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sexta-feira, dezembro 16, 2011

Governo “democrático e popular” completa a agenda do Banco Mundial na reforma previdenciária















A mundialização financeira, desde meados da década de 1960, em conjunto com uma série de medidas – como a desregulamentação monetária, a expansão do mercado de câmbio, a abertura do mercado de títulos da dívida e a desintermediação bancária –, abriu as portas para que importantes instituições financeiras não-bancárias, como os fundos de pensão, ganhassem progressivamente maior relevância no cenário econômico e financeiro. Sem dúvida, um dos traços mais importantes do desenvolvimento recente dos mercados financeiros é a emergência dos Investidores Institucionais – fundos de pensão, seguradoras e fundos mútuos –, que passaram a concentrar poupança e as aplicações financeiras, superando os bancos como principais detentores de liquidez. Este processo de expansão dos investidores institucionais pode ser explicado, em parte, pelo envelhecimento da população, pelos incentivos fiscais concedidos aos planos privados de previdência complementar num contexto de crise do Welfare State, pela liberalização financeira e a escala da concentração bancária que impulsionaram a ascensão de novas formas financeiras não-bancárias.


Estas instituições são originárias da economia norte-americana e britânica e vão figurar progressivamente entre as instituições mais decisivas do quadro das finanças mundializadas. Entre as décadas de 1990 e 2000, por exemplo, os investidores institucionais obtiveram um enorme crescimento. Em 1990, o trio formado por fundos mútuos, fundos de pensão e companhias de seguro gerenciavam, no conjunto das economias avançadas, cerca de 11 trilhões de dólares. Em 2005, este total passaria a 53 trilhões de dólares, em um crescimento de 381,8%. Em 2001 a proporção do patrimônio dos fundos de pensão em relação ao PIB chegou a 113% na Holanda, 71% nos EUA e 65% no Reino Unido. Mas os fundos de pensão ganharam destaque não só nas economias desenvolvidas, como também nos países periféricos. No Brasil, os ativos desses agentes cresceram vertiginosamente ao longo da década de 1990, atingindo R$ 239,7 bilhões em 2003, com um crescimento de 221% de 1996 a 2003. A evolução dos ativos dos fundos de pensão em proporção ao PIB chegou a 17,2% em 2007 ante 8,9% em 1996 – podendo chegar, segundo analistas, a 50% do PIB em 2020.


O sistema de fundos de pensão brasileiro já registrava em 2009 a expressiva soma de 7 milhões de participantes, sem falar nos signatários de planos individuais de aposentadoria voluntária propostos pelos bancos, seguradoras e órgãos de classe, que cresceram geometricamente nos últimos dez anos. Em 2009 a magnitude dos ativos dos fundos de pensão atingiu US$ 1,6 trilhão, sendo que o Brasil corresponde a 66,5% desse total. O crescimento projetado até 2014 é de 87,5%. Essas aplicações mais que quadruplicaram desde 2002, crescendo em média 25,3% em dólares de 2002 a 2009. O banco Merril Lynch estimou que os ativos sob a gestão desses fundos devem chegar a US$ 2 trilhões (R$ 3,55 tri) em 2011 e US$ 3 trilhões (R$5,32 tri) em 2014 na América Latina.


É neste processo que ganha corpo no final do primeiro ano do governo Dilma o debate em torno da PL 1.992/2007, que visa a implementação urgente do regime de previdência complementar dos servidores públicos ocupantes de cargo efetivo da União, fixa o limite máximo para a concessão de aposentadoria e pensões pelo regime de previdência e autoriza a criação de uma entidade fechada de previdência complementar denominada Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal (FUNPRESP).


Essa entidade de previdência complementar visa atender os servidores públicos titulares de cargo efetivo da União, suas autarquias e fundações, inclusive para os membros do Poder Judiciário, do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União. A FUNPRESP seria uma entidade fechada de previdência complementar com personalidade jurídica de direito privado, como a Previ. A previsão do governo é de que até 2040 o fundo tenha 640 mil servidores, quando o quadro de funcionários públicos for substituído, tornando-se então o maior fundo de pensão do Brasil. O governo considera que, deste total, apenas 5% a 7% sejam de migração de outros fundos. Pela PL o participante não é obrigado a aderir à FUNPRESP, mas nesse caso seu benefício previdenciário será limitado ao teto do RGPS – R$ 3.691,74. Se o funcionário quiser ter uma aposentadoria acima do teto, deverá contribuir com o fundo de previdência complementar, com uma alíquota de 7,5% sobre o valor do salário que exceder o teto do INSS.


