Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!
Mostrando postagens com marcador BRASIL; MOVIMENTOS SOCIAIS; GENÊRO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador BRASIL; MOVIMENTOS SOCIAIS; GENÊRO. Mostrar todas as postagens

terça-feira, julho 02, 2013

I Encontro LGBT promovido pela CSP-Conlutas faz história






O I Encontro Nacional LGBT da CSP-Conlutas, realizado este fim de semana em São Paulo, é o primeiro promovido por uma central sindical no país, de acordo com os participantes, que deram caráter histórico para o evento. Houve a participação de 180 pessoas, entre delegados, observadores e convidados. Mais de 16 estados de norte a sul do país estavam representados.

Os debates e a troca de experiências sobre os desafios e perspectivas dos LGBTs foram enriquecidos pela realização de mesas redondas sobre Conjuntura Nacional LGBT e sobre Opressão e Exploração no sábado (29), além dos grupos setoriais de discussão promovidos ao final do dia. 

A mesa redonda sobre a conjuntura da Luta LGBT foi composta por Flavio Bandeira, do Setorial LGBT da CSP-Conlutas, Tarcisio Ramos do movimento Somos Todos Coloridos, Gean Santana, 2º vice-presidente do ANDES-SN e pelo estudante da Anel Lucas Brito. Bandeira iniciou sua fala dando destaque para o ato realizado na noite anterior pelo Dia Nacional do Orgulho LGBT. “Resgatamos uma data [Dia do Orgulho LGBT] que foi apagada pelos movimentos sociais. Uma salva de palmas para nós”, disse. O membro do Setorial LGBT da CSP-Conlutas fez uma análise das mobilizações em curso no país. “Mais de dois milhões de pessoas foram às ruas para dizer que não é apenas por vinte centavos, mas é também contra os gastos com a copa, é por mais investimento em saúde e educação”, salientou. A importância dos LGBTs neste contexto também foi ressaltada por Bandeira. “Não há como não falar de como nós [LGBTs] nos somamos a esses atos”.

Segundo o representante do Setorial LGBT, o cenário está se apresentando com novos elementos, entre eles “a escolha de um homofóbico, Marcos Feliciano, para presidir a Comissão de Direitos Humanos. Isso, entre outros elementos, só ‘coroou’ o que representa os 10 anos de governo do PT”. Alguns dos elementos elencados por Bandeira foram: “o projeto de Cura Gay – que significa um retrocesso de vinte anos. O veto ao Kit contra a Homofobia. E a presidente Dilma não se pronunciou e continua inerte aos nossos anseios”, avaliou.

Esses temas dividem a sociedade, e por isso, de acordo com Bandeira, o encontro é importante para disputar a consciência e preparar os trabalhadores sobre a luta LGBTs. “Esse é um momento histórico e queremos fazer um chamado. As centrais irão fazer um dia de luta em 11 de julho e precisamos nos somar e incluir nessa luta a derrubada de Feliciano. Colocar essa reivindicação para o conjunto da classe”.

De acordo com ele, a discussão de classe se perdeu e a substituíram pela palavra cidadania, em que a burguesia se apropria e a utiliza de forma indevida. “A gente quer construir uma agenda de LGBT de luta e classista. Na sociedade capitalista não conseguiremos acabar com a homofobia, por isso precisamos lutar por uma sociedade socialista”.

Tarcisio Ramos, da Comissão Organizadora do encontro e do movimento Somos Coloridos, fez um breve resgate histórico sobre a questão LGBT, desde o surgimento da Igreja que veio junto com o questionamento da sexualidade. Ramos falou também sobre o cristianismo, que durante a ocupação no Império Romano, entre as doutrinas, fazia a caça aos homossexuais. Citou ainda o Nazismo, em que os homossexuais, levados aos campos de concentração, eram diferenciados com Triângulo Rosa, entre outros períodos históricos.

“A perseguição aos homossexuais intensifica-se sempre em períodos de crise do sistema econômico. Eles se aproveitam da oportunidade da crise para encontrar alguém para ser oprimido para assim mudar o foco da crise. Aqui a gente não discute opressão pela opressão, mas sob a ótica do capitalismo”, explicou Tarcisio. Para ele, a conjuntura internacional não é boa. “Na África, em ao menos 13 países, condenam à morte os homossexuais”.

Tarcisio destacou que também aqui no Brasil, “em um governo que se diz de esquerda, a situação não é diferente. O governo Lula enganou os LGBTs e não colocou nossas pautas nas discussões. Hoje a Dilma estava no jornal com bandeira LGBT, mas a Dilma não nos representada. Prova disso, é ela ter assinado uma carta fundamentalista que ataca os LGBTs”, avaliou.

Em seguida, o representante da Anel Lucas Brito falou sobre a importância do movimento estudantil em unidade com LGBTs no combate à homofobia. “Nós, da Anel, assim como a CSP-Conlutas, temos construído importantes lutas no campo dos LGBT. Temos grandes tarefas pela frente. Se nas ruas conseguimos derrubar o aumento das passagens é nas ruas que conseguimos derrubar Feliciano”, disse.

O 2º vice-presidente do ANDES-SN, Gean Santana, destacou a importância do evento, que foi construído pelos trabalhadores, de forma autônoma, sem o financiamento de empresas e do governo. Santana falou ainda da experiência no Sindicato Nacional, como a realizado de seminário sobre a diversidade sexual promovido pelo ANDES-SN. Também citou o 32º Congresso do Sindicato Nacional, realizado pela entidade em março deste ao no Rio de Janeiro, no qual foi aprovado uma política de combate à homofobia. 

O diretor do ANDES-SN fez referência às mobilizações em curso e salientou a importância de os LGBTs organizados participarem e dar uma direção de classe para esse processo. “As bandeiras pelo Fora Feliciano começaram a aparecer depois de nossa intervenção, precisamos disputar as nossas pautas”, avaliou.

Debate sobre Opressão e Exploração
A mesa foi composta por Camila Lisboa, do Movimento Mulheres em Luta, Iraci Lacerda, da Oposição Alternativa Apeosp - da subsede Santo André - pelo coordenador do Sindsef-SP Carlos Daniel, pelo presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Altino Prazeres, e por Renato Gomes, do Sindicato dos Comerciários de Nova Iguaçu.

