Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!
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quarta-feira, junho 18, 2014

Dia do Patrimônio - Pelotas RS













As inscrições para participar do Dia do Patrimônio de Pelotas estão abertas. Poderão participar na condição de promotores: agentes do patrimônio, artistas, proprietários de prédios, instituições e agentes culturais realizando coletivamente uma programação repleta de atividades inovadoras. A agenda completa poderá ser conferida diariamente na fanpage do Dia do Patrimônio e na página do evento na internet, além do Jornal do Patrimônio, que será distribuído gratuitamente na semana do evento.

Os interessados deverão procurar a Secretaria Municipal de Cultura até o fim da primeira quinzena de julho para aderir ao evento.

Fique atento, use todos os seus sentidos para desfrutar nossa Herança Cultural, e neste ano, a Herança Cultural Afropelotense!

O quê: Dia do Patrimônio
Quando: 16 e 17 de agosto
Onde: por toda a nossa cidade

Pelotas Celebra o Dia do Patrimônio
Com o objetivo de divulgar e promover o patrimônio cultural, acontece na cidade de Pelotas, durante os dias 16 e 17 de agosto, a segunda edição do Dia do Patrimônio. A celebração busca enfatizar o conceito patrimonial, que não se limita aos prédios, mas abrange a educação, meio ambiente, patrimônio humano, cultural e toda produção de um povo.

Conectada à data nacional de 17 de agosto, quando é comemorado o Dia Nacional do Patrimônio, o Município comemorará em dois dias, sábado e domingo, com a abertura de muitos de seus prédios históricos - públicos e privados - para receber pelotenses e turistas, com apresentações culturais e diversas atividades para exaltar o patrimônio material e imaterial de Pelotas.
A ideia de abrir os prédios históricos à visitação em dias e horários pré-determinados, com visitas guiadas, foi inspirada em iniciativas semelhantes em outros países. A França criou o Projeto Portas abertas em 1984. Nos anos seguintes, mais de 50 países da Europa seguiram a iniciativa. A Secretaria Municipal de Cultura buscou inspiração no Uruguai, que em 1995 aderiu à proposta e onde hoje o Dia do Patrimônio é considerado a maior e mais importante festividade cívica do país, divulgando e promovendo suas riquezas culturais locais através das mais variadas formas de expressão.

Em Pelotas, o evento teve sua primeira edição em 2013, com intensa programação coletiva com ações em diversos lugares da cidade como o Centro Histórico, a Colônia, as Charqueadas, a praia do Laranjal e incluiu a diversidade de nosso patrimônio com palestras, apresentações artísticas, visitas guiadas, degustações e mostras.

A expectativa é de que mais uma vez a população se aproprie da celebração e, por consequência, da compreensão de que patrimônio é tudo aquilo que criamos, valorizamos e queremos preservar.


Esse ano o evento celebrará a Herança Cultural Africana, tema que vem sendo apresentado semanalmente com as Conversas do Dia do Patrimônio, momento em que a comunidade pode ouvir e discutir os diversos aspectos da herança africana na cidade.

FONTE: SECULT

quarta-feira, junho 11, 2014

Cabeleira afro volta à moda na Copa após sucesso nas décadas de 60 e 70













Estrelas brasileiras, de seleções africanas e até da Bélgica fazem visual

ganhar força novamente e se tornar uma das atrações do Mundial   


Nos treinos da seleção brasileira, na Granja Comary, três jogadores podem ser facilmente notados à distância. Dante, Marcelo e Willian têm em comum, além do fato de estarem representando o país na Copa do Mundo, as vastas cabeleiras afro. O estilo capilar, popularizado no futebol entre as décadas de 60 e 70 por estrelas como Jairzinho, Paulo Cézar Caju e Júnior, está de volta. E não apenas na equipe canarinho. Seleções da Europa, da África e sul-americanas também terão adeptos do visual.

Willian começou a deixar o cabelo crescer quando ainda defendia o Corinthians, mas passou a ser conhecido pelo afro durante o período em que defendia o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. Marcelo também adotou o estilo em território europeu. Dante é fiel ao visual desde pequeno, e se inspirou no pai, o artista plástico João Carlos, dono de uma cabeleira com dreadlocks que se mantém intacta há 19 anos.

