
terça-feira, março 29, 2011
Satélites da Nasa detectam impacto da seca sobre a Amazônia

Ministra da Igualdade Racial assume compromisso com demandas dos clubes sociais negros
Coletivo Catarse.
Carta aberta a Jair Bolsonaro e ao ‘CQC’

O “CQC” da última segunda-feira exibiu um quadro que não só chocou a todos como suscitou as mais variadas discussões. Nele, o deputado Jair Bolsonaro respondia a perguntas feitas por anônimos e famosos. Depois de afirmar que tem saudades da ditadura e de que jamais correria o risco de ter um filho homossexual, o político foi questionado pela cantora Preta Gil sobre como reagiria caso seu filho namorasse uma negra. A resposta, para surpresa geral, foi que ele não corria esse risco, já que seus filhos não foram criados num ambiente de promiscuidade como ela. Sim, leitor. Não só ele ofendeu a Preta e sua família, como deixou clara a reprovação à possibilidade de ter uma nora negra.
Quero crer que Jair entendeu mal a pergunta, porque, em pleno século 21, parece impossível ouvir esse tipo de declaração. Torna-se muito difícil, no entanto, dado o comportamento prévio do deputado, acreditar nesta possibilidade. Forte opositor da união civil homossexual no congresso, ele já chegou a declarar que os filhos tornam-se homossexuais por “falta de porrada”. Já o fez em meios impressos e também na TV. Exemplo recente é uma edição de “Casos de Família”, comandado por Christina Rocha no SBT.
Pergunto-me aqui o quanto é saudável e de fato necessário levar ao ar uma figura que destila frases que, sim, podem render alguns pontos de audiência, mas são um grande retrocesso. Será que pelo choque – se é que todos se chocam – o preconceito será combatido? Tenho minhas dúvidas. Especialmente porque quem certamente saiu magoada deste episódio foi Preta Gil. Mulher independente, bem resolvida, com sólida carreira profissional, ela não precisava passar por isso. Justamente ela, que já foi vítima de preconceitos estúpidos por estar acima do peso – para os padrões de capa de revista – ou ser filha de quem é. Me solidarizo a Preta. E torço para que este episódio não ganhe proporções maiores do que merece em seu cotidiano. Ele é tão absurdo que não merece destaque. Merece, sim, ser discutido pela sociedade para que pensemos quem elegemos para cargos públicos.
Ao “CQC”, proponho uma reflexão. O programa é mesmo uma lufada de ar fresco no humor brasileiro. Mas até que ponto explorar esse tipo de situação pode de fato despertar uma reflexão mais apurada? Esta questão vale tanto para a presença de um convidado de opinião dispensável como este nobre deputado, como para o quadro em que diferenças entre regiões do país são realçadas. Na semana passada, Danilo Gentili interpretou um pai que humilhava uma criança por ser gay. Ficção, claro. Mas das que doem, incomodam. Até que ponto o choque é preciso? E até que ponto figuras como estas não acabam por reforçar estereótipos uma vez que viraram atração de programas de TV? Vale a pena pensar.
Aos que não assistiram ao quadro, choquem-se:
segunda-feira, março 28, 2011
Esquerda segue trajetória que alguns definem como "aburguesamento"

O presidente em exercício do PDT, Manoel Dias, aposta na juventude para afastar o rótulo de centrista. “Descuidamos e o partido se desviou da esquerda. Aburguesou-se. Precisamos formar novos quadros”, admite. Além de PT e PDT, partidos que carregam no nome o socialismo e o comunismo, como o PSB e o PCdoB, também mantêm em seus quadros empresários — como o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo, Paulo Skaff (PSB-SP) — e donos de extensa lista de bens.
Refúgio dos insatisfeitos com a moderação do PT após alcançar o governo, o PSol também não pode descuidar do processo de aburguesamento, segundo o líder do partido na Câmara, Chico Alencar (RJ). De acordo com o deputado, a participação de empresas no financiamento de campanha é fator decisivo no processo de desvirtualização da esquerda. Por isso, a legenda rejeita doações de pessoas jurídicas.