Conforme a Exposição de Motivos (EMI nº 97/2007), a justificação básica da PL é a implementação do regime de previdência complementar para o servidor público federal, o que permitirá a recomposição do equilíbrio da previdência pública, garantindo a sua solvência em longo prazo, dando seqüência à reforma da previdência iniciada com a aprovação da Emenda Constitucional n° 41, de 19 de dezembro de 2003. Ainda segundo a EMI nº 97/2007, a criação do regime de previdência complementar do servidor público estabelece o tratamento isonômico entre os trabalhadores do setor público e da iniciativa privada, uma vez que todos estarão sujeitos ao teto de benefícios do Regime Geral de Previdência Social.


Em linhas gerais, os planos de benefícios da FUNPRESP serão estruturados na modalidade de contribuição definida. A distribuição das contribuições nos planos de benefício e de custeio será permanentemente revista, de forma a manter o equilíbrio financeiro-atuarial dos planos de benefícios. Como se sabe, os fundos de pensão se caracterizam por captar contribuições de um determinado conjunto de indivíduos com o objetivo de oferecer um rendimento no período posterior à vida ativa. Eles podem ter dois formatos: benefício definido e contribuição definida. No primeiro formato define-se desde o início quanto o beneficiário receberá (por exemplo, 70% ou 80% do valor de seu salário no momento da aposentadoria). Já no segundo – caso do FUNPRESP -, é a contribuição o valor definido em princípio e o benefício a se ganhar no período de inatividade corresponderá à rentabilidade obtida pela entidade gestora com a aplicação das quantias recebida.


Sobre a gestão dos fundos da FUNPRESP, a PL prevê que a administração dos recursos garantidores, das provisões e fundos dos planos de benefícios. será terceirizada, mediante a contratação de instituição autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A contratação das instituições será feita por intermédio de licitação, cujo contrato terá o prazo máximo de execução de 5 (cinco) anos. Além disso, cada instituição contratada poderá administrar, no máximo, 40% (quarenta por cento) dos recursos garantidores, provisões e fundos dos planos de benefícios da FUNPRESP. A aplicação dos recursos será feita exclusivamente por fundos de investimento criados especificamente para essa finalidade, atrelados a índices de referência de mercado, observadas as diretrizes e limites estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para as entidades fechadas de previdência complementar. As disposições transitórias prevêem a possibilidade de contratação temporária de pessoal por tempo determinado de forma a permitir a implantação da FUNPRESP, nos termos da Lei nº 8.745/93.


Excepcionalmente, é autorizado um aporte da União no valor de R$ 50 milhões como título de adiantamento de contribuições futuras, a propiciar o regular funcionamento inicial da entidade. Por fim, as disposições transitórias estabelecem que a totalidade dos recursos garantidores, provisões e fundos dos planos de benefícios da FUNPRESP será administrada, mediante remuneração compatível com o preço de mercado, por instituição financeira federal, enquanto não forem contratadas as instituições que se encarregarão da administração dos recursos.


Assim como a reforma de 2003, novamente está se procurando aprovar esta reforma a “toque de caixa”, inviabilizando um debate amplo sobre as diversas conseqüências desta medida no futuro de milhões de trabalhadores brasileiros. Esta contra-reforma da previdência focada nos servidores públicos federais visa ampliar o mercado dos fundos de pensão no país e não assegurar uma aposentadoria gratificante ou equilibrar as contas públicas. Os fundos de pensão comportam-se como investidores em busca de altos rendimentos, principalmente nos mercados financeiros. Ao contrário do que se costuma acreditar, esses fundos não investem necessariamente em setores produtivos ou na indústria nacional.


Ao atuar como capital portador de juros, seu dever fiduciário é obter a maior rentabilidade para os investimentos dos participantes, normalmente vinculados ao mercado financeiro estimulado pelas altas taxas de juros. Além da poupança de milhares de brasileiros ficarem a mercê da lógica dos mercados especulativos de curto prazo, na mão dos gestores estes fundos se transformam em capital e os aposentados tornam-se, queiram ou não, sujeitos interessados na maior exploração e precarização dos assalariados ativos. Os fundos de pensão fazem a própria classe trabalhadora atuar inconscientemente na sua exploração. Por mais que possa haver disputa em torno dos salários e do tempo de trabalho, todos têm de trabalhar pela boa saúde do mercado financeiro e do capitalismo em geral.


