Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!
Mostrando postagens com marcador MUNDO; FÓRUM SOCIAL; MOVIMENTOS SOCIAIS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MUNDO; FÓRUM SOCIAL; MOVIMENTOS SOCIAIS. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, abril 05, 2013

O Fórum e seus fins e finais













Ao longo destes doze anos, desde sua fundação em 2001, em Porto Alegre, muita água rolou debaixo das pontes que o Fórum estabeleceu e continua tentando estabelecer. Desta vez, na Tunísia, a principal ponte do Fórum chamou-se mulher.


No sábado 30 de março realizou-se a marcha de encerramento da edição do FSM, em Túnis, em seu décimo segundo aniversário.

Ao longo destes doze anos, desde sua fundação em 2001, em Porto Alegre, muita água rolou debaixo das pontes que o Fórum estabeleceu e continua tentando estabelecer.

Desta vez, na Tunísia, a principal ponte do Fórum chamou-se mulher.

Numa região profundamente entrecortada por longas ditaduras, monarquias obsoletas, aberta agora às conquistas e impasses, avanços e contradições das revoltas no mundo árabe, as mulheres deram a nota e as tintas da solidariedade internacional, com seus movimentos, suas reivindicações, suas palavras cheias de conquistas inadiáveis, sendo uma delas o próprio direito à palavra.

Outra presença constante foi a do debate sobre o Islã, sua possibilidasde de convivência com tosas as correntes de pensamento, religiosas, laicas, em todas as frentes.

No espaço do Fórum era muito grande a desconfiança em relação ao partido no poder, o Ennadha, visto como braço político tunisiano das irmandades muçulmanas presentes no Maghreb. Havia o temor contínuo da regressão a um estado religioso. Esta desconfiança convivia, no entanto, com a reivindicação de traços tradicionais da cultura muçulmana, como o da opção pelo uso do Niqab, a vestimenta que deixa visíveis apenas os olhos das mulheres. Na marcha, seguiu-se, como no espaço do Fórum, a manifestação de estudantes que reivindicam o direito a usá-la, e que se sentem discriminadas, sobretudo na Faculdade de Ciências, pela recusa de professores em aceitá-las na sala de aula.

Nas ruas, em conversas isoladas ou mais amplas, notava-se a preocupação constante em mostrar o Islamismo como uma corrente de pensamento, de cultura e de religião aberta à convivência democrática, bem como uma nota marcante em saber como os membros e jornalistas do Fórum "percebiam a Tunísia". Ao mesmo tempo, no próprio Fórum, houve mesas e atividades de denúncia e preocupação com os movimentos salafistas e sua atuação na Tunísia.

O salafismo é uma corrente muçulmana que prega um retorno às origens remotas do Islã, à palavra direta do Profeta e de seus seguidores contemporâneos ou imediatos. Reforçou-se no século XVIII diante do que via como uma decadência muçulmana diante do avanço do Ocidente. Tradicionalmente o salafismo é um movimento de predicação, isto é, de convencimento pacífico por meio da argumentação.

Entretanto, durante a guerra no Afeganistão contra a ocupação soviética, houve o surgimento de um salafismo jihadista, isto é, animado pela idéia de impor o mundo islâmico pela força, pela ação direta e muitas vezes violenta, baseado numa interpretação sectária ed estreita da jihad, isto é, da dedicação à causa religiosa e cultural dos povos muçulmanos. O surgimento desta corrente do Afeganistão levou muitos dos participantes tunisianos do Fórum a apontá-la como insuflada pelos norte-americanos e ingleses, dentro do contexto do combate aos soviéticos durante a Guerra Fria, assim como aconteceu com a Al Qaeda.

Uma das principais preocupações manifestas no Fórum foi com o recrutamento praticado pelos salfistas jihadistas dos jovens muçulmanos para lutarem na Síria contra o regime de Bashar al-Assad. Num artigo publicado na imprensa de Túnis (Le Temps, 31/03/2013, p. 4), "Profil d'um salafiste", a jornalista Sana Farhat se reportou a diversas atividades do Fórum onde especialistas na questão debateram os métodos de aproximação dos salafistas em relação a estes jovens, levando-os ao isolamento em relação à família, aos meios de comunicação, buscando um condicionamento moral e físico adequado aos futuros combates em que se envolverão. Alguns destes debatedores apontavam, inclusive, uma leniência, por parte do governo, em relação a esta atividade, vendo-a como um meio de ver-se livre destes jovens que podem tornar-se fonte de problemas.

