
sexta-feira, janeiro 21, 2011
Para líder do MNU, ministra deve por fim à cooptação política

AfroReggae completa 18 anos de sucesso com status de empresa social

Era uma vez uma ONG. O AfroReggae atinge a maioridade com status de empresa social. O aniversário de 18 anos é hoje. Sem festa. Mas há muito a comemorar: o programa "Conexões Urbanas", do Multishow, apresentado pelo coordenador da coisa toda, José Júnior, virou referência em cultura de periferia. O Multishow não divulga números de audiência, mas só de lucros para o AfroReggae o "Conexões" rendeu R$ 500 mil em 2010. A trupe de teatro estreou profissionalmente no Laura Alvim em setembro, com a peça "Urucubaca", feita de textos inéditos de Jorge Mautner.
A banda AfroReggae, que lança seu quarto disco este ano, acaba de se associar à Mondo Entretenimento, a maior empresa de agenciamento de artistas no país. O AfroSamba lança, ainda neste semestre, seu primeiro CD. E a cereja do bolo de aniversário foi a inauguração, em maio passado, do Centro Cultural Waly Salomão, em Vigário Geral. São quatro andares, que abrigam salas de aulas e estúdios bem equipados para ensaios e gravações. Em frente, uma praça para espetáculos. Caetano, Gil, Fernanda Abreu, Adriana Calcanhotto, Daniela Mercury, muitas gente já tocou lá. Para ontem à noite estava agendado um show do Cidade Negra, marcando a volta de Toni Garrido.
- Não fazemos hoje nenhuma produção de show ou de televisão que não dê lucro para o AfroReggae. Tudo dá lucro. Em 2010, nossa receita foi de R$ 14 milhões - revela Júnior. - O DNA do AfroReggae é cultural e social. Mas tudo passa pela cultura. Nosso trunfo são as nossas associações. Sempre procuramos os melhores como parceiros.
Sem leis de incentivo
O AfroReggae tem uma constelação de patrocinadores. O que transformou - ou está transformando - a ONG em empresa social, porém, é a mudança de paradigma. A maioria dos apoiadores não usa leis de incentivo porque a relação é de empresa para empresa, de CEO para CEO.
- Nós fomentamos negócios, e eles nos pagam por isso - explica Júnior. - Os artistas vão tocar em Vigário Geral não porque somos coitadinhos. Vão lá porque têm toda a estrutura para ensaiar, para gravar, para se apresentar. O AfroReggae conta hoje com oito bandas, duas trupes de circo, uma trupe de teatro e mantém 75 projetos sociais, de projetos de empregabilidade a cursos de capacitação.
Com pinta de CEO pop - calça e camiseta da Reserva, quatro argolas de ouro nas orelhas e muitas tatuagens -, Júnior recebeu O GLOBO na mais nova instalação do AfroReggae, uma cobertura na Rua da Lapa, com ampla vista da Baía da Guanabara. A reforma foi concebida pelo designer Luiz Stein. Custou, incluindo o imóvel, R$ 1 milhão. Por quase duas horas, Júnior despejou projetos, que vão de programas de televisão à construção de um museu no Complexo do Alemão, que está em fase embrionária, com previsão de inauguração nos 20 anos do AfroReggae. O projeto é de Oscar Niemeyer. E o acervo, ainda em negociação, do banco Santander, dono de uma das maiores coleções privadas do mundo.
- Vamos inaugurar com pelo menos um Picasso, um Monet, um Salvador Dalí - diz Júnior. - Mas queremos um museu interativo, como o Museu da Língua Portuguesa e o do Futebol.
Mais dois programas de TV estão na ponta da língua de Júnior: "Poder" e "3D". O primeiro também será exibido no Multishow. Está na grade de 2011, mas sem data confirmada para estrear. A série vai apresentar mulheres poderosas, de traficantes a empresárias. A ideia é mostrar o cotidiano de mulheres que interferem no seu entorno. No roteiro, na direção, na apresentação, nas câmeras, na produção, só mulheres. Já o "3D" é uma encomenda da TV Globo: um programa jornalístico nos 18 municípios do Grande Rio, com reportagens que não encontrariam espaço no jornalismo tradicional da emissora. E, por fim, o "Conexões Urbanas", há quatro anos no ar, continua. Três temas já estão na pauta: uma entrevista com Marcinho VP, um papo com Fernandinho Beira-Mar e um apanhado dos cem primeiros dias do Exército no Complexo do Alemão.