Este é um projeto de austeridade fiscal da previdência e que procura aumentar a proporção dos fundos de pensão em relação ao PIB (que deve chegar a 30% com a FUNPRESP), impondo ao servidor a renúncia dos direitos decorrentes das regras previdenciária anteriores como condição de adesão ao novo regime complementar de previdência. O servidor não tem qualquer liberdade para escolher sua entrada no regime de previdência complementar. Além disso, com estes fundos de pensão os servidores passam a depender de uma alta taxa de juros, algo muito maléfico para o “equilíbrio das contas públicas” e para a poupança, mas muito bom para a especulação e o rentismo. Só agora o governo “democrático e popular” completa a agenda do Banco Mundial em relação à reforma previdenciária. E mais gerações ficam a serviço do capital financeiro.


FONTE: CORREIO DA CIDADANIA / Fernando Marcelino é analista internacional.

terça-feira, dezembro 13, 2011

Após aprovar mais dinheiro para FMI, Dilma tenta cortar na aposentadoria





Uma semana após aprovar na Câmara cota maior para o FMI, governo mira aposentadoria integral de novos servidores; sindicatos tentam impedir

O governo da presidenta Dilma Rousseff tentará aprovar no plenário da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (13), o projeto de lei que reduz o direito de novos servidores à aposentadoria ao pôr fim ao benefício integral. A investida contra a Previdência, que sindicatos de servidores tentam evitar, está marcada para acontecer uma semana após os deputados ratificarem a mensagem da Presidência da República que aumentou o número de cotas de participação do Brasil no Fundo Monetário Internacional. Em todo mundo, o FMI tem sido um dos organismos internacionais que mais pressionam governos a cortar despesas com aposentadorias e salários de trabalhadores.


De acordo com o analista político Antonio Augusto Queiroz, do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), o governo joga peso para votar o PL 1992/2007 e a tendência, até o momento, é que isso aconteça na terça. Servidores do Judiciário Federal, do MPU e de outros setores do funcionalismo, porém, devem agregar a pressão sobre os deputados para que o projeto não seja votado às atividades políticas e de articulação por projetos específicos de cada setor.


Embora conte com maioria e trabalhe para aprovar o projeto, o governo tem contra si o calendário apertado de final de ano do Congresso Nacional – que entra em recesso no dia 22 de dezembro. O PL 1992 cria um fundo de previdência complementar para novos servidores, que passariam a ter o benefício pago pela União limitado ao teto do Regime Geral da Previdência. A complementação viria desse fundo, que poderá ser controlado por bancos privados, mas em valores incertos: o sistema a ser adotado é o de contribuição definida, na qual o trabalhador sabe quanto paga, mas não sabe quanto receberá.


Crise na Europa


Enquanto nesta semana o discurso vendido pelo governo no Congresso é de que o país precisa reduzir despesas com a aposentadoria para que a Previdência pública não entre em colapso, tese contestada por especialistas não atrelados ao Planalto, na semana passada a retórica usada para aprovar a mensagem relativa ao FMI era outra: a de que a economia está sólida, o país vai bem e deve aumentar o seu peso no Fundo Monetário Internacional.


A proposta aprovada prevê o aumento do número de cotas do país no FMI. Pode até não significar o desembolso imediato de mais dinheiro para o Fundo, mas está diretamente ligada à promessa do governo brasileiro de participar do pacote de recursos destinados a ‘socorrer’ países da União Européia – em geral, dinheiro público que vem sendo usado para conter a voracidade do mercado financeiro. Especula-se que o país poderá arcar com 15 bilhões de dólares para isso.


A ‘aliança’ do governo brasileiro com o FMI é criticada pelo economista Washington Lima, do Departamento de Economia do Sintrajud-SP. “O Brasil vai contribuir ainda mais com o Fundo Monetário Internacional, que está destruindo a economia dos países do mundo”, disse. Ele observa que foi o Fundo que preparou alguns anos atrás as medidas que “levaram ao desastre das economias” européias. “Os trabalhadores na Europa e no mundo têm tido diminuídas suas rendas ano a ano, pela política que o FMI prega”, afirma.