Camila abriu o debate mencionando como o “capitalismo transforma diferenças em desigualdades”. Para ela, isso acontece porque no capitalismo há necessidade de lucro e, portanto, de superexploração da classe trabalhadora e de determinados setores sociais.

“Nós queremos organizar a luta contra a opressão e eliminá-la. Isso só será possível com a transformação da sociedade. Para isso, precisamos escolher um lado e é o lado da classe trabalhadora, que compõe mulheres, negros, LGBTs. Não podemos deixar a as organizações burguesas e capitalistas se apropriem”, frisou. Para ela, é preciso incorporar as demandas de luta contra a opressão e é essa batalha que ocorre na condução da CSP-Conlutas.

Renato, do Sindicato dos Comerciários de Nova Iguaçu, fez um discurso emocionado sobre o preconceito que sofreu. “No meu sindicato eu me assumi como homossexual, alguns setores que compunham o sindicato queriam me tirar, mas outros companheiros me apoiaram e eu não desisti. Esse encontro me dá mais força para enfrentar o preconceito”, disse. Renato também falou do ascenso das manifestações e de que há mudança de ânimo da classe trabalhadora. “Nós não podemos deixar que as nossas bandeiras sejam excluídas, porque nós nunca dormimos”.

Iraci, professora da rede publica estadual, falou da homofobia nas escolas e do problema que o adolescente homossexual encara sem o suporte necessário. Altino, do Sindicato dos Metroviários, destacou que a sociedade capitalista se interessa para que as pessoas se dividam. “É por isso que os LGBTs devem ir para as ruas organizados”.

Grupos de discussões
Ao final, os presentes se reuniram em grupos de trabalhos que discutiram diversos temas, bem como um manifesto, votado no domingo (30).

História do movimento LGBT e votação das resoluções
O integrante do Movimento Quilombo Raça e Classe, Wilson Honório, fez uma palestra descontraída no domingo (30) com um breve resgate sobre a história dos LGBTs. A luta contra a ditadura, em 78, a unidade com os trabalhadores metalúrgicos do ABC na década de 80, entre outros episódios importantes foram elencados por ele. “É preciso nos localizarmos de qual é a história do movimento LGBT sob uma ótica classista, contra a lógica burguesa e de opressão”, explicou. 

Wilson disse que os LGBTs devem lutar por sua liberdade e saber diferenciar a privada (aquela que é comprada) e a pública. “Nossa liberdade deve ser pública. Não defendemos a cidadania paga”. Wilson também citou os artistas e líderes homossexuais que fizeram história, como Leonardo Da Vinci e Michelangelo, exemplos de pessoas que se colocaram contra o sistema.

Para ele, o movimento LGBT nasce da crise do capitalismo que deve ser superado e combatido. “Não podemos tratar a opressão de forma conciliatória”. Wilson citou o movimento conhecido como “Pink Money” que surgiu com a burguesia e move a Parada Gay. “Isso nada mais é que comercialização e mercantilização do movimento. A nossa diferença com o resto do movimento é concreta. Em 2008, fomos expulsos da Parada gay”.

E finalizou: “vamos construir a consciência dos operários para que tenham acumulo sobre as questões LGBTs, mulheres, negros. Defendo a igualdade de diretos para exercemos nossas diferenças”.



Manifesto e resoluções
Na parte da tarde, foi apresentado e aprovado um manifesto sobre o Encontro e a situação atual dos LGBTs bem como as resoluções discutidas no encontro, que serão divulgados posteriormente.



Fonte: CSP-Conlutas / ANDES-SN

sexta-feira, abril 19, 2013

Parlamento da Nova Zelândia aprova casamento entre pessoas do mesmo sexo









O Parlamento da Nova Zelândia aprovou a lei nesta quarta-feira, 17 de abril, tornando-se no primeiro país da Ásia-Pacífico e o 13º do mundo a reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo.


O projeto de lei apresentado pela legisladora trabalhista Louisa Wall foi aprovado com 77 votos a favor e 44 contra, após um complicado processo legislativo que foi iniciado em no último mês de agosto e incluiu três leituras, a última delas feita nesta quarta-feira, antes da votação final, na qual os legisladores emitiram um "voto de consciência".
O resultado da votação que emenda a Lei de Casamento da Nova Zelândia, criada em 1955, foi recebido com aplausos e felicitações entre congressistas e o público presente na audiência, que, por sua vez, pôde ser acompanhada ao vivo pela televisão.
A lei, que contou com o apoio do primeiro-ministro do país, John Key, também evitará que as pessoas sejam obrigadas a se divorciar em caso de mudança de sexo, o que ocorria até então. No entanto, as emendas introduzidas à Lei do Casamento mantêm como ilegal os casamentos entre mais de duas pessoas, assim como as leis de adoção vigentes, que não foram alteradas.
Anteriormente, a deputada Louisa, que vestia uma jaqueta com as cores do arco-íris, tinha defendido no seu discurso que as leis matrimoniais foram utilizadas historicamente "como uma ferramenta de opressão". Neste aspeto, a deputada trabalhista lembrou as proibições contra o casamento entre alemães e judeus na década de 1930 na Alemanha e os casamentos interraciais na África do Sul durante o apartheid.
"A exclusão do casamento a um grupo da sociedade é algo opressivo e inaceitável", afirmou Louise, que ressaltou que o significado do casamento é "universal" porque é "uma declaração de amor e um compromisso com uma pessoa especial", comentário que foi recebido com muitos aplausos pelo público presente.
Quando a legislação entrar em vigor, em agosto deste ano, os casais de homossexuais e transexuais poderão casar-se normalmente, enquanto aqueles que casarem no exterior poderão solicitar o reconhecimento oficial da união na Nova Zelândia.
Durante a audiência, as galerias do Parlamento estavam abarrotadas por simpatizantes e convidados, como Georgina Beyer, a primeira legisladora neozelandesa transexual, e representantes da Espanha, França e Estados Unidos. Do lado de fora do edifício parlamentar, a chuva obrigou os simpatizantes a cancelar todas as celebrações previstas. No entanto, segundo o jornal “New Zeland Herald”, um grupo de 30 homossexuais, todos vestidos de noiva, organizaram uma espécie de desfile pelas ruas próximas.
Oposição e Austrália
Por outro lado, o líder do conservador Family First (Primeiro a Família), Winston Peters, lamentou que a iniciativa não tenha sido adequadamente debatida e criticou o facto dos opositores serem taxados como "fanáticos", além de ter proposto uma consulta popular em torno dessa lei.
Com a legalização do casamento homossexual na Nova Zelândia, que se tornou a primeira nação do Pacífico ocidental a aprovar essa lei - à frente da Austrália, por exemplo -, as autoridades preveem que pelo menos mil casais australianos deverão viajar ao país vizinho para oficializar os seus casamentos.
No último mês de setembro, o Parlamento australiano rejeitou essa mesma iniciativa após a reprovação da primeira-ministra do país, a trabalhista Julia Gillard, que, inclusive, possui uma lésbica declarada no seu Gabinete.
Antes de legalizar o casamento gay, a Nova Zelândia já havia reconhecido o direito a homossexualidade, em 1986, e as uniões civis entre pessoas do mesmo sexo, em 2005.
Na atualidade, o casamento entre pessoas do mesmo sexo é legal na Espanha, Holanda, Bélgica, Canadá, África do Sul, Noruega, Suécia, Portugal, Islândia, Argentina, Uruguai e Dinamarca, assim como em seis estados dos Estados Unidos e, no México, na capital e no estado de Quintana Roo. Em França, o casamento entre pessoas do mesmo sexo já foi aprovado no parlamento, faltando apenas a aprovação no Senado.

