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sábado, setembro 13, 2014

Pastores brasileiros usam psicanálise para cativar fiéis evangélicos













Por meio do estudo das teorias de Freud, religiosos tentam aumentar o rebanho e o dízimo
Numa noite chuvosa de quarta-feira, desci do ônibus na rua Brigadeiro Luis Antônio, região central de São Paulo, quase em frente a uma das unidades da Igreja Universal do Reino de Deus situadas na capital paulista. No portão, uma senhora e dois jovens distribuíam exemplares da Folha Universal, periódico evangélico que circula semanalmente por todo o país há vinte e um anos. Ela estendeu o jornal e convidou-me a voltar “qualquer dia desses para conhecer a palavra de Deus”. Respondi que estava prestes a fazer isso. “Entre que o Senhor vai te abençoar, querida”, disse sorrindo. Entrei.

A Universal do Reino de Deus é a maior entre as igrejas neopentecostais existentes no Brasil. Segundo o Censo Demográfico de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ela reúne mais de 1,8 milhão de fiéis espalhados por todas as regiões do país. Fundada em 1977 pelo bispo Edir Macedo num subúrbio do Rio de Janeiro, faz parte do movimento das igrejas evangélicas surgidas no final dos anos 1970, que se distanciam do pentecostalismo tradicional, principalmente porque pregam a prosperidade como via de aproximação com Deus.

Naquela quarta-feira à noite, perdi as contas de quantas vezes o pastor evocou a imagem do diabo para representar todos os males existentes na Terra. Mas num momento específico, ele decidiu falar sobre males mais concretos, muito contemporâneos, e comumente associados a tratamentos psicoterápicos, psicanalíticos ou mesmo psiquiátricos: o medo e a síndrome do pânico. “Grande parte das igrejas neopentecostais se pretende especializada no cuidado de três conhecidos ‘problemas’ humanos: a saúde, o amor e o dinheiro”, diz o psicanalista Wellington Zangari, doutor em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo e vice-coordenador do Laboratório de Psicologia Social da Religião do Instituto de Psicologia da USP. 

“Para alguns pastores, não importa se existem médicos, psicólogos e outros profissionais de saúde para lidar com questões de doença. Há sempre uma interpretação bíblica para oferecer e vender saúde”.

A estratégia das igrejas neopentecostais e de seus pastores, segundo Zangari, tem sido a da assimilação, reinterpretação e incorporação dos diversos discursos presentes na cultura. Inclui-se aí o discurso da psicanálise, que cada vez mais é objeto de estudo por parte dos próprios pastores evangélicos – tanto neopentecostais, quanto pentecostais (batistas, presbiterianos e metodistas).

Psicanálise no templo

Izilmar Finco é pastor batista desde 1986, quando começou a atuar como missionário em Prado, na Bahia. Hoje, Izilmar trabalha na Igreja Batista de Eldorado (IBEL), em Serra, no Espírito Santo, e é filiado à Ordem dos Pastores Batistas do Brasil (OPBB). Em 1998, formou-se em Psicanálise pela Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil (SPOB), criada em 1996 com a missão de popularizar e disseminar a psicanálise por todos os cantos do país. “Foi uma experiência muito enriquecedora e sou grato pela oportunidade que tive. A SPOB foi pioneira no Brasil na modalidade de formação de psicanalistas e deu a chance a muitas pessoas, assim como eu, de conhecer a psicanálise e seu valor na clínica, para ajudar as pessoas”, diz.

A psicanálise não é uma profissão regulamentada, ou seja, não existem cursos universitários especializados na prática criada por Sigmund Freud, tampouco leis que guiem especificamente seu exercício. A formação tradicional de um psicanalista passa pela graduação em Psicologia ou Medicina e pela associação a alguma sociedade psicanalítica, além da análise em si.

Na Sociedade Brasileira de Psicanálise, a primeira a ser criada na América Latina, em 1927, tal formação é oferecida a médicos e psicólogos registrados nos respectivos Conselhos Regionais, e a aceitação de profissionais graduados em outras áreas do conhecimento fica sob responsabilidade de uma Comissão de Ensino. Se aprovado, o pretendente deve se submeter a cinco anos de análise – com frequência mínima de quatro sessões semanais – além de realizar 160 seminários obrigatórios e atender a dois pacientes adultos ao menos quatro vezes por semana sob supervisão de um analista membro da sociedade.

Sendo livre a formação psicanalítica, entidades paralelas, como a Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil, oferecem cursos livres a qualquer interessado, como o pastor Izilmar Finco. Atualmente, a Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil é a maior sociedade de psicanalistas da América Latina. Em seus 18 anos de existência, concluiu mais de cem turmas em todos os estados brasileiros e formou cerca de três mil psicanalistas. O único pré-requisito para participar dos cursos é ter um diploma de graduação, seja ele qual for. Em dois anos, depois de participar de aulas duas vezes por mês e realizar 80 sessões de análise, o aluno recebe seu diploma de psicanalista.