O economista critica as medidas impostas à Grécia pelo FMI e o Banco Central Europeu. “Vão reconstruir o país? Não. Tem que demitir servidores, cortar salários. É um dinheiro usado para salvar o sistema financeiro e os bancos e não o país e os trabalhadores”, diz.


Para Washington, a aprovação de mais recursos para o FMI é uma medida que de certa forma explica porque não há dinheiro para os projetos salariais dos servidores do Judiciário e do MPU. “Por que o PCS não pode ser aprovado, por que não tem orçamento? Claro que tem, tem quase metade do orçamento para dívida [pública]. Não é problema orçamentário”, constata.


FONTE: CSP-CONLUTAS

terça-feira, dezembro 14, 2010

Novo ministro da Previdência admite nova reforma










Garibaldi Alves Filho, senador pelo PMDB do Rio Grande do Norte, após pressão do vice-Presidente da República e Presidente do PMDB, Deputado Michel Temer, foi confirmado pela Presidente eleita Dilma Rousseff para o comando do Ministério da Previdência Social.

Logo em suas primeiras declarações já fica explícito os objetivos do novo governo para esta importante área. O Portal Terra divulgou declarações do novo ministro repetindo o mesmo discurso de que o grande problema da Previdência Social é o seu déficit e admitindo a necessidade de uma nova Reforma da Previdência.

Questionado sobre a razão do ministério não ter se mostrado capaz de resolver os problemas do setor, apesar de avanços na redução das filas e na resolução dos problemas de aposentadoria, Garibaldi afirmou: “Esse é um grande desafio porque o Ministério não tem se revelado capaz de enfrentar o problema da Previdência”, disse e ainda completou: “Mas o problema grave mesmo é o déficit da Previdência”, afirmou.

Ao Portal, o futuro ministro admitiu fazer a reforma da Previdência. “A reforma da Previdência será uma decisão da presidente, mas com todo governo. Esse será um assunto de repercussão no governo todo”, disse. .

Mentiras
O que o novo Ministro não fala é que a Previdência Social é superavitária, ao contrário do que é afirmado pelo governo. Se os sucessivos governos fossem proibidos de desviar dinheiro da Previdência Social para outras áreas, este problema já teria sido resolvido há muito tempo.

Todos os anos se desviam verbas da Previdência Social para se garantir as metas de superávit primário, mecanismo criado para economizar dinheiro que seria fundamental para garantir um salário digno para os aposentados e pensionistas, para pagar “religiosamente” os juros e amortizações da dívida pública. É isso mesmo, mais dinheiros para os banqueiros e menos dinheiros para se investir em educação, saúde, habitação e saneamento.

Foi contra estas medidas anunciadas pela grande imprensa, que visam atacar ainda mais os direitos dos trabalhadores, que no último dia 25 de novembro se reuniram em Brasília várias entidades do movimento sindical e popular, como a CSP-Conlutas, FST, Cobap, MTL, MTST, Intersindical, entidades ligadas a outras centrais sindicais, entre outras, para começar a construir um plano de ação que resista aos ataques e defenda os direitos dos trabalhadores e do povo pobre.

No dia 27 de janeiro, este mesmo coletivo de entidades volta se reunir em Brasília para definir de forma mais concreta o calendário de atividades e mobilizações que ocorrerão já no primeiro semestre do ano que vem.
FONTE: OPINIÃO SOCIALISTA

quarta-feira, novembro 24, 2010

Reforma da Previdência: Polêmica com o presidente da CUT - Central Única dos Trabalhadores

O que que é isso, companheiro Artur?

“Diga-me com quem andas que te direi quem és”
antigo ditado popular

Quem imaginava que a direção da CUT (Central Única dos Trabalhadores) já havia atingido o ápice em matéria de “chapa-branquismo” ao longo (e ao lado) dos oito anos de governo Lula precisa ler as declarações dadas pelo seu presidente a uma jornalista em relação à reforma na previdência gestada nesta reta final de governo Lula e início de governo Dilma: “Algumas centrais sindicais bandearam para o lado dos congressistas, que tentaram impor a queda do fator. Mas não adianta insistir, porque isso o governo já vetou e vai tornar a vetar”, diz Artur Henrique. Para o presidente da CUT, é melhor defender a Fórmula 85/95 do que bater na tecla da derrubada do fator previdenciário em 100%, informa ele à jornalista.