- Estamos filmando 24 horas. Não fazem os cem dias do presidente, do prefeito? Estamos fazendo os cem dias do Exército no Alemão. Continua a ter tráfico, mas obviamente não é mais aquilo - comenta Júnior. - Mas agora tem assalto, coisa que não tinha. Tem porrada física entre os jovens, o que não acontecia. No contexto geral, porém, melhorou muito para os moradores.
Enquanto caminha pela nova sede, com o orgulho de quem começou com pequenas oficinas de percussão na quadra de Vigário Geral, Júnior prova: o AfroReggae está na moda. Literalmente.
- Estamos lançando um selo: o AR. Quem está pilotando o licenciamento é a Reserva. Vinte empresas já pediram licenciamento. A criação será coletiva. A marca que receber o selo AR vai produzir produtos em parceria com o nosso time de estilo. Mas é mais do que estilo, obviamente. É transformação social. O dinheiro tem destino certo.
FONTE: O GLOBO
quarta-feira, janeiro 19, 2011
ELIS sempre REGINA


ELIS REGINA

HOMENAGEM G'BALA
quinta-feira, janeiro 13, 2011
Dia de Solidariedade com o Povo Haitiano

A Coordenadoria Latinoamericana de Organizações do Campo, CLOC- VIA CAMPESINA e suas organizações expressam sua solidariedade com o país irmão Haiti, que há um ano sofreu um terremoto que devastou, principalmente, Porto Príncipe, a capital, e outras regiões do Sul, deixando um saldo de 300 000 mortes, milhares de pessoas feridas, e 1.500.000 pessoas sem teto. Soma-se a este desastre natural, o furacão Tomas, outro fruto da crise climática que vive o mundo graças à ganância do capital, somando a tudo isto, o país passou, ainda, por um recente surto de cólera, que já causou 2.000 mortes e uma crise eleitoral há de um mês.
A CLOC - Via Campesina considera que o caos que vive o Haiti é uma catástrofe para todo o Continente Americano e denuncia que, apesar da imediata Solidariedade Internacional, mais de um milhão de haitianas e haitianos continuam vivendo em refúgios temporários e mais de 90% da ajuda prometida ainda não chegou ao páis. Denunciamos, ainda, o cinismo da MINUSTAH, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, que foi criada em 2004, pouco tempo após o golpe de estado que destituiu o presidente Jean-Bertrand Aristide, a qual recebe mais de um milhão de dólares diários para seu funcionamento e pouco ou nada fez para ajudar na restauração e manutenção da Lei, e por promover e proteger os Direitos Humanos das e dos haitianos.
Neste contexto, as Organizações em todo o Continente exigimos:
1. Que a ONU ponha fim à ocupação militar do Haiti. Atualmente há militares e oficiais de países como Estados Unidos, Canadá, França, Japão, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai, Peru, Coréia, Equador, Argentina e Uruguai no país.
2. Que pare imediatamente a violação dos Direitos Humanos do povo Haitiano.
3. Que se realizem processos democráticos e transparentes que reflitam a vontade das e dos Haitianos.
4. Que exista um verdadeiro espírito de solidariedade dos países chamados amigos do Haiti, para ajudar na reconstrução do país, e que saiam do Haiti aqueles que unicamente perseguem interesses mesquinhos.
5. Que as entidades de Saúde em nível mundial atendam de maneira urgente a emergência sanitária que vivem nossas irmãs e irmãos.
6. Que se tome em conta a participação das organizações camponesas, sociais e populares do Haiti no desenho, execução e controle das políticas e ações de reconstrução.
7. Que os meios de comunicação conscientes em todo o mundo visibilizem esta crise humanitária e que não se convertam em cúmplices dela.
Por outro lado, aplaudimos a histórica solidariedade de Cuba com o Haiti e elogiamos a presença da brigada de saúde cubana que conta com 1.200 doutores, que estão operando em todo o território haitiano sem fazer grandes alardes midiáticos, como outros países.
Finalmente, fazemos um chamado a todas nossas organizações, amigos e aliados para que se somem a este Dia de Solidariedade e para que resistamos à militarização e contribuamos na construção de uma cultura de paz em todo o Continente Americano.
Pela Terra e a Soberania de Nossos Povos!
América Luta!
