
domingo, outubro 17, 2010
Movimento Negro rejeita Serra, mas condiciona voto Dilma

Número de assassinatos de gays no país cresceu 62% desde 2007, mas tema fica fora da campanha

Alçados a tema central da campanha presidencial, o casamento gay, a união civil entre pessoas do mesmo sexo e a criminalização da homofobia têm sido debatidos pelos candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) a partir do viés religioso e sem levar em conta um dado alarmante: o número de homossexuais assassinados por motivação homofóbica cresce a cada ano.
Em 2009, 198 foram mortos no Brasil. Onze a mais que em 2008, e 76 a mais do que em 2007, um aumento de 62%. Os dados são do Grupo Gay da Bahia (GGB), fundado em 1980 e o único no país a reunir as estatísticas. Segundo o GGB, de 1980 a 2009 foram documentados 3.196 homicídios, média de 110 por ano.
- Infelizmente, a homofobia é um aspecto cultural da sociedade brasileira, que empurra os homossexuais para a clandestinidade, fazendo com que permaneçam à margem mesmo quando são mortos. Gays, lésbicas e travestis são mortos de forma cruel, geralmente tendo o rosto desfigurado, e acabam sendo considerados culpados. Só os crimes muito hediondos comovem - diz Marcelo Cerqueira, presidente do GGB.
Antropólogo e ex-presidente do GGB, Luiz Mott lembra que há subnotificação de dados, mas que ainda assim é possível afirmar que o número de mortes vem crescendo:
- O número tem aumentado na última década. Antes, era um assassinato a cada três dias. Agora, acontece um a cada dois dias. O Brasil é o país com maior número de assassinatos. Ano passado, no México, por exemplo, foram 35.
Segundo Mott, a maioria dos crimes contra LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) é motivada por "homofobia cultural":
- Graças ao machismo e à bronca que muitos homens têm contra gays e travestis, eles matam imbuídos da ideologia de que homossexuais são covardes, têm dinheiro, que os vizinhos não vão se importar, e os juízes vão punir com brandura.
De acordo com pesquisas realizadas nas paradas gays de Rio, São Paulo, Recife, Porto Alegre e Belém, entre 2003 e 2008, pelo Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos, o número de homossexuais agredidos e/ou discriminados nessas regiões não é inferior a 59,9%. Em Pernambuco, 70,8% disseram ter sido agredidos. E, em São Paulo, 72,1% foram vítimas de algum tipo de discriminação.
- Os dados mudam pouco nas regiões. O fato de não existir lei específica para crimes homofóbicos contribui para a violência. No entanto, vale lembrar que esses números não refletem completamente a realidade. Sabemos que o silêncio ainda marca as agressões - diz Sérgio Carrara, professor do Instituto de Medicina Social da Uerj e um dos coordenadores das pesquisas.
Empatado com a Bahia como estado mais homofóbico do Brasil, o Paraná registrou, segundo dados do GGB, 25 assassinatos em 2009: 15 travestis, oito gays e duas lésbicas. Os outros quatro estados mais homofóbicos são São Paulo, Pernambuco, Minas e Alagoas.
Presidente da Rede Nacional de Pessoas Trans, a travesti Liza Minelly diz que, entre travestis e transexuais, cerca de 70% já sofreram algum tipo de violência. Há 16 anos militando no Paraná, estado com maior número de assassinatos de travestis no ano passado, ela relata que quase sempre o preconceito afasta as travestis do ensino e dos empregos formais, e muitas vezes as empurra para a prostituição e as drogas.
- Em Curitiba, acompanhamos a história de uma travesti morta em 2000, espancada por quatro policiais militares, mas até hoje as testemunhas não foram ouvidas. Também assistimos com frequência à morte moral da travesti, quando negam a ela, por exemplo, um emprego para o qual teria todas as qualificações necessárias - diz.
Apesar dos dados aterradores, a criminalização da homofobia, por meio do Projeto de Lei 122, tem enfrentado resistência de grupos católicos e evangélicos. Mas Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), defende o diálogo com os religiosos:
- Ocorrem distorções de má-fé em relação a interpretações do projeto de lei. Não queremos afrontar as religiões. Queremos não ser mais discriminados, quando pesquisas apontam que 20% dos homossexuais já foram espancados por preconceito.
