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terça-feira, janeiro 06, 2015

Quem é o vilão da violência na cidade de SP: o adulto ou o adolescente?






Profissão Repórter investiga questão durante dois meses. Boa parte dos que defendem a redução da maioridade penal não sabem a resposta.


Em sua opinião, quantos são os assassinatos cometidos na cidade de São Paulo por adolescentes com menos de 18 anos de idade?
“Uns 80 por cento”, respondeu uma funcionária pública aposentada da Zona Leste e amiga de uma mãe de menor infrator.
“90 por cento”, disse o empresário de uma construtora da Zona Oeste, vítima de um assalto praticado por um adolescente.
“Mais da metade”, disse uma colega jornalista de uma emissora de TV.
A resposta correta foi revelada por uma pesquisa inédita, exibida no Profissão Repórter desta terça-feira, dia 12 de agosto. A análise de 3.233 crimes de morte ocorridos no ano de 2005 prova que 98,1% (3.172) foram de autoria de adultos, e 1,9% (69) de responsabilidade de  menores.
O  resultado da pesquisa surpreende até os profissionais do Judiciário. Nós entrevistamos um notório defensor de penas mais duras aos menores, o promotor Oswaldo Monteiro, da Vara da Infância e Juventude. “O código penal é de 1940. Você acha que menor que tinha 17 anos lá em 1940 é o mesmo indivíduo hoje de 2014? Se alguém me provar que é, eu me rendo, não peço mais a redução da maioridade penal”, declara.
O promotor  representa uma parte da sociedade que se considera “cidadãos de bem”. “O que a sociedade quer hoje, pelo menos eu sinto aqui no meu dia a dia: punição! Por que você tem os homens de bem e os homens do mal. Tem gente que trabalha, acorda, vai trabalhar, passa o dia inteiro e volta pra sua casa. E tem gente que não quer isso”, afirma.

Oswaldo Monteiro é promotor há mais de 20 anos. Pergunto: "Já que o senhor tem essa experiência toda, o senhor sabe quantos por cento dos assassinatos e latrocínios são praticados por menores?" “Talvez uns 20, 30%, mas nessa ordem de delito, latrocínio e homicídio...”, diz ele.

Questiono: "De onde o senhor tira essa certeza?" “Do dia a dia nosso. Hoje nós praticamente estamos atendendo um menor infrator, um perfil de roubador, latrocida, homicida e de tráfico de drogas. É disso hoje que as varas especiais estão se incumbindo. Nós temos um índice grande aqui”, explica o promotor.
Mostrei o resultado de nossa pesquisa e tentei confrontá-la com os dados da Vara de Infância. Esse foi o nosso diálogo:
Promotor: A sua pesquisa de quando é?
Caco Barcellos: É de 2005.
Promotor: Nós estamos em 2014, nove anos depois.
Caco Barcellos: O senhor tá dizendo que a nossa pesquisa não traduz a realidade atual por que é de 2005?
Promotor: Sim, eu acho. Ela está defasada... defasada! Nós temos dados de departamento de execução. Você pode pedir a lista de latrocínios e homicídios de processos que giraram pela infância e juventude. Tá lá, tá aberto. Claro que corre em segredo de Justiça, o juiz precisa autorizar.

Os dados da Justiça para os crimes mais atuais  apontam que, passados nove anos, o grande  responsável pelas mortes ainda é o adulto.  Não é o menor de idade. Dos 1.530 assassinatos ocorridos na cidade de São Paulo no ano passado, 94% foram praticados por homens e mulheres com mais de 18 anos e 6% por menores infratores.
Inacreditável que  promotores acreditem que os adolescentes  sejam os grandes vilões da violência.
Nós analisamos os dados dos assassinatos mais antigos para poder  avaliar melhor  a qualidade do trabalho do sistema judiciário no combate a violência e na punição e recuperação dos criminosos e infratores.
Como a pesquisa é inédita, seus resultados trazem dados reveladores, essenciais para quem se preocupa em combater as verdadeiras causas da violência.
Mais sobre a pesquisa:
- Dos 2.233 homicídios e latrocínios  de 2005, 1,9% foram cometidos por adolescentes com menos de 18 anos de idade.
- Dos adolescentes envolvidos em 61 assassinatos, 4 foram mortos.
- No mesmo ano de 2005,  264 assassinatos foram de autoria de policiais militares, ou seja, 11%.
- Dos 42 adolescentes que a equipe do Profissão Repórter conseguiu localizar, a maioria (28) voltou a cometer infrações ou crimes na fase adulta.
- Encontramos 8 adolescentes que passaram pela Fundação Casa e hoje estão em liberdade. Quatro deles mataram a facada uma jovem de 15 anos e sumiram com o corpo dela. Até hoje o caso não foi julgado.
- Não conseguimos localizar 6 dos adolescentes envolvidos nos assassinatos de 2005. Todos passaram pela Fundação Casa. Os diretores se negaram a dar entrevista e a fornecer informações para a nossa reportagem.
FONTE: PROFISSÃO REPORTER / CACO BARCELLOS

quinta-feira, dezembro 18, 2014

Mais de 7 milhões de pessoas ainda passam fome no país







Cerca de um quinto dos lares brasileiros tem alguma limitação a alimentos, segundo o IBGE
Cerca de um quinto dos domicílios brasileiros (22,6%) tiveram algum tipo de restrição ou ao menos preocupação sobre ter alimento na mesa. Desses, 3,2% dos lares ou 7,2 milhões de pessoas tiveram fome, comprometendo a qualidade e a quantidade de alimentos dados inclusive a crianças em formação. Os dados fazem parte do Suplemento de Segurança Alimentar, elaborado pelo IBGE com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2013) em 65,3 milhões de domicílios. Os entrevistadores perguntaram em lares do país qual a percepção delas em relação aos alimentos, se houve alguma restrição ou carência nos últimos 90 dias.

