Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!
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terça-feira, julho 08, 2014

DESCANSE EM PAZ, MOACIR BARBOSA!
















Filha do goleiro Barbosa desabafa após vexame:
 "Ele deve estar feliz"
José Ricardo Leite
Do UOL, em São Paulo 

A vexatória goleada sofrida pela seleção brasileira para a Alemanha por 7 a 1 no Mineirão serviu de desabafo para uma pessoa. Tereza Borba, filha adotiva do goleiro Barbosa, mora em Praia Grande, no litoral paulista, e única familiar viva do arqueiro de 1950 colocou pra fora o que sentia pela injustiça com o pai.


Ao conversar com a reportagem instantes depois das semifinais, falou sem parar como alguém que sentia na pele todo o drama que passou seu pai por décadas ao ser taxado de vilão nacional por uma única falha na final contra o Uruguai.

"Pra mim está ótimo. Eu já sabia. E o Barbosa foi vice-campeão. Ele tinha orgulho de ser vice, entendeu? E hoje tomamos chocolate, que não foi da Suíça. Estou triste por ser brasileira, mas feliz por honra ao Barbosa. Ele deve estar feliz agora", desabafou, em entrevista ao UOL Esporte.

"Isso foi pra mostrar que Barbosa tem valor. Ele era ótimo goleiro e foi um grande injustiçado. Barbosa não tinha salário, psicólogo e não ganhava como esses jogadores ganham agora. O que é isso?", prosseguiu.

A filha do histórico goleiro disse que, apesar do desabafo, nem ela e nem o pai estavam contra a seleção brasileira. Ambos queriam ver uma vitória em casa. Mas disse que quis aproveitar o momento para valorizar algo que Barbosa tem e muitos subestimam; um vice-campeonato mundial.

"Como brasileira, torci muito pelo Brasil. Ele preferia que o Brasil tivesse ganhado, infelizmente. Barbosa tinha orgulho de ser vice. E agora? O Barbosa tem que ser reverenciado mais do que nunca. Ele foi vice e nem vice eles foram", falou.

Tereza disse ainda que ficou triste por uma pessoa da seleção brasileira. "Gosto muito do Julio Cesar e não queria que acontecesse isso com ele."

Barbosa morreu em 2000 com 79 anos, sendo sempre lembrado pela falha de 1950. Sua carreira na seleção, apesar da derrota para o Uruguai, teve títulos como a Copa América e a Copa Roca. Foi hexacampeão carioca pelo Vasco, clube pelo qual teve passagem mais destacada.

FONTE: UOL







terça-feira, junho 25, 2013

“Passei anos desmilitarizando a polícia”, lembra José Paulo Bisol











Ex-secretário de Segurança Pública do governo Olívio Dutra (PT), José Paulo Bisol afirma que passou sua gestão inteira tentando desmilitarizar a Brigada Militar. “Eles são submetidos a uma educação militar antidemocrática”, considera.
Aos 85 anos, José Paulo Bisol recebeu a equipe do Sul21 em sua casa, no município de Osório, para falar sobre segurança pública e policiamento. Ex-candidato a vice de Lula em 1989, quando ainda era filiado ao PSB, Bisol ainda mantém uma filiação formal ao PT – apenas por não ter se dado ao trabalho de cancelar -, mas assegura que não possui mais identificação com o partido. “O PT não existe mais”, entende.
Nesta entrevista, Bisol comenta também sobre as manifestações que vêm ocorrendo no país. Ele se mostra entusiasmado com o movimento, mas lamenta que as causas defendidas, na sua avaliação, sejam “muito pobres”.                                                                                       
“A função policial é a 
mais difícil que existe

 e escolhemos os mais

 pobres para realizá-la”

Sul21 – Como o senhor avalia estes protestos que vêm ocorrendo no país inteiro ?
Bisol – Eu, pela própria condição da minha vida, sou um espectador, olho de longe. Isso já lamento. É um lamento de velho, pois eu gosto é de participar. Sou solidário com eles. O fato de haver violência é inerente a estes movimentos. O ser humano tem tendência para a violência e se a circunstância o envolve… Por melhor que eu seja, se eu me envolvo num movimento, se eu tenho paixões – e se eu não tenho paixões, não sou bem um ser humano -, essas paixões se manifestam e se põem para fora. A violência tem esse aspecto, ela é nossa. Não é dos outros.
Sul21 – Em diversos protestos, houve confrontos entre as policias militares e os manifestantes. Sul21 – A ação dos manifestantes pode ser uma resposta à violência da polícia?
Bisol – A polícia de hoje é bem melhor estruturada do que a de 20 anos atrás. A função policial é a mais difícil que existe e escolhemos os mais pobres para realizá-la. Eles são submetidos a uma educação militar antidemocrática. A polícia, hoje, até a militar, é bem desmilitarizada. Eu passei anos na Secretaria (de Segurança Pública) desmilitarizando a polícia, dando cursos de procedimentos não militares. A Brigada é militar em sua organização corporativa, mas é razoavelmente desmilitarizada, no sentido de que a função policial é diferente da função militar.
Bisol - Também é preciso ter um pouco de amor por esses policiais. Eles participam dessa sociedade dura em que vivemos e exercem uma função muito difícil. Eu defendo muito esses policiais e acho que a Brigada, dentro das condições atuais, é uma boa polícia. Excessos sempre ocorrem. Existe um estudante, como o Pierre, que sai do formato e dos limites do movimento e quebra as vidraças. Existem quantos Pierres? Cada um carrega uma consciência de si e um inconsciente.
“Eu sou homem de esquerda e acho

 que a esquerda está morta.
 
