
Sair domingo a noite para ir a festas, shows nunca foi exatamente minha preferência. Tudo bem uma visitinha rápida a casa de amigos, mas o melhor mesmo é estar em casa já ao cair do sol - claro imaginando sempre aquele dia de domingo ideal.
Ouvir a musica de bandas iniciantes, e principalmente assistir primeira apresentação é algo que minha paciência e sinceridade não me permitem mais. Sabe como é você vai se mostra, escuta a primeira, segunda música e no meio da terceira já esta na porta de saída - a paciência ja esgotada na passagem de som que insistem em fazer depois que a casa já esta cheia. E depois ao encontrar com "os artistas" ao ser perguntado qual nossa opinião tortura-se logo a sinceridade e acabamos dizendo que estava tudo muito bom que eles fazem um ótimo som, e nos consolamos achando que com isso estamos incentivando e quem sabe com isso eles possam melhor. Que nada isso quase nunca acontece eles, "os artistas", que antes já se achavam vão somando um pouco da fala de cada um de nós e pensam logo que já estão prontos e continuam pela vida a fora e palcos a dentro fazendo o mesmo trabalho.
Mas enfim, o que não se faz por amor? 29 de novembro sabemos foi domingo, este último que passou. E ele estava classicamente transcorrendo, sono até mais tarde pela manhã, passada pelo quadrado no meio da tarde, final de tarde com vitória do hexamengão e até dividir um pedaço de bolo com uma amiga de aniversário. O clima depois disso tudo estava tão bom que de boa vontade passei por cima de minhas preferências, fiz um desafio às permissões de minha paciência e honestidade para acompanhar a namorada a um primeiro show de uma banda nova.
De inicio tudo muito bom, tudo muito bem. Uma bela casa, muito bem decorada, bebida gelada, preço honesto, que aos poucos ia ficando cheia de pessoas bonitas, de variados segmentos sociais e envolvimento com a cultura local. Por esta combinação a espera pelo começo do show foi algo leve. Foi tempo suficiente para cumprimentar e bater papo com um amigo e outro e neste interím decorar o nome da banda que no primeiro momento soa meio estranho, "Meigos Vulgos & Malvados.
E o show começou e já desde os primeiros acordes percebia-se que não estávamos diante de algo comum, que não seria apenas mais um show. Iríamos assistir "O SHOW".
Meigos Vulgos & Malvados na arrancada mostrou ser uma banda que veio para ficar. Da primeira a última música, e assisti a todo o espetáculo com muito prazer, mostrou muita maturidade, uma harmonia perfeita onde o melhor de cada um dos seus componentes é colocado para acrescer em qualidade ao grupo. Um som absolutamente equalizado e letras que tocam fundo na nossa realidade.
Esta combinação fez com se pudesse ouvir na platéia um silêncio de um respeito que beirava a reverência - merecido. Feito por pessoas que buscam qualidade no que escutam e que naquele momento com certeza acreditavam estando ali "que o vento sopra para quem sabe onde ir" - e naquela noite de domingo ali era o melhor lugar para se estar.

Meigos Vulgos & Malvados é uma banda formada por meninices, cogumelos, maldades, acessórios e cabeçadas e que por isso tem experiência suficiente para dizer: "Os meus caminhos. Eu mesma escolho. E bato de frente." Que busca "mentir ao inverso" para desta forma passar sua mensagem.
Enfim eu que vivo,indignado,nesta sociedade onde "os bacanas... roubam a cada dia" tive o privilégio de presenciar um momento de pura arte de um grupo que com certeza tatuará seu nome como mais um produto de exportação da cultura de Pelotas. Uma banda que nos deixará viciados, mal acostumados, condenados a ela.
Minha sugestão para você que ainda não a conhece é que grave este nome "Meigos Vulgos & Malvados" e não perca sua próxima apresentação só para entender o que ainda não ouviu.