Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!
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sexta-feira, novembro 15, 2013

Nova Iorque: um novo prefeito para a capital do capital





Única noticia positiva neste mar de tristezas onde um camarada do passado se elege para seguir a política do capital são dois candidatos, Anthony Gronowicz, do Partido Verde, professor universitário, boa pessoa, vagamente de esquerda; e Daniel Fein, do Socialist Worker, montador mecânico em uma fábrica de eletrônicos, único candidato camarada a sério, com um programa socialista para os trabalhadores. Juntos tiveram quase 6 mil votos. Não é muito mas, já que ninguém registrou o feito, eu o faço

Enrique é nova-iorquino de 34 anos, puro e duro, viajado, filho de trabalhadores colombianos. É de esquerda, participou no movimento Occupy. Conhece a sub-cultura metropolitana nova-iorquina e, como muitos de sua geração, lembra com nostalgia a Nova Iorque pré-1995. Sim, a cidade era suja, perigosa, devido à introdução do crack dos anos pós-Vietnam. As conseqüências sociais do capitalismo mutante dos últimos anos 70 e a crise social produzida pelos anos Reagan despejavam na cidade desemprego, miséria, prostitutas.

Mas, ao mesmo tempo, havia oposição, um resto de oposição. Uma oposiçãozinha política, social, cultural. Eram os anos do refluxo. Mas como o beira-mar de Rockaways, em Nova Iorque, em maré baixa, o leito da praia era fértil, a areia repleta da espuma salgada, de conchas de contracultura que sobressaiam na superfície. Este refluxo foi mais complexo em Nova Iorque que em outras cidades estadunidenses.

Nova Iorque é cidade de trabalhadores, muitos dos quais públicos, organizados em sindicatos, com uma longa historia de lutas, não raro duramente reprimidas. Uma historia que vai além da caricatura de cidade de yuppies da finança. Para que se tenha uma ideia, «The Chief», um jornal muito lido e vendido em todas as bancas de Nova Iorque, se ocupa exclusivamente de questões ligadas aos trabalhadores públicos, desde 1897!

Anos Oitenta, de cultura urbana underground, popular, negra, resíduo de movimento afro-estadunidense recém-derrotado. No Bronx, em Harlem, no Brooklyn, a nova fotografia imortalizava as ruas e os “cortiços” que invadiam os lindos edifícios da antiga burguesia oitocentista. Nova musica pop, r'n'b, rap, Dj's. Jovens artistas pululavam no bairro de SoHo, ocupando grandes espaços históricos da primeira indústria.

Os micro-editores publicavam uma nova geração de escritores descendentes de imigrantes latinos, que naqueles anos lutavam por mais direitos. As micro-galerias expunham writers de rua, a arte dos “últimos”, dos gays, do movimento Queer.

Em 1985, concluía-se a experiência da revista «Oppositions» e do Institute for Architecture and Urban Studies, que revolucionara durante a década de '70 a arquitetura estadunidense. Havia um bom cinema nova-iorquino: Cruising, Gloria, Permanent Vacation, Raging Bull e, até mesmo, acreditem, televisão que ainda conseguia expressar a realidade urbana de Nova Iorque: “The Bronx Zoo”, “Equalizer”, “Fame”, “Cagney & Lacey”.

Minha amiga prostituta

A distribuição étnica e social no território, sobretudo de Manhattan, resultara de um século intenso de industrialização capitalista, de uma classe trabalhadora que permeou cada poro da ilha. Etnias e nacionalidades, pobres e ricos, viviam o conflito urbano em um espaço muito vivo. No distrito financeiro, conta Enrique, até meados de '90, à noite, era território das gangs, off limits para os youpies engravatados.

Um pouco distante, nos bairros históricos da ex-Nova Amsterdam, aposentados brancos viviam perto de negros e ricos perto de classe media. Por que? Porque, em Nova Iorque, muitos dos alugueis eram tabelados e os preços das casas relativamente baixos.