- Meu pai tem cabelo "rasta" há muito anos. Certa vez fiz uma experiência para ver como ficaria e acabei gostando, e minha esposa também. Já tem muito anos que deixo o cabelo ficar grande assim - explicou.

MEU CABELO ENROLADO TODOS QUEREM IMITAR
Os meias Fellaini e Witsel são dois dos símbolos da seleção belga que virá ao Brasil para a disputa do Mundial. A atual geração é cotada como uma das melhores da Europa, o que os coloca entre as equipes capazes de surpreender os favoritos. Os dois jogadores também adotaram o cabelo afro e chamam a atenção dos torcedores por causa da aparência.

Nos tempos em que defendia o Everton, entre 2008 e 2013, o cabelo de Fellaini teve influência tão forte culturalmente para o clube que muitos torcedores, especialmente jovens e crianças, costumavam ir para o estádio vestindo perucas para imitá-lo. O meia, atualmente no Manchester United, não pensa em se desfazer do corte, apesar de admitir que é preciso moldá-lo para não atrapalhar o desempenho em campo.

- Corto regularmente, caso contrário, após alguns meses, eu não conseguiria ver a bola, especialmente quando há muita chuva - relatou à revista "Match of the day".

Entre as seleções africanas, o lateral Assou-Ekotto, de Camarões, é o dono da cabeleira mas vasta. Bony, da Costa do Marfim, também é adepto, e Carlos Sánchez, da Colômbia, completa o time dos afros estrangeiros.

"NO MEU TIME NÃO JOGA"
Se visualmente e até comercialmente o estilo pode ser vantajoso para os jogadores, tecnicamente há quem não aprove. Alguns treinadores costumam reclamar com alegações curiosas. O jornalista João Saldanha que comandou a seleção brasileira e o Botafogo, já protagonizou uma divertida reportagem em que explicou as razões para que o afro seja um problema.

- Nos crioulos, "black power", com aquela "grama" daquele tamanho, eles perdem a conta da bola. Já vi o Zequinha (atacante com passagens por times como Flamengo, Botafogo e Grêmio) na frente do gol dar uma cabeçada, amorteceu aquilo no "black", na "grama", e o goleiro pegou. Se pega num "coco" bem raspadinho... estou falando do ponto de vista técnico. Se eles gostam, faz uma peruca, ajeita, na hora do serviço usa uma ferramenta, na hora do "rebolado" usa outra, compreendeu?

Enquanto Saldanha fazia seu "discurso", um transeunte com o cabelo afro parou para acompanhar a gravação, e o jornalista passou a usá-lo como exemplo para complementar a análise.

- Olha aqui (disse enquanto tocava o cabelo do torcedor), amaciou a bola, a bola é capaz de parar aqui. Que ande assim na rua, eu acho bacana, acho legal, mas no meu time não joga, não.

Fellaini já foi pressionado a cortar o cabelo. O técnico David Moyes usou uma outra justificativa e dizia que o visual transforma o belga em um alvo fácil para os árbitros. O jogador, contudo, nem pensou na possibilidade.

- Cortar meu cabelo? Por que eu deveria? Parece fantástico. Não acho que devo cortá-lo. Eu gosto, e os fãs também - afirmou ao jornal "Daily Mirror"
Dante nunca recebeu pedido semelhante. Se algum dirigente ou treinador tiver a ousadia de tentar dar fim à sua marca registrada, a resposta está na ponta da língua.

- Ninguém ainda se dirigiu a mim com essa proposta indecente. Mas acho que não cortaria.

NEGRO É LINDO

O estilo capilar ficou conhecido mundialmente durante a década de 60, no auge da luta dos negros pelos direitos civis nos Estados Unidos. Através do movimento cultural "Black is beautiful" (Negro é lindo), que encorajava homens e mulheres a não esconder suas características, acabou se tornando uma marca registrada e, na década seguinte, se popularizou entre os boleiros. Na Copa de 1974, Jairzinho e Paulo Cézar Caju eram os representantes. Em 1978, Jorge Mendonça e Rodrigues Neto. No Mundial de 1982, Júnior, Serginho Chulapa e Edevaldo mantiveram as cabeleiras em alta.

