Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Para líder do MNU, ministra deve por fim à cooptação política







O Coordenador Nacional de Organização do Movimento Negro Unificado (MNU), Reginaldo Bispo, disse esperar que a nova ministra chefe da SEPPIR, Luiza Bairros, acabe com a prática dos seus antecessores que, segundo ele, teriam utilizado como regra a cooptação do Movimento Social pelo Governo “como método para quaisquer relações e apoio as iniciativas”.

“Não temos como avaliar se aquilo partia do Governo, do ministro, ou dos assessores, mas foram denunciadas mais de uma vez a indignação destes assessores, com excessos verbais e ataques com declarações oficiais contra cidadãos e militantes que divergiam de alguma política do governo”, afirmou.

Segundo Bispo, por conta dessas práticas, adotou-se a regra de só os partidários e amigos do Governo, que concordam com as correntes que administram a SEPPIR, receberem apoio para seus projetos.

"Entendemos que o dinheiro publico é de todos os cidadãos brasileiros, não de partidos, ou tendências partidárias as quais pertencem os gestores públicos, portanto, para ser investido nos melhores projetos e programas que beneficiem a população negra e indígena. Defendemos também, que além da exigência de bons projetos, se exerça a fiscalização da utilização dos recursos públicos, para que não sejam objeto de desvios dos fins declarados”, acrescentou.

O Movimento, criado em 1.978, vive um processo de divergência interna aguda. Uma ala – que reuniria a maioria dos dirigentes (Veja a entrevista do ex-deputado Marcelo Dias, do PT do Rio, em Afropress) já manifestou apoio a nova ministra, sem qualquer observação em relação a medidas que deva adotar. A ala representada por Bispo, porém, mantém uma posição crítica, tendo inclusive declarado voto nulo nas eleições de outubro do ano passado.

Em relação à mudanças na equipe de gestores, Bispo defende que a nova ministra faça uma reformulação geral. “Muitos dos atuais demonstraram sectarismo e incompetência na relação com o Movimento Negro”, finalizou.

Quanto ao Congresso Nacional dos Negros e Negras do Brasil (CONNEB), cuja idéia, lançada em 2007, naufragou sem conseguir sequer realizar a Assembléia de conclusão dos trabalhos, Bispo disse que a iniciativa está morta e acusou setores petistas e do PC do B, por isso. “Setores petistas e do PC do B, temiam que se a conta fosse entregue ao Governo Lula, poderia constrangê-lo”, assinalou.

Leia, na íntegra, a entrevista do Coordenador Nacional de Organização do MNU, ao editor de Afropress, jornalista Dojival Vieira.

Afropress - Como recebeu a indicação da ministra Luiza Bairros e qual sua expectativa após o seu discurso de posse?

Reginaldo Bispo - Antes de qualquer coisa, nenhum militante do MN, em sã consciência vai torcer para o insucesso da ministra.

Esperamos que ela consiga implementar seu programa se modo a responder as necessidades mais gritantes do povo negro, indígena e das minorias.

No entanto, ressaltamos que o governo se inicia sob o signo da austeridade, do corte de verbas, sobretudo sociais e de investimentos com o objetivo de combate ao déficit da dívida pública e da inflação. Ou seja, o governo declara que tem que gastar menos, e que a prioridade é o combate a inflação, e que para isso diminuirá o credito aos consumidores, reduzirá orçamentos e cortará gastos e investimentos públicos.

Isto vai na contramão da melhoria e do aumento na oferta dos serviços públicos e dos investimentos em criação de empregos, saúde, educação, transporte, cultura, esporte e lazer, e finalmente segurança publica, que é precedida daqueles requisitos.

Quer dizer que os serviços públicos, já péssimos, podem piorar e daí advir a degradação nas condições de vida da população, incluindo o desemprego para os mais pobres e menos qualificados da população, negros em sua maioria.

Afropress - Que mudanças espera que ela promova na SEPPIR? Acha que algum dos atuais dirigentes deve ser mantido?

Bispo - O discurso de posse da ministra Luiza Bairros torna-se interessante, sobretudo quando ela declara que pretende manter uma relação de respeito a autonomia do Movimento Negro. Quero entender com isso, que a partir de agora a relação da Seppir como o movimento Social não repetirá aquilo que foi regra nas gestões anteriores, em especial na do Elói,com a cooptação (pelo Governo) como método para quaisquer relações e apoio às iniciativas do movimento social.

Não temos como avaliar se aquilo partia do Governo, do ministro, ou dos assessores, mas foram denunciadas, mais de uma vez, a indignação destes assessores, com excessos verbais e ataques com declarações oficiais contra cidadãos e militantes que divergiam de alguma política do governo.

Temos o caso do Assessor da Seppir, Alessandro, em reunião pública no RS, tentando intrigar um militante do MNU, o advogado Onir de Araujo, com os quilombolas, declarando para os mesmos, que "tinha uma informação de fonte segura, de um membro da direção nacional do MNU, de que o Onir seria expulso, pela sua posição contraria a política do governo para quilombolas daquele estado". Cobramos, por escrito, do ministro Edson Santos e ao Alessandro, que confirmassem e indicassem o nome do informante, sob pena de entendermos ser este um método de ingerência do governo no movimento social, e não obtivemos resposta até hoje.

[Nota da Redação: Afropress ligou para o celular de Reis, que é Secretário para Comunidades Tradicionais da SEPPIR, para ouvir a sua versão sobre o episódio, porém, seu telefone estava na caixa postal, o que tornou impossível o contato.]

Este comportamento de utilização da estrutura de um órgão no governo para atacar cidadãos e os movimentos sociais é desigual, arrogante e policial próprio das ditaduras. Não tem nada de democrático e de republicano. Esperamos que a ministra trate dessas questões com imparcialidade, respeitando as opiniões da militância e do MN, e que as divergências, não sejam motivos para retaliações e exclusão do diálogo com a Seppir.

Entendemos que o dinheiro público é de todos os cidadãos brasileiros, não de partidos, ou tendências partidárias as quais pertencem os gestores públicos, portanto, para ser investido nos melhores projetos e programas que beneficiem a população negra e indígena, por isso inadmissível a exigência de que só os partidários e amigos do Governo, que concordem com as correntes que administram a SEPPIR, é que devam receber apoio para seus (bons) projetos. Defendemos também, que além da exigência de bons projetos, se exerça a fiscalização da utilização dos recursos públicos, para que não sejam objeto de desvios dos fins declarados.