A dona da lavanderia onde eu costumo lavar a roupa em Brooklyn contava como até aquela época, para fechar a loja, pagava para jovens traficantes protegê-la, contra outros traficantes, e no metrô, cruzava cada noite com prostitutas, já suas conhecidas, com quem fizera amizade. Neste contexto, nos primeiros anos 80, nessa Nova Iorque complexa, um jovem estudante cabeludo da Columbia University, Bill De Blasio, nascido no seio de família de classe media baixa, de origem italiana e alemã, com mãe solteira e pai ex-veterano, alcoólatra, suicida. Bill, de esquerda, vai de viajem de estudos para a União Soviética! Casa-se com uma ativista do movimento negro, Chirlane McCray, com a qual celebra lua-de-mel em ... Cuba, do bloqueio. Vai à Nicarágua, durante a Revolução, em solidariedade ao sandinismo, que apóia ativamente. Mas sua fase juvenil radical termina ai, com o final dos 80. Então, entra na carreira política institucional, que nunca abandonará, tornando-se parte da burocrata no Partido Democrático, que, desde 1970, sempre governou a Big Apple.

O fim do ciclo do crack

Com os primeiros anos 90, a administração democrática consegue gradual diminuição da criminalidade, que baixa desde então, chegando aos dias de hoje a um nível pré-1965. Os especialistas dizem que o fenômeno está ligado ao fim do “ciclo” do crack; à legalização da interrupção de gravidez gratuita; a certo crescimento de programas sociais; ao fim da fase recessiva aguda e ao aumento maciço do policiamento repressivo nos bairros pobres.

Mas, em princípios de 1990, a situação, era ainda, sobretudo esteticamente, intolerável para a elite da capital do Império. Demasiados negros, demasiados latinos, demasiados chineses, demasiados pobres e demasiadas putas. Todos eles, demasiadamente perto.

A situação muda radicalmente depois de 1995. Como? – Chegou o prefeito-xerife! O Giuliani! – exclama desesperado Enrique, contando como, com ele, a cidade será diferente. E o que Giuliani fez, por primeiro, para “limpar” a cidade? Simples: liberdade de mercado para os especuladores. Liberalizou os alugueis e os preços das casas. Liberou totalmente a construção de novos edifícios.

Em poucos meses, os preços dispararam, expulsando naturalmente a classe media, branca e negra, e os pobres, sobretudo negros e latinos, para as periferias distantes.

O policiamento que os democratas começaram tornou-se permanente, total, com a possibilidade da abordagem, da revista e da prisão de qualquer pessoa, por qualquer motivo. Com a polícia com o direito de entrar pelas janelas nos apartamentos. Os objetos das abordagens eram, não é necessário dizer, quase sempre negros e latinos, ou seja, pobres.

A Era do Capital

Muita repressão e capitalismo depois, em menos de uma década, Nova Iorque transformou-se em uma espécie de paraíso burguês. Uma “jóia” de limpeza, de segurança, de ordem e de progresso. Não há um grafite selvagem ou um papel no chão. A taxa de criminalidade é a mais baixa do país, com menos de dois homicídios e de um roubo de bens ou de carros por dia, para uma população de quase dez milhões de habitantes. E os homicídios e roubos que ocorrem, acontecem sobretudo longe dos ricos, nas periferias, entre brancos, negros e pardos pobres.

Os anos 2000 celebravam a gloria do liberalismo – a cidade torna-se caríssima, muito chique. Uma fase celebrada pelo esnobismo de mau gosto da série Sex and the City. As classes dominantes estavam felizes. No bairro SoHo, dominavam então as grandes galerias para os ricos colecionadores. Finalmente, o centro de Manhattan pertencia a uma só classe.

A cidade dos desejos

Seu nome não é inventado, nem um trocadilho. Abbondanza é uma suíça de língua italiana que vive há décadas em Nova Iorque. Vende e aluga apartamentos de luxo para milionários, alguns deles brasileiros. Possui um enorme apartamento, nos últimos andares de um arranha-céu, com vista deslumbrante sobre o Central Park, em Columbus Circle, um dos pontos mais exclusivos da cidade.