FONTE: G1 / Fábio Lima

domingo, novembro 10, 2013

“CAPOEIRA É TUDO QUE A BOCA COME”






Esta definição genial sobre a capoeira foi elaborada pelo não menos genial, Mestre Pastinha, quando inquirido, numa entrevista, sobre o que seria a Capoeira.

E tem sido com este espírito de liberdade, irreverência e ousadia que a Capoeira e os capoeiristas, têm enfrentado ao longo da vida toda sorte de preconceito e perseguições. Recentemente, na cidade do Salvador, participei de uma audiência pública, promovida pela Câmara Municipal de Vereadores, quando mais uma vez, presenciei a indignação de mais de uma centena de capoeiristas com mais um desses ataques a capoeira, desta vez, sob o pseudônimo da “esportivização”.

Para quem não sabe, tramitam no Congresso Nacional, dois projetos de lei que visam regulamentar a Capoeira, supostamente para profissionalizá-la e dotá-la das condições necessárias à sua inserção como esporte olímpico. Em verdade, segundo os mestres de capoeira presentes na audiência, esta é mais uma investida, mal disfarçada, do Conselho Nacional de Educação Física (Confef) e seus aliados, para enquadrar a capoeira exclusivamente na dimensão esportiva e aprisioná-la aos seus interesses e regras.

Os danos, caso esses projetos se viabilizem, são imensos, vão desde a subordinação da capoeira e dos capoeiristas aos ditames do Confef, passando pela ilegalidade de supressão da sua dimensão cultural, visto que a capoeira foi registrada como patrimônio cultural brasileiro, pelo IPHAN, no ano de 2008, na gestão do Ministro Gilberto Gil, até a expulsão ou impedimento de acesso ao mercado de trabalho de todos os capoeiristas que não possuam título universitário de formação em Educação Física. Seria um golpe mortal nos milhares de mestres tradicionais, que nos bairros populares de nossas cidades, ensinam, educam e socializam milhões de jovens excluídos de quaisquer possibilidades na vida. Mas a voracidade do Confef, no seu afã “regulamentatório” não se limita à capoeira, busca alcançar e controlar, também os praticantes da yoga, da dança e até mesmo do pilates. Mas, ao que tudo indica a briga não será fácil, pois todos estão se articulando e mobilizando para fazer frente a mais esta aberração.

Este imbróglio se arrasta desde 2005, quando fiscais dos Conselhos Regionais de Educação Física (Cref) de maneira arbitrária e ilegal, saíram ameaçando, multando e exigindo filiação à força de milhares de academias, escolas de dança e estúdios de yoga e pilatis pelo Brasil afora. O Ministério da Cultura, acionado por capoeiristas e dançarinos, não se fez de rogado. O Ministro Gilberto Gil e seu sucessor Juca Ferreira, sensibilizados com a questão, entraram em campo e adotaram medidas fortes e concretas para o enfrentamento da situação: Registraram, por meio do Instituto de Patrimônio Artístico e Cultural Nacional, a Roda da Capoeira – “que é um elemento estruturante desta manifestação, espaço e tempo, onde se expressam simultaneamente o canto, o toque dos instrumentos, a dança, os golpes, o jogo, a brincadeira, os símbolos e rituais de herança africana…” e o Ofício dos Mestres de Capoeira – “… saber transmitido pelos mestres formados na tradição da capoeira e como tal reconhecidos por seus pares…”. Além disto, criou o Programa Capoeira Viva, que apoiou, estimulou e premiou centenas de grupos de capoeira em atividade no país. Mais ainda, criou um grupo de trabalho no âmbito do Ministério da Cultura, para elaborar o Programa de Salvaguarda da Capoeira, enquanto manifestação cultural. Foi um período de alento e esperança para os capoeiristas em sua luta permanente pela dignificação da capoeira.

