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quinta-feira, dezembro 19, 2013

OS BOIAS-FRIAS DO FUTEBOL








A Pública visitou o universo dos pequenos times e dos jogadores profissionais desempregados e subempregados que o Bom Senso F.C denuncia. Abuso é pouco, constatou.


Terça-feira de manhã, céu nublado, aquele “chove-não-chove” no ar. A reportagem da Pública está em Mauá, município da Grande São Paulo, para acompanhar um jogo de futebol sem torcida, estrelado pelo Grêmio Esportivo Mauaense, da Segunda Divisão do Campeonato Paulista, abaixo da Série A3. Com o objetivo de montar uma equipe para o próximo campeonato do primeiro degrau do futebol profissional, os jogadores de Mauá enfrentam um time de jogadores ainda mais frágeis: o dos desempregados, reunidos em uma equipe montada pelo Sindicato de Atletas Profissionais do Estado de São Paulo (SAPESP) para que eles possam manter a forma enquanto não voltam a jogar profissionalmente.

Ali não há fotógrafos, jornalistas, símbolos das federações, placas de publicidade. Ninguém está nas arquibancadas para vibrar pelas jogadas no campo deteriorado, cheio de entulho. Dois cachorrinhos brincam no fundo do “campo” do Estádio Pedro Benedetti, municipal, que fica escondido atrás de um distrito da Polícia Militar.

Mas não falta emoção em um jogo em que cada um luta por um lugar ao sol, pela remota chance de realizar o sonho de se tornar, ou continuar a ser, um jogador profissional de futebol. A Pública acompanhou a partida, vencida por 3 a 2 pelo Mauaense, assistiu a ótimas jogadas e ao golaço de Jorge, o craque do time vencedor, do lugar do quarto árbitro – privilegiadíssima posição em um estádio “de verdade”- e, como faziam os jornalistas esportivos de outros tempos, desceu aos vestiários para entrevistar os jogadores.

Não estávamos ali para fazer uma crônica da partida, mas para saber como é a realidade dos jogadores da base da pirâmide do negócio futebol. Saber o que esperam aqueles que não ganham salários milionários, não saem em capas de revista, nem vendem milhões de camisas com seus nomes estampados, cuja existência era ignorada pela mídia até recentemente, quando o movimento Bom Senso F.C – formado por atletas da Série A e B do Campeonato Brasileiro – girou os holofotes dos bons gramados para iluminar a dura realidade do mercado de trabalho de futebol brasileiro em que campinhos como o de Mauá e o desemprego como os atletas da equipe da SAPESP são bem mais numerosos que as camisas do times de elite.

A maioria dos garotos que encontramos nos chuveiros têm por volta de 20, 21 anos, “velhos” para iniciar a carreira no futebol, e estão longe de obter um contrato para valer em um clube profissional. Mas não desistiram do sonho como diz o meia-atacante Eddy Rocha, um baiano de 21 anos, da equipe da SAPESP: “Me indicaram pro time do sindicato aí e eu tô aqui agora, mantendo a forma pra me empregar”, diz. Antes de chegar ali, o morador do bairro da Plataforma, na periferia de Salvador, chegou a passar pelas categorias de base pelos principais times baianos – o Vitória e o Bahia – mas não conseguiu a vaga como profissional. Foi para Pernambuco jogar no Ferroviário do Cabo, time da segunda divisão pernambucana, uma experiência que ilustra um pouco pelo que passam os aspirantes ao futebol profissional.

“A gente não tinha cozinheiro, tinha que ir um rapaz entregar marmita pra gente: feijoada, saladinha e um suco, isso quando vinha. A gente dormia num tatame. Fizeram o pedido por beliche e não veio enquanto eu tive ali. Todo mundo ganhava um salário mínimo, que chegou a atrasar uns três meses. Só consegui me manter com a ajuda de um amigo de infância, de Salvador”, relembra Eddy.

Enquanto penava no Recife, Eddy recebeu de um empresário para participar de testes de dois times da Série A2 paulista , o Audax e o Grêmio Osasco, que pretendiam disputar o sub-21. Pela idade era a última chance de Eddy jogar nesse campeonato e ele se despediu da mulher e do filho de um ano no Recife e veio a São Paulo sozinho para tentar a sorte. A história, porém, era “uma barca furada”, como diz. Quando chegou, o período de testes tinha se encerrado e Eddy ficou sem chance e passou aperto até ser acolhido por um amigo em São Paulo. Não voltou para o Recife porque acha que lá ainda vai ser mais difícil realizar seu sonho. E aceitou as desculpas do tal empresário, que ainda tenta convencê-lo a assinar um contrato com ele. “Ele disse agora que quer fazer um DVD meu pra mandar pra uns clubes, me dar uma ajuda de custo. Mas é coisa só de boca né, aí fica difícil”, diz, relutante. Se nada der certo, Eddy, que estudou até a oitava série, diz que vai virar professor de Educação Física.

A VIDA DURA DO ATACANTE JORGE, O CRAQUE DA PARTIDA
Do lado do Mauaense, a coisa não vai muito melhor. O grande destaque da partida, o atacante Jorge de Araújo, de 26 anos, fez o gol de cobertura, e deu trabalho ao time adversário, com dribles, pivôs bem feitos e belas jogadas. Mas ele não conseguiu ir além no futebol profissional e agora o que o aguarda parece ser mais uma vez a Segunda Divisão paulista, pela qual disputou o campeonato deste ano pelo Mauaense por um contrato de três meses de 800 reais mensais. Que ainda não foram integralmente pagos.

