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quinta-feira, abril 17, 2014

A Carta de Despedida de Gabriel García Márquez











A través del portal internacional español, Telemadrid, se conoció que el reconocido escritor colombiano, Gabriel García Márquez, difundido a través de Internet una carta de despedida a sus amigos.

El nobel escritor colombiano, autor de una larga lista de obras entre ellas “Cien años de Soledad”, fue famoso tanto por su genio como escritor así como por su postura política.

En 1999 le fue diagnosticado un cáncer linfático.

A principios de julio de 2012, por comentarios de su hermano Jaime, se rumoró que el escritor padecía de demencia senil, pero un vídeo donde celebra su cumpleaños en marzo de 2012 sirvió para desmentir el asunto.


La semana pasada Márquez fue internado en un hospital de México a causa de un problema respiratorio.

Esta es la carta que Marcía Márquez difundida por Telemadrid:

“Si por un instante Dios se olvidara de que soy una marioneta de trapo y me regalara un trozo de vida, aprovecharía ese tiempo lo más que pudiera.

Posiblemente no diría todo lo que pienso, pero en definitiva pensaría todo lo que digo.

Daría valor a las cosas, no por lo que valen, sino por lo que significan.

Dormiría poco, soñaría más, entiendo que por cada minuto que cerramos los ojos, perdemos sesenta segundos de luz.

Andaría cuando los demás se detienen, despertaría cuando los demás duermen.

Si Dios me obsequiara un trozo de vida, vestiría sencillo, me tiraría de bruces al sol, dejando descubierto, no solamente mi cuerpo, sino mi alma.

A los hombres les probaría cuan equivocados están al pensar que dejan de enamorarse cuando envejecen, sin saber que envejecen cuando dejan de enamorarse.

A un niño le daría alas, pero le dejaría que el solo aprendiese a volar.

A los viejos les enseñaría que la muerte no llega con la vejez, sino con el olvido.

Tantas cosas he aprendido de ustedes, los hombres… He aprendido que todo el mundo quiere vivir en la cima de la montaña, sin saber que la verdadera felicidad está en la forma de subir la escarpada.

He aprendido que cuando un recién nacido aprieta con su pequeño puño, por primera vez, el dedo de su padre, lo tiene atrapado por siempre.

He aprendido que un hombre sólo tiene derecho a mirar a otro hacia abajo, cuando ha de ayudarle a levantarse.

Son tantas cosas las que he podido aprender de ustedes, pero realmente de mucho no habrá de servir, porque cuando me guarden dentro de esa maleta, infelizmente me estaré muriendo.

Trata de decir siempre lo que sientes y haz siempre lo que piensas en lo más profundo de tu corazón.

Si supiera que hoy fuera la última vez que te voy a ver dormir, te abrazaría fuertemente y rezaría al Señor para poder ser el guardián de tu alma.

Si supiera que estos son los últimos minutos que te veo, te diría “Te Quiero” y no asumiría, tontamente, que ya lo sabes.

Siempre hay un mañana y la vida nos da siempre otra oportunidad para hacer las cosas bien, pero por si me equivoco y hoy es todo lo que nos queda, me gustaría decirte cuanto te quiero, que nunca te olvidaré.

El mañana no lo está asegurado a nadie, joven o viejo. Hoy puede ser la última vez que veas a los que amas. Por eso no esperes más, hazlo hoy, ya que si mañana nunca llega, seguramente lamentaras el día que no tomaste tiempo para una sonrisa, un abrazo un beso y que estuviste muy ocupado para concederles un último deseo.

Mantén a los que amas cerca de ti, diles al oído lo mucho que los necesitas quiérelos y trátalos bien, toma tiempo para decirles, “lo siento” “perdóname”, “por favor”, “gracias” y todas las palabras de amor que conoces.

Nadie te recordará por tus nobles pensamientos secretos. Pide al Señor la fuerza y sabiduría para expresarlos.

Finalmente, demuestra a tus amigos y seres queridos cuanto te importan”.


FONTE: PARTIDO COMUNISTA COLOMBIANO

Gabriel Garcia Marques,morre em sua casa na Cidade do México












Ganhador do Prêmio Nobel, escritor morreu nesta quinta-feira (17), em sua casa na Cidade do México

O escritor Gabriel García Marquez morreu aos 87 anos de idade nesta quinta-feira em sua casa na Cidade do México, segundo membros da família disseram à imprensa colombiana.

Ganhador do prêmio Nobel de Literatura, ele foi um dos escritores mais famosos da América Latina e uma de suas principais obras, "Cem Anos de Solidão", o tornou famoso mundialmente.

García Márquez nasceu em Aracataca, na Colômbia, em 6 de março de 1928. Ele passou a infância sob os cuidados dos avós maternos, o coronel Nicolás Ricardo Márquez Mejía, veterano da guerra dos Mil Dias, da Colômbia, e Tranquilina Iguarán.

O escritor sempre disse que a semente de seu estilo e de sua imaginação está nesta parte de sua vida, no casarão onde sua avó contava histórias de fantasmas e presenças como se fossem a coisa mais normal do mundo.
Anos depois, García Marquéz diria que esta forma de contar histórias fantásticas é a mesma que ele iria usar em livros como "Cem Anos de Solidão".

O avô Nicolás Ricardo morreu quando "Gabito", como os amigos o chamavam, tinha 8 anos. O menino então voltou a morar com os pais, que eram praticamente desconhecidos para a criança, na cidade de Sucre, ao lado dos outros irmãos.

Este fato marcou o fim da infância do escritor que, em suas recordações, afirma que não prestou atenção em mais nada a partir daí. "Desde então, nada interessante me aconteceu", disse.

Estudos
Aos 12 anos, García Márquez ganhou uma bolsa de estudos para um internato em Zipaquirá, cidade perto de Bogotá que muitos reconhecem nas descrições do povoado lúgubre e remoto onde o personagem Aureliano Segundo vai buscar Fernanda del Carpio no livro "Cem Anos de Solidão".

Os anos no internato foram decisivos para a formação do escritor, que passava as tardes de sábado e domingo devorando obras de Julio Verne e Alexandre Dumas.

Em 1947 García Márquez começou a estudar direito na Universidade Nacional de Bogotá, mas nunca seguiu esta carreira. Neste mesmo ano, ele publicou no jornal "El Espectador" seu primeiro conto, "La Tercera Resignación". No ano seguinte ele começou a trabalhar como repórter no jornal "El Universal", de Cartagena, continuou escrevendo contos para "El Espectador".

Em 1950, García Márquez conheceu em Barranquilla um grupo de jovens intelectuais formado por Álvaro Cepeda Samudio, Alfonso Fuenmayor e Germán Vargas. Estes o apresentaram a Ramón Vinyes, chamado na época de o "sábio catalão". Todos eles apareceriam nos últimos capítulos de "Cem Anos de Solidão".

A influência deste grupo seria grande. Eles foram os melhores amigos do escritor e conseguiram para ele um emprego no jornal "El Heraldo" de Barranquilla e introduziram em sua vida o melhor da literatura moderna com autores como Faulkner, Hemingway, Joyce, Kafka e Virginia Woolf.