Pelo visto, o Confef voltou à carga e com toda força, via Congresso Nacional, e mais uma vez, os capoeiristas baianos, honrando sua tradição de resistência e luta estão dando o alerta para o enfrentamento desta forma excludente e reducionista com que pretendem classificar a capoeira. Na verdade, estão fazendo valer, aquilo que se encontra no livro de registro do Iphan – …A capoeira é uma manifestação cultural presente hoje em todo o território brasileiro e em mais de 150 países, com variações regionais e locais criadas a partir de suas “modalidades” mais conhecidas: as chamadas “capoeira angola” e “capoeira regional”.

Enfim, o que todos esperam é que o Congresso Nacional dialogue com os capoeiristas e não privilegiem aqueles que querem fazer da capoeira apenas um negócio, honrando assim o mestre dos mestres – Pastinha, para quem: “a capoeira é tudo que a boca come”.
Axe!

Toca a zabumba que a terra é nossa!


FONTE: PORTAL AFRICAS

sexta-feira, maio 10, 2013

Caxixi X caxirola

















“A única diferença é que a caixirola pode ser usada para machucar”, diz Naná Vasconcelos
Eleito por oito vezes o melhor percussionista do mundo e ganhador de oito prêmios Grammys, o pernambucano Naná Vasconcelos é uma autoridade mundial quando se fala em percussão. Fui então perguntar o que ele achou da caxirola, o polêmico instrumento “criado” por Carlinhos Brown e chancelado pelo Ministério dos Esportes e pela Fifa como instrumento oficial das Copas das Confederações e do Mundo.
“Não tem diferença do caxixi. É um caxixi de plástico. Por isso, a sonoridade é um pouco mais estridente. Mas a única diferença que eu vejo é que a caixirola, por ser feita de um material mais duro, pode ser usada para machucar alguém”, disse o músico.
O percussionista considera a caxirola um despropósito. “É fora do contexto da nossa forma de se comportar em estádios de futebol. A gente celebra de uma maneira diferente”, disse. “Vão gastar um dinheiro danado com isso para imitar a vuvuzela da Copa passada. Mas a caxirola vai virar um objeto agressivo. A gente não precisa disso”, disse.
Caxirola - O pequeno instrumento é feito do chamado plástico verde, gerado a partir da borra da cana-de-açúcar. Distribuído pela multinacional The Marketing Store, a expectativa é que sejam produzidas até 100 milhões de unidades. Cada uma será vendida por R$29,90. No Mercado de São José, um caxixi, feito de palha trançada, sai por menos de R$10.

FONTE: CAROLINA SANTOS/ DIÁRIO DE PERNAMBUCO

terça-feira, maio 07, 2013

CARLINHOS BROWN E A GENEALOGIA DA MORAL DO CAXIXI
















O Brasil sempre ofereceu, a si mesmo e ao mundo, as expressões de sua cultura profunda através do talento dos seus pintores e músicos e poetas, como de seus arquitetos e escritores, mas também dos seus homens de ciência, na medicina, nas engenharias, no direito, nas ciências sociais. Hoje, a indústria cultural aciona estímulos e holofotes deliberadamente vesgos e é preciso uma pesquisa acurada para descobrir que o mundo cultural não é apenas formado por produtores e atores que vendem bem no mercado.

(Milton Santos – Da Cultura à Indústria Cultural).


Segundo o novo tratado das elites econômicas mundiais, quem determinará a hierarquia dos valores e das potências culturais no novo achado do multiculturalismo contemporâneo serão os de sempre. São fenômenos coligados à globalização financeira, e a tendência é a redução da força dos povos nos assentos institucionais e a construção das janelas de uma nova “consciência criativa” a partir da incorporação de um sistema hegemônico.


O que Carlinhos Brown fez suscitando uma enxurrada de críticas, não é algo inédito e, muito menos uma ideia nostálgica extraída do deserto. Na verdade Brown é somente um personagem de um jogo que com certeza se multiplicará com as políticas lincadas entre países e corporações.


