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sexta-feira, janeiro 02, 2015

Jacobinos negros e a Independência do Haiti






A Independência do Haiti da metrópole francesa ocorreu em 1804, após uma sangrenta batalha na ilha antilhana, em que a população branca foi exterminada pelos escravos que haviam se revoltado. Além de se tornar o primeiro país independente das Américas, o Haiti foi também o primeiro país a abolir a escravidão de suas fronteiras.

A adoção dos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade pelos revoltosos e a radicalidade das ações nas lutas pela independência levaram os líderes do movimento a serem conhecidos como Jacobinos Negros, em alusão ao grupo que comandou a Convenção Nacional, durante a Revolução Francesa, entre os anos de 1792 e 1795.

Denominada como ilha de São Domingo, a região havia sido conquistada pelos europeus logo após a chegada de Cristóvão Colombo, em 1492 – o conquistador genovês havia batizado a ilha de Hispaniola. A população nativa foi exterminada da ilha, sendo que o trabalho escravo foi adotado ainda no século XVI para a produção de produtos tropicais para alimentar o mercado colonial, principalmente a produção de açúcar. A ilha de São Domingo começou a ser ocupada, em sua porção ocidental, pelos franceses em fins do século XVII e, em 1697, um tratado entre espanhóis e franceses garantiu a posse do local para estes últimos. A partir daí se tornaria a principal fonte de riqueza da exploração colonial francesa, sendo produzidas várias mercadorias, com destaque ao açúcar. São Domingo produzia quase dois terços do açúcar comercializado no mundo nas décadas que antecederam o processo de independência.

Para produzir um montante tão grande dessa mercadoria mantinha-se um contingente de aproximadamente quinhentos mil escravos nas fazendas da ilha. A população branca, formada pelos proprietários e administrados, era contada em número de 35 mil pessoas. Havia ainda um pequeno contingente de mulatos e ex-escravos que conseguiram certa ascendência social e, em alguns casos, enriqueceram.

A revolta que resultou na Independência do país iniciou-se em 1791, após a rápida difusão entre os escravos da notícia de que o novo governo francês havia abolido a escravidão nas colônias. O abandono das fazendas e lavouras e o ataque aos fazendeiros brancos alastraram-se pela ilha. Muitos brancos foram mortos em decorrência das condições de trabalho e dos maus-tratos infligidos aos escravos. Os escravos mais rebeldes sofriam uma série de castigos, como serem enterrados em pé, apenas com a cabeça de fora, morrendo lentamente após terem seus rostos comidos por abutres e insetos. Nesse sentido, as reações contra os brancos foram proporcionais aos castigos que estes infligiram aos escravos.

A revolta não tomou um direcionamento até 1794, quando Toussaint de Bare (mais tarde Toussaint L’Ouverture) passou a comandar os escravos na luta pela independência e pelo fim da escravidão. Toussaint era um escravo instruído, que sabia falar e ler o francês culto. Ainda na juventude entrou em contato com o livro do Abade Raynal sobre as condições de exploração da força de trabalho escrava nas colônias e também com o livro de Júlio Cesar sobre a guerra contra os gauleses. Cada um dos livros o influenciou de uma maneira: o primeiro, sobre a situação da escravidão, o segundo, no desenvolvimento das táticas militares.

Essas atribuições foram úteis no governo de Toussaint, iniciado em 1801, em que se promulgou uma Constituição para toda a ilha, abolindo a escravidão e declarando a igualdade entre todos os habitantes. Toussaint tinha como principais lideranças de seus exércitos os ex-escravos Dessalines, Henri Christophe, Maurepas, Pétion e Moïse. Em seu governo, Toussaint manteve a administração das fazendas e engenhos nas mãos dos brancos, apesar de haver um controle do novo Estado, e também manteve os ex-escravos em um trabalho compulsório, com o intuito de manter a base da economia da ilha. O líder negro não acreditava que os ex-escravos poderiam manter a administração das fazendas por eles próprios, sendo necessária esta medida.

Toussaint ainda pretendia manter a ilha em uma relação próxima com a França, mas mantendo a autonomia. Esta crença em uma aliança o fez enviar uma série de cartas a Napoleão Bonaparte, buscando aproximar os dois governos. Entretanto, Bonaparte não tinha interesse na aliança, pretendendo ainda revogar a abolição da escravidão nas colônias.