Ela respondeu também a outra questão que denunciamos em entrevista. [Líder do MNU prega fim de subserviência negra aos Partidos – Afropress, 10/12/2010]. A transformação das Coordenadorias e Secretarias de Promoção da Igualdade raciais, como costumeiramente são tratados pelos partidos, prefeitos, governadores e presidentes.

É como a tirar um peso da consciência, deixando à SEPPIR com um orçamento irrisório (agora mais uma vez teve seu orçamento seriamente diminuído), com a responsabilidade de realizar políticas para os negros. Ela declara ter consciência, e que vai dividir essa responsabilidade com outros ministérios.

Juntando isso, a costumeira incompetência e ineficiência dos Governos, esperamos que ela realmente não se coloque no córner indefesa e conformada, saindo a luta para convencer e obter de todo o governo, o respeito e os recursos e investimentos necessários para atendimento das necessidades de 51% da população, os negros, seguimento históricamente mais vulnerável pela pobreza e as desigualdades do Brasil. Uma tarefa hercúlea!

Quanto a manutenção ou não dos atuais profissionais da SEPPIR, creio que ela deva fazer uma reformulação geral, para que possa implementar a gestão do seu projeto. Muitos dos atuais dirigentes demonstraram sectarismo e incompetência na relação com o MN.

Vejam o caso recente (denunciado por um funcionário de carreira do INCRA e por militantes do MN-RS) de displicência no tratamento a um quilombola de 82 anos, do RS (que foi abandonado com problemas de saúde em Brasília, depois de um desses eventos da SEPPIR), tendo que pagar sua própria passagem para retornar ao RS. Os responsáveis, na Secretaria, foram informados das dificuldades e dos problemas de saúde do mesmo, mesmo assim, abandonando-o nestas condições fora do seu Estado.

Há outros fatos que comprovam outras negligencias, não respostas e desaparecimentos de projetos, resposta atrasadas quando os eventos já se encontram em andamentos, erros de toda sorte, configurando má vontade ou inapetência.

Afropress - Como está vendo essa discussão que voltou a circular em torno do CONNEB?

Bispo - O CONNEB não avançou de modo a atingir o propósitos de elaborar um Projeto Político do Povo Negro para o Brasil e o Projeto-Conceito de Reparação Histórica e Humanitária para os negros brasileiros. Setores petistas e do PC do B, temiam que se a conta fosse entregue ao Governo Lula, poderia constrangê-lo. Outros setores do MN deram a sua contribuição contrária aquele projeto, boicotando ou participando por dentro para derrotá-lo.

A pauta Projeto Político e Reparação, com a qual os governistas nunca concordaram, era uma tentativa de unir todos os setores do MN por um projeto de incorporação da verdadeira equidade de direitos, de combate as desigualdades, de reconhecimento e abertura de espaços definitivos e permanentes, pelo reconhecimento da contribuição do negros na construção passada, presente e futura, de um Brasil pluricultural e multirracial, de esforço de toda a sociedade no combate ao racismo.

A lógica dos governistas, em todas as entidades, era proteger o Presidente e seu Governo de desgastes, que pudessem redundar em prejuízos eleitorais. No que isso muda agora? Vão querer apresentar a conta a Dilma Rousseff? Duvido!

Misturam o Estado brasileiro com o Governo. O Governo administra o Estado temporariamente. Confundem uma proposta de interesses estratégicos para resolver problemas crônicos e centenários do Brasil (como o racismo institucional e estrutural), com interesses de partidos e candidaturas.

Creio que deva haver uma última Assembléia Nacional do CONNEB para finalizar aquele processo, sobretudo para resolver aquela liberação pela SEPPIR do projeto de cento e poucos mil reais, para realização das reuniões da Comissão Executiva e manutenção de serviços burocráticos do escritório do CONNEB no RJ, de modo que a companheira Ruth Pinheiro e sua entidade, o CAD, não sejam responsabilizados pela irresponsabilidade da maioria.

Entretanto, o CONNEB não faz mais sentido, não existe uma relação política de confiança e compromisso entre os representantes das entidades, membros da Coordenação Política e da Comissão Executiva, que deviam tocar o Congresso.

Afropress - Faça as considerações que julgar pertinentes.

Bispo - Torço para que a ministra consiga realizar seu trabalho a contento. Da nossa parte, faremos uma critica construtiva e propositiva, se as relações forem democráticas e de respeito ao MN, como ela manifestou no discurso de posse.

Acima de tudo, torço (com poucas esperanças) para que as relações do MN brasileiro, de clientelismo e utilitarismo, passem a ser de autonomia e independência em relação a partidos e Governos. Uma postura de vanguarda e liderança, de cumprimento do papel de movimento social: reivindicar ao poder publico, educar, organizar e mobilizar o povo contra as arbitrariedades e injustiças das elites políticas e econômicas (expressas na política dos Governos), pela plena cidadania, a verdadeira e mais radical democracia popular.
FONTE: AFROPRESS

AfroReggae completa 18 anos de sucesso com status de empresa social







Era uma vez uma ONG. O AfroReggae atinge a maioridade com status de empresa social. O aniversário de 18 anos é hoje. Sem festa. Mas há muito a comemorar: o programa "Conexões Urbanas", do Multishow, apresentado pelo coordenador da coisa toda, José Júnior, virou referência em cultura de periferia. O Multishow não divulga números de audiência, mas só de lucros para o AfroReggae o "Conexões" rendeu R$ 500 mil em 2010. A trupe de teatro estreou profissionalmente no Laura Alvim em setembro, com a peça "Urucubaca", feita de textos inéditos de Jorge Mautner.

A banda AfroReggae, que lança seu quarto disco este ano, acaba de se associar à Mondo Entretenimento, a maior empresa de agenciamento de artistas no país. O AfroSamba lança, ainda neste semestre, seu primeiro CD. E a cereja do bolo de aniversário foi a inauguração, em maio passado, do Centro Cultural Waly Salomão, em Vigário Geral. São quatro andares, que abrigam salas de aulas e estúdios bem equipados para ensaios e gravações. Em frente, uma praça para espetáculos. Caetano, Gil, Fernanda Abreu, Adriana Calcanhotto, Daniela Mercury, muitas gente já tocou lá. Para ontem à noite estava agendado um show do Cidade Negra, marcando a volta de Toni Garrido.