Uma comparação com os últimos dez anos mostra avanço no país nos indicadores. Em 2004, a fatia de domicílios que se declaravam confortáveis em relação aos alimentos era de 65,1%. Dez anos depois, em 2013, esse percentual subiu para 77,4%. Já os casos de insegurança, medida em três níveis (leve, moderada ou grave) desde a preocupação com a falta de alimentos no futuro até a efetiva restrição, recuaram de 18%, em 2003, para 14,8%, em 2013. A chamada insegurança moderada, quando existe redução de alimentos para adultos, passou de 9,9% para 4,6%. O de insegurança grave, quando atinge crianças, recuou de 6,9% para 3,2%.

Lares com restrição a alimentos têm mais crianças e renda menor
Comprar fiado é a alternativa mais comum entre os brasileiros que passam fome.

Neste ano, o Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) informou que o percentual de pessoas com insegurança alimentar aguda chegou a 1,7%, considerado erradicação, no entanto, a miséria parou de cair no país. Após uma década de queda sistemática da pobreza extrema, ela subiu de 3,6% para 4%.

— Esse estudo (FAO) usa uma escala parecida com a Ebia, para um dos aspectos. A FAO faz essa pesquisa de segurança alimentar de uma maneira mais ampla, usam dados de produção de alimentos, dados antropométricos — explicou July Ponte, técnica do IBGE responsável pela pesquisa de segurança alimentar.

O IBGE utilizou a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia) para identificar e classificar os domicílios de acordo com o grau de segurança alimentar, ou seja, se existe uma situação de conforto ou de medo e risco de ficar sem comer. A escala prevê quatro categorias. A segurança alimentar se aplica a domicílios que têm acesso regular e permanente a alimentos de qualidade em quantidade suficiente. Já a insegurança alimentar pode ser leve, moderada e grave.

Ela é leve quando em um lar há preocupação ou incerteza quanto ao acesso aos alimentos no futuro e a qualidade é considerada inadequada em casos de pessoas que não querem comprometer quantidade. No caso da insegurança alimentar moderada, ela está presente quando se verifica a redução quantitativa de alimentos entre adultos. Já a insegurança alimentar grave é constatada com a redução quantitativa de alimentos entre crianças e a fome (quando alguém fica o dia inteiro sem comer por falta de dinheiro).

FOME NO CAMPO ERA MAIOR

Segundo o IBGE, a fome ainda era maior no campo, com 13,9% dos domicílios em situação grave ou moderada. Houve aumento de domicílios na condição de insegurança grave de 19,5% para 21,4%, enquanto na área urbana, a proporção de domicílios com insegurança grave passou de 4,6% para 2,8%, e a moderada seguiu no mesmo sentido recuando de 6,1% para 3,9%.

O Norte e o Nordeste tinham os piores indicadores de insegurança alimentar, com indicadores bem abaixo da média do país. O Nordeste experimentou o maior avanço, mas ainda detinha os piores indicadores. Em 2004, a região tinha menos da metade dos domicílios (46,4%) com segurança alimentar, esse percentual ficou em 61,9%. No Maranhão, 60,9% dos domicílios tinham algum tipo de insegurança alimentar, ou seja, não tinham certeza de que iriam conseguir se alimentar de forma adequada, enquanto a média do Nordeste era de 38,1% de insegurança e 61,6% de segurança. Em situação grave, eram 9,8% dos domicílios. No Piauí, 55,6% dos lares tinham algum tipo de insegurança. No Amazonas, 42,9% tinham algum tipo de insegurança. Na região Norte, apenas Rondônia tinha indicador de segurança alimentar acima da média nacional.

No Sudeste, 85,5% dos domicílios estavam na situação de segurança, sendo que o maior percentual em todo o país estava no Espírito Santo. São Paulo detinha o menor percentual de domicílios com restrição grave: 1,7%. No Rio, eram 82,2% dos lares estavam na condição de segurança alimentar. O Centro-Oeste passou de 68,8% dos domicílios em situação de segurança alimentar para 81,8%.

FONTE: CLARICE SPITZ / O GLOBO

quinta-feira, junho 05, 2014

Copa 2014 - Carta do I Encontro dos/das Atingidos/as: “Que um grito de gol não abafe a nossa história”






Reunidos em Belo Horizonte no “I Encontro dos(as) Atingidos(as) – Quem perde com os Megaeventos e Megaempreendimentos”, de 1 a 3 de maio de 2014, constatamos que as violações geradas a partir dos megaprojetos e da saga privatista é comum em todas as cidades-sede da Copa 2014. Afirmamos que a Copa e as Olimpíadas estão a serviço de um modelo de país e de mundo que não atende aos interesses gerais do povo trabalhador e dos setores oprimidos pelo sistema capitalista. A Lei Geral da Copa, inconstitucional e autoritária, escancara que o Estado funciona a serviço das corporações e das empreiteiras. Abaixo expressamos algumas dimensões do sofrimento do nosso povo, potencializados pelos megaeventos como a Copa e as Olimpíadas.

Moradia
A Copa intensificou aumento dos despejos e remoções violentas nas cidades brasileiras. Duzentos e cinquenta mil pessoas com suas famílias estão sendo desestruturadas, levadas para longe de seus lugares de origem, causando impactos na saúde, na educação, no transporte público, além da violência física e psicológica. Tem gente com depressão, se endividando, esperando por soluções que nunca chegam. São vítimas da especulação imobiliária que expulsa os pobres das áreas do seu interesse.

Histórias semelhantes de violências contra populações ocorrem em todo o território brasileiro. Não pedimos essa Copa da Fifa. Mais do que barrar a Copa, queremos barrar os despejos e remoções no Brasil. Nossa luta é antes, durante e depois da Copa, para que nenhuma família brasileira sofra a violência e humilhação de um despejo ou remoção forçada. Decidimos sair deste encontro com uma grande união para barrar os despejos e remoções no Brasil. Sairemos juntos daqui numa articulação permanente, e assim estaremos mais fortes. Por um Brasil sem despejos! Brasil sem remoção! Respeito ao cidadão!

