte

Comunicação solicita informações sobre licenciamento considerado ilegal e ausência de consultas às comunidades afetadas pelo empreendimento. Governo tem dez dias para responder


A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) enviou ontem uma intimação solicitando informações ao governo brasileiro sobre o licenciamento da hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira (PA), e a ausência de consultas aos povos indígenas afetados pelo projeto.

O questionamento responde a um pedido de medida cautelar encaminhado à CIDH, em novembro de 2010, pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre e 40 organizações de defesa das populações indígenas e tradicionais da bacia do Xingu, entre elas o ISA.

No questionamento, a CIDH exige que o governo envie à sua secretaria, no prazo de dez dias, contados a partir do recebimento da comunicação, informações sobre o estado atual da ação civil pública interposta pelo Ministério Publico Federal em que ele solicita a suspensão imediata da licença parcial; a alegação dos solicitantes de que a licença outorgada não teria base legal (e as normas nas quais se fundamenta o outorgamento da licença); e os procedimentos de consulta prévia, livre e informada realizados com os povos indígenas que seriam afetados pelo empreendimento.

A assessoria da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República confirmou o recebimento da intimação. Mesmo que ainda não haja nenhuma decisão preliminar da CIDH sobre o caso, a partir de agora o governo brasileiro tem uma data-limite para manifestar-se. O prazo pode ser prorrogado a partir de um pedido do governo.

O pedido já antevia uma licença de instalação parcial e ilegal para as obras da usina, concedida no dia 26 de janeiro pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) à empresa Norte Energia. A solicitação exige que a União seja obrigada a suspender o processo de licenciamento ambiental referente a Belo Monte; interrompa qualquer intervenção, atividade ou procedimento por parte do governo ou terceiros para a construção da usina; e respeite os direitos humanos das pessoas e comunidades afetadas pelo projeto.

“Quando assina um tratado internacional, o Brasil obriga-se a cumprir as determinações do mesmo. Ele assinou a Convenção Interamericana de Direitos Humanos, que reconhece a CIDH como legítima para analisar estes casos”, afirma a advogada Roberta Amanajás, da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH). Ela explica que a soliciatação de informações ao Brasil servirá como base para que a CIDH avalie o deferimento do pedido de medida cautelar. Se isso ocorrer, o País, em tese, será obrigado a acatar as recomendações da OEA.

“A rápida resposta da CIDH é um alento num contexto em que o Judiciário está fechando os olhos às várias ilegalidades desse processo”, afirma Raul do Valle, coordenador adjunto do Programa de Política e Direito Socioambiental (PPDS) do ISA.

FONTE:assessoria do Movimento Xingu Vivo para Sempre

segunda-feira, abril 04, 2011

Para dirigente do PT, gestão Luiza tem erros gravíssimos











Passados 100 dias desde a posse, começam a surgir no seu próprio Partido – o PT - críticas à ministra chefe da SEPPIR, a socióloga Luiza Bairros, e dirigentes passaram a deixar a cautela de lado e a vocalizar em público o descontentamento com o espaço da agenda da igualdade racial no Governo da Presidente Dilma Rousseff.

O Secretário Estadual de Combate ao Racismo do PT de S. Paulo e membro do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) Cláudio Silva, o Claudinho , disse, em entrevista à Afropress, que a nova ministra “embora, tenha acertos do ponto de vista técnico, do ponto de vista político tem muitos erros e erros gravíssimos”.

Afropress apurou que setores do PT ainda não digeriram a forma como a nova ministra substituiu dirigentes das gestões anteriores, passando a impressão, nas palavras de um dirigente, de que “nada foi feito antes e ignorando o trabalho dos seus antecessores, responsáveis pela consolidação da SEPPIR como órgão de Governo".

“Não percebo na atual gestão preocupação em dialogar a pauta das políticas públicas de igualdade racial, nem com o movimento, nem com o Partido. E isso também me preocupa muito. O Partido é um Partido que tem uma vida, uma dinâmica muito forte. Do ponto de vista político não tem acerto não”, afirmou Claudinho.

Ele citou como exemplo do que classifica como “erros gravíssimos” a ausência de pauta do Conselho Nacional de Igualdade Racial, órgão de assessoria da ministra integrado por representantes de entidades do movimento social, apesar da existência de temas relevantes para serem discutidos, e o fato de o aniversário de oito anos da SEPPIR ter sido feito no subsolo da Esplanada dos Ministérios, em um espaço em que não cabiam os convidados.

“Isso demonstra que, nem por parte da SEPPIR, nem por parte do Governo está havendo uma priorização, uma valorização dessa agenda que está colocada pela sociedade negra brasileira”, acrescentou.

Frustante

O dirigente do PT paulista disse que a posição da ministra na polêmica provocada pelas declarações do deputado fluminense Jair Bolsonaro, ao limitar-se a chamar de “racismo explícito” as manifestações do deputado carioca, considerado porta-voz da extrema direita militar, foi “frustrante”.

“Uma pessoa que está em um espaço de gestão como o dela, ficar na simplicidade de dizer que as declarações são racismo explícito... É uma fala muito vazia para quem está na posição que ela está e ocupa o espaço que ela ocupa”, frisou.

Acrescentando que o descontentamento com os erros na gestão da SEPPIR ser um sentimento “praticamente generalizado por todo o país”, Claudinho defendeu a convocação de uma Conferência Extraordinária e um realinhamento da postura do Governo em relação a pauta da igualdade racial.

“Dá para perceber que a presidente está bastante sensibilizada com a agenda de gênero, porém, com relação a agenda da igualdade racial, agente percebe um esvaziamento, um distanciamento do governo dessa pauta, dessa agenda efetiva na sociedade. Não consigo perceber hoje no Governo, a importância que foi dada, por exemplo, para essa agenda no Governo do presidente Lula”, enfatizou.

Veja, na íntegra, a entrevista concedida pelo dirigente petista ao editor de Afropress, jornalista Dojival Vieira.