FONTE: O GLOBO
PV e Marina anunciam neutralidade no segundo turno

Terceira colocada no primeiro turno da eleição presidencial, senadora verde critica PT e PSDB ao anunciar sua decisão
O Partido Verde decidiu na tarde deste domingo que ficará neutro no segundo turno da eleição presidencial. A decisão foi tomada em convenção do partido realizada em São Paulo. Dos cerca de 160 delegados presentes, apenas quatro se manifestaram contra a neutralidade, em favor do apoio a um dos dois candidatos.
Terceira colocada no primeiro turno da eleição, a senadora Marina Silva (PV-AC) manifestou-se lendo uma carta aberta direcionada aos candidatos Dilma Roussef (PT) eJosé Serra (PSDB). Marina disse que optou por esse caminho em “respeito ao povo brasileiro”.
“É irônico que dois partidos como PT e PSDB, que foram criados como contraponto a dualidade de MDB e Arena hoje tenham se deixado capturar na armadilha do passado. Paradoxalmente, PT e PSDB hoje são fiadores do conservadorismo remitente, que atropelam ideais e utopias”, disse a candidata.
Marina também criticou o discurso religioso dos dois partidos na campanha e disse que não se pode estigmatizar e usar a fé como “perversão da política”. “É a atitude de vocês, mais que o resultado das urnas, que pode melhorar o modo de fazer política no Brasil”, declarou Marina.
FONTE: IG
Sociólogo e fundador do PT afirma que 'Lula é mais privatista que FHC'

No começo de 2003, ano em que rompeu com o PT, o sociólogo Francisco de Oliveira, 76, afirmou que "Lula nunca foi de esquerda".
Agora, o professor emérito da USP dá um passo adiante e diz que Lula, mais que Fernando Henrique Cardoso, é "privatista numa escala que o Brasil nunca conheceu".
Na entrevista abaixo, Oliveira, um dos fundadores do PT, também afirma que tanto faz votar em Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB), analisa o papel de Marina Silva (PV) e critica a entrada do aborto no debate político pela ótica da religião.
Folha - Qual a sua avaliação sobre o debate eleitoral no primeiro turno?
Francisco de Oliveira - Fora o horror que os tucanos têm pelos pobres, Serra e Dilma não têm posições radicalmente distintas: ambos são desenvolvimentistas, querem a industrialização...
O campo de conflito entre eles é realmente pequeno. Mas, por outro lado, isso significa que há problemas cruciais que nenhum dos dois está querendo abordar.
Que tipo de problema?
Não se trata mais de provar que a economia brasileira é viável. Isso já foi superado. O problema principal é a distribuição de renda, para valer, não por meio de paliativos como o Bolsa Família. Isso não foi abordado por nenhum dos dois.
A política está no Brasil num lugar onde ela não comove ninguém. Há um consenso muito raso e aparentemente sem discordâncias.
Dá a impressão que tanto faz votar em uma ou no outro...
É verdade. É escolher entre o ruim e o pior.
Qual a sua opinião sobre a movimentação de igrejas pregando um voto anti-Dilma por causa de suas posições sobre o aborto?
É um péssimo sinal, uma regressão. A sociedade brasileira necessita urgentemente de reformas, e a política está indo no sentido oposto, armando um falso consenso.
O aborto é uma questão séria de saúde pública. Não adianta recuar para atender evangélicos e setores da Igreja Católica. Isso não salva as mulheres das questões que o aborto coloca.
O que significa a entrada desse tema no debate?
Representa o consenso por baixo devido ao êxito econômico. Essas posições conservadoras ganham força. Há uma tendência a todo mundo ser bonzinho. Nesse contexto, ninguém quer tomar posições consideradas radicais.
Com o progresso econômico, há um sentimento de conformismo que se alastra e se sedimenta, as pessoas ficam medrosas, conservadoras. Isso está ocorrendo no Brasil.
Gente da classe C e D mostra-se a favor de uma marcha de progresso lenta e contínua. Eles não querem briga, não querem conflito. Por isso o Lula paz e amor deu certo.
Se as pessoas tornam-se conservadoras, o que explica a divisão do Brasil quando considerada a votação de Dilma e Serra nos Estados?
É um racha. Significa que a questão da desigualdade regional ainda é muito marcante. Aliás, essa é outra questão que está fora da discussão. Os dois não querem abordar o tema. O que eles têm a dizer sobre os problemas regionais? O que fazer com as regiões deprimidas?
Por baixo disso tudo está a velha história de que São Paulo é uma locomotiva que puxa 25 vagões vazios.
