Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!
Mostrando postagens com marcador MUNDO; PORTUGAL. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MUNDO; PORTUGAL. Mostrar todas as postagens

terça-feira, maio 13, 2014

“A solidariedade na Europa ainda não morreu, por muito que nos digam o contrário”










Durante um comício em Tomar, que contou com a participação musical de Carlos Mendes, Marisa Matias frisou que o programa defendido pelo Bloco em conjunto com outras forças europeias quer “colocar o trabalho no centro da política em vez da chantagem financeira”. A cabeça de lista do Bloco lamentou ainda o facto de o Governo não querer informar “todos aqueles que obrigou a emigrar sobre o seu direito de voto”, lembrando que estes cidadãos podem votar antecipadamente esta terça, quarta e quinta feira.

A dirigente bloquista lembrou que não existiu uma única campanha do Governo que visasse dizer aos portugueses e às portuguesas que foram obrigados a emigrar - mais de 300 mil - “que podem e devem votar”.
“Nós percebemos muito bem por que razão o Governo não quer informar todos aqueles que obrigou a emigrar sobre o seu direito de voto”, sublinhou Marisa Matias, apelando para que “não desistam de votar, não desistam do vosso país mesmo que o vosso Governo tenha desistido de vós”.
Perante uma sala repleta de centenas de pessoas, a dirigente bloquista esclareceu que esta terça, quarta e quinta feira, “todas as pessoas que estão deslocadas em trabalho na União Europeia e que ainda não têm residência no país onde foram acolhidas, mantendo, portanto, a residência em Portugal, podem votar antecipadamente”. Para isso, basta “dirigirem-se às embaixadas, aos consulados ou às delegações dos ministérios que existem nos locais onde vivem” e indicar o nome e o número de eleitor, bem como apresentar um comprovativo do impedimento de comparecer na assembleia de voto em Portugal no dia da eleição, acrescentou a cabeça de lista do Bloco de Esquerda.
A austeridade tem “várias mães e vários pais”
Lembrando que, no domingo, o ex conselheiro económico de Durão Barroso, “agora arrependido”, veio dizer que “a austeridade não resolvia nada e que o programa foi apenas desenhado e desenvolvido para salvar a banca alemã”, e que esta segunda feira, “quase numa espécie de reação, a senhora Merkel veio afirmar que, na realidade, a austeridade não foi uma invenção da Alemanha sendo, isso sim, culpa de Durão Barroso”, Marisa Matias frisou que “a austeridade não é de geração espontânea, não é uma coisa que apareceu”.
Ela tem várias mães e vários pais”, avançou, salientando que “há culpados pelas políticas aplicadas nos últimos anos, e por esta obsessão com as políticas de austeridade, e esses culpados chamam-se Pedro Passos Coelho, Paulo Portas, Angela Merkel, Durão Barroso...”.
A dirigente bloquista reforçou a ideia de que o Bloco defende “a reestruturação da dívida como forma de libertar recursos para criar emprego e crescimento”, de “acabar com a chantagem e o medo” e “repor a dignidade”, bem com um referendo ao Tratado Orçamental, para que as pessoas se possam pronunciar e dizer se querem mais 20 ou 30 anos de austeridade.
Segundo Marisa Matias, o Bloco defende um programa conjunto com outras forças europeias - Syriza da Grécia, Front de Gauche de França, Izquierda Unida de Espanha, Die Linke da Alemanha - “que quer colocar o trabalho no centro da política em vez da chantagem financeira”. “Um programa solidário, porque a solidariedade na Europa ainda não morreu, por muito que nos digam o contrário”, destacou.
A cabeça de lista do Bloco às eleições europeias falou ainda sobre a importância do apoio à candidatura de Alexis Tsipras. “Entendemos que a voz de esquerda nestas eleições no combate pela liderança da Comissão Europeia não é a voz de Martin Schulz, que é a voz da coligação de governo na Alemanha entre o SPD e a CDU da senhora Merkel. A voz da esquerda é de Alexis Tsipras e da solidariedade com a Grécia. Poderemos vir a ter uma situação em que teremos à volta da mesma mesa nas reuniões do Conselho Pedro Passos Coelho, Angela Merkel e Alexis Tsipras e aí sim, sabemos que temos um primeiro ministro que nos defende: o grego”, avançou Marisa Matias.