O “combativo” Artur se referia à aprovação pelo congresso do fim do famigerado fator previdenciário e ao veto ao seu fim feito pelo Presidente Lula. A tal fórmula 85/95 que ele se propõe a defender nada mais é do que a proposta que o próprio governo levantou como alternativa para retirar o veto. Na prática a tal fórmula 85 anos para as mulheres e 95 para os homens (tempo de contribuição, mais idade) tem o mesmo efeito que o fator previdenciário: reduz o valor das aposentadorias e alonga o tempo para o trabalhador aposentar-se com um salário digno.

A segunda declaração é ainda mais lapidar do “puxa-saquismo” oficial (se isso é possível). Vamos a ela: “A regra alternativa de 90/80 é mais benéfica para o trabalhador, sem dúvida, mas será rechaçada pelo novo governo, que não vai aceitar baixar a idade média em que as pessoas estão se aposentando hoje no Brasil”, alerta o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique. O Presidente Lula, que é bem mais esperto, deve estar pensado: “Disfarça Artur, você não é Ministro (ainda), é presidente da CUT.”

Aqui o Ministro Artur, perdão, o presidente da CUT critica uma proposta de negociação surgida no Congresso Nacional como alternativa ao fator previdenciário e à fórmula 85/95: 90 anos para homens e 80 para mulheres (de novo tempo de contribuição, mais idade). Seria uma medida ainda draconiana para quem vai se aposentar, porém em relação ao fator previdenciário e à sua cara-metade a fórmula 85/95, uma bem pequena concessão que reduziria em, no máximo, 2 anos e meio o tempo para aposentadoria. Pois bem, nem essa ínfima concessão o homem apóia.

Coerência é uma matéria ministrada em vários cursos. Se a fizesse, o presidente Artur seria reprovado. Sua nota: zero com louvor. Ele adora reclamar das “heranças malditas” que o governo Lula teria herdado de FHC e a importância de livrar-se delas. O fator previdenciário foi aprovado pelo governo dos tucanos, com a oposição da CUT e do PT à época. Essa “herança maldita”, que prejudica e muito os trabalhadores e trabalhadoras, o governo Lula esmera-se por mantê-la e o funcionário do governo, perdão, presidente Artur descabela-se agora para apoiá-la.

Um dirigente sindical tem o direito de ser favorável a um governo ou de apoiar um determinado candidato. Mas não tem o menor direito de subordinar os interesses da classe que representa aos interesses do governo, pois eles, regra geral, são antagônicos. Neste caso, em particular, muito antagônicos. Isso implica acabar com a independência e autonomia dos sindicatos, princípios elementares dos movimentos sociais. O problema aqui é que de tanto andar ao lado dos funcionários do governo, de tanto caminhar junto da candidata eleita Dilma, Artur Henrique esqueceu-se de quem ainda é: presidente da maior Central brasileira.

Em posição oposta, neste terreno, está a Confederação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas . A COBAP já avisou: não vai aceitar mudanças no sistema previdenciário que não sejam para beneficiar os segurados. “Nós propomos uma reforma ao contrário, para conceder direitos, e não tirar”, diz o presidente da Cobap, Warley Martins. As duas declarações são de natureza opostas e se inserem num contexto global em que o capital, no seu desejo insaciável de manter seu lucro, joga sobre os trabalhadores e trabalhadoras os efeitos da crise que criou. A retirada de direitos, o ataque aos salários e à jornada de trabalho são a expressão cruel dessa política. Neste momento, o epicentro desse processo está na Europa. Aí a reforma da previdência encontra-se no topo da lista das ações sofridas pela nossa classe e uma das razões dos grandes conflitos ocorridos no velho continente. As greves gerais na Grécia, França, Espanha e agora Portugal são as expressões disso.

Como o Brasil não é uma ilha de ilusão no mundo capitalista, é natural para o capital estender essa política para cá. Durante a campanha eleitoral já havíamos visto declarações dos dois candidatos(do PT e do PSDB) nesse sentido, ainda que cuidadosas exatamente por causa das eleições. Agora rola nos bastidores do governo em transição de Lula para Dilma as “negociações” para uma nova reforma da previdência. As declarações de Artur Henrique são muito mais que preocupantes: são terríveis, pois estão mais para porta-voz do governo do que para presidente de uma central, por mais apoiadora do governo que ela possa ser. Isso sinaliza que, a depender de seus principais dirigentes, começando pelo presidente, a CUT vai buscar ser mais chapa-branca do que foi durante o governo Lula. O objetivo: tentar dar suporte no movimento sindical e popular ao próximo governo. Suporte importante, já que a presidenta eleita Dilma não tem o mesmo prestígio de Lula perante os movimentos sociais. O que se espera é que dirigentes da CUT e Sindicatos a ela filiados se posicionem categoricamente contra estas posições de Artur Henrique, cerrando fileira ao lado dos interesses da classe trabalhadora.