Se vocês me disserem que Lula

 é de esquerda eu desmaio
Sul21 – E o que o senhor pensa sobre as causas que eles defendem?
Bisol – Eu fico impressionado com esse movimento do qual sou solidário, quero que eles tenham condições de continuar para ver se produzem as modificações que querem. Só que essas modificações são muito pobres. Mudar preço de passagem de ônibus e por no meio coisas sem nenhuma viabilidade de realização, como suspender a corrupção… Se nos reunirmos para debater como acabar com a corrupção, certamente chegaremos até o Congresso. Porque o setor de onde emerge mais corrupção no Brasil é o Congresso. Eu participei desse Congresso. É preciso amadurecer e saber o que se quer. Se querem ir contra a Corrupção, como vão inventar um novo Congresso?

“A teoria do fetiche da 
mercadoriaé válida até hoje. 
Vocês devem estudá-la” 
Sul21 – Faltariam propostas mais concretas, na sua avaliação?
Bisol – Um movimento desses é uma oportunidade sagrada. Hegel dizia que a razão humana 
 é astuta: fazemos uma coisa e a razão produz outra. A tua e a minha razão seriam capazes de ser mais do que a razão é em nós dois, porque produziria um resultado imprevisto por nós. Eu tenho esperança que esse movimento ganhe forças. Eu sou homem de esquerda e acho que a esquerda está morta. Se vocês me disserem que Lula é de esquerda eu desmaio. É meu amigo, tenho admiração por ele. Mas não é de esquerda, é um capitalista tremendo. Eu gostaria que esse movimento adquirisse uma força transformadora, aí vale a pena. As circunstâncias são favoráveis a isso, no sentido de que há movimentos no mundo inteiro. Mas percebo que ninguém se arrisca a dizer qual é o sentido deste movimento.

Sul21 – Quais propostas teriam que ser defendidas, na sua opinião?
Bisol - Existe vulgarização nas redes sociais e tenho medo que ela atinja os agentes do movimento. As causas são muito pequenas. Para um país que tem o problema de identidade que nós temos… Diminuir preços não é bem o nosso problema. Nosso problema é: quem somos nós? Até onde temos qualidades para perceber a realidade e pensar sobre ela? O século XX foi o século das grandes narrativas, que eram filosofias políticas. Esse século deu o nazismo, o fascismo, o comunismo, que é uma coisa de louco. O fascismo era o mais vulgar. O nazismo teve essa loucura assassina de colocar judeus como símbolo do mal. Não havia movimento que não tivesse uma teoria por detrás. E, às vezes, teorias espetaculares. Marx não é brincadeira. A teoria do fetiche da mercadoria é válida até hoje. Vocês devem estudá-la. Na adolescência, eu ficava impressionado com os guris comunistas, que sabiam muito mais do que eu. Eu tinha aprendido a viver longe das teorias. Eu tinha vivido na alienação histórica mais profunda da humanidade, que é a religião. Você tem direito de acreditar em Deus, mas não tem o direito de exigir que o outro acredite. E você não tem o direito de transformar seus princípios religiosos em lei. E você não tem o direito de não ser suficientemente lúcido para perceber que, se Deus existe, ele é inacessível. Tua razão não alcança. Como se prova isso? Deus sempre é representado por uma figura humana ou animal. Não temos como pensá-lo.
Sul21 – A interferência religiosa na política é um tema bastante atual.
Bisol – O que os evangélicos estão fazendo é uma fundamentalização da religião. E eu não sei qual será o futuro dos Estados Unidos, onde as pequenas religiões crescem. São, inclusive, soluções econômicas. Às vezes, perdemos este sentido. A droga é uma solução econômica. Já imaginou o que eles fazem de dinheiro? Se eu fosse muito pobre, não sei se não iria vender droga.
“Sofri muito. Eu era um ingênuo.
 
