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terça-feira, junho 19, 2012

Maluf e o PT provam que pior do que está pode ficar sim

Foto de Maluf com Haddad e Lula causaram indignação até mesmo em quem já está acostumado com as alianças do PT

Quando ninguém mais acreditava que pudesse se surpreender com o jogo das alianças espúrias na política, eis que algo novo sempre aparece para desafiar esse limite. Nesse dia 18 de junho, a foto do ex-presidente Lula e seu candidato Fernando Haddad, empurrado goela abaixo da militância petista como pré-candidato à prefeitura da cidade, com ninguém menos que Paulo Maluf, foi um desses momentos de consternação.


A aliança do PT com o PP de Maluf foi selada oficialmente na própria casa do ex-prefeito de São Paulo. As conversas e articulações, porém, já estavam adiantadas. Em troca do apoio de Maluf e do 1min35 de tempo de TV de seu partido, o PT deu uma secretaria do Ministério das Cidades a um de seus apadrinhados. Mas, num tempo em que a imagem predomina, Maluf exigiu que Lula fosse pessoalmente à sua casa, para registrar o momento histórico em uma foto. E assim foi. 

A imagem do candidato do PT com uma das figuras símbolo da corrupção no país, dono de bordões como "estupra, mas não mata" e presente na lista de procurados da Interpol causou indignação até mesmo entre os petistas já acostumados à política de alianças "pragmáticas" de seu partido. A foto com Maluf deu a impressão até mesmo a esse setor de que, desta vez, o partido "passou do limite". O apoio de Maluf a Marta em 2004, por exemplo, reduzira-se a uma declaração de voto e não a poses para retratos.

O acordo com Maluf pegou até mesmo Luiza Erundina (PSB) de surpresa. Balançada, a pré-candidata a vice de Haddad criticou a aliança, ainda que, ao contrário do que chegou a noticiar alguns veículos, aceite permanecer na chapa do PT.

O coro dos hipócritas

Mas não foi só parte da militância petista que comentou a foto de Lula com Maluf. Os maiores veículos da imprensa paulista, como a Veja, Estadão e Folha de S. Paulo, estamparam com destaque a imagem, como forma de desgastar a imagem de Haddad em prol da candidatura Serra. 

Menor destaque dão, porém, ao recente apoio prestado por Valdemar da Costa Neto ao candidato tucano. Valdemar, presidente do PR (então PL), foi um dos protagonistas do escândalo do mensalão. Na época, em 2005, o então deputado renunciou para não ser cassado. O apoio a Serra em São Paulo seria uma forma de vingança pelo PR ter sido preterido pelo Governo Federal na distribuição de cargos e ministérios. 

O PSDB, também de olho no tempo de TV do PR, prefere esquecer por hora o mensalão, cujo julgamento no STF está marcado para agosto. Questionado sobre a "incoerência", Serra deu sua contribuição ao rol de frases esdrúxulas afirmando que faz aliança "com partidos, não com pessoas".

Diga-me com quem andas...

A foto de Maluf e Lula de fato choca. Porém não chega a ser exatamente uma novidade, já que o PP sempre esteve na base aliada do governo Lula, e agora no de Dilma. A coerência e o discurso da “ética na política” já foi há muito abandonado a favor da chamada “real politik”, que já produziu imagens como a do hoje senador Lindberg Farias (PT) apertando as mãos do colega Fernando Collor de Melo, vinte anos após as mobilizações dirigidas pelo então presidente da UNE.

Há tempos o PT se lançou de corpo e alma ao mais puro fisiologismo. Com as fronteiras de classe dissolvidas, vale tudo, e qualquer preço nunca é caro o bastante para chegar e se manter no poder. De ruralistas a mais conservadora bancada evangélica. Os poucos militantes petistas que ainda se vêem obrigados a justificar tais alianças, costumam apontar o dedo para o PSTU “que não se alia com ninguém, mas também não elege”. Nessa lógica, faria sentido abrir mão de alguns princípios para chegar ao poder. Mas seria mesmo assim?

Passada uma década de governo petista, nenhuma mudança estrutural foi realizada. Velhas oligarquias regionais, como a família Sarney, são eternizadas pelo próprio PT. Medidas como a reforma do Código Florestal, há anos parada no Congresso, são retomadas. Até mesmo medidas aparentemente tão simples e básica, como uma cartilha anti-homofobia nas escolas para combater a violência contra homossexuais, são vetadas em nome das alianças conservadoras. 

Na política, ou você luta contra a direita, os ricos e poderosos, ou se alia a eles. O PT, há muito, já escolheu o seu lado. Ingenuidade é achar que, abraçado a Paulo Maluf, é possível mudar alguma coisa.


FONTE: OPINIÃO SOCIALISTA

segunda-feira, junho 04, 2012

Depois de anos, servidores de vários segmentos confluem para a greve


Servidores de todo o país marcharão nesta terça-feira (5) na Esplanada dos Ministérios para protestar contra o descaso do governo em relação à pauta unificada apresentada pelo Fórum das Entidades Nacionais em Luta, que representa 32 entidades. Depois da Marcha haverá uma plenária ampliada dos servidores para votar a greve geral dos servidores a partir de 11 de junho. “Será a primeira vez, depois de muito tempo, que há a perspectiva de realização de uma greve conjunta dos servidores”, atestou a presidente do ANDFES-SN, Marina Barbosa, em entrevista concedida na tarde desta segunda-feira (4) à imprensa.

“Pela primeira vez, desde 2003, está se desenhando a realização de uma greve unificada e por tempo indeterminados dos servidores públicos federais”, confirmou o dirigente da CSP-Coluntas na entrevista, Paulo Barela.

Na conversa com a imprensa, Marina explicou que desde a posse do presidente Lula o governo tem feito a estratégia de dividir os servidores, concedendo reajustes diferenciados para as categorias. Desrespeitando, assim, o princípio constitucional de concessão de reajustes salariais anuais. Criando, com isso, divisões internas e distorções no conjunto das carreiras.

