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quarta-feira, abril 16, 2014

Actualidade do Manifesto Comunista













Talvez com uma única excepção, burguesias arrogantes controlam os governos europeus. Os políticos que as representam são neoliberais, social-democratas domesticados, ou saudosistas do fascismo. Neste contexto histórico tão sombrio, ao reler o Manifesto Comunista, concluí que não perdeu actualidade.

Reli há dias o Manifesto Comunista.

Transcorreram 165 anos desde que Marx e Engels divulgaram esse explosivo documento revolucionário.

O mundo atual é muito diferente daquele que inspirou o Manifesto. Na época, a Revolução de 1948 alastrava pela Europa. O «espectro» do comunismo alarmava as classes dominantes, do Atlântico aos Urais. Mas somente em 1917, quase meio século após a Comuna de Paris, uma revolução vitoriosa e um partido comunista criaram o primeiro Estado socialista na Rússia.

Mais de sete décadas durou a primeira experiência socialista triunfante. Findou com a trágica desagregação da União Soviética e o regresso do capitalismo à Rússia.

Hoje, na Europa, o Poder é exercido pelas classes dominantes. Talvez com uma única exceção, burguesias arrogantes controlam os governos. Os políticos que as representam são neoliberais, social-democratas domesticados, ou saudosistas do fascismo.

Neste contexto histórico tão sombrio, foi com surpresa que, ao reler o Manifesto Comunista, conclui que não perdeu atualidade.

Continua carregado de ensinamentos para comunistas e não comunistas. Sinto que em Portugal, nomeadamente, é atualíssimo.

A ESCOLA DA REVOLUÇÃO DE 1848
Na Alemanha, então um conglomerado heterogéneo de reinos e principados quase feudais, a Revolução de 1848 foi uma grande escola de política para Marx e Engels.

Ambos sabiam que a teoria sem a prática não abre o caminho para vitórias revolucionárias. A Revolução de Fevereiro em França lançara o pânico na Europa das monarquias quando Lamartine proclamou a Republica em Paris.

Mas foi somente quando regressaram à Alemanha que Marx e Engels se aperceberam em dois dramáticos anos, no quadro da revolução que abrasava a Europa, das dificuldades insuperáveis que na época impediam a concretização em prazo previsível do projeto comunista de que a Nova Gazeta Renana era o mensageiro mais prestigiado.

Engels afirmou na velhice que o Manifesto era «o produto mais amplamente divulgado, mais internacional, de toda a literatura socialista, o programa comum de muitos milhões de operários de todos os países, da Sibéria à Califórnia».

«Este pequeno livrinho-escreveu Lénine - vale por tomos inteiros: inspira e anima até hoje o proletariado organizado e combatente do mundo civilizado». Segundo o grande revolucionário russo, o Manifesto «expõe, com uma clareza e um vigor geniais, a nova conceção do mundo, o materialismo consequente, aplicado também no domínio da vida social, a dialética como a doutrina mais vasta e mais profunda do desenvolvimento, a teoria da luta de classes e do papel revolucionário histórico universal do proletariado, criador de uma sociedade nova, a sociedade comunista».

Inovador, o Manifesto esboçou o quadro do desenvolvimento do capitalismo e iluminou as contradições internas que conduzirão ao seu desaparecimento.
Marx e Engels estavam conscientes de que era indispensável para a conquista do poder criar um partido capaz de assumir o papel de vanguarda da classe operaria. Internacionalistas, advertiram, porem, que a luta da classe operária teria de se desenvolver em primeiro lugar em cada nação.

Ambos consideraram extremamente perigosas as organizações reformistas e contra elas lutaram sempre com tenacidade.

Pensando na União Europeia e mais especificamente em Portugal, impressiona verificar como essas preocupações e advertências permanecem atuais e facilitam a compreensão de grandes desafios do presente.

Na Alemanha, a ausência de condições subjetivas favoráveis foi determinante para a alteração da relação de forças, abrindo caminho à repressão, comandada pela Prússia.

Os autores do Manifesto esbarraram com obstáculos intransponíveis na tentativa de criar o partido revolucionário de novo tipo. Seria Lenine o seu criador na Rússia, muitas décadas depois.

Mesmo em Colónia, sede do núcleo duro da Liga dos Comunistas, os conflitos entre fações e personalidades foram permanentes, incluindo entre alguns dirigentes políticos que pretendiam ser comunistas, mas atuavam como oportunistas.