Afropress - Como é que você está vendo a reação e as posições da ministra Luiza Bairros, da SEPPIR, nesse episódio da polêmica causada pelas declarações racistas do deputado Bolsonaro na semana que passou?

Cláudinho – Esse posicionamento dela de dizer que as declarações são racismo explícito, é um posicionamento em que fica caracterizada a fraqueza. Uma pessoa que está em um espaço de gestão como o dela, ficar na simplicidade de dizer que as declarações são racismo explícito. É uma fala muito vazia para quem está na posição que ela está, e ocupa o espaço que ela ocupa.

Afropress - Como está vendo o tema da igualdade racial, na agenda da Presidente Dilma?

Claudinho - Neste início de Governo estou vendo isso com grande preocupação. Por duas razões. Primeiro dá para perceber que a Presidente está bastante sensibilizada com a agenda de gênero, a agenda de gênero tornou-se uma pauta bastante valorizada no interior do governo, inclusive, construída a partir da intervenção da Presidente. Porém, com relação a agenda da igualdade racial, agente percebe um esvaziamento, um distanciamento do Governo dessa pauta, dessa agenda efetiva na sociedade.

Não consigo perceber hoje no Governo a importância que foi dada, por exemplo, para essa agenda no Governo do Presidente Lula.

Afropress - Isso se refletiu, por exemplo, na agenda do Presidente Obama, na sua visita recente ao Brasil?

Claudinho – A agenda do Presidente Obama confirma isso que estou dizendo. Primeiro presidente negro americano, que se construiu como liderança política mundial a partir do fato de ser negro, ter vindo ao país, um país que está ebulindo (sic) na agenda racial, porque a agenda racial no Brasil nos 8 anos, só ganhou proporção, só ganhou em tamanho, foram feitas duas conferências, Plano Nacional, aprovado o Estatuto da Igualdade Racial, a agenda está colocada na sociedade brasileira, na pauta política nacional.

E o fato do Obama não ter se reunido com o movimento negro, não ter tratado da agenda da igualdade racial é muito preocupante. Isso confirma o que estou dizendo: que há um esvaziamento de igualdade racial no início desse Governo. E nós estamos já propondo alguns debates para tentar contornar isso, ou retomar a sensibilização do Governo para a nossa pauta.

Afropress - O que está havendo com a SEPPIR, a atual gestão está atenta a isso ou está omissa em relação a esse debate?

Claudinho - Eu acho que a atual gestão ganha do ponto técnico e de qualidade gestora. Agente tem que reconhecer isso. Mas não percebo na atual gestão preocupação em dialogar a pauta das política públicas de igualdade racial, nem com o movimento, nem com o Partido. E isso também me preocupa muito. O Partido é um Partido que tem uma vida, uma dinâmica muito forte.

Eu considero que a gestão, de certa forma, do ponto de vista técnico, tem acertos, os quadros que estão sendo colocados são assertivos, por um certo olhar, mas do ponto de vista político não tem acerto não. Tem muitos erros e erros gravíssimos.

Afropress - Esse sentimento é o sentimento que está perpassando toda a base, toda a militância negra, do PT, especialmente, e outros partidos da base do Governo?

Claudinho - Eu acho que sim. Esse é o sentimento geral. É o sentimento que praticamente está generalizado por todo o país. E isso vai fazer, com certeza, com que o movimento se mobilize, se organize para poder pautar a Presidente Dilma no sentido de realinhar a postura do Governo com relação a pauta da igualdade racial.

Afropress - Que erros gravíssimos você apontaria nesse início de Governo em relação a esse tema?

Claudinho - Primeiro grande erro: há alguns dias houve reunião do Conselho Nacional da Igualdade Racial, o Conselho Nacional de Igualdade Racial se reuniu sem pauta e tem pauta colocada no Conselho. O Conselho Nacional de Igualdade Racial tem uma pauta muito extensa para poder debater, uma pauta muito grande. Tem as questões do Pré-sal, tem a regulamentação do Estatuto da Igualdade Racial, tem as discussões relativas a questão da preparação da população negra para receber os dois grandes eventos mundiais que vão acontecer no Brasil, que são a Copa e as Olimpíadas, está pautada no Conselho Nacional da Igualdade Racial. Teve uma reunião e não teve pauta.

Quer outro erro político importantíssimo, que eu acho que a agente tem de pensar? O aniversário de oito anos da SEPPIR foi feito no subsolo da Esplanada dos Ministérios. Todos os anos esses aniversários foram feitos ou no Salão Negro do Ministério da Justiça, ou no Palácio do Planalto. Esse ano foi feito no subsolo da Espalanda dos Ministérios, num espaço que não cabia o número de convidados. Isso demonstra que, nem por parte da SEPPIR, nem por parte do Governo, está havendo uma priorização, uma valorização dessa agenda que está colocada pela sociedade negra brasileira.

Afropress - Você mencionava a necessidade de uma Conferência Extraordinária. Você acha que isso seria importante para se promover uma repactuação dessa relação do movimento social negro com as esferas do Estado – no caso a Seppir – e, portanto, redefinir, recolocar esse tema na agenda?

Claudinho - Eu indicaria a ministra Luiza Bairros um diálogo com a Presidente Dilma, para convocar este ano ainda, porque esse ano é um ano propício para isso, tem agenda política colocada prá isso, uma Conferência Extraordinária de Promoção da Igualdade Racial para repactuar com o movimento social a agenda da igualdade racial, para discutir e mobilizar o movimento social para as agendas que estão colocadas que são importantíssimas.

Esse ano, por exemplo, no STF tem duas agendas nossas que vão ser julgadas pelo STF: a ADIN dos Quilombos – a ADIN contra o decreto 4887 e a ADIN contra a política de cotas. O Movimento precisa está organizado e mobilizado para intervir nisso. E se agente chama uma Conferência agente consegue organizar o movimento no país inteiro, mobilizar o movimento no país inteiro para poder discutir esses temas.