Em 1951 García Márquez já havia escrito seu primeiro romance, "La Hojarasca", que só foi publicado anos mais tarde.

Jornalista
Em 1954 García Márquez volta a Bogotá para trabalhar em tempo integral no "El Espectador", onde escreveu reportagens que o transformaram em um dos jornalistas mais famosos da Colômbia. No ano seguinte, foi para Genebra, como enviado do jornal para uma conferência. O que era para ser uma viagem curta, durou quatro anos.

A ditatura de Gustavo Rojas Pinilla fechou o jornal e García Márquez, que estava em Paris, decidiu investir o dinheiro da passagem de volta em sua estadia na Europa e na finalização do livro "Ninguém Escreve ao Coronel".
Neste período também escreveu "Os Funerais da Mamãe Grande" e outros contos. Em uma de suas visita à Colômbia, em 1958, se casou com Mercedes Barcha.

Em Havana e no México
As viagens de García Márquez levaram o escritor a vários lugares da América Latina e Caribe, entre eles, Havana, em Cuba onde, em 1960, trabalhou na agência de notícias criada pelo governo cubano, Prensa Latina, depois da Revolução.

Nesta ocasião começou seu interesse pela ilha e sua amizade com Fidel Castro. O escritor também trabalhou em Caracas e Nova York até chegar à Cidade do México, exatamente no dia em outro escritor e um de seus mestres, Ernest Hemingway, morreu.

Na capital mexicana trabalhou como roteirista de cinema, editor, publicitário e jornalista. E foi na Cidade do México que ele escreveu "Cem Anos de Solidão".
A forma como García Márquez escreveu seu livro mais famoso já entrou para a mitologia literária da América Latina.

"Há muito tempo me atormentava a ideia de um romance desmedido, não apenas diferente de tudo que escrevi antes, mas também de tudo que havia lido. Era uma espécie de terror sem origem."

"(...) No começo de 1965, ia com Mercedes e meus dois filhos para um fim de semana em Acapulco quando me senti fulminado por um cataclisma da alma (....).

"Não tive um minuto de sossego na praia. Na terça-feira, quando voltamos ao México, me sentei na máquina para escrever uma frase inicial que não podia suportar dentro de mim: 'Muitos anos depois, em frente ao pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía se lembraria daquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo'."

"Desde então não parei um dia, em uma espécie de sonho demolidor, até a linha final (...)", acrescentou o escritor.

"Cem Anos de Solidão" mudou a vida de García Márquez. O estilo avassalador e luminoso do livro e suas histórias delirantes conquistaram leitores do mundo todo.

E o livro ainda faz sucesso. A estimativa é que tenha vendido mais de 30 milhões de exemplares no mundo todo desde sua publicação em junho de 1967.

O outono
Instalado em Barcelona, na Espanha, García Márquez começou a escrever o romance "O Outono do Patriarca", o relato sobre um ditador da América Latina, um livro publicado em 1975 e que confirmou a força literária do escritor colombiano.

O livro, segundo o escritor, mostra o homem em que Aureliano Buendía teria se transformado se tivesse chegado ao poder.

Antes porém publicou vários contos. Neste período também ocorreu a maior divisão política entre os integrantes do "boom" da literatura da América Latina. Em 1971 ocorreu a detenção e depois a confissão pública de culpa em Cuba do poeta Heberto Padilla, algo que lembrou a muitos os julgamentos stalinistas.

Enquanto escritórios como Mario Vargas Llosa (de forma pública e furiosa) e Carlos Fuentes (de forma mais discreta) se distanciaram do regime cubano, García Márquez continuou apoiando o governo da ilha junto com Julio Cortázar.
A década de 1970 foi o período de maior atividade política do escritor, quando ele anunciou que não voltaria a publicar obras de ficção até que Augusto Pinochet deixasse o poder no Chile. Ele também se dedicou a escrever artigos jornalísticos.

Para sorte dos leitores e fãs, García Márquez rompeu a promessa em 1981, quando publicou um livro curto, denso e magnífico, "Crônica de uma Morte Anunciada".

No ano seguinte, ele recebe o prêmio Nobel de literatura.

Etapa final
Depois do prêmio, García Márquez escreveu outros três livros: "O Amor nos Tempos do Cólera", "O General em Seu Labirinto" (sobre os últimos dias de Simón Bolívar), "Do Amor e Outros Demônios" e "Memórias de Minhas Putas Tristes", de 2004, sua última obra de ficção.

Também publicou o livro de relatos "Doces Contos Peregrinos", uma grande reportagem, "Notícia de um Sequestro", e suas memórias, "Viver para Contar", em 2002.

Em 1999 foi diagnosticado com câncer linfático. Apesar do tratamento bem-sucedido, o escritor diminuiu suas aparições públicas, que ficaram ainda mais raras nos últimos anos de vida.

Além de sua reclusão, outro assunto comentado foi sua perda de memória, algo confirmado por um de seus irmãos. A cada dia 6 de março, dia de seu aniversário, García Márquez ia até a porta de sua casa na Cidade do México para cumprimentar os jornalistas que se acotovelavam no local.

Agora, Gabriel García Márquez pertence à história. Ele mesmo costumava dizer, e seus amigos confirmavam: no fundo da alma, ele nunca desejou ser o filho do telegrafista de Aracataca.

Os que tiveram a chance de conhecer o escritor pessoalmente perceberam que, atrás da pessoa pública e do amigo de estadistas, se escondia um homem terno e quase tímido.

Por isso e também por todos seus livros, ele era amado pelos amigos e por milhões de pessoas no mundo todo. E, muitos anos depois de ter escrito seu último livro, García Márquez continua sendo amado.

FONTE: Ultimo Segundo.ig


Gabo por José Saramago:
Os escritores dividem-se (imaginando que aceitem ser assim divididos…) em dois grupos: o mais reduzido, daqueles que foram capazes de rasgar à literatura novos caminhos, o mais numeroso, o dos que vão atrás e se servem desses caminhos para a sua própria viagem. 
É assim desde o princípio do planeta e a (legítima?) vaidade dos autores nada pode contra as claridades da evidência. 
Gabriel García Márquez usou o seu engenho para abrir e consolidar a estrada do depois mal chamado “realismo mágico” por onde logo avançaram multidões de seguidores e, como sempre acontece, os detractores de turno. 
O primeiro livro seu que me veio às mãos foi Cem Anos de Solidão e o choque que me causou foi tal que tive de parar de ler ao fim de cinquenta páginas.
Necessitava pôr alguma ordem na cabeça, alguma disciplina no coração, e, sobretudo, aprender a manejar a bússola com que tinha a esperança de orientar-me nas veredas do mundo novo que se apresentava aos meus olhos.
Na minha vida de leitor foram pouquíssimas as ocasiões em que uma experiência como esta se produziu. Se a palavra traumatismo pudesse ter um significado positivo, de bom grado a aplicaria ao caso. Mas, já que foi escrita, aí a deixo ficar. Espero que se entenda.

terça-feira, abril 09, 2013

Thatcher "morreu em paz" mas deixou a guerra social no terreno







A baronesa Thatcher "morreu em paz", anunciou o porta-voz da família. Desapareceu uma das "grandes estadistas" do séc. XX, comentam dirigentes políticos da atualidade e do seu tempo. Na realidade, o legado da "dama de ferro" que durante 11 anos (1979-1990) governou o Reino Unido está à vista de todos nos tempos que passam: a guerra social contra os trabalhadores.