FONTE: ESQUERDA NET

quarta-feira, setembro 26, 2012

Movimento feminista merece respeito

A perspectiva histórica é fundamental quando falamos de política e feminismo, porque feminismo é, essencialmente, política

Movimentos questionando a organização social opressora estão de volta. É o caso dos mineiros espanhóis, da "Primavera Árabe", dos estudantes chilenos e das vadias canadenses. Os chamados "indignados" tomaram o mundo e questionam a sociedade em que vivemos. Nesse processo, também se abre o questionamento à opressão contra a mulher.

Em consonância com os levantes mundiais, os movimentos feministas ressurgem com mais força. Não se trata de algo dissociado, até mesmo das movimentações vistas pelo mundo por mudanças mais profundas na sociedade. Isso porque, quando analisamos dados estatísticos, percebemos que aqueles que mais sofrem com as políticas de austeridade, a falta de emprego e o aumento da violência policial, são justamente os que têm gênero, raça e orientação sexual diferentes ou "minoritários".

No âmbito do feminismo, também surgiram novas formas de organização, mas que talvez não sejam tão inovadoras assim, como propõe a organização Femen Brazil, cuja líder, Sara Winter, protagonizou uma recente polêmica por afirmar que o feminismo é "elitista e hermético". O movimento feminista brasileiro tem história e vitórias importantes, que precisam ser retomadas como base para o amadurecimento de futuras ações, mesmo que seja repensando métodos, organizando as falas para o mundo de hoje.

Uma coisa é certa: as chamadas "tarefas feministas", levantadas durante a revolução sexual no anos 60, perduram. Dessa forma, por compreender que diversas bandeiras colocadas naquele momento ainda não foram alcançadas, o conceito do neofeminismo deve ser condenado. No Brasil, ainda travamos diversas lutas, como a da descriminalização das mulheres, da legalização do aborto, da efetivação de uma política pública que combata a violência machista, pelo casamento civil igualitário, contra a mercantilização do corpo da mulher, pela nossa liberdade sexual e tantas outras. Todos esses elementos estão ao fácil alcance, ainda mais na época da internet. A luta pela emancipação das mulheres está em todas as partes.

Além disso, o movimento feminista brasileiro é sortido, diverge entre si. Porém, não é elitista. Tanto que em 2012 celebramos o aniversário de 80 anos do  voto feminino. Conquistamos o voto e o ampliamos depois para as mulheres trabalhadoras. Surgiu então a licença-maternidade, o SUS, a redemocratização do país, a Lei Maria da Penha e tantas outras lutas importantes que as mulheres feministas estiveram à frente. Nossa história é repleta de conquistas importantes e é nos baseando nelas que analisamos o presente e as perspetivas e estratégias futuras.

Olhamos para a história que pessoas como Amelinha Telles, Tatau Godinho, Nalu Faria, Heleieth Saffiotti, Beth Lobo, Helena Hirata, Sônia Coelho, entre tantas outras companheiras, e podemos observar, existindo divergências ou não, um caminho que deve ser respeitado e experiências e reflexões que devem servir como parâmetro para novas reflexões e atuações no movimento. A perspectiva histórica é fundamental quando falamos de política e feminismo, porque feminismo é, essencialmente, política.

O debate é concreto, porque as mulheres, atualmente organizadas em diversos coletivos com posicionamentos políticos variados, se olham e percebem que precisam se juntar em torno de uma agenda mínima para a disputa da sociedade. Existe de sobra a disposição para organizar e conversar com mulheres que não tenham a bagagem teórica ou militante, ao contrário do que disse Sara Winter.

A conclusão é a de que se abre hoje um momento importante para nós, feministas no Brasil e no mundo. Momento propício e fundamental para a organização, com o intuito de disputar, organizar e ganhar cada vez mais espaço no país. O caminho para isso é por meio do debate e combate, principalmente com os expoentes do conservadorismo. Disputaremos uma sociedade em conjunto, com o desejo de criar espaços de discussão fortes o bastante para provocarem inúmeras rupturas.