A minha esquerda, o meu modo

 de viver a esquerda,
 
era muito romântico”

Sul21 – Voltando ao assunto das manifestações, há uma insatisfação em 
boa parte das pessoas com relação aos partidos políticos.
Bisol – Quando tu quiseres lidar contra a corrupção no Brasil, tem que começar pelo Congresso e pelos partidos. Os partidos políticos brasileiros são uma vergonha. Havia um com alguma estruturação de povo e com uma substância um pouco camponesa e religiosa: o PT. Mas esse PT não existe mais. O que temos são partidos cínicos, que não possuem sequer um programa. Estão pensando cada dia como vão aprimorar seu interesse eleitoral e quanto dinheiro é preciso para isso. Se o sistema continuar assim, quem tiver mais dinheiro ganha a eleição. Eu gostei de ver os guris quebrarem a bandeira de um partido em São Paulo. Há uma rejeição bonita e verdadeira aos partidos. Há uma relação bem clara entre causa e efeito. Não dá mais para aguentar os partidos. Mas na hora de votar, quem vota são os interessados no que está aí.
Sul21 – O senhor disse que a esquerda está morta. Quando ela começou a morrer?
Bisol – Acompanhei a esquerda e tive participação política. Não gosto nem de lembrar disso, porque sofri muito. Eu era um ingênuo. A minha esquerda, o meu modo de viver a esquerda, era muito romântico, não tinha efetividade nenhuma. Chegou um ponto em que a esquerda não tinha mais caminhos para mim. Eu continuo à esquerda. Mas é preciso dizer com simplicidade: esquerda não tem mais profundidade nenhuma. É apenas uma expressão para dizer que eu não estou do lado dos conservadores. O meu princípio é de que tudo está sempre mudando. Em polícia e em democracia, não penso somente como Marx, penso como Jefferson, da revolução americana, que quando venceu disse: “de 20 em 20 anos temos que renovar”.
Sul21 – É preciso renovar a democracia brasileira?
Bisol - Todo sistema, depois de um certo tempo, não tem mais coincidência com o povo, que se renovou e tem outros sonhos. Temos que estar sempre mudando. O Brasil precisa mudar sua estrutura de governo. Não é passar para as estruturas que existiram no passado, mas é inventar um novo Congresso. Esse Congresso é insuportável. É tão insuportável estar lá dentro como tê-lo ao lado. Lá dentro tem gente muito boa. Mas o sistema é poderoso e aí vem novamente Hegel: há uma força que não é de ninguém, mas que já se consolidou como uma espécie complexa de hábitos mentais que não se muda mais. Isso que consolida os absurdos. O Congresso Nacional é um absurdo descarado, eles não têm nem vergonha. Eu estive lá dentro e vi pessoas maravilhosas, como Darcy Ribeiro, um grande espírito de nação e de solidariedade humana. Então é isso, estou de acordo com este movimento. Mas, sem estar definitivamente fechando o assunto, porque tudo ainda está em andamento, digo que há muita superficialidade nas causas. Não se faz transformação só com isso.

“Tarso é um capitalista
 
contra o capitalismo selvagem”

Sul21 – Uma reforma política profunda seria a saída?
Bisol – Temos que começar mudando nós mesmos. Não posso me considerar pessoalmente. Tenho que considerar as pessoas que estão em torno de mim. Em Osório, por exemplo, uma eleição é antiquada, com churrascos, festinhas. Acho interessante que esses guris têm a coragem de pretender obstruir um pouco as partidas de futebol. É uma coragem de adolescente. Há um contrato internacional. Não existe presidente nem nada: a polícia tem que ir e impedir. É um risco para os guris.

Sul21 – Como o senhor avalia o governo Dilma?
Bisol – Acho a Dilma uma pessoa com uma estrutura política pessoal fantástica. Ela é muito equilibrada e com uma consciência de si bastante amadurecida, sem se pretender a uma transcendência. Só que ela tem que governar ao contrário do que ela pensa. Quantas pessoas ela tem, verdadeiramente, do lado dela? Está todo mundo ao lado dela para que ela governe exatamente como está governando, não como gostaria. Esse é o problema dela, a meu ver, sem pretensão nenhuma de não errar.
Sul21 – E o governo Tarso?
Bisol – Tarso é uma bela pessoa. Gosto muito dele, é meu amigo. Isso é preciso ser dito, pelo que vou dizer agora. O Tarso é o Lula do Rio Grande. Não tem nada de revolucionário. É um capitalista contra o capitalismo selvagem. As soluções dele são capitalistas. O PT não existe mais. Estou dizendo isso literalmente. É igual ao PMDB e a qualquer outro partido.
Sul21 – O PT existia no final dos anos 1980, na época do Olívio?
Bisol – Opa! Olívio é do PT camponês. Não é religioso, mas é da esquerda religiosa. Do ponto de vista dos intelectuais, naquela época ainda existia no mundo a esquerda lacaniana, que é sensacional. Teoricamente, é, hoje, a mais atual. Mas Tarso e a maioria do PT são como o Lula. Eles estão dentro do sistema e de acordo com o sistema. Querem mudar algumas coisinhas, no sentido de que “se eu faço, eu sou”. O fazer precisa aparecer. Politicamente, não existe outro caminho. Sem aparecer, não existem votos. E aí já existe uma tremenda contradição na política, porque o sujeito está sendo político e está pensando em se reeleger. Um dos males da política mundial é que política não pode ser profissão.

Sul21 – Que mudanças o senhor tentou impor na sua época?
Sul21 – O senhor foi Secretário de Segurança. Na sua avaliação, os governos estaduais possuem controle sobre a Brigada Militar?