Esta estratégia governista tem sido boa para os cofres da União, já que os gastos do governo com servidores, proporcionalmente ao PIB (Produto Interno Bruto) e ao volume de recursos arrecadados, estão sendo menores nos governos petistas do que àqueles realizados pelo governo FHC.

“Um exemplo claro é o que aconteceu entre 2010 e 2011. A estratégia foi conceder “abonos” para algumas categorias específicas, o que representou um impacto inferior a R$ 2 bilhões no orçamento, muitas vezes inferior ao valor que deveria aplicar apenas para repor as perdas inflacionárias de todos, isto é, retira salário real do bolso dos servidores em grande monte e ainda faz discurso de que negociou correções,”, explicou, na entrevista, o 1º vice-presidente do ANDES-SN, Luiz Henrique Schuch.

Reivindicações

A pauta de reivindicação inclui sete eixos, entre os quais o reajuste de 22,08% (referente à inflação e variação do PIB desde 2010), em conjunto com uma política salarial permanente, com reposição inflacionária, valorização do salário-base e incorporação das gratificações. Os servidores também pedem a implementação de negociação coletiva no setor público, com definição de data-base e o cumprimento, por parte do governo, dos acordos firmados e não cumpridos.

Além disso, os servidores vêm enfrentando a precarização das condições de trabalho e ataques aos direitos básicos, como a recente privatização da previdência, com a criação da Funpresp.

Como o governo insiste na concessão de reajustes diferenciados, o Fórum de entidades propôs uma nova composição do índice de reposição. Defendem, agora, que o percentual referente à inflação seja para todos os servidores, deixando a variação do PIB para as negociações sobre as distorções salariais. Na reunião realizada com o Fórum das Entidades na última sexta-feira (1º), o secretário de secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça, informou que ainda não tinha resposta para a pauta apresentada pelos servidores.

Todo esse descaso do governo tem aumentado a indignação entre os servidores. A expectativa é de que cerca de 15 a 20 mil pessoas participem nesta terça-feira (5) da Marcha na Esplanada dos Ministérios. Também são muitas as categorias que já deliberaram por entrar em greve em junho, como os técnicos-administrativos das universidades federais e os auditores-fiscais da Receita Federal do Brasil. Os docentes federais estão parados desde o dia 17 de maio, já sendo 48 instituições em greve.

Fonte: ANDES-SN



Servidores Públicos realizam nova marcha a Brasília 

nesta terça-feira (5) e podem deflagrar 

greve nacional unificada a partir do dia 11



Mais de 10 mil servidores são esperados para a marcha a Brasília que ocorre  nesta terça-feira (5). Desde o lançamento da Campanha Salarial 2012, em março, o funcionalismo público tem realizado diversas manifestações, marchas e atos para pressionar o governo e avançar no atendimento da pauta de reivindicações da categoria. Entretanto, nada de concreto foi apresentado até o momento aos servidores.

Alguns setores do funcionalismo, como os docentes das Universidades Federais, que já estão em greve desde o dia 17 de maio, também prometem dar peso à manifestação com caravanas vindas de diversas regiões do país. Além das centenas  de estudantes, organizados pela ANEL- Assembleia Nacional dos Estudantes Livres, que se farão presentes em apoio e solidariedade ao movimento e em defesa da educação pública.

O ato terá concentração na Praça da Catedral a partir das 8h com saída dos manifestantes para a marcha por volta das 10h. A passeata seguirá pela Esplanada dos Ministérios em direção à Praça dos Três Poderes, onde, em frente ao Palácio do Planalto, será realizada uma concentração, momento em que os servidores federais vão protestar contra a política da presidente Dilma para o funcionalismo. Os manifestantes seguirão em marcha rumo ao Ministério do Planejamento, onde será realizado um Ato Político. Na ocasião, os servidores exigirão uma reunião com a ministra Mirian Belchior.

Após a marcha, às 15h, será realizada uma grande plenária nacional de base, organizada pelo Fórum Nacional das Entidades dos Servidores Federais, quando os presentes irão votar a greve da categoria, prevista para ter início a partir do dia 11 de junho.

“Cansamos de toda essa enrolação do governo Dilma. Agora é hora de aprovar o início da greve, que já está indicada para o próximo dia 11, e intensificar a mobilização na categoria, acompanhando o belo exemplo dos professores das Universidades Federais. Somente a categoria, unificada e disposta a lutar, é quem pode definir os rumos da campanha salarial, fazer o enfrentamento e forçar o governo Dilma Rousseff ao atendimento das reivindicações”, ressaltou o membro da Secretaria Executiva Nacional da CSP-CONLUTAS, Paulo Barela.

Pauta dos Servidores 

Entre as reivindicações dos servidores estão reajuste de 22,08% (referente à inflação e variação do PIB desde 2010), em conjunto com uma política Salarial permanente, com reposição inflacionária, valorização do salário-base e incorporação das gratificações. 

Os servidores também reivindicam o direito à negociação coletiva no setor público, com definição de data-base em maio e o cumprimento de vários acordos, que foram firmados, mas o governo não cumpriu.

FONTE: CSP CONLUTAS

terça-feira, maio 29, 2012

Os ventos que vêm da Grécia


As notícias que chegam da crise européia impactam todo mundo. Por um lado, ataques brutais dos governos e das grandes empresas contra os trabalhadores, através de planos de austeridade ainda mais duros que os que eram aplicadas na América Latina, na década de 90. 

Por outro lado, a sucessão de lutas contra esses planos, que culminou recentemente nas greves gerais da Espanha, Portugal e Bélgica. A combinação das lutas com as eleições gerou a crise política atual na Grécia, que concentra as atenções mundiais. 

Os ativistas que estão à frente das lutas sindicais, populares e estudantis de todo o país devem acompanhar a evolução da crise grega. Seu desdobramento vai ter conseqüências na economia e na luta de classes em todo mundo. Pode desencadear uma nova recessão mundial, como a falência do Lehman Brother, em 2008. Estamos vendo a primeira situação revolucionária de um país europeu desde a Revolução Portuguesa, em 1975. 