Essa tensão existe. Esse desequilíbrio vai criando a sensação de que há um lado pobre e um lado rico. Como se houvesse um voto comprado, de curral eleitoral, e outro consciente. Há de fato uma fratura, e isso ressurge em períodos eleitorais.
Marina aparece como uma terceira força sustentável?
Acho que não. A ascensão dela se dá pela falta de radicalização dos dois principais, e a questão do ambiente é relativamente neutra. Não vejo eco na sociedade, a não ser de forma superficial. Não é um tema que toca nos nervos das pessoas. A onda verde é passageira.
O sr. foi um dos primeiros a romper com o PT, em 2003, e saiu fazendo duras críticas ao presidente. Lula, porém, termina o mandato extremamente popular. Na sua opinião, que lugar o governo Lula vai ocupar na história?
A meu ver, no futuro, a gente lerá assim:
Getúlio Vargas é o criador do moderno Estado brasileiro, sob todos os aspectos. Ele arma o Estado de todas as instituições capazes de criar um sistema econômico. E começa um processo de industrialização vigoroso. Lula, é bom que se diga, não é comparável a Getúlio.
Juscelino Kubitschek é o que chuta a industrialização para a frente, mas ele não era um estadista no sentido de criar instituições.
A ditadura militar é fortemente industrialista, prossegue num caminho já aberto e usa o poder do Estado com uma desfaçatez que ninguém tinha usado.
Depois vem um período de forte indefinição e inflação fora de controle.
O ciclo neoliberal é Fernando Henrique Cardoso e Lula. Coloco ambos juntos. Só que Lula está levando o Brasil para um capitalismo que não tem volta. Todo mundo acha que ele é estatizante, mas é o contrário.
Como assim?
Lula é mais privatista que FHC. As grandes tendências vão se armando e ele usa o poder do Estado para confirmá-las, não para negá-las. Então, nessa história futura, Lula será o grande confirmador do sistema.
Ele não é nada opositor ou estatizante. Isso é uma ilusão de ótica. Ao contrário, ele é privatista numa escala que o Brasil nunca conheceu.
Essa onda de fusões, concentrações e aquisições que o BNDES está patrocinando tem claro sentido privatista. Para o país, para a sociedade, para o cidadão, que bem faz que o Brasil tenha a maior empresa de carnes do mundo, por exemplo?
Em termos de estratégia de desenvolvimento, divisão de renda e melhoria de bem-estar da população, isso não quer dizer nada.
Em 2004, o sr. atribuiu a Lula a derrota de Marta na prefeitura. Qual sua avaliação de Lula como cabo eleitoral de Dilma?
Ele acaba sendo um elemento negativo, mesmo com sua alta popularidade. O segundo turno foi um aviso. Há uma espécie de cansaço. Essa ostensividade, essa chalaça, isso irrita profundamente a classe média. É a coisa de desmoralizar o adversário, de rebaixar o debate. Lula sempre fez isso.
Como o sr. avalia as afirmações de que o comportamento de Lula ameaça a democracia?
Não vejo como uma ameaça. Mas o Lula tem um componente intrinsecamente autoritário.
Em que sentido?
Ele não ouve ninguém, salvo um círculo muito restrito, e ele tem pouco apreço por instituições.
Eu o conheço desde os anos de São Bernardo. Ele tem a tendência, que casa perfeitamente com o estilo de política brasileira, de combinar primeiro num grupo restrito e, depois, fazer a assembleia. Ele sempre agiu assim.
Não é pessoal, é da cultura brasileira, ele foi cevado nisso. Mas não que ele queira derrubar a democracia.
Isso é da cultura política em que ele foi criado: o sindicalismo, que é um mundo muito autoritário, muito parecido com a cultura política mais ampla. E ele se dá bem, sabe se mover nesse mundo.
As instituições de fato não são o barato dele. Mas ele não ameaça a democracia do ponto de vista mais direto nem tem disposição de ser ditador. Acho essas afirmações um exagero, uma maldade, até. Elas têm um conteúdo político muito evidente.
Agora, certa ala do PT, com José Dirceu... Esse tem projetos mais autoritários.
E essa ala ganharia mais força num governo Dilma?
Acho que não. Porque Lula vigia ele de muito perto. Lula não gosta dele [José Dirceu]. Tem medo, até, do ponto de vista político. Ele veio de outra extração, a qual Lula detesta. Uma extração propriamente política, de esquerda.
O sr. já disse que Lula havia matado a sociedade civil. O que pode acontecer num governo Dilma e Serra? Haveria diferença?