Frisando que a Europa pela qual nos combatemos é “uma Europa que não só recusa a chantagem neoliberal mas também a chantagem do conservadorismo, que ataca os direitos das mulheres em vários países da Europa e que tem uma retórica xenófoba e racista”, a dirigente bloquista frisou que “é preciso desobedecer à Europa da austeridade!”
Referindo-se às “pequenas divergências” entre os representantes do PS e do PSD sobre o que vai a votos no dia 25 de maio - se o Governo de Passos Coelho ou o Governo de José Sócrates – o coordenador nacional do Bloco de Esquerda adiantou que “é aqui que se esconde a grande convergência em que PSD e PS estão interessados para continuar a política de austeridade”.
Segundo João Semedo, o que vai a votos nas eleições europeias “é a política de Pedro Passos Coelho mas, mais do que isso, é a política da troika, a política da austeridade”.
 “A austeridade é defeito, mas mais do que defeito, é feitio de Paulo Portas e Passos Coelho”, avançou o dirigente bloquista.
João Semedo afirmou ainda que o Governo PSD/CDS-PP se suporta “na mentira, na chantagem e no abuso”, dando como exemplo a garantia do primeiro ministro de que não iria aumentar impostos, a pressão exercida sobre o Tribunal Constitucional e a realização de um Conselho de Ministros durante a campanha eleitoral.
 “O facto de eu estar aqui, sendo uma mulher jovem, luso palestiniana, filha de refugiados palestinianos, significa que qualquer pessoa pode e deve ter voz neste país”, frisou a candidata do Bloco de Esquerda Shahd Wadhi durante a sua intervenção.
Shahd Wadhi fez questão de referir que “a solidariedade internacional não é uma coisa morta” e que “a solidariedade de Miguel Portas ainda está viva e de pé”.
Elogiando o compromisso do Bloco com os palestinianos, a candidata bloquista afirmou ainda que Miguel Portas, Marisa Matias e Alda Sousa são “três nomes inseparáveis da causa palestiniana”.
Segundo Shahd Wadhi, Portugal encontra-se cercado por “muros de austeridade que bloqueiam as nossas vidas” e é vítima do exílio, que se chama emigração forçada. “Como a Palestina precisa da nossa resistência, também Portugal precisa da nossa resistência para que possa ter a sua Primavera”, avançou, frisando que “precisamos de uma intifada contra esta austeridade”.
A liberdade não pode ser adiada nem por um segundo, seja a liberdade da Palestina perante a ocupação israelita, a liberdade de Portugal desta austeridade, ou a liberdade da Europa face a todas as injustiças e a todos os muros”, rematou Shahd Wadhi.
A deputada do Bloco Helena Pinto lembrou que o Governo quer diminuir os salários atacando a contratação coletiva, sublinhando que, “em defesa dos trabalhadores e das trabalhadoras, o Bloco diz: presente!”. “E a partir desta cidade onde nasceu a primeira central sindical diremos: "não passarão!", acrescentou a dirigente bloquista.
Segundo Helena Pinto, o Bloco de Esquerda “não deixa ninguém para trás”.
Já o dirigente local, Carlos Matias, lembrou que toda a zona de Santarém na qual se insere Tomar “tem sido vítima de uma forma agravada da política europeia, que tem sido a política protagonizada e trazida pelo Governo da maioria PSD/CDS-PP. “Tudo o que a política de austeridade trouxe de mau para o país caiu aqui no norte do distrito de Santarém de uma forma agravada, nomeadamente através da desindustrialização”, lamentou Carlos Matias.
Referindo o recuo nos serviços públicos, quer em número quer em qualidade, o dirigente bloquista lembrou também que “a política europeia e de austeridade duplicou o número de desempregados no concelho de Tomar”.
FONTE: ESQUERDA NET

terça-feira, junho 25, 2013

A resposta popular é Greve Geral em 27 de junho










A Greve Geral de 27 de Junho em Portugal é contra um governo em fim de linha a que falta legitimidade política e não tem mandato para esta devastação austeritária.