Bisol – É um controle conflitivo e dialético. Eles têm o sentido de corporação. A Brigada é uma corporação. Como corporação, supõe uma certa independência. Eles têm muita tradição no sentido de respeitar a figura do governador. O secretário representa o governador. Eu nunca tive grandes dificuldades. Tive outro tipo de dificuldades e posso contar. Quando assumi, um ex-secretário de Justiça, que era primo de uma pessoa que era muito minha amiga, se reunia com os velhos coronéis da Brigada e velhos delegados de polícia para preparar um jeito de impedir o Olívio de governar. Governamos com muita dificuldade. Houve resistências obscuras, não no debate público. Pelo contrário, o debate era tudo que eu pedia e eles nunca quiseram.
Bisol – Eu queria, por exemplo, separar os bombeiros. É uma função muito positiva, generosa, sacrificial e sem violência. Acho que se deve separar. Isso era a parte externa. O que eu queria mesmo era uma desmilitarização espiritual. O tipo de formação militar, se for bem humanizada, é boa, disciplinarmente.
Sul21 – O senhor é a favor do fim da polícia militar, como sugere a ONU?
Bisol – Aí é outra ideia. Polícia tem que ser una. Se tu crias polícias muito diferentes, elas disputam privilégios entre si e não transferem informações. Estão agora com a PEC 37 e essa é uma intuição muito boa do movimento. É um horror essa PEC. Ela transforma a polícia brasileira na maior corporação do país. Vão abafar tudo o que quiserem. Nunca se deve concentrar competências. O que deve se concentrar é a unidade das polícias. Elas devem funcionar complementarmente e isso não existe no Brasil.
Sul21 – Como o senhor trabalhava diante de casos de abusos cometidos por policiais?
Bisol – Isso é um tema mundial. É o tema do código vermelho. Quando a corporação policial tem interesse, ela resolve seus problemas, independentemente de outras instituições. Quando eu assumi a secretaria, os códigos de honra eram fortíssimos na Polícia Civil e na Brigada Militar. Eles, inclusive, tinham pacto com bandidos. Das investigações que fiz, registro diversos encontros neste sentido.
“A RBS, lá embaixo, é unha e dente com a polícia”

Sul21 – Que investigações o senhor citaria?
Bisol - O mais importante são alguns inquéritos que fiz na época, contra tudo e contra todos. Encontrei alguns policiais extraordinariamente dignos para fazer esses inquéritos. Um deles, inclusive pedi ao Olívio que colocasse na Justiça Militar, o Brum. Ele fez o inquérito sobre o caso em que a polícia matou dois guris que eram assaltantes de ônibus. Eram dois irmãos. Como esses dois guris, num dos assaltos, mataram uma brigadiana, por um tiro infeliz de um deles, a Brigada inteira se reuniu, por fora da lei. Em um código de honra, foram à casa dos guris e massacraram os dois. Esse inquérito foi muito bem feito. Mas aí chegou uma hora em que a mídia começou a dizer que não era bem assim. Era como eu pensava, sim – muito pior até.
Sul21 – A mídia não concordava com o inquérito?
Bisol - O código de honra funciona de uma maneira em que os jornalistas às vezes cooperam com a polícia para ter as informações necessárias. A mídia tem muita ligação com a polícia. Eu fui funcionário da RBS. A RBS, lá embaixo, é unha e dente com a polícia. Se a polícia resolver não gostar de um secretário, assopra para a RBS e a RBS ajuda. Eu não tenho nada contra a RBS, embora eles tenham ajudado a me desmoralizar. Pelo contrário, trabalhei na RBS sem interesse de salário, por gosto. Depois quis sair, porque queria fazer política. Eles foram muito bacanas comigo, eu estava lá como diretor e não sabia fazer as coisas. Eles deveriam ter me posto na rua, mas foram muito tolerantes. Eu que tive que dizer que eu não sabia fazer, então me colocaram no rádio. Eu sou agradecido a eles. Depois se voltaram contra mim. Isso é outro assunto.
Sul21 – Qual a importância da formação policial para que se tenha uma polícia que respeite os direitos humanos? 
Sul21 – O senhor estudou as cartilhas da ONU para tentar mudar a polícia. Para que a arma fosse utilizada em última instância.
Bisol – Sim. Inclusive fiz dois ou três editais para transformar comportamento tirando princípios da ONU. Quase me mataram. A mídia quase me matou. Me ridicularizaram até na Veja. Eu dizia que a polícia não pode atirar sem dominar a situação. Se pode acertar em outro, não atire. Se está em movimentação, não atire. Tem tanta gente morrendo não de tiro perdido, mas de tiro mal dado. Seja quem for o bandido, se houver risco de se acertar outras pessoas, então que não atirem. Fiz editais neste sentido e fui ridicularizado. A mídia é muito policialesca.
Bisol – Nenhum secretário fez muito por isso. O problema é que as polícias conseguiram, com apoio do Congresso, fazer eles mesmos a sua escola, assim como o Exército. A Polícia Civil que faz seu curso em Porto Alegre. Não pode ser assim. Se a polícia mesmo se faz, ela se faz como quiser.
“Polícia não tem que
 
acabar com ninguém
Ela tem que
 
exercer proteção
Poĺícia tem que te dar

 espaço e tranquilidade”