Colaborou Ivan Iunes
Cifras ascendentes
O processo de aburguesamento do PT passa também pela participação na máquina. O chamado “dízimo” cobrado do salário dos filiados que têm mandato ou função no governo cresce ano após ano. A contribuição varia de 2% a 20% dos rendimentos. Em 2002, o partido arrecadava R$ 400 mil com o dízimo. No fim do primeiro mandato a cifra subiu para R$ 2,8 milhões e este ano a expectativa é de R$ 3,6 milhões.
Para quem o congresso trabalha

Quais são e como operam os grupos de pressão que dominam a Câmara e o Senado.
A maioria financia bancadas informais com gente de todos os partidos para manter ou mudar algumas leis.
Outros grupos são pautados por movimentos civis.
Com uma agenda própria, alheias aos embates das legendas e indiferentes às cores partidárias, pelo menos 17 grandes bancadas informais exercem hoje enorme influência no Congresso, orientam a atuação parlamentar e revelam o grande poder dos lobbies em Brasília.
Por trás desses grupos de pressão organizados, encontram-se verdadeiros conglomerados corporativos, associações, confederações, empresas e movimentos da sociedade civil. Garantindo a coesão dessas frentes pluripartidárias, é corriqueiro encontrar poderosos financiadores de campanhas, que trabalham diuturnamente para ver seus interesses atendidos no Legislativo.
Ao contrário das bancadas dos partidos, não é o tamanho dos blocos temáticos que determina suas forças. Importante, no caso, tem sido a capacidade de mobilização.
Um exemplo disso é a chamada bancada da saúde. Em número de integrantes, ela é a sétima do Congresso – menos robusta que a ruralista ou sindical. Reunindo 50 parlamentares, a bancada divide-se em pelo menos três grupos: o dos que defendem a saúde pública, estatal e gratuita; o grupo que dá voz aos interesses privados, com fins lucrativos, entre eles os planos de saúde; e, por fim, a turma favorável às Santas Casas, que fazem filantropia e recebem recursos públicos. Os parlamentares da bancada da saúde, no entanto, costumam quintuplicar os apoios quando estão em jogo os interesses das entidades que representam.
“Deputado que defende terra, defende a sua própria terra. A saúde é uma questão coletiva. Os apelos são outros, o que torna muito maior nossa capacidade de organização”, reconhece o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), um dos principais líderes da bancada da saúde. Em fevereiro, um poderoso lobby da indústria farmacêutica desembarcou em Brasília na tentativa de reverter a proibição dos moderadores de apetite pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Com pelo menos um deputado ou senador da bancada da saúde a tiracolo, lobistas de laboratórios multinacionais ocuparam gabinetes importantes na Esplanada dos Ministérios. Havia políticos de todos os partidos servindo de cicerones aos empresários do setor. A pressão deu certo. A Anvisa prometeu analisar os argumentos contrários ao veto às substâncias emagrecedoras como a sibutramina, a anfepramona, o femproporex e o mazindol. Não foi estabelecido um prazo para a decisão final. Ou seja, o assunto, por ora, está em suspenso.
Tal como a frente da saúde, a bancada da bola é pequena no tamanho, mas efetiva nas ações. Com apenas nove integrantes, já conseguiu marcar um tento na atual legislatura, favorecendo o lobby da cartolagem dos gramados. Pressionada por dirigentes de clubes e confederações, a bancada da bola aprovou uma emenda que alterou a chamada Lei da Moralização do Futebol. Com isso, a partir de agora, os cartolas não mais serão responsabilizados caso endividem os clubes que dirigem. Até então, eles corriam o risco de ver penhorados seus respectivos patrimônios. A emenda é de autoria do deputado José Rocha (PR-BA), que desde de 2002 figura na lista de doações de campanhas da CBF. Nos registros do TSE, constam doações de pelo menos R$ 150 mil para o deputado baiano.
O time da bola no Congresso também foi reforçado, este ano, com a eleição de Ciro Nogueira (PP-PI) para o Senado e de Romário (PSB-RJ) para a Câmara. O Baixinho, no entanto, não esclarece de que lado está, se dos dirigentes ou dos atletas e torcedores. “Ainda estou me familiarizando com essa nova situação”, limita-se a afirmar o ex-jogador.