Numa altura em que Passos Coelho, logo acompanhado em coro por uma série de energúmenos, fala em alterar a lei da greve, a melhor resposta que os trabalhadores e o povo podem dar é exercer o seu direito fazendo a Greve Geral de 27 de Junho em defesa das suas condições de vida e trabalho, defendendo o direito à Greve que em Portugal tanto custou a alcançar e que após o 25 de Abril foi consagrado na Constituição da República aprovada no dia 2 de Abril de 1976.
A luta dos professores foi um grande sinal de unidade em defesa do Estado Social e do direito à greve. O governo sofreu uma derrota.
A Greve Geral é resposta forte e convergente da resistência cidadã às políticas de austeridade que após dois anos da assinatura do memorando com a troika devastou económica e socialmente o País e as pessoas.
A situação financeira degrada-se de dia para dia, o défice não diminui e a dívida está sempre a crescer e ultrapassa já os 127% do PIB, esta é a realidade que o “Excel” e a “chuva do Gaspar” não conseguem desmentir. A dívida é impagável. O governo de Passos & Portas submete o País aos ditames do capital financeiro que torna impossível gerar riqueza e criar de emprego.
A violência do desemprego atinge já um milhão e meio de homens e mulheres e tal como na altura da guerra colonial, todas as famílias tinham um soldado na guerra, hoje todas têm um familiar que engrossa este enorme exército de desempregados. Esta é a velha fórmula do capital para fazer baixar brutalmente os custos do trabalho. É contra esta guerra social que é preciso dar combate e dizer basta à exploração e ao empobrecimento, por isso é preciso estarmos todos nesta Greve Geral.
A ofensiva é contra TODOS, sejam do Sector Privado; do Sector Empresarial do Estado (SEE); da Administração Pública Central, Regional e Local. O roubo dos salários e pensões, o desemprego, o aumento do horário de trabalho é a base da política anti- laboral deste (des) governo.
Acrescentam ainda o congelamento do salário mínimo nacional, novos cortes nas indemnizações e no subsídio de desemprego e doença, o bloqueamento da contratação coletiva, colocam em causa direitos consagrados nos acordos de empresa (AE`s), como a redução nos subsídios de refeição, valor do trabalho noturno e de turnos e como cereja no cimo do bolo, o maior despedimento coletivo de sempre na Administração Pública.
A Greve Geral é feita num momento crucial de resposta aos ataques destruidores do governo e crítico face às novas medidas, que com o início da oitava avaliação, a troika e o governo pela boca de Paulo Portas vai anunciar a demolição do Estado Social que querem pôr em marcha através de cortes de 4700 milhões de euros nos serviços públicos, saúde, educação e segurança social.
A população em geral vai sofrer com novas taxas e contribuições sobre pensões, reformas e aumento dos impostos (IVA e IMI) e dos preços de bens e serviços essenciais, como habitação, a eletricidade, o gás e a água. A Greve Geral é para TODOS.
27 de Junho 2013 é o dia da 10.ª Greve Geral convocada pela CGTP desde 1982, a 4.ª greve em convergência com a UGT o que neste momento importa valorizar como um elemento de unidade na ação e um caminho de luta e resistência contra a ofensiva austeritária do capital, da financiarização da economia, da desvolarição do trabalho e da democracia, no plano europeu e nacional.
Esta Greve Geral é pela dignidade e contra o retrocesso civilizacional que marca as políticas de austeridade impostas pela troika, governo e suportadas de muito bom agrado pelo Presidente da República. Exigimos a DEMISSÃO do governo e a marcação de eleições antecipadas que devolvam a palavra ao povo.
A Europa está sob um violento ataque do capital financeiro que se faz representar pela troika (FMI,BCE, CE). Sabemos que esta ofensiva aposta em vergar os povos, tornando-os escravos da dívida e da austeridade. Atravessa vários países e deve ser derrotada pela luta internacional. Este é também o caminho trilhado pela CES – Confederação Europeia de Sindicatos, que exige o fim da austeridade e convocou uma mobilização em todos os países europeus que ocorreu entre 7 e 15 de Junho 2013.
A Greve Geral de 14 Novembro 2012 foi até agora ímpar com dimensão Ibérica e Europeia, foi um ganho organizativo e um avanço social na luta de massas e trouxe-nos a responsabilidade de termos sempre presente a articulação da luta nacional com as lutas à escala europeia é neste sentido que o próximo Conselho Nacional da CGTP de 3 de Julho deve encarar a continuidade da luta em convergência, não só para a repetir mas para a alargar em força e mobilização, sobretudo nos países do Sul.
Em Portugal, como nos países do sul enfrentar a troika é enfrentar cara-a-cara os especuladores e os ideólogos da austeridade, recusando ingerências e pressões sobre a soberania dos povos e o próprio exercício da democracia política e social.
A Greve Geral de 27 de Junho em Portugal é contra um governo em fim de linha a que falta legitimidade política e não tem mandato para esta devastação austeritária. A exigência é: Governo RUA! Para que se abra espaço a uma saída política, evite o desastre económico e permita a recuperação da vida das pessoas sem a “canga” da troika.
A luta cidadã tem enchido as ruas e as praças do nosso País contra as medidas de austeridade, em 27 de Junho, dia da Greve Geral, estamos todos convocados para uma grande mobilização popular que faça ouvir bem alto a vontade dos que estão a ser vítimas do governo Passos & Portas.
Temos 10 milhões de razões para fazer e apoiar a Greve Geral!
FONTE: ESQUERDA NET