Em 1801, Bonaparte enviou seu cunhado Leclerc para São Domingos, com 25 mil homens. Iniciou-se uma guerra sangrenta pela independência. As atrocidades ocorreram de ambos os lados, mas os brancos acabaram sendo eliminados da ilha. Porém, em 1802, os franceses conseguiram capturar Toussaint, que foi enviado à França, onde morreu no cárcere em 1803.

Os demais Jacobinos Negros, Dessalines, Henri Christophe, Maurepas, Pétion e outros, lideraram os conflitos, conseguindo expulsar os franceses no fim de 1803. O nome do país foi mudado para Haiti, sendo declarada definitivamente a independência do país. Dessalines tornou-se imperador do país em outubro de 1804.

Mas a guerra havia causado imensa destruição na base da economia da ilha, sendo que a próspera cultura da cana-de-açúcar foi interrompida. Com isso, o Haiti desligou-se do mercado mundial, mantendo-se em isolamento com os demais países e colônias, voltando sua economia para a produção de subsistência. O medo de que a revolta escrava se espalhasse para as demais colônias contribuiu para o isolamento, já que as elites locais americanas eram escravocratas.

Apesar de representar a liberdade da instituição da escravidão e conseguir a independência da metrópole colonial, sendo o primeiro país da América a realizar este feito, o Haiti vivenciou um processo posterior que levou o país à miséria. Situação em que se encontra até os dias atuais.

FONTE: História do Mundo / Por Tales Pinto / IMAGEM - rook76  e Shutterstock

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Restrição à entrada de haitianos no Brasil é uma medida discriminatória


A decisão do governo brasileiro de limitar a 100 o número de vistos aos haitianos é uma medida inédita e discriminatória. É a primeira vez na história do nosso país que é tomada uma decisão desse tipo. Não bastasse a absurda intervenção militar no Haiti, agora o governo toma essa atitude que é mais uma faceta do papel que o Brasil tem cumprido na propalada “missão de paz”. Ao mesmo tempo em que invade o Haiti com milhares de soldados, limita a entrada dos haitianos aqui. Essa é a paz que a missão chefiada pelo nosso país tem levado àquele povo.

O êxodo dos haitianos demonstra o desespero de um povo cujo país tem uma história de governos ditatoriais, tragédias naturais, miséria e fome. Desde a crise política aberta com a queda do Presidente Jean-Bertrand Aristides, o Haiti vive sob a nefasta intervenção militar da ONU chefiada pelas forças armadas brasileiras. A prometida reconstrução do país, necessária após o terremoto de janeiro de 2010, não aconteceu. Um furacão e uma epidemia de cólera somaram-se aos demais ingredientes que levaram a essa fuga em massa que começa a ocorrer na sofrida ilha do Caribe.

Brasil como “eldorado” é “isca” para mão de obra barata e precarizada

– Atraídos pela propaganda enganosa de que o Brasil vive tempos de prosperidade e de que está imune à crise internacional, os haitianos pagam aos “coiotes” (atravessadores pagos pelos refugiados) até 5 mil reais. Eles enfrentam às vezes seis dias de viajam para chegar até aqui. No caminho muitas vezes são roubados, sofrem todo tipo de violência e privações. É uma versão sul americana do que acontece na fronteira dos EUA com o México. O que está reservado aos haitianos é o subemprego, o trabalho precário, baixíssimos salários e certamente péssimas condições de trabalho. As greves e revoltas nos canteiros de obras da copa demonstram isso.

Brasil: coiote oficial dos haitianos

– O governo brasileiro tenta aparecer como quem se preocupa com os haitianos e diz que vai regularizar a situação dos que entraram clandestinamente. Em contrapartida anuncia o fechamento das fronteiras e a limitação dos vistos. O governo quer fazer do limão uma limonada. Tendo em vista que estes trabalhadores não têm nenhuma perspectiva em seu país, estarão mais suscetíveis a submeter-se ao trabalho precarizado nas obras do PAC e dos mega eventos (Copa e Olimpíadas).  Ou seja, o governo vai assumir o papel de “coiote oficial”.

R$ 1 bi de gastos com militares para levar violência e repressão ao Haiti 

– Segundo dados oficiais, entre 2004 e 2011 foram gastos R$ 1 bi com a “missão brasileira” no Haiti. A presença hoje é de 2.200 militares, mas já passaram por lá cerca de 15 mil. Ao contrário da propagando oficial onde aparecem soldados brasileiros sendo saudados por haitianos, o que se viu nesses 7 anos de ocupação militar é outra coisa. Estupros, violência, repressão aos movimentos que se levantam indignados com a situação do país e nenhuma ação concreta para ajudar o Haiti a se reerguer como nação.