Marx e Engels tiveram de enfrentar problemas – ambições, invejas, vaidades, etc. - na própria redação da Nova Gazeta Renana. Até no debate sobre a legalidade ou ilegalidade da Liga dos Comunistas. A imaturidade do movimento revolucionário alemão contribuiu decisivamente para a derrota da revolução democrática burguesa. Mas a prática da luta revolucionária, como sublinhou Marx, foi uma excelente escola para a educação política dos operários.

A reflexão de Marx e Engels sobre os acontecimentos de 1848/49 é identificável em trabalhos que escreveram sobre a complementaridade teoria-prática.

A derrota do proletariado francês em junho de 48 foi o prólogo da vaga de repressão que varreu a Europa. A revolução democrática burguesa foi esmagada na Áustria, na Boémia, na Itália, na Alemanha, na Hungria (em Budapeste com a ajuda militar da autocracia russa).

Mas, apesar de derrotadas, essas Revoluções confirmaram a opinião dos autores do Manifesto sobre o papel fulcral que a luta de classes desempenha no choque entre opressores e oprimidos.

Na sua obra A Luta de Classes em França, Marx demonstra ter assimilado as lições do insucesso da insurreição do proletariado francês na insurreição de junho.

LIÇÕES PARA PORTUGAL
Ao reler o Manifesto, conclui que ele funciona como um manual para a luta contra a tirania que oprime hoje o povo português.

O atual governo consegue ser mais nocivo pelo projeto e pela sua obra destruidora do que os piores da monarquia absoluta. Apos uma luminosa revolução progressista, traz de volta o passado.

No Manifesto há parágrafos, na denúncia do desprezo pelos trabalhadores, da sobre-exploração da força de trabalho, e da desumanização e arrogância do capital, que se ajustam como uma luva à estratégia devastadora do governo português. Este diferencia-se de ditaduras tradicionais porque atua sob a fachada de uma democracia formal. Mas a máscara institucional não ilude as vítimas de uma política criminosa, nem sequer já personalidades e estamentos sociais que o apoiaram inicialmente. Alguns discursos de Passos Coelho, com leves adaptações (porque a sua oratória é tosca e beócia), trazem à memória, pelo farisaísmo, os de Salazar, não obstante ele ser apenas um instrumento do capital.

Cresce a cada dia o repúdio pela política do primeiro-ministro e sua gente. O presidente da Republica apoia-a ostensivamente, desrespeitando a Constituição que jurou cumprir.

Os trabalhadores condenam–na diariamente nas ruas, invadem ministérios, manifestam-se frente à Assembleia da Republica.

Há um limite para que os inimigos do povo governem contra ele. Marx e Engels recordam essa evidência no seu atualíssimo – repito - Manifesto Comunista.

O direito de rebelião contra a tirania é inerente à condição humana.

Vila Nova de Gaia, 10 de Abril de 2014.

FONTE: Diário Liberdade / Miguel Urbano Rodrigues

sexta-feira, abril 11, 2014

Os Ninguéns (Eduardo Galeano)











As pulgas sonham em comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico de sorte chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chova ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura.


Os ninguéns: os filhos de ninguém, os dono de nada.

Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos:

Que não são embora sejam.

Que não falam idiomas, falam dialetos.

Que não praticam religiões praticam superstições.

Que não fazem arte fazem artesanato.

Que não são seres humanos, são recursos humanos.

Que não tem cultura têm folclore.

Que não têm cara têm braços.

Que não têm nome têm número.

Que não aparecem na história universal aparecem nas páginas policiais da imprensa local.


Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.”.