Aqui mesmo, no Brasil, tivemos uma ideia clara dessa absurda lógica que me pareceu despercebida por muitos, quando, anos atrás, um grupo de empresários alemães, em nome de um novo universalismo, sequestrou a cultura africana e produziu uma milionária exposição no mundo com a cultura africana, assim como fez no Brasil e, neste caso, bancada por recursos públicos, patrocinada por um banco estatal. É esse aspecto no mundo das artes que mudou de maneira essencial. É uma interpretação multidisciplinar para o benefício exclusivo das elites. 

É assim que um caxixi vira caxirola.


A capoeira, por exemplo já seguiu o mesmo destino, porque muitos sucumbiram inteiramente ao império do dinheiro. São as normas da vida do neoliberalismo, assim não há feitiço que vire contra o feiticeiro, até porque, no caso do Brasil, em que quem deveria ser guardião dos nossos símbolos culturais, o Ministério da Cultura, ao contrário, foi elogiado num artigo publicado pelo Financial Times enaltecendo a Secretaria da Economia Criativa. O artigo é assinado por Jimmy Greer, ativista cultural inglês e diretor de pesquisa e análise da empresa Brazilintel.


É dessa leniência que vimos falando a muito tempo. Dessa triunfante economia criativa que está em curso, realizando a apropriação de valores nacionais e dando a eles perspectiva de valor de mercado a partir de suas patentes. Não importa em que lugar do mundo estejam esses produtos, a presença maciça do neoliberalismo cultural traz consigo interpretações diversas e múltiplas de um mesmo sistema de dominação na era da inteligência.


É fácil combinar adequadamente, neste mundo, técnica e política e, assim, produzir coincidências entre a produção histórica dos povos e a pretensão e a cobiça das grandes corporações que hoje valorizam e povoam esse território. Por incrível que pareça, eles fizeram um progresso fulminante no governo do PT, que tinha como compromisso, em discurso político-eleitoral, a produção de mudanças substanciais nessa lógica perversa.


Na verdade, como eu destaco aqui o paradoxo na formulação do pensamento de Milton Santos e na atitude muscular de Carlinhos Brown, é que, em síntese, na cultura, estamos valorizando cada vez mais a forma em detrimento do conteúdo.

FONTE: TREZENTOS / Carlos Henrique Machado Freitas

sexta-feira, outubro 05, 2012

Ministério da Cultura anuncia lançamento de editais para negros

Em nota divulgada no início da noite desta quinta (4), o Ministério da Cultura informou que "vai lançar editais com a temática afrodescendente, condicionando a produção e criação a produtores e criadores negros".

"É uma justa reivindicação da comunidade negra", disse a ministra da Cultura, Marta Suplicy. O anúncio se segue a uma reunião de Marta com produtores da cultura digital, nesta segunda (3), em que, segundo o texto do MinC, houve um "desabafo de que a cultura negra é apoiada pelo MinC, mas não é realizada por produtores e criadores negros".


Marta se reuniu nesta terça com a ministra de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, para discutir a questão. Também se reuniu com o diretor-curador do Museu Afro Brasil, Emanoel Araújo, para tratar das atividades de lançamento dos editais e da comemoração do Dia da Consciência Negra em São Paulo, em 20 de novembro.

De acordo com o MinC, a ordem da ministra aos presidentes da Funarte, Antonio Grassi, da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), Galeno Amorim, e à secretária do Audiovisual, Ana Paula Santana, é de que apresentem, até a semana que vem, editais a serem lançados na data.

"Com muita honra, vamos lançar os editais e apoiar e incentivar a produção da cultura negra por quem é negro", declarou Marta.

FONTE: FOLHA.COM


Não é racismo, é ação afirmativa, diz Marta Suplicy  

sobre editais para negros













A ministra da Cultura, Marta Suplicy, anunciou nesta quinta-feira (4) que a pasta lançará, em comemoração do Dia da Consciência Negra (celebrado em 20 de novembro), editais para beneficiar apenas produtores e criadores negros.

"É para negros serem prestigiados na criação, e não apenas na temática. É para premiar o criador negro, seja como ator, seja como diretor ou como dançarino", disse a ministra à Folha.

A decisão foi tomada na quinta em reunião em Brasília com a ministra Luiza Bairros (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) e com integrantes do MinC, como o presidente da Funarte (Fundação Nacional de Artes), Antonio Grassi.