Conta com misto de desgosto e satisfação como, até a chegada do Santo Giuliani, ao voltar com seu marido para casa, à noite, naquele mesmo bairro, cruzavam por uma multidão de putas que, depois de anos, acabaram conhecendo, a todas, pelo nome. Pouco depois de 1995, ano em que inicia a era Giuliani, elas sumiram. – Aonde foram parar? – pergunta Abbondanza. – Ninguém sabe! – ela mesma responde.

Oito anos mais tarde, Giuliani foi seguido pelo líder dos capitalistas nova-iorquinos, Bloomberg, que continuou a obra do prefeito-xerife. Em três mandatos, um terço do território de Nova Iorque foi cedido à especulação. Não se construiu uma moradia social e o que se fez de público, foi feito nos bairros ricos, para valorizá-los.

Em média, hoje, um trabalhador paga, por um quarto, em apartamento compartilhado, no mínimo mil dólares! E o discurso dominante das classes dominantes é: “A cidade nunca esteve tão bonita! Não há um criminoso nas ruas! Não se vê uma puta. A miséria desapareceu! A vida é uma maravilha!”

A cidade invisível

Mas qual foi a contrapartida? Nova Iorque, que tem um PIB de 1,2 trilhões de dólares, quase a metade da riqueza brasileira, jamais como hoje ela foi socialmente desigual. Desde a Grande Depressão, em início dos anos 1930, não havia tantos miseráveis: mais de cinqüenta mil sem teto; mais de doze mil famílias sem casa; mais de 22 mil crianças vivendo na miséria absoluta. Uma enorme parte da sua população se equilibra duramente para sobreviver, sem qualquer certeza para o futuro.

A magia que operaram os representantes do grande capital foi fazer um “vapt vupt”, lançando os pobres, miseráveis e precários mais visíveis sobre o tapete! A pobreza branca, negra e parda foi embretada na periferia, situação que lhe dificultava já materialmente incomodar os que importam. Em palavras simples: pobre, hoje, tem que viajar, para roubar! A única coisa que se vê são os mendigos no metrô, enquanto reverbera a voz do big brother lembrando aos viajantes que “dar esmola é favorecer a mendicidade”, sobretudo, “é proibido!”.

Nesse contexto que subentendia a destruição da esquerda e dos grupos sociais organizados, o movimento Occupy do pós-crise de 2008 irrompeu como expressão da vontade de mudança na seio de importantes segmentos da população. Mas ele sumiu, tão rapidamente quanto foi intensa sua chegada.

E isso graças ao seu literal desprezo para com a organização sindical e partidária e pela já velha e inarredável lição do marxismo, também olimpicamente menosprezado, de que a luta de classe pelo domínio dos meios de produção é a única solução à barbárie capitalista. Jamais compreenderam que não bastava ocupar, simbolicamente o capital, havia que lutar por controlá-lo e expropriá-lo!

A inconseqüência do Occupy

Os poderes fortes do capitalismo adoraram a inconseqüência do Occupy. Desculpem-me a imagem forte, foi simplesmente como esmagar um caracol com o salto do sapato. Isso, associado ao Obamismo, fizeram com que hoje, em Nova Iorque, não haja traço sensível de oposição política. A insatisfação para com uma vida em que o capital domina cada instante quotidiano; o desgosto por uma cidade elitista, economicamente violenta, totalmente ditatorial, introjeta em cada nova-iorquino normal um inconsciente mas pesado e solitário sentimento de desejo de um futuro e uma vida melhor, diferente. Mas não consegue expressá-lo e não há quem materialize esse sentimento em um projeto social e político.

Foi neste contexto que o jovem cabeludo dos anos '80, De Blasio, agora de cabelinho curto e bem vestido, candidatou-se a prefeito. Desde finais daquela década, De Blasio era burocrata do Partido Democrático, participando da administração de bairros de Brooklyn com muita visibilidade e aparente proximidade ao povo.

Mas, no frigir dos ovos, em vinte anos, pouco ou nada fez para os trabalhadores e populares. O que fez, sim, foi apoiar as políticas de Bloomberg, apesar de muita oposição no “bla bla bla”, e de sustentar os interesses dos construtores, que agradeceram sua ação financiando ricamente sua campanha. Qualquer semelhança com o Brasil é mera coincidência.