Outro tema importantíssimo que está colocado é a reforma política. Não se vê participação de negros na discussão da reforma política. As comissões que foram constituídas, tanto no Senado quanto na Câmara Federal, tem uma ínfima participação de deputados negros, que nós temos uma bancada muito pequena.

Por exemplo: só conseguir identificar o Luiz Alberto [deputado federal do PT da Bahia] como membro titular da Comissão na Câmara, e o Vicente Cândido [deputado federal do PT de S. Paulo], como membro suplente. No senado, não tem um negro. O Paulo Paim não está na comissão e não há nenhum outro negro ou negra na Comissão do Senado.

Então isso, dificulta a nossa intervenção, isso dificulta o nosso olhar sobre a reforma política e nós precisamos produzir para poder integrar a reforma política. Uma Conferência daria conta disso.

Outra coisa que está colocada e que acho importante para agente dá conta é a questão da regulamentação do Estatuto da Igualdade Racial. No pé que anda nós vamos demorar 10 anos para regulamentar o Estatuto todo. E o Estuto é uma necessidade premente. Tramitou quase 20 anos no Congresso Nacional. Não dá prá esperar mais. Além do que nós precisamos avançar na reglamentação do Estatuto, prá agente também poder avançar nas conquistas. Esse Estatuto que está aí não nos contempla, nós precisamos fazer emendas a esse Estatuto, então precisamos dar esse próximo passo prá poder partir para o passo seguinte que é fazer emendas e ampliar as conquistas do Estatuto.
FONTE: AFROPRESS

Mais de 80 mil trabalhadores de grandes obras já entraram em greve este ano





Um balanço parcial divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que pelo menos 82 mil trabalhadores da construção civil participaram de greves este ano. A maior parte deles atua nas grandes obras de infraestrutura consideradas prioritárias pelo governo federal.

Segundo o coordenador de Relações Sindicais do Dieese, José Silvestre, a movimentação expressiva está relacionada ao porte e quantidade de empreendimentos em andamento. “Você tem muitas obras com calendário mais acelerado.”

Esse regime de urgência aumenta, na avaliação de Silvestre, a pressão sobre os trabalhadores. Com isso, os operários acabam se revoltando com as condições historicamente precárias do setor. “Tem uma linha comum que são as reivindicações. Elas são muito focadas nas condições de trabalho, no piso salarial, nos benefícios e nas condições dos alojamentos.”

Silvestre destacou também o papel das novas mídias que aceleram o fluxo de informações e fazem com que um movimento grevista inspire outros em situações semelhantes. “A internet, com a informação quase em tempo real, fez com que a notícia se espalhasse pelos quatro cantos do Brasil. E isso facilitou a mobilização.”

Apesar das semelhanças entre os movimentos, o coordenador do Dieese ressalta que uma característica particular dessas greves é a ausência de uma liderança forte ou ligação com sindicatos de expressão nacional. “Isso traz uma certa dificuldade nas negociações.”

Ele espera, no entanto, que a atenção conseguida com as graves acordos que melhorem as condições de trabalho nessas obras. “São investimentos públicos, tem que ter condições mínimas de trabalho.”

Silvestre afirmou que a situação só chegou a esse ponto devido à “fiscalização frágil” despendida pelo Poder Público para cuidar da questão.

Após aprovarem uma proposta de acordo, parte dos operários que estão construindo a Usina Hidrelétrica Santo Antônio, no Rio Madeira (RO), voltaram hoje (4) ao trabalho, após duas semanas de paralisação.

FONTE: AGÊNCIA BRASIL

Embrapa dá curso de produção de alimentos para africanos



Teve início hoje (4) a segunda edição do Diálogo Brasil-África, programa lançado em março do ano passado para promover a integração brasileira com os países africanos. O encontro tem como objetivo a capacitação de 49 técnicos em agricultura vindos de 28 países africanos. O curso é promovido pela Embrapa Estudos e Capacitação, vinculada a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Criada em 2010, a Embrapa Estudos e Capacitação é a responsável pelos cursos de capacitação em agricultura tropical e pela elaboração de estudos técnicos estratégicos na Embrapa. Nessa segunda edição que vai até o dia 15 de abril, os representantes africanos receberão 80 horas de capacitação em dois módulos, Agricultura: Motor do Desenvolvimento Econômico e Social e O Homem (produtor e trabalhador rural), a Terra, a Organização Política e Social, a Pesquisa e a Tecnologia e o Capital Financeiro.

Todos os técnicos africanos são vinculados em seus países de origem a ministérios de Agricultura e de Desenvolvimento Rural. Além disso, os técnicos fazem parte de Centros de Pesquisa Agrícola, Investigação Agrária, Institutos de Extensão Rural e Universidades atuando como pesquisadores, especialistas, coordenadores e supervisores.

Participam do curso técnicos dos seguintes países: Argélia, África do Sul, Angola, Benin, Botsuana, Burkina Faso, Cabo Verde, Camarões, Costa do Marfim, Egito, Eritréia, Gabão, Gana, Guiné Bissau, Mali, Marrocos, Mauritânia, Moçambique, Namíbia, Níger, São Tomé e Príncipe, Senegal, Sudão, República Democrática do Congo, Tanzânia, Tunísia, Yganda e Zimbábue.

No primeiro dia de palestras, o pesquisador da Embrapa, Zander Navarro, mostrou uma visão panorâmica da agricultura brasileira, especialmente da agricultura familiar. Além da Sede da Embrapa em Brasília, o Diálogo Brasil-África ocorre em Sete Lagoas (MG) e Londrina (PR), com capacitação da Embrapa Milho e Sorgo e Embrapa Soja, respectivamente.

O que é isso, governador?!






A enchente de junho de 2010, em Murici, município alagoano, destruiu o cartório, o posto de saúde, escolas, lojas do comércio, o matadouro, os fundos da Igreja católica, da casa paroquial e várias casas da parte baixa do município, que ficam às margens do rio Mundaú.

