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domingo, abril 15, 2012

Universal perde fiéis para rival 'milagreira'


Todas as terças pela manhã cerca de 4.000 pessoas aglomeram-se em um galpão de 12 mil m² no Brás, região central de São Paulo.

No altar, um orador mulato, de 1,90 metro e 92 quilos, anuncia: "Aqui tem milagre. O paralítico que saiu andando da cadeira de rodas. O cego que começou a enxergar. Aids, câncer. Tudo que na UTI não tiver mais jeito, aqui tem".

O culto, com cinco horas de duração, é transmitido ao vivo pelo Canal 21, em UHF. "Neste mês, nossa meta é reunir 100 mil pessoas que pagarão o dízimo de R$ 200. Pagar o dízimo faz parte da aliança entre você e Deus."

O orador é o apóstolo Valdemiro Santiago, 48. Ex-bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, ele rompeu em 1997 com Edir Macedo para abrir sua própria denominação, a Igreja Mundial do Poder de Deus.

A briga entre os dois esquentou recentemente, em um vale-tudo televisivo.

Macedo associou a Mundial ao demônio, e exibiu na Record reportagem sobre a compra de fazendas avaliadas em R$ 50 milhões com dinheiro da igreja. Valdemiro apareceu dizendo que Macedo tem um câncer, que seria uma obra do diabo.

A Mundial é hoje a maior concorrente da Universal. Conta com 3.200 templos pelo Brasil --a Universal tem 5.000-- e a mais extensa cobertura televisiva entre evangélicos. Só no Canal 21, são 23 horas de programação, além das duas horas diárias na Rede TV! e quatro na Band. Um gasto mensal de R$ 35 milhões em mídia.

É a igreja neopentecostal que mais cresce no país. Estima-se que 30% dos fiéis vieram da Universal, além de pastores atraídos pela expectativa de maior remuneração.

O "modelo de negócios" é o mesmo: televisão e dízimos. A diferença está na ênfase milagreira da Mundial.

Exorcismos e sinais de prodígio também fazem parte dos cultos da Universal. Mas, com a institucionalização da igreja, muito menos que antigamente. O público se sofisticou, de certo modo, abrindo um filão para a Mundial.

"Há enfermidades que são para a ciência e outras que são para serem tratadas espiritualmente. Embora Deus possa curar todas elas", teoriza Santiago, em entrevista à Folha. "Sou um executivo das almas. Através de minha oração, Deus já curou muitas doenças incuráveis pelo recurso da ciência."

A simples imposição de suas mãos sobre a cabeça dos fiéis supostamente teria o poder da cura. Assim como a toalha que ele utiliza para remover o suor do rosto.

Na coleção de livros e DVDs escritos ou protagonizados por ele --somados, venderam respectivamente 4,3 milhões e 4 milhões de unidades--, destaca-se a narrativa sobre um naufrágio no mar de Moçambique em 1996.

Segundo seu relato, Santiago estava a serviço da Universal na África e saíra para pescar com outros três fiéis. Mas o barco teria sido sabotado e naufragou a 20 km da costa.

O apóstolo, com 153 quilos à época, conta que enfrentou círculos de tubarões. Mas que, por força da fé, nadou sete horas e meia até uma praia, onde foi recebido por dois anjos.

Citando o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, o professor de sociologia da religião da USP Flávio Pierucci interpreta o sucesso de Santiago: "Quem o procura já chega sugestionado. Os milagres acontecem, mas só para quem acredita. Não curam o mal, mas podem curar a sensação de dor", diz o professor, acrescentando que a oferta de serviços mágico-religiosos é antiga no país e praticada por diversas fés.

Mas Pierucci chama a atenção para a instrumentalização dos prodígios: "A Aids não tem cura. Anunciar uma coisa que não é verdadeira utilizando provas duvidosas constitui estelionato".

Mineiro de uma família com 12 irmãos, Santiago conta que viveu nas ruas de Juiz de Fora dos 12 aos 14 anos. Bebia e usava drogas. Ex-lavrador e pedreiro, não concluiu o ensino médio.

"Li poucos livros além da Bíblia. Os livros me ensinam, mas sempre parcialmente. Só a Bíblia tem sua totalidade."

Para Ronaldo Didini, ex-integrante da cúpula da Universal e hoje responsável pela expansão internacional da Mundial, a chave do sucesso está na origem humilde: "Como Lula, ele tem carisma e fala a língua do povo. Ele não busca a sofisticação".

Foi na Universal que ele conheceu a mulher Franciléia, obreira e hoje bispa da Mundial. O casal tem duas filhas e, quando está em São Paulo, fica num condomínio de luxo em Barueri (Grande SP).

Tem na garagem três carros importados blindados. As viagens para a fazenda em Mato Grosso são feitas em um jato particular. "Não sei se você já percebeu, mas eu tenho recursos. Dá pra comprar um bezerrinho não dá?", diz ele.