FONTE: Comissão Patoral da Terra
terça-feira, janeiro 11, 2011
Cantor Chico César assume na Paraíba

quarta-feira, janeiro 05, 2011
Ministro da Justiça apoia discussão sobre descriminalização do uso de drogas

O novo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, é a favor de que haja uma discussão pública sobre a descriminalização do uso de drogas. Para ele, o assunto "precisa ser colocado para a sociedade". O ministro fez a declaração na manhã desta terça-feira durante a gravação do programa 3 a 1, da TV Brasil, que vai ao ar às 22h desta quarta-feira.
Cardozo não antecipou sua opinião, se contra ou a favor da descriminalização, mas ponderou que "posições muito vanguardistas são desastrosas". Após o programa, o ministro disse à Agência Brasil que a discussão pode evoluir para uma consulta, por meio de plebiscito ou de referendo. Com a posse de Dilma Rousseff, a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) foi transferida para o Ministério da Justiça.
O ministro também é mais um a fazer coro a favor de reformas na legislação processual. Ele defendeu, durante a gravação do programa, a redução da possibilidade de recursos e que a tramitação de papéis seja totalmente informatizada e que o acesso à Justiça seja mais barato e democrático.
Além de mudança na lei, Cardozo avalia que o problema é "do sistema", "de cultura" e "não dos juízes". Ele informou que pretende mudar o nome da Secretaria de Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça para "Secretaria do Judiciário" ou "Secretaria de Assuntos Judiciários".
O ministro da Justiça ainda se posicionou a favor do Projeto de Lei nº 7.376/2010, que cria a Comissão Nacional da Verdade para apurar crimes contra os direitos humanos (sequestro, tortura, estupro e assassinato) praticados por militares e policiais durante a ditadura militar (1954-1985)
O projeto de lei é uma herança do governo Lula e aguarda tramitação na Câmara dos Deputados desde maio de 2010. A proposta provocou uma indisposição entre as pastas de Defesa e de Direitos Humanos no governo passado.
- Reparação da verdade é fundamental - disse, ao apontar que se houver divergência interna no governo quem decide é a presidenta Dilma Rousseff.
Na opinião de Cardozo, a condenação do Brasil pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA) - por causa da violação de direitos fundamentais de 62 pessoas desaparecidas durante a Guerrilha do Araguaia (ocorrida no início dos anos 1970) e por não prestar esclarecimentos aos parentes sobre o paradeiro dos corpos dessas pessoas -, poderá fazer com que seja revista a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou os crimes perdoados pela Lei de Anistia de 1979.
- Como isso vai se desdobrar não cabe a mim antecipar - afirmou, com cautela, ao ressaltar que a sua opinião era uma "interpretação jurídica" e não um questionamento de decisão do STF.
Ainda sobre a ditadura militar, o ministro se posicionou favoravelmente ao "acesso garantido, conforme a lei" aos arquivos sobre o período.
FONTE: AGÊNCIA BRASIL
Perspectivas para 2011: herança maldita?

O governo Dilma irá encontrar um país endividado e com sua economia desnacionalizada. Se considerarmos as falas dos ministros designados para a área econômica, tudo leva a crer que seu governo entrará em choque com as promessas de campanha e com seu primeiro discurso logo após sua eleição. Seus ministros vêm falando em novo arrocho econômico interno, em redução dos gastos públicos, em congelamento salarial, até para os aposentados.
Herança Maldita
Quando Lula assumiu o governo, há oito anos, as forças lulistas diziam que ele havia recebido uma "herança maldita", relacionada com as dívidas externa e interna. Se era maldita aquela herança, como poderemos situar a atual realidade?
Porém é preciso dizer que a tal "herança maldita", de fato, foi-nos deixada pelos governos militares. Empregando a força das armas, a repressão nos fez engolir esse modelo de desenvolvimento que vem gerando tantos desajustes e injustiças. Provocando forte e rápida migração do campo, fez o povo amontoar-se nas grandes cidades, em precárias condições de habitação, além de deixar grande parte dos migrantes no desemprego e no trabalho precarizado.
Vem dos militares também o esquema corrupto da atual dívida pública, que tem nos juros flutuantes a principal fonte de endividamento crescente. Legaram-nos ainda o início da desnacionalização da economia, arrochando financeiramente as empresas nacionais e abrindo as portas para as multinacionais, com todos os favores possíveis e imagináveis, principalmente a total liberdade de remessa de lucros para suas matrizes. Para se ter uma idéia do que isto significa, basta dizer que entre 1995 e 2008 somente as remessas de lucro somaram R$ 292,2 bilhões.
