Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!
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quinta-feira, março 04, 2010

Fitinha do Bonfim vira moda na Europa

Acessório pode custar até 25 e ganha adeptos em Paris e Londres



Os corpos continuam bem encobertos por casacos pesados e luvas, em um inverno europeu com temperaturas glaciais. Mas, dentro de dois meses, quando os braços e pulsos estiverem mais à mostra nas principais capitais do continente, como Paris e Londres, um pequeno adereço estético, colorido e bem familiar, vai chamar a atenção dos brasileiros: fitinhas do Nosso do Senhor do Bonfim. Isso porque, a exemplo do fenômeno Havaianas, as pulseirinhas de tecido vêm se tornando um novo hit dos fashionistas e "brasilófilos" de plantão.

Os mais atentos à moda já perceberam a aparição das fitinhas. Evidentemente, não há estatísticas para explicar o fenômeno, mas a sensação de quem trabalha com acessórios, ou os admira, é taxativa. "Todo mundo usa", sentencia a jornalista franco-americana Jenny Barchfield, especialista em moda da agência Associated Press em Paris. "Durante muitos anos, eu usava, mas não uso mais por causa disso. Tem "bobo" demais usando", conta, valendo-se da expressão típica do francês para designar os parisienses "burgueses-boêmios".

Outro indicativo do sucesso das fitinhas é o rumor de que elas estariam prestes a desembarcar em pelo menos dois templos fashionistas parisienses, uma grande loja de departamentos e uma butique - caríssima -, ponto de romaria dos "mais descolados" à Rue Saint-Honoré. Os paninhos baianos benditos, conhecidos na França como "porte bonheur", acabaram supervalorizados por vendedores de lojinhas badaladas. Seu preço pode variar de ? 0,50 a ? 5. Customizadas, são vendidas com o apelo "desenho Saint-Tropez" em lojas como a Spirit Wire, na Côte D"Azur, por valores de ? 11 a ? 25.

Boa parte da propaganda das fitas é feita no boca a boca. A "tendência" é mais presente entre os familiares e amigos de brasileiros e entre quem já foi ao Brasil. É, de certa forma, um símbolo de distinção de quem conhece o país, cuja imagem é positiva na Europa. "São bonitinhas demais!", derrama-se Mélanie Durand, de 27 anos, uma francesa aficionada por capoeira que conhece o litoral do Nordeste melhor que muitos brasileiros.

Entre algumas tribos, a fitinha é até polêmica. Há quem defenda o uso respeitando ritos baianos. "A fitinha não se compra, se ganha! Enfim, as que eu recebi em Salvador me foram todas doadas", reitera Laure Nakara, de 29 anos. Alheia à polêmica, a arquiteta Cláudia Cerantola, proprietária do site de comércio online de produtos brasileiros Pur Suco, que comercializa desde 2006 o "Souvenir du Dieu de Bahia", por meio euro, trata de aproveitar a onda. "Viraram acessório da moda. As vendas só aumentam." Segundo ela, empresas francesas as estão copiando, produzindo e vendendo como fitas "tipo brasileiras", e com a escrita que o cliente quiser.
FONTE: ESTADÃO

domingo, fevereiro 28, 2010

Mais sexo, mais saúde

Pesquisadores americanos recomendam a prática sexual para prevenir males como depressão, problemas cardiovasculares e até câncer de próstata



Você quer ter boa saúde? Então, cuide da alimentação, do sono, do nível de estresse e... transe muito. Sexo faz bem para corpo, mente e espírito. São tantos os benefícios que, além dos psicólogos, os médicos também o recomendam. É um remédio sem efeitos colaterais nem contraindicação, que pode ser usado sem moderação.

Uma pesquisa realizada por médicos do New England Research Institutes e publicada na revista American Journal of Cardiology comprova: homens com uma vida sexual menos ativa têm maior incidência de distúrbios como disfunção erétil, colesterol alto e hipertensão. Segundo a cientista Susan Hall, coordenadora do estudo, sexo de duas a três vezes por semana pode ter um efeito protetor para o coração. Além de ser um bom exercício físico, os hormônios liberados após a ejaculação ajudam a equilibrar uma série de funções metabólicas.