FONTE: FOLHA.COM

segunda-feira, outubro 03, 2011

Casa onde foi fundada a umbanda, em São Gonçalo, será demolida esta semana





A estrutura metálica já está pronta para receber o telhado do novo galpão que vai ocupar o número 30 da Rua Floriano Peixoto, em Neves, São Gonçalo. Dentro do terreno, uma casinha centenária aguarda a demolição marcada, segundo o proprietário, ainda para esta semana. Poderia ser uma simples obra, não fosse um detalhe: a casa rosa, com a pintura já castigada pelos anos, é a última testemunha do nascimento da umbanda.

Foi no imóvel — que ocupava o centro de uma chácara, no início do século 20 —, que Zélio Fernandino de Moraes, então com 17 anos, dirigiu a primeira sessão da religião. Era 16 de novembro de 1908. A umbanda é a única manifestação religiosa 100% brasileira.

— A demolição nos deixa muito decepcionados, pois perdemos uma referência da chegada da mensagem do Caboclo das Sete Encruzilhadas — diz Pedro Miranda, presidente da União Espiritista de Umbanda do Brasil, em referência à entidade que orientou Zélio a fundar a religião.

Espíritos tristes

A notícia também surpeendeu a mãe de santo Lucília Guimarães, do terreiro do Pai Maneco, em Curitiba, Paraná. Na década de 1990, ela veio ao Rio para pesquisar as origens da religião.

— Imagino que até os espíritos estejam tristes. É uma pena — lamenta ela.

Há mais de cem anos com a família de Zélio, o imóvel onde surgiu a umbanda foi vendido recentemente para o militar Wanderley da Silva, de 65 anos, que pretende transformar o local em um depósito e uma loja.

— Eu nunca soube que a casa tinha essa história. Mas agora já comprei, investi, não posso deixar de demolir — explica-se.

Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), nunca houve um pedido de tombamento do imóvel. A antiga casa de Zélio também não é protegida pelo governo estadual ou pela Prefeitura de São Gonçalo.

De acordo com a última avaliação do IBGE, feita no Censo 2000, o Brasil tem quase 400 mil umbandistas. A religião está em todos os estados do país e também no Uruguai, Paraguai, Argentina, Portugal, Espanha e Japão.

‘Tudo acabou’

O terreiro de Zélio de Moraes — que recebeu o nome de Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade — funcionou por pouco anos em São Gonçalo. Os primeiros umbandistas mudaram-se logo para o Rio de Janeiro.

Primeiro, o centro funcionou na Rua Borja Castro, na Praça Quinze. A rua foi extinta, na década de 1950, para a construção da Perimetral. Dali, foram para a Avenida Presidente Vargas. O imóvel também foi demolido, dessa vez para dar lugar ao Terminal Rodoviário da Central do Brasil.

Uma nova mudança e mais uma demolição. A casa 59 da Rua Dom Gerardo, em frente ao mosteiro de São Bento, virou um estacionamento.

— Tudo acabou, eram prédios muito antigos. Lamento que o último registro também vai desaparecer. Mas o mais importante é que os ensinamentos do meu avô se perpetuem — pediu a neta de Zélio, Lygia Cunha, que hoje preside a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade. O terreiro agora funciona em uma sede própria, em Cachoeiras de Macacu, no interior do estado.

Capela de São Pedro

Antes de ser vendida, a casa onde nasceu a Umbanda abrigou uma capela católica. A última moradora do imóvel, uma descendente de Zélio que é muito católica, cedeu o espaço para os devotos. Quem administra a igrejinha — que também mudou de endereço — é dona Geraldina dos Santos, de 74 anos.

— Não tenho preconceito, não. Todos somos filhos de Deus. Se a religião nasceu lá, a casa devia ser preservada. É importante — disse.

FONTE: JORNAL EXTRA


quinta-feira, dezembro 03, 2009

Sacerdote carioca é ouvido pela Polícia

O sacerdote Bruno Pereira, 27, que teve sua casa de santo invadida e depredada na madrugada de terça-feira (24/11), está sendo ouvido novamente, desta vez pelo delegado titular da 52 DP (Nova Iguaçu), Julio César.

O novo depoimento, que teve início às 15h desta quinta-feira (26/11), foi marcado logo após o término da perícia técnica, realizada esta manhã no Centro Espírita de Umbanda Caminhos de Oxum. A polícia suspeita que fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus, localizada na esquina do templo umbandista, sejam os autores do crime.

O sacerdote relatou que há cerca de um mês, três seguidores da IURD quebraram as oferendas que ele havia colocado na encruzilhada e o xingaram. Em seguida refugiram-se na igreja. "Na ocasião fui conversar com o bispo responsável pela igreja. Ele pediu para não registrar ocorrência e me garantiu que isso não iria mais acontecer. Eu confiei nas palavras dele", explicou.

A equipe do Instituto de Criminalística Carlos Éboli, de Nova Iguaçu, utilizou técnicas de papiloscopia para tentar encontrar marcas de impressões digitais. "A polícia já tem indícios", revelou o delegado, que acompanhou todo trabalho da equipe do ICCE.