Já está claro que a crise grega recoloca o debate sobre o socialismo em outro patamar. Ao serem derrotados os dois maiores partidos (Pasok e Nova Democracia), ficou demonstrado que as massas gregas buscam outras respostas. Não estão no centro dos debates apenas as alternativas tradicionais da socialdemocracia e do liberalismo. O povo grego quer saber se uma alternativa socialista (ainda que reformista como Syriza) pode apresentar uma saída. 

Em nossa opinião só um programa de ruptura real com o euro, a União Européia, com a estatização dos bancos e um novo rumo anticapitalista poderiam dar uma perspectiva real para a Grécia. Isso pode ser frustrado, caso o Syriza mantenha seu programa de reformas dentro da União Europeia. Mas, com um desdobramento ou outro, queremos destacar para todos os ativistas que o socialismo volta ao centro dos debates mundiais. 

Essa é uma discussão estratégica necessária para o Brasil. O PT e seus governos educaram centenas de milhares de ativistas no país na lógica socialdemocrata de administração do capitalismo, que acaba de fracassar na Grécia. Os simpatizantes do governo dirão que “Brasil é Brasil”, “Grécia é Grécia”. Não estamos comparando as duas situações políticas, que são muito diferentes. Estamos destacando que a estratégia socialista de ruptura com o capital voltou a ser colocada na Grécia nos dias de hoje, o que os representantes do PT negam. O PT fala da ruptura socialista como parte do passado. Não é. Já está colocada como parte do presente e do futuro.

Mas vale a pena também entrar na discussão sobre a situação brasileira. O país vive uma desaceleração forte de sua economia em função da crise mundial. Não existe recessão no Brasil, mas os efeitos da crise já podem ser sentidos aqui. Os rumos da economia, no final das contas, vão ser decididos pelas gerências das grandes multinacionais aqui instaladas, e vão pesar na decisão da burguesia a evolução da economia mundial e da crise grega. 

Dilma chegou até aqui com uma popularidade recorde. Mas isso está assentado no crescimento da economia e na blindagem da CUT, UNE, PT, PCdoB, junto com o PMDB, PP, etc. Uma mudança na economia pode ter também efeitos políticos distintos. O governo Dilma já está atacando os trabalhadores como reflexo imediato da crise internacional. A privatização da Previdência, o ataque à poupança, a dureza contra o funcionalismo federal são partes desse enredo. Mas apenas uma parte inicial. Caso se efetive uma nova recessão mundial, com reflexos sobre o Brasil, a dureza dos ataques será muito, muito maior.

Hoje, o conjunto dos ativistas no Brasil está chamado a apoiar as lutas existentes, como a greve do funcionalismo federal que começou com os professores universitários do ANDES-SN e vai seguir com os funcionários das universidades (FASUBRA). Assim como apoiar as greves da construção civil e as mobilizações populares em curso. 
Mas além das lutas imediatas, todos devem acompanhar a evolução dos acontecimentos na Grécia. E retomar a discussão estratégica do socialismo que os ventos gregos nos trazem. 

FONTE: EDITORIAL DO OPINIÃO SOCIALISTA 443

segunda-feira, maio 28, 2012

O inchaço das câmaras municipais


Legislativos de 1.083 cidades criam 3.672 vagas para vereadores; 
total ainda pode aumentar

A despeito do aperto orçamentário de grande parte dos municípios, o inchaço nas câmaras municipais não para de crescer. Balanço inédito das leis municipais aprovadas após o Censo de 2011 mostra um acréscimo de 3.672 novas vagas de vereadores em 1.083 cidades brasileiras. Essas vagas serão preenchidas após as eleições de outubro. O aumento foi possível porque o Congresso estipulou novos critérios para o limite das câmaras, com base na revisão da população feita pelo IBGE no ano passado. Levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) em 50 cidades do Rio de Janeiro revela que 32 elevaram o contingente de parlamentares.

Em todo o Brasil, o número de vereadores crescerá 7,1% sobre o total de 51.748 eleitos em 2008, conforme mostram os dados recolhidos pela CNM ao longo dos últimos dez meses. Foram pesquisados 2.098 municípios de 2.153 que tinham margem legal para fazer a alteração. Ou seja: cidades nas quais o número de habitantes cresceu, permitindo aos vereadores decidir se aprovariam ou não um aumento das vagas no Legislativo, com as respectivas adequações nas estruturas administrativa (novos servidores e reformas nos gabinetes).

Em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio, por exemplo, a nova regra permitiu que o número de vereadores pulasse de 21 para 31. E a lei municipal estipulou que, em 2013, a Câmara terá 26 representantes. Em fevereiro, o GLOBO revelou que o Legislativo de São Gonçalo pôs no orçamento de 2012 um gasto adicional de R$ 6 milhões para construir uma nova sede capaz de atender o aumento da clientela. Teresópolis, município serrano que ainda tenta se recuperar da destruição provocada pelas chuvas de 2011, terá o maior aumento de vagas entre as cidades fluminenses pesquisadas: passará de 12 para 21 vereadores, nove acima dos eleitos quatro anos atrás.

— Será que, mesmo com a margem legal, o município tem dinheiro para suportar esse gasto adicional? O município está bem, está desenvolvido? Me parece que essas alterações atendem muito mais aos interesses políticos, à necessidade da expansão partidária, do que aos interesses do eleitor, que precisa de Legislativos atuantes, fiscalizadores e bem fiscalizados — avalia o cientista político Emerson Masullo, da Universidade Católica de Brasília.

Nos municípios pesquisados, em 2008 foram eleitos 20.476 vereadores. Com as alterações nas leis orgânicas, o número de vagas passa para 24.148 parlamentares, elevação de 17,9%. O inchaço, entretanto, pode ser ainda maior. Os próprios vereadores têm autorização para aprovar novas leis que aumentam o número de cadeiras até o próximo dia 30 de junho. E, de acordo com o levantamento da CNM, mais 604 casas legislativas estão dispostas a fazê-lo.