Murici já fez parte da antiga Vila dos Macacos e hoje é um município povoado pelo descaso com as gentes que tiveram o presente engolido pela águas.
A convite do presidente, da Comissão Especial das Enchentes, deputado estadual, João Henrique Caldas, sábado, 02 de abril, visitamos, juntamente com uma comitiva de 07 pessoas, dentre elas uma cubana-norte-americana, as ruas descalças e ainda sem perspectivas do “acampamento” dos desalojados, em Murici.

Governador, eu vi!

Vi a cara feia da miséria abarcando, com braços sedentos, os desabrigados das últimas enchentes, na cidade de Murici, no estado de Alagoas.

Vi o desprezo da máquina alagoana com as tantas e muitas gentes: mulheres, homens e crianças, a grande maioria de pele preta e parda, que, hoje, vivem como Deus quer.
Conversamos com Alisson, menino de riso preso e uma desconfiança eterna por trás dos poucos oito anos de idade.

Com a simplicidade da infância atingida pelo tsunami do descaso institucional, Alisson afirmou que não gosta dali porque é “muito quente”.

O que Vossa Excelência estava fazendo, no sábado, 02 de abril às 15 h30?

Nas cinzas e asfixiantes barracas da Defesa Social, no município de Murici, o povo inventava uma forma de fazer nada, driblando uma onda de mormaço causticante abraçado pelo fedentina dos sanitários sujos de pobreza.

Jovens, adolescentes, meninas e meninos, como os filhos e filhas da gente, estavam por ali, construindo os caminhos do ócio.

O ócio é uma vacuidade, o pior inimigo das drogas, do crime e tantas coisas mais.
Ah! Se o estado político já tivesse realizado uma pequeníssima cota que fosse, do papel a ele atribuído, já teríamos avançado tanto!

Vi meninos nus, com o corpo pintado de sujeira, soltos nos galpões improvisados ( rezando a Deus que não desabem) com os órgãos genitais expostos ao bel prazer de adultos, menos desavisados.

As mães estavam nas barracas cuidando de outra penca de meninos e meninas de barriga grande e nariz escorrendo, envolta numa letargia de desesperança.

Dona Maria das Graças nos mostrou a barraca que mora com seu “veio”. O brilho das panelas arriadas de D. Graça não combina com a tristeza do lugar.

Vi, Excelência, um bebê de sete meses, uma das muitas crianças nascidas pós-enchente ,tão desnutrido com olhos enormes, como metástase da miséria e degradação humana.

A mãe, com o esquálido filho nos braços, apresentava o mesmo aspecto de desnutrição. Do outro lado avizinhado aos improvisados banheiros um pequeno , sentado no chão, engolia uma quentinha de macarrão com mãos sujas.

Vi Excelência que o dia-a-dia da população sobrevivente das enchentes empilhada em barracas, insuportavelmente quentes da Defesa Social traz parecença com o escravismo brasileiro.
Ainda somos escravizados, Excelência?

As cozinhas emergenciais (emergenciais?) dez meses após as enchentes, ainda, estão sendo construídas e segundo os mestres da obra, ainda, leva mais um mês para serem entregues.

Diante desse quadro constatado in loco, eu preciso entender Excelência: Porque o governo faz inauguração das cozinhas emergenciais dez meses após as enchentes?.

Emergência não é coisa para ontem, Excelência?

O povo de Alagoas, Excelência, pede socorro faz um bom par de tempo.

Até quando faremos ouvidos de mercador?
FONTE:cada minuto / Arísia Barros

sexta-feira, abril 01, 2011

A mídia e o golpe militar de 64





Nesta triste data da história brasileira, vale à pena recordar os editoriais dos jornais – que clamaram pelo golpe, aplaudiram a instalação da ditadura militar e elogiaram a sua violência contra os democratas. No passado, os militares foram acionados para defender os saqueadores da nação. Hoje, esse papel é desempenhado pela mídia privada, que continua orquestrando golpes contra a democracia. Daí a importância de relembrar sempre os seus editorais da época. O artigo é de Altamiro Borges.



Amanhã, 1º de abril, marca os 47 anos do fatídico golpe civil-militar de 1964. Na época, o imperialismo estadunidense, os latifundiários e parte da burguesia nativa derrubaram o governo democraticamente eleito de João Goulart. Naquela época, a imprensa teve papel destacado nos preparativos do golpe. Na sequência, muitos jornalões continuaram apoiando a ditadura, as suas torturas e assassinatos. Outros engoliram o seu próprio veneno, sofrendo censura e perseguições.

Nesta triste data da história brasileira, vale à pena recordar os editoriais dos jornais burgueses – que clamaram pelo golpe, aplaudiram a instalação da ditadura militar e elogiaram a sua violência contra os democratas. No passado, os militares foram acionados para defender os saqueadores da nação. Hoje, esse papel é desempenhado pela mídia privada, que continua orquestrando golpes contra a democracia. Daí a importância de relembrar sempre os seus editorais da época:

O golpismo do jornal O Globo

“Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares que os protegeram de seus inimigos. Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais”. O Globo, 2 de abril de 1964.

“Fugiu Goulart e a democracia está sendo restaurada..., atendendo aos anseios nacionais de paz, tranqüilidade e progresso... As Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a nação na integridade de seus direitos, livrando-a do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal". O Globo, 2 de abril de 1964.

“Ressurge a democracia! Vive a nação dias gloriosos... Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas que, obedientes a seus chefes, demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições. Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ter a garantia da subversão, a ancora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada”. O Globo, 4 de abril de 1964.

“A revolução democrática antecedeu em um mês a revolução comunista”. O Globo, 5 de abril de 1964.

Conluio dos jornais golpistas

“Minas desta vez está conosco... Dentro de poucas horas, essas forças não serão mais do que uma parcela mínima da incontável legião de brasileiros que anseiam por demonstrar definitivamente ao caudilho que a nação jamais se vergará às suas imposições”. O Estado de S.Paulo, 1º de abril de 1964.

“Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas. Um dos maiores gatunos que a história brasileira já registrou, o Sr João Goulart passa outra vez à história, agora também como um dos grandes covardes que ela já conheceu”. Tribuna da Imprensa, 2 de abril de 1964.