A corja militar usurpadora do poder favoreceu também a desnacionalização das terras brasileiras, principalmente na área amazônica - onde se situam as maiores reservas biológicas do planeta -, estimulando a aquisição de enormes glebas de terra por empresas estrangeiras interessadas unicamente na extração ou produção para a exportação. Assim, de fato temos uma enorme herança maldita, que os governantes sucessores dos militares não interromperam, ao contrário, fizeram aprofundar.
Para compreender um pouquinho o quadro da desnacionalização, convém lembrar que, até 1990, havia no Brasil mais de 300 bancos comerciais e múltiplos, e depois de FHC restaram apenas 10, sendo 7 estrangeiros: Santander, HSBC, Citibank, UBS Pactual, ABN Amro, Deutsche Bank e Safra. Nos últimos anos, até as empresas aéreas passaram para o controle do capital estrangeiro. O último caso foi o da TAM, adquirida pela modesta LAN Chile.
A política aplicada desde os velhos tempos, incrementada por FHC e seguida fielmente por Lula, levou o país a ter sua hoje chamada Dívida Pública elevada para mais de R$ 2 trilhões. Mantém um superávit primário que permite ao país entregar para os credores em média R$ 240 bilhões anuais.
A política de mercado externo deixa a própria economia nacional fragilizada, uma vez que não há restrições à importação, enquanto que as exportações são comandadas segundo os interesses das empresas estrangeiras aqui instaladas, ou ao jogo do mercado internacional comandado pelos EUA e pelo Mercado Comum Europeu, todos eles agindo como sanguessugas das economias em desenvolvimento. A dependência do mercado exportador/importador e de livre envio de remessas de lucros fez com que, no ano de 2010, o saldo da balança financeira fosse negativo, alcançando os R$ 51 bilhões.
Um outro complicador para Dilma é a crise econômica que atingiu principalmente os EUA e a Europa. O socorro oficial às empresas particulares, estimado em mais de 10 trilhões de dólares, mostrou-se inócuo e jogou as finanças públicas daqueles países para a beira do abismo, a tal ponto que obrigou o governo dos Estados Unidos a emitir 600 bilhões de dólares na economia interna, desvalorizando assim sua moeda. Tentava com isto retomar sua política de exportação, oferecendo mercadoria mais barata e competindo com os países que mais exportavam até 2010. Tal medida, porém, tem impacto negativo sobre outras economias nacionais, incluindo a brasileira. Se não houver medidas do governo Dilma para impor pesados tributos às mercadorias importadas, a tendência é que o comércio interno dê preferência às mercadorias que lhe permitam margem de lucro maior.
O outro lado da iniciativa norte-americana é que a emissão de dólares, enquanto gera a sua desvalorização, valoriza as demais moedas, fato que terá forte influência na política de exportação desses países, complicando ainda mais o balanço comercial brasileiro.
Existem ainda alguns fatores que agravam nossa realidade: o crescimento incontrolável da violência urbana, que vem gerando freqüentes chacinas e conflitos com as polícias estaduais (agora envolvendo o próprio Exército); crescimento do tráfico de drogas, que já faz parte da vida de mais de 4 mil municípios; as carências nas áreas da saúde pública, que martirizam milhões de trabalhadores; o rebaixamento progressivo do nível de educação, que vem criando gerações e gerações de semi-alfabetizados; déficit de mais de 10 milhões de moradias populares; sistemas de transportes urbanos que se transformaram em verdadeiro caos; criminalização do movimento social; aumento da exploração infanto-juvenil, tanto no trabalho quanto sexual; crescimento do trabalho escravo; verdadeira libertinagem dos meios de comunicação disfarçada em enganoso discurso de "liberdade de opinião ou de imprensa"; corrupção crescente nos Três Poderes da República; rebaixamento progressivo do padrão de vida do povo, e assim por diante. Como agirá Dilma diante de tão graves problemas? Atuará sobre seus efeitos? Ou irá dar prioridade para agir sobre suas causas, que são estruturais?
Como agirá o Movimento Social?
Quanto ao movimento social, a se confirmar o avanço da lutas dos trabalhadores em 2010, podemos prever um ano mais quente ainda, já que as medidas anunciadas antes da posse do governo Dilma Rousseff prometem complicar mais a vida do povo: arrocho salarial para funcionários, arrocho nos já minguados ganhos dos aposentados, desvio do dinheiro do orçamento para garantir superávit primário que afetará as áreas sociais acima citadas. O certo é que neste campo teremos novamente as principais centrais sindicais comprometidas com a política oficial, porque continuarão a abocanhar cargos para muitos de seus dirigentes. As reformas da previdência e trabalhista, ao que tudo indica, serão retomadas e deverão contar com o apoio das tais centrais cooptadas.