A par de Augusto Pinochet, no Chile, e de Ronald Reagan, nos Estados Unidos, Margaret Thatcher foi uma das dirigentes que contribuiu de maneira decisiva para a implantação do regime neoliberal e consequente desmantelamento do papel dos Estados na sociedade, aplicando as teses de Milton Friedman e da chamada "Escola de Chicago", na linha de Friedrich Von Hayek, o "guru" da "dama de ferro".
Gerry Adams, o presidente do Sinn Féin e histórico lutador republicano irlandês, declarou a seguir à morte de Thatcher que a ex-primeira ministra britânica "provocou grandes feridas entre os irlandeses e os britânicos" durante o seu consulado. O dirigente irlandês acrescentou que devido à política da ex-primeira ministra, "as comunidades da classe trabalhadora foram devastadas" no Reino Unido. E também a nível internacional, disse, "o seu papel foi igualmente beligerante através do apoio ao ditador chileno Pinochet, da sua oposição às sanções contra o apartheid na África do Sul e do apoio aos Khmeres Vermelhos" no Cambodja.
A guerra contra a greve dos mineiros em 1981 e 1982, para a qual mobilizou efetivos policiais nunca vistos, o combate feroz contra os sindicatos desenvolvido a partir dessa vitória, e a sintonia com a administração Reagan nos Estados Unidos contribuíram para transformar radicalmente a economia mundial no sentido do poder absoluto dos mercados e a minimização do papel dos Estados. A génese da guerra social contra os trabalhadores que caracteriza a situação atual, em que a austeridade é o único meio de combate contra a crise, está no consulado de Margaret Thatcher.
O seu "euroceticismo" não evitou que as políticas monetaristas e as teses fundamentalistas neoliberais fossem adotadas na União Europeia na fase do alargamento que seguiu à queda da União Soviética e durante a qual foi lançado o euro. A Srª Merkel é a versão alemã e pan-europeia da Srª Thatcher três décadas depois.
"A Constituição da Liberdade", de Friedrich Van Hayek, foi a "bíblia" da Srª Thatcher. Van Hayek tinha opiniões com grande atualidade sobre a relação entre a democracia e as crises económicas. "As restrições à democracia podem ser necessárias num período de transição", declarou o "guru" de Thatcher numa entrevista dada por sinal a um jornal chileno durante a ditadura neoliberal de Pinochet. Dizia ainda Van Hayek que "se a opção totalitária é a única oportunidade que existe num determinado momento, então pode ser a melhor solução".
Para a História fica uma carta da Srª Thatcher ao seu mentor explicando as razões pelas quais não poderia seguir passo a passo a experiência chilena. "Estou segura (...) de que concorda que no Reino Unido, com as nossas instituições democráticas e a necessidade de elevado grau de consenso, algumas medidas adotadas no Chile são inaceitáveis". Por vezes, explicava a "dama de ferro", "o processo poderá parecer dolorosamente lento, mas estou certo de que o concretizaremos à nossa maneira e no nosso tempo. Então ficará para durar".
Margaret Thatcher também teve a sua guerra de cariz imperial ao impedir a Argentina de assumir o controlo sobre o Arquipélago das Malvinas, conhecido também por Falkland na versão colonial. O conflito permitiu-lhe associar a vertente populista e nacionalista às transformações neoliberais, inventando então o chamado "capitalismo popular". Por exemplo, a privatização das casas de renda social, tornando cada ocupante um proprietário, fez com que cada família tivesse que pagar mensalmente a um banco várias vezes a verba que até então entregava ao Estado.
Portugal teve o seu papel nessa guerra, ao lado da "dama de ferro", ao permitir que aviões britânicos utilizassem os Açores à sombra da "velha aliança", de que os governantes portugueses se esqueceram, por exemplo, durante grande parte da Segunda Guerra Mundial. A confissão dessa colaboração numa guerra de índole colonial foi feita segunda-feira pelo primeiro ministro de então, Francisco Pinto Balsemão, uma das vozes que elegeu Margaret Thatcher como "grande estadista" do séc. XX.
"Aqui na Irlanda", lembra Gerry Adams, o culto de Thatcher "pelas velhas políticas militaristas draconianas prolongou a guerra e causou grande sofrimento. Recorreu à censura, ao ataque e à morte de cidadãos através de operações secretas, incluindo advogados como Pat Finucane, juntamente com operações militares mais abertas, e recusou-se a reconhecer o direito de voto dos cidadãos nos partidos por eles escolhidos".
"Margaret Thatcher será especialmente recordada pelo seu vergonhoso papel durante as épicas greves da fome em 1980 e 1981". Às mãos da "dama de ferro" morreram, nesse episódio, militantes republicanos como Bobby Sands.
FONTE: ESQUERDA NET

terça-feira, março 05, 2013

Qual o legado de Chávez?









O nacionalismo burguês representado pelo chavismo não acabou com a pobreza ou a desigualdade social na Venezuela

Desde que Chávez anunciou publicamente no dia 8 de dezembro a reincidência de seu câncer e uma nova cirurgia de emergência em Cuba, pouco ou nada se sabe sobre seu real estado de saúde. Especulações e boatos à parte, é quase consenso que a grave situação do dirigente bolivariano é irreversível e que muito dificilmente ele retornará ao cargo de presidente. 

Para além do drama pessoal de Chávez e da comoção de inúmeros ativistas e militantes honestos, os acontecimentos recentes na Venezuela reacendem o debate sobre o chavismo e o real significado de seu “Socialismo do Século XXI”.

Durante os 14 anos em que esteve à frente do país, Chávez se tornou principal referência para grande parte da esquerda no mundo. “Hoje temos uma economia em transição ao socialismo” chegou a discursar o vice-presidente Nicolás Maduro ao dizer que a política do governo não mudaria no tempo em que Chávez estivesse convalescendo em Havana.

Mas seria mesmo a Venezuela dirigida pelo chavismo um país rumo ao socialismo ou, pelo menos, um avanço na luta contra o imperialismo? 

Um nacionalismo burguês em nova roupagem
O fenômeno que possibilitou o surgimento do chavismo foi um produto da mobilização das massas venezuelanas. Em 1989 uma verdadeira insurreição popular contra a miséria e a inflação, conhecida como “Caracazo”, havia sacudido o país. O governo conseguiu sufocar a revolta, mas a crise econômica e política só se aprofundaram. Em 1992 o então tenente-coronel das Forças Armadas, Hugo Chávez, aproveitou-se do desgaste do governo de Carlos Andrés Pérez para tentar um golpe de Estado. Chávez fracassa, é preso, mas se transformou em uma referência política.

Em 1998 o militar de discurso nacionalista, já anistiado, lidera uma frente de partidos reunidos no "MovimentoV República" (MVR) e vence as eleições presidenciais, pondo fim à hegemonia de 40 anos dos partidos tradicionais da direita. A Venezuela que Chávez assume é um país com uma brutal desigualdade social e pobreza e com os políticos desacreditados após sucessivos escândalos de corrupção.