A procura do curso por pastores evangélicos e líderes religiosos é intensa. Para o pastor Izilmar, se um religioso deseja desenvolver um bom ministério pastoral, ele precisa acumular uma série de conhecimentos, além da teologia: “Claro que a área da psique é uma delas. O pastor precisa se conhecer bem e saber como conhecer o outro”.  Com o auxílio da psicanálise ele afirma não atribuir tudo a questões espirituais. “Uma abordagem correta do problema é o primeiro passo para ajudar a encontrar a solução e a cura.”

Em 1927, Freud publicou um ensaio intitulado O futuro de uma ilusão, no qual afirma ser a religião “a neurose obsessiva universal da humanidade”, culpada pela decadência intelectual de parte dos seres humanos. Não seria então contraditório tentar conciliar religião e psicanálise? O pastor Izilmar acredita que não. “Não podemos negar o conhecimento ou os benefícios que a psicanálise trouxe para nós, desmistificando muitas coisas. Também de forma alguma podemos negar a fé e principalmente a fé em Jesus Cristo”, diz.

Gildásio dos Reis, pastor da Igreja Presbiteriana do Parque São Domingos, em São Paulo, e docente no Centro de Educação, Filosofia e Teologia (CEFT) da Universidade Presbiteriana Mackenzie, afirma que teologia e psicanálise partem de pressupostos completamente diferentes. Por isso, não acredita ser honesto um pastor evangélico “atender pacientes utilizando acriticamente uma técnica que diverge sob muitos aspectos da fé cristã”. “Quando eu clinicava, há dez anos, deixava claro aos pacientes sobre minha fé e dizia que, no tratamento, iria fazer uso da teologia para ajudá-los.”

Quando os assuntos tratados passavam por questões como adultério, homossexualidade, aborto ou “qualquer comportamento que, à luz dos ensinos bíblicos, são considerados errados”, Gildásio utilizava-se dos princípios bíblicos “para orientar melhor os pacientes”.

Sérgio Laia, analista membro da Escola Brasileira de Psicanálise e professor, há mais de trinta anos, do curso de Psicologia da FUMEC, em Belo Horizonte enxerga também um problema conceitual na aliança entre as duas práticas: “A perspectiva de Freud era a de que a religião está para a civilização assim como a neurose está para o indivíduo. É dessa forma que a psicanálise lida com a religião – e uma pessoa que pratica uma atividade religiosa dificilmente aceitaria esse tipo de definição”.

 “Ouvi de um dos meus professores uma frase de que nunca me esqueci: ‘Não há incompatibilidade entre verdade e verdade’. O que é verdade na psicanálise não anula as verdades do cristianismo”, relembra o pastor Izilmar.

A frase ouvida por ele durante o curso de psicanálise é de autoria do Dr. Heitor Antonio da Silva, um dos fundadores da Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil. Ele me repetiria a máxima alguns dias depois, quando nos falamos pelo telefone. “Não existe incompatibilidade alguma entre psicanálise e religião, pois se a psicanálise é uma verdade, ela tem que ser compatível com qualquer ciência. Se a religião é verdadeira, ela também terá que ser compatível com qualquer ciência”, explica Heitor, que além de psicanalista, também é pastor batista. “Se duas coisas se apresentam incompatíveis, ou ambas são mentirosas ou uma delas o é.”

Durante dez anos, Heitor da Silva foi diretor executivo da SPOB e um dos responsáveis por concretizar o objetivo de disseminar a psicanálise para todos os estados do país. Hoje, ele atua como diretor geral e presidente do grupo Redentor, que administra três faculdades no Rio de Janeiro. “A ideia de popularizar a psicanálise não significa que o façamos sem qualidade. É uma questão simples: a psicanálise é uma ciência independente”, ressalta. “Freud disse que a psicanálise era a profissão de pessoas leigas que curam almas e que não necessitam ser médicos.”

Em 2000, o deputado Éber Silva, do Rio de Janeiro – ele mesmo pastor da Igreja Batista – apresentou um projeto de lei no Congresso Nacional que visava a regulamentar o exercício da psicanálise no Brasil. Ele recebeu o apoio da SPOB, que passaria a atuar com maior reconhecimento,  aumentando os atritos já existentes com grande parte da comunidade psicanalítica, que comumente a associa a grupos evangélicos.

Heitor da Silva afirma que a SPOB foi vinculada aos evangélicos devido a “perseguições das sociedades ligadas ao organismo internacional”, pois sabem que ele e o presidente Dr. Ozéas da Rocha Machado são pastores evangélicos. “A SPOB não oferece cursos para pastores, mas para qualquer pessoa que tenha formação universitária. Nunca foi uma sociedade religiosa ou vinculada à religião”, defende-se. Ele admite, no entanto, que a sociedade de fato forma muitos pastores e líderes religiosos, pois estes exercem funções que lidam com a “problemática humana”.