- Não fazemos hoje nenhuma produção de show ou de televisão que não dê lucro para o AfroReggae. Tudo dá lucro. Em 2010, nossa receita foi de R$ 14 milhões - revela Júnior. - O DNA do AfroReggae é cultural e social. Mas tudo passa pela cultura. Nosso trunfo são as nossas associações. Sempre procuramos os melhores como parceiros.

Sem leis de incentivo

O AfroReggae tem uma constelação de patrocinadores. O que transformou - ou está transformando - a ONG em empresa social, porém, é a mudança de paradigma. A maioria dos apoiadores não usa leis de incentivo porque a relação é de empresa para empresa, de CEO para CEO.

- Nós fomentamos negócios, e eles nos pagam por isso - explica Júnior. - Os artistas vão tocar em Vigário Geral não porque somos coitadinhos. Vão lá porque têm toda a estrutura para ensaiar, para gravar, para se apresentar. O AfroReggae conta hoje com oito bandas, duas trupes de circo, uma trupe de teatro e mantém 75 projetos sociais, de projetos de empregabilidade a cursos de capacitação.

Com pinta de CEO pop - calça e camiseta da Reserva, quatro argolas de ouro nas orelhas e muitas tatuagens -, Júnior recebeu O GLOBO na mais nova instalação do AfroReggae, uma cobertura na Rua da Lapa, com ampla vista da Baía da Guanabara. A reforma foi concebida pelo designer Luiz Stein. Custou, incluindo o imóvel, R$ 1 milhão. Por quase duas horas, Júnior despejou projetos, que vão de programas de televisão à construção de um museu no Complexo do Alemão, que está em fase embrionária, com previsão de inauguração nos 20 anos do AfroReggae. O projeto é de Oscar Niemeyer. E o acervo, ainda em negociação, do banco Santander, dono de uma das maiores coleções privadas do mundo.

- Vamos inaugurar com pelo menos um Picasso, um Monet, um Salvador Dalí - diz Júnior. - Mas queremos um museu interativo, como o Museu da Língua Portuguesa e o do Futebol.


- Ele não está no papel de policial, mas de alguém que se muda para a favela dez dias depois da ocupação, interagindo, conversando, tomando banho, comendo, dormindo. Aprovamos o programa numa quinta-feira, e na segunda estava todo mundo morando no Alemão: câmera, editor, produção... - comenta Júnior. - Filmamos muito o Beto na rua, com as pessoas. Filmamos 24 horas. O mais interessante foi perceber o olhar do policial para a favela e o olhar da favela para o policial.Na TV, vai dar muito AfroReggae em 2011. No dia 7 de fevereiro, estreia "Papo de polícia", no Multishow. O programa, umreality show no Complexo do Alemão, terá sete episódios. O AfroReggae plantou na favela o policial civil Beto Chaves, que participou nos últimos anos de todas as operações por ali. Beto ficou morando lá uma semana.

Mais dois programas de TV estão na ponta da língua de Júnior: "Poder" e "3D". O primeiro também será exibido no Multishow. Está na grade de 2011, mas sem data confirmada para estrear. A série vai apresentar mulheres poderosas, de traficantes a empresárias. A ideia é mostrar o cotidiano de mulheres que interferem no seu entorno. No roteiro, na direção, na apresentação, nas câmeras, na produção, só mulheres. Já o "3D" é uma encomenda da TV Globo: um programa jornalístico nos 18 municípios do Grande Rio, com reportagens que não encontrariam espaço no jornalismo tradicional da emissora. E, por fim, o "Conexões Urbanas", há quatro anos no ar, continua. Três temas já estão na pauta: uma entrevista com Marcinho VP, um papo com Fernandinho Beira-Mar e um apanhado dos cem primeiros dias do Exército no Complexo do Alemão.

- Estamos filmando 24 horas. Não fazem os cem dias do presidente, do prefeito? Estamos fazendo os cem dias do Exército no Alemão. Continua a ter tráfico, mas obviamente não é mais aquilo - comenta Júnior. - Mas agora tem assalto, coisa que não tinha. Tem porrada física entre os jovens, o que não acontecia. No contexto geral, porém, melhorou muito para os moradores.

Enquanto caminha pela nova sede, com o orgulho de quem começou com pequenas oficinas de percussão na quadra de Vigário Geral, Júnior prova: o AfroReggae está na moda. Literalmente.

- Estamos lançando um selo: o AR. Quem está pilotando o licenciamento é a Reserva. Vinte empresas já pediram licenciamento. A criação será coletiva. A marca que receber o selo AR vai produzir produtos em parceria com o nosso time de estilo. Mas é mais do que estilo, obviamente. É transformação social. O dinheiro tem destino certo.

FONTE: O GLOBO

quarta-feira, janeiro 19, 2011

ELIS sempre REGINA



















Marcado, como sempre, por uma fabulosa mescla de teatralidade e poesia, o último show de Elis, Trem Azul, realizado em fins de 1981, trazia um monólogo que, lamentavelmente, acabou servindo como seu comovente testamento: “Agora retiram de mim a cobertura da carne, escorrem todo o sangue, afinando os ossos em fios luminosos – e aí estou pelo salão, pelas casas, pelas cidades, parecida comigo.

Um rascunho. Uma forma nebulosa, feita de luz e sombra. Como uma estrela. Agora eu sou uma estrela”.

Pouco depois, em 19 de janeiro de 1982, com apenas 36 anos, uma mistura bombástica de álcool e cocaína pôs fim a uma vida marcada pela mesma intensidade e dramaticidade que caracterizaram suas apresentações.

Nascida em Porto Alegre, Elis começou sua carreira aos sete anos, em programas de rádio. Aos 15, gravou seu primeiro disco e, no início dos anos 60, ainda adolescente, já fazia sucesso no Beco das Garrafas, o antológico reduto carioca da Bossa Nova. A consagração nacional veio aos 20 anos, em 1965, quando venceu o I Festival de Música Popular Brasileira, interpretando “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes. A projeção internacional consolidou-se em 1978, com a vibrante participação no Festival de Montreaux, na Suíça.