Com a abertura para este e outros problemas, o Fórum mostrou continuar sendo um espaço de intensificação de reivindicações de legitimidade democrática. Por onde ele "passa", fica sempre uma esteira de descobertas e iluminações. Também não foi desprezível a mobilização de desempregados (sobretudo jovens) e trabalhadores, através da Central Sindical tunisiana e de sindicatos, para ocupar os espaços do Fórum, inclusive ressaltando a participação das mulheres na vida laboral e sindical.

O Fórum continua, o povo está na rua.

FONTE: DIÁRIO DA LIBERDADE / Flávio Aguiar

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Plenária da Marcha Mundial das Mulheres em Gravataí

O município de Gravataí recebe no dia 27 de janeiro atividade da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) dentro da programação do Fórum Social Mundial 10 Anos – Grande Porto Alegre. Entre as presenças já confirmadas, a representante da coordenação nacional da MMM, Nalu Farias, e do Comitê Internacional da Marcha (África do Sul), Wilhelmina Trout.

A plenária será realizada na Câmara de Vereadores, a partir das 14 horas, e visa a organização da III Ação Internacional da MMM, chamada Ação 2010. Às 18 horas as participantes da plenária saem em caminhada pela cidade. O roteiro ainda será definido.


Histórico da Marcha –
Em junho de 1995, 850 mulheres marcharam 200 quilômetros contra a pobreza pelo interior do Quebec, no Canadá, chegando a Montreal onde foram recepcionadas por 15 mil pessoas. A principal conquista desta manifestação foi o aumento real do salário mínimo, em uma economia de preços estáveis e pressionada pelo mercado comum com os Estados Unidos, mais direitos para as mulheres imigrantes e apoio à economia solidária. A iniciativa inspirou mulheres do mundo todo a se unirem na Marcha Mundial das Mulheres 2000.

A MMM é uma ação do movimento feminista internacional de luta contra a pobreza e a violência sexista. Sua primeira etapa foi uma campanha entre 8 de março e 17 de outubro de 2000. Aderiram à Marcha 6000 grupos de 159 países e territórios. As manifestações de encerramento desta primeira fase da Marcha no dia 17 de outubro de 2000 mobilizaram milhares de mulheres em todo o mundo, nesta ocasião foi entregue a ONU um abaixo assinado com cerca de 5 milhões de assinaturas em apoio às reivindicações da Marcha.

Acampamento da Juventude será montado em Novo Hamburgo

O Acampamento Intercontinental da Juventude – 10 anos, agendado para os dias 23 a 29 de janeiro de 2010, em Novo Hamburgo/RS, traz avanços que representam o protagonismo jovem construído ao longo de todas suas edições. A disposição para mudar, símbolo da autonomia do AIJ diante do próprio Fórum Social Mundial, novamente se materializa, através de alternativas que substituem discursos por práticas e vivências de Um Novo Mundo Possível.

O próprio local escolhido para o AIJ-10 anos rompe com sua lógica anterior. Após edições gaúchas em meio urbano, na capital Porto Alegre, chegou a hora de priorizar não apenas uma cidade menor, com outra dinâmica e realidade, mas sobretudo o acesso das comunidades rurais, da fatia de juventude historicamente mais excluída e desamparada. Assim, o AIJ acontece na Sociedade Gaúcha de Lomba Grande (Rua Albano Guilherme Konrath, 1.035), localizada exatamente na divisa da zona urbana e rural de Novo Hamburgo e com fácil acesso a outros cinco municípios da região, todos com características similares.

Inscrições – Estão abertas as inscrições para quem quiser acampar, participar ou realizar atividades no AIJ. Os participantes também podem se inscrever em atividades autogestionárias dentro da grade de programação.

Com o tema central “Os Movimentos em Movimento”, o acampamento desenvolverá três eixos temáticos específicos: Educação, Saúde e Participação Social; Desenvolvimento Sustentável e Democracia Participativa; e Agricultura Familiar e Orgânica. Eles serão distribuídos em sete espaços temáticos dentro do parque e outros quatro Espaços de Livre Ocupação (ELOs), que serão montados nos bairros Santo Afonso/Liberdade, Boa Saúde, Canudos, Kephas/Roselândia.

FÓRUM SOCIAL MUNDIAL10 (1)

O discurso autonomista, das primeiras edições, apresenta-se hoje como relíquia


Os milhares de ativistas que se reunirão em Porto Alegre, no final desse mês, terão várias razões para comemorar seu feito. Mas também estarão diante do fracasso de um dos conceitos estratégicos que levou à convocação do Fórum Social Mundial no início desse século.