Trabalhadores e trabalhadoras ambulantes, catadores e da construção civil
Defendemos e valorizamos os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras ambulantes vítimas das arbitrariedades da Fifa e do governo, como a imposição da Lei Geral da Copa que proíbe o comércio de produtos nas proximidades dos estádios. Enfrentamos a repressão por parte das prefeituras municipais que estão “higienizando” as cidades licitando para que grandes empresas controlem as ruas. A Lei Geral da Copa estabelece zonas de exclusão de 2 quilômetros no entorno das áreas da Fifa, estádios e áreas oficiais de torcedores com telões, onde apenas os patrocinadores oficiais poderão comercializar. É necessário fortalecer canais de comunicação para denunciar os casos de impedimento de trabalho e violações ao direito dos ambulantes. Também propomos um boicote aos patrocinadores da Copa, em solidariedade aos ambulantes.

Denunciamos também que as prefeituras tem dificultado o trabalho de catadores e catadoras de resíduos sólidos nas cidades-sede da Copa. Na construção civil a velocidade da execução das obras produziu 8 mortes nas arenas da Copa e mais 3 em outros estádios, e uma infinidade de acidentes graves. Exigimos que se intensifique o controle sobre a segurança dos operários nos canteiros de obra e a garantia plena de seus direitos trabalhistas, como o direito à greve.

Comunicação e Cultura
A comunicação é um direito humano, desrespeitado pela mídia hegemônica e pelo Estado. O oligopólio dos meios de comunicação invisibiliza e tenta calar as lutas populares. Os mesmos que detêm o poder político e econômico, utilizam a mídia para fomentar uma sociedade mercantilizada, excludente, cheia de preconceitos e opressões. Reforçando o extermínio da população negra com a criminalização da pobreza e a esteriotipação da mesma. Enquanto as reais consequências da Copa da Fifa no Brasil são ocultadas.
Reivindicamos a democratização dos meios de comunicação, a partir da revisão do marco regulatório da mídia, incluindo uma revisão da atual regulação das rádios comunitárias para que de fato a comunicação seja um direito humano, que vocalize a realidade do povo brasileiro e que seja diversa, popular e emancipadora. Defendemos o respeito aos midiativistas e à imprensa popular e independente.

Mulheres
As violações históricas sofridas pelas mulheres são acirradas com a Copa. Denunciamos o aumento da exploração sexual e do tráfico de mulheres, o acirramento da mercantilização do corpo feminino - exposto como disponível em diversas campanhas publicitárias, como a da Adidas, tornando-as mais vulneráveis a estupros e assédios de diversas ordens. Atingindo majoritariamente à mulher negra, através da precarização do trabalho e estereótipos mantidos pela mídia e todos os aparatos institucionais.

Pessoas em situação de prostituição também são alvo da violência do Estado, que se intensifica no período da Copa do Mundo com a higienização forçada das ruas, principalmente nas cidades-sede. Ademais, as experiências das Copas da África do Sul e da Alemanha demonstram que os megaeventos mercantilizam as vidas e os corpos das mulheres. O Brasil não pode fazer parte da rota! As mulheres trabalhadoras continuam a ser exploradas e mesmo nas falas críticas às péssimas condições de trabalho, as companheiras são invisibilizadas. Continuaremos na luta por melhores serviços públicos e equipamentos urbanos de qualidade – políticas universais de mobilidade, saúde, moradia e educação são pautas feministas e merecem total atenção.

Diversidade Sexual
Pretendemos também estreitar os laços com os movimentos LGBTT, para somar espaços na luta pelo respeito à diversidade sexual antes, durante e depois da Copa.

Desmilitarização
A repressão do Estado às manifestações populares que questionaram a Copa intensificou o caráter de militarização da segurança pública pautada na identificação dos movimentos sociais como “inimigos internos”. Isto contribuiu também para dar mais força ao processo histórico de extermínio da juventude negra e da periferia pela polícia. A juventude deve ser respeitados em seu direito a se manifestar. O Brasil está vivendo uma escalada autoritária, onde governo e Congresso buscam criminalizar movimentos sociais. Devemos promover lutas contra as leis antiterrorista e antimanifestações. Defender a anistia dos processados e uma Campanha Nacional pela desmilitarização da Polícia Militar e desarmamento das Guardas Municipais.

O povo palestino foi atingido diretamente pela Copa do Mundo no Brasil, uma vez que há um fluxo importante de financiamento saídos dos cofres públicos para o complexo industrial-militar israelense, sustentando a política do genocídio e o apartheid contra os palestinos.

Comunidades Tradicionais
Entendemos que as injustiças aplicadas aos povos originários e tradicionais se agravam com os megaeventos. O projeto de desenvolvimento trazido com esses eventos impede a demarcação e titulação de nossas terras. O número de lideranças das comunidades tradicionais que estão sendo exterminadas e a intensificação dos conflitos entre indígenas e ruralistas são exemplos disso. A mesma situação enfrenta os/as pescadores/as de áreas extrativistas de pesca que perdem seus territórios de vida ameaçados pela especulação imobiliárias, hotéis, construção de portos, etc.

Vivemos hoje um contexto urbano, onde as lutas das cidades ganham muito mais pauta, mas entendemos que a mesma força que tira o direito à moradia é a que não deixa demarcar os territórios. Repudiamos a PEC 215/00 e outros mecanismos que visam impedir novas demarcações e titulações e abrem precedente para a revisão dos territórios já legalizados. Para enfrentar esta violência, os povos  se organizam em mobilização nacional como forma de resistência, numa agenda de luta conjunta que culminará no Encontro Nacional Indígena e Quilombola, entre 25 e 29 de maio, em Brasília. Pela soberania dos povos aos territórios!

Megaeventos e a financeirização da Natureza
A Copa de 2014 está sendo apresentada como copa sustentável, gol verde, parques da copa, copa orgânica, carbono zero, enfim, uma maquiagem verde que busca invisibilizar as violações de direitos, colocando a compensação como fato consumado e validando a economia verde e a mercantilização da natureza como mais uma falsa solução. Haja visto a quantidade de árvores que estão cortadas nas cidades da Copa, defendemos a campanha “Quantas copas por uma Copa? Nem mais uma árvore cortada!”