Mas Jorge não desanima: “É aquela coisa. Três meses, mas nesses três meses você tem a chance de mostrar alguma coisa no futebol. É uma coisa precária, uma divisão muito difícil, mas a gente tá aí batalhando para conquistar o melhor. Quem sabe não aparece alguma coisa, alguém me vê jogar e eu posso ir pra um clube melhor?”.

O último salário dos três prometidos para o campeonato passado está atrasado, assim como o dos colegas de clube, que ganharam ainda menos: R$ 678,00, o salário mínimo. “Temos a promessa do nosso presidente, que falou que tá vindo o dinheiro, mas a gente continua esperando”, diz Jorge.

Para se manter num cenário de tanta instabilidade Jorge arrumou um bico: “Hoje eu tô trabalhando numa escolinha de futebol, dando aula pras crianças. Sou técnico de um time infantil também, fiz uns cursos aí. E tem a várzea né?”, conta. “Não gostaria de jogar na várzea, mas lá é dinheiro garantido, dinheiro na mão. Termina o jogo e tá lá o seu dinheirinho dentro do envelope. Aqui no profissional às vezes o mês tem 60, 80 dias. Então a gente não pode contar com o salário do mês. Aí a gente às vezes vai pra várzea, vai pra longe, faz de tudo aí pra se manter”, explica, referindo-se aos campeonatos de futebol amador, assim apelidados em São Paulo porque começaram a ser disputados nas várzeas dos rios paulistanos.

Hoje há campeonatos de várzea bem estruturados, como a Copa Kaiser, o principal campeonato amador da capital paulista que neste ano contou com 192 equipes em jogos que foram de março a outubro. “Na várzea, eu já peguei cinco mil pra assinar e mais 250 reais por jogo. É um dinheiro bom e sempre vem conforme o combinado. No profissional, muitas vezes eles te prometem um contrato e só pagam uma parte. O que vale mais a pena?”, pergunta Jorge, que foi campeão da Copa Kaiser deste ano pelo Leões da Geolândia, da Vila Medeiros, zona norte de São Paulo.

Como as premiações são pagas em dinheiro vivo, fica sempre a dúvida sobre suas origens. Mas fato é que a várzea funciona como alternativa ao vácuo de organização das divisões menores do futebol profissional. Jogadores que chegaram à Seleção Brasileira, como o atacante Leandro Damião, do Internacional, o volante Elias, atualmente no Flamengo, e o meia-atacante Denílson, este pentacampeão com o Brasil em 2002, jogaram a Copa Kaiser.

A falta de alternativas para quem busca ser profissional de futebol é tão grande para que os que ficaram fora das categorias de base dos times profissionais que alguns chegam a pagar – literalmente – para jogar, como conta Jorge, que já recebeu a indecente proposta. “Eu estava em Santa Catarina e um cara me pediu dez mil pra me colocar num time da Segunda Divisão do Catarinense. Aí eu fui pra lá, eu estava com dinheiro, mas eu vi que era uma barca furada e desisti”, diz. “Tenho amigos, por exemplo, que pagaram dez mil por um contrato de seis meses num clube. Só que aí eles vão lá, jogam, e acabam recebendo esses dez mil de volta nesses seis meses. Depois você vai embora, não é aproveitado. Fica tipo uma bagagem. Aí o cara fala: ‘Ah, eu joguei no clube tal…’ Jogou nada. Jogou porque pagou pra jogar”, afirma.

NA BASE DA PIRÂMIDE, TIMES SEM DINHEIRO NEM INCENTIVO
Por sua vez, o Mauaense sofreu um fracasso retumbante na Segunda Divisão Paulista. Nos dez jogos que disputou, perdeu oito e empatou dois, ficando em último lugar do grupo 08. Em termos de arrecadação, o desempenho também foi ruim: média de 96,5 torcedores pagantes por partida em casa e renda média por partida de R$ 859,25.

“O Mauaense precisaria de uns R$ 70 mil por mês para bancar atletas, comissão técnica, médico, material esportivo, viagem essas coisas. Eu gastei R$ 20 mil, que era o que eu consegui por um empréstimo com um amigo, de última hora. Tá muito deficitário, né? Relutei esse ano para não entregar o time na mão de um empresário”, conta o presidente do Mauaense, Marco Antonio Capuano, conhecido como Quinho.

Diante da fragilidade de muitos clubes profissionais e das cifras que giram em torno do negócio-futebol, muitos investidores se aproximam dos clubes menores. “Chega um empresário com dinheiro, sonhando com uma transação milionária [de algum jogador], e começa a arcar com as despesas do clube. Às vezes vende o jogador, o clube não leva nada, e depois de um tempo vai embora, geralmente deixando dívida pro clube pagar, como já fizeram com o Mauaense, principalmente trabalhista, porque os contratos são firmados com o clube e não com ele,”, resume o dirigente.

Na opinião de Quinho, o que falta para o Mauaense é visibilidade – termo que ele repetiu pelo menos quatro vezes na entrevista. “Quando as pessoas não enxergam aquilo que você está fazendo, fica difícil. Como eu vou chegar numa empresa aqui de Mauá se eles falam: ‘ah, mas você não dá retorno’? É isso que a gente precisa: retorno. Precisa a prefeitura de Mauá nos ajudar, abraçar o time da cidade, e a mídia local e a própria federação paulista fazerem um esforço maior de divulgação do que se faz aqui na Segunda Divisão”, opina. “A falta de público é falta de iniciativa”, diz. De quem? “De todos, mas principalmente da mídia, do poder público e da federação paulista”, resume.

A Pública procurou a Federação Paulista de Futebol para falar nessa reportagem, mas não obteve retorno da assessoria de imprensa.