Os haitianos precisam é ter seu país reconstruído, sem intervenção militar e com autonomia para decidir seus rumos.

É preciso dar um basta na intervenção militar no Haiti e que aquele país possa ter sua autodeterminação garantida. Que os trabalhadores haitianos possam se organizar para lutar em defesa dos seus interesses e por um país justo. E por um governo que realmente atenda os interesses do povo pobre e não aos interesses da burguesia entreguista e associada ao capital internacional.

O Haiti precisa é de profissionais para a reconstrução e para ajudar a combater as doenças que assolam o país fruto da miséria que atravessam. Promessas de melhoria de vida para os haitianos no Brasil é uma armadilha para atrair trabalhadores para serem submetidos à super exploração e ao trabalho precário. Os nossos irmãos haitianos têm todo o direito de buscar melhoria de vida em nosso país, mas o que o governo está fazendo é vender ilusões para aproveitar-se do desespero desses trabalhadores.

Fora as tropas brasileiras, pela reconstrução do Haiti!

FONTE: Alexandre Lopes / CSP-Conlutas

LEIA TAMBÉM: Imigração seletiva é recorrente na História do país http://guebala.blogspot.com/2012/01/imigracao-seletiva-e-recorrente-na.html

terça-feira, novembro 01, 2011

Novo grupo de haitianos chega a Manaus atrás de oportunidades de emprego













Novos grupos
de haitianos geralmente chegam sem aviso e deixam pároco da igreja de São Geraldo preocupado.
A expectativa é de que no sábado, chegue um novo grupo

Um grupo de 38 haitianos entre homens, mulheres e adolescentes chegou a Manaus por volta das 16h30 desta terça-feira (1º) de novembro. No fim da tarde , eles estavam aglomerados em volta da igreja e da sede paroquial que fica na Zona Centro-Sul de Manaus.

De acordo com pároco da igreja de São Geraldo, Valdecir Molinari, a paróquia só fica sabendo da chegada de novos grupos de imigrantes quando eles já estão na porta da igreja à procura de lugar para dormir. “ Na semana passada, chegaram em torno de 65. Como os barcos vindos deTabatinga sempre chegam às terças e sábados, estamos com a expectativa que cerca de mais 30 venham neste fim de semana”, afirma o pároco. Ele disse que com este grupo que chegou nesta terça, o total de haitianos em Manaus chega a 2.600.

Esta nova leva de haitianos vai ser abrigada em alguns locais de apoio, explica o pároco. Uma parte do grupo ficará abrigada n o bairro Coroado, Zona Leste, em um espaço cedido pelos capuchinhos e outra será abrigada no bairro Zumbi, em uma antiga creche cedida por um padre.

Os haitianos que chegam a Manaus enfrentam uma viagem de quatro dias e cinco noites em barcos, vindos de Tabatinga. “ Como muitos não conseguem o visto no Haiti para vir ao Brasil, passam pela República Dominicana, Panamá, Equador, Peru e Tabatinga e ainda tem que esperar até conseguir o protocolo na Polícia Federal para poder vir a Manaus”, conta padre Valdecir. “Muitos contam com a ajuda da família , de parentes que estão fora do Haiti e alguns chegam a contrair dívidas para poder viajar para cá”, afirma o pároco.

O pároco de São Geraldo diz que apesar do desafio de acomodar todos que chegam periodicamente à cidade ser grande, a maior dificuldade vem sendo conseguir alimentação para tanta gente. “ Nós contamos sempre com a solidariedade de algumas pessoas , mas há duas semanas estamos tendo que comprar alimento. Precisamos de óleo, açúcar, feijão, macarrão e contamos com a solidariedade de todos”, finaliza.

FONTE: acritica.uol

segunda-feira, janeiro 24, 2011

HAITI AQUI!


Militares brasileiros, em treinamento em Pelotas, que irão embarcar para Missão de "ocupação" no Haiti, em fevereiro, fizeram no final da tarde deste sábado (22) uma caminhada pela Avenida Bento Gonçalves, no centro da cidade.

O movimento realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura contou com a adesão de familiares dos militares e da comunidade em geral.

A atividade foi encerrada com um culto ecumênico em frente ao Altar da Pátria.