“Desde ontem se instalou no país a verdadeira legalidade... Legalidade que o caudilho não quis preservar, violando-a no que de mais fundamental ela tem: a disciplina e a hierarquia militares. A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas”. Jornal do Brasil, 1º de abril de 1964.

“Golpe? É crime só punível pela deposição pura e simples do Presidente. Atentar contra a Federação é crime de lesa-pátria. Aqui acusamos o Sr. João Goulart de crime de lesa-pátria. Jogou-nos na luta fratricida, desordem social e corrupção generalizada”. Jornal do Brasil, 1º de abril de 1964.

“Pontes de Miranda diz que Forças Armadas violaram a Constituição para poder salvá-la”. Jornal do Brasil, 6 de abril de 1964.

“Multidões em júbilo na Praça da Liberdade. Ovacionados o governador do estado e chefes militares. O ponto culminante das comemorações que ontem fizeram em Belo Horizonte, pela vitória do movimento pela paz e pela democracia foi, sem dúvida, a concentração popular defronte ao Palácio da Liberdade”. O Estado de Minas, 2 de abril de 1964.

“A população de Copacabana saiu às ruas, em verdadeiro carnaval, saudando as tropas do Exército. Chuvas de papéis picados caíam das janelas dos edifícios enquanto o povo dava vazão, nas ruas, ao seu contentamento”. O Dia, 2 de abril de 1964.

“A paz alcançada. A vitória da causa democrática abre o País a perspectiva de trabalhar em paz e de vencer as graves dificuldades atuais. Não se pode, evidentemente, aceitar que essa perspectiva seja toldada, que os ânimos sejam postos a fogo. Assim o querem as Forças Armadas, assim o quer o povo brasileiro e assim deverá ser, pelo bem do Brasil”. O Povo, 3 de abril de 1964.

“Milhares de pessoas compareceram, ontem, às solenidades que marcaram a posse do marechal Humberto Castelo Branco na Presidência da República... O ato de posse do presidente Castelo Branco revestiu-se do mais alto sentido democrático, tal o apoio que obteve”. Correio Braziliense, 16 de abril de 1964.

Apoio à ditadura sanguinária

“Um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular, está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social – realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama”. Folha de S.Paulo, 22 de setembro de 1971.

“Vive o País, há nove anos, um desses períodos férteis em programas e inspirações, graças à transposição do desejo para a vontade de crescer e afirmar-se. Negue-se tudo a essa revolução brasileira, menos que ela não moveu o país, com o apoio de todas as classes representativas, numa direção que já a destaca entre as nações com parcela maior de responsabilidades”.Jornal do Brasil, 31 de março de 1973.

“Participamos da Revolução de 1964 identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada”. Editorial de Roberto Marinho, O Globo, 7 de outubro de 1984.
FONTE: CARTA MAIOR

Para ministra da Igualdade Racial, declarações de Bolsonaro são “caso explícito de racismo”





A ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, considera que as declarações do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) sobre cotas raciais e a possibilidade de um filho se apaixonar por uma mulher negra são “caso explícitos de racismo”. “Não podemos confundir liberdade de expressão com a possibilidade de cometer um crime. O racismo é crime previsto na Constituição”, disse Luiza.

Para a ministra, “qualquer caso de discriminação deve ser repudiado”. Ela disse ainda que espera “firmeza” no posicionamento da Câmara dos Deputados. “O protagonismo é do Legislativo”, afirmou em entrevista ao programa Bom dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) em parceria com a EBC Serviços.

“Cada setor do Estado e da sociedade deve assumir o seu papel no combate ao racismo. Nós devemos deixar para que a Câmara Federal encaminhe esse caso e tome decisões contra o deputado dentro das instâncias do Legislativo”, falou após participar do programa. “O crime tem que ser punido e tem que ser combatido em qualquer lugar, principalmente, se ele é cometido em um espaço como o Parlamento brasileiro.”

No início da semana, em entrevista ao programa CQC, da TV Bandeirantes, Jair Bolsonaro disse que “não viajaria em avião pilotado por cotistas nem aceitaria ser operado por médico [ex-cotista]”. Em resposta à cantora Preta Gil sobre a eventualidade de um filho ter envolvimento amoroso com uma mulher negra, o deputado respondeu: “não vou discutir promiscuidade. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem-educados e não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu”.

Luiza Bairros espera que “o Legislativo tenha capacidade de tomar a decisão mais coerente com o que tem sido discutido pelos movimentos negro e LGBT [lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros]”, destacou referindo-se a declarações homofóbicas também feitas pelo parlamentar ao programa de TV.

Para a ministra, as declarações do deputado não são surpreendentes no seu conteúdo. “Nós não devemos ficar assustados com esse tipo de declaração, é isso que o movimento negro tem denunciado nas últimas décadas. O que deixa a sociedade indignada é ela [declaração] ter partido de um deputado federal”, afirmou. Jair Bolsonaro é oficial da reserva do Exército e conhecido por sua defesa à ditadura militar (1964-1985).

Socióloga e ligada ao movimento negro, Luiza Bairros acredita que as manifestações racistas ocorrem na medida em que as pessoas negras vão se deslocando na sociedade e passam a ser vistas em lugares que eram historicamente ocupados por pessoas brancas. “Isso provoca reação. Para muitas pessoas, parece perda de espaço. Isso demonstra como ser branco na sociedade brasileira implica em determinados privilégios em detrimento dos direitos dos negros em geral”, avaliou.

Durante o programa Bom Dia, Ministro, Luiza Bairros disse que a Ouvidoria da Seppir monitora episódios e denúncias de discriminação e encaminha casos de manifestações racistas veiculadas na internet à Polícia Federal. O telefone da Ouvidoria da Seppir é (61) 3411-3685

FONTE: AGÊNCIA BRASIL

USP aprova bônus de até 15% para alunos de escolas públicas na Fuvest




A USP (Universidade de São Paulo) aprovou nesta quinta-feira (31) um bônus de até 15% para alunos de escolas públicas que prestarem o vestibular da Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular). A decisão foi tomada durante reunião do Conselho de Graduação da instituição. O máximo de bônus que o aluno poderia conseguir atualmente era de 12%.