No governo, Chávez anuncia sua “revolução pacífica”, ou seja, uma política de mudanças graduais por dentro do Estado burguês, apoiando-se sobretudo, em sua base social, as Forças Armadas. Já a nova constituição promulgada em 2000 teve como principal medida centralizar ainda mais o poder nas mãos do Executivo. Com a onda de revoluções que passou pela América Latina na virada do século, Chávez foi reorientando o discurso nacionalista para a sua versão peculiar de socialismo.

Se por um lado Chávez e seu governo são produtos da mobilização das massas, porém, por outro se coloca à cabeça desse processo para institucionalizá-lo, desviando-o para uma política nacionalista burguesa, autoritária e que, apesar do discurso, não rompe com o imperialismo. 

Apoiado em um setor da burguesia venezuelana que esteve ao seu lado mesmo antes de ser eleito, o governo passou à cooptação das direções sindicais e dos movimentos populares. Em 2007, Chávez avançou ainda mais em seu projeto de centralização política ao lançar as bases do PSUV (Partido Socialista Único da Venezuela), um partido com o objetivo de reunir toda a sua base e a esquerda, colocando-os sob a disciplina chavista. Quem não aderiu ao partido de Chávez foi tachado de “contrarrevolucionário”, mesmo que a legenda também reunisse “empresários socialistas”.

Produto da cooptação de dirigentes do movimento, da aproximação com empresários leais ao regime e da corrupção no aparelho do Estado, surge ainda a chamada “boliburguesia”, a burguesia “bolivariana”, que enriquece graças aos negócios com o Estado. Entre os exemplos mais proeminentes desse setor estão o presidente da Assembleia Nacional e um dos principais dirigentes do chavismo, Diosdalo Cabello e o presidente da PDVSA, a estatal do petróleo, Rafael Ramírez, ambos figuram entre os homens mais ricos da Venezuela. Cabello é dono de três bancos, indústrias e ações de empresas que mantém negócios com o Estado.

As nacionalizações realizadas com estardalhaço pelo governo Chávez, por sua vez, não passam de aquisições de ações de empresas, compactuadas com as multinacionais do setor sem qualquer conflito. Isso ocorre principalmente no setor petrolífero, em que a PDVSA participa de empresas mistas junto com as multinacionais da área, como também na CANTV (Compañía Anónima Nacional Teléfonos de Venezuela), uma das maiores e mais lucrativas empresas do país em que, apesar de ser oficialmente estatal, tem a maior parte controlada por empresas privadas.

A Venezuela deixada pelo chavismo
Não seria justo atribuir os graves problemas sociais da Venezuela apenas ao chavismo. Durante décadas a direita tradicional governou o país atendendo os interesses do imperialismo e tornando a Venezuela um dos países mais desiguais e pobres do continente. No entanto, passados 14 anos de governo Chávez, esses problemas persistem e tendem a piorar diante do agravamento da crise econômica.

Os programas sociais do governo venezuelano reduziram a pobreza extrema no país de 49% em 1999 para 29,5 % em 2011 (dados da Cepal). Mesmo assim, está acima da média da América Latina, de 28,8%. Na zona rural do país, os níveis de pobreza chegam a 59%. 

Nos últimos 10 anos o conjunto de países no subcontinente foi favorecido pela alta demanda por matérias-primas, sobretudo da China. A condição de exportadores de commodities permitiu um relativo crescimento e, em geral, as taxas de pobreza e desemprego melhoraram, como ocorreu no Brasil, ainda que os problemas sociais estruturais estejam mais presentes do que nunca (a região conta ainda com 167 milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza). Mesmo assim, em 2011, a Venezuela foi na contramão desse processo e teve um aumento de 1,7% na índice de pobreza e 1% na taxa de indigentes.

A verdade é que, por trás do discurso pretensamente revolucionário do chavismo, esconde-se uma política econômica que, em si, não difere muito dos governos anteriores. É totalmente dependente da exportação de petróleo (representa 90% das exportações venezuelanas e algo como 30% do PIB), continua atrelado e pagando em dia a dívida externa (que passou de 14% do PIB em 2008 para 30% em 2010) e com uma das mais altas taxas de inflação do mundo, que em 2012 fechou em 20% e que atinge de forma dramática os mais pobres. Como se isso não bastasse, a violência urbana explodiu nos últimos anos. 

Por trás dessa situação que continua afligindo o povo da Venezuela está um sistema que permanece beneficiando as grandes empresas e o imperialismo. 

A farsa do “anti-imperialismo”
Não é por menos que a Organização dos Estados Americanos, a OEA, tenha aceitado a manobra do governo em postergar indefinidamente o atual mandato diante da impossibilidade de Chávez em comparecer à cerimônia de posse, que deveria ocorrer dia 10 de janeiro. O imperialismo contrariou boa parte da direita venezuelana a fim de garantir uma estabilidade política que, em última instância, o beneficia. 

Exemplo dessa situação foi o que o diretor para mercados emergentes do Eurasia Group, Christopher Garman, expressou ao jornal Estado de S. Paulo do dia 9 de janeiro: “Existe a percepção de que uma Venezuela pós-Chávez pode ser melhor para os negócios, mas nós temos de lembrar que as instituições políticas foram criadas em torno de Chávez”, explicou, para depois afirmar: “Com a oposição ou com um chavismo sem Chávez, nossa preocupação é que a instabilidade política e institucional possa afastar os investimentos e a confiança do investidor”. 

O setor mais importante da Venezuela atende os interesses do imperialismo. Grande parte do petróleo cru exportado pelo país, por exemplo, tem como destino os EUA (suprindo o petróleo que a potência deixou de contar com o Oriente Médio deflagrado). Enquanto isso, a Venezuela se vê obrigada a importar petróleo refinado, assim como uma série de produtos básicos que não fabrica.

A desnacionalização da produção do petróleo, cujo marco foi a quebra do monopólio estatal em 1995, aprofundou-se com Chávez e hoje as gigantes do setor se apoderam da matéria-prima venezuelana. A PDVSA atua em conjunto com grandes empresas multinacionais, que também contam com áreas exclusivas de exploração. Empresas como a Conoco-Phillips, a Chevron-Texaco e a Exxon-Mobil controlam algo como 40% da produção do país.

Mas se do ponto de vista econômico, a Venezuela não contraria os interesses do imperialismo, politicamente Chávez seria um apoio à luta anti-imperialista na região? Infelizmente, nem isso. Em 2011 o governo venezuelano deixou a esquerda perplexa ao prender o representante das Farc que visitava o país, o jornalista Joaquín Pérez Becerra, e enviá-lo ao governo da Colômbia. 

Chávez assumiu publicamente a responsabilidade pela medida, que passou ao largo de qualquer lei internacional em defesa dos refugiados e exilados políticos, apenas para atender um pedido do presidente colombiano Juan Manuel dos Santos, sucessor de Álvaro Uribe. 