O projeto de lei não foi aprovado. “O fato de esses cursos terem sido fechados e considerados sem validade não me parece terminar com o problema”, considera o psicanalista Wellington Zangari. “Eles permanecem em nosso meio, senão como superiores, como cursos livres. A ‘formação’ é a mesma, com direito a carteirinha de psicanalista depois do cumprimento de uma série de regrinhas e provinhas de leituras de apostilas mal feitas.” Para ele, a medida não elimina “a sombra do risco de formação de péssimos psicanalistas, com placas com seus nomes em consultórios, cartões de visita e sites na internet”.

O curioso é que as próprias plataformas de formação a distância voltadas especificamente para pastores e líderes religiosos também oferecem cursos de psicanálise. Se a procura dos próprios pastores pelo conhecimento psicanalítico acontece de forma “natural”, como afirma a maioria deles, o caminho inverso também é verdadeiro, uma vez que a formação em psicanálise está acoplada à formação religiosa. Na Faculdade Gospel, por exemplo, criada há vinte e cinco anos, junto às aulas de aperfeiçoamento em bibliologia, direito eclesiástico, história de Israel, liderança cristã e outros cento e cinquenta títulos, há também os cursos de “psicanálise clínica pastoral” e “psicanálise cristã”.

Apologia ao medo

Segundo Doryedson Cintra, professor de psicanálise nos cursos realizados pela Sociedade Contemporânea de Psicanálise (SCOPSI), as religiões evangélicas estão praticando uma psicanálise selvagem, espécie de chantagem terapêutica que ele chama de “comando passivo”. “Os pastores sabem que há algo na vida de cada indivíduo que inspira o medo e o terror. 

Só não sabem o quê. Com a apologia ao medo, eles incitam os membros a ponto de despertarem um comportamento histriônico, uma espécie de teatralidade muito comum nos casos de possessão”, teoriza. Ele afirma que, na verdade, essas pessoas se encontram psicologicamente abaladas e, inconscientemente, desenvolvem comportamentos que poderiam perfeitamente ser diagnosticados como transtornos histéricos, e não casos de possessão.

Ainda que as pessoas busquem a religião e a psicanálise para lidar com seus sofrimentos, Wellington Zangari acredita que o ponto de contato entre ambas termina aí: “Cada uma dessas perspectivas oferecem compreensões do ser humano baseadas em modos de obter conhecimento que são, por vezes, antagônicas”. A religião supõe a existência de agentes espirituais intencionais e uma ordenação da realidade que é ligada àqueles agentes. A ciência, por outro lado, não enxerga a realidade a partir de referenciais sobrenaturais.

Segundo ele, ao contrário da religião, a psicanálise encontra a natureza do sofrimento humano no próprio sujeito, em sua subjetividade e dinâmica pessoal. Nada é atribuído a Deus ou a qualquer associação do tipo. Além disso, as formas de lidar com esse sofrimento são distintas: “A religião poderá buscar a solução do sofrimento pela via da salvação divina ou do afastamento do demônio, o que supõe uma ação de tipo sobrenatural ou, ao menos, um contato entre o ser humano e uma instância desse universo transcendente. Na psicanálise, lida-se com o sofrimento justamente colocando o sujeito no centro, na natureza mesma do sofrimento. Ele próprio é o agente último da ação, implicado até o pescoço no sofrimento que sente.”