Os pesquisadores acompanharam, durante 16 anos, 1.165 homens, com idade média de 50 anos, sem histórico de doenças cardíacas. Os resultados comprovaram que os indivíduos com mais disposição para o sexo costumam ser menos sedentários e cuidam melhor da saúde.

– Uma vida sexual pouco ativa pode sinalizar a fase inicial de problemas físicos, em especial os ligados ao sistema cardiovascular, como infartos, derrames e pressão alta – alerta Susan Hall.

Entre as diversas substâncias liberadas durante o ato sexual estão a endorfina e a serotonina, que são potentes antidepressivos, segundo explica o doutor em Medicina do Esporte Glaycon Michels:

– Uma relação sexual alia exercício físico e prazer. Por isso, sempre que possível, sugiro aos meus pacientes que façam sexo quando estão deprimidos – diz Glaycon.

O médico, que também é nutrólogo e especialista em medicina antienvelhecimento, sugere sexo cinco vezes por semana. Para as mulheres, funciona como antidepressivo. No caso dos homens, há mais um fator importante: durante a ejaculação é liberada a testosterona, outro potente antidepressivo, responsável pelo aumento da massa muscular.

– Quanto mais sexo, mais massa muscular, força física e testosterona. E, quanto menos sexo, menor a libido, menor o gasto calórico e maior a gordura na cintura – diz.

Outra vantagem de apostar numa vida sexual bem ativa: quanto mais ejaculações, menor o risco de desenvolver câncer de próstata.

Michels alerta que manter relações sexuais serve como prevenção, mas não como cura de doenças. Portadores de problemas cardíacos graves, por exemplo, só devem fazer sexo com a liberação do médico.

A psiquiatra Carmita Abdo está entre as maiores autoridades brasileiras quando o assunto é sexo, e ela também defende que o ato sexual é um termômetro da saúde física e emocional do ser humano.

– Quem transa com regularidade consegue equilibrar os hormônios e estimular suas potencialidades. São pessoas mais satisfeitas consigo próprias – diz a médica, enfatizando que fazer sexo aumenta a autoestima e o ânimo para enfrentar os problemas.

– Quem reprime o desejo sexual corre o risco de sofrer de doenças psicossomáticas, como úlcera, infarto, asma brônquica e estresse – alerta o psiquiatra e sexólogo Ronaldo Pamplona da Costa.
FONTE: ZERO HORA

terça-feira, setembro 22, 2009

PRIMEIRO VERÃO!




Primavera

Cecília Meireles

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la.
A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação.
Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu.
E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade.
Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.
Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998.