Sul21 – Então secretários não têm poder de modificar a formação?
Bisol – Têm, porque nós fazíamos cursos. É preciso fazer cursos civis para desmilitarizar a polícia. Mas não pense que a Polícia Civil não tem também uma concepção militar. O Brasil como nação possui uma concepção militar. O pensamento de que eles são bandidos e nós representamos os bons, então precisamos acabar com eles. Isso não é polícia. Polícia não tem que acabar com ninguém. Ela tem que exercer proteção. Polícia tem que te dar espaço e tranquilidade. No que diz respeito aos criminosos, tem que buscá-los e prendê-los.
Sul21 – E diante de uma manifestação, como a polícia deve agir?
Bisol – Não há possibilidade nenhuma de se acertar. Sempre vai haver um ponto discutível, porque vai haver violência. Agora, não se pode deixar um movimento chegar a subir em cima do Congresso. Isso é muito bonito, mas tu tens que ir para a capela rezar para que nada aconteça. Se desse correria lá, teríamos aleijados para tudo que é lado. Não pode deixar se aproximar três metros. O movimento tem que ter espaços livres e tem que ter consciência de que existem lugares onde o acesso não é permitido. É preciso deixar que o movimento tenha flexibilidade. E eles estão bem inteligentes, fazem diversos grupos.

“Há, universalmente, um desencanto com o sistema capitalista” 
Sul21 – Como o senhor avalia a luta pelos direitos humanos hoje?
Bisol – Fui uma pessoa muito integrada com os direitos humanos, mas hoje sou mais revolucionário. Hoje leio que a revolução sempre fracassa, acaba em terrorismo. Outro dia dei uma palestra aqui na universidade e, depois, fui almoçar com uns amigos e um deles me perguntou: “e se o senhor tivesse que matar pela causa?”. Eu respondi: “se eu tivesse certeza da minha causa, eu mataria”. Mas é difícil ter certeza. A vida de cada um de nós, o que nós pensamos, sentimos e amamos, está dentro de uma verdade que nunca pode ser esquecida: o ser humano se caracteriza pela finitude. Ele nunca alcança o que gostaria de alcançar. Ninguém alcança. A não ser que o objetivo seja diminuir as passagens de ônibus. Isso é algo que a ignorância brasileira nacional não consegue compreender. Somos uma espécie estranha de iluminismo. As pessoas, eu, tu, nós, agimos como se nossas cabeças resolvessem tudo. Como se fôssemos racionais. O que o desejo sexual tem a ver com a razão? E não é normal e natural? E não é estranho? Tu não dominas muito. E não seria bonito, se não tivessem todos esses desvios morais que colocam em cima? A relação seria muito mais transcendente se não fosse o moralismo. A verdade é que ela não é racional, é animal. Pode até existir uma substância espiritual, mas o desejo, seja de quem for, é sexual mesmo. Lacan diz que não se chega nunca à realização sexual, o que é absoluta verdade.
Sul21 – O senhor disse que a esquerda está morta, os partidos são uma vergonha e o Congresso é um absurdo. Como agir diante deste cenário?
Bisol – O que estou dizendo com isso? Estamos precisando de um evento, um fato que mude tudo. É a revolução. Isso pode ocorrer. Há sinais. Há, universalmente, um desencanto com o sistema capitalista. O liberalismo é algo cansado. Mas, como não existe cultura política, ninguém pensa contra. Tanto é que fazem um movimento para mudar preços.
Sul21 – Outros partidos de esquerda que estão na origem destas manifestações atuais não são capazes de produzir uma nova teoria que dê conta dos nossos tempos?
Bisol – Como agentes políticos, esses partidos são interessantes. Mas não têm perspectivas, porque nada se reproduz. Gadamer dizia que compreender é sempre mudar a compreensão. Quando eu compreendo algo, o que mudou foi minha capacidade de compreender. Eles querem refazer uma história que já está feita. Já passou o tempo. É intempestivo. É preciso inventar algo que coincida com essa mentalidade um pouco esvaziada, mas muito produtiva tecnicamente, e que tem riqueza de habilidades e de imaginação nos seus setores.
FONTE: SUL 21

segunda-feira, abril 29, 2013

Nhá Chica será beatificada sábado no interior de Minas



Baependi, no sul de Minas, receberá no sábado mais de 40 mil visitantes - o dobro de sua população - para a beatificação de Nhá Chica, que se notabilizou no século XIX pela vida de oração e dedicação à caridade. Analfabeta e muito pobre, recebia diariamente em casa dezenas de pessoas pedindo orações para obter graças e milagres, por intercessão da Imaculada Conceição.