No decorrer de sua carreira, ainda estrelou por três anos, com Jair Rodrigues, o programa de TV “O Fino da Bossa”, na Record, responsável pelo lançamento de jovens compositores e cantores como Milton Nascimento e Gilberto Gil; gravou o memorável “Elis & Tom”, em 1974, que imortalizou a música “Águas de Março” e, até a sua morte, emprestou sua afinadíssima voz para as composições do que havia de melhor entre os compositores de MPB e para recriações maravilhosas de “clássicos” compostos por Adorinan Barbosa, Cartola, Dorival Caymmi, Ataulfo Alves e Lupicínio Rodrigues, dentre vários outros.

O impacto de sua morte prematura e o enorme carinho que o público lhe dedicava transformaram seu velório em uma espécie de ato público, que reuniu dezenas de milhares de pessoas que protagonizaram um comovente “espetáculo”, marcado por cenas de paixão e drama muito próximas àquelas que Elis interpretou durante toda sua vida, dentro e fora dos palcos.

Cantando a paixão
Apelidada de “Pimentinha” ou “Furação”, em razão de sua personalidade explosiva e suas posturas polêmicas, Elis era, acima de tudo, uma mulher intensa. Seus três casamentos, algo nada comum na época, foram cercados por episódios estrondosos. Avessa a meias palavras e dotada de um ácido senso de humor (geralmente acompanhado por uma inesquecível gargalhada), a cantora não se cansava de protestar contra a “caretice” que vigorava em sua época e de exaltar a liberdade de expressão e comportamento.

Uma paixão pela vida que transparecia, acima de tudo, na escolha de seu repertório e na sua forma de interpretação. De baixa estatura, ela agigantava-se no palco, por gestos largos e uma voz jazzística, cuja sensualidade seduzia o público.

Exemplar nesse sentido foi o espetáculo Falso Brilhante, 1975-1976, um dos maiores sucessos da história da música brasileira. Dirigido pela atriz Miriam Muniz e com cenários e figurinos de Naum Alves de Souza, o espetáculo ficou em cartaz por 14 meses, lotando diariamente os 1.500 lugares do teatro.

Foi nesse show que Elis cantou “Tatuagem”, de Chico Buarque, cuja interpretação – ao lado de “Dois pra lá, dois pra cá” (João Bosco e Aldir Blanc), “Atrás da porta” (Chico Buarque e Francis Hime), “Me deixas louca” e algumas outras dezenas – é imbatível no que se refere às coisas do amor e suas muitas alegrias e dores.

A voz da anistia e da luta pela liberdade
No início de sua carreira, Elis foi protagonista de alguns episódios que lhe renderam duríssimas críticas. Um deles, um tanto pitoresco, foi um movimento organizado em 1967 contra a influência da música estrangeira em nosso país, conhecida como a “passeata contra a guitarra”, que lhe valeu a, breve, antipatia dos que buscavam inovar a MPB em fins dos anos 60.

Em 1972, contudo, a polêmica foi bem maior. Depois de ter dado uma entrevista na Europa afirmando que o Brasil era governado por “gorilas”, Elis foi “convocada” (como pré-condição para voltar ao país sem problemas) para cantar o Hino Nacional nas olimpíadas do exército, e, pior, pouco depois, a fazer um show, em Caxias do Sul, para o asqueroso general-ditador Médici.

A história lhe valeu um enterro simbólico no cemitério dos “mortos-vivos” do Pasquim, promovido por Henfil. Em 1979, depois de reconciliar-se com o cartunista, o “pedido de desculpas” veio na forma da gravação de “O bêbado e o equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc. Uma música que, ao cantar o sonho de ter “a volta do irmão do Henfil” e ao exprimir a dor das “Marias e Clarisses” que choravam seus mortos e desaparecidos, transformou-se no verdadeiro hino da luta pela anistia e pela redemocratização do país.

Aliás, mesmo que de forma indireta, Elis sempre embalou a luta pela democratização, ao emprestar sua voz para músicas que sintetizavam os sonhos e as esperanças da geração que lutou contra a ditadura e por liberdade.

Exemplo maior disso, até, deu-se depois de sua morte, no dia 7 de fevereiro de 1982, no show “Canta Brasil”, em São Paulo, com Chico Buarque, Milton Nascimento, Clara Nunes, Gonzaquinha e outros.

Transformado em um ato contra a ditadura – um dos momentos culminantes do show foi quando uma multidão de quase 100 mil acompanhou Simone cantando “Pra não dizer que não falei de flores”, de Geraldo Vandré –, o espetáculo terminou com “O bêbado e o equilibrista”, entoada por todos os cantores e a multidão, com punhos cerrados lançados ao ar.

No decorrer de sua carreira, os exemplos de músicas que serviram como metáforas musicais para repudiar a opressão ditatorial e as mazelas da elite dominante ou cantar o desejo por um mundo melhor e livre foram muitos. Alguns deles inesquecíveis, exatamente pela interpretação de Elis: “Los hermanos”, de Mercedes Soza, e “Como nossos pais”, de Belchior (Falso Brilhante, de 1976); “Sinal Fechado”, de Paulinho da Viola, e “Deus lhe pague”, de Chico Buarque (Transversal do Tempo, 1978); “Alô, Alô Marciano”, de Rita Lee e Roberto de Carvalho, “Maria Maria” e “Canção da América”, ambas de Milton Nascimento e Fernando Brant e “Aos Nossos Filhos”, de Ivan Lins e Vitor Martins (presentes no disco Saudades do Brasil, 1980).

Hoje, passados mais de 20 anos de sua morte, sua herança musical é o maior testemunho do vigor de sua breve vida. Para além dos três filhos músicos – João Marcelo Bôscoli, Pedro Camargo Mariano e Maria Rita –, Elis ainda continua embalando muita gente que, como muitos de nós e, também, “como nossos pais”, ainda encontram na voz de Elis beleza e força únicas para traduzir os cantos de nosso povo.