segunda-feira, abril 13, 2009

Liberação do consumo ganha adeptos ilustres

Uma adesão ilustre reacende a discussão pela liberação do consumo da maconha no país. Aos militantes históricos da causa, como o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ), juntou-se o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um dos coordenadores da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia – ONG formada por intelectuais e líderes de peso no cenário latino-americano, como os também ex-presidentes do México Ernesto Zedillo e da Colômbia César Gaviria.
A ONG apresentou a proposta na Comissão de Entorpecentes da ONU, em Viena, na Áustria, que decidiu manter a política de "guerra às drogas" articulada com ações de saúde pública e redução de danos.O tema retoma um debate antigo (e explosivo): o Brasil deve continuar apostando na repressão, política que tem nos EUA, na Rússia e no Japão seus principais expoentes, ou seguir o caminho de países europeus, como Holanda, com legislação liberal em relação ao consumo de entorpecentes?
Desde 2006, usuários de drogas ilícitas não são encarcerados quando flagrados consumindo entorpecentes – embora submetam-se ao constrangimento de ir para delegacia, responder na Justiça e, quando condenados, deixam de ser primários.
A medida, portanto, seria incapaz de esvaziar prisões. Mas, sustentam os adeptos, ocorreria um avanço no trato do tema.– Não estamos propondo a legalização, isto é, não achamos que a sociedade deva dar uma sanção positiva ao uso da maconha.
Estamos dizendo que a maconha faz mal, mas os usuários, em vez de irem para a cadeia, devem ser tratados pelos sistemas de saúde – diz Fernando Henrique.
Defensor há duas décadas da descriminalização da maconha, Gabeira destaca a necessidade de "reformar a polícia" para que uma visão liberal tenha êxito:–
Onde houve liberação, ao contrário do que se pensa, não existiu afrouxamento, mas sim, controle mais sofisticado. Daí a importância da polícia.
Ex-colega de Gabeira na Câmara dos Deputados, o consultor em segurança pública Marcos Rolim defende uma proposta intermediária – um passo adiante à liberação do usuário e um atrás da produção e da venda regulamentados pelo Estado.– Defendo a descriminalização da droga. Ninguém seria preso ao ser flagrado transportando maconha porque não seria crime, o que não significa a sua legalização. Algo como ocorre com o santo-daime, um chá alucinógeno, fortíssimo, consumido entre os indígenas e que espalhou-se pelo país.
Ninguém é preso pelo consumo ou transporte do santo-daime, mas tampouco o chá é encontrado em farmácias – explica Rolim.
Psiquiatra adverte para um maior consumo de drogas
Pesquisador do pós-graduação em Ciências Criminais e em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, o sociólogo Rodrigo de Azevedo tem uma certeza:– É um erro achar que a forma de conter o consumo seja criminalizando a droga. As experiências de redução de danos são mais efetivas do que a criminalização, como mostram algumas experiências na Europa.
Em meio à discussão, autoridades afirmam que a liberação do uso da maconha acarretaria numa legião de novos dependentes químicos. Coordenador da Unidade de Dependência Química do Hospital Mãe de Deus, o psiquiatra Sérgio de Paula Ramos diz:– Se você descriminalizar, vai aumentar o consumo da maconha e de outras drogas como cocaína e crack.
Adepto da erradicação do álcool entre adolescentes, o psiquiatra lembra que o Brasil é signatário de um documento na Organização Mundial da Saúde (OMS) para redução do consumo global das drogas.– Como um país signatário vai propor que se libere o consumo? – questiona Ramos, antes de criticar o ex-presidente:–
Acho que o Fernando Henrique estava com pouca luz sobre ele no verão e resolveu soltar um factoide para voltar à mídia.
ZERO HORA

quinta-feira, abril 09, 2009

Grife Daspu lança "putique" na internet


Abrem-se as cortinas, começa uma batida de funk. Numa imagem que remete a um cabaré há um palco e, nele, revezam-se imagens de um desfile com roupas que fogem à convencional alta costura, com peças justas, curtas e sensuais. As modelos também não lembram em nada as magérrimas de costume: são encorpadas, fazem poses sensuais.

Essa é a abertura do
site da Daspu, a grife da ONG carioca Davida, que luta pelos direitos das prostitutas. Desde o início da semana passada, ao clicar nas fotos dos desfiles, o internauta é direcionado à recém-inaugurada Putique Daspu, a loja virtual da grife que cria roupas inspiradas no universo da prostituição.

Engana-se quem pensa que o objetivo do site é vender para as prostitutas que navegam pela internet.

"É um público que nos interessa, sim. Mas hoje em dia vestir Daspu virou 'cult', vendemos para mulheres de classe média, profissionais liberais, que têm entre 26 e 45 anos", explica Flávio Lenz, diretor de marketing da Daspu.

"Afinal, hoje em dia, as patricinhas mesmo se vestem como as prostitutas."

Entre as peças comercializadas no site estão shorts --bem curtos--, camisetas, saias e lingeries. Segundo Lenz, neste setor a Daspu oferece um produto que ainda não existia no mercado, o "sutiliga", um sutiã que tem as alças de uma cinta-liga.

Lenz diz que a grife espera que os "best-sellers" da loja virtual sejam as camisetas da linha "Ativismo" --lançadas em 2003-- que têm os inscritos "pu da vida" e "somos más, podemos ser piores".

Por enquanto, há poucas peças da Daspu à venda no site. Mas a ideia é que os 20 modelos que a marca lança a cada coleção --uma por ano-- sejam disponibilizadas. A meta é que sejam comercializadas de 600 a 800 peças por meio do site, a mesma quantidade que a marca vende por mês em suas duas lojas.

A relação da grife com a internet começou em 2005, quando a direção da ONG foi ao site de relacionamentos Orkut criar para si uma comunidade.
"Para nossa surpresa, já havia duas", conta Lenz. E hoje são cerca de 30, sendo que a oficial tem mais de 900 membros.

