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sexta-feira, janeiro 18, 2013

Biodiversidade: A destruição das espécies

Este artigo introduz um debate em torno das noções da “defesa animal”, “defesa da natureza e do meio ambiente” e “biodiversidade”. 
Estes conceitos, surgidos em épocas diferentes, gravitam hoje à volta de uma mesma realidade: 
a destruição das espécies. 
Por Ives Dachy
Trata-se de um processo destruidor dos seres vivos, impulsionado pelo ser humano. Priva-nos de recursos e de inumeráveis invenções da vida. Faz com que as populações humanas dependam cada vez mais da produção industrial de mercadorias, sobretudo alimentícias, cortando assim a sua autonomia. Por conseguinte, reduzirá as populações humanas se for alcançada a fase terminal com o esgotamento dos recursos de matéria orgânica necessários à alimentação.

“No caminho de regresso matei um grande pássaro que estava perto de um grande bosque. Creio que foi o primeiro disparo feito aqui, desde que se criou o mundo.”Daniel Defoe, Robinson Crusoé, 1719.

A erosão das espécies, com as suas causas e consequências, é um fenómeno pouco conhecido pela população. Os habitantes do meio rural, que estão mais em contacto com as espécies selvagens, percebem sobretudo a rarefação dos grandes insetos (borboletas, besouros, etc.) em comparação com as últimas décadas do século XX. Os nossos pares consideram muitas vezes que a destruição das espécies é um facto positivo; um objetivo desejável para nos desfazermos dos “bichos”, dos “insetos que picam” e das “pragas”, que convém erradicar através do uso intensivo de pesticidas e com a ajuda da caça. Muitas vezes fecham os olhos à destruição da biodiversidade e às suas consequências para não as assumirem, tal como os ricos passam diante dos pobres sem os verem.

O desaparecimento da biodiversidade e suas consequências não é uma questão que preocupa os grandes partidos, centrados na conservação dos seus privilégios e na crença de que o “crescimento” fixará para sempre todos os problemas. A cobiça capitalista é em parte responsável pelo desaparecimento da biodiversidade, um fenómeno que faz parte da crise ecológica. Dizemos “em parte”, porque as práticas biocidas são bastante mais antigas que o começo da era industrial (há 200 anos). Quando a caça e a recoleção constituíam a atividade principal dos nossos antepassados, o uso do fogo para encurralar os animais arrasava gratuitamente muitos hectares. Mais tarde, utilizou-se o fogo para destruir os bosques primários até aos nossos dias. 

Deste modo, desapareceram numerosas espécies vegetais e animais. Desde ponto de vista, as máquinas cortadoras e escavadoras são armas de destruição massiva.

O Homo sapiens faz de aprendiz de bruxo com o único planeta de que dispõe. Será que vamos reeditar a grande extinção que se produziu nos finais da era paleozoica (Pérmico-Triásico, há 252 milhões de anos)? Foi um período breve (à escala geológica), caracterizado por uma evidente ausência de fósseis nas rochas da época. Esse estranho período intrigou muitos paleontólogos, que encontraram provas do mesmo em vários continentes. Tiveram que passar cinco milhões de anos para se reconstituir um ecossistema completo, nos mares e continentes. Hoje, sabemos que 90 a 95% das espécies terrestres desapareceram com a quase totalidade das espécies marítimas. Uma série de erupções vulcânicas libertaram quantidades massivas de dióxido de carbono e enxofre; sobreaquecendo com o efeito de estufa, e contaminando, pela acidificação da atmosfera e das águas, o ecossistema global da época, que desapareceu quase totalmente. Hoje, a biosfera volta a reaquecer e a contaminar-se com pesticidas, nitratos, etc., reproduzindo, quase identicamente, a crise de então, mas com maior rapidez.

Ninguém poderá dizer quando um colapso profundo da biodiversidade afetará a nossa própria espécie. Esta projeção é difícil de modelizar por cinco razões:

- Ignoramos qual será o comportamento e a capacidade de resistência dos humanos, quando um maior número tiver que compartilhar menos recursos.

- As políticas dos governos não são previsíveis, devido à capacidade de iniciativa do ser humano.

- As classes dominantes negam adotar, de forma concertada, medidas que permitam deter bruscamente a contaminação, a geração de CO2e o tráfico que tanto os beneficia.