Crianças e adolescentes
Crianças e adolescentes estarão em situação de extrema vulnerabilidade durante a Copa em virtude das férias escolares, associadas à ausência de políticas públicas. Destaca-se a desvirtuação do papel do esporte, que passa por um duplo processo de elitização. Primeiro, como mercadoria pouco acessível, com ingressos e produtos caros. Segundo, como prática restrita a espaços privados e a setores privilegiados da sociedade. Neste contexto, as grandes máfias da exploração e do tráfico de pessoas poderão atuar com muita facilidade. É necessário e urgente criar campanhas de combate à exploração sexual e ao tráfico de pessoas nas escolas da rede pública, rede hoteleira, proximidades dos estádios e nas regiões turísticas. Deve ser incluída a capacitação dos profissionais do turismo e da rede hoteleira, o fortalecimento e ampliação das políticas de promoção dos direitos das mulheres e crianças e adolescentes. Não à redução da idade penal.

Mobilidade Urbana
Diante do cenário de modelo mercadológico de gestão da cidade, é fundamental reconhecer a bandeira da Tarifa Zero e da PEC 90 (transporte como direito social) como passos para se criar condições para efetivação do direito à cidade e da participação popular na gestão das cidades. Combatemos o modelo de mobilidade urbana que privilegia o transporte rodoviário em detrimento do transporte de massa, ciclovias, etc. Combatemos também a privatização das cidades e de seus espações públicos como praças, ruas, etc.

População de Rua
A organização da Copa do Mundo tem uma política social para a população de rua: abandono das políticas integradas, fechamento de equipamentos de assistência social (albergues e abrigos) e o aumento da violência e repressão das forças da segurança pública (Guarda Civil, Polícia Militar, etc.). O intuito é expulsar e coibir a população de rua das regiões centrais das cidades-sede da Copa do Mundo, gerando clima de insegurança e medo do que pode ocorrer antes, durante e depois dos jogos. Pelo fim do recolhimento e internação compulsórios.

Copa das Mobilizações
Diante de todo este cenário de violações e demandas concretas das comunidades e populações atingidas, é necessário fazer desta a Copa das Mobilizações. Não queremos a violência do Estado, mas a garantia e o fortalecimento dos direitos. Estar nas ruas durante a Copa do Mundo é um ato de fortalecimento da democracia e de avanço de um novo modelo de país que avance na participação direta do povo e na construção de políticas públicas efetivas em favor da justiça e igualdade social. Conclamamos a população a fazer desta a Copa das Mobilizações, mostrando ao mundo a força e a alegria do povo brasileiro em luta!

“Copa sem povo! Tô na rua de novo!”

Só a luta transforma!!

#copapraquem

ANCOP – Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa 

sábado, abril 13, 2013

Por que nós, socialistas, temos que ser contra a redução da maioridade penal?








"Ivan Karamazov diz que, acima de tudo o mais, 
a morte de uma criança lhe dá ganas de devolver
 ao universo o seu bilhete de entrada. 
Mas ele não o faz. Ele continua a lutar e a amar; 
ele continua a continuar."
Marshall Berman


Em 1993, apenas três anos após a aprovação do ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) -, foi apresentada uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) com o sugestivo número 171, que propunha a redução da idade para responsabilidade penal. Depois dessa, em quase todos os anos (1995,96,97,99,2000,01,02,03,04,05,07,08,09,11,12) foram apresentados PECs e PLs (Projetos de Lei) com igual ou pior teor. Foram aproximadamente 30 propostas em 23 anos de ECA.

Infelizmente, os sucessivos debates em torno da redução da idade para a responsabilidade penal nunca apontaram no sentido de aprimorar a lei, mas no sentido de desqualificá-la. Cabe, então, questionar por que um estatuto da importância do ECA já sofria tantos ataques 3 anos após a sua aprovação, pois esse questionamento é fundamental para que a esquerda combativa possa fazer a defesa dos princípios do ECA. E para isso precisamos compreender que princípios são esses.

Até a aprovação do ECA, a infanto-adolescência filha da classe trabalhadora era tratada como caso de polícia ou de justiça. Havia uma diferenciação clara do modo como a Justiça tratava os filhos e filhas da burguesia e os filhos da classe trabalhadora.

Os filhos da burguesia, já conceitualmente, eram reconhecidos como crianças e adolescentes e em qualquer problema legal que tivessem eram atendidos pela Vara da Família. Já os filhos da classe trabalhadora eram controlados pelo Juizado de Menores, que pela sua respectiva concepção de quem eram os seus atendidos, convencionou chamar os filhos dos trabalhadores de "di menor", categorizando a infância e adolescência em duas: os filhos da burguesia e os filhos dos trabalhadores.

Estes últimos, além de perseguidos, não eram alcançados pelas políticas públicas, que era exclusividade dos filhos da burguesia. Os filhos dos trabalhadores eram compulsoriamente criminalizados, institucionalizados e tinham os seus passos controlados permanentemente pela polícia e os auxiliares dos Juízes de Menores, os famosos Comissários de Menores, que controlavam a vida dos petizes "desajustados" do sistema.

Com a aprovação do ECA foi rompida essa categorização de infâncias e passou-se a tratar universalmente crianças até 12 anos de idade e adolescente até 18 anos incompletos.

É importante que prestemos atenção que os poucos direitos dos filhos da classe trabalhadora foram conquistados com muita luta e lentamente. Um deles, por exemplo, foi em relação a proteção contra a exploração no trabalho , o processo de "industrialização" no Brasil, que se deu principalmente pelo setor têxtil, a mão de obra usualmente utilizada era a das crianças e adolescentes, que comumente começavam a trabalhar entre os 8 e 10 anos e encaravam uma carga horária de 14 a 18 horas por dia. Essa foi uma pauta de reivindicação das greves de 1916 a 1921 e, mesmo assim, nunca foram cumpridas.

Para exemplificar com um caso muito debatido hoje, a PEC do trabalho doméstico, em 2011, constatou-se que existiam 250 mil crianças e adolescentes exploradas pelo trabalho doméstico (dados do IBGE). Aqui não façamos confusão: atividades domésticas com exploração de trabalho doméstico, confusão que a direita adora criar para desqualificar a denuncia dessa exploração. E sabemos que 95% são meninas e cerca de 75% delas são negras. E esse é somente um pequeno recorte da real situação.