Os governos tucanos têm horror ao povo. Isso não é força de expressão. É uma questão de classe social.
Eles não têm contato com o real cotidiano popular. Eles não andam de ônibus, não têm experiência do cotidiano da cidade. Nem de metrô eles andam, o que é incrível.
A cidade é grande, tem violência, a gente sabe. Mas eles não sabem como é o transporte, como são os hospitais, as escolas públicas. Há uma fratura real, eles perderam a experiência do cotidiano real. E isso não entra pelas estatísticas, só pela experiência.
Por causa disso, o governo deles é sempre uma coisa muito por cima. Eles são pouco à vontade com o popular. Essa é a diferença marcante em relação a Lula.
Sobre Dilma eu não sei. Ela pode também sofrer desse mal.
Mas, do ponto de vista da evolução e da função dos movimentos sociais, qual dos dois é preferível?
Eis uma questão difícil. Os tucanos, com esse horror a pobre, tendem sempre a aumentar essa fratura, essa separação. Os tucanos não têm jeito...
FONTE: FOLHA.COM
sábado, outubro 16, 2010
Fome castiga o Continente Africano
O desalento de gays e lésbicas no segundo turno

A postura defensiva e o discurso vago dos candidatos à Presidência Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) vêm causando desânimo e revolta na comunidade de gays e lésbicas, que não sente suas reinvindicações apoiadas de fato por nenhuma candidatura, ambas acuadas pela investida moralista de grupos religiosos e conservadores. Pior: segundo algumas das principais lideranças do movimento de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT), a pressão conservadora está deturpando a luta por direitos do grupo e até estimulando a homofobia ao buscar confundir união civil com casamento religioso.
Esta semana, os dois candidos expuseram pontos de vista semelhante e igualmente equivocados sobre o assunto. Pressionada por um grupo de evangélicos a divulgar uma carta contra o casamento gay e a criminalização da homofobia, Dilma Rousseff afirmou que não enviará ao Congresso leis de impacto na religião, mas ressaltou que "a união civil diz respeito aos direitos civis. Isso (o casamento) diz respeito às igrejas e ninguém pode interferir". José Serra, por sua vez, afirmou ontem que "é a favor da união civil entre pessoas do mesmo sexo, mas no que se refere ao casamento gay, cabe às igrejas tomarem sua posição".
Tais declarações seriam revolucionárias não fosse por um fato simples: o movimento LGBT nunca lutou pelo casamento religioso, mas pela aprovação do projeto de união civil que há 15 anos encontra- se congelado no Congresso, justamente por falta de empenho do Executivo na mobilização de deputados e senadores que garantam a sua aprovação. Com isso, dizem gays e lésbicas, nenhum candidato quer se comprometer por medo de perder o apoio de conservadores e religiosos.
— Nunca foi bandeira do movimento gay o casamento religioso, mas o direito civil já reconhecido nos tribunais — diz Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT). — Não queremos destruir a família de ninguém, mas construir a nossa. Não queremos casamento, queremos respeito como cidadão. O debate recuou para posturas da Idade Média.
— O problema é que muita gente não entende o assunto e acaba demonizando os homossexuais — disse Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB).
Alguns, como André Fischer, diretor do Mix Brasil, o maior portal GLS do país, veem o princípio de laicidade do Estado perigosamente em jogo com os candidatos cedendo a grupos religiosos e evitando tomar posições mais claras a respeito de direitos civis.
— As duas campanhas estão firmando acordos com os conservadores e barganhando ideais, achando que, no jogo do segundo turno, é melhor o voto religioso e conservador que o voto progressista — diz Fischer. — Na prática, estão acabando com a militância LGBT porque, qualquer que seja o eleito, não teremos nem um Executivo simpático às causas da minoria gay, nem uma militância que brigue por esta minoria, já que todas dependem, direta ou indiretamente, de financiamento público.
O estilista Carlos Tufvesson, integrante do Conselho dos Direitos da População LGBT do Rio de Janeiro, observa que, ao ceder às pressões de evangélicos contra o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) e contra o Projeto de Lei 122 (PL-122, que criminaliza a homofobia, igualando-a ao racismo), os candidatos estão compactuando com a incitação ao preconceito e intolerância de religiões que tratam a homossexualidade como doença ou mal a ser erradicado. Os evengélicos argumentam que, do jeito que está, o projeto é uma censura às suas igrejas, que se opõem moralmente à homossexualidade.
— O governo eleito cede ao fundamentalismo religioso e garante aos evangélicos obtusos o direito sagrado de serem preconceituosos — afirma Tufvesson.