Para ganhar a bonificação total, o estudante deverá, no segundo ano do ensino médio, prestar o vestibular. De acordo com seu desempenho na primeira fase, ele poderá acumular até 5% de bônus para o ano seguinte. Para conseguir esse percentual, é preciso acertar, pelo menos, 40 das 90 questões da primeira fase da prova da Fuvest.

Se, no ano seguinte, quando estiver realmente prestando a prova para entrar na USP, o estudante conseguir acertar ao menos 60 das 90 questões da primeira fase, poderá receber 10% a mais de bônus. Caso acerte menos, o adicional será proporcional.

Hoje, o máximo de bônus que um aluno pode conseguir é de 12%. Desses, 3% eram “automáticos” e o resto, bonificações dependendo do desempenho do candidato em um teste específico – o Pasusp (Programa de Avaliação Seriada da USP).

Para candidatos que cursaram apenas o ensino médio em escola pública ou que já terminaram os estudos, o Pasusp dará bônus de até 8%.

Com as medidas, a universidade quer tentar aumentar o número de alunos das redes públicas no vestibular –índice que chegou a cair nos últimos anos.

Segundo a pró-reitora de graduação, Telma Zorn, já existe a intenção de ampliar esse novo Pasusp para estudantes do primeiro ano do ensino médio. Para ela essa troca de prova, é "um desafio". Anteriormente os alunos que optassem pelo Pasusp faziam um teste específico com 50 questões de múltipla escolha.

Para ela, a vantagem do novo formato é a aproximação do aluno da rede pública, já no 2º ano do ensino médio, da Fuvest e, consequentemente, da USP. O intuito, de acordo com a pró-reitora, é incluir esse estudante e incentivar a melhora da oferta de ensino gratuito.

O coordenador do programa de avaliação seriada, Mauro Bertotti, completa: "Ou os alunos podem achar a prova mais difícil e desistir no segundo ano ou perceber que precisam estudar mais".

Mudanças no vestibular

O conselho também iria discutir nesta quinta outras mudanças no vestibular –como, por exemplo, a reversão da medida que zerava as notas do candidato da primeira para a segunda fases. No entanto, as decisões foram adiadas porque surgiram muitos questionamentos por parte dos integrantes do Conselho de Graduação. Segundo o professor Roberto Costa, da Fuvest, serão necessárias novas simulações para prever o impacto das mudanças que estavam em discussão.

Hoje, apenas a autenticação das informações prestadas na ficha de inscrição foi aprovada. No entanto, não foram dados detalhes de como isso ocorrerá.

Segundo reportagem da Agência Estado, entre as propostas estava aumentar o grau de dificuldade da Fuvest, porque a USP quer elevar a nota mínima na primeira fase de 22 para 27 pontos - ou 30% das 90 questões de múltipla escolha. Paralelamente, a universidade desejaria alterar outro critério de convocação para a segunda fase, chamando entre dois e três alunos por vaga e não mais três, como ocorre hoje.

Outras alterações cogitadas são a abertura da possibilidade de escolher outra carreira após a terceira chamada e a redução do número de questões do segundo dia da segunda fase.

FONTE: UOL VESTIBULAR

Ter sido xingada me traz mais força pela causa, desbafa Preta Gil


Diva da Parada de São Paulo, Preta Gil promete atuar com mais força pelos gays
Preta Gil foi à apresentação da Parada de São Paulo na noite da última quarta-feira, 30, na Capital, transparecendo, no mínimo e com razão, muita chateação com os comentários homofóbicos e racistas do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ). O clima atual de Preta é meio que vamos ferver depois porque agora a gente tem muito o que fazer, coisas sérias devem ser resolvidas, meu bem.

Sérias como os três processos judiciais que está movendo contra o parlamentar fluminense e a responsabilidade de ser a diva oficial da maior Parada LGBT do mundo. Lindamente loiríssima, Preta conversou com a gente durante o evento o tempo todo muito séria e mostrando certeza em cada passo que está dando, sempre em nome de se livrar dos preconceitos que ainda existem na sociedade brasileira.

Na entrevista a seguir, ela revela que se conhecesse o perfil de Bolsonaro antes não teria feito a pergunta no programa “CQC” para evitar escândalos, mas reconhece no episódio uma oportunidade de amplificar um discurso há muito tempo já incorporado em sua vida pessoal e profissional. Com a palavra, a dona da fervida Noite Preta.

Tem gente que chegou a falar que o CQC induziu a pergunta ao Bolsonaro?
Foi uma pergunta genuína, querendo saber a resposta dele. Eu perguntei se por um acaso um dos filhos do senhor se apaixonasse por uma mulher negra o que o senhor faria. De verdade? As pessoas me perguntam “ah Preta, você acha que caiu em uma armadilha do ‘CQC’, que eles te induziram a fazer?”. Não, eles não me induziram nada. Mas sem dúvida nenhuma se eu conhecesse o perfil dele talvez eu tivesse evitado, porque hoje eu sou uma mulher completamente da paz, como a gente viu aqui. Eu sou uma mulher que tenho plenos conhecimentos de todos os meus direitos e sou uma mulher que luto por muitas causas, mas isso da minha maneira. Fazendo meus shows, tentando dialogar sempre com meu público, com meus fãs. Eu não gosto e nem nunca gostei na minha carreira e na minha vida de escândalos. Eu não sou a favor de guetos, eu sou a favor exatamente disso que está acontecendo aqui hoje, da inclusão. Então eu nunca fui de levantar bandeira. Se eu soubesse exatamente quem era a pessoa para quem eu estava fazendo a pergunta, eu digo de verdade que eu não faria, porque eu não gostaria de ouvir essa resposta.