Bandeiras Vermelhas

Interpretando a vontade de mais radicalidade, de um giro à esquerda, de maior intervenção publica dos poderes públicos na vida quotidiana da população, construiu uma campanha – até esteticamente – insólita, em verdade talvez jamais vista nos EUA. Muito parecida com o que o PT costumava fazer: fundo vermelho – que aqui é a cor do comunismo! Slogans claramente radicais e de esquerda: Impostos mais altos aos ricos! Mais casas sociais aos pobres e à classe media! Menos desigualdades econômicas!

Os ricos de Wall-Street também devem pagar! O prefeito para os “99%”! A adesão dos sindicatos e da população foi fulgurante, imediata. E o casal multiétnico dava aos De Blasio's uma estética de grande sucesso. O filho Dante, penteado à moda das Panteras Negras, foi um magnífico mascote. A vitória foi esmagadora, 72%. Nem o Lula faria tanto!

Minha bola de cristal me disse que, nesse mandato, as modificações para os trabalhadores e para a população serão poucas ou nulas. Que a crise econômica vai piorar ainda mais as condições populares de vida. Que a decepção pelo prefeito “comunista” será grande e, com ela, um refluxo ainda maior da esquerda na cidade.

Não há dinheiro!

Eleito, De Blasio anunciou que as centenas de milhares de trabalhadores públicos da prefeitura com contrato vencido há anos não poderão ser renovados. Não há dinheiro! Vai renovar alguns contratos, em troca de “concessões” dos sindicatos para diminuição de salários. Quanto a sua obsessão histórica, as casas para os pobres, qual é seu plano? Dar ainda mais autorizações de edificação a empreendedores especulativos, com vantagens econômicas atrativas, desde que construam, como “uma parte” dos prédios, algumas habitações para classe media ou pobre. São as cotas que chegam à especulação imobiliária. A Prefeitura de NY não construirá nadinha! E a tal de taxa para os ricos? Sem a autorização do governo do Estado de Nova Iorque, não será possível brincar de Robin Hood, já se propõe.

Única noticia positiva neste mar de tristezas onde um camarada do passado se elege para seguir a política do capital são dois candidatos, Anthony Gronowicz, do Partido Verde, professor universitário, boa pessoa, vagamente de esquerda; e Daniel Fein, do Socialist Worker, montador mecânico em uma fábrica de eletrônicos, único candidato camarada a sério, com um programa socialista para os trabalhadores. Juntos tiveram quase 6 mil votos. Não é muito mas, já que ninguém registrou o feito, eu o faço.

FONTE: BRASIL DE FATO / Gregório Carboni Maestri

terça-feira, novembro 13, 2012

Obama: ruim, mas não o pior


Apenas metade da população maior de 18 anos (bem acima do recorde da eleição de John F. Kennedy, em 1960: 62,8%) foram às urnas na terça para votar e enfrentar um cruel dilema: eleger quem? Deixando de lado a retórica de ambos os candidatos e as inverossímeis promessas reiteradas por seus comandos de campanha, a eleição era entre o 'ruim' e o 'pior ainda'.

O ‘ruim’ porque, como demonstram implacavelmente as estatísticas oficiais, a situação dos assalariados que constituem a vasta maioria da população dos Estados Unidos não só não melhoraram como, comparando com seus concidadãos mais ricos, pioraram sensivelmente.

Um exemplo dá e sobra: segundo o Escritório do Censo, em 2010 a renda média de uma família foi de 49.445 dólares, ou seja, 7,1% abaixo da cifra de 1999. E devido ao aprofundamento da crise econômica geral, nos dois anos posteriores essa tendência, longe de se reverter, se acentuou. Se essa família quisesse, tal como as gerações anteriores, enviar um de seus dois filhos para um curso superior, por exemplo, na Harvard Kennedy School, deveria enfrentar um custo total (matrícula mais o seguro médico, alojamento e alimentação) de 70.802 dólares anuais, o que explica o fenomenal endividamento da típica família estadunidense, e o fato de que fiquem cada vez menos estudantes nas universidades de elite do país.