Segundo os líderes do movimento LGBT, a pressão religiosa sobre a candidata Dilma Rousseff, do PT, e sua resposta evasiva às demandas da comunidade, são o que mais desalenta gays e lésbicas. Afinal, o PT tem um histórico de partido amigável às causas da minoria e seus políticos sempre estiveram na linha de frente dos projetos que garantem direitos importantes, como o projeto de união civil (da então deputada Marta Suplicy) ou o PL-122 (da deputada Iara Bernardi).
— Há um empobrecimento da política, mas o foco deve continuar sendo o de lutar pelo Estado laico e pelo exercício dos direitos humanos, conceitos e práticas que estão em jogo com a armadilha armada contra as forças políticas mais progressistas desse país — diz o deputado federal eleito Jean Wyllis, do PSOL. O publicitário Tony Goes, autor de um dos blogs mais seguidos da blogosfera gay, afirma que, a julgar pelas reações de gays e lésbicas na internet, a escolha do segundo turno ficou ainda mais difícil.
— Entre os gays, esta polêmica não está fazendo bem a nenhum candidato. Sinto um desencanto terrível e são muitos os que dizem que votarão em branco. O curioso é que, pessoalmente, nenhum dos dois parece ser contra os direitos LGBT, mas a guerra pelo poder é um horror — afirma.
FONTE: O GLOBO / RONDA PAULISTANA
Considerações sobre o Dia do Mestre

Hoje, dia 15 de outubro, se celebra o Dia do Mestre. Parece brincadeira, mas cada vez mais existem menos mestres. A vida foi retirando das ambições das atuais gerações, a vontade de lecionar. Há disciplinas como Física e Química , em que conseguir um professor é cada vez mais difícil.
Nosso país não respeita seus educadores, remunerando-os de forma inadequada e sem priorizá-los nas políticas públicas
É uma triste realidade para a educação nacional, mas compreensível para um país que não respeita seus educadores, remunerando-os de forma inadequada e sem priorizá-los nas políticas públicas. Para alguns gestores, as instalações e os equipamentos são de vital importância e o professor fica em segundo plano, inclusive sendo substituído por tutores não presenciais, em sistemas de educação à distancia, cuja qualidade é, na maior parte dos casos, questionável.
Precisamos entender que o professor é a figura que revoluciona as mentes de seus alunos, trazendo para sala de aula a discussão sobre a formação da cidadania, não só da empregabilidade. Ele é a mola de mudança de percepção do indivíduo numa sociedade globalizada, que quer comportamentos padrões, sem respeitar a individualidade e a pluralidade, que devem ser as características do meio acadêmico.
O mestre , apesar de todas as dificuldades, continua lutando por uma sociedade em que oportunidades de aprendizagem devem ser compartilhadas, não impostas. O mundo é dos que desejam fazer da educação um instrumento de novas visões e de sementes de vida mutante.
O professor é a mola de mudança de percepção do indivíduo na sociedade globalizada
O Brasil, que deverá atravessar mudanças nos próximos meses, merece que a educação seja administrada de forma real, num país que almeja sair do subdesenvolvimento, mas que continua se beneficiando do assistencialismo. Quando dizemos real, referimo-nos a uma administração que possibilite não metas preestabelecidas, mas reciclagem e revisão constante, através da participação de alunos, familiares e funcionários nas mudanças estratégicas dos conteúdos disciplinares e dos projetos pedagógicos.
Ser professor não pode ser um bico, nem uma forma de ganhar projeção no mercado, mas uma vontade muito grande de criar um cidadão pensante, politizado, capaz de brigar por seus direitos e ser reconhecido.
Vamos também de uma vez por todas entender que a universidade não é o único caminho na sobrevivência e que o ensino técnico é, às vezes, de maior empregabilidade para um país que forma doutores estagnados em suas teses de pouca aplicabilidade ou que não sabem o que fazer.
Mestre, você merece carinho, afeto, respeito, agradecimento diário, pois você ainda acredita na educação. Vamos comemorar o Dia do Mestre, sim, com grande pompa, mesmo que internamente, dentro de nossos corações, ávidos por um Brasil melhor e com mais educação.
FONTE: O GLOBO / Bayard Boiteux e Mauricio Werner professores universitários
sexta-feira, outubro 15, 2010
Verdades da Profissão de Professor

Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho.
terça-feira, outubro 12, 2010
Uma campanha operária que remou contra a maré
Sem concessões e enfrentando a censura da grande imprensa, candidatura de Zé Maria foi a única a bater de frente com LulaLEIA COM ATENÇÃO ANTES DE VOTAR!