Ele disse que entendeu mal a sua pergunta. Achou que você tinha perguntado sobre gay em vez de negro. Você acredita nisso?
Eu acho que a emenda sai pior que o soneto, não importa de fato se ele entendeu ou não. O que importa foi o que ele disse, isso para mim é o que importa. Ele me chamou de promíscua e chamou o ambiente em que eu fui criada de promíscuo. Isso é o que importa. Se referindo a mim como uma mulher negra, se referindo a negro ou a homossexuais, isso tanto faz. Mas eu não acredito que isso seja verdade porque a pergunta anterior a minha foi em relação ao casamento gay, à união gay.

Você acha que ele pode estar tentando amenizar a coisa?
Ele se apegou a uma coisa - porque ele é muito esperto - que o Marcelo Tas falou quando a matéria acabou. E o Tas já deu entrevistas e já escreveu sobre isso, que o quê ele está querendo na realidade é ser oportunista. O Marcelo falou: eu espero que o deputado não tenha entendido a pergunta da Preta. Mas ele falou isso com relação à esperança mesmo, à esperança de que a pessoa possa ter sido menos pior. Ele responder a pergunta entendendo que aquilo era para os gays é tão grave quanto se ele tivesse entendido a pergunta de verdade. Vamos fazer uma simulação da pergunta como ele imaginou: senhor deputado, o que o senhor acharia se um filho seu tivesse um relacionamento homossexual. ‘Preta não vamos falar de promiscuidade.’ O que tem a ver com promiscuidade as relações homossexuais e a opção sexual de um ser humano? Não tem nada a ver, ele foi absurdamente preconceituoso. Estou falando com vocês aqui porque só aqui eu me sinto à vontade para falar sobre isso, não atendi nenhum jornalista, não quis falar com nenhum jornalista nesses dias todos porque justamente eu não quero ficar alimentando a polêmica. Porque isso alimenta ele, se eu falo ele fala, se eu falo ele fala. Então eu não quero isso de maneira nenhuma.

Você acha que pode ser uma estratégia dele falar cada vez mais?
Mas ele está falando cada vez mais barbaridades. Ou seja, a lista do meu advogado e de todas as associações e dos parlamentares que estão entrando contra ele só está aumentando de provas. Porque ele vai reafirmando e reafirmando a homofobia dele, o preconceito dele a homossexuais. Ele citou meu pai, falou ‘quem é Gilberto Gil? Um homem que dá bitoca, beijinho na boca de outro’. Realmente é uma coisa surreal (risos).

Ele fez um ataque a sua pessoa quando ele disse que você não tem credibilidade para falar sobre isso?
Eu acho isso surreal, porque é exatamente isso que eu sou. Eu sou uma mulher que prego e prezo e fui educada e educo meu filho, como eu bem disse, para ser livre. Eu sou uma mulher de 37 anos de idade que já tive experiências na minha vida que eu tive, ingenuamente, enfim, oportunidade de declarar que já tive algumas experiências sexuais que eu não me arrependo e que me fizeram ser o quê eu sou hoje, uma mulher que sei muito bem o quê eu quero. Uma mulher que experimentou alguns sabores da vida e que isso só contribuiu para a minha formação como mulher, como artista. O que ele se refere como baixaria ou, como ele falou, ‘ela fez suruba, ela se relacionou com mulheres’, nada dessas práticas que ele me acusa, e que de fato eu fiz, são inaceitáveis. São práticas absolutamente naturais do ser humano que podem ser praticadas por quem bem entender e por quem for maior de idade se não se ferir e não ferir ao outro. Eu jamais na minha vida fiz nada contra um ser humano, contra qualquer pessoa. Nem muito menos contra mim mesma como mulher.

Você vai acioná-lo judicialmente por isso que ele falou?
Ele já está acionado, a questão é que vai se juntando provas. Ele me chamou primeiramente de promíscua. Tem uma parte do meu processo contra ele que vai diretamente a essa fala dele, onde ele me chama de promíscua. O resto, são três ações que a gente está movendo, são três processos diferentes em três esferas diferentes, é pela homofobia que ele fala na matéria, tudo o que ele fala na matéria. E é importante que as pessoa não fiquem atentas somente a mim. É porque realmente eu sou famosa e talvez eu tenha maior visibilidade, então fica focado somente ao que ele disse a mim,mas as atrocidades que ele disse na entrevista inteira são mais graves. Porque ele falou que não viajaria em um avião pilotado por um cotista, hoje eu vi uma carta de uma estudante de Medicina que é cotista e fala que ‘espero um dia que o senhor precise de cuidados médicos e que eu possa te atender e que eu possa curá-lo para que o senhor possa sobreviver e ver o progresso dos negros, das minorias’.

Nesse tempo você já parou pra pensar, tentou imaginar o porquê ele é assim?
Nada. Não quero pensar nisso.

Quando ele fala que o sogro dele é negão e que ele não é racista isso te parece demagogia?
Olha, eu não posso julgá-lo por essas coisas, eu julgo ele pelo todo. As frases isoladas, o que ele fala, isso me parece um misancene, que já reparei que é uma coisa que ele tem. Ele tem uma personalidade que ele impõe. Sabe por que ele fala isso? Homofobia no Brasil não é crime, ainda. Ainda não é, essa é a nossa luta. Racismo é crime, então ele muito bem fala ‘como eu seria burro de assumir em cadeia nacional que eu sou racista? Racismo é crime’. Racismo é crime! Se você hoje agride um negro, se você chama um negro pejorativamente querendo humilhá-lo você vai preso. Agora se você agride um homossexual na Avenida Paulista, se você me agride na televisão se referindo aos gays isso não é crime. Tem que mudar, tem que mudar radicalmente. Eu falei pro Marcelo Tas: nossa, olha onde vocês me meteram. E o Marcelo respondeu ‘nada acontece por acaso, você veio trazer à tona uma coisa que está acontecendo há muitos anos. Esse senhor é deputado pelo sexto mandato, o Rio de Janeiro elegeu ele seis vezes’. Eu pelo Twitter vejo mil hitlerzinhos, sei lá, seguidores dele, que acreditam mesmo que filho gay você tem que educar batendo, uma série de absurdos que não condiz com o que a gente está vivendo hoje em dia, com o que a gente luta, com o que a gente quer para a humanidade. Não é pro Brasil, é pra humanidade. A discussão não é estadual ou regional, é mundial.