Neta de escrava, filha de ex-escrava e de pai desconhecido, Francisca de Paula de Jesus nasceu em 1810 em Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno, distrito de São João del Rey (MG). Morreu em 1895 em Baependi, onde viveu por mais de 80 anos e onde será beatificada às 15 horas do dia 4 em cerimônia presidida pelo cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, representando o papa Francisco.
A prefeitura de Baependi montou um esquema especial. O centro da cidade será fechado ao trânsito e linhas de ônibus especiais farão o transporte a partir de localidades vizinhas. Voluntários estão sendo treinados para orientar visitantes. A cerimônia se iniciará com missa solene num espaço de 55 mil m² de uma antiga beneficiadora de pedras.
A beneficiária do milagre aceito pelo Vaticano - a professora Ana Lúcia Meireles Leite, de Caxambu - vai acompanhar a cerimônia. Ela tinha um defeito no coração, comprovado por exames médicos, e deveria fazer uma cirurgia, que foi adiada por estar com febre alta. Posteriormente, novos exames constataram que não existia mais o problema. Uma comissão médica da Congregação para as Causas dos Santos declarou, em outubro de 2011, que a cura não tinha explicação científica.
Os restos mortais de Nhá Chica estão guardados numa urna de acrílico, dentro de outra de granito, no Santuário de Nossa Senhora da Conceição em Baependi. O túmulo onde estava foi aberto para exumação em 18 de junho de 1998 - 103 anos após sua morte. Já estava em andamento o processo de beatificação, iniciado em 1989. A Congregação para a Causa dos Santos deu parecer favorável sobre as virtudes da futura beata em junho de 2010 e em junho de 2012 reconheceu a autenticidade de um milagre atribuído à sua intercessão.
Vida de devoção
Nhá Chica viveu em Baependi com a mãe, Izabel Maria, e o irmão, Teotônio. Era uma "moreninha clara, olhos verde-gaios, jovial, dengosa, um encanto de criança, alegre e comunicativa", conforme relato de monsenhor Lefort, citado pela pesquisadora Rita Elisa Seda na biografia Mãe dos Pobres - Nhá Chica, lançada em março pela editora Comdeus - Servos da Imaculada.
A avó de Nhá Chica, uma africana trazida de Angola num navio negreiro em 1725, ficou conhecida como Rosa de Benguela. Tratada torpemente aos 14 anos pelo seu "amo e senhor", como registrou em manuscrito, foi vendida e levada do Rio para Minas, onde morou no Inficionado, a 12 km de Mariana. Cativa na Fazenda Cata Preta, viveu 15 anos na prostituição. Aos 30, doente, resolveu mudar de vida. Vendeu os poucos bens que tinha, distribuiu o dinheiro aos pobres e começou a participar de ofícios e liturgias nas igrejas da região. Sua filha Izabel Maria, a mãe de Nhá Chica, foi alforriada. Mulher piedosa, pediu a Francisca que não se casasse para dedicar a vida à caridade.
Foi em Baependi, cidade de 18.307mil habitantes pelo Censo de 2010, que Francisca cresceu e viveu numa casa de quatro cômodos até 1895, quando morreu. Tinha 85 anos - ou 90, ou 82, segundo dados contraditórios dos registros de nascimento e óbito. Ficou quatro dias insepulta, mas o corpo não se decompôs. "Seu corpo não exalava mau cheiro, mas um suave perfume de rosas", escreveu d. Diamantino Prata de Carvalho, bispo da Diocese de Campanha, no livro de Rita Elisa.
Seis anos mais velho, Teotônio estudou e ocupou cargos públicos de prestígio. Insistia para a irmã morar com ele, mas Nhá Chica sempre recusou. Obediente à recomendação da mãe, vivia celibatária cultivando verduras, frutas e flores e rezando muito. Com esmolas e ajuda do povo, mandou construir uma capela que ficou conhecida como igreja de Nhá Chica.
A menina nunca foi à escola. Viveu e morreu analfabeta. Lamentava não poder ler a Bíblia, da qual decorava trechos e recitava de cor nas orações. Rezava diante de uma pequena imagem da Imaculada Conceição, retirando-se para junto dela no quarto, enquanto pessoas que recorriam às suas preces aguardavam na sala.
A piedosa literatura que conta sua história registra casos de premonição, curas, localização de parentes e animais, encaminhamento de noivados e casamentos. "Sou apenas uma pobre analfabeta, mas rezo com fé, peço a Deus e Ele me atende pelos méritos de sua Mãe santíssima", dizia.

FONTE: Ihu.Unisinos

quinta-feira, abril 18, 2013

Joaquim Barbosa aparece na lista dos cem mais influentes da ‘Time’














Presidente do STF é descrito como o garoto pobre que “viu na educação o trampolim para sair da pobreza”

O presidente do Supremo Tribunal Federal e relator do processo do mensalão, ministro Joaquim Barbosa, foi eleito uma das cem pessoas mais influentes do mundo pela revista americana “Time”. Outro brasileiro da lista é o chef de cozinha Alex Atala. A décima edição da lista feita pela revista foi divulgada nesta quinta-feira.