Apenas 411 câmaras informaram que não mudaram a lei, nem o farão. Se todos os 2.153 municípios com folga legal criassem vagas, o aumento poderia chegar a oito mil cadeiras, estima a CNM com base no número de habitantes por município aferido no Censo concluído em agosto de 2011. Dos municípios pesquisados, apenas Conchal (SP) — cidade de 25 mil habitantes e vocação agrícola — foi obrigado a reduzir o número de vereadores em 2013, passando dos atuais 13 para 11. O aumento de cadeiras é facultativo, porém 930 câmaras municipais não só ampliaram as vagas de vereadores como ajustaram suas estruturas ao teto permitido pela legislação.

A CNM não mediu o impacto financeiro do inchaço, pois a maior parte das câmaras municipais terá até o fim do ano para aprovar leis com os valores dos salários dos agentes públicos pelos próximos quatro anos, o que inclui vereadores, prefeitos e secretários municipais. O limite de gastos por Legislativo varia entre 3,5% da Receita Corrente Líquida (RCL) — nas cidades cujo número de habitantes varia de oito a 15 milhões de habitantes — e 7%, onde a população é inferior a 100 mil pessoas.

Considerando que o gasto médio atual dos legislativos municipais no Brasil é de 3% da RCL, o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkosky, afirma que é nítida a tendência de aumento dos gastos administrativos com a máquina inflada. Porém, alerta que também poderão ocorrer aumentos significativos de gastos onde a decisão foi de não mudar a lei orgânica.

— Por um lado, temos municípios aumentando a máquina. Por outro, temos cidades com margem para aumentar os gastos e que poderão reajustar até dezembro os salários dos agentes públicos pelos próximos quatro anos. Isso resultará em vencimentos mais altos na Câmara e no Executivo, com implicação sobre o salário dos prefeitos e dos secretários e, o mais grave, sobre as contas públicas — avalia Ziulkosky.

No Rio, 21 das 50 cidades pesquisadas aprovaram leis que fizeram o Legislativo atingir o limite de vereadores por número de habitantes. Em 12 municípios, o total de cadeiras crescerá entre cinco e nove com as novas leis. Em Volta Redonda, Niterói e Barra Mansa serão mais sete cadeiras. Belford Roxo, Resende e Araruama terão seis novas vagas, enquanto Saquarema, São Gonçalo, Cabo Frio, Macaé e Rio Bonito terão mais cinco.

FONTE: O GLOBO

domingo, maio 27, 2012

A CPI do Rabo Preso


Acho que ninguém acredita que essa CPI vá dar em alguma coisa, talvez nem sequer pizza. Não sei se as normas aplicáveis permitem isso, mas a impressão que se tem é de que, se fosse possível, os responsáveis por sua criação a dissolveriam e sairiam disfarçadamente do Congresso, assobiando com a mão no bolso e olhando para o ar como quem não quer nada - CPI, que CPI é essa, não sei de CPI nenhuma, é tudo invenção da imprensa, tirem esse bicho daí.
A experiência sugere que não vão investigar nada e que nada vai dar em coisa alguma, nem em reais punições para eventuais culpados. Pode-se, no máximo, encenar alguma palhaçada, como a que se vislumbra quando o Bonner noticia, conseguindo manter a cara séria, que Fulano de Tal estará sujeito a 20 ou 30 anos de cadeia por safadagens financeiras variadas, quando todo mundo sabe que o cara vai ser condenado a quatro, vai cumprir um tantinho e sair lépido e lampeiro, para gastar a graninha surrupiada. Isso na eventualidade rara de ele não conseguir sucessivas protelações, através das mirabolâncias processuais praticadas no Brasil, e morrer velho e rico, sem nunca chegar nem perto da cadeia.
Genericamente, que esperar de uma CPI num país de oposição tartamuda e incapaz e de uma maioria governista composta, não de partidos políticos, mas de bandos de interesse puro e simples pelo muito que o poder dadiva, em mimos tanto para o bolso quanto para o ego, entre privilégios indecentes e regalias de sultão? Os partidos não se distinguem uns dos outros, porque querem a mesma coisa e, se chamados a traçar rumos ou projetos para o País, falarão, como todos falam em seus programas e comerciais, em grandiloquências vagas, como "oportunidade igual para todos", "um governo que realmente atente para os interesses do povo brasileiro", "a criação de postos de trabalho", "uma política de saúde realmente eficaz", numa ladainha que um papagaio bem treinado decoraria e que é intercambiável por todos os partidos.
Os perpetradores dessa peça burlesca talvez tenham entrado numa crise de onipotência e achado (o poder e a impunidade devem cegar um pouco, ou até bastante) que iam ter controle sobre sua condução e seus desdobramentos. Foi um erro metodológico. Esqueceram, talvez porque elas há tanto tempo integram a realidade, que a corrupção e a imoralidade se tornaram sistêmicas no nosso universo político-administrativo, o qual se pode comparar com um organismo ou com uma estrutura qualquer, um conjunto de partes interdependentes. Nesse organismo, a corrupção já de muito entrou em metástase, tudo indica que não existe área em que ela já não se tenha instalado. Não há como pensar sobre o funcionamento do Estado no Brasil, em todos os níveis da Federação, sem levar em conta que é um sistema onde a corrupção se tornou crônica e é constituinte indissolúvel dele, permeando-o de cima abaixo. Mencione-se também a incúria e a incompetência, que ajudam a levar pelo ralo o dinheiro público que sobra da rapina. E isso abrange todos os poderes e setores da República, como somos informados a cada dia, diante de denúncias de venda de sentenças, vereadores se mancomunando para obter ganhos ilícitos, deputados representando farisaicamente interesses espúrios, ministros suspeitos de gatunagem, fiscais formando quadrilhas de extorsão e por aí se segue, numa multiplicidade que desafia qualquer enumeração.
Mexer num ponto dessa estrutura orgânica leva, inevitavelmente a outro ponto e a mais outros, sucessivamente. Um roubo revela outros, suspeito eu que em progressão geométrica. E também surgem ligações inesperadas, basta começar a puxar as várias pontas desse novelo colossal. Acho que, subitamente despertos para esse fato, os membros da CPI entraram em parafuso, agravado pelo silêncio de Cachoeira e pelo fiasco grotesco de parlamentares fazendo uma pergunta atrás da outra, presumivelmente para mostrar serviço, ou anunciar posições, pois que sabiam que o perguntado não ia falar nada. Como já vinham ensaiando, começaram a ameaçar engalfinhar-se, denunciando-se uns aos outros. Mas aí viram que, por essa via também correm muitos riscos e o melhor mesmo devia ser esquecer essa CPI, porque vai acabar sobrando para todo mundo.
Se não dá para dissolver a CPI, dá para procurar esfriar as coisas um pouco, como num jogo de futebol em que um empate em zero a zero convenha a ambos os times. Calma, pessoal, vamos pensar com a cabeça fria, isso não vai dar em boa coisa para ninguém, vamos pegar um diretorzinho aí para levar a carga principal da culpa, talvez o boy que tenha transportado mensagens comprometedoras ou criminosas, vamos deixar de moralismo mesquinho, atire a primeira pedra, etc. e tal.
Quem é mesmo que manda em nosso país? No interesse de quem somos governados? De quantas formas somos engabelados, iludidos, trapaceados e prejudicados? Como será esse labirinto sombrio do poder daninho e da roubalheira, quantos minotauros vivem dentro dele? Acho que nós, o povo, jamais saberemos. Quem era que podia imaginar que o senador que ostentava a mais severa e austera catadura entre todos os seus pares, na imagem quase perfeita de um político virtuoso, um varão de Plutarco de nossa época, era moço de recados e ajudante de serviços gerais de uma quadrilha delinquente? E que havia tanta gente "conversável" em todos os órgãos do governo, de alto a baixo? É, talvez seja mesmo melhor não saber. E, pelo visto, concluir que o patriota em toda esta história está sendo Cachoeira, que, se abrir a boca, pode fazer enorme estrago na República.
FONTE: O Estado de S.Paulo / JOÃO UBALDO RIBEIRO