"Usamos a página para fazer enquetes e saber do gosto do público", diz o diretor de marketing.

Os próximos passos da Daspu na web devem ser um concurso virtual para escolher uma frase para uma camiseta e um blog, que deve trazer depoimentos de prostitutas.

Daspu
A Daspu foi formada por prostitutas da ONG Davida, do Rio de Janeiro, no final de 2005. A grife se tornou conhecida ao entrar numa polêmica com a Daslu, um dos maiores centros de comércio de luxo do país.

No embate, a butique de luxo queria que a Daspu mudasse de nome. Segundo a Daslu, havia "deboche, visando denegrir a imagem da loja". Após a polêmica, os advogados da Daslu decidiram não ir à Justiça, e a grife manteve a marca.

Os desfiles da Daspu também foram comentados pela mídia por suas modelos serem, na maioria das vezes, as próprias prostitutas que compõem a ONG Davida.

Coordenadora da Davida, a escritora e prostituta aposentada Gabriela Leite responde atualmente pela Daspu. Gabriela fundou a ONG em 1992 como forma de organizar as prostitutas 'contra o preconceito' e na luta por bandeiras da categoria, como a prevenção à Aids e a doenças sexualmente transmissíveis, além do reconhecimento da prostituição como profissão legal.
Folha Online

Após 2 tentativas, casal gay consegue união civil em cidade no Mato Grosso do Sul


Após duas tentativas fracassadas, um casal gay de Jardim, no Mato Grosso do Sul, conseguiu a união civil, na última segunda-feira, por meio do 2º Cartório de Notas e Registro Civil de Jardim, com autorização da Justiça. Juntos há dois anos, o casal tentou realizar o casamento nas cidades de Naviraí e Aquidauana, mas tiveram o pedido negado.

Lauzimar, natural de Aquidauana, é agente penitenciário da cadeia pública de Jardim. O estudante José Ricardo é de Naviraí e mudou-se junto com o funcionário público para Jardim há alguns meses.

Segundo Lauzimar Acosta, eles buscaram informações na internet sobre a união de pessoas do mesmo sexo e, baseados nos materiais encontrados, procuraram o cartório da cidade, há cerca de três meses. Acosta disse que através da cartorária Zoila dos Santos Vasques Arashiro, que procurou orientação na Justiça, a juíza da cidade, Eucélia Moreira Cassal, autorizou a união homoafetiva (união de pessoas do mesmo sexo). A escritura pública declaratória de união homoafetiva é um documento de comprometimento para oficialização e reconhecimento da relação familiar.

Para José Ricardo, a união é uma conquista e uma forma de combate ao preconceito. Segundo ele, o casamento serve de exemplo para outras pessoas do mesmo sexo que gostariam de fazer a união, mas não sabem como devem agir perante a lei. Questionado sobre preconceito, Ricardo completou:
- Acho que não vamos ter problema com isso.

sexta-feira, abril 03, 2009

Naomi Campbell critica o racismo no mundo da moda


A modelo britânica Naomi Campbell criticou o racismo que existe no mundo da moda e disse que ela é considerada uma exceção. A declaração foi feita em uma entrevista à revista alemã "Glamour".

"O presidente americano pode ser negro, mas na moda eu sou sempre uma exceção. Eu tenho que trabalhar mais duro para alcançar o mesmo nível que as outras", afirmou.

"Nós temos Barack Obama, mas os modelos das grandes campanhas são sempre louras", afirmou a modelo.
"No passado, os modelos negros tinham mais chances, mas a tendência de mulheres louras voltou com força. Nas revistas, nas passarelas, eu só vejo louras com olhos azuis", concluiu.
France Presse

segunda-feira, março 30, 2009

Banda de pacientes psiquiátricos está na trilha de ‘Caminho das Índias’

Grupo Harmonia Enlouquece canta o cotidiano dos hospitais.'Com nosso trabalho, a gente mostra que não tem que viver só na clausura.'