Se esse direito de não ter a força de trabalho explorada, que foi uma conquista da classe no começo do século passado, não é respeitado, é de se imaginar que os outros, que só recentemente foram assegurados pelo ECA, em um momento de retrocesso conservador e que tem sido atacados duramente, dificilmente serão efetivados.

Uma questão para refletirmos é que normalmente temos o discurso de que a categoria infância e adolescência é uma categoria burguesa, talhada pela burguesia para inserir esse segmento no mercado consumidor. Essa premissa pode até ser correta, mas por outro lado não se pode esquecer que os direitos da infância estão associados diretamente às conquistas dos direitos das mulheres, já que a conquista dos seus direitos impunha uma nova conjuntura, que colocava em sua agenda políticas publicas como saúde, educação, creche, entre outras, pressionando para que essas tivessem tratamentos adequados, uma vez que o privado passou a ser público, impondo a necessidade de um olhar público e coletivo, diferente do que havia até então.

Esse talvez tenha sido o momento mais importante do reconhecimento da criança e adolescentes, visto que precisavam ser reconhecidos por suas especificidades e ao mesmo tempo respeitados por seu momento de vida.

Os direitos sociais que incluem a infância, em sua maioria, são conquistas recentes, principalmente no período da Constituição e pouco depois, um elemento importante, advinda do reconhecimento da fragilidade no cuidado com as meninas e meninos, uma vitória marcante foi considerá-los prioridade absoluta em todo o processo de organização e estruturação da sociedade.

Claro que nessa decisão havia uma lógica reformista, mas mesmo dentro dessa lógica reformista os principais beneficiários pela universalização da política pública foram os filhos da classe trabalhadora, que passaram a ter acesso aos serviços públicos.

Também é importante compreender que os ataques aos direitos conquistados vieram dentro do bojo da resistência à garantia de serviços públicos para o povo, portanto o ECA e os direitos dos meninos e meninas estavam na contramão daquele momento histórico que apresentava diversas contradições em relação à lei, já que o presidente (Fernando Collor) que sancionou o estatuto era o principal arauto do Estado mínimo e o responsável pela introdução do neoliberalismo no Brasil. Logo, o ECA foi aprovado pelas mãos erradas e se poderia dizer, pelos motivos errados, já que era a única iniciativa voltada a infância e adolescência durante o seu governo e, vale lembrar, nem sua foi, ao contrario, sofria resistência da sua parte, pois havia sido construída pelos movimentos que atuavam com a pauta da defesa dos direitos humanos das crianças e adolescentes.

Collor tomou a iniciativa de sancionar a lei que estava engavetada devido à proximidade da realização da Cúpula Mundial para a Infância (1990), na qual o Brasil iria sofrer duras criticas que fragilizariam ainda mais a sua débil condição interna. Sua decisão, portanto, não foi por convicção, mas sim pela pressão que sofria naquele momento.

Desse modo, o centro do debate não é a redução da idade para a responsabilidade. Essa é a fumaça que a burguesia joga para esconder o debate real, e que, infelizmente, encontra um enorme espaço na sociedade. Infelizmente, hoje os trabalhadores são vítimas da indústria do consenso que a burguesia tem criado se aproveitando do baixo nível de consciência de classe, que não se entende como classe em si e, portanto, que adere à cultura burguesa retribuitiva, cujo objetivo é manter o controle sobre os filhos dos trabalhadores.

Um dos exemplos mais visíveis é um dos crimes mais bárbaros e chocantes que aconteceu no último período: o assassinato do índio Galdino, o líder Pataxó Galdino Jesus dos Santos, como era conhecido, queimado cruelmente enquanto dormia. Passados exatos 16 anos, se fizermos uma pesquisa despretensiosa, veremos que os envolvidos (alguns adolescentes) estão bem, empregados e paira um silêncio sepulcral da mídia. Por que isso? Porque esses jovens eram filhos da burguesia brasiliense.

A justificativa dos juízes sempre são mais adequadas à sua origem social, que os adolescentes burgueses têm famílias estruturadas e os da classe trabalhadora não!

Voltemos, então, para o cerne do debate: a primeira é sobre a farsa do aumento da violência, o total dos crimes graves cometidos pelos adolescentes, nunca chegaram a traço se comparados aos adultos, mas, se assim o é, porque existe toda uma mídia em torno de atos praticados por adolescentes. Desde a década de 90, o jornalista José Arbex, professor da PUC São Paulo, tem denunciado que existe um complô nas redações contra os adolescentes, que indica que qualquer ato que envolva adolescente a pauta tem que aumentar. No jargão do jornalismo, aumentar a pauta é dar mais destaque para essas situações, logo, esse destaque aumenta a sensação de insegurança que é provocada pelos adolescentes.

Segundo ponto importante: o ECA nunca foi implantado no Brasil, legislação que, efetivada, garantiria políticas preventivas que respondessem às necessidades da infanto-adolescência. Ao contrário, a lei, além de não ser implantada, foi sendo mudada para pior, não cumprindo o seu papel. As vítimas reais foram crianças e adolescentes. Por exemplo, o Brasil é o 4º pais do mundo quando o assunto é violência contra as crianças e adolescentes. Entre 1980 e 2010, aumentou em 346% o número de mortes de crianças e adolescentes, segundo o Mapa da Violência 2012.

Terceiro: a farsa da redução da idade para que um adolescente possa ser criminalizado, segundo DEPEN (Departamento Penitenciário Nacional) em 2011, 56% dos encarcerados estavam na faixa de 18 a 29 anos, na prática a redução já está em vigor – e nem precisamos aqui debater qual a classe social e a etnia dessa população carcerária. O Brasil é hoje o 4º país que mais encarcera no mundo. São mais de meio milhão de encarcerados.

O que deseja essa redução? Por que isso não é claramente debatido?

Constatado quem são as vítimas desse processo violento de criminalização de todas as ordens, é necessário discutir aquilo que ninguém discute: qual intencionalidade por trás desse debate?

Por que é importante não efetivar o ECA ou o que ainda resta dele? Por que é importante encarcerar os filhos dos trabalhadores, cada vez mais cedo? Por que as centenas e milhares de mortes dos filhos da classe trabalhadora não provocam tanta comoção para pedir a prisão dos governantes por não garantir as condições de dignidade de vida prevista no ECA?