Um dado interessante aflorou através da imprensa, nos últimos dias do ano: empresários brasileiros e centrais sindicais se unem para exigir de Dilma medidas protecionistas contra a invasão de importados. Quem, realmente, se beneficiará dessas medidas solicitadas? Se de um lado, ao limitar a entrada de produtos poderá haver um certo crescimento da economia nacional, e com isto a ampliação da contratação temporária de trabalhadores, por outro lado é certo que as empresas nacionais é que terão seus lucros aumentados e garantidos. Nada, porém, que garanta emprego permanente e muito menos o caminho para a independência produtiva do país.
É curioso notar que, pelos dados fornecidos até o momento, alguns setores da economia serão privilegiados temporariamente, como já ocorreu durante a vigência das Câmaras Setoriais, sempre em prejuízo dos trabalhadores em curto e longo prazo. A verdadeira solidariedade de classe está muito distante da prática das Centrais envolvidas nessa articulação. Gostam mesmo de parecerem importantes, "negociando" segundo a pauta imposta pelo empresariado.
Entretanto, até mesmo nas bases da CUT, da Força Sindical e de outras centrais menores está havendo insatisfação, o que poderá reforçar os setores que certamente reagirão a mais esses esbulhos sobre os direitos dos trabalhadores. Se de um lado a mídia estará apoiando tais assaltos, de outro lado é bem provável que outras forças estarão a eles se opondo, como no caso da OAB e de setores importantes das Igrejas do campo ecumênico. Os partidos que se mantêm na esquerda, ainda que pequenos, estarão fazendo seu trabalho de contestação, de denúncia e de esforço para que a mobilização social se oponha a mais esse crime. Esperamos que as reações ocorridas na Europa se repitam no Brasil.
Esperanças populares
Embora a cada nova eleição as esperanças tomem conta da alma dos brasileiros, é preciso estar atento para saber se Dilma irá cumprir suas promessas públicas de atendimento às necessidades do povo, sobretudo da população mais carente, ou se irá curvar-se às exigências dos que investiram mais de R$150 milhões para financiar sua campanha eleitoral.
Por enquanto, considerando a composição do seu governo, não há indicativo algum de que estará ao lado do povo. Por outro lado, sua bagagem política, bem mais elevada que a de Lula, poderá conduzi-la a promover alguma mudança substantiva na política econômica e social do Brasil e poderá indicar um caminho seguro para as necessárias mudanças nas estruturas.
Se isto ocorrer, certamente Dilma contará com o apoio das forças populares progressistas. Terá coragem para tanto? É o que veremos. O que não pode ocorrer é o povo esperar pra ver: o povo tem que tomar a dianteira, se organizar e se movimentar para que tais mudanças venham a ocorrer e um mínimo da justiça social se instale neste país.
FONTE: correio da cidadania/Waldemar Rossi metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.
terça-feira, janeiro 04, 2011
Carnaval: votação popular tem grande procura

Ministro Fernando Haddad vai apresentar a Dilma plano para que estudantes tenham formação profissionalizante em turno complementar

Mantido no cargo, o ministro da Educação, Fernando Haddad, quer que a oferta de ensino médio em tempo integral, associado ao ensino técnico, seja uma das marcas do governo Dilma Rousseff. Ele apresentará à presidente um plano de ação para que estudantes de todo o país possam fazer o curso regular num turno e, no outro, o profissionalizante. "Vamos apresentar propostas nesse sentido: reforçar o ensino médio de tempo integral", diz Haddad. O plano terá como foco também a valorização do magistério e a educação infantil. Aos 47 anos, ele está à frente do Ministério da Educação desde julho de 2005. Antes, foi secretário-executivo da pasta, de janeiro de 2004 até virar ministro.
Como será o MEC no governo Dilma?
FERNANDO HADDAD: É continuidade com inovação. Não faz sentido alterar a rota. Entendo que, para a educação brasileira, se nós levarmos em consideração o que foi anunciado em 2007 (no lançamento do Plano de Desenvolvimento da Educação), nossos compromissos foram honrados.
Quais serão as prioridades daqui para a frente?