sábado, maio 19, 2012

Alimentada pela escassez, "indústria da seca" fatura com a estiagem no Nordeste


A seca no Nordeste é sempre sinal de sofrimento para o sertanejo. Mas a falta de chuva também movimenta o meio político e o comércio das cidades atingidas pela estiagem. A chamada “indústria da seca” fatura alto com a falta de alimentos para os animais e de água para os moradores.
O exemplo mais conhecido no sertão –e relatado por diversos moradores ao UOL–  é o uso político na distribuição dos carros-pipa, marca registrada do assistencialismo simples. Segundo os relatos, alguns políticos visitam as comunidades e se apresentam como “responsáveis” pelo envio da água. Os moradores também reclamam da alta nos preços de serviços e alimentos para os animais.
“A prefeitura nos ajuda muito, nos mandando água por carros-pipa. Às vezes demora, mas sempre vem”, conta a agricultora Maria Gildaci, 66, de Tacaratu (PE), sempre citando que o prefeito é "quem manda" o carro para a sobrevivência dela e da família, que vive em uma pequena casa no sítio Espinheiro. 
Falas como a Gildaci, agradecendo os políticos, são comuns, mas a prática está sendo combatida por organizações do semiárido. “Água é um direito, não é dada de favor. Agricultores relatam com frequência que vereadores se apresentam trazendo carros-pipa e que prefeitos estão se utilizando disso para as eleições. Estamos fazendo levantamentos e vamos tentar identificar onde isso está ocorrendo para tomarmos providências”, afirma o coordenador da ASA (Articulação do Semiárido), Naidson Batista.
Para Batista, o uso político da água é histórico no Nordeste, mas vem perdendo força nos últimos anos. “A indústria da seca, na história brasileira, é um instrumento de alguns, em detrimento de outros, para aumento de poder econômico, político ou social de determinado grupos. Embora ela venha perdendo força, não seria possível erradicar uma prática de 400 anos em apenas 10”, afirma.
Segundo o coordenador, os investimentos cobrados, como poços, barragens e cisternas, não foram feitos a contento ao longo dos anos, o que facilitou a política assistencialista. "Isso faz parte da indústria da seca, pois deixa o sertanejo vulnerável, à espera sempre de ações emergenciais."
O diretor do Polo Sindical do Médio São Francisco da Fetape (Federação dos Trabalhadores em Agricultura de Pernambuco), Jorge de Melo, também relata que políticos e fazendeiros ainda se aproveitam da seca para lucrar. “É só começar a escassez de alimentos para ter gente aumentando o preço das coisas. É o que chamam da lei da oferta e procura. Além disso, há um claro uso político, que vem sendo combatido e está enfraquecendo, mas ainda existe no sertão”, diz.
Para tentar reduzir o desvio político da água, o governo de Pernambuco anunciou, na última quarta-feira (16), que os carros-pipa contratados pelo Estado serão equipados com GPS e terão fiscalização dos conselhos de desenvolvimento dos municípios –que ficarão responsáveis por enviar relatórios mensais sobre o cumprimento dos cronogramas.

Ganho econômico

Além do uso político, muitos setores da economia também faturam com a venda de produtos. Um dos exemplos é a palma (espécie de cacto que serve de alimento para o gado). Segundo os moradores, o preço da tarefa de palma (equivalente a uma área plantada de 3.053 m²), que antes da estiagem ficava em torno de R$ 1.200, hoje chega a custar até R$ 2.500 em algumas localidades de Alagoas e Sergipe.
“Quem tem sua palma plantada para os seus animais não quer vender. Agora a seca é boa para aqueles que plantam a palma como investimento e estão vendendo mais caro e lucrando muito”, citou o produtor Vilibaldo Pina de Albuquerque, de Batalha (AL).
Em Sergipe, os investidores estão comprando carros-pipa para ganhar dinheiro. “Hoje, quem tem um dinheiro sobrando está comprando um carro-pipa para distribuir água. Demanda é o que não falta. Aqui estamos precisando de mais, mas não há”, diz o coordenador da Defesa Civil de Poço Redondo (SE), José Carlos Aragão. "E o carro-pipa não é a solução, e só uma política emergencial. Hoje você leva a água, amanhã já precisa de novo. É um investimento de curta duração."O carro-pipa também é um negócio rentável. Os preços cobrados pelos “pipeiros” no sertão inflacionaram com a seca. “Existe, e muito, a indústria da seca. Um exemplo: antes, a prefeitura contratava um carro-pipa por R$ 100 para lavar o matadouro. Hoje, para o sujeito trazer a mesma quantidade de água ele obra R$ 200. E olhe que o preço do combustível não subiu e ele pega água no mesmo lugar”, afirma o secretário de Infraestrutura de Batalha (AL), Abelardo Rodrigues de Melo.