A esquerda chavista, que tanto aplaude de forma efusiva qualquer palavra do presidente contra os EUA, calou-se, e a história mostrou mais uma vez que o nacionalismo em um país periférico não é capaz de se contrapor ao imperialismo.

A responsabilidade da esquerda
Para além dos discursos ufanistas da cúpula chavista, as perspectivas não são nada boas para os trabalhadores venezuelanos. A situação da economia se agrava, o aumento da dívida pública provoca um rombo nas contas e um déficit fiscal de 20%. Pouco antes da internação de Chávez, o governo preparava o anúncio de um pacote de ataques a fim de enfrentar a crise. Conjuntura que já vêm produzindo arranhões no governo.

O desgaste do chavismo se expressou nas eleições outubro quando, apesar de Chávez ter ganhado com relativo folga, a vantagem de 54% dos votos contra 44% do candidato adversário foi a menor desde as eleições de 1998. Grande parte dos votos do candidato da direita, o governador de Miranda Henrique Capriles, ocorreu porque muitos trabalhadores resolveram “castigar” Chávez. 

Sem uma alternativa política que conseguissem identificar, muitos trabalhadores que rompiam com o chavismo acabaram dando seu voto ao representante da direita. A mesma direita que destruiu o país nos anos 1980 e 1990 e que, alijada do poder, tentou um golpe em 2002 contra o governo de Chávez.

Esse é o dilema da esquerda. O governo Chávez conta hoje com o apoio da grande maioria da população, sobretudo dos mais pobres. Porém, tal apoio está ligado aos programas sociais (as “missões”), assistencialistas, que constituem fonte de sobrevivência a milhões de pessoas. Além de não resolverem os problemas estruturais do país, tais programas tendem a desaparecer diante do agravamento da crise. 

A grande maioria da esquerda socialista, no entanto, não só não se lançou à tarefa de construir um polo independente, classista, como passou de malas e bagagens para o lado do chavismo, oferecendo um apoio quase que incondicional ao dirigente bolivariano e ao seu nacionalismo burguês. E aí está o drama para os trabalhadores. Quando as massas venezuelanas fizerem sua experiência com o chavismo, qual a alternativa que aparecerá para a classe trabalhadora? Nenhuma, além do retrocesso da direita.

A exemplo de Lula no Brasil, o chavismo vai na contramão do classismo e lança confusão entre os trabalhadores ao afirmar que é possível chegar ao socialismo junto com os empresários. Impede a livre organização dos trabalhadores ao reprimir e limitar a atuação dos sindicatos, partidos e movimentos independentes. Tenta fazer crer que o desenvolvimento da Venezuela não é antagônico aos interesses do imperialismo e suas empresas. 

A única política realmente progressiva que se pode ter diante dessa complexa conjuntura é a luta pela organização independente dos trabalhadores, denunciando a direita neoliberal e pró-imperialista e explicando pacientemente às massas venezuelanas o real papel e caráter do chavismo.

FONTE: Artigo publicado no Opinião Socialista 455 de 23 de janeiro de 2013

Chavismo sem Chávez: o que vai acontecer na Venezuela?









Oposição de direita se mostra fragilizada e o chavismo tampouco aparece coeso. Enquanto isso economia se deteriora diante do agravamento da crise

 As últimas semanas foram de expectativas e incertezas em relação ao futuro da Venezuela. Desde que o presidente Hugo Chávez foi à televisão no último dia 8 de dezembro anunciar mais uma reincidência de seu câncer e uma nova operação em Cuba, poucas informações foram divulgadas sobre seu real estado de saúde. Foi a 4ª operação realizada desde que o mandatário revelou sofrer de câncer, em junho de 2011.

Ao contrário das outras vezes, porém, o último discurso de Chávez antes de partir para a nova bateria de tratamento em Havana, teve um outro tom. Foi a primeira vez que Chávez admitiu publicamente poder não voltar ao cargo, tomando o cuidado de indicar seu vice e chanceler, Nicolás Maduro, como sucessor no caso de novas eleições.

O governo venezuelano, por sua vez, divulgou informações esparsas e muitas vezes contraditórias após a internação do líder bolivariano. Primeiro, informou que a cirurgia realizada no dia 11 de dezembro havia sido bem-sucedida. Depois, revelou que o presidente havia sofrido uma grave hemorragia durante a intervenção, mas que já estaria se restabelecendo. Só após o "furo" de um jornal espanhol o governo admitiu que Chávez estaria passando por um grave quadro de insuficiência respiratória decorrente de uma infecção, e que estava “lutando por sua vida”.

As constantes viagens de Maduro e representantes de diversos países a Cuba, incluindo Evo Morales e Cristina Kirchner, além do assessor especial da presidência para assuntos internacionais do governo Dilma, Marco Aurélio Garcia, só aumentaram a apreensão sobre o que ocorria em Havana. Chegou-se a difundir a notícia de que o presidente estaria em coma, com seus familiares e aliados políticos apenas esperando o momento certo para decidir o desligamento dos aparelhos. 

Mas qual o real estado de saúde de Chavez? Estaria mesmo em um estado terminal? Estaria vivo ainda? O governo venezuelano, em um modus operandi típico de ditaduras (incluindo a ditadura militar brasileira) sonega informações para garantir a sua autopreservação e mantém o povo em uma cortina de fumaça.

Batalha política em Caracas
Se em Havana o presidente venezuelano lutava pela vida, em Caracas abria-se uma batalha política e jurídica em torno do mandato. A direita através da Mesa de Unidade Democrática (MUD), liderada por Ramón Guillermo Aveledo, pressionou para que, diante da ausência de Chávez na cerimônia oficial de posse marcada para o dia 10 de janeiro, fosse declarada a “ausência absoluta” do presidente eleito. Diante disso, a Constituição prevê a posse interina do presidente da Assembleia Nacional e a convocação de novas eleições em 30 dias.

Os chavistas, porém, rechaçaram essa medida e, com a anuência do Tribunal Supremo de Justiça, atrelado ao chavismo, postergaram indefinidamente a posse do novo mandato. Na prática, o atual governo estendeu seu mandato até que o presidente eleito apareça, no que muitos viram um golpe de Estado. No entanto, apesar de setores da oposição terem convocado manifestações nas ruas contra essa medida, o próprio ex-candidato à presidência nas eleições de outubro e principal figura da direita no país, Henrique Capriles, governador de Miranda (importante e mais populoso estado), concordou com a decisão do tribunal. Assim como a OEA.

Mesmo assim, a fim de se contrapor às convocatórias da direita, o governo patrocinou manifestações de apoio à Chavez no dia em que o presidente deveria tomar posse, levando dezenas de milhares às ruas de Caracas. A direita, por sua vez, conseguiu reunir apenas 2 mil pessoas em um protesto contra o governo. 

A atual conjuntura venezuelana, aliás, permite observar situações de extrema hipocrisia, como setores da direita que impulsionaram a tentativa de golpe em 2002 agora se arvorar como os grandes defensores do Estado de Direito. No âmbito internacional não é diferente e até mesmo o governo paraguaio, que depôs arbitrariamente o presidente eleito Fernando Lugo, cobrou do governo da Venezuela o “respeito à Constituição”.