FONTE: Opinião Socialista

ELIS REGINA










"Agora o braço não é mais o braço erguido num grito de gol.

Agora o braço é uma linha, um traço, um rastro
espelhado e brilhante.

E todas as figuras são assim: desenhos de luz, agrupamentos de pontos de partículas, um quadro de impulsos, um processamento de sinais.

E assim ­ - dizem - recontam a vida.

Agora retiram de mim a cobertura da carne, escorrem todo o sangue, afinam os ossos em fios luminosos e aí­ estou, pelo salão, pelas casas, pelas cidades, parecida comigo.

Um rascunho.

Uma forma nebulosa, feita de luz e sombra.

Como uma estrela.

Agora eu sou uma estrela."
(elis)


HOMENAGEM G'BALA

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Dia de Solidariedade com o Povo Haitiano








A Coordenadoria Latinoamericana de Organizações do Campo, CLOC- VIA CAMPESINA e suas organizações expressam sua solidariedade com o país irmão Haiti, que há um ano sofreu um terremoto que devastou, principalmente, Porto Príncipe, a capital, e outras regiões do Sul, deixando um saldo de 300 000 mortes, milhares de pessoas feridas, e 1.500.000 pessoas sem teto. Soma-se a este desastre natural, o furacão Tomas, outro fruto da crise climática que vive o mundo graças à ganância do capital, somando a tudo isto, o país passou, ainda, por um recente surto de cólera, que já causou 2.000 mortes e uma crise eleitoral há de um mês.

A CLOC - Via Campesina considera que o caos que vive o Haiti é uma catástrofe para todo o Continente Americano e denuncia que, apesar da imediata Solidariedade Internacional, mais de um milhão de haitianas e haitianos continuam vivendo em refúgios temporários e mais de 90% da ajuda prometida ainda não chegou ao páis. Denunciamos, ainda, o cinismo da MINUSTAH, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, que foi criada em 2004, pouco tempo após o golpe de estado que destituiu o presidente Jean-Bertrand Aristide, a qual recebe mais de um milhão de dólares diários para seu funcionamento e pouco ou nada fez para ajudar na restauração e manutenção da Lei, e por promover e proteger os Direitos Humanos das e dos haitianos.

Neste contexto, as Organizações em todo o Continente exigimos:

1. Que a ONU ponha fim à ocupação militar do Haiti. Atualmente há militares e oficiais de países como Estados Unidos, Canadá, França, Japão, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai, Peru, Coréia, Equador, Argentina e Uruguai no país.

2. Que pare imediatamente a violação dos Direitos Humanos do povo Haitiano.

3. Que se realizem processos democráticos e transparentes que reflitam a vontade das e dos Haitianos.

4. Que exista um verdadeiro espírito de solidariedade dos países chamados amigos do Haiti, para ajudar na reconstrução do país, e que saiam do Haiti aqueles que unicamente perseguem interesses mesquinhos.

5. Que as entidades de Saúde em nível mundial atendam de maneira urgente a emergência sanitária que vivem nossas irmãs e irmãos.

6. Que se tome em conta a participação das organizações camponesas, sociais e populares do Haiti no desenho, execução e controle das políticas e ações de reconstrução.

7. Que os meios de comunicação conscientes em todo o mundo visibilizem esta crise humanitária e que não se convertam em cúmplices dela.

Por outro lado, aplaudimos a histórica solidariedade de Cuba com o Haiti e elogiamos a presença da brigada de saúde cubana que conta com 1.200 doutores, que estão operando em todo o território haitiano sem fazer grandes alardes midiáticos, como outros países.

Finalmente, fazemos um chamado a todas nossas organizações, amigos e aliados para que se somem a este Dia de Solidariedade e para que resistamos à militarização e contribuamos na construção de uma cultura de paz em todo o Continente Americano.

Pela Terra e a Soberania de Nossos Povos!

América Luta!

FONTE: Comissão Patoral da Terra

terça-feira, janeiro 11, 2011

Cantor Chico César assume na Paraíba

O cantor e compositor Chico César, 46 anos, autor de sucessos como “Mama África”, assumiu a Secretaria da Cultura da Paraíba, estado onde nasceu. Chico aceitou o convite do governador Ricardo Coutinho (PSB), e disse que seguirá o exemplo do dramaturgo Ariano Suassuna, que oocupou o mesmo cargo em Pernambuco, durante a gestão do governador Miguel Arraes (1.995/1998).

Entre as idéias que prometeu levar à prática estão a realização de um levantamento das principais manifestações populares e o investimento na preservação e divulgação da cultura na população paraibana.

Chico já foi diretor da Fundação Cultural de João Pessoa (PB), e é mais um dos artistas convidados por Governos estaduais para assumir a área da cultura. Anteriormente, a poeta e atriz Elisa Lucinda, foi convidada para ser Secretária da Cultura do Espírito Santo, também seu Estado de origem.

Elisa, porém, não aceitou o convite devido a compromissos na agenda para este ano, mas aceitou ser Embaixatriz da Cultura capixaba no mundo.
FONTE: AFROPRESS

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Ministro da Justiça apoia discussão sobre descriminalização do uso de drogas

O novo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, é a favor de que haja uma discussão pública sobre a descriminalização do uso de drogas. Para ele, o assunto "precisa ser colocado para a sociedade". O ministro fez a declaração na manhã desta terça-feira durante a gravação do programa 3 a 1, da TV Brasil, que vai ao ar às 22h desta quarta-feira.

Cardozo não antecipou sua opinião, se contra ou a favor da descriminalização, mas ponderou que "posições muito vanguardistas são desastrosas". Após o programa, o ministro disse à Agência Brasil que a discussão pode evoluir para uma consulta, por meio de plebiscito ou de referendo. Com a posse de Dilma Rousseff, a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) foi transferida para o Ministério da Justiça.

O ministro também é mais um a fazer coro a favor de reformas na legislação processual. Ele defendeu, durante a gravação do programa, a redução da possibilidade de recursos e que a tramitação de papéis seja totalmente informatizada e que o acesso à Justiça seja mais barato e democrático.

Além de mudança na lei, Cardozo avalia que o problema é "do sistema", "de cultura" e "não dos juízes". Ele informou que pretende mudar o nome da Secretaria de Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça para "Secretaria do Judiciário" ou "Secretaria de Assuntos Judiciários".