FONTE: Amanda Massuela / Revista Cult

sábado, março 16, 2013

Músicos de cultos africanos terão registro profissional










Com a profissionalização, os Ogãs poderão participar de eventos religiosos financiados pelo poder público
Em iniciativa inédita no Brasil, os músicos que atuam em cultos de Umbanda e Candomblé, chamados de Ogãs, terão a profissão regulamentada no Distrito Federal. A partir do dia 28 de março, as secretarias de Cultura e de Igualdade Racial do DF, em parceria com a Federação Brasiliense de Umbanda e Candomblé e com a Ordem dos Músicos de Brasília (OMB-DF), darão início à oficialização do trabalho desses instrumentistas.
Na prática, o acordo prevê que os Ogãs em atividade no Distrito Federal poderão requerer a carteira de músico da OMB-DF. A profissionalização garante a eles participar de eventos religiosos financiados pelo poder público, como apresentações na Esplanada dos Ministérios. Mas, fica proibida a participação em eventos privados, como festas em casas de espetáculo.
Com a atividade formalizada, o Ogã passa a ter o mesmo reconhecimento que um músico da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, por exemplo.
Como se profissionalizar
O primeiro passo para adquirir a carteira de músico profissional é participar do processo de audição. No próximo dia 28, na Prainha do Lago Sul, haverá avaliação coletiva dos interessados, com a participação de diretores da Ordem dos Músicos.
Após a audição, o terreiro onde o candidato exerce sua atividade deverá encaminhar o pedido de registro à Federação Brasiliense de Umbanda e Candomblé do DF, que o repassará à OMB-DF. Aprovada a solicitação, a Ordem dos Músicos submete o Ogã à prova prática em que ele tocará três ritmos próprios do terreiro que frequenta. Vencida essa etapa, uma banca formada por diretores e conselheiros da Ordem dos Músicos autorizará a retirada do registro.
Ogã
O termo vem do yorubá, que na linguagem das religiões africanas e afro-brasileiras como a Umbanda e o Candomblé, significa originalmente “aquele que bate, toca e canta”. Nos cultos, o Ogã é quem toca os tambores, portanto, um músico.
Em Brasília, existem cerca de 2 mil terreiros. Somado aos existentes na região metropolitana do DF, o número chega a 5 mil. Em cada terreiro são necessários quatro Ogãs.

FONTE: Agência Brasília

Contra o racismo e pela ancestralidade africana


No dia 21 de janeiro de 2000, morria a Iyálorisa Gildásia dos Santos e Santos, vítima fatal da violência que incide sobre a ancestralidade africana no Brasil. Sua foto foi utilizada pelo jornal “Folha Universal”, edição nº 39, para ilustrar matéria com o título “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”, cujo conteúdo agredia violentamente as tradições de matriz africana, malevolamente mistificadas com práticas charlatãs. Com o choque, ela, que era hipertensa, sofreu um ataque cardíaco e faleceu.
Em uma justa homenagem a mais esta vítima do racismo, o ex-presidente Lula instituiu o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, com a aprovação da Lei nº 11.635/2007. Este ano, como vem acontecendo desde então, haverá por todo o país manifestações de repúdio às ações de desrespeito às práticas tradicionais africanas.
Essas tradições passaram a ser vilipendiadas desde que aqui aportaram os primeiros africanos, como mão de obra compulsória para o hediondo sistema escravista. Portanto, tolerância não é exatamente o que resolverá este estado de denegação e reificação que recai sobre a população negra no Brasil e que se constitui como a faceta mais atroz do racismo, cuja sustentação está exatamente na valoração negativa da história, da cultura, do modo de ser e viver do grupo oprimido, negando a sua própria humanidade, posto que produzir cultura é um predicado essencialmente “humano”.No entanto, a palavra intolerância, embora amplamente utilizada a partir da Conferência de Durban (I Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e as Formas Conexas de Intolerância, ocorrida em 2001, em Durban, África do Sul) não dá conta da real dimensão da violência que incide cotidianamente sobre as tradições das matrizes africanas preservadas no Brasil e da qual o caso de Gildásia dos Santos e Santos se tornou referência.
Resistência
Mas o povo negro resistiu e, a despeito de toda a ferocidade, criou os territórios tradicionais de matriz africana, espaços de afirmação da identidade e subjetividade histórica e cultural, na luta para sobreviver num ambiente de iniquidades e opressão racial.
Nesses locais foram preservados valores civilizatórios, idiomas, indumentárias, práticas alimentares e de relação com o sagrado, com o meio ambiente e com a sociedade do entorno, garantindo a preservação de um modo de viver marcado pelo acolhimento e pela solidariedade. 
Racismo e Dominação
Sem a sua existência a população negra brasileira poderia ter sucumbido aos efeitos do racismo e de suas estratégias de dominação ao longo dos séculos, como o projeto de branqueamento encetado no país a partir da segunda metade do século 19. Assim como as muitas iniciativas de “modernização” e higienização étnica implementadas nos centros urbanos no início do século 20.
Esta insistência em continuar existindo, com relação à identidade e à subjetividade, resulta no aprofundamento da injúria, chegando ao ponto em que um toque de tambor, o uso de um Ileké (colar de conta) ou de um gele alarambara (torço colorido), a simples pronúncia de uma frase em yoruba, quimbundo, quicongo ou fon (idiomas africanos preservados no Brasil), remetem imediatamente ao imaginário racista brasileiro.Ou ainda, o mito da democracia racial e o processo de invisibilização da população negra; o avanço da especulação imobiliária sobre os territórios tradicionais; o vilipêndio cotidiano em diversos veículos de comunicação; dentre outras tentativas de aniquilação.
Ataques
É nesse patamar que são gerados os ataques violentos a símbolos, pessoas e casas, identificadas por extremistas como demoníacas, em referência a um ser maléfico inexistente nas tradições africanas. Como exemplos mais emblemáticos, lembramos o que ocorreu em Alagoas (fevereiro de 1912) e ficou conhecido como “Quebra de Xangô”. Na época, lideranças foram espancadas e mortas, casas foram depredadas e incendiadas, em uma ação liderada por políticos e veteranos de guerra e, incitada pela imprensa.
Um século depois, em julho de 2012, o assassinato de uma criança em Pernambuco foi perversamente relacionada às tradições de matriz africana, hipótese veiculada com insistência pela mídia impressa, falada, televisiva e virtual, provocando ataques a lideranças e territórios tradicionais, bem como a depredação de diversas casas.
A mesma estereotipia é remetida às características fenotípicas da população africana e sua descendência diaspórica, de maneira que, mesmo as pessoas negras que adotam outras práticas e modos de viver, despindo-se dos símbolos mais aparentes desta africanidade, continuam relegadas a uma subcidadania, a um lugar reservado para os considerados “não humanos” na hierarquia estabelecida pelo racismo brasileiro.
Dia Nacional
Portanto, no Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, pensemos mais amplamente: Contra o racismo e em defesa da ancestralidade africana no Brasil, já que o enfrentamento ao racismo passa necessariamente pelo combate à violência contra a ancestralidade africana, e vice-versa.
É necessário promover o reconhecimento das tradições de matriz africana como uma das formadoras da riqueza cultural material e imaterial do Brasil, garantindo o direito constitucional das pessoas vivenciarem livremente a sua cultura. Afinal, como disse Mestre Tolomi, “a ancestralidade é a nossa via de identidade histórica. Sem ela não sabemos quem somos, e nem o que pretendemos ser”.