O Estado burguês nunca assumiu o compromisso com os filhos do povo e sim com os da burguesia. Desse modo, a universalização da política não foi uma convicção e sim uma concessão em momento de ascenso da classe trabalhadora, ou seja, esse não é um projeto da burguesia brasileira e combatê-lo parece-lhe natural. Aqui diria que se a burguesia tivesse uma insígnia, essa seria a de "nenhum direito a mais!".

Se não pensarmos esse processo de encarceramento dentro da lógica do capital, sua necessidade de exploração e reprodução, também não entenderemos por quê se encarcera em massa. O encarceramento em massa se insere dentro dessa lógica, pois ao ter um enorme contingente de encarcerados é possível explorar a sua mão de obra da forma mais precarizada possível, instituindo assim, um Estado penal como o dos EUA. Por isso, encarcerar jovens é um objetivo, já que se trata do período da vida mais produtivo do indivíduo. Isso sem contar com a não responsabilidade de cumprir os demais direitos sociais do trabalhador (saúde, educação, moradia, etc).

Hoje, nas grandes e médias cidades do Brasil, as periferias estão sitiadas. A imprensa burguesa não faz nenhuma questão de esconder: apresenta em horário nobre a população periférica, em especial a juventude, sendo achacada e morta pelo aparato de segurança pública do Estado. É visível que se trata de uma propaganda da lógica do encarceramento em massa, visto que a imprensa não pauta a necessidade de resolver os problemas relacionados à forma de coerção, contenção e morte da juventude trabalhadora e nem promove minimamente debates com tamanha proporção que a morte de um filho da pequena burguesia provoca.

Esses são alguns dos argumentos que tem que fortalecer nossa convicção socialista de que a redução da idade (que na prática já ocorre) não resolverá os problemas de segurança pública pelos quais passamos, já que qualquer política de segurança exitosa reforçaria as políticas sociais e não recrudesceria a relação com a juventude. Entretanto, como as políticas sociais alcançariam os filhos do povo, essas não são reforçadas e passamos por um processo de desmonte desastroso.

Outro aspecto importante é que esse debate tem sido colocado com muita intensidade pelo PSDB e em especial (não eximindo a responsabilidade do governo federal petista) pelo governador Geraldo Alckmin, não sem sentido, já que o estado de São Paulo é o maior violador dos direitos humanos das crianças e dos adolescentes e o principal ideólogo dessa política de segurança que massifica e recrudesce a relação com a juventude. Não nos esqueçamos de que há 6 meses, na posse de quase 200 delegados de polícia, Alckmin afirmou em discurso que o principal objetivo daqueles recém-empossados deveria ser o recrudescimento contra a juventude. Não esqueçamos, ainda, que Geraldo Alckmin foi o introdutor da política de tolerância zero, que levou à explosão do sistema penitenciário e possibilitou a criação de diversos grupos criminosos, inclusive no próprio aparato de segurança do Estado.

A reflexão que temos que fazer é porquê não se respeita o mínimo que está previsto na lei, nem mesmo o mínimo de políticas básicas (saúde, educação, assistência, moradia, cultura, esporte e lazer) e se introduz tão terrível mudança na vida dos meninos e meninas filhos dos trabalhadores e trabalhadoras?

Não vou discutir as mudanças que foram introduzidas na lei (ECA), pois precisaria de espaço igual ou maior que esse para essas reflexões, que foram ruins, que rebaixaram a interpretação e a sua força inicial, mas reduzir a idade seria a autorização para agravar ainda mais a já agravada e incerta vida dessa juventude.

Nenhum socialista pode ter dúvida de que lado deverá estar nesse debate, porque somos depositários desse legado humanista que a classe tem se confrontado para defender, e sonha que um dia venha a ser o projeto vencedor. Esse projeto, que inclui um olhar diferenciado sobre os meninos e meninas, criará todas as condições para que ela possa ser atendida, cuidada e olhada em todas as suas necessidades, e a entenderemos naquilo que ela é e não o que não é. Essa sociedade não permitirá que nós, os adultos, nos confrontemos com a infanto-adolescência ou muito menos nos omitamos das nossas responsabilidades para com os nossos filhos e filhas, que serão os herdeiros e perpetuadores desse legado de liberdade, igualdade e generosidade.

Nós não podemos ter dúvida de colocar em todas as lutas em que estamos inseridos, principalmente nas lutas por direitos sociais, a luta Contra a Redução da Idade Penal dos filhos da Classe Trabalhadora. Não podemos esperar que a burguesia assuma esse papel. Essa tarefa nos pertence, na medida em que serão nossos filhos e filhas que pagarão o preço das consequências do que tem sido provocado pelo capitalismo.

Nós, Socialistas, gritamos! 
Não à Redução da Idade para a Responsabilidade Penal! 
Sim à saúde, moradia, educação, cultura, lazer e assistência social!

FONTE: Diário Liberdade / Givanildo Manoel, "Giva"


sexta-feira, abril 05, 2013

200 famílias extrativistas no Pará vivem isoladas sem acesso a serviços básicos de saúde








Um adolescente morreu no último fim de semana depois de ser picado por um escorpião. Populações tradicionais da Terra do Meio (PA) não têm um Sistema de Saúde que dê conta de seu isolamento geográfico.


Cerca de mil extrativistas da Terra do Meio, no município de Altamira, no centro do Pará, dispersos em mais de dois milhões de hectares de Reservas Extrativistas (Resex), vivem sem serviço público de saúde. Os pedidos de resgate de emergência são feitos por rádio e só em horário comercial. O hospital público mais próximo, em Altamira, fica a uma distância que pode chegar a quatro dias de barco.

A prefeitura da cidade está sem condições de lidar com o aumento da demanda extra no sistema de saúde com a vinda de 50 mil novos moradores atraídos pela construção da hidrelétrica de Belo Monte, deixando os extrativistas, que vivem no município, ainda mais vulneráveis, sem a atenção mínima necessária. Este é o cenário em que vivem as pessoas responsáveis por conservar a floresta numa região que é palco de um dos maiores conflitos fundiários do Brasil (veja o Especial sobre a Terra do Meio).