O ministro da Justiça ainda se posicionou a favor do Projeto de Lei nº 7.376/2010, que cria a Comissão Nacional da Verdade para apurar crimes contra os direitos humanos (sequestro, tortura, estupro e assassinato) praticados por militares e policiais durante a ditadura militar (1954-1985)

O projeto de lei é uma herança do governo Lula e aguarda tramitação na Câmara dos Deputados desde maio de 2010. A proposta provocou uma indisposição entre as pastas de Defesa e de Direitos Humanos no governo passado.

- Reparação da verdade é fundamental - disse, ao apontar que se houver divergência interna no governo quem decide é a presidenta Dilma Rousseff.

Na opinião de Cardozo, a condenação do Brasil pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA) - por causa da violação de direitos fundamentais de 62 pessoas desaparecidas durante a Guerrilha do Araguaia (ocorrida no início dos anos 1970) e por não prestar esclarecimentos aos parentes sobre o paradeiro dos corpos dessas pessoas -, poderá fazer com que seja revista a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou os crimes perdoados pela Lei de Anistia de 1979.

- Como isso vai se desdobrar não cabe a mim antecipar - afirmou, com cautela, ao ressaltar que a sua opinião era uma "interpretação jurídica" e não um questionamento de decisão do STF.

Ainda sobre a ditadura militar, o ministro se posicionou favoravelmente ao "acesso garantido, conforme a lei" aos arquivos sobre o período.

FONTE: AGÊNCIA BRASIL

Perspectivas para 2011: herança maldita?

O governo Dilma irá encontrar um país endividado e com sua economia desnacionalizada. Se considerarmos as falas dos ministros designados para a área econômica, tudo leva a crer que seu governo entrará em choque com as promessas de campanha e com seu primeiro discurso logo após sua eleição. Seus ministros vêm falando em novo arrocho econômico interno, em redução dos gastos públicos, em congelamento salarial, até para os aposentados.


Herança Maldita

Quando Lula assumiu o governo, há oito anos, as forças lulistas diziam que ele havia recebido uma "herança maldita", relacionada com as dívidas externa e interna. Se era maldita aquela herança, como poderemos situar a atual realidade?


Porém é preciso dizer que a tal "herança maldita", de fato, foi-nos deixada pelos governos militares. Empregando a força das armas, a repressão nos fez engolir esse modelo de desenvolvimento que vem gerando tantos desajustes e injustiças. Provocando forte e rápida migração do campo, fez o povo amontoar-se nas grandes cidades, em precárias condições de habitação, além de deixar grande parte dos migrantes no desemprego e no trabalho precarizado.



Vem dos militares também o esquema corrupto da atual dívida pública, que tem nos juros flutuantes a principal fonte de endividamento crescente. Legaram-nos ainda o início da desnacionalização da economia, arrochando financeiramente as empresas nacionais e abrindo as portas para as multinacionais, com todos os favores possíveis e imagináveis, principalmente a total liberdade de remessa de lucros para suas matrizes. Para se ter uma idéia do que isto significa, basta dizer que entre 1995 e 2008 somente as remessas de lucro somaram R$ 292,2 bilhões.


A corja militar usurpadora do poder favoreceu também a desnacionalização das terras brasileiras, principalmente na área amazônica - onde se situam as maiores reservas biológicas do planeta -, estimulando a aquisição de enormes glebas de terra por empresas estrangeiras interessadas unicamente na extração ou produção para a exportação. Assim, de fato temos uma enorme herança maldita, que os governantes sucessores dos militares não interromperam, ao contrário, fizeram aprofundar.


Para compreender um pouquinho o quadro da desnacionalização, convém lembrar que, até 1990, havia no Brasil mais de 300 bancos comerciais e múltiplos, e depois de FHC restaram apenas 10, sendo 7 estrangeiros: Santander, HSBC, Citibank, UBS Pactual, ABN Amro, Deutsche Bank e Safra. Nos últimos anos, até as empresas aéreas passaram para o controle do capital estrangeiro. O último caso foi o da TAM, adquirida pela modesta LAN Chile.


A política aplicada desde os velhos tempos, incrementada por FHC e seguida fielmente por Lula, levou o país a ter sua hoje chamada Dívida Pública elevada para mais de R$ 2 trilhões. Mantém um superávit primário que permite ao país entregar para os credores em média R$ 240 bilhões anuais.


A política de mercado externo deixa a própria economia nacional fragilizada, uma vez que não há restrições à importação, enquanto que as exportações são comandadas segundo os interesses das empresas estrangeiras aqui instaladas, ou ao jogo do mercado internacional comandado pelos EUA e pelo Mercado Comum Europeu, todos eles agindo como sanguessugas das economias em desenvolvimento. A dependência do mercado exportador/importador e de livre envio de remessas de lucros fez com que, no ano de 2010, o saldo da balança financeira fosse negativo, alcançando os R$ 51 bilhões.


Um outro complicador para Dilma é a crise econômica que atingiu principalmente os EUA e a Europa. O socorro oficial às empresas particulares, estimado em mais de 10 trilhões de dólares, mostrou-se inócuo e jogou as finanças públicas daqueles países para a beira do abismo, a tal ponto que obrigou o governo dos Estados Unidos a emitir 600 bilhões de dólares na economia interna, desvalorizando assim sua moeda. Tentava com isto retomar sua política de exportação, oferecendo mercadoria mais barata e competindo com os países que mais exportavam até 2010. Tal medida, porém, tem impacto negativo sobre outras economias nacionais, incluindo a brasileira. Se não houver medidas do governo Dilma para impor pesados tributos às mercadorias importadas, a tendência é que o comércio interno dê preferência às mercadorias que lhe permitam margem de lucro maior.


O outro lado da iniciativa norte-americana é que a emissão de dólares, enquanto gera a sua desvalorização, valoriza as demais moedas, fato que terá forte influência na política de exportação desses países, complicando ainda mais o balanço comercial brasileiro.