Como ficou evidente nas movimentações futebolísticas, em geral o esforço de parlamentares em favor de determinados setores reflete, além de ideologia comum, uma boa dose de retribuição a financiadores de campanha. É o caso das empresas ligadas ao agronegócio, pecuária e ao ramo de papel e celulose, que abriram ainda mais seus cofres na última campanha eleitoral. Doaram pelo menos R$ 100 milhões para deputados e senadores da área. O deputado ruralista Alex Canziani (PTB-PR) recebeu R$ 360 mil do Grupo JBS-Friboi. Os deputados do DEM paranaense Abelardo Lupion e Eduardo Sciarra receberam R$ 80 mil cada um da Bunge Fertilizantes. Já o deputado Marcos Montes (DEM-MG) arrecadou cerca de R$ 1 milhão só de pecuaristas, usineiros e exportadores de papel. Como resultado, as empresas conseguiram aumentar a bancada ruralista, uma das mais atuantes da Casa, que saltou de 56 para 160 parlamentares.
O principal objetivo do lobby do agronegócio, este ano, é a aprovação do substitutivo do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que altera o Código Florestal Brasileiro. “A proposta consolida as áreas já ocupadas pelos produtores e restabelece o quadro de segurança no campo”, defende o presidente da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), Eduardo Riedel. A preocupação é garantir a aprovação do código até 12 de junho, quando entra em vigor o Decreto 7029/2009, prevendo que todos os imóveis rurais deverão estar com suas reservas legais averbadas. Isso poderá deixar na ilegalidade 90% das propriedades rurais brasileiras. A tarefa, porém, não será fácil.
Do outro lado da trincheira estão os ambientalistas, para quem o projeto de Rebelo irá anistiar desmatadores, reduzir as áreas de preservação permanente e permitir a ocupação de encostas e topos de morros. Embora formem uma bancada de apenas 15 parlamentares, da qual fazem parte os deputados Sarney Filho (PV-MA), Alfredo Sirkis, fundador do PV, e José Luiz Penna (PV-SP), presidente do partido, os ambientalistas, apoiados por ONGs “verdes”, reverberam com muita força no Congresso. “Os quase 20 milhões de votos da ex-senadora Marina Silva na disputa presidencial motivam a bancada e mostram a nossa força no Parlamento”, afirma o coordenador de políticas públicas do Greenpeace, Nilo D’Ávila.
A relação direta entre doações e empenho parlamentar também se evidenciou no episódio da derrubada da proibição dos inibidores de apetite. A maioria dos deputados que esteve ao lado dos laboratórios recebeu doações da indústria dos remédios durante a campanha do ano passado. Entre os beneficiários aparecem os deputados Saraiva Felipe (PMDB-MG) e Osmar Terra (PMDB-RS). Por intermédio da Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa), os dois receberam R$ 150 mil de laboratórios multinacionais. Outro parlamentar pertencente à bancada da saúde, o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), foi contemplado com R$ 50 mil. No total, a Interfarma doou R$ 1,8 milhão para 20 candidatos. Desses, 13 se elegeram.
Os planos de saúde, lançando mão da mesma prática, investiram R$ 12 milhões em doações nas eleições de 2010. Elegeram 38 parlamentares, dez a mais do que em 2006. As empresas do setor esperam que seus parlamentares agraciados derrubem, este ano, o projeto que obriga as operadoras a justificar por escrito eventual recusa em realizar exames e internações. O deputado mais beneficiado com recursos dessas fontes foi Doutor Ubiali (PSB-SP), que recebeu R$ 285 mil da Federação das Unimeds de São Paulo. O parlamentar, que, em 2010, relatou e conseguiu aprovar projetos do agrado do setor, é um dos críticos mais ferozes dos procedimentos adotados pelo SUS. “O ressarcimento ao SUS pelo atendimento de quem possui plano de saúde é exagerado”, diz ele.
Há fortes grupos de interesse do Congresso que estarão em lados opostos durante as discussões de projetos este ano. A bancada sindicalista congrega 73 parlamentares e promete brigar pela aprovação do projeto que prevê redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. O presidente da Força Sindical e deputado reeleito, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), acredita que há espaço para fazer uma articulação “a fim de garantir um bloco de cerca de 200 parlamentares a favor das causas trabalhistas”. Na última semana, a CUT recebeu parlamentares, no aeroporto de Brasília, com uma pauta que inclui, além da redução da jornada, o fim do fator previdenciário. O corpo a corpo foi intenso. Cada deputado que desembarcava era logo abordado por um sindicalista com um folheto em mãos. “Às vezes a gente fica meio sem jeito. Diz que vai votar a favor só para se livrar do cara”, confidenciou um deputado do PSDB que pediu para não ser identificado.