A Propósito: Responda nossa enquete

- VOCÊ É FAVORÁVEL A OCUPAÇÃO MILITAR BRASILEIRA AO HAITI?




quinta-feira, janeiro 13, 2011

Dia de Solidariedade com o Povo Haitiano








A Coordenadoria Latinoamericana de Organizações do Campo, CLOC- VIA CAMPESINA e suas organizações expressam sua solidariedade com o país irmão Haiti, que há um ano sofreu um terremoto que devastou, principalmente, Porto Príncipe, a capital, e outras regiões do Sul, deixando um saldo de 300 000 mortes, milhares de pessoas feridas, e 1.500.000 pessoas sem teto. Soma-se a este desastre natural, o furacão Tomas, outro fruto da crise climática que vive o mundo graças à ganância do capital, somando a tudo isto, o país passou, ainda, por um recente surto de cólera, que já causou 2.000 mortes e uma crise eleitoral há de um mês.

A CLOC - Via Campesina considera que o caos que vive o Haiti é uma catástrofe para todo o Continente Americano e denuncia que, apesar da imediata Solidariedade Internacional, mais de um milhão de haitianas e haitianos continuam vivendo em refúgios temporários e mais de 90% da ajuda prometida ainda não chegou ao páis. Denunciamos, ainda, o cinismo da MINUSTAH, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, que foi criada em 2004, pouco tempo após o golpe de estado que destituiu o presidente Jean-Bertrand Aristide, a qual recebe mais de um milhão de dólares diários para seu funcionamento e pouco ou nada fez para ajudar na restauração e manutenção da Lei, e por promover e proteger os Direitos Humanos das e dos haitianos.

Neste contexto, as Organizações em todo o Continente exigimos:

1. Que a ONU ponha fim à ocupação militar do Haiti. Atualmente há militares e oficiais de países como Estados Unidos, Canadá, França, Japão, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai, Peru, Coréia, Equador, Argentina e Uruguai no país.

2. Que pare imediatamente a violação dos Direitos Humanos do povo Haitiano.

3. Que se realizem processos democráticos e transparentes que reflitam a vontade das e dos Haitianos.

4. Que exista um verdadeiro espírito de solidariedade dos países chamados amigos do Haiti, para ajudar na reconstrução do país, e que saiam do Haiti aqueles que unicamente perseguem interesses mesquinhos.

5. Que as entidades de Saúde em nível mundial atendam de maneira urgente a emergência sanitária que vivem nossas irmãs e irmãos.

6. Que se tome em conta a participação das organizações camponesas, sociais e populares do Haiti no desenho, execução e controle das políticas e ações de reconstrução.

7. Que os meios de comunicação conscientes em todo o mundo visibilizem esta crise humanitária e que não se convertam em cúmplices dela.

Por outro lado, aplaudimos a histórica solidariedade de Cuba com o Haiti e elogiamos a presença da brigada de saúde cubana que conta com 1.200 doutores, que estão operando em todo o território haitiano sem fazer grandes alardes midiáticos, como outros países.

Finalmente, fazemos um chamado a todas nossas organizações, amigos e aliados para que se somem a este Dia de Solidariedade e para que resistamos à militarização e contribuamos na construção de uma cultura de paz em todo o Continente Americano.

Pela Terra e a Soberania de Nossos Povos!

América Luta!

FONTE: Comissão Patoral da Terra

sábado, agosto 21, 2010

Sem rapper na disputa, Haiti aguarda início da campanha eleitoral







Com a aprovação da lista de candidatos à Presidência do Haiti e sem o rapper hip-hop Wyclef Jean na disputa, o país caribenho entra em estado de espera até 27 de outubro, quando começa a campanha para as eleições gerais de 28 de novembro.

A oposição não reagiu imediatamente à decisão do Conselho Eleitoral Provisório (CEP), que rejeitou 15 das 34 candidaturas, embora personalidades ligadas a várias esferas políticas expressaram seu descontentamento na imprensa local.

A senadora Edmonde Suplice Beauzile, do partido Fusion, pediu aos seus aliados para quem mantenham a "rejeição" ao processo eleitoral, que considerou não crível e viciado.

O senador Evalière Beauplan, do partido Pont, previu eleições marcadas pela "exclusão", enquanto seu colega Youri Latortue, do partido L'Artibonite en Action (LAA), sustentou que é preciso "olhar para a juventude" que, segundo ele, apoiou a candidatura de Wyclef Jean.

Enquanto continua o debate sobre o processo em curso, se observou calma em Porto Príncipe, onde a presença da Polícia e da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) é bastante visível.