Fitas da Igreja Universal

Mesmo com uma qualidade avançada de captação de imagens de todo entorno da IURD de Nova
Iguaçu - segundo os policiais é possível acompanhar nitidamente até a movimentação da Via Light, a cerca de 500 m do prédio - o responsável pela igreja informou ao delegado Júlio César que as câmeras de segurança não gravam as imagens. A Polícia pretendia requisitar as fitas de
segurança para aprofundar a investigação.

Solidariedade

Membros da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) prestaram solidariedade ao templo depredado. A partir de agora o sacerdote será assessorado pela coordenadoria jurídica de atendimento ás vítimas de intolerância. "É fundamental que as vítimas denunciem e registrem queixa na polícia. Aqui na Baixada é muito comum este tipo de agressão, mas as pessoas ainda têm medo de denunciar. Que este caso sirva de expemplo para que ninguém mais fique calado diante de tamanha violência", afirmou o babalawo Ivanir dos Santos, porta-voz da CCIR.

Padre Gegê, da paróquia de Higienópolis, levou uma carta de apoio assinada pelo Fórum Dom Helder, de macroecumenismo da Igreja Católica. O muçulmano Salah Al-Din Ahmmad
Mohammad, da Sociedade Beneficente do Desenvolvimento Islâmico, fez questão de ressaltar que atitudes como esta (de depredação e violência) são uma aberração aos três livros: "A Torá, o Alcorão e a Bíblia garantem a todo ser humano o direito ao livre arbítrio. Cometer um ato como este é atentar contra os mandamentos de Deus".

Revolta

Num clima de dor e revolta, religiosos pedem justiça e punição aos criminosos. "Tudo que nós queremos é que a Justiça seja feita e que os culpados sejam encontrados e punidos. Ninguém imagina que uma coisa dessas pode acontecer com a gente.O dano material é ínfimo diante da perda emocional e de violência à minha fé. Essas imagens são como familiares. Parece que tiraram um pedaço do meu coração. Não gosto nem de olhar para isso (referindo-se às imagens quebradas e reviradas), desabafou o sacerdote.
Fonte:Afropress

quinta-feira, setembro 17, 2009

Caminhada terá presenças internacionais




A II Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa neste domingo (20/09) – no Posto 6, da praia de Copacabana é marcada por participações internacionais.



O pastor Jeremiah Wright (que casou Obama e batizou as filhas do presidente americano) vem de Chicago especialmente para o evento.



Outras presenças internacionais são a do Arabá de Ilê Ifé (o mais alto sacerdote da tradição yorubá), vindo diretamente da Nigéria para a Marcha e do Oluwo Bangkoli Jokotoyé, de Ogmobosó.



Será um encontro inusitado, mas que vai entrar definitivamente para a história da cidade. Este ano, a produção artística do evento está muito mais organizada: os grupos Olodum e Ilê Aiyé vêm de Salvador, com recursos próprios, para um espetáculo de fé e cidadania.



Todos os grupos que se apresentarão na II Caminhada são formados por religiosos e nenhum deles cobrou cachê. Todas as religiões estarão representadas. Um CD gravado com canções religiosas dará o tom da diversidade do evento. Os religiosos vão cantar a tradução em yorubá da música "Faz um milagre em mim" – hit evangélico – no ritmo Ijesá.




Delegações e caravanas


São esperadas seis delegações internacionais – Nigéria, Angola, Congo, Argentina, Uruguai e Paraguai – além de caravanas oriundas de 23 estados do Brasil.




A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa espera receber 150 ônibus de fora do Rio de Janeiro. Não há estimativas sobre a quantidade de ônibus de outros municípios do Estado. A expectativa de público é de 100 mil participantes.




Os ônibus, após deixarem os religiosos no Posto 6, seguem para estacionar no Teleporto.



Estrutura



A II Caminhada será composta por quatro trios elétricos e a divisão é a seguinte: no primeiro caminhão ficam as lideranças religiosas internacionais e de maior expressão no país, de todas as religiões; no segundo caminhão acontecem os shows; o terceiro e o quarto trios estarão os religiosos mais velhos.



A produção envolve mais de 200 técnicos, seguranças e pessoal de apoio.



Apoios



Este ano a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa também ampliou o leque de apoios. Apóiam a II Caminhada a Secretaria Especial de Políticas de Inclusão e Igualdade Racial (Seppir), Petrobras, Metro Rio, SuperVia, Superintendência de Políticas de Inclusão Racial do Governo do Estado do Rio (Superdi) e a Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia.



Imprensa



Uma tenda de 200 m2, montada sobre as areias do Posto 6, abrigará uma mini-redação e servirá como apoio aos jornalistas que estiverem fazendo a cobertura da Caminhada.




A FAETEC doou 10 computadores, conectados a internet, que ficarão à disposição da imprensa e dos veículos de comunicação especializados em religião. Todos os jornalistas que compõem a assessoria de imprensa da II Caminhada são religiosos – umbandistas, candomblecistas, católicos e evangélicos.
Afropress