O lobby do movimento sindical rivalizará com os defensores dos interesses dos empresários, que representam a maior bancada da Casa, com 273 integrantes. O ponto fraco do segmento empresarial é ser muito heterogêneo. Em alguns casos, se confunde com outros grupos de parlamentares, como os ruralistas. Conhecido como rei da soja, o senador Blairo Maggi (PR-MT) é um dos políticos que pertencem simultaneamente às duas bancadas. “Tradicionalmente, os parlamentares empresários não atuam de modo articulado”, afirma o cientista político Rubens Figueiredo, diretor do Centro de Pesquisas e Análises de Comunicação (Cepac).
Um dos grupos de lobistas da área empresarial mais atuantes no Congresso é a Associação das Empresas Cerealistas do Paraná (Acepar), que trabalha na Câmara pela redução da carga tributária. A ação em Brasília rendeu frutos. Por intermédio de parlamentares da bancada dos empresários, a Acepar ampliou seu espaço no mercado. Assíduo frequentador dos corredores da Câmara e do Senado, o vice-presidente da associação, Arney Antonio Frassan, sócio-diretor da AB Comércio de Insumos, foi recompensado. Conquistou, no ano passado, um assento na Câmara de Logística do Ministério da Agricultura.
As indústrias são outra vertente da bancada dos empresários com voz ativa no Parlamento. O lobby industrial tem uma atuação sistemática no Congresso, bradando sua Agenda Legislativa da Indústria, um documento elaborado anualmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), cujo lançamento sempre ocorre em cerimônia pública. A agenda lista projetos em tramitação no Congresso que são de interesse do setor. “A CNI faz uma espécie de lobby transparente porque nossa posição está claramente indicada nesta agenda, que é pública”, diz o ex-presidente da CNI, o deputado Armando Monteiro Neto, eleito senador (PTB-PE).
Um dos crescimentos mais notáveis dessas frentes parlamentares foi o da bancada evangélica. Ela, que tinha 45 parlamentares, conseguiu eleger 66. Agora medirá forças com os estreantes na Casa que representam o movimento GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). Os pontos de discórdia são os projetos em favor da descriminalização do aborto e do casamento civil gay. “Vamos nos opor a todos os projetos que não se identificam com princípios bíblicos”, diz o deputado Erivelton Santana (PSC-BA), diácono da Assembleia de Deus. A lista dos evangélicos novatos inclui o ex-governador Anthony Garotinho (PR-RJ) e a cantora gospel Lauriete Rodrigues (PSC-ES). Os católicos são tão aguerridos nessa questão da união de pessoas do mesmo sexo quanto os evangélicos. Este ano, dois religiosos engrossarão as fileiras da bancada: Padre Zé (PP-CE) e Padre Ton (PT-RO).
Apesar de estar em menor número, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), um dos líderes do segmento GLBT com cerca de dez parlamentares, partirá para a ofensiva. Na terça-feira 29, lança a Frente Parlamentar Mista pela Cidadania GLBT. “Queremos os mesmos direitos para todos”, repete Wyllys. No Senado, o movimento é representado por Marta Suplicy (PT-SP), que desarquivou projeto de lei que torna a homofobia crime. Depois de passar pela Comissão de Assuntos Sociais, o projeto ainda precisará passar pela Comissão de Constituição e Justiça antes de ser votado em plenário. Marta sabe das resistências que pode encontrar, mas revela otimismo. “Eu tenho a convicção de que poderemos, na legislatura que se inicia, retomá-lo e avançar para a aprovação. Não espero que seja fácil. Já vejo manifestações contrárias. Mas a renovação na Casa foi grande e tenho esperança em convencer os nossos senadores de sua importância não só para a comunidade GLBT, mas para o Brasil”, disse.