- O processo carateriza-se por uma grande inércia. Não é possível detê-lo rapidamente, porque opera à escala de toda a biosfera: atmosfera, continentes, águas continentais e marítimas, e todos os seres vivos autónomos, simbióticos, comensais ou parasitas, são interdependentes.

- Finalmente, a consciência geral do perigo é débil na população e nas administrações, porque os meios de comunicação e os partidos não incluem a nossa espécie no conceito de biodiversidade e reduzem-na a umas quantas espécies apelativas que terá que “proteger”. Tratam da erosão dos ecossistemas como um sucesso anedótico, negando questionar o status quosocial.

Se a destruição das espécies continuar, ao ritmo atual, a humanidade, que depende da fauna e da flora, nem sequer poderá recuperar a condição de caçador-recoletor, que prevalecia antes do aparecimento da agricultura e da pecuária (há somente 7.000 a 10.000 anos). Os cultivos de arroz e de trigo já se veem afetados e poderão desaparecer localmente, a curto prazo, ou terem que ser deslocados. Os laboratórios já estão a trabalhar com muito esforço para criar cereais mais resistentes à seca atual em muitas regiões. A humanidade terá que lutar para proteger os cultivos contra parasitas multirresistentes aos pesticidas, que criámos e espalhámos por todas a parte e que teremos de deixar de utilizar, depois de somente 60 anos de emprego catastrófico. E o nível tecnológico requerido para sobreviver talvez não seja acessível a toda a população do mundo. Esta projeção dramática poderá materializar-se, por causa do aumento das temperaturas médias mundiais de 2°C, prevista para 2050 (quer dizer, amanhã), depois do aumento de 1,5°C já alcançado, entre 1850 e 2010.

Já existe fome permanente, que afeta milhões de seres humanos, no Leste de África e Ásia. Está a ser estabelecido um novo ambiente climático, débil ampliação do clima natural modificado artificialmente, que transforma os bosques em pradarias, as pradarias em desertos (Sahel), e produz inundações noutras regiões. Isto complica a produção de bens de sobrevivência e provoca guerras de rapina permanente que já isolam o Leste de África e a bacia do Congo.

No entanto, não existe um grupo, semelhante ao Grupo Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (GIEC), dotado de competências meramente consultivas, dedicado expressamente a tratar de evitar fenómenos como o do Pérmico-Triásico. Um organismo deste tipo formularia propostas que chocariam frontalmente os regimes liberais, que têm bloqueado a sua constituição. A crise climática é um dos parâmetros que se combina com a contaminação da biosfera para induzir uma erradicação da vida. A biodiversidade corresponde às nossas necessidades e o seu desaparecimento é catastrófico. Efetivamente, a totalidade da nossa alimentação sólida provém de animais ou plantas. Não sabemos fabricar massivamente alimentos sem contar com matéria-prima de origem orgânica.

Urge definir e aplicar políticas de defesa da biodiversidade, em grande escala, decididamente coercivas contra os exploradores, os contaminadores e todos os de degradam os componentes da biosfera. Podem ser definidos objetivos quantificáveis para o laxismo liberal até chegar a superação do capitalismo, intrinsecamente incapaz de proteger o planeta. Esta luta é indissociável da contenção das alterações atmosféricas, sintoma da chegada de uma crise irreversível provocada desta vez pela humanidade. Uma mudança climática mais rápida do que a da primeira crise, como dão a entender os indícios, é incontrolável a, curto prazo, devido à enorme inércia do fenómeno. Proteger a biodiversidade, domar o clima e decidir de imediato é salvarmo-nos. Amanhã será demasiado tarde.
 
Numerosas associações já empreenderam a tarefa de dar à luz estudos realizados por economistas, naturalistas, ecologistas e biólogos. Passaram da defesa dos animais de companhia, no século XIX, realizada por motivações caritativas, à defesa global dos ecossistemas de finais do século XX. Mas o efeito das suas ações é débil. Veem-se isoladas e reprimidas em vários países e carecem de meios económicos de acordo com a gravidade da ameaça. Há governos que bloqueiam a luta contra os gases do efeito de estufa e contra os pesticidas, e alguns deles apoiam inclusivamente os “caçadores furtivos” que destroem a vida.