terça-feira, abril 16, 2013

“Aqui vivo, aqui voto!”











As políticas de imigração estão não só longe de corresponder ao quadro idílico com que se pinta a realidade, como constituem objetivamente instrumentos de exclusão política das e dos cidadãos imigrantes no exercício da cidadania. 

Ultimamente, Portugal tem-se vangloriado de ser um dos países da União Europeia com as melhores políticas de imigração, porque são as mais avançadas, e inclusivas, pese embora o seu evidente endurecimento e a sua sistemática adequação ao modelo securitário europeu. A autossatisfação sobre os méritos dessa política é a prova, se dúvidas houvesse, que o regime político vigente convive serenamente com o facto de uma parte (@s imigrantes) da sociedade estar excluída da comunidade política em que vive e ser relegada à categoria de cidadãos de segunda. Porque as políticas de imigração estão, na verdade, não só longe de corresponder ao quadro idílico com que se pinta a realidade da situação d@s cidadãos imigrantes como, mais grave ainda, constituem objetivamente instrumentos de exclusão política das e dos cidadãos imigrantes no exercício da cidadania. @s imigrantes não podem participar nas escolhas políticas decisivas que determinam as suas vidas, porque não podem nem votar nem ser eleitos.
De certa forma o que obviamente o sistema político não quer admitir, é que a categoria política imigrante - resultante da herança pós-colonial e das dinâmicas da globalização, com todas as suas implicações na gestão da participação política das comunidades imigrantes – veio abanar a estrutura da conceção do Estado-Nação, como o conhecemos até agora e lançar o desafio para uma rutura epistemológica e política. O Estado-Nação, espaço onde tradicionalmente se arreiga e se conforta a ideia de pertença (espécie de bitola identitária homogénea e onde a categoria política “cidadão nacional” é essencial na legitimação da exclusão do “outro”), ainda aparece como horizonte quase intemporal e a-histórico, como se de uma emanação natural se tratasse e não fruto de uma construção social e histórica para assim justificar a exclusão dos “outros” (neste caso, @s imigrantes) do tal universo “nacional”. O regime político vigente assente no Estado-Nação teima em transportar inabaláveis perceções racistas que consolidam as narrativas coletivas sobre “nós” e os “outros”, confortando as discriminações institucionais e afastando @s cidadãos imigrantes da participação política. E de facto, na Europa em geral e em Portugal em particular, a porosidade política entre racismo, colonialismo, imigração e pós-colonialismo está na base da negação @os imigrantes da condição de sujeito político. Claro está que, no contexto atual, com milhares de cidadãos imigrantes a viver no país, a naturalização da instância política “Estado-Nação” que privilegia a nacionalidade em detrimento da cidadania constitui uma potencial forma de legitimar a exclusão d@s imigrantes da vida política. No concreto, esta narrativa política e culturalmente construída e socialmente legitimada afasta @s imigrantes do espaço público, do debate político e da disputa pelo poder e pela construção democrática de uma sociedade onde a diversidade está objetivamente refletida e efetivamente representada. A nacionalidade e a cidadania são duas dimensões políticas distintas que constituem instrumentos sociopolíticos diferentes consoante as circunstâncias, desempenhando obviamente funções políticas também diversas. A nacionalidade é um espaço jurídico e institucional, com pouca presença na nossa vida quotidiana enquanto a cidadania é um instrumento político e uma ferramenta social que nos liga, através múltiplos laços, com os concidadãos do mesmo espaço geográfico e político, seja este espaço a região, o concelho ou o país. A cidadania está presente em cada um dos nossos atos e dos atos da sociedade para connosco, sejam eles, administrativo, político, económico, cultural e social, pelo que deve consequentemente incluir todos os habitantes, quer sejam nacionais ou não. O princípio básico de uma democracia é o direito que cada cidadão tem de participar nas decisões que lhe dizem respeito.