Em comunicado divulgado neste sábado (21), a Minustah cumprimentou a divulgação da lista definitiva de candidatos presidenciais e expressou sua determinação de ajudar a garantir eleições livres, transparentes e justas.

A força da ONU convocou os candidatos e partidos políticos a "respeitar a lei eleitoral e promover entre seus membros valores que permitirão que estas eleições sejam realizadas na maior serenidade e respeito dos eleitores".

A missão conjunta de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Comunidade do Caribe (Caricom) pediu que candidatos, partidos políticos e eleitores "contribuam para a estabilidade do processo eleitoral em curso por continuar mostrando o espírito público e a participação democrática".

ACEITOS E REPROVADOS

O Conselho Eleitoral Provisório (CEP) haitiano rejeitou 15 candidaturas e aprovou 19, segundo uma lista apresentada ontem por seu porta-voz, Richardson Dumesle.

Além do rapper Wyclef Jean, outras personalidades descartadas foram o embaixador do Haiti nos Estados Unidos, Raymond Joseph, tio de Jean, e a atual prefeita de Petionville, Claire Lydie Parent.

Entre os candidatos aceitos figuram os ex-primeiros-ministros Jacques Edouard Alexis e Yvon Neptune.

O primeiro deles foi duas vezes chefe de governo sob o mandato do presidente haitiano, René Préval, enquanto Neptune exerceu o cargo durante o segundo mandato do ex-presidente Jean Bertrand Aristide.

Também foi aceita a candidatura de Jude Celestin, do governista Unidade, e que até pouco tempo foi diretor do Centro Nacional de Equipamentos (CNE), organismo designado por Préval para realizar as principais obras públicas de sua administração.

As candidaturas de outros atuais altos funcionários do Estado, como o ministro de Assuntos Sociais, Yves Christalin, o senador Jean Hector Anacacis, e o prefeito de Delmas, Wilson Jeudy, também foram aprovadas pelo CEP.

O organismo eleitoral aprovou também as candidaturas de outros ex-membros do Governo como os ex-ministros Josette Bijoux e Leslie Voltaire.

A candidatura da líder do RDNP, a ex-senadora Mirlande Manigat, foi aceita, assim como a de Charles Henry Baker. Ambos fazem oposição ao Governo de Préval.

Michel Martelly, um popular cantor haitiano também conhecido como "Sweet Micky", também teve sua candidatura à Presidência aprovada.

Além de escolher um presidente, os haitianos irão às urnas em novembro para renovar dois terços do Senado de 30 membros e a totalidade da Câmara dos Deputados, que conta com 99 cadeiras.

Este processo eleitoral foi rejeitado por várias forças da oposição, que pediram a substituição dos membros do CEP, considerados pelos opositores como aliados a Préval.

FONTE: FOLHA.COM

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

ATUAÇÃO PELO HAITI

Primeira tempestade forte atinge Porto Príncipe um mês após terremoto


Porto Príncipe sofreu nesta quinta-feira sua primeira tempestade desde o terremoto de 12 de janeiro, o que surpreendeu a grande parte das 1,2 milhão de pessoas que estão dormindo em barracas em campos de refugiados.

Milhares de pessoas se viram obrigadas a deixar suas camas improvisadas para se proteger da chuva.

O presidente da Cruz Vermelha francesa (CRF), Jean-François Mattei, alertou nesta quinta sobre uma possível deterioração da situação no Haiti por causa do início da temporada de chuvas, um temor compartilhado pelas autoridades haitianas.

"O pior está por vir com a chegada da temporada de chuvas, dentro de seis semanas. São chuvas torrenciais, inundações e deslizamento de terras", afirmou Mattei.

FONTE: AGÊNCIA EFE


Um mês depois, o medo persiste no Haiti


A palavra "terremoto", no idioma crioulo, ainda ecoa por muitas bocas de Porto Príncipe, pronunciada com um misto de medo e luto. O dia de hoje será especialmente doloroso: adeptos do vodu e do catolicismo tomarão as ruas, as igrejas e os cemitérios para louvar a chance de estarem vivos e lembrar seus mortos. Desde as 16h53 (18h53 em Brasília) daquele 12 de janeiro de 2010, pouca coisa mudou na capital haitiana. Pelo menos 217 mil de seus 3 milhões de habitantes morreram sob as construções destruídas pelo tremor de magnitude 7 na escala Richter.