Estende-se a ideia de que um programa de defesa da biodiversidade, em geral, é irrealista num contexto capitalista. Em França, uma corrente do movimento de “defesa animal” aproximou-se dos anti-capitalistas organizados. É necessário criar vínculos entre estas correntes, que chegam às mesmas conclusões, rompendo com antigos preconceitos apolíticos, depois de ter sofrido a repressão na própria carne (durante as manifestações anti-taurinas, por exemplo). Uma moção em defesa dos seres vivos, apresentada por um grupo no congresso de um partido, obteve uns míseros 16% de votos favoráveis. Trata-se de uma atitude contra as ideias novas mas, por outro lado, foi a primeira vez que esta preocupação penetrou na esfera da “alta política”. Urge que façamos nossa a questão da biodiversidade, que inclui a sobrevivência do nosso planeta, e da defesa animal, como complemento das demais lutas contra a barbárie e por um horizonte socialista.

FONTE: Ives Dachy, Intervenção feita numa conferência realizada a 30 de março de 2012. Artigo publicado em: europe-solidaire.org / Tradução de António José André para esquerda.net

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Durban: ficou a promessa de um acordo mundial sobre alterações climáticas em 2015















O ponto central da cúpula do clima em Durban foi a aceitação por todos os governos de que se deve negociar, até 2015, um novo tratado mundial para reduzir as emissões que provocam o aquecimento global. Adiou-se a decisão urgente.

O mundo caminha para um perigoso aquecimento global. Contudo, quando a 17.ª cimeira do clima terminava na África do Sul, os governos aceitavam discutir um novo tratado global para diminuir as emissões de gases que provocam o efeito estufa. Após duas semanas de intensas e amargas discussões, às quais se somaram outras 29 horas, os 193 países partes da Convenção das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (CMNUCC ) acordaram um complexo conjunto de documentos intitulado “Plataforma de Durban”.

Os textos incluem a continuidade do Protocolo de Kyoto, único tratado mundial obrigatório para reduzir os gases-estufa, a estrutura formal do Fundo Verde para o Clima e novos mecanismos de mercado, entre outros assuntos. Porém, o ponto central, obtido ao amanhecer do dia 11, foi a concordância de todos os governos de que se deve negociar um novo tratado mundial para reduzir as emissões até 2015. Embora isto possa parecer a simples decisão de realizar mais reuniões, esta é a primeira vez que todas as nações aceitam ser governadas por um regime específico no contexto da CMNUCC.

No momento, as promessas voluntárias de redução das emissões feitas em 2009 pelos países industrializados, Brasil, China, África do Sul, Índia e outros no contexto do Acordo de Copenhaga, garantem que a temperatura média do planeta aumentará 3,5 graus centígrados em relação à era pré-industrial, indica a ciência climática. Inclusive algumas análises afirmam que a temperatura subiria mais, entre quatro e cinco graus, o que colocaria em risco a sobrevivência da espécie humana.

Apesar das declarações políticas dos EUA, Canadá e União Europeia, o certo é que os países em desenvolvimento prometem reduções maiores do que o mundo industrializado, responsável por 75% de todas as emissões humanas causadoras do aquecimento da Terra. “Ainda não há novas promessas sobre a mesa, e o que foi aceite em Durban, quanto a elevar as ambições e as reduções, é incerto quanto ao seu resultado”, disse Bill Hare, diretor da Climate Analytics, grupo assessor sem fins lucrativos com sede na Alemanha.

A presidente da 17.ª Conferência das Partes (COP 17) da CMNUCC, a sul-africana Maite Nkoana-Mashabane, foi uma das que pediram aos governos para deixarem de lado os seus interesses “pelo bem maior do planeta e dos seus povos”. Países ricos como os EUA, Canadá e Arábia Saudita, bloquearam as conversações em muitas frentes, para frustração e amargura dos países menores e desfavorecidas.

“A triste notícia é que os sabotadores conduzidos pelos EUA tiveram êxito ao incluir uma cláusula de escape que pode impedir facilmente que o próximo grande tratado climático seja legalmente vinculativo”, lamentou o diretor-executivo do Greenpeace Internacional, Kumi Naidoo. Mesmo que em 2015 seja aprovado um rígido tratado legalmente vinculativo, deverá ser ratificado pelos governos para entrar em vigor. O Protocolo de Kyoto foi adotado em 1997, mas só entrou em vigor em 2005.

Esperar até 2020 para efetuar reduções drásticas da contaminação obrigará ir muito mais a fundo, com maiores custos, para manter a esperança de que a temperatura global não aumente além dos dois graus, afirmou Hare ao Terramérica. “A aspiração coletiva de redução de emissões deve aumentar muito em breve e de maneira substancial”, alertou Alden Meyer, diretor de estratégia e política da União de Cientistas Preocupados, dos EUA.