Para onde vai a Venezuela?
Mas, para além do estado de saúde de Chavez, o que aponta a Venezuela? Apesar de a situação ser extremamente complexa, pode-ser afirmar que comoção criada e insuflada pelo governo em torno da figura de Chávez e seu drama pessoal vem conseguindo reverter parte do desgaste enfrentado pelo governo no último período. 

Basta lembrar as eleições presidenciais de outubro último e as regionais em dezembro e compará-las. Apesar de Chávez ter vencido Capriles com relativa folga, a vantagem (54% contra 44%) foi a menor desde que assumiu o poder em 1998. Já nas eleições para os governos dos estados realizadas em 16 de dezembro, após a internação de Chávez, o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) obteve uma vitória acachapante, ganhando em 20 dos 23 estados, conquistando quatro estados da oposição.

Temos então uma oposição de direita dividida e sem muita capacidade de mobilização e um chavismo conjunturalmente fortalecido. Porém, se isso aparece de forma clara hoje, não é provável que se mantenha a longo prazo. Para começar o próprio PSUV é um palco de encarniçadas batalhas de setores do próprio chavismo. Exemplo máximo dessa divisão é o vice Maduro e o presidente da Assembleia Nacional, Diosdalo Cabello. Apesar das forçadas poses para a imprensa, é mais do que conhecido a disputa política entre os dois pelo espólio de Chávez. A própria demora em se informar o estado de saúde do presidente seria uma medida para ganhar tempo e aparar minimamente as arestas do chavismo para a composição de um futuro governo.

Em segundo lugar, o desgaste do governo expresso nas eleições de outubro pode estar revelando o início de um processo mais estrutural. O modelo no qual Chávez governou os últimos 14 anos parece estar perdendo fôlego. Apesar do discurso socialista, o governo nacionalista de Chavez administra um capitalismo que prevê a estatização parcial de setores da economia de um lado e, de outro, a expansão de programa sociais “focalizados” e compensatórios, como ocorre no Brasil com o Bolsa Família (de fato a pobreza extrema urbana teve uma redução de 49% em 1999 para 29% em 2010, segundo a ONU). De resto, o país continua pagando a dívida externa e garantindo o lucro das grandes empresas.

Não é por menos que a situação atual de Chávez assuste não só os chavistas. O diretor para mercados emergentes do Eurasia Group, Christopher Garman, expressou ao jornal Estado de S. Paulo do dia 9 de janeiro seus temores diante do atual quadro: “Existe a percepção de que uma Venezuela pós-Chávez pode ser melhor para os negócios, mas nós temos de lembrar que as instituições políticas foram criadas em torno de Chávez” , explicou, para depois afirmar: “Com a oposição ou com um chavismo sem Chávez, nossa preocupação é que a instabilidade política e institucional possa afastar os investimentos e a confiança do investidor” 

O analista de mercado expressa o que deve estar pensando o imperialismo e parte significativa do mercado financeiro internacional: os EUA tem o petróleo que tanto necessita, os credores da dívida pública recebem em dia, as multinacionais lucram e isso tudo em um ambiente de estabilidade política garantida pelo governo. Nem que para isso ele tenha que reprimir o movimento sindical que não se submete à disciplina chavista. Para que mudar?

Sem ruptura com o capitalismo ou o imperialismo, porém, o país permanece com os problemas estruturais de sempre, como a desigualdade social e a pobreza, além de estar vulnerável às crises econômicas internacionais. Essa é uma realidade que os discursos apaixonados pró-Chavez e seu “Socialismo do Século XXI” não são capazes de esconder. Em 2012, por exemplo, a Venezuela aliou baixo crescimento com uma alta inflação que superou os 20% e que come o poder de compra da população. Além disso, o país segue pagando uma dívida externa que passou de 14% do PIB em 2008 para 30% em 2010. O endividamento público como um todo chega hoje a 51% do PIB (segundo dados oficiais baseados em um câmbio manipulado) e o déficit fiscal, 20%. A violência urbana explodiu, quase triplicando no governo de Chávez.

A Venezuela, após 14 anos de Chávez, é um país desigual e mais dependente que nunca. Programas assistencialistas, estatizações parciais e um discurso pretensamente radical e anti-imperialista garantiram até agora o apoio de grande parte da população. Já o alto preço do petróleo no mercado internacional concedeu relativa tranquilidade ao país que é o oitavo maior produtor da commoditie. Mas a permanência de problemas estruturais e o reflexo do agravamento de uma crise econômica internacional no país podem minar esse apoio popular. Conseguirá o chavismo governar apoiando-se somente nas Forças Armadas?

Manter seu domínio e uma estabilidade política no país vai ser para o chavismo um milagre tão maior quanto Chávez se levantar do leito da UTI em Havana e voltar ao governo em Caracas.

FONTE: DIEGO CRUZ / OPINIÃO SOCIALISTA

sábado, março 02, 2013

"Indignai-vos"


Autor de "Indignai-vos" morre aos 95 anos

Stéphane Hessel sobreviveu aos campos de concentração nazis, foi diplomata e inspirou o movimento dos indignados com um pequeno livro editado em 2010. O esquerda.net reproduz uma entrevista publicada no fim de 2011, em que Hessel defendia que "o que aconteceu na Grécia, Itália, Portugal e Espanha prova-nos que não é dando cada vez mais força ao mercado que se chega a uma solução".


Leia aqui a entrevista de 
Stéphane Hessel, intitulada
"Os bancos estão contra a democracia"
que o esquerda.net publicou
em dezembro de 2011.


Stéphane Hessel: “Os bancos estão contra a democracia”

Em entrevista a Eduardo Febbro, da Página/12,Stéphane Hessel, autor da obra “Indignai-vos”, critica  o ultra liberalismo predador, a servidão da classe política ao 
sistema financeiro, a anexação da política pela tecnocracia  financeira, as indústrias que destroem o planeta e a ocupação israelita da Palestina.