Barbosa é descrito como um pobre garoto brasileiro, um dos oito filhos de um pedreiro, que “viu na educação o trampolim para sair da pobreza”. A Time destaca que ele trabalhou como faxineiro e datilógrafo no Senado para ajudar a cursar a faculdade de Direito.

“No fim, ele obteve um doutorado da Sorbonne, aprendeu quatro línguas estrangeiras e se tornou professor visitante no Instituto de Direitos Humanos da escola de Direito de Columbia”, escreve a revista.

Segundo a “Time”, os brasileiros se orgulham de Barbosa por ele ser o primeiro presidente do STF negro e por “simbolizar a promessa de um novo Brasil comprometido com o multiculturalismo e igualdade”.

“A máscara de Carnaval mais vendida no Brasil neste ano não foi a de um jogador de futebol ou de um pop star, mas sim de Joaquim Barbosa, jurista que no ano passado presidiu o julgamento do maior caso de corrupção do país e se tornou o primeiro presidente negro do Supremo Tribunal Federal”, diz o texto da revista.

Barbosa aparece na lista de pioneiros, como a presidente da Tunísia, Moncef Marzouki, e a a CEO do Yahoo!, Marissa Mayer. As outras categorias da lista são: titãs, líderes e ícones.

Em 2012, constavam na lista dos mais poderosos o empresário Eike Batista, a presidente da Petrobras, Graça Foster, e a presidente Dilma Rousseff.

FONTE: O GLOBO

quinta-feira, dezembro 06, 2012

Oscar Niemeyer: uma legenda comunista para a história


O mundo das artes e a cultura do trabalho perderam o legendário arquiteto e comunista Oscar Niemeyer. Figura da maior grandeza, que marcou o século XX com a sua arte e ciência, mas também com as ideias pelas quais lutava com convicção.
O arquiteto comunista, com seus traços, colocou o Brasil na modernidade do mundo. Sua obra marcou a arquitetura na Europa, na África, na Ásia, no Líbano e na América. Sua genialidade se espalhou pelo Brasil em obras que refletiam as curvas, a luz e a suavidade da liberdade no traço do concreto que era erguido pelos trabalhadores, em prol dos quais lutou por toda uma vida. Ao projetar Brasília, Niemeyer afirmava que não bastava criar uma cidade, era preciso mudar o sistema que apartava os trabalhadores de sua obra.
Mas o homem, militante comunista, tinha a estatura de sua obra. Entrou para o nosso Partido em 1945, lutou contra a repressão da ditadura militar, sendo desterrado para a França. Lá militou no Partido dos fuzilados, dos que heroicamente resistiram ao nazismo, o histórico Partido Comunista Francês, sendo o construtor da sede daqueles comunistas.
Sempre esteve ao lado do progresso da humanidade. Apoiou a revolução bolchevique e o Estado operário na URSS, sempre esteve ao lado de Cuba socialista, e quando a revolução democrática e socialista venceu a opressão na Argélia, para lá foi o militante comunista brasileiro, construir universidades e prédios para atender aos interesses dos trabalhadores.
Niemeyer esteve ao lado de gigantes do século XX: foi amigo dos comunistas Fidel Castro, Pablo Neruda, Luiz Carlos Prestes, Jorge Amado, Jean-Paul Sartre e José Saramago. Apoiou todas as lutas dos trabalhadores em seu tempo, militante sempre solidário, altivo e disposto a lutar pelo socialismo.
Quando o nosso Partido foi atacado pelo liquidacionismo, no IX congresso em 1991, lá estava ele, no plenário do auditório da UERJ para dizer: “Enquanto houver miséria e opressão, ser comunista é a nossa decisão”.
Após a ruptura com os liquidacionistas, que viraram as costas para a história, em 1992, Oscar Niemeyer foi eleito o presidente de honra do PCB.
Sua luta, sua história, seu compromisso com o marxismo e o socialismo, assim como a sua arte e ciência marcaram indelevelmente a memória do tempo presente.
Camarada Oscar Niemeyer, presente!
Rio, 06 de dezembro de 2012.
Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Intelectual notável, Niemeyer foi autor de frases célebres

Mantendo-se lúcido e ativo até a sua morte, nesta quarta-feira (5), aos 104 anos, no Rio de Janeiro, o arquiteto Oscar Niemeyer --também considerado um dos mais importantes intelectuais do país-- mantinha o discurso afiado. Em entrevistas e depoimentos dados ao longo da vida, emitiu opiniões sobre temas como a  vida, a política e as artes. 

Veja algumas das melhores frases do arquiteto.


REPERCUSSÃO
Você olha para o céu e fica espantado. É um universo fantástico que nos humilha e a gente não pode usufruir nada."