Vários estudos sustentam que as emissões mundiais de gases-estufa deveriam alcançar o seu ponto mais alto entre 2015 e 2020, e depois declinar, se a intenção é a busca de uma possibilidade razoável de controlar a temperatura a um custo alcançável. Se o pico e o declínio ocorrerem mais tarde, os custos e os riscos dispararão. “Os discursos contundentes e o cuidado na escolha das palavras não podem alterar as leis da física. A atmosfera responde a apenas uma coisa, às emissões”, disse Meyer.

Está claro que nas duas últimas semanas os governos ouviram as corporações que contaminam e não os seus povos, afirmou Naidoo, num comunicado. A Plataforma de Durban inclui um segundo período de compromissos do Protocolo de Kyoto, que deve começar em janeiro de 2013, para evitar uma brecha após o fim do primeiro prazo, em dezembro de 2012. A sua duração e o seu alcance serão discutidos na COP 18, que acontecerá no Qatar.

Os países em desenvolvimento insistiram nesta condição, embora o Protocolo somente obrigue a pequenas reduções dos países industrializados europeus e de Canadá, Austrália, Japão e uns poucos mais. Os Estados Unidos permanecem fora do Protocolo de Kyoto, e o Canadá ignorou as suas obrigações e aumentou as emissões, e agora, junto com Japão e Rússia, afirma que não vai aderir a um segundo período de compromissos.

A continuidade de Kyoto é “significativa”, disse a secretária-executiva da CMNUCC, Christiana Figueres. Os países-membros devem apresentar as suas ofertas de redução até maio de 2012. Entretanto, não há uma adoção formal do segundo período no texto atual do documento, disse Pablo Solón, ex-chefe da delegação da Bolívia na Convenção. “A decisão real foi adiada para a próxima COP”, e o Protocolo continua na “terapia intensiva”, afirmou.

O único progresso do Fundo Verde para o Clima foi o seu desenho e a sua administração. Supõe-se que deve distribuir cerca de 100 mil milhões de dólares de assistência aos países em desenvolvimento, a partir de 2020, para ajudá-los a reduzir suas emissões e a se adaptarem à mudança climática. Em Durban não houve compromissos sobre a origem do dinheiro. Acordou-se estabelecer um “plano de trabalho” para mobilizar recursos de fontes públicas e privadas. Estas últimas incluem de maneira explícita os mercados de carbono, pois os governos do Norte industrial se escudaram na crise financeira e económica que mantém as suas mãos atadas.

A sociedade civil e alguns países em desenvolvimento destacaram que os governos entregaram milhões de dólares a bancos e entidades financeiras e que o orçamento militar supera em mais de dez vezes a quantia que o Fundo Verde para o Clima necessita. Apesar de o mercado de carbono estar em queda, o setor privado é considerado pelos EUA, União Europeia, Nova Zelândia e Japão, entre outros, como sócio cruciais para financiar a resposta à mudança climática.

Os mercados de compra e venda de compensações de carbono são um sistema muito polémico e complexo quanto a medições e propriedade do carbono no solo ou nas florestas, entre outros aspetos. Também subsiste o questionamento ético de que os países ricos compensem sua própria contaminação comprando florestas ou terras em países pobres. “Mantenham as metas, deixem os mercados”, pediu Oscar Reyes, da Amigos da Terra Grã-Bretanha, nos últimos dias da COP 17. “É preocupante o fato de que, quando o Fundo Verde tiver recursos, os emprestará ao setor privado para impulsionar o mercado de carbono”, advertiu Reyes ao Terramérica.

“Ao olhar as conferências anteriores, parece mais efetivo que os seus membros saiam da sala de reunião e plantem árvores durante duas semanas. Provavelmente, obteriam maior impacto”, disse o jovem de 14 anos Felix Finkbeiner, da Alemanha. Finkbeiner lançou uma organização infantil chamada Plante para o Planeta que agora trabalha em 70 países e dessa forma cultivou quatro milhões de árvores nos últimos quatro anos. O seu lema é “Chega de falar, comece a plantar”.