Aos 94 anos, depois de lutar na Resistência, sobreviver aos campos nazis e escrever a Declaração Universal dos Direitos Humanos, Stéphane Hessel publicou um livrinho de 32 páginas, "Indignai-vos", que teve eco global.
A revolta não tem idade nem condição. Nos seus afáveis, lúcidos e combativos 94 anos, Stéphane Hessel encarna um momento único na história política humana: ter conseguido desencadear um movimento mundial de contestação democrática e cidadã com um livro de escassas 32 páginas: "Indignai-vos". O livro foi lançado na França em outubro de 2010 e em março de 2011 converteu-se no alicerce do movimento espanhol dos indignados. 
O quase um século de vida de Stéphane Hessel conectou-se primeiro com a juventude espanhola que ocupou a Puerta del Sol e depois com os demais protagonistas da indignação que se tornou planetária: Paris, Londres, Roma, México, Bruxelas, Nova York, Washington, Tel-Aviv, Nova Déli, São Paulo. Em cada canto do mundo e sob diferentes denominações, a mensagem de Hessel encontrou um eco inimaginável.
O seu livro, entretanto, não contém nenhum discurso ideológico, menos ainda algum chamado à excitação revolucionária. "Indignai-vos" é, ao mesmo tempo, um convite a tomar consciência sobre a forma calamitosa em que estamos sendo governados, uma restauração nobre e humanista dos valores fundamentais da democracia, um balde de água fria sobre a adormecida consciência dos europeus convertidos em consumidores obedientes e uma dura defesa do papel do Estado como regulador. Não deve existir na história editorial um livro tão curto com um alcance tão extenso.
Quem olhe a mobilização mundial dos indignados pode pensar que Hessel escreveu uma espécie de panfleto revolucionário, mas nada é mais estranho a essa ideia. "Indignai-vos" e os indignados inscrevem-se numa corrente totalmente contrária à que se desenvolveu nas revoltas de Maio de 68. Aquela geração estava contra o Estado. Ao contrário, o livro de Hessel e seus adeptos reivindicam o retorno do Estado, de sua capacidade de regular. Nada reflete melhor esse objetivo que um dos slogans mais famosos que surgiram na Puerta del Sol: “Nós não somos anti-sistema, o sistema é anti-nós”.
Na sua casa de Paris, Hessel fala com uma convicção na qual a juventude e a energia explodem em cada frase. Hessel tem uma história pessoal digna de uma novela e é um homem de dois séculos. Diplomata humanista, membro da Resistência contra a ocupação nazi durante a Segunda Guerra Mundial, sobrevivente de vários campos de concentração, ativo protagonista da redação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, descendente da luta contra essas duas grandes calamidades do século XX que foram o fascismo e o comunismo soviético. O nascente século XXI fez dele um influente ensaísta.
Quando o seu livro saiu em França, as línguas afiadas do sistema liberal desceram sobre ele um aluvião de burlas: “o vovozinho Hessel”, o “Papai Noel das boas consciências”, diziam no rádio e na televisão as marionetes para desqualificá-lo. Muitos intelectuais franceses disseram que essa obra era um catálogo de banalidades, criticaram o seu aparente simplismo, a sua superficialidade filosófica, acusaram-no de idiota e de anti-semita. Até o primeiro-ministro francês, François Fillon, desqualificou a obra dizendo que “a indignação em si não é um modo de pensamento”. Mas o livro seguiu outro caminho. Mais de dois milhões de exemplares vendidos na França, meio milhão na Espanha, traduções em dezenas de países e difusão massiva na Internet.
O ultra liberalismo predador, a corrupção, a impunidade, a servidão da classe política ao sistema financeiro, a anexação da política pela tecnocracia financeira, as indústrias que destroem o planeta, a ocupação israelita da Palestina, em suma, os grandes devastadores do planeta e das sociedades humanas encontraram nas palavras de Hessel um inimigo inesperado, um “argumentário” de enunciados básicos, profundamente humanista e de uma eficácia imediata. Sem outra armadura além de um passado político de social-democrata reformista e um livro de 32 páginas, Hessel opôs ao pensamento liberal consumista e ao consenso um dos antídotos que eles mais temem, ou seja, a ação.
Não se trata de uma obra de reflexão política ou filosófica, mas de uma radiografia da desarticulação dos Estados, de um chamado à ação para que o Estado e a democracia voltem a ser o que foram. O livro de Hessel articula-se em torno da ação, que é precisamente ao que conduz à indignação: resposta e ação contra uma situação, contra o outro. O que Hessel qualifica como mon petit livre é uma obra curiosa: não há nenhuma novidade nela, mas tudo o que diz é uma espécie de síntese do que a maior parte do planeta pensa e sente cada manhã quando se levanta: exasperação e indignação.
– Você foi, de alguma maneira, o homem do ano. O seu livro foi um sucesso mundial e acabou por se converter no foco do movimento planetário dos indignados. Houve, de facto, duas revoluções quase simultâneas no mundo, uma nos países árabes e a que você desencadeou em escala planetária.
– Nunca previ que o livro tivesse um êxito semelhante. Ao escrevê-lo, pensei nos compatriotas para lhes dizer que o atual modo de governação propõe interrogações e que era preciso indignar-se diante dos problemas mal solucionados. Mas não esperava que o livro fosse lançado em mais de quarenta países nos quatro pontos cardeais. Mas eu não me atribuo nenhuma responsabilidade no movimento mundial dos indignados. Foi uma coincidência que o meu livro tenha aparecido no mesmo momento em que a indignação se expandia pelo mundo. Eu só convidei as pessoas a refletirem sobre o que elas acham inaceitável. Acho que a circulação tão ampla do livro se deve ao facto de vivermos um momento muito particular da história de nossas sociedades e, em particular, desta sociedade global na qual estamos imersos há dez anos. Hoje vivemos em sociedades interdependentes, interconectadas. Isto muda a perspectiva. Os problemas com que estamos confrontados são mundiais.
–As reações que o seu livro desencadeou provam que existe sempre uma pureza moral intacta na humanidade?
O que permanece intacto são os valores da democracia. Depois da Segunda Guerra Mundial resolvemos problemas fundamentais dos valores humanos. Já sabemos quais são esses valores fundamentais que devemos tratar de preservar. Mas quando isto deixa de ter vigência, quando há rupturas na forma de resolver os problemas, como ocorreu após os atentados de 11 de setembro, da guerra no Afeganistão e no Iraque e a crise económica e financeira dos últimos quatro anos, tomamos consciência de que as coisas não podem continuar assim. Devemos nos indignar e nos comprometer para que a sociedade mundial adote um novo curso.
– Quem é responsável de todo este desastre? O liberalismo ultrajante, a tecnocracia, a cegueira das elites?
– Os governos, em particular os governos democráticos, sofreram uma pressão por parte das forças do mercado à qual não souberam resistir. Essas forças económicas e financeiras são muito egoístas, só procuram o benefício em todas as formas possíveis sem levar em conta o impacto que essa busca desenfreada do lucro tem nas sociedades. Não lhes importa nem a dívida dos governos, nem os ganhos medíocres das pessoas. Eu atribuo a responsabilidade de tudo isto às forças financeiras. O seu egoísmo e a sua especulação exacerbada são também responsáveis pela deterioração do nosso planeta. As forças que estão por trás do petróleo, da energia não-renovável nos conduzem a uma direção muito perigosa. 