A CSP-Conlutas tem, sobre este tema, a mesma posição da COBAP expressa pela declaração de seu presidente Warley Martins. Por isso, a CSP-Conlutas, a Cobap, a FST, a Intersindical, a Via Campesina, além de outros setores, estão organizando uma reunião no dia 25 em Brasília aberta a quem mais quiser se somar. A finalidade é unir todos aqueles que querem lutar em defesa dos direitos da classe trabalhadora. É preciso unir a todos e a todas numa poderosa campanha. Ela deve demonstrar ao governo e ao capital que não aceitaremos que seja atirado sobre nossa classe o ônus de uma crise não criada por nós.

Mauro Puerro
Secretário Geral do SINPRO Guarulhos e da Executiva Nacional da CSP-Conlutas

quinta-feira, setembro 09, 2010

Nova reforma da Previdência está no forno

Ministério da Fazenda estaria elaborando um novo projeto de reforma da Previdência a ser apresentado a um futuro governo Dilma; ataque à aposentadorias é consenso entre PT e PSDB


Poucas vezes se viu uma campanha eleitoral tão fria quanto a que se desenrola hoje. Enquanto Dilma Roussef (PT) dá a vitória como certa, talvez até mesmo no primeiro turno, a campanha de Serra (PSDB) bate cabeça e não consegue se diferenciar do atual governo. No desespero, coube a Serra se pintar de situação e colocar Lula em seu próprio programa na TV.

Se antes a campanha eleitoral já era marcada pela despolitização, agora o tucanato encontra nas denúncias de espionagem do PT ou nos vazamentos da Receita Federal o único elemento para atacar Dilma e o partido de Lula.

Pouco ou nada se fala de programa de governo, o que não significa que ele não exista. Reportagem publicada nesse dia 29 de agosto pelo jornal carioca O Globo causou polêmica ao relatar que a equipe econômica do Ministério da Fazenda trabalha numa proposta de reforma da Previdência a ser apresentada por um futuro governo Dilma.

Ressuscitando a reforma
Segundo o jornal, a reforma que já foi seriamente cogitada pelo governo Lula há alguns anos, seria ressuscitada por um provável governo Dilma em 2011. A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda já estaria sistematizando uma nova proposta para o governo levar ao Congresso.

Segundo a matéria, a proposta que estaria sendo desenhada na mesa de Nelson Barbosa, dirigente da secretaria, prevê uma nova regra draconiana, que estabelece que a soma do tempo de contribuição e da idade do assegurado deve atingir 105 para que ele se possa se aposentar (e 95 para as mulheres). Na prática essa regra estabeleceria a idade mínima para as novas aposentadorias, substituindo o atual fator previdenciário.

Ou seja, um jovem que começasse a trabalhar e contribuir com 18 anos, após 35 anos, não poderia se aposentar, pois a soma de sua idade (53) com o tempo de contribuição (35), somaria apenas 88. Ele teria que trabalhar até os 62,5 anos de idade, contribuindo o total de 42,5 anos. Seria o maior ataque aos trabalhadores e a Previdência desde a imposição do fator previdenciário.

Um programa em comum
Ainda segundo o jornal carioca, a campanha de Dilma teria a orientação de não tocar no assunto, a fim de evitar desgaste político. Ato contínuo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, emitiu nota oficial negando qualquer movimentação do governo no sentido de formular uma nova reforma.

O presidente do PT, porém, Eduardo Dutra, declarou ao mesmo jornal que “essa proposta existe há muito tempo e continua em estudo”. Já o senador Delcídio Amaral (PT-MS), vice-presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, afirmou à Agência Brasil que a Previdência precisa de uma “rearrumação”. O líder da bancada do DEM na Câmara, Paulo Bornhausen, declarou também que “ninguém pode ser contra a reforma”.