FONTE: esquerda.net / Por Stephen Leahy

quarta-feira, novembro 09, 2011

Os riscos de reciclagem manual de lixo eletrônico em comunidades pobres











Países do oeste africano são os principais centros de reciclagem de eletrônicos, que pode causar poluição no solo e em rios

O Laboratório Federal para Ciência e Tecnologia de Materiais da Suíça (Empa) registrou os principais centros de reciclagem informal de lixo eletrônico em 11 países do mundo, em um esforço para chamar a atenção sobre os perigos da contaminação causados pelo processo.

O chefe do departamento científico da instituição, Mathias Schluep, disse à BBC Brasil que os países do oeste da África são os principais receptores de eletro-eletrônicos europeus e norte-americanos de segunda mão, parte dos quais se transforma rapidamente em lixo.

O transporte do lixo eletrônico, proibido internacionalmente, é feito de maneira clandestina para países africanos e asiáticos misturado a carregamentos de eletrônicos de segunda mão importados de países desenvolvidos.

"Os equipamentos usados são revendidos na África e na Ásia preços muito baixos. No entanto, cerca de 30% deles chegam quebrados. Metade deste total é conserta e revendida e a outra metade é descartada imediatamente", disse Schluep.

Em Gana, um dos principais receptores de eletrônicos europeus de segunda mão na África, testes feitos em uma escola próxima a um centro de reciclagem informal mostraram níveis de chumbo, cádmio e outros poluentes cerca de 50 vezes acima dos níveis considerados seguros.

Na China e na Índia, os maiores países receptores e recicladores de lixo eletrônico na Ásia, trabalhadores realizam - manualmente e sem proteção - a separação de metais de placas de circuito, que liberam resíduos tóxicos no solo e nos rios.

A instituição suíça oferece treinamento e apoio a recicladores em diversos países, em parceria com governos, agências da ONU e empresas de eletrônicos, como a Microsoft, a Nokia e a Hewlett Packard.

De acordo com Schluep, a reciclagem e a extração de materiais de televisores, celulares e computadores quebrados é vista como oportunidade para milhares de comunidades mais pobres, em meio a alertas sobre a possível escassez de metais essenciais para a construção de equipamentos eletrônicos.

O Empa estima que em 100 mil celulares há cerca de 2,4 quilos de ouro, mais de 900 quilos de cobre e 25 quilos de prata, que valeriam mais de US$ 250 mil (R$ 430 mil) se fossem completamente recuperados.

FONTE: ÚLTIMO SEGUNDO

terça-feira, março 22, 2011

Dia Mundial da Água

História do Dia Mundial da Água

O Dia Mundial da Água foi criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) no dia 22 de março de 1992. O dia 22 de março, de cada ano, é destinado a discussão sobre os diversos temas relacionadas a este importante bem natural.

Mas porque a ONU se preocupou com a água se sabemos que dois terços do planeta Terra é formado por este precioso líquido? A razão é que pouca quantidade, cerca de 0,008 %, do total da água do nosso planeta é potável (própria para o consumo). E como sabemos, grande parte das fontes desta água (rios, lagos e represas) esta sendo contaminada, poluida e degradada pela ação predatória do homem. Esta situação é preocupante, pois poderá faltar, num futuro próximo, água para o consumo de grande parte da população mundial. Pensando nisso, foi instituído o Dia Mundial da Água, cujo objetivo principal é criar um momento de reflexão, análise, conscientização e elaboração de medidas práticas para resolver tal problema.

No dia 22 de março de 1992, a ONU também divulgou um importante documento: a “Declaração Universal dos Direitos da Água” (leia abaixo). Este texto apresenta uma série de medidas, sugestões e informações que servem para despertar a consciência ecológica da população e dos governantes para a questão da água.

Mas como devemos comemorar esta importante data? Não só neste dia, mas também nos outros 364 dias do ano, precisamos tomar atitudes em nosso dia-a-dia que colaborem para a preservação e economia deste bem natural. Sugestões não faltam: não jogar lixo nos rios e lagos; economizar água nas atividades cotidianas (banho, escovação de dentes, lavagem de louças etc); reutilizar a água em diversas situações; respeitar as regiões de mananciais e divulgar idéias ecológicas para amigos, parentes e outras pessoas.

Declaração Universal dos Direitos da Água

Art. 1º - A água faz parte do patrimônio do planeta.Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.

Art. 2º - A água é a seiva do nosso planeta.Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado do Art. 3 º da Declaração dos Direitos do Homem.