QUANTO MAIS LONGE DO CENTRO, MAIS DIFÍCIL O SONHO
Em estados distantes dos grandes centros, os jogadores também precisam se virar ainda mais para jogar o ano inteiro. “Quando termina o campeonato paraense aqui em Belém (PA), se a gente não consegue renovar o contrato, temos que ir para Macapá (AP) e jogar os outros três meses”, conta o belenense José Romeu Tavares, de 28 anos. O campeonato paraense foi de janeiro a junho e o amapaense, de julho a outubro. “A partir de dezembro começa a pré-temporada para o paraense, aqui em Belém e [os clubes] começam a contratar. Aí os jogadores voltam para não ficarem parados.”

Isso significa que muitos jogadores não têm férias entre as temporadas. Romeu se machucou no fim de 2012 e teve que passar por uma cirurgia no joelho. Ele ficou se recuperando durante o primeiro semestre deste ano, e jogou apenas o segundo, pelo Ypiranga, de Macapá. “Graças a Deus tive ajuda de amigos, da família que me ajuda e tenho um dinheiro que eu sempre deixo guardado, porque a gente nunca sabe.” Agora já retornou para Belém para a pré-temporada.

Situações como essa são comuns no Pará. O zagueiro Bruno Oliveira de Andrade, colega de Romeu no Ypiranga, não conseguiu firmar contrato para jogar no primeiro semestre. “Temos que dar uma economizada para sobreviver esses meses. Trabalhei em várias coisas: como motorista, até ajudante de pedreiro para ganhar um dinheirinho.” Romeu conta que muitos amigos desistiram do futebol porque precisavam sustentar suas famílias. Mas Bruno não quer seguir esse caminho. “Quando você fica três, quatro meses parado, passam várias coisas na cabeça da pessoa. Já pensei várias vezes em parar por causa da esposa, do filho. Continuo porque tenho condições de chegar em um lugar melhor. No futebol, do dia para a noite podem acontecer coisas melhores, você pode ficar bem. Meu sonho é ser campeão por uma equipe grande do Rio, de São Paulo, até de fora, conseguir sair daqui do estado.”

Em 2013, o Ypiranga teve apenas 23 jogos, dos quais 3 foram amistosos 20 oficiais (14 no estadual e 6 na Série D do Campeonato Brasileiro). O time sobrevive com uma média de 8 a 10 mil reais mensais que recebe da loteria esportiva Time Mania, além de um repasse anual de R$ 50 mil do estado do Amapá.

“Muita coisa o presidente tem que tirar do bolso”, diz o diretor administrativo do clube, Claudio Celio Góes Conrado. “Se não tem campeonato, não tem como manter o time [durante o ano]. A gente monta a equipe para jogar três meses se for só o estadual, e cinco meses se tiver a série D do Brasileiro”. Como na maioria dos times pequenos, os contratos de jogadores e patrocinadores vigoram apenas durante os campeonatos. “É complicado conseguir patrocinadores pela questão da credibilidade que a gente foi perdendo ao longo dos anos”, conta o dirigente. O time, fundado em 1963, possui sete títulos do campeonato amapaense, mas não ganha desde 2004.

FRANCESES EM SERGIPE?
Na segunda divisão de Sergipe, a situação é semelhante. “Os nossos campeonatos não são rentáveis, não temos patrocínios para realizar a competição, não temos grandes públicos nos estádios. O campeonato não é atrativo em termos de jogadores, já que a média salarial é baixa. Falta credibilidade frente aos torcedores porque não tem boas equipes”, descreve Diogo Andrade, diretor do departamento técnico da Federação Sergipana de Futebol. De acordo com ele, a média de público para jogos da Primeira Divisão do campeonato estadual varia entre 800 a 1000 pagantes, enquanto na Segunda Divisão é de 150 a 200 pessoas.

Fundado há 96 anos em Maruim, no interior de Sergipe, o Maruinense teve apenas 8 jogos em 2013. Com R$ 50 mil reais de patrocínio para todo o ano, o clube tenta diversificar sua receita fazendo parcerias com times de outros estados e busca outras fora do país. “Nós estamos firmando um projeto de clube-escola, em que vamos receber jogadores franceses, treinar e mandar pra fora. Além disso, estamos negociando com amigos meus na Ponte Preta, na Portuguesa e no Palmeiras para mandarem jogadores de 20, 21 anos que não estão sendo usados nos times de base”, explica Manoel Rodrigues Neto, presidente do clube. Ele conta que o time já revelou jogadores conhecidos como o atacante Oséas, que jogou pelo Atlético Paranaense, Cruzeiro e Palmeiras, na equipe que conquistou a Libertadores, em 1999.

“Meu sonho é colocar o Maruinense na série B do Campeonato Brasileiro, em um nível mais alto”, conta o dirigente do time que hoje disputa a Segunda Divisão do campeonato sergipano. Mas, para o zagueiro Felipe Severo Santana, de 25 anos, que já jogou no São Caetano e no Atlético Paranaense, o clube precisa melhorar sua estrutura para fazer frente aos times de elite. “Nesses times tinha mais profissionais, alimentação de qualidade, já aqui é meio carente. Aqui tem que ser guerreiro”, opina o jogador, que já trabalhou até em uma loja de sapatos enquanto ficou parado no futebol. “Já pensei em desistir muitas vezes. Futebol é injusto demais”, afirma.