FONTE: CAROS AMIGOS /  Silvany Euclênio é secretária de Políticas das Comunidades Tradicionais da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir)

sábado, fevereiro 09, 2013

Religiões africanas são principal alvo da intolerância religiosa no Brasil



O número de denúncias referentes à intolerância religiosa no Brasil, feitas pelo Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, aumentou de 15 em 2011 para 109 em 2012. Os principais alvos de discriminação são as religiões de origem africana, como candomblé e umbanda.
Entre os casos está a invasão de terreiros em Olinda, em que “evangélicos com faixas e gritando palavras de ordem realizaram protesto em frente a um terreiro de religião de matriz africana e afro-brasileira”, como descreve um denunciante. Outro caso foi o uso, por uma igreja, de imagens de mães-de-santo, “chamando de feitiçaria e difundindo o ódio pelas redes sociais”, afirma outra pessoa.

“O Brasil tem um histórico de negação das tradições não cristãs. Essa negação não é exatamente da religião, mas do valor de todas as tradições de matriz africana. Na verdade, para nós, é racismo”, afirma Silvany Euclenio, secretária de Políticas das Comunidades Tradicionais da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).

Embora existam também atritos entre algumas religiões cristãs, eles acabam não sendo tão violentos porque essas religiões têm uma origem comum e compartilham os mesmos valores. No caso das religiões de matriz africana, a intolerância recebe uma outra dimensão e resulta em violência, como no depredamento de casas, espancamento de pessoas e até mesmo assassinatos. “Recebemos denúncias de norte a sul do país, e de forma crescente”, diz Euclenio.

Mercado religioso

O professor de ciências da religião Frank Usarski, da PUC-SP, afirma que a tensão mais visível é entre algumas igrejas pentecostais e as religiões afrobrasileiras, apesar de existirem também atritos entre religiões que tenham a mesma raiz.

“Isso tem muito a ver com a lógica do mercado religioso. Hoje em dia não é mais uma convivência idealista, mas uma luta de segmentos, da necessidade de conquistar uma certa parcela da população. Dessa forma, o outro é estigmatizado, desvalorizado e inferiorizado”, acrescenta, dizendo que a briga entre as religiões se orienta por uma lógica capitalista.

Ele cita, como exemplo, a briga entre vertentes da religião budista no Brasil, em que houve briga jurídica para impedir a entrada de líderes religiosos no país. Além disso, um grupo reivindica um templo para si e o outro não quer devolvê-lo. “Não são só brigas simbólicas, mas também jurídicas.”

Para o professor aposentado de ética e teologia Ubirajara Calmon, da Universidade de Brasília (UnB), existe intolerância religiosa no Brasil, mas nada comparável ao que acontece em outros lugares do mundo, como na Europa. “Acredito que há poucas manifestações. O Brasil nunca chegou a uma situação como, por exemplo, a luta entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte”, frisa.

O governo federal lançou no final de janeiro o Comitê de Combate à Intolerância Religiosa, que terá 20 membros oriundos do governo e da sociedade civil, sendo que o edital para a escolha dos integrantes será lançado em fevereiro ou março. O comitê vai ter o objetivo de promover o direito ao livre exercício das práticas religiosas e elaborar políticas de afirmação da liberdade religiosa, do respeito à diversidade de culto e da opção de não ter religião.