"Tudo continua quase o mesmo. As pessoas ainda dormem do lado de fora de suas casas e o temor de novas réplicas aterroriza todo mundo", contou ao Correio, por e-mail, o empresário Thierry Bijou, 33 anos. "Ainda há necessidade de mais água e comida. Ainda temos corpos sob os escombros", acrescentou. Um trágico recente incidente dá o tom do desespero da população. Na última terça-feira, sete haitianos morreram ao tentarem saquear comida de dentro das ruínas do Caribbean Supermarket, em Delmas, um bairro de classe média.

Bijou compara o que ele e seu povo viveram no último mês ao "inferno na Terra". "No meio de toda essa loucura, você pode ver e sentir a compaixão, o amor entre os haitianos. Eles se ajudam, abrem suas casas para estranhos que perderam tudo. Distribuem comida e água, ainda que não tenham certeza de onde as encontrarão", comenta o empresário.

Regine Saint Clair, 23 anos, tenta retomar a rotina no escritório de contabilidade, mas encontra dificuldades. "Tudo está muito ruim e continua na mesma. Você não pode mais dormir em sua casa e o odor nas ruas é medonho", relata à reportagem, por meio da internet. Ela acredita que muitos soterrados morreram nos últimos dias. "Em alguns lugares, você não sentia o odor nauseabundo dos corpos, que piorou muito na madrugada de hoje (ontem), com a chuva", acrescenta. A contabilista critica a ajuda humanitária e comenta que não houve progresso até o momento. "Algumas pessoas receberam tendas, mas nem todas. Não temos comida suficiente e a água é encontrada mais facilmente", diz Regine.

Chuva

A tempestade - que começou às 4h (hora local) - não apenas espalhou o cheiro da morte, como destruiu várias tendas de campos de desabrigados. Alguns sobreviventes acordaram com os lençóis encharcados, enquanto outros deitavam-se sobre poças d'água em Centre-Ville, a principal praça de Porto Príncipe. Segundo a agência de notícias France-Presse, 1,2 milhão de haitianos perderam suas casas (cerca de 40% da população da capital) e mais de 50 mil famílias foram contempladas com material de emergência. "A coordenação da ajuda melhorou com o restabelecimento das comunicações viárias e telefônicas e os esforços empreendidos pelas organizações humanitárias", afirmou o presidente do Haiti, René Préval. As entidades se apressam em distribuir sacas de arroz de 25kg, lonas e barracas. O mandatário cobrou a melhora na logística do repasse das doações e fez um alerta. "A temporada de chuva vai começar, e temos de nos esforçar para auxiliar as pessoas que ainda estão nas ruas", declarou Préval.

O engenheiro agrônomo Jean-Petit Marseille, presidente do Rotaract Club de Porto Príncipe, lembra que a maior parte da população vive em tendas erguidas de forma precária, com pedaços de tecido e papelão. "A chuva desta madrugada causou grande pânico, raiva e amargura. Os haitianos estão ansiosos e desesperados por não terem acesso às estratégias do governo que possam aliviar o sofrimento a curto prazo e, a longo prazo, reduzir o efeito de outro terremoto", explica à reportagem.
FONTE: CORREIO BRASILIENSE

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Primeiro depósito para trabalhadores haitianos é de R$ 104. 838,65


A Conlutas conta com a participação de todas as entidades, movimentos e regionais nesta Campanha de Solidariedade ao Haiti.

Até agora o montante arrecadado demonstra que todos os esforços estão sendo feitos para ajudar os trabalhadores e trabalhadoras haitianos. Todo valor será revertido para os companheiros do Batay Ouvriye (Batalha Operária).

A Conlutas chama as entidades, regionais e sindicatos a seguirmos fortalecendo esta campanha de solidariedade de classe. Daqui para frente devemos reunir mais esforços para contribuir com a sobrevivência e fortalecimento das entidades de classe dos nossos irmãos haitianos.

Todos os depósitos citados acima foram identificados, caso haja dúvidas com relação à contribuição já executadas ou a executar, entrar em contato com a Conlutas Nacional.

Abaixo segue o número da conta. A campanha continua!

Favorecido: Coordenação Haiti

Banco do Brasil
Agência: 4223-4
Conta: 8844-7

Secretaria Executiva Conlutas

FONTE: CONLUTAS

Os pecados do Haiti

Eduardo Galeano


A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de haver posto e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca idéia de querer um país menos injusto.

O voto e o veto
Para apagar as pegadas da participação estadunidense na ditadura sangrenta do general Cedras, os fuzileiros navais levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para recuperar o governo, mas proibiram-lhe o poder. O seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, mas mais poder do que Préval tem qualquer chefete de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha eleito com um voto sequer.