Na cidade sergipana –a mais afetada do Estado, com 15 mil pessoas atingidas pela estiagem--, o movimento de carros-pipa é intenso e atua em diversos setores da economia. Na oficina de Antônio Rodrigues, cresceu a procura por consertos dos caminhões. “Hoje 30% do que faturo é com esses carros. Contratei até uma pessoa para me ajudar, porque a procura é grande e tem caminhão aqui todo dia. Queria não ter mais esse serviço, que aqui chovesse e o povo parasse de sofrer. Mas estou trabalhando dignamente.”

Melhores condições

Para o economista Cícero Péricles, apesar da “indústria da seca” ainda existir, as condições de enfrentamento do sertanejo à seca atual são melhores do que aquelas enfrentadas na última grande estiagem, em 1998.
“Há mais de uma década a política de água obteve ganhos consideráveis pela entrada das cisternas e barragens subterrâneas nos espaços da agricultura familiar, reforçando os antigos instrumentos, como os poços artesianos, tubulares, barreiros, açudes e adutoras. A presença dos órgãos públicos mudou da intervenção exclusivamente assistencialista e emergencial para instituições públicas, com maior capilaridade, municipalizadas, que fazem a cobertura permanente com os programas sociais. A ampliação da Previdência Social no campo, assim como de programas de transferências de renda, a exemplo do Bolsa família, reduziram em muito a pobreza absoluta no meio rural”, afirma o economista.
FONTE: Carlos Madeiro / Do UOL, em Tacaratu (PE)


sexta-feira, maio 04, 2012

Como enganar o povo


Ao longo da campanha eleitoral, muitas promessas. No governo, Dilma Rousseff não melhorou o SUS, não universalizou o saneamento, não investiu na prevenção de enchentes, não aumentou os investimentos públicos em educação nem modernizou o transporte público das grandes cidades. Em compensação, seguindo à risca a cartilha neoliberal, deu prosseguimento aos programinhas compensatórios de FHC e Lula: hoje, o leque de bolsas vai do Bolsa Família, no lugar da criação de empregos, ao Bolsa Estiagem, no lugar da construção de adutoras e perfuração de poços artesianos. É a mitigação dos problemas sociais, com base na surrada linha reformista, consagrada na Carta aos brasileiros, onde o PT se compromete com o aperfeiçoamento da injusta ordem social vigente, em vez de mudá-la. Enquanto isso, a propaganda oficial, com o apoio da grande mídia, exalta o controle da inflação e o combate à corrupção.
O Brasil vive, hoje, voltado para o pagamento das dívidas externa e interna, tendo esta última crescido de forma alarmante. O governo não governa, se limita a pagar juros em meio a um crescimento econômico medíocre. O desemprego disparou, e os investimentos em políticas públicas foram sistematicamente reduzidos, desde a saúde, a educação até a segurança.
Nestas circunstâncias, se beneficiam os banqueiros, os capitalistas especuladores, grupos privados compradores de estatais e países ricos credores. Como não há outro remédio, a grande maioria da população contabiliza perdas com desemprego, baixos salários, aumento de impostos e serviços públicos precários. A economia padece de dependência externa e de baixo crescimento. Tudo isso é o resultado da submissão do governo Dilma aos cânones da ideologia dominante, no início do século 21..
Fora os compromissos não cumpridos, nada de novo no front, a não ser a fúria privatista que acomete a presidente Dilma, permitindo-lhe realizar uma façanha, que superou o entreguismo de seus antecessores, com a privatização de aeroportos, de estradas, de hospitais universitários e da previdência pública, um verdadeiro desmantelamento da nação. Privatizar é a nova palavra de ordem. Todos os meios são utilizados para convencer a opinião pública dos benefícios e dos fundamentos da privatização. Nesse sentido, ganha importância a falácia neoliberal, cujas teses têm pretensões universais e assumem a forma de propaganda política mistificadora, a serviço do PT.
O petismo, no poder, jamais abriu mão da linguagem simbólica como instrumento de conquista política. Serve-se dela de maneira lógica e obtém vantagens por meio de discursos inflamados e demagógicos, capazes de atrair a atenção do povo ingênuo, isto é, não detentor de uma consciência crítica e, por conseguinte, presa fácil da demagogia. O símbolo, como se sabe, permite trabalhar com os conceitos, de uma maneira mais fácil. Não é a esmo que os líderes petistas se valem de metáforas em seus discursos. O emprego de símbolos é extremamente eficaz para dirigir o povo, incutir-lhe emoções, manobrá-lo e enganá-lo nos seus interesses vitais, ao franquear o acesso de seus mecanismos psíquicos à sugestão emocional.
Impondo-se, através de uma propaganda política, bem articulada, a ideologia neoliberal deixou de ser apenas uma formulação teórica para encontrar, infelizmente, adesão no espírito do povo, que, despolitizado, transfere a sua responsabilidade moral e intelectual para o líder demagogo. Desse modo, ele abre mão de sua capacidade volitiva e crítica. Esse comportamento explica, plenamente, a aprovação recorde do desempenho do governo Dilma, não obstante, ao caminharmos pelas ruas das nossas cidades, nos depararmos com pessoas de aspecto doentio, malvestidas, maltratadas e sem perspectiva imediata de uma vida digna. Aqui está o retrato fiel do povo brasileiro, de um povo iludido por uma retórica falaciosa, que o leva a uma falsa interpretação da realidade, alienando-o e submetendo-o aos desígnios de uma elite egoísta. Neste momento, percebemos que o povo paga um preço alto pela sua consciência ingênua, incapaz, que é, de perceber quem, realmente, defende os seus interesses.
FONTE: JORNAL DO BRASIL / Thelman Madeira de Souza é médico

sábado, fevereiro 25, 2012

2012: 90 ANOS DO PCB!


