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quinta-feira, maio 06, 2010

Time de futebol defende os direitos das lésbicas na África do Sul

Equipe de mulheres homossexuais luta contra a discriminação.
Violência contra gays e lésbicas é grande no país da Copa do Mundo.





Um time de futebol formado exclusivamente por lésbicas luta contra a discriminação e pelos direitos dos homossexuais na África do Sul. O “Chosen few” joga com talento e entusiasmo em um campo cheio de lama próximo ao Tribunal Constitucional, no centro de Joanesburgo.

"A gente queria treinar em outros lugares", disse Lerato Marumolwa, uma das melhores jogadoras do time, apontando para um bem cuidado campo verde a 500 metros dali. "Mas eles simplesmente não nos deixam entrar."

Essa frustração é menor em comparação com o chamado "estupro" corretivo, homicídio, ofensas e agressões que as lésbicas da África do Sul têm sofrido frequentemente, mesmo após o fim do apartheid e a proibição da discriminação em razão da orientação sexual.

Mais de 30 lésbicas foram assassinadas na última década na África do Sul, de acordo com um relatório da ONG britânica ActionAid. O documento diz ainda que no ano passado houve uma tendência crescente de ataques homofóbicos e assassinatos cometidos por homens que acreditavam que poderiam "curar" as lésbicas.

Marumolwa, de 21 anos, e suas companheiras de equipe, são mais do que apenas jogadoras de futebol. Elas estão envolvidas em uma campanha para derrubar o preconceito contra as lésbicas negras, que são maioria nas cidades onde elas vivem.

Um caso famoso aconteceu em 28 de abril de 2008: a jogadora de futebol sul-africana Eudy Simelane foi estuprada e assassinada com 25 facadas em um bairro na periferia de Joanesburgo. A comunidade homossexual sul-africana fez pressão sobre o julgamento dos acusados. Dois dos quatro acusados foram condenados a mais de 35 anos de prisão.

O “Chosen Few” foi lançado em 2004 pelo Fórum para os Direitos das Mulheres (FEW) e as jogadoras dizem que o time se tornou um refúgio para elas, em contraste com o perigo e os preconceitos que sofrem nas ruas.

“Nas ruas somos discriminadas, espancadas e estupradas. As pessoas nos xingam. Aqui o time é a minha família. Aqui eu me sinto em casa, posso ser eu mesma”, diz Marumolva.

O time ganhou medalha de bronze nos Jogos Gays disputados em Chicago em 2006 e em um torneio internacional de uma associação de futebol para gays e lésbicas disputado em Londres, Inglaterra, em 2008. Após a Copa do Mundo da África do Sul, em junho, as jogadoras vão defender o país nos Jogos Gays que serão realizados na Alemanha em julho e agosto.

Phindi Malaza, gerente do “Chosen Few”, disse que a organização foi criada como um espaço para lésbicas negras para combater a homofobia nas favelas.

"Um dos objetivos da equipe é que elas fazem palestras sobre crimes de ódio. Elas não apenas jogam bola, mas também lidam com os temas de direitos dos homossexuais.”

Malaza diz que quase todo o financiamento vem do exterior e não há apoio do governo sul-africano, "Eu sinto realmente não há apoio do governo ou da liderança política. Você nunca vê qualquer condenação por crimes de ódio".

A África do Sul destaca-se no continente com sua política de proteção aos direitos dos homossexuais. Foi o primeiro país africano a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em muitos outros países da África, a homossexualidade é ilegal. No entanto, para a gerente do time do futebol ainda há muito o que lutar. “Temos uma constituição que garante os nossos direitos, mas ainda há muito trabalho que a ser feito para que as pessoas compreendam e respeitem o que esta constituição diz. "

As jogadoras afirmam que existem homossexuais em outras equipes femininas da África do Sul, mas só no "Chosen Few" esta orientação sexual é assumida e difundida.

FONTE: G1/ Reuters

terça-feira, maio 04, 2010

Fifa anuncia artistas sul-africanos para show na Copa

Masekela, Freshlyground e o Soweto Gospel Choir (foto) vão se juntar a nomes como Black Eyed Peas





A Fifa decidiu rever a lista de artistas para o concerto de abertura da Copa do Mundo na África do Sul após ser criticada por ignorar artistas locais. Assim, nesta terça-feira, a entidade anunciou a inclusão de músicos sul-africanos, como Hugh Masekela. A Fifa e a produtora Control Room disseram que Masekela, Freshlyground e o Soweto Gospel Choir vão se juntar aos renomados artistas internacionais definidos anteriormente, como Shakira e Black Eyed Peas, para o concerto, no dia 10 de junho, em Soweto.

O Mzansi Youth Choir, baseado em Soweto, e o artista de hip hop da Somália K'Naan, que vive no Canadá, também foram incluídos no show. A Fifa e os organizadores tem tratado a competição como "uma Copa do Mundo Africana", mas a entidade e a Control Room causaram revolta na África do Sul quando anunciaram os artistas que iriam participar do concerto, com destaque para Shakira, Black Eyed Peas, Alicia Keys e John Legend.

Na ocasião, o ministério das Artes e da Cultura classificou a programação inicial como "inaceitável" e pediu para que mais artistas do país fossem selecionados. Agora, a Fifa tem a expectativa de diminuir as reclamações com o anúncio desta terça-feira.