A disputa ferrenha entre as bancadas suprapartidárias e “grupos de pressão” por espaço e influência no Congresso mostra que o lobby, prática que cresceu no Brasil a partir da Constituinte de 1988, está cada vez mais transparente no País, embora não seja ainda regulamentada por lei, como nos EUA. Há pouco tempo, o lobby era quase sempre relacionado a atividades ilegais. Casos de tráfico de influência seguem sendo tratados como fruto do trabalho de lobistas, mas nos últimos 20 anos ganhou corpo uma categoria de profissionais que vem se pautando por uma atuação à luz do dia. Eles procuram contato com as autoridades com hora marcada na agenda, assunto previamente definido e nos próprios gabinetes de trabalho. É o caso da empresa Umbelino Lobo, que durante cinco anos atendeu o Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom). A empresa de consultoria, sediada em Brasília, foi responsável pela aprovação da emenda constitucional que instituiu a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), o chamado “imposto dos combustíveis”. “Mais do que um direito legítimo, é um dever do setor privado manter um canal permanente de interlocução com o Legislativo a fim de ajudar na formulação de políticas públicas”, prega Antônio Marcos Umbelino Lobo, diretor superintendente da empresa e no mercado há 32 anos. Mas há importantes companheiros de atividade de Lobo empenhados em evitar a regulamentação do setor. É que dentro ou fora do Congresso ainda pululam em Brasília as bancadas da sombra.
FONTE: ISTOÉ
Edson Luís, Presente!

28 de março de 1968 -
Morte no Calabouço
Coletivo Dolores recebe prêmio Shell e protesta

Durante a 23ª edição Prêmio Shell de Teatro, atores do Coletivo Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes realizaram um protesto contra o patrocínio da empresa petrolífera em um dos principais prêmios do teatro brasileiro.
O grupo teatral foi premiado na categoria Especial pela pesquisa e criação de “A Saga do Menino Diamante - Uma Ópera Periférica”, espetáculo que reúne teatro, música e poesia.
No recebimento do troféu, a atriz Nica Maria jogou óleo queimado, simulando petróleo, sobre a cabeça do ator Tita Reis que discursava. O ator leu um texto que fazia referência a bombas jogadas em crianças iraquianas, cartel monopolizador e bombardeio. “Nosso coração artista palpita com mais força do que qualquer golpe de estado patrocinado por empresas petroleiras”, dizia o texto em referência à Shell.
Em nota pública, o coletivo lamenta que “uma das premiações mais conceituadas no meio artístico seja patrocinada por uma empresa que participa ativamente da lógica de produção de ditaduras perenes, guerras e golpes de Estado”.
Além disso, o grupo teatral se manifesta contrário às premiações, por entender que, além de naturalizar hierarquias e competições, delega a grupos o poder de decidir o que é ou não é arte.
Ainda de acordo com a nota, o Dolores Boca Aberta aceitará o prêmio, que além de um troféu confere o valor de R$ 8 mil para cada categoria. “Em nosso entendimento, esta é uma forma de restituição de uma ínfima parte do dinheiro expropriado da classe trabalhadora. Recebemos o que é nosso (enquanto classe, no sentido marxista) e debateremos um fim público para esta verba”, declara a nota.
O Coletivo Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes existe há dez anos e é formado por trabalhadores da zona leste de São Paulo. Através do teatro, o grupo aborda questões relacionadas à classe trabalhadora em espetáculos gratuitos e oficinas com a comunidade.
Confira o texto lido na entrega do prêmio:
"Para nós do coletivo artístico Dolores é uma honra participar deste evento e ainda ser agraciado com uma premiação.
Nosso corpo de artista explode numa proporção maior do que qualquer bomba jogada em crianças iraquianas.
Nosso coração artista palpita com mais força do que qualquer golpe de estado patrocinado por empresas petroleiras.
Nossa alegria é tão nossa que nenhum cartel será capaz de monopolizar.
É muito bom saber que a arte, a poesia e a beleza são patrocinadas por empresas tão bacanas, ecológicas e pacíficas.
Obrigado gente, por essa oportunidade de falar com vocês.
Até o próximo bombardeio...
...quer dizer, até a próxima premiação!!!"
FONTE: BRASIL DE FATO
sexta-feira, março 25, 2011
Comissão Brasileira sobre Drogas propõe maior diferenciação entre usuários e traficantes

A Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia (CBDD) lançou, na manhã desta sexta-feira, relatório em que propõe uma ampliação do debate sobre drogas. Uma das principais propostas diz respeito a uma maior diferenciação entre usuários e traficantes. Segundo membros da comissão, a legislação de hoje não é clara e abre brechas para diferentes interpretações. Um dos exemplos citados é o de Portugal, onde são considerados usuários aqueles que possuem uma quantidade de drogas para até dez dias de uso. A comissão pretende recolher assinaturas da sociedade para defender a questão e encaminhar um relatório para o Governo Federal.