HADDAD: Em primeiro lugar, a presidente Dilma assimilou com muita naturalidade um conceito que a sociedade reconheceu como forte, o bordão que não cansamos de repetir, que nossa política iria da creche até a universidade. Mas ela fez referência a três aspectos que me parecem importantes: a questão da educação infantil, a da juventude, com atenção especial ao ensino médio, e a da valorização do magistério.
O que o senhor pretende fazer na educação infantil?
HADDAD: É preciso mudar o ambiente da creche, da pré-escola, fortalecer essas unidades como estabelecimentos de ensino. Atender mais crianças, universalizar a pré-escola até 2016. Mas também atuar do ponto de vista qualitativo.
O MEC terá fôlego para fazer seis mil creches em quatro anos, como prometido?
HADDAD: Olha, conhecendo a presidente, eu diria que ela honrará seus compromissos com o país. Ela é bastante obstinada em relação à palavra.
O que o governo fará para tornar a carreira do magistério mais atraente?
HADDAD: O sistema de educação no Brasil, sobretudo o ensino fundamental, reagiu às políticas do Ministério da Educação positivamente. Assimilou a cultura da qualidade, do acompanhamento e do cumprimento de metas. Mas nós temos que reconhecer que esse ímpeto inicial vai encontrar, num médio prazo, um obstáculo, que é justamente a renovação do ambiente escolar.
Como atrair os melhores profissionais para o magistério?
HADDAD: Aí é que entra em cena um elemento que nós queremos trabalhar imediatamente, que é a ideia de uma prova nacional de concurso.
A ideia é que essa prova substitua os concursos realizados hoje por prefeituras e governos estaduais?
HADDAD: Sim. De posse do resultado, o professor poderá optar pelo sistema de ensino que oferece a ele as melhores condições de trabalho.
O que levará municípios e estados a adotarem os resultados da prova nacional?
HADDAD: Há uma grande vantagem: a seleção está pré-elaborada, basta abrir o edital e convocar (os professores), a partir dos resultados. E, obviamente, o professor que desejar exercer a profissão naquele município vai se inscrever. O magistério é uma categoria nacional, que nós temos que valorizar.
E de onde sairá o dinheiro para salários mais atrativos?
HADDAD: Na minha opinião, uma das razões pelas quais o pretexto da falta de recursos sempre aparece na mesa é o temor que existe de que isso não vai impactar a qualidade. Mas, se o gestor pode fazer uma seleção de docentes a partir do desempenho numa prova nacional de concurso, ele terá segurança de que as melhores condições oferecidas vão ter um impacto favorável na realidade da escola.
Quando será a prova?
HADDAD: A previsão é que ela aconteça no primeiro semestre de 2012.
No começo do governo...
HADDAD: Só para concluir, o terceiro ponto a que eu fiz menção é o ensino médio. Entendo que também nesse ponto nós demos passos importantes. Mas, no caminho da diversificação para atender mais e melhor às expectativas dos estudantes, sobretudo aqueles que estão fora da escola, temos que reforçar a concomitância do ensino médio com a educação profissional.
De que forma?
HADDAD: Em tempo integral. O estudante faz o ensino médio e a educação profissional em dois turnos, na mesma escola ou não. A forma concomitante avançou pouco, e eu penso que nós devemos apostar na concomitância. Porque aí você compatibiliza a necessidade do jovem que cursa o ensino médio de se profissionalizar, porque muitos deles precisam de uma profissão, em função das condições socioeconômicas da família. E você incrementa a educação de tempo integral, porque o jovem vai permanecer dois períodos na escola e não apenas um. Vamos sugerir medidas à presidente nessa direção.
Que medidas?
HADDAD: Não posso antecipar, porque vou apresentar o plano geral para a presidente para que ela avalie antes de qualquer anúncio. Vamos apresentar propostas nesse sentido: fortalecer o ensino médio de tempo integral. Tenho certeza de que nós temos condições para isso.
Com o atual orçamento?
HADDAD: Isso é o que nós vamos...
É o ponto mais difícil?
HADDAD: Por incrível que pareça, não passa só por isso. Passa muito mais por um rearranjo das forças que atuam na área da educação profissional do que propriamente por mais orçamento.
Quando o senhor terá essa conversa com a presidente?
HADDAD: O mais rapidamente possível, porque ela certamente vai começar a despachar com todos os ministros. Então, vamos apresentar um plano de trabalho para que seja validado, e a gente possa iniciar esse novo capítulo.
FONTE: GLOBO.COM