Entrevista divulgada em 2007 

Crença
"Eu não acredito em nada. A ciência explica tudo, ela traz a verdade. Ela nos mostra como tudo começou. Acho que agora não há uma razão para caminhar nessas fantasias"
Entrevista concedida em dezembro de 2009
"Gosto de ficar sozinho, a pensar na vida, neste universo imenso que nos encanta e humilha. De sentir a fragilidade das coisas e a nossa própria insignificância"
Entrevista dada em dezembro de 2007
Mulher
"Há o pessimismo que bate quando estou sozinho e penso no mundo. Mas se é para ir a uma festa em que há mulheres bonitas, o pessimismo desaparece. A vida está correndo. Tenho momentos de tristeza, de prazer, de saudade... Faz parte."
Entrevista concedida em março de 2003

"O importante é mulher, não é? O resto é brincadeira. Acabou a entrevista, não é isso?"
Entrevista divulgada em 2007

Vida
"A minha vida não tem nada de especial. É a de um ser humano, assim, insignificante que atravessa a vida, que é um sopro."
Entrevista divulgada em 2007


Todos temos dentro de nós um ser oculto, que nos leva pra um lado ou pra outro. O meu é esse: ele gosta das coisas, ele gosta de mulher, gosta de se divertir, gosta de chorar, se preocupa com a vida. É um sujeito complicado, não é?[Quero ser lembrado] como um ser humano que passou pela Terra como todos os outros - que nasceu, viveu, amou, brincou, morreu, pronto, acabou!
Entrevista divulgada em 2007

Entrevista divulgada em 2007
Brasília
"Quem for a Brasília, pode gostar ou não dos palácios, mas não pode dizer que viu antes coisa parecida. E arquitetura é isso - invenção."
Entrevista concedida em 2001

A primeira vez que eu fui à Brasília de avião, a gente foi com os militares. Eu sentei ao lado do Marechal Lott e, no caminho, ele me perguntou: ?Niemeyer, o nosso edifício vai ser clássico, né?? Eu até disse, sorrindo pra ele: ?o senhor, numa guerra, o que vai querer? Arma antiga ou moderna??
Entrevista divulgada em 2007

"Você tem que pensar na política, a política é importante. Você tem que pensar na miséria. E quando sentir que a coisa está ruim demais, e a esperança fugiu do coração dos homens, aí é revolução."
Entrevista divulgada em 2007

Eu nasci comunista. Meu avô foi ministro do Supremo Tribunal por muitos anos. Quando ele morreu só ficou a casa em que morávamos, hipotecada. Por isso tenho muito respeito pelo meu avô Ribeiro de Almeida, porque ele foi um sujeito importante na vida pública, mas morreu teso.
Entrevista divulgada em 2007

Não acredito em globalismo (globalização), não acredito em nenhuma dessas invenções dos americanos. Só acredito que eles querem invadir a Amazônia.
Entrevista divulgada em 2007

"Mais importante do que a arquitetura é estar pronto pra protestar e ir à rua, isso que é importante, é o sujeito se sentir bem, sentir que não é um merda, que ele tá ali pra ser útil...?
Entrevista divulgada em 2007

Humanismo
"Por enquanto só usa a arquitetura quem tem dinheiro, os outros estão fodidos aí, nas favelas"
Entrevista divulgada em 2007

"Aqui, esse é o meu lema: fodido não tem vez"
Entrevista divulgada em 2007

"Vou parar nos cafés para ouvir historinhas, coisas da vida que um dia vão ter de mudar, quero ser um mulato que sabe a verdade, e que ao lado dos pobres prefere ficar"
Trecho de samba composto com Caio Junior para o grupo Banda de Ipanema

"O pobre mesmo, que vê o prédio moderno, se espanta com a forma e tem seus momentos de emoção. Depois ele sabe que não vai participar, que não participa de nada. Nós trabalhamos para os donos do dinheiro."
Entrevista realizada em dezembro de 2007


"A forma nova, diferente, que deve criar surpresa... essa é a arquitetura. Arquitetura é invenção"

Desenho
"Eu começo a desenhar. E quando chega uma ideia, uma solução que me agrada, eu passo a redigir um texto explicativo, porque se nesse texto eu não encontro argumentos, eu volto pra prancheta"
Entrevista divulgada em 2007

Entrevista divulgada em 2007
"A beleza é importante. As pirâmides foram uma coisa sem menor sentido, mas são tão bonitas, tão monumentais, que a gente esquece a razão das pirâmides e se admira. Se a gente ficar preocupado só com a função, fica uma merda."
Entrevista divulgada em 2007

"O arquiteto tem que saber desenhar, fazer desenho figurativo, desembaraçar a mão para trabalhar"
Entrevista divulgada em 2007

"Na Europa, às vezes dizem 'o passado arquitetônico de vocês é pobre, é mais português que brasileiro.' E eu dizia: isso é muito bom pra nós, porque vocês vivem circulando entre monumentos, e nós estamos livres para fazer hoje o passado de amanhã."
Entrevista divulgada em 2007

"Não é o ângulo reto que me atrai,
nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem
O que me atrai é a curva livre e sensual,
a curva que encontro nas montanhas do meu país,
no curso sinuoso dos seus rios,
nas ondas do mar,
no corpo da mulher preferida.
De curvas é feito todo o universo,
o universo curvo de Einstein."
Poema das Curvas

FONTE: FOLHA.COM