Para Diogo Andrade, da federação sergipana, o maior problema é a incompetência administrativa” dos clubes. “Os clubes precisam ir atrás de patrocínio e trabalhar dentro do que arrecadaram, fazendo um orçamento. Aqui, primeiro se forma a equipe, pra depois pensar em uma forma de pagar.” Para ele, os campeonatos deveriam ter menos equipes que deveriam passar por um filtro das federações “exigindo um profissionalismo, para que não acumulem dívidas com os funcionários”, diz. “Eu já vi clube lamentando porque ia para a decisão da segunda divisão campeonato porque ia ter mais 15 dias de despesas”, relata, inconformado. Ele cita como bom exemplo de administração o caso do River Plate de Sergipe, que diante da possibilidade de disputar o Campeonato Estadual, a Copa do Nordeste e a Copa do Brasil, desistiu dos campeonatos oficiais por falta de condições financeiras.

Em termos financeiros, explica Diogo, vale mais a pena disputar o campeonato sergipano do que o nacional. “O estadual dá vaga para duas competições nacionais: Copa do Nordeste e do Brasil. Jogando dentro do estado a despesa é menor, por isso o lucro é maior do que no Brasileiro. E você tem certeza que o campeonato dura de janeiro a maio, pode contratar um atleta sabendo que vai cobrir todas as etapas do contrato do jogador. Já no brasileiro, a primeira fase tem dois meses. Você contrata um jogador por três meses [mínimo exigido pela lei]. Neste mês extra os atletas querem receber, mas o clube está inativo .”

Para ele, compensaria aumentar o número de times na série D ou criar uma série E do Campeonato Brasileiro se a CBF colaborasse. “Nós temos equipes com condições de ingressar em competição nacional, desde que a CBF se comprometesse a cobrir as despesas da competição – transporte, alimentação e hospedagem. Sem isso não há grande vantagem”, diz.

Ele também defende os campeonatos estaduais e regionais e elogia a Copa do Nordeste, bancada pela CBF, em que os 16 clubes recebem uma cota fixa em torno de 345 mil pela participação, mais a renda das partidas: “Um clube de Sergipe não ganha menos do que 500 mil reais em uma competição como essa. Ela serve para engrandecer os times da região”, diz, lembrando ainda que o campeão da Copa do Nordeste tem vaga garantida na Copa Sul-Americana. “É um caminho curto para uma equipe de menor porte chegar a uma competição internacional”, diz.

De acordo com o site Esporte Nordeste, o campeão receberá cerca de R$ 1,5 milhões, incluindo a cota de participação, a classificação até a final e a premiação.Em 28 de novembro, a CBF divulgou a tabela da Copa Verde, que será disputada por 6 clubes das regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste. O vencedor da competição, que acontece entre fevereiro e abril de 2014, também ganhará vaga na Copa Sul-Americana.

A CBF foi procurada pela reportagem da Pública, mas disse que não iria se manifestar.

PAULO ANDRÉ SABE O QUE É SOFRER NO FUTEBOL
Casos como esses mostram a necessidade de mudanças urgentes no futebol brasileiro, defendidas pelo Bom Senso FC, entre elas duas de interesse direto dos personagens desta reportagem: o aumento de jogos para os clubes pequenos (estendendo o calendário de atividade desses jogadores) e a instituição de um fair play financeiro, com a inclusão de leis mais severas para clubes que descumprirem suas obrigações contratuais. Só assim, seria possível mudar a história da grande maioria dos jogadores brasileiros, que alguns líderes do Bom Senso, como o jogador Paulo André, zagueiro do Corinthians, não esquecem.

“Eu morava num sítio que ficava quatro quilômetros da cidade, dormia num galpão com mais 30 outros sonhadores, aspirantes a jogadores de futebol. A nossa alimentação era precária: arroz, feijão e salsicha todo dia. A estrutura de treino era qualquer pedaço de grama que tinha na cidade. Nas viagens longas que se faziam pelo interior do estado, o ônibus quebrava e a gente chegava em cima da hora, atrasado pra jogar. Eu ganhava um salário mínimo, que era de 180 reais, e atrasava”.

A realidade vivida pelo craque 11 anos atrás, quando defendia as cores do Águas de Lindoia Esporte Clube, não mudou para os clubes menores, que ainda sofrem com esse vácuo de atuação de quem organiza o futebol brasileiro, como ele diz. “Isso não é fomentar futebol e sua prática, isso é expor trabalhadores a condições de risco. Isso é vender uma ilusão de ser jogador de futebol a milhares de pessoas, milhares de atletas, que vivem como verdadeiros bóias-frias do futebol. Vivendo do futebol três, quatro vezes no ano e depois tendo que encontrar outra divisão”, reflete.

“Queremos a redução de jogos dos times da Série A e aumento do número de jogos de todos os outros times brasileiros”, explica Paulo André, que vê os jogadores dos grandes times sobrecarregados de jogos e os dos pequenos sem-calendário. “A gente acredita que os clubes têm que jogar no mínimo 36 partidas e no máximo 72 partidas no ano. Qualquer modelo que consiga inserir essas duas premissas já é muito melhor do que o que está aí”, diz. “O que tem feito a CBF e as Federações sim, é um assassinato contra os clubes do interior.”

“Não há necessidade de que para que o pequeno exista, ele deva jogar contra o grande”, destaca. “Essa é uma grande mentira que tem emperrado o desenvolvimento dos pequenos. Hoje, no estado de São Paulo, que é o estado mais importante do país no futebol, a gente conta com 105 clubes. Desses 105, 85 não jogam contra os grandes porque fazem parte da Série A2, da Série A3 e da Série B do Paulista. E eles continuam sobrevivendo. Assim como os 7 clubes que jogam a Série A1 e não disputam competições nacionais. O que a gente pergunta para essas pessoas que defendem esse modelo é: qual é a diferença estrutural e financeira dos sete clubes que jogam a A1 para os 85 clubes que não jogam a A1? Não existe diferença. Todos eles estão se matando para tentar sobreviver”, conclui.