FONTE: Opera Mundi / Luka Franca é jornalista e militante do movimento feminista  

terça-feira, setembro 25, 2012

Quem nos acha sensuais só pode ser idiota, dizem ativistas do Femen


"Nosso deus é mulher, nossa missão é protestar e nossas armas são nossos seios". Com este lema e fazendo topless, as meninas do grupo feminista ucraniano Femen se manifestam contra tudo e contra todos que ousem colocá-las em uma posição inferior à dos homens. Religião, moda, prostituição ou qualquer promoção do sexismo são alvo do grupo. E para aqueles que enxergam apelo sexual em seus protestos, as ativistas são taxativas: "quem acha que somos sensuais só pode ser um idiota". 
Elas se dizem terroristas sexuais e fazem do "sexextremismo" o seu método de luta. Em apenas quatro anos de existência, o grupo conseguiu chocar a conservadora sociedade ucraniana (e grande parte do mundo) com atos polêmicos, como tentar roubar o troféu da Eurocopa e cortar uma cruz ortodoxa com uma serra elétrica no centro da capital, Kiev. Mas elas parecem não ter medo de represálias nem de críticas.
O grupo Femen foi formado em 2008 com o singelo objetivo de protestar contra o corte de água nas residências estudantis durante o verão, mas o movimento rapidamente mudou de rumo e passou a lutar pela valorização da mulher ucraniana, não somente dentro do país, mas também da imagem que os estrangeiros têm das mesmas.
O turismo sexual na Ucrânia é considerado barato e, aliado à aclamada beleza das ucranianas, coloca o país entre os destinos preferidos de quem quer pagar por sexo - bom e barato, como vendem as agências. O Instituto Ucraniano de Estudos Sociais estima que pelo menos 50 mil mulheres trabalhem como prostitutas no país, sendo 17% delas menores de idade. Mas os números podem ser muito maiores. Com salários médios em torno de 2,5 mil grivnas (aproximadamente R$ 600), muitas mulheres veem na atividade a única maneira para complementar a renda familiar.
"Nossa vida é um ativismo político
As líderes do movimento Femen começaram o ativismo ainda na época do ensino médio, durante a adolescência. "Tínhamos 14 anos e estávamos lutando para que nossos direitos fossem garantidos, que os diretores das escolas nos escutassem", explica Oksana Shachko, 25 anos, uma das líderes do grupo. "Quem vê a gente na televisão não tem ideia da nossa história. Estamos há 10 anos trabalhando pelo que acreditamos. Todo a nossa vida é um ativismo político".
As ativistas acreditam que, graças à visibilidade do Femen, a mídia internacional colocou em discussão a situação das mulheres ucranianas e a indústria do sexo do país. Durante a Eurocopa, realizada na Ucrânia em junho de 2012, o topless das ativistas dividia a capa de jornais e revistas com os ídolos do futebol. "Somos contra a legalização da prostituição. Temos que nos perguntar o porquê das mulheres começarem a se prostituir. Temos que debater a problemática do turismo sexual. A questão é que o (nosso) governo tem interesse no dinheiro que entra com os turistas que buscam sexo com as nossas meninas", conta Oksana.
O Femen justifica seu método provocativo dizendo que esta é a única maneira de serem escutadas na Ucrânia. "Se fizermos cartazes e formos às ruas, ninguém vai nos escutar. Descobrimos o nosso corpo como arma e chamamos atenção do governo e do mundo para as nossas causas", diz Kateryna Dmitrenko, outra ativista do grupo. "A popularidade que temos é importante para o movimento, para divulgar as nossas ideias, mas não para a nossa própria imagem. Nós só somos interessantes juntas", conclui.
Resposta às críticas
Junto da enorme visibilidade, vieram também as críticas. Acusadas de querer somente fama e de ter um discurso raso, as meninas já têm a resposta na ponta da língua para cada crítica ao grupo. "Fomos protestar na Bielorrússia, onde o presidente é um ditador. E aqui na Ucrânia recebemos o patriarca Kirill, chefe da Igreja Ortodoxa russa, com uma faixa que dizia 'Morte a Kirill'. Que popularidade é essa?", pergunta Oksana. "A nossa popularidade nos põe em risco e muitas vezes na cadeia. Já poderíamos ser cantoras, atrizes, mas não queremos."
Segundo as ativistas, a polícia secreta ucraniana fica dia e noite à paisana próximo ao escritório do Femen em Kiev, numa rua ao lado da principal praça da cidade. Elas afirmam que as ações não podem ser planejadas na sede porque há microfones instalados ao redor do local. E contam ainda que, durante o campeonato europeu de futebol, elas eram acompanhadas por um policial até mesmo quando iam ao supermercado ou voltavam pra casa.
Sobre a crítica de que elas só querem a atenção midiática e não apresentam nenhuma proposta concreta, a resposta também é rápida: "Aqui na Ucrânia, não há nenhum debate público sobre nada. Meninas da nossa idade devem estar casadas e ponto final. Muita gente diz que só queremos chamar a atenção, mas isso aqui já é muita coisa. Nada chama a atenção na Ucrânia. Nosso movimento é uma provocação e estamos satisfeitas se o resultado é esse", explica Kateryna. E continua: "É suficiente para começar a discussão, que ainda é inexistente. Agora as pessoas falam na rua sobre a imagem da Ucrânia como paraíso do turismo sexual. Por quê? Porque gritamos e fizemos topless pela causa".
"Quem nos acha sensuais só pode ser um idiota"
Muitos veem certa incoerência em mostrar os seios para protestar contra a prostituição, mas as meninas do Femen argumentam que o topless que elas fazem não tem nenhum apelo sexual - é por isso que elas gritam durante o protesto, para deixar claro que elas estão lutando. "Quem olha pra gente toda pintada, com cara-de-poucos-amigos e acha que somos sensuais só pode ser um idiota. Mulheres peladas só podem estar na cama e na capa de revistas? Quanta hipocrisia! O topless é o reconhecimento da nossa condição de mulher".
As tensões com a vizinha Rússia também estão no programa das feministas, que acusam Vladimir Putin e a Igreja Ortodoxa Russa de exercerem forte influência nas decisões do governo ucraniano. "Eu fui duas vezes à Rússia e fui presa nas duas vezes. Em uma das ocasiões, passei 20 horas sendo entrevistada pelo serviço secreto", conta Oksana. "Este ano apareceu na mídia um grupo Femen de Moscou, mas elas não estão vinculadas ao movimento. São apenas mais uma criação do Kremlin para colocar a opinião pública a favor deles e contra a gente. Putin acha que ainda estamos na época da União Soviética".
O Femen continua atravessando as fronteiras e ganhando adeptos e detratores. Na semana passada, o grupo abriu um escritório em Paris, onde Inna Shevchenko, uma das líderes do movimento, estabeleceu como base depois de alegadas perseguições sofridas na Ucrânia. No Brasil, o grupo atravessa uma crise de credibilidade, com denúncias de autoritarismo da líder, Sara Winter, além das críticas a todo o movimento.
Mas as meninas parecem não se abalar. A um mês das eleições parlamentares da Ucrânia, elas prometem mais topless e mais polêmicas. "Precisamos somente de uma pessoa e fazemos um protesto. Temos o nosso corpo e vamos utilizá-lo para mudar a política do nosso país e quem sabe do mundo".
FONTE: JORNAL DO BRASIL

segunda-feira, agosto 13, 2012

Duas novas brasileiras se unem ao grupo feminista internacional Femen


G1 acompanhou 'ritual de iniciação' de paulistana candidata a ativista.
Movimento criado na Ucrânia, em 2008, faz fama com protestos seminus.