Internet

O mundo virtual reflete a situação do mundo real. De 2006 a 2012, a organização não-governamental SaferNet Brasil, através da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos (CNDCC), recebeu 247.554 denúncias anônimas de páginas e perfis em redes sociais que continham teor de intolerância religiosa.

Muitas vezes uma página ou perfil é denunciado dezenas, centenas ou até milhares de vezes. Dessa forma, nesse período, 15.672 páginas foram reportadas por conter teor de intolerância religiosa. A tendência é de queda: de 2.430 páginas em 2006 para 1.453 em 2012.

Essa tendência não implica que o número de casos reportados de intolerância religiosa tenha diminuído. “Uma das razões é a classificação feita pelo usuário. Mesmo páginas reportadas por possuir conteúdo antissemita ou homofóbico têm, também, conteúdo referente à intolerância religiosa”, explica Thiago Tavares, coordenador da CNDCC.

O maior problema é a impunidade. “Quanto maior a dificuldade de punir esses crimes, maior é a tendência de uma parcela da comunidade de internautas de querer utilizar a rede para essa finalidade. A impunidade é o combustível da criminalidade”, declarou Tavares, afirmando ainda que percebe um crescimento, desde 2010, das manifestações de intolerância e também da radicalização do discurso de ódio na internet brasileira.

Não só anônimos postam comentários que envolvem intolerância religiosa ou até mesmo o ódio em sites e perfis nas redes sociais. “Vemos casos de autoridades religiosas também. Há uma certa permissividade, uma dificuldade de monitorar e efetivamente punir”, diz Euclenio, da Seppir.

Tecnologia esbarra na falta de infraestrutura

Depois que a denúncia é recebida pela CNDCC, um sistema é acionado para coletar informações disponíveis na rede, como texto, fotos e demais informações do provedor onde a página está hospedada. Essas informações são compiladas em um banco de dados ao qual apenas a Polícia Federal e o Ministério Público (MP) têm acesso.

Assim, o MP pode iniciar uma investigação para descobrir quem foi o autor do crime. O poder judiciário notifica o provedor que hospeda a página para fornecer dados e indícios que possam ajudar os investigadores a identificar o usuário. “Mas isso nem sempre é possível. Aí o caso fica impune”, diz Tavares.

Ele explica que muitas pessoas usam a retórica de que os crimes da internet não são punidos por causa da falta de uma lei específica. Mas na verdade serve para mascarar o principal problema: a falta de estrutura. “De todos os 27 estados brasileiros, há somente oito delegacias especializadas. E elas funcionam de forma precária”, frisa.

A Polícia Federal tem duas divisões que cuidam de crimes cibernéticos. Uma é a contra crimes financeiros, que tem boa estrutura e é bem aparelhada, sendo responsável por mais de 1.200 prisões nos últimos oito anos. Já a divisão relacionada com os direitos humanos tem estrutura muito deficiente. “É clara a prioridade do Estado brasileiro de investigar crimes contra o patrimônio e não os relacionados aos direitos humanos”, conclui Tavares.

FONTE: CARTA CAPITAL / Autor: Fernando Caulyt / Revisão: Francis França




domingo, maio 13, 2012

"Preto-velho" na Cultura Brasileira e na Umbanda


Pai Antônio foi o primeiro preto-velho a se manifestar na Religião de Umbanda em seu médium Zélio Fernandino de Morais onde se esta­be­leceu a Tenda Nossa Senhora da Piedade. Assim, ele abriu esta "linha" para nossa religião, introduzindo o uso do cachimbo, guias e o culto aos Orixás.

O "Preto-velho" está ligado à cultura religiosa Afro Brasileira em geral e à Umbanda de forma específica, pois dentro da Religião Umbandista este termo identifica um dos elementos for­madores de sua liturgia, representa uma "linha de trabalho", uma "falange de espíritos", todo um grupo de mentores espirituais que se apresentam como negros anciões, ex-escravos, conhecedores dos Orixás Africanos.

São trabalhadores da espiritualidade, com características próprias e coletivas, que valorizam o grupo em detrimento do ego pessoal, ou seja, são simplesmente pretos e pretas velhas com Pai João e Vó Maria, por exemplo.

Milhares de Pais João e de Avós Maria, o que mostra um trabalho desper­sonalizado do elemento individual valorizando o elemento coletivo identificado pelo termo genérico "preto-velho". Muitos até dizem "nem tão preto e nem tão velho" ainda assim "preto velho fulano de tal". A falta de informação é a mãe do preconceito, e, no caso do "preto-velho", muitos que são leigos da cultura religiosa Umbandista ou de origem africana desconhecem valor do "preto-velho" dentro das mesmas.