Principal campanha social de "Caminho das Índias", a discussão sobre transtornos mentais não está apenas nos capítulos da trama, mas alcançou também sua trilha sonora. O grupo Harmonia Enlouquece, formado por pacientes do Centro Psiquiátrico Rio de Janeiro, tem uma de suas músicas, intitulada "Sufoco da vida", no disco da novela das oito.
O grupo surgiu em 2000, como um desdobramento da oficina "Convivendo com a música". "A idéia era, através do olhar da musicoterapia, ter um espaço onde as pessoas pudessem experimentar. Em 2000 abri essa oficina e em 2001 surgiu a necessidade de mostrar o que estávamos construindo", conta Sidnei Martins Dantas, musicoterapeuta, psicólogo e coordenador do grupo. Desde então, muitos shows se passaram, o grupo já teve mais de 30 integrantes e gravou dois discos.
"Estou vivendo no mundo do hospital/ Tomando remédios de psiquiatria mental/ Haldol, Diazepan, Rohypnol, prometazina/ Meu médico não sabe como me tornar um cara normal", diz a irônica letra de "Sufoco na vida", assinada por Hamilton de Jesus e Alexandre Machado.
"Eu escrevo sobre tudo. Antes era mais sobre a psiquiatria, porque eu era isso. Hoje outras coisas acontecem na minha vida, tenho música para tudo", conta Jesus, vocalista do grupo desde sua fundação, que canta, toca violão e percussão, compõe e desenha.
Diagnosticado com esquizofrenia, Jesus é militar e está tentando ser reformado. Diz que sofreu tortura no quartel e toma medicação até hoje. Não trabalha -"sou interditado, não tenho como assinar carteira"- e vive para a música. Passa seus dias no Centro Psiquiátrico, mas já pode voltar para casa à noite.
"Alguns querem que a gente fique enclausurado. As pessoas acham que a gente só sabe rasgar dinheiro e comer cocô. Não é isso. É um sofrimento psíquico. Você tem uma úlcera, muita gente pode não acreditar em você, porque não está vendo. É a mesma coisa. Só chora pela dor, quem sente. Imagina como é viver com um monte de remédio. A gente também precisa ser livre."
G1

sábado, março 28, 2009

SOUL MUSIC

Na hoje combalida indústria fonográfica é possível que uma música gravada há 38 anos volte às paradas e seja ouvida ao mesmo tempo por mais de 40 milhões de pessoas? Sim, se esse cantor for o americano Stevie Wonder e se a música chamar-se Signed, sealed, delivered, I’m yours. A canção era o tema usado pelo presidente dos EUA, Barack Obama, ao final de seus discursos e foi tocada no baile da posse, quando ele tirou a sua mulher, Michelle, para uma animada dança.
Clássico da soul music (gênero de música black dos EUA que atingiu o auge nos anos 1960 e inspirou a luta pelos direitos civis da população negra), essa composição de Stevie Wonder não é a única a fazer sucesso novamente. O cantor Seal, por exemplo, acaba de lançar um CD chamado justamente Soul, no qual ele regrava os maiores êxitos de gente como Al Green, Sam Cooke e Curtis Mayfield – ou seja, a nata desse estilo. E, mesmo antes de Obama se declarar fã do gênero, o ritmo já começava a voltar à moda.As baladas da atormentada cantora inglesa Amy Winehouse parecem coisa nova, mas são puro soul do passado. É a mesma receita seguida pelas também inglesas Estelle, Corinne Bailey Rae e Duffy, essa última dona do CD mais vendido do ano na Inglaterra.
Para coroar esse renascimento musical, 2009 é o ano da comemoração do cinquentenário da gravadora Motown, criada pelo espertíssimo Berry Gordy e responsável pelo lançamento de futuras estrelas como Michael Jackson, Diana Ross, Marvin Gaye, The Four Tops e, claro, Stevie Wonder – que Obama chama de "meu herói musical". Na próxima semana chega às lojas do Brasil o CD triplo Motown 50, com grandes hits dessa turma afinada. O melhor, no entanto, ficou reservado para o mercado americano. Lá acaba de sair a caixa de dez CDs The complete nº 1, com as 191 faixas que chegaram ao primeiro lugar das paradas, um verdadeiro fenômeno.