Depois da recente estreia da paulista Sara Winter, de 20 anos, no Femen – grupo internacional de feministas que começou na Ucrânia, em 2008, e ficou famoso por suas integrantes lutarem seminuas pelos direitos das mulheres –, agora é a vez de outras duas jovens brasileiras se juntarem ao movimento.
A estudante de direito paulistana Bruna Themis, de 21 anos, entrou para o Femen há três semanas e já fez seu protesto inaugural, no dia 29 de julho, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), a favor da descriminalização do aborto e de melhorias na saúde pública."Na hora, não fiquei nervosa, foi de boa. De manhã, eu estava mais tensa. Só não sabia o que fazer quando os caras passaram. Tive vontade de retrucar, mas me segurei", disse Lari, apelido de Larissa. 
Ao contrário de Bruna, que não passou por nenhuma "prova de fogo" antes de expor os seios pela primeira vez, a nova candidata a militante do Femen Brazil, a estudante de gastronomia paulistana Lari Bärin, de 22 anos, foi testada na noite deste sábado (11) em uma pequena e sossegada rua do bairro Bela Vista, região central de São Paulo.
A tranquilidade do "ritual de iniciação" foi quebrada por duas vezes, quando o mesmo carro cheio de homens, ouvindo funk no volume máximo, passou e depois voltou para ofender Lari.Ela, que estudou em colégio alemão e adotou o nome Bärin ("urso", no idioma), acabou escolhendo a Rua dos Alemães por acaso, por estar vazia naquele horário – algo totalmente oposto ao que deve encontrar pela frente nas manifestações. Entre os temas já levantados nos mais de 30 países onde o Femen está presente estão o turismo e a exploração sexuais, a sociedade patriarcal, o machismo, a prostituição, a homofobia e o preconceito racial.

"A gente não pode reagir, para não perder a razão. Quando a polícia chega e parte para cima, aí tentamos nos livrar", explicou Sara. O sobrenome de batismo, italiano, ela trocou pelo inglês Winter, para se parecer com a cantora e vionilista americana Emilie Autumn, de quem é fã. Já Bruna escolheu Themis por causa da deusa grega da Justiça.
Com a presença e o apoio das amigas – a quem conheceu pessoalmente há apenas três semanas –, Lari se sentiu mais calma para fazer topless. Antes de fazer pose, ficar séria e com a cabeça levantada, as colegas escreveram "Go Femen BR" no corpo da iniciante, elogiaram os seios dela e lhe deram uma tiara de flores.
"A gente que faz. Mas as flores estão tão caras, fui lá na 25 de Março comprar. Tem menina já ligando para saber onde tem. Acho que no começo do Femen na Ucrânia também era assim, mas agora elas têm um fornecedor", disse Bruna.Esse arco ao redor da cabeça, como explica Sara, é usado também pelas ativistas ucranianas, por ter sido no passado um símbolo de pureza e virgindade. Hoje, virou "arma de combate".


"O porteiro deve ter visto tudo", disse Sara. As três riram e foram embora. Passados apenas alguns minutos de "intervenção" seminua, Lari se vestiu e as três comemoraram o "batismo" da novata. Logo perceberam que havia uma câmera de segurança na entrada do prédio onde pararam, posicionada diretamente para a menina seminua.
Novas integrantes 
Desde 1º de abril, Sara Winter se dedica exclusivamente à militância feminista. Na última Virada Cultural de São Paulo, tentou invadir o palco da cantora Gretchen, mas foi barrada pelos seguranças. Após o show, ela subiu no palco e falou por três minutos, segurando um cartaz com a frase: "A cada cinco minutos, uma mulher é espancada no Brasil".

"Queremos o Brasil inteiro, não vamos parar de fazer essas avaliações. Quanto mais, melhor. Quero que as meninas do Nordeste se manifestem mais, porque lá é o berço do turismo sexual de crianças e adolescentes", destacou.Sara também criou uma página no Facebook e agora recruta jovens como ela e as duas amigas que queiram levantar essa bandeira. A paulista contou que já há "processos seletivos" em andamento em vários estados do Brasil, com interessadas em Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Maranhão.
Para participar do Femen, Sara disse que a mulher precisa ser corajosa, ter disponibilidade e vontade de lutar. Também deve estar preparada para enfrentar a família e os amigos. Este último item foi, por exemplo, o que mais pesou para a primeira menina que passou pela iniciação antes de Lari. Por receio da reação do pai, ela acabou desistindo. "Meus pais já sabem e foi muito ruim. Não apoiaram, não curtiram", revelou a estudante de gastronomia, que é filha única.
"Minha ideia é concentrar a coordenação do grupo aqui em São Paulo. Mas pretendo ir uma vez para cada um desses núcleos para ensinar tudo o que as ucranianas me passaram. Isso inclui como se organizar, escolher tópicos de protesto e se preparar para enfrentar a polícia", enumerou Sara.

As jovens que se entusiasmarem com a ideia não precisam ficar preocupadas em serem bonitas ou terem um corpo atraente, segundo Sara. Essa é uma característica que tem sido o padrão das ativistas do Femen pelo mundo, mas a paulista disse que não é um critério fundamental para ser admitida.


"Isso serve para a menina ver como se comporta com todo mundo vendo, ter um feedback do próprio corpo. É um protesto individual, ou 'monoprotest', como a gente chama", disse Sara. O ideal é que a iniciante segure um cartaz com algum tema, mas Lari fez sem, porque as outras duas meninas esqueceram. A primeira fase da escolha é mandar uma foto de topless para ela e passar por uma espécie de entrevista virtual, pelo Facebook ou Skype. Assim que a candidata for aprovada, é marcado um dia para a estreia.
Perfil das ativistas brasileiras
Nesta terça-feira (14), mais uma interessada em entrar para o grupo, Luma Oliveira, de 20 anos, deve passar por sua "prova de fogo".
As três primeiras jovens brasileiras que se dispõem a fazer parte do Femen têm características físicas e psicológicas muito diferentes, apesar da causa em comum. Bruna mora em Moema, Zona Sul de São Paulo, e gosta de Chico Buarque. Sara vive em São Carlos, no interior, e diz que curte músicas que fazem seu coração bater, como rockabilly. Já Lari é da Zona Oeste da capital e ouve punk rock e heavy metal.
Bruna e Sara gostam de se maquiar; Lari, não – mas abriu uma exceção para sua estreia e apareceu com sombra, base e blush. "Muitos grupos a quem contatamos têm preconceito conosco, porque acham que só somos mulheres bonitas que apóiam o sexismo. Mas nos arrumamos para nós mesmas também, não para atrair homens", destacou Sara.
Outra coisa que varia entre as ativistas é a opção sexual. Segundo Sara, pelo fato de muitas militantes na Ucrânia, por exemplo, serem contra o que os homens fazem com as mulheres, acabam virando bissexuais ou lésbicas.
Logo Femen Brazil (Foto: Femen Brazil/Divulgação)
Femen Brazil já tem seu próprio logo, que deve ser
pintado nos seios (Foto: Femen Brazil/Divulgação)
Futuras ações