O socialismo democrático teve o seu momento de glória depois da Segunda Guerra Mundial. Durante muitos anos tivemos o que se chama Estados de providência. Isto derivou numa boa fórmula para regular as relações entre os cidadãos e o Estado. Mas depois distanciámo-nos desse caminho sob a influência da ideologia neoliberal. Milton Friedman e a Escola de Chicago disseram: “deixem a economia com as mãos livres, não deixem que o Estado intervenha”. Foi um caminho equivocado e hoje damo-nos conta de que optámos por um caminho sem saída. O que aconteceu na Grécia, Itália, Portugal e Espanha prova-nos que não é dando cada vez mais força ao mercado que se chega a uma solução. Não. Essa tarefa compete aos governos, são eles que devem impor regras aos bancos e às forças financeiras para limitar a sobre exploração das riquezas que eles detêm e a acumulação de benefícios imensos enquanto os Estados se endividam. Devemos reconhecer que os bancos estão contra a democracia. Isso não é aceitável.
– É chocante comprovar a indiferença da classe política ante a revolta dos indignados. Os dirigentes de Paris, Londres, Estados Unidos, em suma, ali onde estourou este movimento, omitiram-se diante das reivindicações dos indignados.
– Sim, é verdade. Por enquanto subestimou-se a força desta revolta e desta indignação. Os dirigentes disseram uns aos outros: isto nós já vimos antes, em maio de 68, etc., etc. Acho que os governos equivocaram-se. Mas o facto de os cidadãos protestarem contra o modelo de governação algo muito novo e essa novidade não se deterá. Predigo que os governos ver-se-ão cada vez mais pressionados pelos protestos contra o modelo de governação. Os governos empenham-se em manter o sistema intacto. Entretanto, o questionamento coletivo do funcionamento do sistema nunca foi tão forte como agora. Na Europa atravessamos um momento muito denso de questionamento, tal como aconteceu antes na América Latina. Eu estou muito orgulhoso pela forma como a Argentina soube superar a gravidade da crise. Isto prova que é possível atuar e que os cidadãos são capazes de mudar o curso das coisas.
–  De alguma maneira, você acendeu a chama de uma espécie de revolução democrática. Entretanto, não convocou uma revolução. Qual é então o caminho para romper o cerco no qual vivemos? Qual é a base do renascimento de um mundo mais justo?
– Devemos transmitir duas coisas às novas gerações: a confiança na possibilidade de melhorar as coisas. As novas gerações não devem perder a esperança. Em segundo lugar, devemos fazê-los tomar consciência de tudo o que se está a fazer atualmente e que está no sentido correto. Penso no Brasil, por exemplo, onde houve muitos progressos, penso na presidenta Cristina Fernández de Kirchner, que também fez as coisas progredirem muito, penso também em tudo o que se realiza no campo da economia social e solidária em tantos e tantos países. Em tudo isto há novas perspectivas para encarar a educação, os problemas da desigualdade, os problemas ligados à água. Muitas pessoas trabalham muito e não devemos subestimar os seus esforços, inclusive se o que se consegue é pouco por causa da pressão do mundo financeiro. São etapas necessárias. 
Acho que, cada vez mais, os cidadãos e as cidadãs do mundo entendem que o seu papel pode ser mais decisivo na hora de fazer entender aos governos que são responsáveis pela vigência dos grandes valores, que esses mesmos governos estão deixando de lado. Há um risco implícito: que os governos autoritários acabem por usar a violência para calar as revoltas. Mas acho que isso já não é mais possível. A forma pela qual os tunisinos e os egípcios se livraram dos seus governos autoritários mostra duas coisas: primeiro, que é possível; segundo, que com esses governos não se progride. O progresso só é possível se for aprofundada a democracia. Nos últimos 20 anos a América Latina progrediu muitíssimo graças ao aprofundamento da democracia. 
Em escala mundial, mesmo com as coisas que se conseguiram, mesmo com os avanços que se obtiveram com a economia social e solidária, tudo isto é extremamente lento. A indignação justifica-se nisso: os esforços realizados são insuficientes, os governos foram débeis e até os partidos políticos da esquerda sucumbiram ante a ideologia neoliberal. Por isso devemo-nos indignar. Se os meios de comunicação, se os cidadãos e as organizações de defesa dos direitos humanos forem suficientemente potentes para exercer uma pressão sobre os governos as coisas podem começar a mudar amanhã.
– Pode-se mudar o mundo sem revoluções violentas? 
Se olharmos para o passado, veremos que os caminhos não violentos foram mais eficazes que os violentos. O espírito revolucionário que empolgou o começo do século XX, a revolução soviética, por exemplo, conduziu ao fracasso. Homens como o checo Vaclav Havel, Nelson Mandela ou Mijail Gorbachov demonstraram que, sem violência, podem obter-se modificações profundas. A revolução cidadã a que assistimos hoje pode servir essa causa. Reconheço que o poder mata, mas esse mesmo poder desaparece quando a força não violenta ganha. As revoluções árabes demonstraram-nos  a validade disto: não foi a violência quem fez cair os regimes de Túnis e do Egipto. Não, nada disso. Foi a determinação não violenta das pessoas.
– Em que momento acha que o mundo se desviou de sua rota e perdeu a sua base democrática?
– O momento mais grave situa-se nos atentados de 11 de setembro de 2001. A queda das torres de Manhattan desencadeou uma reação do presidente dos EUA George W. Bush extremamente prejudicial: a guerra no Afeganistão, por exemplo, foi um episódio no qual se cometeram horrores espantosos. As consequências para a economia mundial foram igualmente muito duras. Foram gastas somas consideráveis em armas e na guerra em vez de colocá-las à disposição do progresso económico e social.
– Este conflito dura há 60 anos e ainda não se encontrou a maneira de reconciliar estes dois povos. Quando se vai à Palestina voltamos traumatizados pela forma como os israelitas maltratam os seus vizinhos. A Palestina tem direito a um Estado. Mas também tem que reconhecer que, ano após ano, presenciamos como aumenta o grupo de países que estão contra o governo israelita, face à sua incapacidade de encontrar uma solução. Pudemos constatar isso com a quantidade de países que apoiaram o presidente palestiniano Mahmud Abbas, quando pediu, diante das Nações Unidas, que a Palestina seja reconhecida como um Estado de pleno direito no seio da ONU.
– O seu livro, as suas entrevistas e até mesmo este diálogo demonstram que, apesar do desastre, você não perdeu a esperança na aventura humana.
Não, pelo contrário. Acho que diante das gravíssimas crises que atravessamos, de repente o ser humano acorda. Isso aconteceu muitas vezes ao longo dos séculos e desejo que volte a ocorrer agora.
– “Indignação” é hoje uma palavra-chave. Quando você escreveu o livro, foi essa palavra a que o guiou?
A palavra indignação surgiu como uma definição do que se pode esperar das pessoas quando abrem os olhos e vêem o inaceitável. Podemos adormecer um ser humano, mas não matá-lo. Em nós há uma capacidade de generosidade, de ação positiva e construtiva que pode despertar quando assistimos a violação dos valores. A palavra “dignidade” figura dentro da palavra “indignidade”. A dignidade humana desperta quando é encurralada. O liberalismo bem que tentou anestesiar essas duas capacidades humanas - a dignidade e a indignação -, mas não conseguiu.
Artigo publicado na Carta Maior. / Tradução: Libório Júnior
FONTE: ESQUERDA NET
Soares diz que Stéphane Hessel será lembrado quando se cantar «Grândola»
«É muito triste no momento atual que os bons morram»
O antigo Presidente da República Mário Soares afirmou esta quarta-feira que Stéphane Hessel, que morreu aos 95 anos, é «uma das pessoas que será lembrada» quando se cantar a música «Grândola, Vila Morena».

«Quando se está a cantar a 'Grândola, Vila Morena' [música emblemática do 25 de Abril de 1974, que tem sido ouvida em recentes ações de contestação ao Governo], uma das pessoas que será lembrada é com certeza ele, que disse 'indignai-vos'», disse Soares, em declarações à agência Lusa, num comentário à morte do intelectual francês.

FONTE:tvi24.iol