- Se há problema de droga, que saia do terreno criminal, da polícia, e que venha para o terreno da saúde. O problema da polícia é bandido. O problema do consumo da droga, seja ela o álcool, o cigarro, a maconha ou o terrível crack, é um problema que precisa de assistência de saúde - defendeu Rubem César Fernandes, secretário executivo da CBDD e diretor executivo do Viva Rio, acrescentando que a política internacional de combate às drogas - estabelecida pela ONU em 1998 - fracassou.
A comissão é formada por pessoas de diferentes setores, como saúde, segurança, direito e economia. Participaram do encontro realizado na Fiocruz, no Rio de Janeiro, o presidente da entidade de pesquisa, Paulo Gadelha, o coronel da Reserva da PM e ex-secretário de Direitos Humanos, Jorge da Silva, e o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), entre outros. Na ocasião, foi lançada também uma cartilha sobre a política de redução de danos, que será distribuída para agentes comunitários de saúde em comunidades do Rio. O livro foi elaborado em parceria da Prefeitura do Rio e do Viva Rio.
FONTE: extra.globo
corrente pelo professor.

Agravamento da situação na Líbia leva à reunião extraordinária da União Africana

O agravamento da crise na Líbia é tema de uma reunião extraordinária hoje (25), em Adis Abeba, na Etiópia. Uma comissão especial que representa os 52 países que integram a União Africana está reunida com enviados do presidente da Líbia, Muammar Khadafi. Há, ainda, representantes da União Europeia e da Liga Árabe. A delegação líbia é liderada pelo secretário-geral do Congresso Geral do Povo (o Parlamento), Mohamed Abou El Kassim Zouai, e mais quatro ministros.
De acordo com relatos, não há representantes da oposição líbia na reunião. A União Africana defende o fim dos ataques mútuos na região, a cooperação das autoridades líbias no encaminhamento da ajuda humanitária e a proteção dos cidadãos estrangeiros, incluindo os trabalhadores imigrantes africanos.
A reunião da comissão especial (formada pela África do Sul, por Mali, pela Mauritânia, República do Congo e Uganda). “A situação é de uma gravidade extrema, tanto para o país como para a região no seu conjunto”, disse, no discurso de abertura, o presidente da Comissão da União Africana, Jean Ping.
As informações são da agência pública de notícias de Portugal, a Lusa. A reunião ocorre no sétimo dia de ataques das forças da coalizão sobre a Líbia. Os Estados Unidos, a França e a Grã-Bretanha lideram os ataques, mas prometem passar o comando das operações para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) provavelmente no fim de semana.
A última reunião da União Africana para discutir a questão da Líbia foi no dia 19. As discussões ocorreram um dia depois do início dos ataques da coligação internacional. A União Africana é contra a intervenção militar internacional na Líbia e tem apelado para o fim dos conflitos e a busca pelo diálogo.
“Quanto mais se prolongar o conflito, maior é o risco. Daí a urgência que reveste a procura de uma solução duradoura para a crise que consagre o respeito pela unidade nacional e pela integridade territorial da Líbia, assim como as legítimas aspirações do povo líbio”, disse Ping.
Recentemente a União Europeia intensificou as sanções à Líbia, congelando os bens de Khadafi e de pessoas ligadas a ele, além de aumentar o rigor em relação ao embargo à venda de armas. A decisão ratifica a iniciativa do Conselho de Seguranças das Nações Unidas, que aprovou a intervenção militar e a imposição de uma zona de exclusão aérea na região.
O Brasil se absteve na votação no Conselho de Segurança. Para a presidenta Dilma Rousseff, os ataques à Líbia podem levar ao agravamento da situação de violência e temor no país. O assunto foi discutido por ela no encontro com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no último sábado (19), em Brasília.
FONTE: AGÊNCIA BRASIL
De Tiradentes a San Martin, Libertadores da América irão às telas em projeto espanhol

"Oxalá possamos fazer o mesmo no norte da África. Dar voz aos protagonistas, especialmente à juventude, e não lições de democracia", defendeu González, durante o lançamento do projeto na semana passada, em Madrid.