Trata-se de uma joia para colecionadores que reproduz o sobradinho branco onde ficava a gravadora e hoje é o endereço do Motown Museum, em Detroit. Um sobradinho cheio de histórias, nada assombradas. A mais famosa delas: Gordy montou a empresa e seu histórico Studio A (apelidado por Abdul "Duke" Fakir, do The Four Tops, de "chão sagrado") por meros US$ 800, emprestados por seu pai. Grande homenageado da próxima edição do Grammy, no dia 8, Gordy estudou piano aos 5 anos, mas teve de ajudar o pai a vender panelas para sobreviver.
Na juventude, abriu uma loja de discos de jazz (que faliu), compôs músicas (que no início ninguém quis gravar) e até cruzou em Detroit com Billie Holiday. Mas foi ao ver o entusiasmo de sua família assistindo a uma luta de boxe na tevê, vencida por um lutador negro, que teve a ideia de criar uma gravadora. "O que eu posso fazer na vida para proporcionar uma alegria parecida?", perguntou a si mesmo. O próximo passo foi chegar às rádios. Mas quando entregava os discos de artistas negros aos DJs, a recusa era geral: eles achavam uma loucura oferecer aquele tipo de música para uma plateia branca.E foi aí que o executivo iniciante deu seu golpe de gênio. Na sua opinião, o som da Motown não deveria ser rotulado de "black music", mas pop (de popular), acessível a "ladrões e policiais, ricos e pobres, judeus e gentios". Com essa visão revolucionária, formou uma banda de fabulosos músicos de estúdio para acompanhar seus artistas (os Funk Brothers) e contratou um time de compositores de primeira (Eddie e Brian Holland e Lamont Dozier). Também uma especialista em boas maneiras foi integrado ao grupo. Segundo ele, seus cantores deveriam antes de tudo saber como falar, como se vestir e até como jantar com um presidente.
O resto ficou por conta do cast da gravadora – e foi nesse ponto que as escolhas de Gordy foram certeiras. O primeiro grupo a estourar foi The Supremes, de Diana Ross, que viria a ter um caso com seu empregador. O trio gravou uma música pela qual ninguém dava nada (Where did our love go), mas ela foi direto para os primeiros lugares das paradas. Nascia o chamado "Motown sound", marcado pelo uso de cordas e metais e pelas vocalizações no estilo "pergunta-resposta".
A contratação dos Jackson 5 é um bom exemplo do jeito de trabalhar de Gordy. Um funcionário de sua companhia havia visto os garotos se apresentarem em Nova York, mas ele se recusava a ouvi-los. Dizia que não queria lidar com crianças e que já tinha muito trabalho com as aulas de "etiqueta" de Stevie Wonder. Mas ao recebê-los, contratou-os no ato. Não pense, contudo, que o início foi o conto de fadas que geralmente se conta. Nessa época, o racismo imperava nos EUA, especialmente nos Estados do sul. Em recente entrevista à revista americana Vanity fair, a cantora Martha Reeves lembra que nas turnês da gravadora eles chegavam até a ser ameaçados por pessoas armadas. Diziam: não servimos crioulos, vocês não podem comer aqui e nem usar o banheiro.
A solução era tomar banho nas estações rodoviárias e assar salsichas no calor dos refletores. Mesmo com a conquista do público, nos shows, o artista tinha de se apresentar voltado ora para a plateia branca, ora para a negra. Meio século depois, isso parece ridículo. A cantora Amy Winehouse pode até estar drogada na maior parte do tempo, mas ela sabe o significado de se apresentar ao vivo com dois vocalistas negros usando terninhos. Com muito soul (alma) e no melhor estilo Motown.
ISTOÉ

segunda-feira, novembro 24, 2008

É correto ser politicamente correto?

Embora a linguagem politicamente correta seja invenção norte-americana, expressões eufêmicas já existem no português há bastante tempo
Aldo Bizzocchi