NÃO PERCA ESTE MOMENTO HISTÓRICO!
(VENHA AO RIO DE JANEIRO NO ANIVERSÁRIO DO PCB!)
Semana dos 90 Anos do PCB (de 20 a 25 de março), no Rio de Janeiro, terá seminário nacional e internacional, um expressivo ato público, atividades artísticas e culturais, uma grande e alegre festa de confraternização e várias outras iniciativas.
Apresentamos abaixo toda a programação, faltando apenas informar os nomes dos palestrantes e mediadores e os locais em que se realizarão as atividades. Tudo isso será informado em breve.
Mas, não perca tempo. Quem mora fora do Rio de Janeiro deve ir providenciando passagem, hospedagens. Para a vinda de militantes do Partido esta não é uma questão individual. Os Comitês Regionais devem promover atividades de finanças e compor a delegação do Estado. Todo Estado onde o PCB está organizado deverá estar presente, com uma delegação à altura de seus esforços.
Rio de Janeiro, 7 de fevereiro de 2012
Secretariado Nacional do PCB
Partido Comunista Brasileiro
20 A 22 DE MARÇO  DE 2012 (terça a quinta-feira):
SEMINÁRIO “PCB 90 ANOS DE LUTAS”
Dia 20/03 (terça) – das 16h às 18h
1922-1945: DOS ANOS DE FORMAÇÃO ÀS LUTAS CONTRA O ESTADO NOVO
Dia 20/03 (terça) – das 19 às 21h
1946-1964 – A CONSOLIDAÇÃO DA ESTRATÉGIA NACIONAL DEMOCRÁTICA
Dia 21/03 (quarta) – das 16 às 18h
1965-1979 – A RESISTÊNCIA CONTRA A DITADURA
Dia 21/03 (quarta) – das 19 às 21h
1980-1992 – O REFORMISMO E A TENTATIVA DE LIQUIDAÇÃO DO PCB
Dia 22/03 (quinta) – das 14 às 16h
1992-2012 – A RECONSTRUÇÃO REVOLUCIONÁRIA
Dia 22/03 (quinta) – das 16h30 às 18h30
O PCB E A CONJUNTURA INTERNACIONAL
Dia 22/03 (quinta) – das 19 às 21h
O PCB E A ESTRATÉGIA SOCIALISTA DA REVOLUÇÃO BRASILEIRA
Obs.: intervalo das 20:30 às 20:35, para assistir o programa nacional do PCB em cadeia de televisão;
23 DE MARÇO DE 2012 (sexta-feira):
Das 14 às 18h:
SEMINÁRIO INTERNACIONAL:
“A CRISE DO CAPITALISMO: A OFENSIVA IMPERIALISTA E A LUTA PELO SOCIALISMO” (convidados nacionais e internacionais)
18:30 – ATO PÚBLICO NACIONAL 90 ANOS DE PCB
22:00 – FESTA VERMELHA (com música ao vivo e pista de dança)
24 DE MARÇO DE 2012 (sábado):
Das 14 às 15h: Exibição do filme “Fomos, somos e seremos comunistas”.
Das 15 às 19:30 h
SEMINÁRIO INTERNACIONAL:
“A CRISE DO CAPITALISMO: A OFENSIVA IMPERIALISTA E A LUTA PELO SOCIALISMO (convidados nacionais e internacionais)
25 DE MARÇO DE 2012 (domingo):
10 às 13h: Reunião Ampliada do Comitê  Central e atividades diversas.
FONTE: pcb.org

domingo, fevereiro 12, 2012

PT discute a relação e atropela dogmas


Sigla enfrenta questionamentos sobre privatizações, 
movimentos grevistas e alianças

Ferido na alma com a doença que tirou seu principal líder do palco, o PT comemorou seus 32 anos de fundação sem a figura do ex-presidente Lula. Tem ainda que administrar ironias e questionamentos sobre três temas caros aos petistas em sua origem e que sofreram fortes guinadas desde que o partido chegou ao poder central, há nove anos: privatizações, movimentos grevistas e alianças com partidos da chamada centro-direita.

A queda de alguns dogmas que marcaram o PT como partido de massas, dos trabalhadores organizados e dos movimentos populares, dizem hoje líderes petistas, faz parte das “dores do crescimento e do amadurecimento no governo”. Para a oposição, os petistas só agora admitem que mentiram por muito tempo.

Ao longo da última semana, os dirigentes petistas renegaram com veemência o termo privatização para as concessões à iniciativa privada dos aeroportos de Guarulhos, Brasília e Viracopos. E classificaram de necessária a repressão vigorosa, coordenada pelo governador petista Jaques Wagner e pela presidente Dilma Rousseff, à greve da Polícia Militar na Bahia. Porém, terminaram a semana sem uma justificativa consensual para a iminente aliança com o PSD de Gilberto Kassab, em São Paulo, em benefício da candidatura de Fernando Haddad, patrocinada por Lula.

Ex-presidente do PT, hoje assessor especial do Ministério da Defesa, José Genoino alega que o PT sempre disse que greve armada não é greve. Admite que o PT mudou algumas bandeiras. Parte do amadurecimento, diz..

— Não é que abandonamos nossas bandeiras. É que a paisagem da janela que se vê da oposição é diferente da paisagem que se vê quando se está no governo. Na construção desses 32 anos de história tivemos muita dor, muitas derrotas, mas construímos uma história vitoriosa e muito forte, com erros e equívocos. Mas isso não prejudicou a ideia de um projeto nacional que está mudando o Brasil.

— Não é fácil reconhecer que mentiram por tanto tempo. O discurso contra as privatizações foi uma arma eleitoral poderosa contra nós nas duas últimas eleições. Agora não é mais. O PT dos movimentos sociais, da defesa da ética, das greves e da mobilização popular morreu — diz o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE).

Poucos petistas assumem a nova realidade.