Ora, é sem dúvida evidente que todas as decisões políticas influem na vida d@s imigrantes em todos os aspetos, pelo que, logicamente têm que ter uma palavra a dizer sobre as mesmas. E aqui ter a palavra quer simplesmente dizer poder votar e ser eleito para poder fazer as escolhas políticas que bem entender em igualdade de circunstâncias com os demais cidadãos. Infelizmente, a prática e o discurso político tem procurado limitar ou quase restringir o espaço de inclusão e de participação ao campo social, como se todas as decisões que dizem respeito à vida, ao presente e ao futuro de cada um(a) e de tod@s nós, não fossem políticas. Por óbvia necessidade de economia de tempo e de espaço, não poderei aqui entrar em profundidade no pernicioso jogo dos argumentos prós e contra sobre o direito de votos para as e os imigrantes. Porém, quero desmontar entre tantos outros, pelo menos, dois dos mitos que se cristalizaram para obstar à participação política d@s imigrantes, negando-lhes o direito de eleger e de ser eleit@: o da oportunidade política (necessidade de uma revisão constitucional) e o da oportunidade social (resistência social e cultural na sociedade).
Por um lado, sabemos que para outorgar o direito de voto @os imigrantes é preciso uma revisão constitucional que, por sua vez, depende para além da capacidade de iniciativa legislativa, de uma vontade política de mudança. Também sabemos que as leis não são emanações divinas nem entidades imutáveis. São obras das sociedades e que cuja alteração depende da vontade política e das relações de forças que nelas se confrontam. E para tal mudança é preciso convocar e haver a vontade ou não de o fazer.
Por outro lado, a evolução das conquistas civilizacionais mostra que as mudanças estruturais fizeram-se em rutura e, na maior parte das vezes, no confronto e na difícil superação das contradições entre a resistência à mudança e a sua necessidade, entre o apego ao status quo e a vontade de progresso. Portanto, os argumentos de oportunidade política e social aduzidos para não permitir o direito de voto d@s imigrantes não colhem, porque na verdade, sem vontade política não há espaço para oportunidade nem social nem política de mudança. E em boa verdade, para além do óbvio bom senso que advém dos argumentos de princípio, ou seja, do princípio de não discriminação e de igualdade, temos ainda o argumento de imputabilidade. @s imigrantes estão sujeitos aos mesmíssimos códigos sociais, à igual ordem jurídico-constitucional, são tão imputáveis perante o Estado e a sociedade como qualquer cidadão nacional, pagam impostos e respondem às mesmas instituições jurídicas e administrativas do país que os nacionais. Para além do mais, estes homens e mulheres são objetivamente daqui, porque de todos os pontos de vistas, pertencem ao espaço político e económico do Estado Português, porque a sua residência habitual é neste território, porque são cidadãos que, na sua maioria, mantêm relações efetivas e afetivas mais intensas com o seu país de residência do que com o país de origem. É certo que o direito de voto não resolverá todos os problemas das comunidades imigrantes mas contra a «democracia de baixa intensidade» que serve os interesses de um certo poder hegemónico de um certa forma racista de pensar a cidadania, é preciso inventar uma «democracia de alta intensidade», que possibilite naturalmente abrir a cidadania à diferença, não apenas por uma mera lógica instrumental da participação política, mas sim, por uma questão de sanidade democrática.
A democracia só é efetiva e completa quando for capaz de incorporar a expressão da sua diversidade e permitir que nela exista a real possibilidade de coabitação e de confronto democrático da e na diferença. Uma coisa é certa: é que teimar em alimentar um fictício conflito entre nacionalidade e cidadania para exercício de direitos políticos só agrava a grandíssima crise não apenas de representatividade, mas sobretudo, de legitimidade democrática do regime e das suas instituições.
@s imigrantes vivem e convivem connosco, construíram e ainda constroem todos os dias este país connosco, os seus filhos como os nossos são o presente e futuro deste país, eles partilham todas as obrigações e responsabilidades sociais e económicas deste país connosco. Não há motivo nenhum para continuarem excluídos da cidadania que conta em democracia, a cidadania política. Aqui vivem, aqui devem votar!
Reconhecer o direito de voto @os imigrantes é defender o princípio da igualdade efetiva para todos. Lutar pelo seu direito de voto em todas as eleições é tornar a cidadania uma realidade, porque a democracia exige que todos e todas nela participem, se representem e estejam representados.