Fato é que esse é mais um dos pontos que PT, PSDB e DEM tem em comum e que, ganhe Serra ou Dilma, a reforma da Previdência estará na pauta do dia.
FONTE: OPINIÃO SOCIALISTA

quinta-feira, maio 06, 2010

Fim do fator aumenta aposentadorias em 24%


Medida atinge apenas as pessoas que ainda não pediram o benefício, mas inativos podem recorrer à Justiça e pedir a revisão do valor recebido







O fim do fator previdenciário significará, de imediato, um aumento médio de 24% no valor das novas aposentadorias. O cálculo foi apresentado pela Secretaria de Políticas de Previdência Social no ano passado, quando o assunto entrou em pauta no Congresso, e confirmado pelo ex-ministro da Previdência Social José Cechin, que ficou no cargo nos últimos 10 meses da gestão de Fernando Henrique Cardoso. Ele explica que a idade média das aposentadorias por tempo de contribuição hoje está em torno de 54 anos. Para essa idade, o fator que multiplica o valor do benefício gira em torno de 0,672. Toda vez que o fator é inferior a um, ele diminui o valor da aposentadoria.

Segundo o especialista em contas previdenciárias, esse, infelizmente, não é o único impacto. “Mexer no fator mais do que antecipa o calendário de uma nova reforma. Já estamos atrasados, se pensarmos que novas regras, para novos entrantes no mercado de trabalho, só terão efeito fiscal em 30 ou 40 anos”, observou. Até lá, segundo ele, o país terá que aprender a conviver com deficits crescentes na Previdência Social. Sem o impacto do fim do fator, o deficit previsto para este ano, só no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), já é da ordem de R$ 54 bilhões.

Cechin atribui ao atual governo a impopularidade do fator previdenciário. “O fator foi criado como um promotor do valor da aposentadoria para o trabalhador que concorda em permanecer por mais tempo no mercado de trabalho”, disse. Na época de sua criação, em 1999, o governo tinha perdido a batalha pela criação de uma idade mínima para a aposentadoria por tempo de contribuição. O jeito, então, foi encontrar uma maneira de desestimular as aposentadorias precoces. Ele lembra que todo mundo esquece esse lado e a face que aparece é só a que mostra o valor da aposentadoria sendo diminuído. “Ninguém fala que essa pessoa está se aposentando jovem, em torno dos 54 anos”, ponderou.

Batalha judicial
O ex-ministro da Previdência disse que a conta pelo fim do fator não vai parar por aí. Uma vez em vigor a nova lei — no caso de o presidente não vetar —, as chances dos pedidos de revisão do valor da aposentadoria irem parar na Justiça são enormes. “Será um esqueleto considerável”, disse o especialista. Todos os aposentados que sofreram a incidência do fator previdenciário no cálculo do valor do benefício vão entrar na Justiça para pedir a revisão e também os atrasados, correspondente à diferença que deixou de ser paga no período. Para os atrasados, ninguém se arrisca a fazer conta, mas um simples recálculo do valor das aposentadorias já concedidas poderá elevar, de imediato, o patamar da despesa anual em R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões.

Pelos números já divulgados pela Previdência Social, a economia acumulada com a incidência do fator previdenciário até 2008 tinha sido de R$ 10 bilhões. Em 2009, especialistas estimam que essa economia acumulada tenha saltado para algo em torno de R$ 15 bilhões, ou seja, mais R$ 5 bilhões só em um ano. A economia com o fator é maior ao longo do tempo porque, no início da vigência da lei, o impacto foi só de 20% no primeiro ano. Além disso, há que se considerar que o valor médio das aposentadorias atuais é maior do que os valores que vigoravam na década de 1990. Só a partir de 2004, com a incidência do fator cheio, é que a economia começou a ficar relevante. Naquele ano, a Previdência economizou meio bilhão a mais que em 2003 e, no ano seguinte, a economia passou para R$ 700 milhões.

Mexer no fator mais do que antecipa o calendário de uma nova reforma. Já estamos atrasados”
José Cechin, ministro da Previdência Social durante o governo FHC.

Para saber mais
Como é o cálculo

O fator previdenciário é uma forma de cálculo do valor da aposentadoria, que leva em consideração a idade do segurado na hora da solicitação do benefício, o valor das contribuições pagas e a expectativa de vida.