A reunião foi realizada a pedido de Marta após debate, na última segunda, sobre inclusão digital em São Paulo. No evento, ela ouviu de um produtor cultural que a cultura negra é apoiada pela pasta, mas nem sempre é realizada por negros.

Para Nuno Coelho de Alcântara, representante em São Paulo da Fundação Cultural Palmares, instituição ligada ao MinC para promover e preservar a cultura afro-brasileira, um edital que condicione a seleção à raça do criador ou produtor pode "fomentar o preconceito racial".

Marta discorda. "Não é [racismo]. Isso vai como uma ação afirmativa."

A medida foi defendida por ativistas do movimento negro ouvidos pela Folha.

"Esse é o chamamento que faltava para a produção cultural negra no Brasil, que é rica e carente de apoios", afirmou Sinvaldo Firmo, do Instituto do Negro Padre Batista, de São Paulo.

Para o artista plástico Emanoel Araujo, curador do Museu Afro Brasil em São Paulo, os editais representam uma "posição política".

"Mas isso é muito bem-vindo. Como está, o Brasil parece mais a Dinamarca do que um país mestiço. Na TV, o negro sempre aparece na posição de empregado ou de chacota. O lado branco é chiquérrimo, e o outro, escravo ou ex-escravo", disse.


FONTE: FOLHA.COM

domingo, setembro 09, 2012

Pondo os pingos nos is: A Obra de Bispo do Rosário


A Bienal de São Paulo deste ano vai ter Arthur Bispo do Rosário como sua estrela maior, e ele merece. É fundamental ver o que ele fez e se comover com a beleza da obra desse singular personagem, marinheiro em sua juventude.

Um dia, a partir de uma alucinação, Bispo se acreditou enviado de Deus, razão que o levou a ser internado na Colônia Juliano Moreira, um depósito de loucos, lugar onde as pessoas entravam e só saiam depois de mortos. Lá ficou durante 50 anos, sendo que parte deles encerrado dentro de uma pequena cela, de onde se recusava a sair.

Foi nessa cela que Bispo começou a trabalhar com tudo que encontrava: tirava fios de camisas e lençóis, um por um, para costurar, usava palha de vassouras de piaçava, botões, colheres, canecas, pentes, tampas de garrafa, objetos hospitalares e toda a sucata disponível e com isso produzia objetos insólitos; em suas mãos tudo virava arte, seus estandartes eram comoventes, mas nada foi mais grandioso que o "Manto da Apresentação".

Nesse manto, que bordou durante 30 anos, ele catalogou o mundo, bordando nomes de pessoas, artistas, cantores, países, acontecimentos, faixas de misses, retratando tudo o que ele lembrava ou ouvia falar que existia; tudo o que ele fazia era perturbador. Esse manto foi feito para ser usado no momento em que o mundo se encontraria com o Todo Poderoso, e que seria seu grande encontro com Deus.

Chamado de "o senhor do labirinto", Bispo tinha seu universo particular, alucinado e delirante, mas sempre com algo de sagrado. Suas obras, que foram expostas na Bienal de Veneza, devem ser vistas com muita atenção, lembrando das circunstâncias e condições em que foram criadas.

Há muitos anos vi uma exposição dele no Rio, numa pequena sala num 15º andar, se não me engano da Caixa Econômica, e que não fez nenhum sucesso. Ele ainda não era famoso, mas eu tinha minhas razões para ir vê-la, e vou contar.

Num domingo de 1980, eu estava em casa, quando me telefonou um jovem repórter da TV Globo dizendo, em tom urgente e excitado, que eu não podia deixar de ver o "Fantástico" naquela noite.

Ele havia ido fazer uma matéria para expor as terríveis condições dos internos da Colônia Juliano Moreira, e como era muito curioso, como todo bom repórter, foi fuçando tudo, até que viu uma cela escura; entrou e encontrou um estranho homem, sozinho, cercado de panos bordados e objetos sem nenhum significado aparente.