Por meio do Bom Senso FC, Paulo André e outros jogadores da “elite” também aproveitam sua visibilidade para denunciar os baixos salários e o atraso nos pagamentos que atingem a maior parte dos atletas. De acordo com dados da CBF, em 2010, 60% dos atletas profissionais registrados ganhavam até um salário mínimo, na época, R$ 510. Apenas 4,3% ganhava acima de 20 salários mínimos. Na lista dos 20 jogadores mais bem pagos no Brasil, feita pela Pluri Consultoria a pedido da revista Época Negócios, pelo menos oito fazem parte do Bom Senso FC. Enquanto D’Alessandro (Internacional), recebe o melhor salário entre eles, cerca de R$ 7,5 milhões por ano, os jogadores do Mauaense ganham o correspondente a 0,1% desse valor – R$ 8.136 por ano, um salário mínimo por mês.



FONTE: A Publica / Ciro Barros e Giulia Afiune

sábado, janeiro 28, 2012

Relembre Zé Roberto e outros casos de racismo no futebol gaúcho


O futebol gaúcho carrega em sua história diversos episódios de racismo que remetem ainda à primeira metade do século passado, quando atletas negros eram proibidos de jogar no Internacional e Grêmio, o que originou a Liga dos Canelas Pretas, um campeonato paralelo realizado em Porto Alegre. Com o tempo, o time tricolor, até por suas origens, assumiu a postura de equipe dos descendentes de europeus, enquanto o rival colorado virou o time do povo. Apesar de fazer parte do passado, as ofensas persistem nos cânticos, nos quais os torcedores do Inter são chamados de "macacada", além de episódios de racismo dentro e fora dos campos contra jogadores de ambos os times.
Em entrevista durante a apresentação no Bahia, nesta semana, o meia Zé Roberto disse que deixou o Internacional, time com o qual tinha contrato até 2013, porque seu filho foi vítima de racismo na escola. "Eu não gosto nem de falar muito sobre isso. Mexeu muito comigo, com a família. Foi o que mais fez com que eu deixasse o Inter", confessou. Na final do Campeonato Gaúcho de 2011, o jogador foi alvo de outra manifestação racista, quando a torcida gremista imitou o som de macacos ao ouvir o seu nome durante uma substituição.
O meia Tinga também sofreu o mesmo tipo de ataque em 2006, em um jogo do Internacional contra o Juventude, pelo Brasileiro. Cada vez que pegava na bola, a torcida imitava o som de macaco. Hoje, ele prefere não falar mais sobre o episódio. Jogadores gremistas também já foram alvo de racismo. Ainda em 2006, Jeovânio Rocha do Nascimento foi alvo de uma ofensa racista após uma entrada forte do então zagueiro do Juventude Antônio Carlos, que deixou o campo esfregando a mão no braço, referência racista à cor da pele do adversário. Hoje no Santa Cruz, o jogador prefere não falar mais sobre ao assunto.
'Preto filho da p****'

A frase acima foi a ofensa racista ouvida pelo jogador Glauco Simonelli Venancio, quando defendia o Ypiranga de Erechim (RS), após pedir a bola do gandula em uma partida contra o Santa Maria. "Estávamos perdendo o jogo por 3 a 2. Quando eu fui pedi a bola para o gandula, ele não queria dar, daí eu falei pô, me dá rápido, então o preparador de goleiros estava do outro lado da grade daí ele falou: 'preto filho da p***' e me chamou ainda de macaco".