FONTE: Livro dos Abraços

sábado, agosto 04, 2012

Um arqui-inimigo da censura: KARL MARX, JORNALISTA


O turbulento século 20 colou a imagem de Karl Marx a alguns dos sistemas políticos mais autoritários e violentos já conhecidos pelo homem. Em nome de seu legado intelectual, as ditaduras comunistas implantaram ferozes perseguições a todo tipo de liberdade, transformando o Estado numa eficiente e onipresente máquina de repressão. No entanto, se tivessem seguido na íntegra o pensamento do filósofo alemão, os regimes que se espalharam nas décadas seguintes à Revolução Russa, em 1917, teriam respeitado ao menos um tipo de liberdade – a de imprensa. Surpreendentemente para muitos – em razão da impressão que se cristalizou por causa dos governos marxistas estabelecidos de Pyongyang a Havana, de Moscou a Maputo –, Marx foi ferrenho crítico da censura. E deixou isso mais do que claro em vários escritos, antes e depois do famoso Manifesto Comunista, que o catapultou para a História em 1848.
Pensador livre e jornalista numa Alemanha então dividida em monarquias absolutas, Marx cedo estabeleceu de que lado estava. “A imprensa em geral é a consumação da liberdade humana”, pontificou em 1842, aos 24 anos, num dos artigos de uma série publicada no jornal Rheinische Zeitung. “Uma imprensa censurada é ruim mesmo se produzir bons produtos”, escreveu, atacando de frente as práticas da monarquia prussiana.
O inquestionável e relevante papel do jornal impresso como multiplicador de ideias – que desde seu surgimento até hoje sempre esteve sob ameaça da censura – selou o destino do pequeno Rheinische Zeitung, fechado em março de 1843 pelas baionetas do rei da Prússia. A força das armas, no entanto, só reforçou Marx em sua convicções de que a censura jamais deve estar a serviço de ideologias.
“O governo ouve somente sua própria voz”
Anos após seu vigoroso posicionamento, ele sofreu o destino muitas vezes reservado aos que se levantam em defesa da liberdade em regimes autoritários. No início de 1849, de novo editor do renascido Neue Rheinische Zeitung, foi processado no Tribunal de Colônia sob a acusação de difamar funcionários do governo. Ao se defender na corte, sedimentou sua visão do papel do jornalista numa sociedade livre: “A função da imprensa é ser o cão de guarda público, o denunciador incansável dos dirigentes, o olho onipresente, a boca onipresente do espírito do povo que guarda com ciúme sua liberdade”. Ele, seu coeditor Friedrich Engels e o administrador Hermann Korff, também acusados, acabaram inocentados pelo júri.
No século seguinte, porém, a implantação de uma severa censura esteve sempre entre as primeiras providências de regimes comunistas avessos à vigilância de cão de guarda do público. Todos, de uma forma ou de outra, reivindicando o legado do filósofo alemão. Erroneamente, a julgar por seus escritos, no que diz respeito à liberdade de imprensa. Seria um contrassenso cobrarmos de Marx linha política comprometida com a justificação da censura usada pelos “regimes marxistas” – disse ao Globo o filósofo e escritor Leandro Konder. Se tivesse conhecido esses regimes, nada indica que o pensador insistisse nesse acumpliciamento.
Na verdade, os regimes marxistas que amordaçaram a imprensa sob tortuosas justificativas – de estarem, assim, defendendo a própria liberdade de informação – tinham outro guru nessa seara. Para Vladimir Lenin, líder da Revolução Russa, a imprensa nas sociedades ocidentais, “incluindo as mais livres”, era apenas um instrumento nas mãos da burguesia. Daí a necessidade de colocá-la, em sua visão, a serviço direto do povo, sob controle do Estado. “A liberdade de imprensa na prática se tornaria muito mais democrática, se tornaria incomparavelmente mais completa como resultado”, justificou no início de 1917, às vésperas de os bolcheviques tomarem o poder. Décadas antes, porém, Marx já previra o efeito de pôr a imprensa sob a tutela do Estado: “O governo ouve somente sua própria voz; sabe que ouve somente a sua voz; entretanto, tenta convencer-se de que ouve a voz do povo”, denunciou o jovem filósofo.
Mudança cultural
Passados aqueles primeiros anos (da tomada de poder pelos comunistas), à medida que o conteúdo da imprensa e sua apresentação cada vez mais se distanciavam da realidade experimentada pelos leitores, o abismo entre os dois se tornou intransponível. Em suma, ela perdeu credibilidade, assim como os regimes comunistas e sua ideologia – avalia o professor Peter Gross, diretor da Escola de Jornalismo e Mídia Eletrônica da Universidade do Tennessee.
Especialista na imprensa da antiga Cortina de Ferro e autor de vários livros sobre o assunto, Gross ajudou a organizar o curso de Jornalismo na Universidade de Timisoara, na Romênia, em 1992, logo após a queda do ditador Nicolae Ceausescu.
Os jornalistas romenos não tinham experiência com uma imprensa livre. Foram feitas mudanças da noite para o dia, mas o sistema e as instituições ainda funcionam de maneira que indica que a mudança cultural não foi completada – diz ele, apontando a tendência como recorrente em ex-países comunistas da região.
FONTE: Flávio Henrique Lino, de O Globo / Observatório da Imprensa

sexta-feira, outubro 08, 2010

Ernesto Rafael Guevara de La Serna

Mais conhecido como Che Guevara, foi um famoso revolucionário socialista do século XX. Argentino, nasceu na cidade de Rosário em 14 de junho de 1928. Faleceu em 9 de outubro de 1967, na aldeia de La Higuera- Bolívia.ssa aqui, eu


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Veja algumas das principais frases de Che Guevara:

- “Os poderosos podem matar uma, duas até três rosas, mas nunca deterão a primavera.”