Quando a primeira edição ocorreu, em 2001, as forças progressistas viviam ainda um forte ciclo de dispersão e recuo, apesar das manifestações anti-globalização em Seattle, Washington e Praga durante reuniões de organismos financeiros multilaterais. Os focos de resistência, mesmo se multiplicando, ainda não eram capazes de forjar alternativa ao mundo unipolar surgido após o colapso da União Soviética.

Desse quadro tampouco escapava a América Latina, território onde a hegemonia do neoliberalismo revelava sinais mais evidentes de fadiga, com a ruína de diversas administrações alinhadas com o Consenso de Washington.

A vitória eleitoral do venezuelano Hugo Chávez, em 1998, significara um passo importante na construção de cenário mais positivo para a esquerda, ladeada pela bancarrota do governo conservador equatoriano e pela crise política que, na Argentina, acabaria por desembocar na rebelião contra o governo De La Rua. Mas esses fatos, por relevantes que fossem, ainda não indicavam uma reviravolta continental nos idos de 2001.

O Fórum Social Mundial foi, então, a primeira iniciativa planetária, em muitos anos, capaz de reunir os brotos de mobilização político-social contra a coalizão imperialista liderada pelos Estados Unidos. Sua primeira edição, e algumas das seguintes, deram rosto ao protesto contra o desenho de mundo forjado pelos monopólios e seus governos.

Um dos segredos para reunir correntes e experiências tão diversas talvez residisse, para além do formato de uma feira mundial de idéias, no argumento-força de que os protagonistas do evento deveriam ser os movimentos sociais e as organizações não-governamentais. Havia uma declarada marginalização de partidos e governos, que apenas perifericamente puderam participar das atividades programadas.

Não se tratava de um truque organizativo. Entre os principais articuladores do Fórum, com expressiva repercussão em fatias eventualmente majoritárias dos ativistas presentes, predominava o ponto de vista de que o centro dinâmico de uma estratégia progressista tinha se transferido do Estado para a sociedade, dos partidos para os movimentos, da política institucional para as redes sociais.

Essa opção permitiu construir um arco amplo de participação, além de abrir espaços na couraça midiática. Na prática, o Fórum se apresentava como a negação da forma-política que faz parte da herança genética da esquerda. Apostava na horizontalização contra a verticalização, nas pautas de reivindicação contra os programas de governo, na resistência social contra a alternativa de poder. Muita gente podia entrar nesse barco.

Tal formatação revelou-se, com o passar do tempo, a benção e a agonia do Fórum. Não há dúvidas de que

permitiu um impulso inicial sem precedentes, mas se provou um fracasso estrondoso como caminho estratégico.

Afinal, a recuperação política da esquerda, ao menos onde acontece com relevância, como é o caso da América Latina, passou centralmente pelo papel dos partidos e da política, pela conquista de governos e sua defesa. Mesmo as forças acumuladas pelos movimentos sociais confluíram para esse leito, auxiliando a desgastar e a isolar os blocos conservadores.

O discurso autonomista, tão proeminente nas primeiras edições do Fórum, apresenta-se hoje como uma relíquia exótica, desprovido de vida e conexão com a realidade. O que explica a irrelevância à qual, pouco a pouco, vai sendo condenado o próprio Fórum, de onde antes partiam tantas vozes que anunciavam o ocaso da forma-partido.

Já sem o brilho e a capacidade convocatória de suas primeiras edições, o Fórum Social Mundial volta a Porto Alegre. Nada indica que terá a mesma pujança do nascedouro, quando poderia ter desempenhado um papel de maior destaque na composição entre partidos, governos, intelectualidade e movimentos sociais.

Acabou aprisionado a fórmulas que garantiram sucessos iniciais, de público e crítica, mas que acabaram por limitar seus horizontes a uma estrutura de congraçamento, debate e inação.

FONTE: Breno Altman jornalista, diretor do site Opera Mundi

FÓRUM SOCIAL MUNDIAL10







Fórum Social 10 Anos: ação global


Estão abertas as inscrições para o Fórum Social Mundial 10 anos – Grande Porto Alegre, de 25 a 29 de janeiro. As atividades acontecem em Canoas, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Sapiranga e na Capital. A inscrição pode ser feita até 15 de janeiro pelo site. O valor de R$ 20 a ser cobrado servirá para custear os materiais que serão entregues no credenciamento.

No ano em que celebrará 10 anos de seu processo, o FSM não terá um evento único e centralizado e sim uma ação global. E o conjunto de atividades do FSM 10 Anos Grande Porto Alegre lançará esta série de ações, que se dará de forma permanente ao longo de todo o próximo ano, através de eventos em várias partes do mundo.

FONTE: CONSCIÊNCIA NET