"Não sou eu que vou conseguir acabar com isso, porque sempre vai existir, mas é difícil, porque você está ali, lutando pelo pão de cada dia, para dar um futuro para a sua família. Quando aconteceu isso, minha filha estava presente, e quando chegamos em casa ela veio me perguntar: 'pai, por que você está chorando, o que foi que aconteceu?' Mas naquele momento eu não podia falar. Inclusive, um dia ela chegou para mim e disse: 'pai, por que eu nasci moreninha, então?' Eu respondi que era porque Deus quis assim", lembra.
Apesar da fama, o Grêmio tem na sua Calçada da Fama o ex-jogador e hoje vereador de Porto Alegre Tarcisio Flecha Negra. Ele diz que nunca sofreu nenhum tipo de preconceito: "nunca senti, até hoje, nenhum tipo de preconceito por ser negro". No entanto, admite que a torcida do Grêmio se referir aos colorados como "macacada" extrapola os limites.
"Eu acho que extrapola um pouco, eu não sei... Quando cantam aquilo para o Internacional, o torcedor tem direito, desde que não agrida fisicamente qualquer outra torcida que seja, mas cantar, gritar, botar faixa, todos nós temos direito de reivindicar... Acho que aqui já se está acostumado, os colorados chamam o Olímpico de chiqueiro, e os colorados são chamados de macacada lá (no Beira-Rio)", diz ele, referindo-se ao combate como algo local, que não é muito bem compreendido por outros Estados brasileiros.
Ele diz que quando chegou ao Estado, em 1973, ficou reticente com a história do clube. "Havia a história de que o Grêmio era um time onde não jogavam negros, mas depois vieram o Tesourinha, Juarez, Alcinho e Paulo Lumumba", enumera. Para ele, a restrição estava relacionada à proximidade com a Argentina e Uruguai, além do Rio Grande do Sul ter recebido muitos imigrantes da Polônia, Alemanha e Itália. "Os negros foram para a Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais, se veem poucos aqui. Então na história teve muito racismo, só que hoje eu não vejo muito isso".
Já o advogado, ex-radialista e profundo conhecedor do futebol gaúcho Antonio Carlos Cortes é bastante crítico quando à conotação racista embutida na batalha entre as duas torcidas. Ele afirma ainda que o Rio Grande do Sul é o Estado mais racista do Brasil. "Até recentemente, em grenais realizados no Olímpico, a torcida do Grêmio estendia um faixa dirigida à torcida do Internacional com a inscrição: 'a maior macacada do Rio Grande do Sul'".
Ele lembra ainda o episódio da contratação do centroavante Christian pelo Grêmio. "Ele estava nas sociais do Grêmio com toda a família, amigos, dando autógrafos. Quando o Inter entrou em campo, a torcida do Grêmio começou a imitar macacos, e segundo registro de jornais da época, ele (Christian) foi afundando na cadeira porque dentro de campo tinha o Roger, Tinga, Douglas, todos negros...", conta.
Paulo Cézar Lima, o Caju, atleta que ganhou notoriedade no Botafogo e fez parte da Seleção Brasileira de 1970, relata também o racismo que encontrou no Rio Grande do Sul na década de 60. Ele relata no livro Fala Crioulo, do Aroldo Costa, o seguinte:
"Quando passei a excursionar com o Botafogo comecei a sentir o racismo pelo interior do País. Uma das coisas que mais me chocaram foram as tabuletas que encontramos em bares e restaurantes que encontramos em Bagé, Santana do Livramento e Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, onde dizia: proibida a entrada de negros. Nós éramos cinco ou seis jogadores negros, Jairzinho, Moreira, Leônidas, Zequinha e, para nós, o aviso tinha o efeito de uma punhalada no peito. A gente então imaginava como não deveria ser a vida de crioulo local, marginalizado e humilhado por aquelas tabuletas de m... Aí, só de bronca, entramos no peito e na raça só para ver se acontecia alguma coisa e a gente criava logo um sebo, mas como nós éramos conhecidos, fingiam que não viam a cor da gente'", diz Cortes, ao ler um trecho da publicação.
"O Rio Grande do Sul é o Estado mais racista de todo o Brasil. Isso é evidente. A cada momento ocorrem situações terríveis. Tanto que você não encontra treinadores negros. Tem as exceções, mas exceção confirma a regra. Eu dizia para Escuro (Escurinho, ídolo colorado morto no ano passado) que aquela cabeça que resolvia dentro de campo, que até mudava o que o treinador determinava, não servia para ficar na boca do túnel", afirma.
Ele acusa os dirigentes de serem coniventes com as manifestações racistas das torcidas. "Existe certo fingimento de que não se sabe de nada nas direções dos clubes, porque muitas vezes, com a torcida votando nas eleições dos clubes, os dirigentes não querem se indispor com as torcidas. Ou será que a torcida ao seu bel prazer estende a faixa lá? A direção poderia dizer tira isso daí (...) há setores, torcidas que dizem que tem uma alma castelhana, renegam a alma brasileira. Quando argentino chama o brasileiro de macacada, é no sentido amplo e atinge o brasileiro de um modo geral, porque aqui tem uma maioria negra. Mas o sentido é agressivo e ofensivo dentro desta realidade que existe".
FONTE: TERRA.COM

quarta-feira, setembro 01, 2010

100 anos de exposição : Ser corintiano nunca foi fácil





Mas em 2010 não sê-lo deve estar sendo tão ou mais difícil




Partidos, religiões, clubes de futebol. Com eles, não tem meio-termo: quem é, é, e os defende até a morte. Quem não é (a turma dos “anti”), contesta-os. Entre todas essas filosofias – do fascismo ao socialismo, do cristianismo ao islamismo –, peço licença para destacar a minha, que no dia 1º de setembro de 2010 completa seu primeiro centenário: o corintianismo.

Pronto: garanto que a essa altura grande parte dos leitores acaba de encher o peito de orgulho. Em contrapartida, outra parte deve estar fazendo muxoxo. Os mais xiitas devem ter fechado a revista. Tudo bem, eu banco o risco.

Segundo todas as pesquisas feitas até hoje sobre o número de torcedores (ou “adeptos”, como mais propriamente definem os portugueses, principalmente quando essa expressão se refere ao Corinthians), a possibilidade de eu continuar escrevendo para ninguém é absolutamente nula. Vamos em frente.

São 100 anos de exposição, desde que o Sport Club Corinthians Paulista, então um pequeno time de bairro, foi fundado à luz de um lampião por operários do Bom Retiro. Tem sido sempre assim, do boca a boca das esquinas quando a equipe começou a se destacar, ainda na várzea paulistana, em 1910, à audiência de milhões de pageviews por conta da volta do Fenômeno Ronaldo, já na era da internet.

Como acontece com todas as coisas que realmente fizeram diferença na história da humanidade (para o bem ou para o mal), o Corinthians provoca reações, mas não indiferença.

Para o corintiano, isso tem sido uma grande carga. Telefone, e-mail e endereço de corintiano todo mundo tem. São públicos, não há como se esconder, até porque nos momentos de maré alta é ele, o corintiano, o primeiro a entrar em contato com seus detratores. Facilmente identificável por não conseguir conter essa paixão, ele está sujeito aos extremos da exposição.

Subiu aos céus quando foi campeão do centenário da Independência, em 1922, e de São Paulo (o quarto), em 1954. Com o gol de Basílio que valeu a reconquista do título de campeão paulista em 1977. Quando o obscuro (para quem não é corintiano) Tupãzinho fez o gol que valeu a conquista do primeiro Campeonato Brasileiro, em 1990, contra o São Paulo. Com o título de campeão do primeiro mundial de clubes organizado pela Fifa, em 2000.