Art. 3º - Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.

Art. 4º - O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.

Art. 5º - A água não é somente uma herança dos nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.

Art. 6º - A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

Art. 7º - A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

Art. 8º - A utilização da água implica no respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.

Art. 9º - A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.

Art. 10º - O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

quinta-feira, abril 22, 2010

Dia da Terra, uma questão de atitude








Neste ano, o terceiro do milênio no qual depositamos tantas esperanças, comemorar o Dia da Terra exige reflexão e compromisso. O planeta não vive seus melhores dias e nós, a assim chamada "espécie superior", andamos inseguros a respeito de nossa própria capacidade de fazer deste um mundo melhor. O signo é de guerra, unilateralidade na resolução de conflitos, arreganhos do crime organizado, sensação de anomia e de abandono dos valores que costumavam ser nossas balizas, construtores de sentido existencial e códigos para ajudar a decifrar a essência da condição humana. Nesse clima, falar de paz virou coisa séria. Não basta a estética, nem mesmo a ética, ou a inocência, ou o devaneio. É preciso militância. E não só a das ruas, circunstanciais e emotivas. Agora é também questão de escolha racional, com as conseqüências que isso envolve. É preciso que a paz seja uma opção política.


Ainda temos nos olhos as cenas terríveis do Iraque, pessoas sendo despedaçadas pela morte ou mutilação física e psicológica, pela destruição de suas referências. Mas, na contabilidade da guerra, são apenas danos colaterais, assim como o cerceamento da liberdade de imprensa e a perda de bens do patrimônio histórico da humanidade. Mesmo aqui, a salvo deste horror, sentados no sofá diante da TV, somos atingidos pela perda de valores, sentimos que nossa vida também ficou pior. E sabemos que temos que fazer alguma coisa. Não lá no Iraque. Aqui. Dentro da nossa casa, na nossa vizinhança, na nossa cidade, no nosso país. No Dia da Terra, ou pensamos nisso tudo ou será uma data lamentavelmente vazia. Ela pode ser um símbolo forte do que parece estar-se perdendo: os valores humanos, espirituais e os naturais, entendidos, esses últimos, como aqueles que remetem à ligação essencial de cada um com o habitat planetário, obscurecida pela aparente auto-suficiência da tecnologia e dos "poderes" humanos.


Há certo consenso a respeito da proteção ambiental. Todos são a favor, mas, boa parte, só se for no "meio ambiente" alheio. Quer-se o bem da floresta amazônica, já as obrigações ambientais da empresa... Salvem-se as tartarugas e baleias, já reduzir o próprio lixo...Combata-se a poluição, mas não o uso intensivo do carro particular. As unanimidades em prol da paz, do meio ambiente, do combate à pobreza, às vezes esquecem que é preciso construir na prática a solução para aquilo que incomoda a consciência. E que a construção começa no indivíduo e no que ele está disposto a fazer - ou a deixar de fazer - para a vida melhorar. Esta sim é uma questão de atitude. Continuamos a produzir desastres ambientais e humanos. Eles lembram que ainda estamos na barbárie. A civilização de fato avançada ainda está a caminho e é tarefa para muitas gerações. Agride-se a Terra porque ela é vista apenas como fonte e suporte de bens para o mercado; destroem-se pessoas porque são vistas apenas como consumidoras e contingentes geopolíticos. Não sem razão o petróleo é um personagem tão destacado nas guerras presentes e passadas no Oriente Médio.


Também não sem razão as causas ambientais cada vez mais se confundem com seu espelho social e ético. Hoje procuramos soluções socioambientais, não só ambientais. Falamos em justiça ambiental como parte intrínseca da justiça social. A qualidade de vida é direito humano, assim como a saúde, a educação, a habitação. E acumulam-se evidências de que a atividade econômica não precisa ser predadora. É desejável, viável e factível o caminho do desenvolvimento sustentável. Nada foi e nada será fácil na trajetória dessas idéias, mas elas se impuseram como alternativa e conquistaram adesões - ou, no mínimo, provocaram constrangimentos - em todos os segmentos da sociedade. Mexeram naquele recanto da mente e das emoções no qual está intacta a necessidade de ideais comuns e a crença de que um mundo melhor e sustentável é possível. Nós procriamos e criamos; é inevitável ter amor pelo futuro e compaixão pelo presente. O Dia da Terra exige uma atitude.

FONTE: Marina Silva