Existem ainda alguns fatores que agravam nossa realidade: o crescimento incontrolável da violência urbana, que vem gerando freqüentes chacinas e conflitos com as polícias estaduais (agora envolvendo o próprio Exército); crescimento do tráfico de drogas, que já faz parte da vida de mais de 4 mil municípios; as carências nas áreas da saúde pública, que martirizam milhões de trabalhadores; o rebaixamento progressivo do nível de educação, que vem criando gerações e gerações de semi-alfabetizados; déficit de mais de 10 milhões de moradias populares; sistemas de transportes urbanos que se transformaram em verdadeiro caos; criminalização do movimento social; aumento da exploração infanto-juvenil, tanto no trabalho quanto sexual; crescimento do trabalho escravo; verdadeira libertinagem dos meios de comunicação disfarçada em enganoso discurso de "liberdade de opinião ou de imprensa"; corrupção crescente nos Três Poderes da República; rebaixamento progressivo do padrão de vida do povo, e assim por diante. Como agirá Dilma diante de tão graves problemas? Atuará sobre seus efeitos? Ou irá dar prioridade para agir sobre suas causas, que são estruturais?


Como agirá o Movimento Social?

Quanto ao movimento social, a se confirmar o avanço da lutas dos trabalhadores em 2010, podemos prever um ano mais quente ainda, já que as medidas anunciadas antes da posse do governo Dilma Rousseff prometem complicar mais a vida do povo: arrocho salarial para funcionários, arrocho nos já minguados ganhos dos aposentados, desvio do dinheiro do orçamento para garantir superávit primário que afetará as áreas sociais acima citadas. O certo é que neste campo teremos novamente as principais centrais sindicais comprometidas com a política oficial, porque continuarão a abocanhar cargos para muitos de seus dirigentes. As reformas da previdência e trabalhista, ao que tudo indica, serão retomadas e deverão contar com o apoio das tais centrais cooptadas.


Um dado interessante aflorou através da imprensa, nos últimos dias do ano: empresários brasileiros e centrais sindicais se unem para exigir de Dilma medidas protecionistas contra a invasão de importados. Quem, realmente, se beneficiará dessas medidas solicitadas? Se de um lado, ao limitar a entrada de produtos poderá haver um certo crescimento da economia nacional, e com isto a ampliação da contratação temporária de trabalhadores, por outro lado é certo que as empresas nacionais é que terão seus lucros aumentados e garantidos. Nada, porém, que garanta emprego permanente e muito menos o caminho para a independência produtiva do país.


É curioso notar que, pelos dados fornecidos até o momento, alguns setores da economia serão privilegiados temporariamente, como já ocorreu durante a vigência das Câmaras Setoriais, sempre em prejuízo dos trabalhadores em curto e longo prazo. A verdadeira solidariedade de classe está muito distante da prática das Centrais envolvidas nessa articulação. Gostam mesmo de parecerem importantes, "negociando" segundo a pauta imposta pelo empresariado.


Entretanto, até mesmo nas bases da CUT, da Força Sindical e de outras centrais menores está havendo insatisfação, o que poderá reforçar os setores que certamente reagirão a mais esses esbulhos sobre os direitos dos trabalhadores. Se de um lado a mídia estará apoiando tais assaltos, de outro lado é bem provável que outras forças estarão a eles se opondo, como no caso da OAB e de setores importantes das Igrejas do campo ecumênico. Os partidos que se mantêm na esquerda, ainda que pequenos, estarão fazendo seu trabalho de contestação, de denúncia e de esforço para que a mobilização social se oponha a mais esse crime. Esperamos que as reações ocorridas na Europa se repitam no Brasil.


Esperanças populares

Embora a cada nova eleição as esperanças tomem conta da alma dos brasileiros, é preciso estar atento para saber se Dilma irá cumprir suas promessas públicas de atendimento às necessidades do povo, sobretudo da população mais carente, ou se irá curvar-se às exigências dos que investiram mais de R$150 milhões para financiar sua campanha eleitoral.


Por enquanto, considerando a composição do seu governo, não há indicativo algum de que estará ao lado do povo. Por outro lado, sua bagagem política, bem mais elevada que a de Lula, poderá conduzi-la a promover alguma mudança substantiva na política econômica e social do Brasil e poderá indicar um caminho seguro para as necessárias mudanças nas estruturas.


Se isto ocorrer, certamente Dilma contará com o apoio das forças populares progressistas. Terá coragem para tanto? É o que veremos. O que não pode ocorrer é o povo esperar pra ver: o povo tem que tomar a dianteira, se organizar e se movimentar para que tais mudanças venham a ocorrer e um mínimo da justiça social se instale neste país.

FONTE: correio da cidadania/Waldemar Rossi metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.

terça-feira, janeiro 04, 2011

Carnaval: votação popular tem grande procura


VOTE TAIANA (FOTO AO LADO) REPRESENTANTE

DA ESCOLA DE SAMBA GENERAL TELLES







Em menos de 24h no ar já foram computados mais 1,3 mil votos nas candidatas a soberana da Doce Folia 2011. Desde a manhã de segunda-feira (4) está à disposição dos internautas, no site da Associação das Entidades Carnavalescas de Pelotas www.assecap.com.br - as fotos das 16 candidatas a Corte do Carnaval, para que o público possa escolher e votar na candidata de sua preferência.
Por meio desta votação popular, via internet, a candidata mais votada automaticamente estará na final do Concurso, que ocorre dia 15 de janeiro, a partir das 21h, no Ginásio do Sesi. Vale ressaltar que o internauta só poderá votar uma vez, já que o voto é computado por IP, ou seja um voto por computador.

A festa que elegerá a rainha e as princesas da Doce Folia 2011, contará com diversas atrações, como o show da renomada sambista Leci Brandão, a sincronia da coreografia elaborada especialmente para apresentação das candidatas, criada pela coreógrafa, Juliana Resen, além da graça, beleza, simpatia e samba no pé de cada candidata.