Mas desceu ao inferno principalmente no período de 22 anos, oito meses e uma semana sem erguer uma taça, de 6 de fevereiro de 1955 a 13 de outubro de 1977. Ou quando foi rebaixado para a segunda divisão do Brasileiro, em 2007.

Raros, nesses 100 anos, foram os momentos de quase unanimidade em torno do Corinthians. O mais recente deles, a união nacional em torno do ídolo Ronaldo (teve até palmeirense simpatizando com o gol que marcou seu retorno ao futebol, em cima do próprio Palmeiras).

O mais sintomático, a experiência da Democracia Corinthiana, que entre 1981 e 1984, liderada pelo jogador Sócrates, pretendia mudar a arcaica estrutura organizacional do futebol brasileiro enquanto o Brasil também buscava seu rumo na redemocratização. Ainda assim, tinha democrata de carteirinha do outro lado. “Se hay Corinthians, soy contra”, diziam.

Nesses dias que antecedem o centenário, tenho feito um exercício: colocar-me no lugar daqueles que não são corintianos. Constato o quão deve estar sendo difícil para eles. Deve ser duro para o anticorintiano ver seu espaço ainda mais invadido no rádio, nos jornais, na TV, e até nesta página, com esse assunto. O que resta, então?

Desdenhar, como sempre. Lembrar que a Libertadores, o sonho maior de 2010, foi perdida, e que este ano corre o risco de ser o do “sem ter nada”, no mesmo infame trocadilho utilizado pelos rivais quando o Flamengo, em 1995, o Sport Recife, em 2005, o Atlético Mineiro, em 2008, e o Coritiba, em 2009, também passaram em branco ao completar um século.

Entendo a apreensão de quem não é. Mas não consigo deixar de externar uma última observação: pobres mortais. Não sabem que fenômenos como o Corinthians não são por 100 anos, são para sempre.

FONTE: Rede Brasil Atual/ Celso Unzelte é jornalista e escritor, autor de vários livros sobre futebol, como Almanaque do Timão e Almanaque do Palmeiras, e apresenta o programa Loucos por Futebol, da ESPN Brasil



HOMENAGEM DO BLOG AO CENTENÁRIO DO CORINTHIANS

terça-feira, junho 01, 2010

Campeões do mundo relembram bolas e ironizam críticas à Jabulani




A Jabulani é a bola oficial da Copa do Mundo de 2010, desenvolvida pela Adidas especialmente para o torneio. Desde 1970 a empresa alemã fornece o material para os Mundiais, mas em 2010 o equipamento tem recebido severas críticas. "Sobrenatural", de "supermercado", "jaburu", "patricinha" e "horrível" são alguns dos apelidos já recebidos pelo utensílio.

Em meio à polêmica, o Terra pesquisou a história das bolas nas Copas e foi atrás de ex-jogadores brasileiros para saber se as ofensas são recentes ou se isso também ocorreu em Mundiais anteriores.

Desde 1930 (ano da primeira Copa do Mundo) até 1966 as bolas tinham uma descrição semelhante. Eram feitas de couro, duras, com uma costura interna (até 1950 a costura era de cadarço e externa) e seu peso dobrava quando molhava. "Se jogava com ela há muito ou pouco tempo, isso não importava. Não havia nenhuma queixa por parte dos nossos jogadores nas Copas que jogamos", disse Pepe, bicampeão do mundo em 1958 e 62.

Depois disso, em 1970, a Adidas assumiu a fabricação do material e a Telstar foi a primeira bola de futebol branca com gomos (em forma de pentágonos) pretos para ser facilmente identificada na televisão. "Sempre tem bola nova, isso aí de bola ruim é papo furado, é uma desculpa esfarrapada. A bola é boa para todo mundo, é só treinar", afirmou Dadá Maravilha, que esteve no grupo do Brasil que conquistou o tricampeonato.

A Telstar foi novamente utilizada em 1974 e ganhou a companhia da Adidas Chile. Paulo César Carpegiani esteve no elenco brasileiro daquela Copa e não se lembra de eventuais críticas. "É uma coisa chata isso, de a bola de 2010 ser ruim, isso que todo mundo está falando. Há um consenso de que a bola é ruim, então ela deve ser mesmo. Mas em 74 não sentimos nada", declarou.

Em 1978 e 82 os novos equipamentos eram chamados de Tango Durlas e Tango Espanha, respectivamente. Na segunda, a novidade foi a costura de couro selada à prova d´água, o que reduziu drasticamente a absorção de água pela pelota. Em 1986, ela ganhou um modelo sintético.

"Os boleiros geralmente prestam mais atenção às bolas, mas acho que o desempenho dela depende muito. Não lembro de nenhuma crítica às bolas nas Copas que disputei. Mas temos que ver que a bola é igual para todo mundo, e se ela é ruim em 2010, acaba sendo assim para todo mundo. É tudo questão de adaptação", afirmou o zagueiro Mauro Galvão, presente em 86 e em 1990 (modelos Azteca e Etrusco Único, respectivamente), ano que o material ganhou uma camada de polietileno branca.

Nos Estados Unidos (Adidas Questra) o desenvolvimento continuou em termos de tecnologia e seguiu até 2006, com enchimento de gás (1994), fechamento individual e micro balões (Adidas Tricolore, na França em 98), espuma sintética refinada (Fevernova, na Coreia/Japão em 2002) e menor quantidade de gomos que visava a diminuição dos pontos de contato (Teamgeist, na Alemanha em 2006).