Filme ainda está em fase de captação de recursos
Idealizado pelo produtor espanhol José María Morales, a série contará histórias de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia/Venezuela, Cuba, Peru e Uruguai. Os ex-colonizadores, no entanto, entrarão apenas com o dinheiro - os filmes serão feitos por diretores da América Latina.
Marcelo Gomes, de "Cinema, aspirinas e urubus" e "Viajo porque preciso, volto porque te amo", será o diretor da obra sobre Tiradentes. O produtor aqui no Brasil, João Junior, brinca que depois de fazer dois "road movies", agora Gomes fará um "horse movie". Isso porque o diretor pretende se focar nas viagens de Tiradentes por Minas Gerais e Rio de Janeiro e no caldeirão de ideias que formou a consciência política do alferes. O roteiro foi feito em parceria com o produtor João Dumas, segundo o pernambucano Gomes, para ter um "olhar mineiro".
- Escrevemos esse roteiro não sobre a Inconfidência Mineira, mas sobre a construção da consciência política de Joaquim José. Lemos sobre os costumes para entender o que era Minas Gerais naquela época.
O diretor lembra que o estado sofreu no século XVIII a maior migração das Américas. Foi para lá gente de todas as regiões do Brasil, Portugual, Espanha e outros países em busca do ouro. Foi nesse ambiente de ideias fervilhantes - estamos falando da época da Revolução Francesa e da Independência dos EUA - que o alferes e dentista se transformou em um revolucionário.
Marcelo diz que a oportunidade de participar do projeto surgiu quando ele estava em um festival na Espanha e Morales o abordou elogiando muito "Cinema, aspirinas e urubus", que também tem um pano de fundo histórico.
Com orçamento previsto de R$ 3 milhões, o novo Tiradentes ainda está em fase de captação. O valor é o teto permitido para os projetos da série e a produtora de Morales, Wanda Filmes, é responsável por 50% do investimento. A outra metade é responsabilidade dos produtores brasileiros.
Como o filme está na fase de captação, o elenco ainda não foi definido. Mas pelas declarações do diretor, o público pode esperar um ator mais novo e esquecer a figura clássica de Tiradentes, com cabelos e barba longa, lembrando Jesus Cristo. Gomes critica a imagem "quase sacra" de Tiradentes que temos hoje.
Três filmes da série já estão prontos
Nem todos os filmes do projeto "Los Libertadores" já têm seus roteiros definidos e apenas três estão completos. Os outros devem ficar prontos até o final do ano que vem. As lutas pela libertação são o ponto central das obras, mas cada uma segue seu próprio caminho.
Os filmes prontos até agora são o cubano "El ojo del canario", de Fernando Pérez; o argentino "San Martín, el cruce de los Andes", de Tristán Bauer e Leandro Ipiña; e o uruguaio "La Redota, uns historia de Artigas", de César Charlone. O mexicano "El cura Hidalgo", de Antonio Serrano, está em pós-produção.
"El ojo del canario" já acumulou prêmios em alguns festivais latinoamericanos, entre eles o de Havana, Lima e Guadalajara. Seguindo caminho semelhante ao escolhido por Marcelo Gomes, Pérez conta como o caráter de José Martí foi formado durante sua infância e adolescência.
"San Martín, el cruce de los Andes" conta como o general San Martín criou uma força militar para cruzar os Andes e tomar o Chile, dominado por forças monárquicas espanholas.
A história de José Artigas é contada sob a perspectiva do pintor Juan Manuel Blanes, que em 1884 recebeu a missão de pintar um retrato do revolucionário uruguaio. Como havia apenas uma imagem do rosto de Artigas, Blanes foi obrigado a fazer uma grande pesquisa para descobrir mais detalhes. Ele descobre então anotações de um espião espanhol, Aníbal Larra, cuja missão era matar Artigas, que enfrentava o poder central de Buenos Aires. Ao conhecer o revolucionário e a realidade do povo uruguaio, Larra começa a questionar sua missão
Já os filmes sobre Bernardo O'Higgins, herói da independência chilena; Tupac Amaru, do Peru; e Simón Bolívar, o venezuelano que inspira os maiores delírios de Hugo Chávez, ainda não têm diretor definido.
- Esses homens lutaram contra as tropas monarquistas, contra a Espanha, e hoje também são nossos heróis, fazem parte de nossa história comum - disse Alberto Oliart, presidente da emissora RTVE.
FONTE: O GLOBO