Mas aquela média é enganosa, porque a típica família afroamericana tem, segundo o mesmo organismo oficial, uma renda média de 32.068 dólares, e os latinos de 37.595. Se uns e outros esperavam mais de um presidente afroamericano, suas esperanças se desvaneceram durante o primeiro mandato de Obama. Por isso dizemos que elegeram o ‘ruim’, que resgatou os bancos, fundos de investimento e grandes oligopólios – cujos CEOs seguiram ganhando dezenas de milhões de dólares por ano de salários, prêmios, compensações, bônus e outras quinquilharias do tipo – enquanto o salário por hora dos trabalhadores permanecia ajustado pela inflação, nos níveis de fins da década de 70.

Em termos práticos: mais de 30 anos sem um aumento efetivo de remuneração horária! Nem vamos falar de outras ações do insólito prêmio Nobel da Paz, tais como escalar até o inimaginável a política engendrada por Bush de assassinatos seletivos mediante a utilização de drones (em países com os quais os EUA sequer estão em guerra, como Paquistão, Palestina e Iêmen); o vil linchamento de Kadafi; o mafioso assassinato de Osama Bin Laden diante de sua família, ao estilo do massacre perpetrado por Al Capone e seus capangas na noite de Saint Valentine em 1929, em Chicago; a espionagem interna e externa sem freio e a interceptação de correios, mensagens de textos e telefonemas, sem nenhuma ordem judicial, tal como denunciado pela American Civil Liberties Union, entre outras maravilhas.

Mas se Obama era a má opção, Romney era pior ainda. O primeiro é um representante do capital, mas o segundoé o capital, e em suas versões mais degradas e facínoras. Seus vínculos com os fundos-abutres, entre eles um que acossa a Argentina, são bem conhecidos; seu absoluto desprezo pela sorte dos trabalhadores de seu país foi indissimulável. Fulminou com uma crítica racista e classista 47% da população, que “não pagam impostos” e acreditam que o governo deve oferecer saúde, educação, moradia e comida gratuitamente.

Esse comentário, tão absurdo quanto incorreto, empiricamente falando, foi agravado por Paulo Ryan, seu candidato a vice, imposto pelo Tea Party. Em seu delírio reacionário, Ryan chegou a dizer que a “rede de seguridade social” que existe nos EUA tinha se transformado em uma confortável cama, onde os pobres dormiam em plácida siesta, confiantes em que o Big Government venha satisfazer suas necessidades.

Como se tudo isso não fosse suficiente, Romney se encarregou de dizer que reduziria ainda mais os impostos dos mais ricos (apesar de vários deles, como o multimilionário Warren Buffet, confessarem ser ridículo e imoral pagar, proporcionalmente, menos impostos que seus empregados) e que apoiaria sem hesitar as forças de mercado, ao passo que fez reiteradas declarações que evidenciavam um transbordante belicismo no plano internacional.

A Rússia foi caracterizada como “inimigo número 1” dos Estados Unidos, insinuou que lançaria uma guerra comercial com a China (o que provocaria uma verdadeira débâcle em seu país) e ameaçava promover ações militares mais enérgicas contra o Irã, Síria, Cuba e Venezuela. Enfim, tudo que conforma um verdadeiro monstro político, diante do qual o reticente eleitorado estadunidense optou, a duras penas, pelo apenas ‘ruim’, convencido de que o outro representava o ‘pior ainda’ em sua forma quimicamente pura.

Atilio Borón

Website: www.atilioboron.com.ar
FONTE: Tradução: Gabriel Brito, Correio da Cidadania.

quinta-feira, novembro 08, 2012

Legalização da maconha e união gay em referendos marcam eleição nos EUA

 O uso recreativo da droga foi aprovado no Colorado e em Washington e a união homossexual no Maine e Maryland

O presidente Barack Obama não foi o único vitorioso nas eleições desta terça-feira (07/11) nos Estados Unidos. As liberdades e os direitos civis dos norte-americanos também conquistaram avanços históricos em referendos estatais e ativistas previram que se trata do início de uma série de outras mudanças. 