"Não me lembro de nenhuma reclamação, até porque as bolas são cada vez melhores. A tendência é só que aprimorem as bolas, esse é o objetivo. A Jabulani (bola de 2010) eu já peguei na mão, mas não cheguei a experimentá-la. Mas em 94 não me lembro de nenhuma reclamação por parte de ninguém não, isso é coisa de agora", afirmou o tetracampeão Mauro Silva.

Mesmo que em todas as bolas os objetivos sejam sempre melhorar o equipamento, até mesmo em 2010 onde a Jabulani é composta por oito painéis tridimensionais para deixar a esfera em um formato esférico perfeito, a opinião dos campeões do Mundo parece unânime.

"Não importava o tipo de bola. Às vezes mudava mesmo, mas para nós ela sendo redonda estava bom, só não podia ser quadrada. Bola era tudo igual e a velocidade era 122 km por hora sempre, não importava a marca, nem o peso, nem o tamanho, nem nada. Desde que não fosse quadrada estava muito bom, só queríamos uma bola redonda para jogarmos", ironizou o ex-jogador do Santos, Pepe.

Para finalizar, Dadá Maravilha deu a dica aos boleiros para conseguir o sucesso esperado com a bola do Mundial sul-africano. "A bola, você tem que falar com ela, -"oh querida, minha queridinha, minha delícia", chama ela de meu amor, dá carinho pra ela que ela te atende. Conversa com ela. Chama ela de mocinha, de maravilhosa, de linda, elogia, trata ela bem, dá carinho e amor. Afinal, quem é que não gosta de ser bem tratado?", concluiu o ex-atacante.

FONTE: TERRA

quarta-feira, março 03, 2010

ZICO o Eterno Camisa 10 da Gávea



Patricia Amorim, presidente do Flamengo - O Zico é nosso ídolo maior e temos que dar parabéns para ele todos os dias do ano por ele existir e ser rubro-negro. Afinal ele nos deu tantas alegrias e ajudou a construir a nossa história, repleta de títulos e conquistas. Parabéns ao nosso Galinho que hoje completa 57 anos. Que ele continue sempre ao nosso lado porque o Zico representa fielmente a grandeza do Flamengo. Feliz Aniversário!

segunda-feira, março 01, 2010

Dunga promete voltar com o hexa

Técnico revela quem serão os maiores adversários na África do Sul e diz que equipe vai voltar vitoriosa




Muitos apostariam em Espanha e Inglaterra, seleções que vivem grandes momentos, ou em Itália e Argentina, adversários tradicionais do Brasil. Mas na cabeça do técnico Dunga, o maior adversário do Brasil na Copa do Mundo não será nenhum desses. “O Brasil primeiro tem que ganhar do Brasil”, filosofou o treinador, durante entrevista a um programa de televisão. Depois de superarem a si mesmos, aí sim o comandante coloca a Fúria e os ingleses como principais ameaças.

Em relação à expectativa dos torcedores com a conquista do hexacampeonato, Dunga disse que a equipe vai voltar com o caneco na bagagem. Ele ressaltou o trabalho realizado nos últimos três anos e meio e aproveitou para cutucar os críticos. “Muitos não acreditavam, mas nós vamos chegar lá, na Copa do Mundo”, prometeu.

Além de falar sobre as expectativas para junho, o ex-volante aproveitou para exaltar a equipe de 1994, que conquistou o tetracampeoanto e tinha Dunga como capitão. “Aquela seleção teve um ponto fundamental: um grupo que ensinou a um país como se vence. Nós estávamos há 24 anos sem vencer, né? Mesmo tendo valores fantásticos”, lembrou, dando a receita para chegar a mais uma vitória. “Antes de mais nada, tem que ter trabalho.”

"Muitos não acreditavam, mas nós vamos chegar lá, na Copa do Mundo"
Dunga, técnico da Seleção Brasileira


Oportunidade de ouro

A Seleção Brasileira começou a chegar a Londres, onde enfrenta a Irlanda, amanhã, no último amistoso antes da convocação oficial para a Copa do Mundo. Com pouco tempo de preparação até o mundial, o técnico Dunga já tem uma base definida para levar até a África do Sul. Porém, alguns jogadores ainda não têm vaga garantida e querem aproveitar o jogo contra os irlandeses para conseguir confirmar presença no maior evento de futebol, em junho.

Na frente, Robinho e Adriano estão praticamente garantidos, mas o atual artilheiro da Bundesliga, Grafite, vai ter a primeira chance de tentar beliscar uma vaga. Além deles, Nilmar e Luis Fabiano são os outros dois nomes mais fortes para o setor, com Alexandre Pato, em boa fase no Milan, brigando por fora. Na lateral esquerda, o veterano Gilberto, que vem jogando como meia no Cruzeiro, também terá uma oportunidade de ouro para tentar se firmar no único setor do time que continua completamente indefinido. Brigam com ele Marcelo, Michel Bastos e André Santos, outros que já tiveram chances e não aproveitaram.

Jogando no Brasil, Adriano e Robinho estão de volta ao velho continente e têm na cabeça o objetivo de garantir um lugar no avião para a África. “É um jogo para carimbar o passaporte para a Copa do Mundo. E eu espero fazer isso aqui”, declarou o Imperador. Já Robinho vive situação ainda mais inusitada, já que voltou ao país de onde saiu recentemente e não deixou boas lembranças. “Não imaginava retornar tão cedo para a Inglaterra”, admitou o jogador. “Mas voltar à seleção brasileira, independentemente de onde for, é bom.”
FONTE: CORREIO BRAZILIENSE