A língua não serve só para comunicar. É também poderoso instrumento de persuasão e manipulação. Afinal, dominar pessoas por meio de discursos é mais eficiente do que manter um soldado em cada esquina. E, muitas vezes, a manipulação ideológica se oculta sob um manto de boas intenções. É o caso da chamada linguagem politicamente correta (PC, para simplificar).
Tempos atrás, o governo Lula lançou o documento Politicamente Correto & Direitos Humanos, mais conhecido como "cartilha do politicamente correto", com 96 palavras ou expressões pejorativas, como "beata
", "comunista", "funcionário público", "preto" e "anão". Essa iniciativa foi, à época, duramente criticada na imprensa.
Antes disso, já havia sido apresentado um projeto de lei determinando que todo texto oficial distinguisse "cidadãos" e "cidadãs". (Lembra o "brasileiras e bra­si­lei­ros" de Sarney, não?) Esse projeto foi questionado por representantes da sociedade civil, incluindo lingüistas e gra­má­­ticos, já que em português o gênero mas­culino também cumpre o papel do chamado gê­nero complexo, que serve pa­ra nomear seres de ambos os sexos. Ou
seja, a palavra "cidadãos" já subentende as cidadãs.
Mas por que iniciativas desse tipo, aparentemente nobres e justas, terminam torpedeadas até por intelectuais?Primeiro, é impossível legislar sobre a língua, ao menos em regimes democráticos (nos ditatoriais, é possível até proibir línguas, como fez Franco, na Espanha, com o catalão e o basco). Segundo, esse tipo de interferência do Estado na fala das pessoas é fascista.
Segundo o filósofo francês Vladimir Volkoff, autor de La Désinformation par l'Image, o PC é resultado da mistura dos restos de um cristianismo degradado, um socialismo reivindicativo, um economicismo marxista e um freudismo em permanente rebelião contra a moral do ego. É a observação da sociedade e da história em termos maniqueístas, decorrente da decadência do espírito crítico, e de uso comum entre intelectuais desarraigados. Diz ele: "Se compararmos a demolição do comunismo com uma explosão atômica, diremos que o politicamente correto constitui a nuvem radioativa que acompanha a hecatombe".
Pesos e medidas
Em A Era dos Direitos, o sociólogo italiano Norberto Bobbio afirma que nunca se falou tanto em direitos (humanos, civis, dos animais etc.) quanto hoje. O conceito de direitos humanos e civis remonta aos filósofos iluministas e à Revolução Francesa, mas foi retomado com força após a Segunda Guerra e o Holocausto, em 1948, ano em que a ONU lançou a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Um dos corolários da ideologia do respeito aos direitos humanos foi a decisão de instituir uma linguagem eticamente adequada.
Os Estados Unidos tomaram a dianteira na defesa dos direitos humanos na década de 60, com o movimento pelos direitos civis, que questionava leis racistas. Mas foi no governo Jimmy Carter, na década seguinte, que a preocupação se intensificou. É mais ou menos nesse período que surge na língua inglesa o vocabulário PC (e começam também a pipocar ações judiciais absurdas com base nessa ideologia).
O fim da ditadura militar no Brasil levou a um extremismo oposto (se antes tudo era proibido, agora é proibido proibir). A Constituição de 1988 é reflexo disso. Numa época de radicalismo às avessas, vale lembrar a máxima latina: virtus in medio (a virtude está no meio; ou: nem tanto ao mar nem tanto à terra).
Afinal, nossa língua já oferece palavras perfeitas para expressar noções como "cego", "surdo", "aleijado"... Os próprios clássicos fazem um nada pejorativo uso desses vocábulos. Ou será que Machado de Assis e Eça de Queirós viraram politicamente incorretos? Por que mascarar a realidade com expressões mais longas e menos precisas? Se um deficiente (ou "especial") é alguém cujas aptidões e características físicas estão abaixo do normal, então, do ponto de vista semântico, um míope não deixa de ser deficiente visual; um calvo (ou melhor, careca) também é deficiente físico, e assim por diante.
Da mesma forma, por que se referir a negros como "afro-descendentes" e não a bran­cos como "euro-descendentes"? Esse eufe­mismo criado pelos americanos e in­tro­duzido no português é, além de tudo, equivocado, como todos os termos PC: um brasileiro branco descendente de egípcios brancos é afro-descendente, não é? Aliás, se a África é o berço da humanidade, então ge­neticamente somos todos afro-descendentes
Sem necessidade
A verdadeira democracia se apóia em direitos iguais a todos. Mas há distância entre democracia e demagogia. (Aristóteles apontava a segunda como a degeneração da primeira.) O que temos em muitos países são discursos e políticas demagógicas em relação às minorias (que às vezes são numericamente maiorias), criando leis cosméticas e mudando só os nomes das coisas, em vez de combater a desigualdade, com educação, serviços públicos de qualidade e redistribuição de renda.
Exemplo de lei demagógica: no Bra­sil, chamar um negro de "negro" (embora seja essa a sua cor) é crime inafiançável (racismo), mas matar um negro - ou qualquer pessoa - é afiançável (homicídio). Ou seja, o que a lei diz nas entrelinhas é: se você não gosta de negros, mate-os, mas não os chame de negros.
Embora a linguagem PC seja invenção americana que a mídia brasileira veicula acriticamente, os EUA não detêm monopólio da hipocrisia: expressões eufêmicas já existem no português há bastante tempo. Chamar o negro de "moreno" ou "de cor", embora pareça atitude de respeito, esconde um racismo: se evitamos usar "negro", é porque consideramos ser negro um defeito. Apesar da aparente boa intenção, a linguagem PC só contribui para acentuar o preconceito.
É claro que há linguagem adequada a cada situação. Nenhum jornal vai referir-se ao desfile do orgulho gay como "passeata de bichas na Paulista" (embora um jornal tenha noticiado "mulherada se reúne em Campinas" sobre encontro de feministas
Trata-se de usar a linguagem com respeito, não com falsa piedade. Nesse sentido, o conceito de "politicamente correto" deveria ser substituído pelo de "lingüisticamente adequado".