— Não me incluo entre aqueles que estariam envergonhados com essa decisão. Só privatizamos a estrutura de prestação de serviços em terra, não vendemos patrimônio. A Anac (agência que regula a aviação civil) continua regulando e a Infraero continua sócia — diz o senador Humberto Costa (PE).

Batizada no governo FH como “musa das privatizações”, a então diretora de desestatização do BNDES, Elena Landau, foi uma das responsáveis por elaborar o modelo de privatização da Vale do Rio Doce. Semana passada, ela se divertiu com a reação de petistas às críticas contra a privatização ao estilo Dilma.

— Só lhes resta a discussão semântica. É privatização, sim! Venderam o controle e bateram o martelo. A Light e as telefônicas também foram privatizadas pelo modelo de concessão por tempo determinado, e o BNDES continua sócio. A privatização de Dilma é a mesma coisa, a Infraero continua como sócia, mas minoritária, com 49% das ações. E, no caso do petróleo, que venderam poços para a OGX? — pergunta Landau.

Ela diz que não se importa de passar para Dilma a faixa de musa das privatizações:

— Estou me divertindo muito agora, porque sofri muito. Não podia botar a cabeça para fora que levava uma cacetada e não tinha ninguém no partido para me defender. O PSDB não conseguiu sair das cordas. Agora até abro mão do posto de musa das privatizações para a presidente.

Outro ex-presidente do PT, o deputado Ricardo Berzoini (SP) diz que o partido mudou, mas insiste no discurso comum:

— Que o PT mudou, é óbvio. Nasceu pequeno, aguerrido, com muito sectarismo, e, ao longo de sua vida, foi aperfeiçoando sua visão sobre a política. Modificou sua política de alianças e assumiu muitos governos. Claro que isso impacta. Mas, nesses três temas, a imagem é mais enganosa que o fato.

Outro momento difícil para o PT foi explicar a gestão do petista Jaques Wagner na greve da PM. O manifesto de criação do PT, em 1980, diz sobre greves: “Não existe liberdade onde o direito de greve é fraudado na hora de sua regulamentação (...), onde os movimentos populares são alvo permanente da repressão policial e patronal, onde os burocratas e tecnocratas do Estado não são responsáveis perante a vontade popular.”

Mas, diante do motim armado dos policiais, Wagner, sem ter como atender as reivindicações, recorreu ao Exército.

— O Jaques Wagner me disse esta semana: Pinheiro, não estou dormindo! Não gostaríamos de ter passado por isso. Mas passamos. E foi uma prova de fogo — disse o líder do PT no Senado, o baiano Walter Pinheiro.

Sobre alianças políticas, o senador Jorge Viana (PT-AC) admite o risco de uma guinada forte:

— Temos que ter cuidado. O fato de termos chegado ao governos nos deixa um pouco reféns quando se trata de governabilidade. Daí a importância de repactuarmos nossos compromissos sempre.

Alianças com ex-adversários, como Gilberto Kassab, poderão criar muitas dissidências, mesmo com Lula à frente dessa operação.

Dos vários discursos que o presidente nacional do PT, Rui Falcão, fez nas comemorações dos 32 anos do partido, duas frases calaram na militância:

— É importante que não sucumbamos à aliança fácil, que quebra a nitidez do nosso programa. O partido não pode se deixar levar pelo pragmatismo exagerado.

FONTE: GLOBO.COM

sábado, fevereiro 11, 2012

Na festa em comemoração aos seus 32 anos, PT apresenta resolução


Documento apresentado foi elaborado pelo Diretório Nacional do partido

Ao longo da festa dos 32 anos do PT, uma das outras preocupações da direção do partido era explicar a guinada do governo Dilma em relação às privatizações. Na resolução elaborada pelo Diretório Nacional do PT, o partido ressalta que “não é verdade que acabou a disputa ideológica sobre as privatizações” e reafirma o discurso de que o governo Dilma faz “concessões públicas” e não privatização.

Leia abaixo a íntegra da resolução do PT: 

GOVERNO/CORRUPÇÃO:“O ano que passou foi positivo para o país e nosso governo. Não vingou a campanha de setores da oposição que buscavam desestabilizar o governo através de seguidas denúncias de corrupção em ministérios. Nosso governo soube dar respostas adequadas às suspeitas levantadas, ao mesmo tempo tomando medidas (..) e preservando a governabilidade”.

CNJ: “O fato mais marcante desta passagem de ano foi uma crise no Judiciário, que remete à necessária continuação da reforma neste Poder, que teve, com a criação do Conselho Nacional de Justiça em 2004, significativo avanço”.

ECONOMIA: “Tivemos um ano de crescimento moderado, fruto da situação mundial, e de medidas governamentais para conter as pressões inflacionárias. Outro fato importante de 2011 foi a trajetória de queda na taxa de juros. E o novo ano se inicia com um novo salário mínimo de R$ 622, com 7,5% de crescimento real”.

CONCESSÃO DE AEROPORTOS: “Não é verdade que acabou a disputa ideológica sobre as privatizações, como afirmou uma apressada voz tucana. Antes, as empresas públicas às dezenas (...) eram vendidas dentro de uma concepção de Estado mínimo, e os recursos obtidos usados para o pagamento dívidas. Agora a propriedade fica nas mãos do poder público, sócio da nova empresa operadora, com 49% do capital nas mãos da Infraero, e a operação de aeroportos é concedida por 20 ou 30 anos. Antes as empresas eram torradas na baxia das alamas a preços de compadre. Agora os ganhos para o poder público são enormes e aplicados no desenvolvimento do país”.

ELEIÇÕES MUNICIPAIS: “A preparação do PT para as eleições municipais manifestou até aqui grandes demonstrações de unidade partidária (...) Daí a prioridade a candidaturas próprias, sem descartar que, em alguns locais, a melhor tática pode ser a aliança com outro partido da base na cabeça de chapa, desde que isso não signifique enfraquecimento de nosso partido”.

COMISSÃO DA VERDADE: “2012 será o ano da Comissão da Verdade, quando o PT estará empenhado junto com a sociedade no resgate de nossa memória da luta pela democracia durante o período da ditadura militar”.

FONTE: GLOBO.COM