Instituído em novembro de 1999, pela Lei nº 9.876/99, o fator previdenciário passou por um período de transição, só entrando em vigor completamente em 2004. O fator só entra no cálculo do valor das aposentadorias por tempo de contribuição.

A lógica do fator é a seguinte: quanto mais cedo a pessoa se aposenta, mais tempo ela viverá. Daí o fator entrar diminuindo o valor do benefício, uma vez que ele será pago por um período de tempo maior. O inverso também ocorre. Quanto mais tarde a pessoa se aposentar, ou seja, com idade mais elevada, maior o valor do benefício que vai ser pago por um período mais curto.

Na época, a intenção do governo com o fator previdenciário era incentivar os trabalhadores a permanecerem no serviço, atrasando a data do início da aposentadoria. Quem faz isso tem um benefício. O fator passa a ser um número maior que um, o que significa que o trabalhador está tendo um acréscimo no valor do seu benefício.
FONTE: CORREIO BRAZILIENSE

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Funcionários do INSS dizem que Agências fecham por irresponsabilidade do governo

Nota

No dia de hoje as agências do INSS BI Glicério e Agencia Ipiranga, localizadas na Praça Nina Rodrigues estão fechadas.

A razão do fechamento é a irresponsabilidade do governo que vem aumentando os agendamentos de perícias médicas sem que haja condições de atendimento. O que ocorre também com os demais benefícios e serviços no INSS.

Em junho deste ano o governo aumentou a jornada dos funcionários administrativos e médicos para 40 horas semanais, desrespeitando a jornada de 30 horas que é cumprida desde 1983. Com isso aumentou indiscriminadamente a quantidade de agendamentos sem contratação de funcionários.

O que o governo quer esconder é que em 2 anos cerca de 40% dos funcionários se aposentarão causando um caos no atendimento do INSS. Isto se deve à falta de contratação por quase 20 anos entre 1985 e 2003. À partir de 2003 o governo voltou a contratar funcionários para o INSS porém em quantidade insuficiente diante das necessidades crescentes da população. Os novos contratados, dado o grau de exigência para serem aprovados nos concursos e diante das condições de trabalho no INSS tem saído para outras áreas tanto públicas quanto privadas. Vale lembrar que os novos concursados desde 2003 entraram no INSS cumprindo a jornada de 30 horas, portanto o aumento da jornada e a pressão da produtividade que atinge mais de 60% dos salários faz com que muitos não fiquem no INSS.

Diante deste caos e da truculência do governo que se recusa a negociar com os trabalhadores, e que na ultima greve nos meses de junho e julho deste ano impôs através do judiciário e de uma precária lei de greve no setor público o desconto dos dias parados a situação vem se agravando dia a dia no INSS.

Desde o dia 1º de outubro os médicos peritos decidiram iniciar a Operação Excelência para impor ao governo o tempo necessário ao atendimento dos segurados e o governo segue desrespeitando todo e qualquer movimento dos trabalhadores, tentando impor pela força sua vontade.

Esta situação chegou ao limite no dia de ontem pois os segurados se recusam a ter suas perícias remarcadas, visto que a não realização da perícia médica acarreta suspensão de pagamento de benefícios e para aqueles que ainda não conseguiram dar entrada no auxílio doença ou auxilio acidente de trabalho significa terem que enfrentar o afastamento do trabalho, o tratamento à saúde sem nenhum tipo de salário ou benefício.

Ocorreram agressões no local de trabalho e as unidades foram fechadas pela administração pois o governo não consegue garantir a segurança dos funcionários e da população.

Este caos é responsabilidade do governo que escolheu salvar bancos e empresas privadas através do repasse de recursos públicos via BNDES e segue fazendo cortes nos direitos dos segurados e dos funcionários públicos. A omissão do governo diante da situação dramática dos segurados e dos funcionários tem a finalidade de dificultar que os segurados tenham acesso aos direitos previdenciários enquanto reduz salários e aumenta a jornada de trabalho para não contratar mais funcionários.

Exigimos:

Contratação imediata de 20.000 novos trabalhadores para o INSS
Manutenção da jornada de 30 horas sem redução salarial
Fim da política de produtividade e da fixação de tempo mínimo de atendimento
Fim dos agendamentos sem condições de atendimento
Fim da Alta Programada
Fim do Fator Previdenciário
Previdência Social pública e de qualidade

Fonte: Sindsprev -SP - CONLUTAS