Mais do que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum dos seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, letras aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebe resposta, ou respondem ordenando-lhe:

– Recite a lição. E como o governo haitiano não acaba de aprender que é preciso desmantelar os poucos serviços públicos que restam, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores dão o exame por perdido.

O álibi demográfico
Em fins do ano passado, quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Mal chegaram, a miséria do povo feriu-lhes os olhos. Então o embaixador da Alemanha explicou-lhe, em Port-au-Prince, qual é o problema:

– Este é um país superpovoado, disse ele. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode.

E riu. Os deputados calaram-se. Nessa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou os números. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, mas está tão superpovoado quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilômetro quadrado.

Durante os seus dias no Haiti, o deputado Wolf não só foi golpeado pela miséria como também foi deslumbrado pela capacidade de beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado... de artistas.

Na realidade, o álibi demográfico é mais ou menos recente. Até há alguns anos, as potências ocidentais falavam mais claro.

A tradição racista
Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros. Então Robert Lansing, secretário de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem "uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização". Um dos responsáveis da invasão, William Philips, havia incubado tempos antes a ideia sagaz: "Este é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que haviam deixado os franceses".

O Haiti fora a pérola da coroa, a colónia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com mão-de-obra escrava. No Espírito das Leis, Montesquieu havia explicado sem papas na língua: "O açúcar seria demasiado caro se os escravos não trabalhassem na sua produção. Os referidos escravos são negros desde os pés até à cabeça e têm o nariz tão achatado que é quase impossível deles ter pena. Torna-se impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma, e sobretudo uma alma boa, num corpo inteiramente negro".

Em contrapartida, Deus havia posto um açoite na mão do capataz. Os escravos não se distinguiam pela sua vontade de trabalhar. Os negros eram escravos por natureza e vagos também por natureza, e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir o amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrava o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino. Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: "Vagabundo, preguiçoso, negligente, indolente e de costumes dissolutos". Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro "pode desenvolver certas habilidades humanas, tal como o papagaio que fala algumas palavras".

A humilhação imperdoável
Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos tinham conquistado antes a sua independência, mas meio milhão de escravos trabalhavam nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era dono de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.

A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas. A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém comprava do Haiti, ninguém vendia, ninguém reconhecia a nova nação.

O delito da dignidade
Nem sequer Simón Bolívar, que tão valente soube ser, teve a coragem de firmar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar conseguiu reiniciar a sua luta pela independência americana, quando a Espanha já o havia derrotado, graças ao apoio do Haiti. O governo haitiano havia-lhe entregue sete naves e muitas armas e soldados, com a única condição de que Bolívar libertasse os escravos, uma idéia que não havia ocorrido ao Libertador. Bolívar cumpriu com este compromisso, mas depois da sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvo. E quando convocou as nações americanas à reunião do Panamá, não convidou o Haiti mas convidou a Inglaterra.

Os Estados Unidos reconheceram o Haiti apenas sessenta anos depois do fim da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um gênio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque têm pouca distância entre o umbigo e o pênis. A essa altura, o Haiti já estava em mãos de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os famélicos recursos do país ao pagamento da dívida francesa. A Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indemnização gigantesca, a modo de perda por haver cometido o delito da dignidade.

A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental.
FONTE: OPINIÃO SOCIALISTA

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

“Ou o Haiti se liberta ou irá desaparecer”

ENTREVISTA: FRANCK SEGUY

Resistência e luta para alcançar a liberdade e uma nova vida. Esses são os sentimentos que acompanham o sociólogo haitiano Franck Seguy, que esteve na abertura do 29º Congresso do ANDES –SN, iniciado no dia 26 de janeiro, no Centro de Convenções da UFPA. Ele concedeu uma entrevista exclusiva à ADUFPA, falando sobre a coragem de voltar para o Haiti, mesmo após a sua destruição com os terremotos ocorridos em janeiro. Seguy é símbolo de coragem e de persistência em continuar a viver, seja na alegria ou na tristeza.

Como você recebeu a notícia sobre o terremoto no Haiti?