FONTE: CORREIO DO POVO

segunda-feira, abril 26, 2010

África do Sul lança campanha de combate à Aids a menos de dois meses da Copa do Mundo

A menos de dois meses da Copa do Mundo de Futebol que será realizada na África do Sul, o presidente sul-africano, Jacob Zuma, lançou hoje (26) a maior campanha já realizada no país para o combate a doença. As estimativas indicam que cerca de 5 milhões de sul-africanos estão contaminados pelo vírus HIV que atinge crianças, jovens e adultos.

Zuma disse que o objetivo da campanha é alcançar a 15 milhões de pessoas e garantir o tratamento de pelo menos 80% dos portadores do vírus HIV. A iniciativa estimula que as pessoas se submetam gratuitamente ao teste anti-HIV e recebam preservativos também de graça.

A direção do Programa Conjunto das Nações Unidas informou que a população sul-africana é a que registra o maior número de contaminados pelo vírus HIV no mundo. Os últimos dados mostram que 18% dos adultos do país estariam contaminados.
“A África do Sul pode acabar com a trajetória da epidemia do vírus HIV”, disse o diretor-executivo do programa, Michel Sidibé.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que é vinculada às Nações Unidas, há cerca de 33,4 milhões de pessoas infectadas pelo vírus da Aids no mundo. Deste total, 25,3 milhões vivem no continente africano. Só na África do Sul há cerca de 420 mil crianças que perderam seus pais em decorrência da doença.
FONTE: AGÊNCIA BRASIL

quarta-feira, abril 07, 2010

ANC restringe canções que incitem à 'polarização racial'

Na África do Sul, o governante Congresso Nacional Africano lançou um apelo para que membros do partido evitem cantar canções do período da luta anti-Apartheid com palavras que possam contribuir para o que chamou polarização racial.

Um comunicado emitido pelo partido frisa que não se trata do banimento de quaisquer canções e nem menciona nomes.

Mas segundo o correspondente da BBC, o comunicado é dirigido ao presidente da Liga da Juventude do ANC, Julius Malema.

Malema é acusado de estalar a tensões raciais depois de ter cantado "matem o Boer", uma canção da época do Apartheid.

Apoiantes do líder de supremacia branca, Eugene Terreblanche, que foi assassinado no último fim-de-semana, defendem que o acto teria contribuído para a sua morte.

O ANC rejeitou a notícias veiculadas pela Imprensa local sobre um encontro, esta terça-feira, entre o secretário-geral do partido, Gwede Matashe, o Presidente Jacob Zuma e Julius Malema.

FONTE: BBCÁFRICA

quarta-feira, março 10, 2010

Protestos se espalham na África do Sul a 3 meses da Copa

Moradores do subúrbio sul-africano de Soweto usaram grandes pedras para montar barricadas nas ruas nesta quarta-feira, em mais um protesto contra as condições de vida no país anfitrião da Copa do Mundo, que começa daqui a três meses e um dia.

De acordo com a polícia, cerca de mil pessoas fizeram uma manifestação por moradias nessa histórica e populosa "township" (periferia) próxima a Johanesburgo e ao próprio estádio Soccer City, cenário da abertura e da final da Copa.

"Os policiais foram ao local, conversaram com a multidão, e eles (os manifestantes) se dispersaram," disse a porta-voz policial Katlego Mogale. "A polícia está de olho na situação."

Em cenas que lembravam a época do apartheid, favelados queimaram pneus e edifícios em vários episódios no ano passado, enquanto a polícia reagia com balas de borracha e jatos de água.

Durante o regime de segregação racial na África do Sul, os protestos em Soweto fizeram desse bairro um símbolo de resistência.

Na semana passada, um policial foi baleado e várias pessoas foram detidas durante manifestações violentas em vários subúrbios de Johanesburgo.

Os protestos se espalharam, e nesta semana chegaram à capital, Pretória, onde manifestantes exigindo melhores casas, escolas, estradas e saneamento ameaçaram perturbar a realização da Copa.

Nthamaga Kgafela, pesquisadora do Instituto Sul-Africano para as Relações Raciais, disse que os protestos cresceram desde a eleição, no ano passado, do presidente Jacob Zuma, cuja imagem de amigo dos pobres gerava uma expectativa de mudanças.

"Acho que isso é primariamente porque as pessoas sentiam que havia alguém lá (no governo) para ouvir," disse ela.

Analistas dizem que os protestos podem pressionar o partido governista Congresso Nacional Africano (CNA) a atender às reivindicações populares antes das eleições municipais previstas para 2011, e que podem se tornar uma espécie de barômetro para o apoio popular a Zuma.

"Não há uma força específica por trás desses protestos, são só pessoas completamente fartas das suas condições de vida," disse o analista político Nel Marais, da consultoria Executive Research Associates.

"Se estes protestos não forem controlados a eleição do ano que vem pode se tornar um enorme pesadelo, do ponto de vista de segurança e do ponto de vista político," afirmou.

Dezenas de milhares de pessoas participaram de protestos antes da eleição municipal anterior, em 2006, vencida por ampla margem pelo CNA.

FONTE: REUTERS