Antônio Rocha, o "Tonheira", e toda família estavam coletando açaí e patauá na floresta. Um dos irmãos, Valdeci, 19 anos, foi picado por uma cobra. "Quando ele desceu do pé de patauá sentiu a picada", conta Lindomar Rocha, irmão mais velho. O pai carregava apenas uma dose do elixir conhecido por "específico pessoa". O filho igeriu-o imediatamente. A substância é usada pela população regional na ausência do soro antiofídico.

No caminho de volta, outro acidente: Francenildo, 13 anos, foi picado por um escorpião. "Já não tinha mais o que fazer, nós só tínhamos uma dose do específico", lamenta o irmão mais velho, que viu Francenildo morrer no mesmo dia.

A família mora na Resex Riozinho do Anfrísio e vive da extração e comercialização de óleos da floresta, da produção de canoas, remos e cestos, pesca, castanha e outros produtos. Também foi protagonista de um programa da série "Florestabilidade", do canal Futura (veja o vídeo).

A Terra do Meio é uma das regiões mais importantes para conservação da diversidade socioambiental da bacia do Xingu (leia o atlas "De Olho na Bacia do Xingu"). Cerca de 90% de seu território ainda estão bem conservados graças às populações ribeirinhas e indígenas que vivem ali há gerações, usando de conhecimentos tradicionais para extrair da floresta tudo o que a floresta é capaz de recompor.

Valdeci recebeu alta, nesta terça-feira, do hospital municipal de Altamira. O jovem recebeu atendimento depois de uma complexa operação de resgate, que durou toda a sexta-feira santa e envolveu o Ministério Público Federal (MPF), ISA, Secretaria de Saúde de Altamira e Polícia Militar.

A procuradora do MPF Thais Santi visitava a região para verificar justamente a situação de saúde e educação local. Na manhã de sexta-feira (30), ela conseguiu, por sorte, comunicação com um operador de rádio em Altamira e a liberação de um helicóptero da polícia militar, que buscou o adolescente em uma Terra Indígena (TI) próxima.

Unidades de saúde não funcionam

Nos últimos anos, o ISA, a partir da demanda da comunidade e de termo de cooperação assinado com a prefeitura, captou recursos por meio de projeto com o Fundo Vale e construiu três Unidades Básicas de Saúde (UBSs) nas Resex do Rio Iriri, Rio Xingu e Riozinho do Anfrísio. Segundo o acordo, o município é responsável pelo funcionamento das unidades e contratação de técnicos de enfermagem. "No ano passado a prefeitura até recebeu currículos indicados pelas comunidades de técnicos de enfermagem, mas, no fim, não foram contratados e aí mudou a prefeitura e começamos tudo de novo" diz Raimundo Belmiro, presidente da Associação de Moradores da Resex do Riozinho do Anfrísio.

O Secretário de Saúde de Altamira, Waldeci Maia, atribui a dificuldade em contratar os três enfermeiros à construção de Belo Monte. Segundo ele, muitos profissionais foram absorvidos pela obra. "É difícil encontrar profissionais qualificados e dispostos a morar em áreas isoladas, além disso, a prefeitura não consegue competir com os salários pagos pela Norte Energia", explica.

"Estou elaborando uma recomendação para as secretarias pedindo que as unidades que estão prontas nas RESEX sejam instrumentalizadas imediatamente e essas populações parem de ser brutalmente violentadas pela ausência de serviços públicos de saúde. Caso contrário, vamos partir para a esfera criminal", relata Thais Santi.

"UBSs implantadas com técnicos de enfermagem são elementos importantes, mas são necessários outros investimentos aliados a isso para garantir o mínimo de condições para atenção à saúde dessas populações" diz Marcelo Salazar, coordenador adjunto do Programa Xingu do ISA.

Em 2012, foi aprovado no comitê gestor do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável (PDRS) do Xingu um projeto da prefeitura de Altamira para construção de duas novas UBSs e recursos para logística de técnicos de enfermagem e resgate, além de recursos para formação de extrativistas na área de saúde. O projeto é orçado em R$ 470 mil e está pronto para ser executado. Com um projeto da Associação de Moradores do Riozinho do Anfrísio, aprovado pelo PDRS em 2012 e já executado, foram compradas três voadeiras (barcos rápidos) para uso em casos de emergência nas Resex.

Em 2010, na impossibilidade de lidar com a complexidade da promoção da saúde para essa população, a prefeitura de Altamira obteve recursos do Programa de compensação de especificidades regionais do Ministério da Saúde para, a cada três ou quatro meses, fazer resgates e enviar expedições com equipes de saúde.

Subsistema de saúde

"Mortes por picadas de cobras, malária e câncer de colo de útero são frequentes na região e podem ser evitadas com uma estrutura simplificada de saúde", explica o médico Douglas Rodrigues, que elaborou um diagnóstico de saúde nas Resex.

Um plano de ação foi elaborado a partir do diagnóstico, juntamente com técnicos da prefeitura e lideranças das comunidades locais. Ele sugere compra de voadeiras, contratação de horas de voo para resgate, técnicos de enfermagem, enfermeiros, dentistas e outros profissionais, além da aquisição de equipamentos para funcionamento das UBS que já estão prontas. O diagnóstico sugere ainda a capacitação para a formação de agentes de saúde locais.

Para Rodrigues, contratar profissionais que permaneçam por muitos anos nessas regiões é uma tarefa quase impossível de ser conseguida. Ele acredita que, no médio prazo, é possível treinar a própria população local para promover a saúde. "Treinando agentes, nós precisaríamos de apenas três enfermeiros (ou seis em rodízio, ficando três meses no posto de saúde e três meses em Altamira), um dentista, um médico e um enfermeiro realizando expedições a cada três meses em cada região", sugere o médico.

No dia 24 de abril, está prevista em Altamira uma reunião para discutir a criação de um subsistema de saúde para essas populações na região. Devem participar os governos federal, estadual e municipal, além de representantes das associações das Resex, Ministério Público Federal e organizações da sociedade civil.