Franck – Boa parte do país está destruída, sobretudo a capital Porto Príncipe que é a região mais populosa. No informe oficial do governo, falou-se de 150 mil pessoas mortas, mas a contagem não considera as pessoas debaixo dos escombros. Eu estava com viagem marcada para o dia 16 de janeiro. Na verdade, tentei comprar minha passagem de volta para o dia 12, quando ocorreu o primeiro terremoto, mas a empresa não tinha mais vaga. Livrei-me por pouco. Da última conversa que eu tive com alguém do Haiti, falaram que não tem condições de ninguém entrar ou sair do país. Tem que dar um tempo para melhorar a situação. Talvez quatro ou seis meses. Eu estava quase louco querendo voltar porque a família está lá. Em um primeiro momento, consegui manter contato por e-mail, minha família está bem, no geral. Morreu um tio, a mulher dele, uma prima e o marido dela. A casa dos meus pais ainda está em pé. Com o medo que esse terremoto deixou na população, todo mundo está deixando a cidade. Com isso, acho que vão surgir mais dificuldades ainda. Porto Príncipe foi uma cidade construída para receber 250 mil pessoas, mas 3 milhões moram lá. Essas pessoas deixaram a região natal para morar na capital. No Haiti, existe uma expressão “República de Porto Príncipe” pra dizer que o país está reduzido à capital. A universidade pública está lá, os hospitais estão lá, a administração pública também. A vida para onde vão não será fácil porque tudo estava concentrado em Porto Príncipe.


Como você espera encontrar o Haiti e ajudar a reconstrui-lo?

Franck – O Haiti vai precisar da solidariedade de outros países. Os haitianos têm primeiro de voltar ao país deorigem para ajudar. A minha área é o ensino e eu acho que tenho de voltar para ensinar o mais breve possível. Eu já fiz uma escolha na minha vida: eu não vou viver com medo, de ninguém e de nada. Eu nasci um dia e vou morrer um dia. Esta é a certeza que eu tenho na vida. A violência mostrada na televisão não é do povo haitiano. No Haiti, você pode andar normalmente. Você deixa as grandes cidades e não vai encontrar um policial. Eu conheço um município que tem somente quatro policiais.


A calamidade que se instaurou no Haiti veio abrir os olhos do mundo para a pobreza da população?


Franck - Eu acho que não. Calamidades já aconteceram várias vezes no Haiti. A intensidade dos últimos terremotos e a quantidade de pessoas mortas são excepcionais, mas calamidade no Haiti é regra. O Caribe é uma região onde acontecem todos os anos muitos furacões. Em 2008, passaram quatro furacões pelo Haiti. A pobreza no Haiti é uma construção sociohistórica. Ocorreram duas colonizações: a espanhola e a francesa. Essa última destruiu 45% do meio-ambiente haitiano. No início do século XX, o Haiti recebeu uma primeira ocupação militar dos Estados Unidos. Durante 19 anos, os Estados Unidos e suas empresas destruíram sistematicamente o meio-ambiente haitiano. Uma parte do território do Haiti se transformou em deserto. No final dos anos 70, os Estados Unidos mataram todos os porcos haitianos porque o porco era a maior facilidade dos camponeses para se sustentarem e eles (EUA) precisavam de mão-de-obra para trabalhar nas plantações de cana-de-açúcar da República Dominicana. As terras dos camponeses foram roubadas e transformadas em desertos. A pobreza no Haiti não é algo que vem do Céu ou de outro lugar. Após a independência do Haiti,houve três ocupações militares. Houve derramamento de sangue. Qualquer pessoa que conseguiu se organizar contra as ocupações foi assassinada. O Eduardo Galeano (jornalista e escritoruruguaio) fala que o Haiti está pagando um preço muito alto por ter sido o primeiro país a se libertar da escravidão. No Haiti, a escravidão foi abolida primeiro. A chamada Comunidade Internacional se liga contra este exemplo que ela não quer mais ver se repetir na História. Querem mostrar que o Haiti errou. Deveria ter esperado o país se libertar para libertar seus escravos. Esse exemplo que ele deu ao mundo foi errado. Até esses terremotos estão sendo usados contra a população do Haiti. Já ouvi sobre muitos brasileiros solidários que doam comida e água, mas o Exército Brasileiro não as entrega como o povo brasileiro esperava.


Você acredita que o Haiti será um país sólido no futuro?


Franck – Eu acho que vai acontecer duas coisas: ou o Haiti vai desaparecer ou vai se libertar. Na consciência do povo haitiano, não há outro meio como viver. Para o povo falta o meio para lutar por sua liberdade agora. Mas isso é uma coisa que está até escrito na bandeira haitiana: “Viver livre ou morrer”. Não conheço outra opção. Há outros esforços que incentivam outra opção. Mas o haitiano conhece apenas essas duas opções.
FONTE:InformANDES