As jovens querem criticar o julgamento de três cantoras russas da banda punk Pussy  Riot acusadas de vandalismo por causa de uma música intitulada "Maria, mãe de Deus, tire Putin", contra o presidente Vladimir Putin. O veredito sobre a prisão ou não delas deve sair na sexta-feira (17).
"Estamos fazendo contato com grupos punks, skinheads antifascistas, anarcofeministas, afrofeministas e outros coletivos para se juntarem a nós", disse Sara.
Elas já estão ensaiando o que dizer nessa data, em russo. Cada uma deve representar uma das cantoras julgadas, Nadejda Tolokonnikova, Maria Alyokhina e Yekaterina Samutsevish. Elas querem falar: "Eu sou Nadejda, eu sou Maria, eu sou Yekaterina. Liberdade à Pussy Riot!".
"Particularmente, nem gosto do som da banda, acho as meninas ruins, mas vamos protestar contra essa atitude do governo russo. As ucranianas não se envolveram nisso, porque estão focadas nas Olimpíadas", explicou Sara.
O jeito, então, foi arriscar uma carona de carro até Kiev, com dois jovens desconhecidos que estavam indo acompanhar a Eurocopa. O veículo acabou quebrando duas vezes na estrada, e o percurso de 12 horas levou quase o dobro.
Viagem à Ucrânia

"Não queriam me dar o visto para eu cruzar a fronteira, porque não entendiam o que uma brasileira estava fazendo lá. Aí falei Ronaldo, Ronaldinho, Kaká, Cafu, Pelé. A hora em que eu disse Pelé, pronto, o cara pensou: 'É lógico'. Preciso agradecer a cada um desses jogadores", brincou Sara, que ficou duas semanas no país e acabou sendo detida por quatro horas durante um protesto na Eurocopa.
"A Ucrânia e a Polônia estavam incentivando abertamente o turismo sexual. Em um mapa que vi em Varsóvia, havia vários endereços de bordéis", lembrou Sara, cuja ida foi coberta em parte pelo Femen (que doou US$ 1 mil), por contribuições no Facebook e por ela mesma.
Além das ativistas, o grupo internacional tem o apoio de cerca de 500 voluntários, entre designers, jornalistas, fotógrafos, assessores de imprensa e advogados, segundo a paulista, que compara os ucranianos com os brasileiros. "Eles são tão acomodados quanto nós. Mas também são receptivos, só não tanto quanto a gente", ressaltou.
FONTE: G1 / Luna D'Alama
LEIA TAMBÉM: Quer fazer parte do Femen Brasil? Sara Winter explica como

domingo, agosto 05, 2012

Integrantes do Femen 'caçam' brasileiras de peito aberto


De saia até o joelho, meia-calça, salto alto e blazer, Bruna, 21, analisa processos num escritório em São Paulo, onde faz estágio em direito. Até o domingo passado, o traje social e o olhar sério a colocavam na condição de "funcionária padrão".

Foi quando imagens dela em plena avenida Paulista, só de calcinha, com os peitos de fora e as inscrições "violação, não" no corpo, chegaram aos jornais, sites e canais de TV, deixando os colegas de trabalho boquiabertos.

Bruna Themis (codinome adotado por ela) é a mais nova integrante do Femen, grupo nascido na Ucrânia e espalhado pela Europa que tem, desde junho, uma "filial" no Brasil.
Numa espécie de "flash mob", elas tiram a roupa no meio da rua para denunciar turismo sexual e defender causas como a liberdade para fazer aborto --ativismo conhecido como neofeminismo, no qual se usa o corpo como forma de protesto.

A fundadora do movimento no país, Sara Winter (sobrenome também fictício), 20, e Bruna andam atarefadas em busca de novas adeptas do movimento. Cerca de 20 voluntárias de São Paulo, Rio e Minas Gerais estão sendo entrevistadas.

Além do engajamento nas causas, é necessário o principal: coragem para fazer topless sem se incomodar com olhares repressores. A maioria das interessadas é jovem, como elas, na casa dos 20.


Rodaram o mundo as cenas de loiras ucranianas bonitonas que tentaram invadir estádios de futebol durante os jogos da Eurocopa em Kiev.

Sara estava no grupo, a convite de Inna Shevchenko, uma das mais antigas ativistas do Femen --criado em 2008 por Anna Hutsol.


"Foi uma prova de fogo. Fiquei detida quase um dia inteiro numa delegacia até assinar documentos e ser liberada", conta Sara.


A repressão vista na Europa --lá, as meninas do Femen são treinadas até para se defender de policiais- não se repetiu domingo no protesto da entidade no Brasil.

Até agora, nenhuma das jovens ganha nada da entidade, mas está previsto que a partir do mês que vem deve haver uma ajuda de custo de US$ 350 por mês para Sara.

"O ideal é montarmos uma loja para a confecção de camisetas", afirma.

TESTE
Antes de ir à Ucrânia, a jovem teve de mostrar que tinha coragem de fazer topless.

Além de postar uma foto seminua na rede social Facebook, fez um protesto solitário em São Carlos, no interior paulista, sua cidade natal. E, é claro, de peito aberto.

Já a novata Bruna conseguiu pular as etapas e foi logo às ruas após ser entrevistada por Sara.

"Criei coragem e fui direto. Tive medo, mas depois foi a minha libertação", diz.