Linguagem e manipulação
É possível e relativamente fácil manipular a opinião pública por meio de palavras e expressões como "exclusão", "tolerância", "não-violência", que representam conceitos ma­leáveis ideologicamente. Afinal, em relação a quem tem telefone e computador, quem não tem é excluído. Mas, em relação a quem tem casa com piscina e jatinho, quem não tem não é igualmente excluído? Enfim, qual o critério para definir o essencial ou o supérfluo?
Em sociedades multiculturais e multiétnicas como a nossa, prega-se a tolerância. Mas tolerar é diferente de amar: tolerar é não agredir quem, no fundo, odiamos. Do mesmo modo, não-violência é diferente de paz ou fraternidade: a palavra "não-violência" remete a violência e é, portanto, só violência reprimida.
O que a linguagem PC faz é acobertamento ideológico pelo discurso, camuflando o problema em lugar de resolvê-lo (ao darmos nomes bonitos a coisas feias, elas nos parecerão menos feias). Assim, "recessão" passa a "crescimento econômico negativo", "morte" vira "cessação das atividades vitais" e "morrer" é "ir a óbito". "Favela" se torna "comunidade carente" e "pobreza", "exclusão social". Quem tem cabelo pixaim ou carapinha pode ir a um salão especializado em "cabelo étnico". Na linguagem corporativa, chefe virou "líder" e empregado agora é "colaborador".

Invenção postiça

O povo, mesmo, satiriza tais expressões porque percebe o ridículo delas (vide o "tucanês" de José Simão) e aí passa a denominar anão de "pessoa verticalmente prejudicada" e careca de "deficiente capilar". O próprio povo não usa denominações bizarras: o morador de favelas se diz "favelado"; o pobre se refere à sua condição como "pobreza", não "exclusão" ou "carência". Enquanto ONGs fazem o policiamento lingüístico da imprensa à caça do politicamente incorreto, os próprios negros de classe baixa se tratam uns aos outros e a si de "negro", "preto" ou "negão", sem conotação pejorativa, mas antes carinhosa.
A linguagem PC é pseudodemocrática: em nome da preservação da dignidade e dos direitos humanos, exerce patrulhamento ideológico e caça às bruxas típicos dos regimes autoritários, vendo preconceito em tudo (por exemplo, ao achar que a expressão "a coisa tá preta" é referência pejorativa à raça negra).
Palavras como "democracia", "cidadania", "inclusão social", "direitos humanos" e outras, de tão repetidas, tornam-se desgastadas e vazias de sentido ou, pior, passam a significar o contrário do que diziam originalmente. Não por acaso, é nas ditaduras que palavras como "democracia" e "cidadania" são mais usadas, sempre com sentido distorcido. É por isso que Hugo Chávez fala tanto em democracia em seus discursos. Portanto, o fato de tais palavras estarem tão em voga no Brasil atual deve ser para nós um sinal de alerta.
Aldo Bizzocchi é doutor em Lingüística pela USP e autor de Léxico e Ideologia na Europa Ocidental