Preto é Cor e Negro é Raça, logo o ter­mo "preto-velho" torna-se característico e com sentido apenas dentro de um contexto, já que fora de tal contexto o termo de uso amplo e irrestrito seria "Negro Velho", "Negro Ancião" ou ainda "Negro de idade avançada" para identificar o homem da raça negra que encontra-se já na "terceira idade" (a melhor idade). Por conta disso alguns sentem-se desconfortáveis em utilizar um termo que à primeira vista pode parecer desrespeitoso ao citar um amável senhor negro, já com suas madeixas brancas, cachimbo e sorriso fácil, por trás do olhar de homem sofrido, que na humildade da subjugação forçada e escrava encontrou a liberdade do espírito sobre a alma, através da sabedoria vinda da Mãe África, na figura de nossos Orixás, vindo ao encontro da imagem e resignação de nosso senhor Jesus Cristo.

Alguns preferem chamá-los apenas de "Pais Velhos" o que é bonito ao ressaltar a paternidade, mas ao mesmo tempo oculta a raça que no caso é motivo de orgulho. São eles que souberam passar por uma vida de escravidão com honra e nobreza de caráter, mais um motivo de orgulho em se auto-afirmar "nêgo véio" e ex-escravo; talvez assim se mantenham para que nunca nos esqueçamos que em qualquer situação temos ainda oportunidade de evoluir. Quanto mais adversa maior a oportunidade de dar o testemunho de nossa fé.

O "preto-velho" é um ícone da Umbanda, resumindo em si boa parte da filosofia umbandista. Assim, os espíritos desencarnados de ex-escravos se identificam e muitos outros que não foram escravos, nesta condição, assim se apresentam também em homenagem a eles, por tê-los como Mestres no astral.

No imaginário popular, por falta de informação ou por má fé de alguns formadores de opinião, a imagem do "preto-velho" pode estar associada por alguns a uma visão preconceituosa, há ainda os que se assustam " com estas coisas" pois não sabem que a Umbanda é uma religião e como tal tem a única proposta de nos religar a Deus, manifestando o espírito para a caridade e desenvolvendo o sentimento de amor ao próximo. Não existe uma Umbanda "boa" e uma Umbanda "ruim", existe sim única e exclusivamente uma única Umbanda que faz o bem, caso contrário não é Umbanda e assim é com os "Preto-velhos", todos fazem o bem sem olhar a quem, caso con­trário não é de fato um "preto-velho", pode ser alguém disfarçado de "velho-negro", o "preto velho" trabalha única e exclusivamente para a caridade espiritual.

São espíritos que se apresentam des­ta forma e que sabem que em essência não temos raça nem cor, a cada encarnação, temos uma experiência diferente. Os pretos velhos trazem consigo o "mistério ancião", pois não basta ter a forma de um velho, antes, precisam ser espíritos amadurecidos e reconhecidos como irmãos mais velhos na senda evolutiva.

Quanto menos valor se dá a forma, mais valor se dá à mensagem, e "preto-velho" fala devagar, bem baixinho; quando assim se pronuncia, todos se aquietam para ouví-lo, parece-nos ouvir na língua Yorubá a palavra "Atotô", saudação a Obaluayê que quer dizer exatamente isso: "silêncio".

Nas culturas antigas o "velho" era sempre respeitado e ouvido como fonte viva do conhecimento ancestral. Hoje ainda vemos este costume nas culturas indígenas e ciganas. Algumas tradições religiosas man­têm esta postura frente o sacerdote mais velho, trata-se de uma herança cultural religiosa tão antiga quanto nossa memória ou nossa história pode ir buscar, tão antigos também são alguns dos pretos velhos que se manifestam na Umbanda.

Muitos já estão fora do ciclo reencarnacionista, estão libertos do karma, já desvendaram o manto da ilusão da carne que nos cobre com paixões e apegos que inexoravelmente ficarão para trás no caminho evolutivo. 

Por tudo isso e muito mais, no dia 13 de Maio, dia da libertação dos es­cravos eu os saúdo: "Salve os Pretos Velhos! Salve as Pretas Velhas! Adorei as Almas! Salve nosso Amado Pai Obaluayê, Atotô meu Pai! Salve nossa Amada Mãe Nanã Buroquê, Saluba Nana!"

Usamos para eles velas brancas ou bicolores, metade preta e metade branca, tomam café e fumam cachimbo.
Fonte: Jornal de Umbanda Sagrada, impresso, do mês de maio de 2006./ por Alexandre Cumino

segunda-feira, abril 23, 2012

Coletiva de imprensa aborda Belo Monte, laicidade do Estado e colaboração entre dioceses


Em entrevista coletiva realizada na tarde desta segunda-feira, 23/04, os bispos apresentaram à imprensa o andamento dos trabalhos realizados até agora na 50ª Assembleia Geral da CNBB (AG), em Aparecida (SP).