FONTE: FOLHA.COM

LEIA TAMBÉM: Quer fazer parte do Femen Brasil? Sara Winter explica como 

                     Entrevista Exclusiva: GRUPO FEMEN




quarta-feira, maio 16, 2012

Marcha contra a homofobia reúne cerca de 500 pessoas no DF


Cerca de 500 pessoas se reuniram nesta quarta-feira na praça dos Três Poderes para a 3ª Marcha Nacional contra a Homofobia, segundo Polícia Civil. Participaram representantes de partidos políticos, organizações não governamentais e entidades de classe.

Os organizadores esperavam cerca de 1,5 mil pessoas de todos os estados do país, mas a chuva que caia sobre Brasília desde ontem (15) atrapalhou o início da manifestação de manhã.

Uma bandeira com as cores do arco-íris, símbolo do movimento, foi estendida em frente ao Palácio do Planalto. Da praça, os manifestantes seguiram em caminhada até a frente do Congresso Nacional, onde o Senado promoveu ontem (15) uma audiência pública para debater projeto que criminaliza a homofobia.

Nesta quinta-feira (17) comemora-se o Dia Internacional da Luta contra a Homofobia.

Os manifestantes pediam que o governo federal defina um orçamento para financiar o Plano de Promoção dos Direitos Humanos e Cidadania LGBT, para a elaboração e a aplicação de políticas públicas voltadas a gays, lésbicas, travestis e transexuais.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, é importante haver um "tripé" do combate à discriminação: educação, criminalização e laicização (para impedir que posições religiosas se sobreponham aos assuntos de Estado). De acordo com Reis, o Planalto sinalizou que a previsão orçamentária para o plano poderá ser anunciada em três meses.

A ONU no Brasil também prestou apoio ao movimento. O coordenador do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, Pedro Chequer, disse que a posição da ONU "está na vertente dos direitos humanos".

Os manifestantes também defenderam a aprovação do Projeto de Lei 122, que criminaliza a homofobia, de 2006. Se aprovada, a norma deverá ser conhecida como Lei Alexandre Ivo, em homenagem ao adolescente de 14 anos assassinado em 2010, em São Gonçalo (região metropolitana do Rio de Janeiro), vítima de homofobia.

A lei, já aprovada na Câmara, tramita na Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal. Falta ainda passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para que vá a votação no plenário da Casa. Ontem (15), o Senado promoveu uma audiência pública para debater o projeto.

FONTE: FOLHA.COM
LEIA TAMBÉM: Dia Internacional Contra a Homofobia terá seminário e marcha em Brasília
http://guebala.blogspot.com.br/2011/05/dia-internacional-contra-homofobia-tera.html


                      Homofobia em preto e branco
 http://guebala.blogspot.com.br/2011/01/homofobia-em-preto-e-branco.html

quinta-feira, abril 19, 2012

Índias levam bandeiras feministas às aldeias e assumem dianteira do movimento

Nascidas em aldeias indígenas no Acre, Letícia Yawanawá, 49 anos, e Nazaré Apurinã, 48, mudaram-se para Rio Branco nos anos 1980 para acompanhar os maridos, que despontavam como líderes em suas comunidades e buscavam completar os estudos na capital do Estado.

Por influência deles, começaram a se interessar pelo movimento indígena, que à época pressionava o governo pela demarcação de terras. Mas num dos primeiros encontros que presenciaram, entre líderes da hoje extinta União das Nações Indígenas do Acre e Sul do Amazonas (UNI), elas estranharam a composição da mesa de debates.

A reivindicação cresceu e, em 1996, Yawanawá e Apurinã resolveram se unir a outras duas índias para discutir formas de melhorar a vida de mulheres nas comunidades."Havia mulheres trabalhando como secretárias, assessoras, mas eram todas brancas", lembra Yawanawá. "Então questionamos por que não poderíamos participar."

"Pela tradição, não tínhamos autonomia nas aldeias. Mas quando os líderes viajavam para a cidade para participar de reuniões, quem ficava tomando conta éramos nós. Precisávamos ter mais voz", diz Apurinã.
Entre os pleitos do grupo estava fazer com que as mulheres pudessem participar de decisões que vão desde a escolha do local para o roçado à definição do líder do grupo.

Início

O início não foi fácil, porém. Apurinã diz que os homens encararam o gesto como uma afronta.
Para pôr fim à desconfiança, elas convidaram os homens ao primeiro grande encontro da organização, em 1998, no qual 200 índias compareceram. "Queríamos mostrar que nosso objetivo não era competir, mas somar forças", afirma Apurinã.
As reuniões prosseguiram e, seis anos depois, o grupo foi formalizado com a criação da Organização das Mulheres Indígenas do Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia (Sitoakare), que hoje tem Apurinã como coordenadora e Yawanawá como vice.
Hoje, passados 16 anos desde o início de sua luta, elas dizem que a situação das mulheres nas aldeias ainda deixa muito a desejar.
"Mas já há mulheres caciques e pajés. E passamos a influenciar nas decisões", afirma Apurinã.
"É difícil deixar um filho na aldeia, com o pai, para participar de um encontro em cidade, mas isso já começa a ser feito. O movimento nos fez sair das quatro paredes."

Causas tradicionais

Além de pregar mais voz para as mulheres nas comunidades, o grupo tem atuado em prol de causas indígenas tradicionais, como demarcação de terras e melhores condições de educação e saúde. E com a extinção em 2005 da UNI, a principal organização indígena da região, afundada em acusações de desvio de recursos destinados à saúde indígena, elas têm assumido a dianteira do movimento.
Segundo Apurinã, ainda há 17 Terras Indígenas a serem demarcadas na região. Quanto às condições de saúde nas aldeias, diz que são precárias porque o governo não aplica os recursos disponíveis.
"Visitamos comunidades em que todos estão doentes. Não dá para convidá-los a participar de nada", afirma, queixando-se da falta de medicamentos nas unidades de apoio mais próximas das aldeias e dos longos intervalos entre visitas de agentes de saúde.
"Quando um índio que não fala português direito vai a um hospital, há dificuldade imensa para fazer o diagnóstico", diz.
Ela cita ainda problemas de saneamento básico nas aldeias e poluição nos rios, que têm provocado doenças entre os índios.
A educação também recebe críticas: segundo Apurinã, apenas cerca de 10% das aldeias têm escolas até o ensino médio.
"Não há incentivo para que os jovens façam faculdade. Quem vai à cidade fica por conta própria, sem apoio algum. Tem que limpar quintal para ganhar algum dinheiro, e às vezes volta para a aldeia antes de concluir o curso", conta.
Com o espaço conquistado nos últimos anos, as líderes dizem ter recebido propostas para trabalhar no governo. Mas recusaram: "Preferimos continuar no movimento, às vezes sem ter dinheiro para comer, mas também sem rabo preso", diz Yawanawá.
"Muitos líderes tradicionais foram aliciados pelo governo para se calar, em troca de um salário. Mas, nas aldeias, apontam para a gente e dizem: vocês são nossa esperança. Isso nos dá forças", relata.
FONTE: BBC-BRASIL
LEIA TAMBÉM: Entre 1991 e 2010, população indígena se expandiu de 34,5% para 80,5% dos municípios do país http://guebala.blogspot.com.br/2012/04/entre-1991-e-2010-populacao-indigena-se.html