Você acha que teve um ponto positivo acontecendo isso com você? Porque a gente sabe que você já processou gente antes e é uma pessoa que vai atrás dos seus direitos mesmo, do que você acha certo?
Eu só processei uma pessoa e isso é uma coisa que eu não gosto de ouvir. Não acho bom de maneira nenhuma que isso tenha acontecido, para a minha vida isso não tem nada de bom porque é um desgaste emocional muito forte, é uma coisa que mexe com a família, que mexe com muitas pessoas que me amam, que gostam de mim. Mas eu tenho força suficiente para lutar, sem dúvida nenhuma Deus dá aquilo que você pode suportar. Eu nunca processei gratuitamente ninguém. Justamente por eu ser uma mulher livre, transparente, que dou minha cara a tapa, muitas vezes as pessoas excederam comigo. Eu processei uma única vez um programa de televisão que fez uma sátira que me humilhou me chamando de baleia. E eu ganhei, a Justiça provou que a razão estava do meu lado. Quando eu vi o episódio na internet, porque eu não vi ao vivo, eu não tive dúvidas, eu não pensei nem meia vez antes de processar ele. E eu recebi muito, muito, muito apoio e tenho recebido esses dias todos, inclusive de parlamentares e de associações, movimentos gays, de movimentos negros e de pessoas que não são gays. É o que eu falo no meu show, o importante é a gente olhar o próximo e amar o próximo, que por acaso é o tem da Parada este ano, sem olhar a cor, o credo, a raça, a religião.

Esse tipo de coisa te dá mais força para vir à Parada com mais glamour, mais animada?
Foi uma coincidência, um acaso da vida. Eu já tinha aceitado, fui convidada há dois meses atrás para ser a diva da Parada, já tinha aceito o convite. Este evento já estava organizado na minha agenda há um mês, mesmo porque são 18 shows por mês, então a gente tem que arrumar uma vaguinha. Eu me coloquei à disposição do evento e da Parada por acreditar realmente em tudo isso antes desse episódio. É que eu não acredito no acaso, eu acredito que Deus faz as coisas certas da maneira Dele. Ter acontecido isso na segunda-feira sem dúvida me traz mais força pela causa, pela luta. O brilho, o glamour, a minha viadagem, a minha euforia, isso existirá sempre. Mas eu acho que me faz ainda mais militante, ainda mais ativa nessa questão de conscientizar as pessoas e de educar as pessoas a não praticarem o preconceito em esfera nenhuma.

Falando um pouquinho da Parada, o que você vai trazer para a Parada? Você já pensou em alguma coisa especial?
Ah, tem muitas coisas que a gente está pensando ainda. Muitas coisas especiais. Mas principalmente o meu coração que é o que eu acho que eu tenho de mais precioso, que é o meu amor verdadeiro, genuíno pelo ser humano, pelas pessoas. Sejam elas de que orientação sexual for. Eu gosto de olhar o coração das pessoas, de olhar o sorriso das pessoas. Essa é a minha grande troca na vida. Fiquei muito feliz com a organização do evento. É bom a gente ter consciência de que a Parada, como eu bem disse ali, não é somente um ato folclórico, uma festa.

Como você recebeu a notícia da escolha de diva da Parada? Você esperava, se imaginava diva da Parada?
Não esperava. A gente não trabalha esperando essas coisas, a gente trabalha simplesmente pelo amor e doação ao público. Mas eu graças a Deus tenho um público GLS muito forte. E tenho um show de muito sucesso, de muito êxito, que é a Noite Preta, que roda o Brasil inteiro e ele tem na sua maioria um público GLS, que veio de uma maneira absolutamente espontânea, natural justamente por eu ser do jeito que eu sou. Uma mulher que prego a liberdade, que falo sobre isso e vejo nos meus shows, e isso é uma coisa que é muito forte, a nova geração. São adolescentes que podem e se sentem livres e felizes de se beijar, de se abraçarem no meu show. E é um convívio de harmonia, são héteros que vão e que convivem com aquilo com muita naturalidade. É isso que eu prego, que eu prezo e que eu amo na minha vida e na minha carreira.

Você acha que tem alguma coisa que deveria ser melhorada na Parada?
Eu acho que Parada como ela está hoje, com tudo que a gente viu, é um avanço absurdo. A gente tem uma organização, tem uma militância, tem um ato político importante por trás. Eu acho que a coisa mais importante de tudo, e isso que eu ouvi aqui, é que a lei seja aceita. Porque eu acho que a gente pode festejar, que a gente pode brincar, que a gente pode lutar pelos nossos direitos, mas se a gente não tem a lei a gente pode levar uma lâmpada na cara, ou ser xingada e associada à promiscuidade.

Você quer ser madrinha dessa lei também?
Não, eu não tenho essa veia política. Não tenho mesmo. Eu vou ser madrinha sempre dessa lei porque eu acredito nisso. Eu não preciso de um cargo, de um nome para que eu continue sendo madrinha, diva da diversidade, da diversidade sexual, da diversidade cultural, que eu também trago muito isso para os meus shows, saber que o Brasil é múltiplo, que o Brasil é misto. Que o Brasil é negro, é índio, é branco, é mulato e é a Amazônia, é Belém do Pará, são os gaúchos, enfim, é isso que eu prego. Então eu não preciso de um título de uma coisa que eu já sou.

Você acha que a Parada tem efetivamente ajudado nisso?
Eu acho que sim, mas eu acho que agora com essa nova administração e com essa nova cara que eles estão dando para a Parada isso vai ser ainda mais forte. Eu acho que agora eles estão ainda mais focados nisso também. Não é só a Parada no dia 26, são os outros dias do ano inteiro lutando para isso.
FONTE: mixbrasil.uol