Ele entrou e conseguiu dialogar com o homem (que você já adivinhou ser Bispo do Rosário). Rolou uma simpatia, e Bispo não só mostrou tudo o que vinha fazendo havia sete anos, sem sair da cela nem um só dia, como também contou de onde tirava o material, e como fazia suas obras, o que deu uma matéria inacreditável no "Fantástico"; foi depois desse programa que Bispo do Rosário surgiu para o mundo.

A partir daí a classe artística o descobriu, suas obras foram expostas em museus, galerias, e livros escritos sobre sua pessoa. Livros que ele provavelmente não entenderia, se lesse.

Um ser tão extraordinário como Bispo do Rosário seria descoberto mais dia menos dia, imagino. Ou não; e se algum servente do hospital resolvesse fazer uma faxina em sua cela antes da matéria aparecer na TV, e jogasse tudo que encontrasse num lixão?

Nunca vamos ter resposta para isso, e não me lembro de jamais ter ouvido alguém citar o nome desse repórter, o primeiro a vislumbrar a importância de Arthur Bispo do Rosário, mas eu sei quem ele foi.

Seu nome era Samuel Wainer

Filho, e ele era meu filho.

FONTE: FOLHA.COM / DANUSA LEÃO

quarta-feira, julho 18, 2012

Magia negra e feitiço de branco

O poeta da Cooperifa explica a verdadeira “magia negra”

O poeta Sérgio Vaz, do Sarau da Cooperifa, publicou em seu blog, um texto que explica a verdadeira “magia negra”. A expressão ganhou destaque nas últimas 24 horas, por conta da entrevista com Rosane Collor, no programa Fantástico deste domingo, 15. A ex-primeira dama disse que Collor fazia rituais de magia negra na Casa da Dinda, a então residência do casal. Entre outras “pérolas” ainda disse que considera pequena a pensão de R$ 18 mil mensais do ex-marido: “Uma amiga minha que se separou e o marido não é ex-presidente, não é senador da República, e tem uma pensão de quase R$ 40 mil”, protestou.
Com brilhantismo, Sérgio Vaz põe os pingos nos “is”.
MAGIA NEGRA
Magia negra era o Pelé jogando, Cartola compondo, Milton cantando. Magia negra é o poema de Castro Alves, o samba de Jovelina…
Magia negra é Djavan, Emicida, Mano Brow, Thalma de Mreitas, Simonal. Magia negra é Drogba, Fela kuti, Jam. Magia negra é dona Edith recitando no Sarau da Cooperifa. Carolina de Jesus é pura magia negra. Garrincha tinhas duas pernas mágicas e negras. James Brow. Milton Santos é pura magia.
Não posso ouvir a palavra magia negra que me transformo num dragão.
Michael Jackson e Jordan é magia negra. Cafu, Milton Gonçalves, Dona Ivone Lara, Jeferson De, Robinho, Daiane dos Santos é magia negra.
Fabiana Cozza, Machado de Assis, James Baldwin, Alice Walker, Nelson Mandela, Tupac, isso é o que chamo de magia negra.
Magia negra é Malcon X, Martin Luther King, Mussum, Zumbi, João Antônio, Candeia e Paulinho da Viola. Usain Bolt, Elza Soares, Sarah Vaughan, Billy Holliday e Nina Simone é magia mais do que negra.
Eu faço magia negra quando danço Fundo de Quintal e Bob Marley.
Cruz e Souza Zózimo, Spike Lee, tudo é magia negra neles. Umoja, Espírito de Zumbi, Afro Koteban…
É mestre Bimba, é Vai-Vai, é Mangueira todas as escolas transformando quartas-feira de cinza em alegria de primeira.
Magia negra é Sabotage, MV Bill, Anderson Silva.
Pepetela, Ondjaki, Ana Paula Tavares, João Mello… Magia negra.
Magia negra são os brancos que são solidários na luta contra o racismo.
Magia negra é o RAP, O Samba, o Blues, o Rock, Hip Hop de Africabambaataa.
Magia negra é magia que não acaba mais.
É isso e mais um monte de coisa que é magia negra.
O resto é feitiço racista.
FONTE: REVISTA FÓRUM