Participaram da coletiva o arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Pedro Scherer, que coordena a comissão das celebrações dos 50 anos do Concílio Vaticano II; o bispo de Ipameri (GO), dom Guilherme Werlang, presidente da Comissão Episcopal para a Caridade, Justiça e Paz; e o bispo prelado do Xingu (PA), dom Erwin Krautler, que é também presidente do Consenho Indigenista Missionário.

Usina de Belo Monte


Os jornalistas questionaram os bispos a respeito da situação crítica vivida na região de Altamira (PA), onde está sendo construída a usina de Belo Monte. “Estive com o presidente Lula em 2009, e ele me disse que haveria diálogo realização da obra. O povo não teve espaço para se manifestar, as audiências públicas foram apenas para inglês ver”, manifestou dom Erwin.

Ele explicou o caos em que se encontra a cidade de Altamira. “O saneamento básico não foi feito, não há vagas nos hospitais nem em escolas. A prostituição e a violência ocorrem à luz do dia. Eu vejo essas coisas todos os dias, pois vivo lá”, relatou o bispo. Ele também denunciou a extensa jornada de trabalho dos operários da obra.

O bispo de Ipameri, dom Guilherme, participou na semana passada em Brasília de um debate entre o governo federal e atingidos por barragens. “Ouvimos do ministro de Minas e Energia (Edson Lobão) que o Brasil deve optar entre desenvolvimento ou não, em ter as usinas ou não”, revela.

Guilherme recordou que a energia de uma usina hidrelétrica não pode ser considerada como energia limpa. “Como chamar de energia limpa quando as terras mais férteis são inundadas?”. Dom Erwin reforçou a denúncia. “O governo afirma que nenhum índio seria atingido, mas trata-se de falácia. O que acontece ao povo daquela região é contra a dignidade humana. O governo discrimina este povo, e nos trata como brasileiros de segunda classe”.

Solidariedade

Os bispos relataram aos jornalistas a aprovação, por unanimidade, de um projeto que deverá promover maior solidariedade entre as dioceses brasileiras, nos próximos 5 anos. Agora, 1% da receita ordinária mensal de cada diocese deverá formar um fundo para colaborar na formação dos seminaristas das dioceses mais pobres.

“A Igreja precisa partilhar seus bens para investir na formação de padres. Em minha prelazia, por exemplo, 70% de minha renda vem de doações externas”, testemunhou dom Erwin. Os bispos recordaram que a iniciativa do fundo não vai resolver o problema, mas deve minimizar as dificuldades enfrentadas nas dioceses mais pobres.

Estado laico

A respeito da laicidade do Estado, o cardeal Odilo Scherer explicou que a Igreja não tem problemas com a questão. “O Estado não pode assumir uma identidade religiosa, de outro lado, o pensamento ateu não pode prevalecer”, declarou o arcebispo. “O Estado é laico, mas a sociedade é religiosa”, arrematou.

FONTE: cnbb

terça-feira, agosto 23, 2011

Fé católica continua em declínio no Brasil e evangélicos crescem 13,3% em sete anos, diz FGV
















A fé católica continua em declínio no Brasil. Em 2009, segundo o "Novo Mapa das Religiões", divulgado nesta terça-feira pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o país possuía a menor proporção de católicos entre as demais religiões em comparação com décadas anteriores.


A diminuição, desde a década de 90, é acentuada, embora os brasileiros católicos ainda sejam maioria: em 1991, 83,34% da população era católica; em 2000, 73,89%; e, em 2009, 68,43% das pessoas foram identificadas como católicas.


O inverso ocorreu com as religiões evangélicas: só entre 2003 e 2009, a população dessas religiões cresceu 13,13%. A população de evangélicos representa, em 2009, 20,23% da população.


O estudo da FGV também mostra que cresce o número de pessoas que não possuem religião - de 5,13%para 6,72% no mesmo período, entre 2003 e 2009. As mulheres são hoje, como sempre foram no Brasil e no mundo, mais religiosas do que os homens: 5% delas não possuem crença, contra 8,52% deles.


De acordo com o mapa, os estados mais católicos são os da Região Nordeste, com 74,9% de sua população. No estado fluminense, que sediará a Jornada Mundial da Juventude, com a presença do Papa Bento XVI em 2013, menos da metade da população se diz católica (49,83%). O Rio de Janeiro ainda é a segunda unidade da federação no ranking dos mais descrentes - tem 15,95% da população sem religião. O Piauí é o primeiro colocado. O estado do Rio é recordista em religiões espíritas (3,37%), afro-brasileiras (1,61%) e segundo nas religiões orientais (0,69%), perdendo apenas para São Paulo (0,78%). O estado com maior proporção de evangélicos petencostais é o Acre (24,18%).

FONTE: O GLOBO