Basta ler o texto, DE BAIXO PARA CIMA….
FONTE: gograpnacional.com
Uma professora do barulho

Foi na semana passada durante a conferência, ou convenção, do Partido Conservador, realizada em Birmingham. Aqui os sócios de carteirinha e mensalidades em dia, após uma ligeira triagem, têm o direito de se dirigir ao plenário e apresentar suas queixas, sugestões ou meras louvações. Tudo dentro da cartilha democrática que estas ilhas adotaram há mais de um século.
Eu disse cartilha. Sei o que digo.
Além dos discursos dos líderes do partido, pegou um bom espaço na imprensa o de uma professorinha. O diminutivo soa a condescendência. Injustiça. Coisas de um tempo que passou, num país bem passado e com um ovo a cavalo em cima.
Refiro-me, pois, e me penitencio, às palavras que a professora Katharine Birbalsingh, de 37 anos, dirigiu a seus colegas partidários. Katharine é a nova vice-diretora de um colégio aqui de Londres que vem vindo aos trancos e barrancos, ou caindo pelas tabelas, para usar de termos idiomáticos familiares aos nossos ouvidos e sensibilidade de botequim.
O St Michael and All Angels, situado no bairro de Southwark, em Camberwell, sul de Londres, barra pesadíssima.
Bairro multiétnico ou globalizado, conforme queiram, onde os alunos, igualmente multiétnicos e globalizados, botam, quase que literalmente, para quebrar. Todos os dias. A posição, quase exaltada, da professora (aliás, ela também multiétnica, como não se pode deixar de notar pelo nome), durou pouco.
Discurso apaixonado e ovacionado na quarta-feira, ordens expressas da diretoria do estabelecimento de ensino em questão para ficar em casa na quinta e na sexta-feira. O que disse a professora Katharine Birbalsingh diante de seus colegas convencionais e que tanto ofendeu seus pares?
A professora apontou para todos os presentes o fato de que os pais dos alunos do educandário onde lecionava, e quase-quase ia dirigir, não tinham a menor ideia de que, na maior parte dos colégios (não especificou se de Londres ou de toda o Reino Unido), o "clima era de caos total".
Criticou principalmente o que ela chamou de "falta de disciplina entre alunos negros" (angloafricano ainda não chegou aqui). Foi mais longe, se tal é possível, e disse que o sistema estava em pleno estado de "ruptura" e que não fazia mais do que manter "pobres as crianças pobres."
Foi uma balbúrdia. Onde já se viu? A professora, antes da ovação, já fizera referência, ao fato de que as escolas e colégios temem perder pupilos se admitirem os problemas existentes no sistema. A St Michael onde leciona (sim, ela foi prontamente reintegrada após a notícia ser dada com destaque pela imprensa) foi chamada por ela de "Alcatraz do mundo da educação." Alcatraz: aquela notória prisão nos Estados Unidos.
Katharine mantinha um blog até sexta feira. To Miss With Love (uma referência a um filme muito conhecido dos anos 70, com o Sydney Poitier, todo passado na Inglaterra). Saiu do ar até segunda ordem devida à reação obtida por suas palavras incandescentes.
Lá estava, e tudo indica que voltará ao ar, a frase terrível, onde ela contava como o colégio pagava por guardas de segurança para revistar as crianças (sim, crianças) antes do início do dia letivo. Acrescentava que, nos últimos seis meses, três crianças foram esfaqueadas no colégio.
No dia em que uma colega fazia a aplicação para o posto que acabou (quase que literalmente) com ela, o de vice-diretora, um bando de alunos a derrubou ao chão num dos corredores do St Michael.
Na sexta-feira, procurada pela imprensa, que voou em cima, Katharine Birbalsingh se confessou diante do dilema de falar ou calar sobre o sistema e fazer o que era o mais correto no caso de "seu" colégio. E foi explícita: o colégio, por ele, moitava. Calava a boca. Não dava um pio.
A professora não moitou e não calou. Deu um baita pio. No que fez muitíssimo bem.
FONTE: FOLHA.COM / IVAN LESSA COLUNISTA DA BBC BRASIL, EM LONDRES
Semente do Amanhã: Feliz Dia das Crianças

HOMENAGEM G'BALA À VOCÊ QUE VEIO PARA FICAR