Entre 1991 e 2010, população indígena se expandiu de 34,5% para 80,5% dos municípios do país http://guebala.blogspot.com.br/2012/04/entre-1991-e-2010-populacao-indigena-se.html


População de índios no Estado diminui 15% em uma década
http://aiyelujara.blogspot.com.br/2012/04/populacao-de-indios-no-estado-diminui.html 

Rio Grande do Sul: Documento das comunidades Guarani Mbya

http://guebala.blogspot.com.br/2012/04/rio-grande-do-sul-documento-das.html

sábado, março 24, 2012

Primeira travesti a fazer doutorado no Brasil defende tese sobre discriminação


Luma Andrade descreve o preconceito sofrido por travestis na rede pública de ensino e aponta lacunas na formação de professores; defesa será em julho

Antes de tentar de se tornar supervisora regional de 26 escolas pública e ingressar no doutorado em Educação da Universidade Federal do Ceará (UFC), Luma Andrade assinou o nome João por 30 anos, foi rejeitada pelos pais na infância, discriminada na escola e, mais tarde, no trabalho.
Na tese de quase 400 páginas que irá defender em três meses, a primeira travesti a cursar um doutorado no Brasil relata a discriminação sofrida por pessoas como ela na rede pública de ensino. Ela também aponta lacunas na formação dos professores.
Criança nos anos de 1970, no município de Morada Nova, a 170 quilômetros de Fortaleza, o único filho homem de um casal de agricultores, era João, mas já se sentia Luma. Em casa, escondia-se para evitar ser confrontada. Na escola, apanhava dos meninos por querer parecer uma menina. Em uma das vezes que foi espancada, aos nove anos, queixou-se com a professora e, ao invés do apoio, ouviu que tinha culpa por ser daquele jeito.
Mais tarde, já com cabelos compridos e roupa feminina, sofria de segunda a sexta-feira na chamada dos alunos, ao ser tratada pelo nome de batismo. Não se reconhecia no uniforme masculino que era obrigada a usar. Evitava ao máximo usar o banheiro. Aturava em silêncio as piadas que os colegas insistiam em fazer. “Se a travesti não se sujeitar e resistir, acaba sucumbindo”, lamenta.
Luma se concentrou nos estudos e evitou os confrontos. "Tem momento que a gente quer desistir. Eu não ia ao banheiro urinar, porque eu queria usar o feminino, mas não podia. Então eu me continha e, às vezes, era insuportável”, relembra. Mas ela concluiu o ensino médio e, aos 18 anos, entrou na universidade. Quando se formou aos 22 já dava aulas. Foi quando assumiu a homossexualidade ao contar que tinha um namorado. Então, foi expulsa de casa. 
Em 2003, já com o título de mestre, prestou concurso para lecionar biologia. Eram quatro vagas para uma escola estadual do município de Aracati, a 153 quilômetros de Fortaleza. Apenas ela passou. Contudo, o diretor da escola não a aceitou. Luma pediu a intervenção da Secretaria de Educação do Estado e conseguiu assumir o posto.
“Eu não era tida como um bom exemplo”. Durante o período de estágio probatório, tentaram sabotar sua permanência na escola. “Uma coordenadora denunciou que eu estava mostrando os seios para os alunos na aula”. Luma havia acabado de fazer o implante de protestes de silicone. “Eu já previa isso e passei a usar bata para me proteger, esconder. Parecia que eu tinha certeza que isso ia acontecer”.
Anos depois, Luma foi assumiu um cargo na Coordenadoria Regional de Desenvolvimento de Educação de Russas, justamente a região onde nasceu. Como supervisora das escolas estaduais de diversos municípios, passou a interceder em casos de agressões semelhantes ao que ela viveu quando era estudante.
“Uma diretora de escola fez uma lista de alunos que, para ela, eram homossexuais. E aí mandou chamar os pais, pedindo para que eles tomassem providências”. A providência, segundo ela, foi “muito surra”. “O primeiro que foi espancado me procurou”, lembra. Luma procurou a escola. Todos os gestores e professores passaram por uma capacitação para aprender como lidar com a sexualidade dos estudantes.
Um ano depois, em 2008, Luma se tornou a primeira travesti a ingressar em um doutorado no Brasil. Ela começou a pesquisar a situação de travestis que estudam na rede pública de ensino. E constatou que o caso da diretora que levou um aluno a ser espancado pelos pais e todas as outras agressões sofridas por homossexuais tinham mesma origem.

“Comecei o levantamento das travestis nas escolas públicas. Eu pedia para que os gestores informassem. Quando ia averiguar a existência real do travesti, os diretores diziam: ‘tem aquele ali, mas não é assumido’. Percebi que estavam falando de gays”, relata.

A partir desse contato, Luma trata em sua tese do que as travestis não podem esboçar reações a ataques homofóbicos para concluir os estudos.
Mas também sugere que os cursos de graduação em licenciatura formem profissionais mais preparados para não apenas tratar da homossexualidade no currículo escolar, mas também como lidar com as especificidades de cada pessoa e fazer da escola um lugar sem preconceitos.
“Cada pessoa tem uma forma de viver. Conforme ela se apresenta, vai se comunicar e interagir. O gay tem uma forma de interagir diferente de uma travesti ou de uma transexual. O não reconhecimento dessas singularidades provoca uma padronização. A ideia de que todo mundo é ‘veado’”.
A tese de Luma á passou por duas qualificações. Ela está em fase final, corrigindo alguns detalhes e vai defendê-la em julho, na UFC, em Fortaleza. 
FONTE: Último Segundo