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domingo, novembro 28, 2010

Conjunto do Alemão tem um dos piores indicadores sociais do Rio

De 158 bairros, complexo ocupa a 149ª posição no IDS. Mais de 15% das residências não contam com rede de esgoto.



Local onde é realizada a maior operação contra o narcotráfico da história do Rio de Janeiro, o bairro do Complexo do Alemão, na Zona Norte, é dono de uma da piores médias do Índice de Desenvolvimento Social (IDS) da cidade. O índice, calculado pelo Instituto Pereira Passos (IPP), da prefeitura, mede o acesso a saneamento básico, a qualidade habitacional, o grau de escolaridade e a renda da população carioca.

Do total de 158 bairros do Rio, o Complexo do Alemão ocupa a 149ª posição, com um IDS de 0,474. Quanto mais perto do número 1, melhor o índice. De acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado no ano 2000, 65.026 pessoas vivem nos 18.245 domicílios do complexo, que é formado por 14 favelas, de acordo com o IPP. Deste total, mais de 15% das residências não contam com rede de esgoto.

Juventude fora da escola, mães precoces e pouca renda

Com uma das maiores densidades demográficas do Rio, segundo o IPP, alguns índices medidos pelo Censo 2000 do IBGE demonstram o porquê de o Complexo do Alemão ser uma das áreas mais carentes da cidade. De um total de 125 bairros pesquisados, o complexo está entre os 15 bairros com mais crianças e adolescentes, dos 7 aos 17 anos, fora da escola. Na faixa etária dos 15 aos 17 anos, o percentual chega a 27,83% de jovens que não frequentam as salas de aula.

Já 36,43% dos chefes de família têm menos de quatro anos de estudo. Um em cada 11 moradores da favela com mais de 15 anos de idade é analfabeto.

Isso se reflete em outros indicadores de pobreza, como o número de mães adolescentes do Complexo do Alemão. Na faixa etária entre 15 e 17 anos, 11,37% das meninas que moram nas favelas da região já são mães. E o dinheiro para cuidar dos filhos é curto, já que a renda média dos chefes de domicílio é de pouco mais de dois salários mínimos – 60,55% deles ganham até dois salários.

A origem do nome

O Alemão passou a existir oficialmente como um bairro carioca em 9 de dezembro de 1993, data do decreto municipal que definiu o nome e a delimitação da região. O complexo faz limite com os bairros de Olaria e Ramos (ao norte), Bonsucesso (a leste), Higienópolis e Inhaúma (ao sul) e Engenho da Rainha (a oeste).

Com 296 hectares, o Alemão tem quase o mesmo tamanho de Ipanema, um dos mais famosos do Rio, na Zona Sul, com 308 hectares. Para efeito de comparação, o complexo tem mais do que o dobro do tamanho da Favela da Rocinha, que tem 143 hectares.

Mas a origem do nome é muito mais antiga e se deve ao Morro do Alemão, uma das principais favelas do complexo, que até o final dos anos 40 era uma grande fazenda que pertencia a um imigrante europeu. “Por causa da aparência do dono da fazenda, branco e alto, todos se referiam ao local como a ‘fazenda do alemão’”, conta Seu Zé, presidente da Associação dos Moradores do Alemão em depoimento no documentário Complexo - Universo Paralelo. O filme é uma realização dos irmãos e cineastas portugueses Mário e Pedro Patrocínio. Os dois filmaram o cotidiano de moradores do Complexo do Alemão por cerca de dois anos e lançaram o filme no Festival do Rio 2010.

FONTE: G1

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