"Esse subsistema deve considerar as características da região, a situação de isolamento, o perfil das endemias regionais e as características culturais dessas populações extrativistas, como já acontece com os povos indígenas", defende André Villas-Bôas, secretário executivo do ISA.

FONTE: DIÁRIO DA LIBERDADE

quarta-feira, março 27, 2013

Brasil - arremedo de democracia











A Polícia Militar, grupo de pistoleiros investidos de autoridade policial pelos governos estaduais e garantidos pela Constituição, existe em todos os estados, protagonizou hoje um dos mais estúpidos dentro os constantes atos de barbárie que pratica contra trabalhadores, as chamadas minorias, ao retirar a força índios da Aldeia Maracanã e reprimir, em frente à Assembléia Legislativa, suposta casa do povo, manifestantes contra o cãozinho de Eike Batista, o governador Sérgio Cabral.
Cabral é o mesmo que aparece em fotos embriagado com a mulher mostrando um sapato de cinco mil dólares, numa viagem de "negócios" a Paris, pago por um empreiteiro e genro de um dos maiores operadores de transportes do Rio, além de amigo de Luciano Huck, de quem legalizou uma casa ilegal numa encosta em Angra dos Reis,

Que a Polícia Militar é formada de esbirros dos governadores todos os trabalhadores sabem. Que é intrinsecamente corrupta e associada ao tráfico de drogas todos os brasileiros sabemos. Que é uma aberração num estado democrático, todos temos consciência.

O prédio que Sérgio Cabral, na coleira de Eike, quer demolir se presta a obras para a copa do mundo, num País governado pela FIFA, onde até a presidente da República reverencia Joseph Blatter e estende tapete vermelho para o presidente da entidade, foi doado pelo Duque de Saxe, em 1865 para pesquisas sobre a cultura indígena, acolheu o Museu Indígena até 1977 e foi ocupado por famílias indígenas em 2006.


Cabral quer obras, vai demolir o prédio e para isso não hesita em tratar humanos como objetos, mesmo porque a propina deve ser das melhores, a área é nobre e empreiteiras pagam bem, pagam sapatos de cinco mil dólares e viagens a Paris.

Que policiais militares não têm consciência de classe e são formados na boçalidade é o sentido e o objetivo dessas corporações. Que atos de violência como o de sexta-feira, 22, no Rio, são comuns contra trabalhadores, minorias, é fato corriqueiro.

Servem como esbirros às elites em qualquer estado.

Somos o País da copa. Arranjo de Lula em suas políticas populistas, o afã de conquistar votos.

O Brasil é um arremedo de democracia. Um professor foi arrastado pelo pescoço por quinze metros e o fato registrado por jornalistas do mundo inteiro.

Num País onde as "coisas" funcionam Cabral seria cassado, seu impedimento seria votado, além dessa, outras várias razões existem.

A Assembléia, o poder popular, no entanto, está no bolso, a grande maioria, do governador, como o Congresso de Marco Feliciano, ou Blairo Maggi, ou Paulo Maluf, ou esse novo Collor que surge no Nordeste, Eduardo Campos.

O espetáculo da sexta-feira foi deprimente, revelou um caráter subalterno e corrupto do governo, expresso na violência da Polícia, sempre com respaldo do Judiciário. Foi assim em Pinheirinhos, tem sido assim sistematicamente.

O fato teve proporções tão graves de tão bárbaro que repercutiu na imprensa mundial.

E existe ainda quem glorifique um batalhão de assassinos, o BOPE – BATALHÃO DE OPERAÇÕES ESPECIAIS -, especializado em achaques a traficantes, assassinatos e toda a sorte de boçalidades possíveis.

Polícia Militar é uma aberração como dito, mas aberrações maiores são nossos governantes.

Ou se organiza a reação popular ou seremos sempre vencidos, pois não há nas elites que nos governam o menor respeito e nem intenção, de tal ao povo, aos trabalhadores.

São medievais por natureza.

A repressão a manifestantes contra a demolição da Aldeia Maracanã é um momento que vai ficar marcado na história, como aos poucos vai sumindo o Rio, outrora cidade maravilhosa.

FONTE: Diário Liberdade / Laerte Braga

sexta-feira, maio 18, 2012

18 de MAIO: "Caso Luana Pepe" Um Ano sem Solução

No dia 07 de maio de 2011, um sábado, ainda pela manhã, Luana Pepe uma menina de 14 anos de idade, de hábitos regulares e conhecidos, de poucos amigos, que sonhava ser médica, moradora do bairro Areal, estudante do Colégio Monsenhor Queiroz, no centro de Pelotas, R.S, saiu de sua casa para ir assistir uma palestra em seu colégio.

No caminho entre sua casa e o colégio, Luana sumiu.

Terça - Feira, 17 de maio de 2011,em torno das 17 horas, em uma vala, dentro de um terreno baldio localizado nas proximidades do encontro da rua General Argolo com a Avenida J. K. de Oliveira, o corpo de Luana Pepe é farejado por dois cães que correram para o matagal levando atrás de si seus donos que se depararam com o corpo morto da menina de bom comportamento atestado por seus vizinhos mais próximos que a observavam sempre no único caminho que então percorria, que levava de casa ao colégio e depois no trajeto de volta. Corpo morto da menina que sonhava ser médica.

Causa da morte: Traumatismo craniano encefálico. 

Entre o 07 e o 17 do maio do ano passado, muitas foram as informações recebidas pela família e pela polícia, que davam conta de possíveis paradeiros onde Luana, talvez pudesse ser encontrada, ou locais por onde ela, talvez tivesse passado. Estas informações levaram as investigações policiais por direções diversas.  A família, o pai, conseguiu a relação das últimas ligações recebidas e feitas por Luana e mandou o notebook da menina para uma empresa capacitada a investigar as conversas feitas nas redes de relacionamentos. À época tudo isso se mostrou infrutífero. 

Hoje, 18 de maio de 2012, mais um Dia Nacional de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, o que sabemos sobre o assassinato de Luana é que não há suspeito para o crime, isto reforça o sentimento do paí de Luana de que "este crime não vai ter resposta".

Nós aceitaremos isso?

FONTE: DOM OBÁ