FONTE: ESQUERDA NET / POR MAMADOU BA 

terça-feira, setembro 18, 2012

Centenas de milhares lotam as ruas do país para mandar embora o governo e a troika


Não há volta a dar: a maior manifestação desde o 1º de Maio de 1974 não quer mais a troika nem o governo de Pedro Passos Coelho a chefiar os destinos do país. “Fora, fora, fora já daqui, a fome, a miséria e o FMI”; “Está na hora, está na hora de o governo ir embora”; “Troika não, troika não, troika não”; “Gatunos”; “Portugal”; e apelos à unidade da esquerda foram algumas das palavras de ordem gritadas por centenas de milhares de pessoas, de jovens a reformados, trabalhadores, desempregados, estudantes e pequenos empresários, famílias inteiras, em 40 cidades do país. Muitas pessoas disseram que esta foi a primeira manifestação em que participaram.
“Foi o enterro mais animado que eu já vi”, ironizou um jovem durante a manifestação em Lisboa, referindo-se ao “defunto” governo de Passos Coelho. Em Lisboa, havia ainda mais gente nas ruas do que no 12 de Março do ano passado, na manif da Geração à Rasca, quando ficou claro que o governo de José Sócrates/PS não teria mais condições políticas de continuar a governar. No Porto, segundo o Jornal de Notícias, o protesto juntou mais de 100 mil pessoas; em Braga, cerca de 5 mil (Diário de Notícias); em Coimbra, cerca de 20 mil pessoas, segundo a PSP; em Viseu, cerca de mil; em Setúbal, cerca de 4 mil. Em todas as cidades, muitos cartazes diziam “Passos emigra”, “Passos Rua” ou “Coelho vai para a toca”.
Em Lisboa, a manifestação percorreu várias avenidas do ponto de concentração, na praça José Fontana, até a Praça de Espanha, onde os organizadores propuseram a realização de uma greve geral popular - em que todo o país parasse, e não apenas os trabalhadores contratados – e uma concentração na próxima sexta-feira, dia 21 de setembro, às 18 horas, em frente do Palácio de Belém, durante a reunião do presidente da República, Cavaco Silva, com o Conselho de Estado. Mas a manifestação não terminou na Praça de Espanha. Espontaneamente, dezenas de milhares de manifestantes dirigiram-se para a Assembleia da República para continuar o protesto.
Esta grandiosa manifestação demonstrou de forma categórica que a paciência do povo se esgotou e que uma nova situação política se abriu no país. Agora é necessário canalizar esse ódio e vontade de lutar para organizar a população nos locais de trabalho e nos bairros; fazer uma forte greve geral que pare o país; e novas mobilizações de rua até que as medidas de austeridade sejam anuladas e o governo e a troika, forçados a ir embora.
FONTE: Escrito por MAS - PORTUGAL

LEIA MAIS EM: "Hoje é o dia zero para correr com este Governo"
http://guebala.blogspot.com.br/2012/09/hoje-e-o-dia-zero-para-correr-com-este.html

sábado, setembro 15, 2012

"Hoje é o dia zero para correr com este Governo"


"Hoje vai ser o dia zero para correr com este Governo. Este Governo deve ser demitido, deve ser posto de lado", afirmou neste sábado Francisco Louçã, apelando "às grandes mobilizações de multidões" contra uma política de austeridade que "empobrece o país dia após dia".