- “O verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de generosidade; é impossível imaginar um revolucionário autêntico sem esta qualidade.”


- “No momento em que for necessário, estarei disposto a entregar a minha vida pela liberdade de qualquer um dos países da América Latina, sem pedir nada a ninguém.”


- “Não há fronteiras nesta luta de morte, nem vamos permanecer indiferentes perante o que acontecer em qualquer parte do mundo. A nossa vitória ou a derrota de qualquer nação do mundo é a derrota de todos.”


- “Nossos filhos devem possuir as mesmas coisas que as outras crianças, mas eles devem também ser privados daquilo que falta às outras crianças.”


- “Vale milhões de vezes mais a vida de um único ser humano do que todas as propriedades do homem mais rico da terra.”


- “Muitos dirão que sou aventureiro, e sou mesmo, só que de um tipo diferente, daqueles que entregam a própria pele para demonstrar suas verdades.”


- “O importante não é justificar o erro, mas impedir que ele se repita.”


- “É preciso endurecer, sem perder a ternura, jamais.”


- “Quando o extraordinário se torna cotidiano, é a revolução.”


- “O capitalismo é o genocida mais respeitado do mundo.”


- “Nós, socialistas, somos mais livres porque somos mais completos; somos mais completos por sermos mais livres.”


- “Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros.”


- “Se avanço, siga-me; se me detenho, empurre-me; se retrocedo, mata-me.”


- “Hasta la vitória, siempre!”


- “Há que endurecer-se, mas sem jamais perder a ternura.”


- “Não há experiência mais profunda para o revolucionário que o ato da guerra.”


- “A reforma agrária radical é a única que pode dar a terra ao camponês.”


- “A culpa de muito dos nossos intelectuais e artistas reside em seu pecado original; não são autenticamente revolucionários.”


- “Em nosso trabalho de revolucionário, a morte é um acidente freqüente.”


- “Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros.”


- “A mercadoria é o núcleo econômico do sistema capitalista e, enquanto ela existir, seus efeitos se farão sentir na organização da produção e, conseqüentemente, na consciência.”


- “Nós, socialistas, somos mais livres porque somos mais perfeitos; somos mais perfeitos porque somos mais livres.”


- “O revolucionário deve sempre ser integral. Ele deverá trabalhar todas as horas, todos os minutos de sua vida, com um interesse sempre renovado e sempre crescente. Esta é uma qualidade fundamental.”


- “A revolução se faz através do homem, mas o homem ter de forjar, dia a dia, o seu espírito revolucionário.”


- “Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um revolucionário.”


- “Não nego a necessidade objetiva do estímulo material, mas sou contrário a utilizá-lo como alavanca impulsora fundamental. Porque então ela termina por impor sua própria força às relações entre os homens.”


- “Um dos grandes deveres da Universidade é implantar suas práticas profissionais ao seio do povo.”


- “A característica fundamental da guerrilha é a mobilidade.”


- “Não há fronteiras nesta luta de morte, nem vamos permanecer indiferentes perante o que aconteça em qualquer parte do mundo. A vitória nossa ou a derrota de qualquer nação do mundo, é a derrota de todos.”


- “Nós nos forjaremos na ação cotidiana, criando um homem novo com uma nova técnica.”


- “A argila fundamental de nossa obra é a juventude. Nela depositamos todas as nossas esperanças e a preparamos para receber idéias para moldar nosso futuro.”


- “Não quero nunca renunciar à liberdade deliciosa de me enganar.”


- “O guerrilheiro é um reformador social.”

quarta-feira, julho 21, 2010

IDÉIAS PARA TRANSFORMAR







O mal é não estarmos organizados,

devia haver uma organização em cada prédio, em cada rua, em cada bairro,

Um governo, disse a mulher, Uma organização,

o corpo também é um sistema organizado, está vivo enquanto se mantém organizado,

e a morte não é mais do que o efeito de uma desorganização,…

(José Saramago, em "Ensaio Sobre a Cegueira")

sábado, junho 19, 2010

CITANDO BRECHT:


“Aquele que não conhece a verdade

é simplesmente um ignorante,

mas aquele que a conhece

e diz que é mentira,

este

é um criminoso.”

(Bertold Brecht)