Para abrilhantar ainda mais a beleza das 16 candidatas que concorrem a titulação, as jovens participam, de hoje (4) até o dia 7, de curso de postura e técnicas de desfile e passarela, ministrado pelo produtor André Guerra. Além da atração do glamour de integrar a realeza da folia, as vencedoras receberão premiações diferenciadas nesta edição. A rainha da Doce Folia receberá como prêmio, além da tradicional coroa, uma motocicleta, e as princesas receberão, cada uma, um notebook.
Os ingressos para festa de escolha da Corte do Carnaval 2011 estão à venda na loja Sul Center, no Calçadão da Andrade Neves, ao custo de R$ 8,00 o ingresso individual para arquibancada e mesas, com quatro lugares, no valor de R$ 80,00. Vale ressaltar que a festa ocorre no dia 15 de janeiro, e que os ingressos que foram adquiridos com data do dia 8 de janeiro são válidos. A mudança na data da festa, de 8 para 15 de janeiro, ocorreu em virtude da agenda da sambista Leci Brandão.
FONTE: SECOM

Ministro Fernando Haddad vai apresentar a Dilma plano para que estudantes tenham formação profissionalizante em turno complementar






Mantido no cargo, o ministro da Educação, Fernando Haddad, quer que a oferta de ensino médio em tempo integral, associado ao ensino técnico, seja uma das marcas do governo Dilma Rousseff. Ele apresentará à presidente um plano de ação para que estudantes de todo o país possam fazer o curso regular num turno e, no outro, o profissionalizante. "Vamos apresentar propostas nesse sentido: reforçar o ensino médio de tempo integral", diz Haddad. O plano terá como foco também a valorização do magistério e a educação infantil. Aos 47 anos, ele está à frente do Ministério da Educação desde julho de 2005. Antes, foi secretário-executivo da pasta, de janeiro de 2004 até virar ministro.

Como será o MEC no governo Dilma?

FERNANDO HADDAD: É continuidade com inovação. Não faz sentido alterar a rota. Entendo que, para a educação brasileira, se nós levarmos em consideração o que foi anunciado em 2007 (no lançamento do Plano de Desenvolvimento da Educação), nossos compromissos foram honrados.

Quais serão as prioridades daqui para a frente?

HADDAD: Em primeiro lugar, a presidente Dilma assimilou com muita naturalidade um conceito que a sociedade reconheceu como forte, o bordão que não cansamos de repetir, que nossa política iria da creche até a universidade. Mas ela fez referência a três aspectos que me parecem importantes: a questão da educação infantil, a da juventude, com atenção especial ao ensino médio, e a da valorização do magistério.

O que o senhor pretende fazer na educação infantil?

HADDAD: É preciso mudar o ambiente da creche, da pré-escola, fortalecer essas unidades como estabelecimentos de ensino. Atender mais crianças, universalizar a pré-escola até 2016. Mas também atuar do ponto de vista qualitativo.

O MEC terá fôlego para fazer seis mil creches em quatro anos, como prometido?

HADDAD: Olha, conhecendo a presidente, eu diria que ela honrará seus compromissos com o país. Ela é bastante obstinada em relação à palavra.

O que o governo fará para tornar a carreira do magistério mais atraente?

HADDAD: O sistema de educação no Brasil, sobretudo o ensino fundamental, reagiu às políticas do Ministério da Educação positivamente. Assimilou a cultura da qualidade, do acompanhamento e do cumprimento de metas. Mas nós temos que reconhecer que esse ímpeto inicial vai encontrar, num médio prazo, um obstáculo, que é justamente a renovação do ambiente escolar.

Como atrair os melhores profissionais para o magistério?

HADDAD: Aí é que entra em cena um elemento que nós queremos trabalhar imediatamente, que é a ideia de uma prova nacional de concurso.

A ideia é que essa prova substitua os concursos realizados hoje por prefeituras e governos estaduais?

HADDAD: Sim. De posse do resultado, o professor poderá optar pelo sistema de ensino que oferece a ele as melhores condições de trabalho.

O que levará municípios e estados a adotarem os resultados da prova nacional?

HADDAD: Há uma grande vantagem: a seleção está pré-elaborada, basta abrir o edital e convocar (os professores), a partir dos resultados. E, obviamente, o professor que desejar exercer a profissão naquele município vai se inscrever. O magistério é uma categoria nacional, que nós temos que valorizar.

E de onde sairá o dinheiro para salários mais atrativos?

HADDAD: Na minha opinião, uma das razões pelas quais o pretexto da falta de recursos sempre aparece na mesa é o temor que existe de que isso não vai impactar a qualidade. Mas, se o gestor pode fazer uma seleção de docentes a partir do desempenho numa prova nacional de concurso, ele terá segurança de que as melhores condições oferecidas vão ter um impacto favorável na realidade da escola.

Quando será a prova?

HADDAD: A previsão é que ela aconteça no primeiro semestre de 2012.

No começo do governo...

HADDAD: Só para concluir, o terceiro ponto a que eu fiz menção é o ensino médio. Entendo que também nesse ponto nós demos passos importantes. Mas, no caminho da diversificação para atender mais e melhor às expectativas dos estudantes, sobretudo aqueles que estão fora da escola, temos que reforçar a concomitância do ensino médio com a educação profissional.

De que forma?

HADDAD: Em tempo integral. O estudante faz o ensino médio e a educação profissional em dois turnos, na mesma escola ou não. A forma concomitante avançou pouco, e eu penso que nós devemos apostar na concomitância. Porque aí você compatibiliza a necessidade do jovem que cursa o ensino médio de se profissionalizar, porque muitos deles precisam de uma profissão, em função das condições socioeconômicas da família. E você incrementa a educação de tempo integral, porque o jovem vai permanecer dois períodos na escola e não apenas um. Vamos sugerir medidas à presidente nessa direção.

Que medidas?

HADDAD: Não posso antecipar, porque vou apresentar o plano geral para a presidente para que ela avalie antes de qualquer anúncio. Vamos apresentar propostas nesse sentido: fortalecer o ensino médio de tempo integral. Tenho certeza de que nós temos condições para isso.

Com o atual orçamento?

HADDAD: Isso é o que nós vamos...

É o ponto mais difícil?

HADDAD: Por incrível que pareça, não passa só por isso. Passa muito mais por um rearranjo das forças que atuam na área da educação profissional do que propriamente por mais orçamento.

Quando o senhor terá essa conversa com a presidente?

HADDAD: O mais rapidamente possível, porque ela certamente vai começar a despachar com todos os ministros. Então, vamos apresentar um plano de trabalho para que seja validado, e a gente possa iniciar esse novo capítulo.

FONTE: GLOBO.COM