Francisco Louçã falava num almoço com ativistas do Bloco de Esquerda em Guimarães e considerou que as manifestações deste sábado, sob o lema "Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!", representam "a luta pela justiça", de um povo que "com orgulho, se levanta pelo seu país".
O coordenador da comissão política do Bloco de Esquerda apelou a todas as formas de luta para "correr" com o atual Governo, sublinhando ser tempo de apresentar uma moção de censura e de uma greve geral "que possa juntar todos".
Sobre as alterações à taxa social única (TSU), classificou-a como "a ideia mais extravagante" do Governo liderado por Pedro Passos Coelho, frisando que "nenhum país do mundo se atreveu a dizer que um mês do salário sai do bolso do trabalhador para o bolso do patrão".
Francisco Louçã alertou ainda que os dois últimos anúncios de medidas de austeridade feitos pelo primeiro-ministro e pelo ministro das Finanças "ainda não completaram o cardápio das iniciativas de aumento de impostos para 2012".
"Ainda não disseram onde vão continuar a aumentar os impostos já este ano. Faltam mais de 2 mil milhões de euros que vão ser tirados aos de sempre. No privilégio ninguém toca", acusou Francisco Louçã, que desafiou toda a esquerda a "ter a coragem de romper com o memorando da troika", que apenas contribui "para o empobrecimento de Portugal dia após dia".
O coordenador da comissão política do Bloco acusou também Paulo Portas de "confundir patriotismo com a defesa dos seus cargos e dos seus privilégios".
"Hoje Paulo Portas é finalmente chamado a dizer qualquer coisinha sobre a crise. É claro que virá dizer que, por razões patrióticas, se agarra aos lugares do Governo. Há quem tenha esta enorme facilidade de confundir patriotismo com a defesa do seus cargos e dos seus privilégios", referiu Francisco Louçã, que sublinhou:
"Patriotismo é outra coisa. É defender o salário do trabalho, é defender os reformados e o emprego, é rejeitar o protetorado que destrói e empobrece. Isso é que é patriotismo"
"A troika não pode continuar a atuar em Portugal como tem feito. Romper é o princípio da sensatez", concluiu Francisco Louçã.



O governo “não tem mais condições” para governar


A deputada do Bloco, Mariana Aiveca, considera que o governo “não tem mais condições” para governar, porque “não cumpriu” as promessas eleitorais e está a conduzir o país para a “desgraça”. “Não há nenhuma credibilidade neste governo”, sublinha.


A dirigente bloquista, que esta sexta feira visitou o distrito de Portalegre e reuniu-se com várias organizações sindicais da região para debater o novo código laboral, as recentes medidas de austeridade e a situação dramática do distrito face ao abandono por parte do executivo, sublinhou que o governo entrou numa “curva descendente” e que a coligação PSD/CDS-PP “não tem mais credibilidade” para governar o país.
“Vejam-se os episódios até dentro da própria coligação. Passos Coelho dizia-nos ontem que Paulo Portas sabia de tudo. Paulo Portas tem mantido um silêncio dizendo que quer ouvir o partido e, portanto, não há nenhuma credibilidade neste governo”, salientou Mariana Aiveca em declarações à agência Lusa.
Para a deputada bloquista, o governo “não tem mais condições” para governar, porque “não cumpriu” as promessas eleitorais e está a conduzir o país para a “desgraça”.
Falando sobre a entrevista concedida por Passos Coelho esta quinta feira à RTP, a dirigente do Bloco frisou que o primeiro ministro “não explicou nada” e que Passos Coelho “continua a fazer uma provocação ao povo português e continua a dizer, com todas as letras, ao povo português que quer empobrecer o país, que quer empobrecer os trabalhadores, que quer que as transferências do trabalho passem inteirinhas para o capital, sem nenhuma vergonha”.
No que respeita ao aumento de 7% das contribuições dos trabalhadores para a Segurança Social e da diminuição da Taxa Social Única (TSU) paga pelas empresas de 23% para 18%, Mariana Aiveca adiantou que “toda a gente, desde sindicatos a associações patronais”, defende que esta medida constitui apenas “uma transferência do dinheiro dos trabalhadores para o capital”, e não é geradora de emprego.
Durante a sua visita ao distrito, a deputada bloquista lamentou a situação vivida em Portalegre, considerando que o governo “espatifou” a ferrovia e a indústria, acentuando as desigualdades sociais e as assimetrias regionais.

FONTE: ESQUERDA NET