A maconha foi legalizada pela primeira vez na história norte-americana no Colorado e em Washington e o casamento gay foi reconhecido legalmente no Maine e em Maryland por meio do voto popular. Os eleitores de Minnesota e de Washington também aprovaram leis que permitiam a união entre pessoas do mesmo sexo, estabelecidas pelos governos locais no início deste ano, e rejeitaram qualquer tipo de modificação em seu texto. 


Outras medidas consideradas progressistas não alcançaram o mesmo sucesso nos plebiscitos, mas muitas configuraram disputas acirradas. Em Massachussets, por exemplo, venceram com diferença de 2% os eleitores que reprovavam a autorização do suicídio em pacientes terminais. 

Os plebiscitos, assim com as disputas eleitorais nos EUA, foram antecedidos por campanhas publicitárias intensas e, por vezes, milionárias. Organizações contrárias ou favoráveis às medidas votadas lançaram propagandas nas redes televisivas e nas emissoras de rádio, além de utilizarem ativistas e voluntários nas ruas. 

Grupos que lutam pelos direitos da comunidade gay, como o Human Rights Campaign, gastaram mais de 5 milhões de dólares no Maine e em Maryland e a indústria alimentícia chegou a investir mais de 44 milhões de dólares na Califórnia para convencer o eleitorado a votar contra a obrigatoriedade de indicar a presença de ingredientes transgênicos nos rótulos dos produtos. Nas últimas cinco semanas, o gasto elevado em anúncios na televisão conseguiu reverter a tendência eleitoral prevista e a proposta de rotular os alimentos geneticamente modificados perdeu por 53%.

Casamento gay

Também foi a primeira vez na história norte-americana que os eleitores aprovaram o casamento gay. Desde os anos 1990, 32 Estados do país organizaram referendos sobre o tema e em todos esses, a maioria dos eleitores se opôs à medida.  

 “Por anos, os nossos adversários argumentaram que nós não conseguiríamos conseguir a maior parte dos votos nos plebiscitos. Hoje, os eleitores provaram que eles estão errados”, disse Marc Solomon, diretor nacional da campanha Liberdade para Casar. A votação no Maine foi muito representativa neste sentido, pois há três anos, o eleitorado deste Estado reprovou, em plebiscito, o casamento gay.





Legalização da maconha


 
Os norte-americanos também têm demonstrado uma tendência crescente de aprovar medidas mais permissivas em relação ao uso de drogas, segundo indicam diversas pesquisas.

Estudos do Instituto Gallup e do centro Polling Report mostram que desde 1969 até os dias atuais, cerca de metade da população do país passou a aprovar a legalização da maconha (veja gráfico ao lado).

“Foi a primeira vez que um Estado norte-americano votou para legalizar a maconha – e dois deles aprovaram a medida”, afirmou Tom Angell, porta-voz da organização Law Enforcement Against Prohibition que reúne membros das forças policiais e da justiça criminal dos EUA favoráveis a legalização das drogas. A medida venceu com 55% dos votos no Colorado e com 52% em Washington, de acordo com as informações disponíveis até a publicação desta notícia. 

Apesar da vitória histórica, os defensores da descriminalização do uso das drogas alertam que ainda não é certo como as medidas serão aplicadas. Isso porque o resultado no Colorado e em Washington, que já têm leis que legalizam o consumo da maconha para fins médicos, colocam as suas legislações em situação de conflito com o governo federal, que classifica a maconha como um narcótico ilegal.

 “Quando estes Estados tentarem implementar essa lei, veremos um esforço dos oficiais federais em proibi-la”, alertou Kevin Sabet, assessor do Escritório de Controle Nacional das Drogas, a rede NBC. O governador do Colorado, o democrata John Hickenlooper, que se opôs à legalização da maconha, disse para os cidadãos do Estado não se apressarem e fez uma menção jocosa aos efeitos do entorpecente. 

“Nosso trabalho no Colorado e em Washington ainda não está completo”, disse Angell. “Nós ainda precisamos trabalhar em como implementar efetivamente essas leis... para, assim, mostrar que quando legalizamos a maconha, o mundo não acaba”, acrescentou.

Confira as outras medidas que foram temas de referendos nas eleições desta terça (06/11):


FONTE: OPERA MUNDI