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quinta-feira, maio 08, 2014

O falso paciente zero e os equívocos da busca pela origem da aids














Nos anos 1980, cientistas acreditaram ter encontrado o responsável pela entrada da aids na América. Pesquisas genéticas mostraram que a invasão silenciosa tinha começado muito antes

Em 1984, em um estudo publicado no American Journal of Medicine, profissionais do Centro de Controle de Doenças (CDC), em Atlanta, agruparam os casos conhecidos de aids, mal que havia três anos assombrava o mundo, e apontaram o que a ciência chamou de Paciente Zero – aquele que, de acordo com uma investigação epidemiológica, estaria ligado à origem da doença nos Estados Unidos. O mapeamento havia começado em 1982. A partir de entrevistas com os primeiros a apresentarem quadros de infecções oportunistas, os pesquisadores encontraram um personagem em comum: boa parte dos enfermos, na maioria homossexuais, relatava ter mantido contato sexual com um comissário de bordo franco-canadense. Os encontros tinham acontecido em Los Angeles, São Francisco, Nova York e outras nove cidades do país. Fazia muito pouco tempo que os cientistas haviam chegado a um consenso sobre o nome da doença e, quando isso aconteceu, ela já tinha recebido a pecha de peste gay.

Três anos depois do rastreamento feito pelo CDC, o jornalista norte-americano Randy Shilts lançou o livro And The Band Played On com uma revelação: o tal paciente zero se chamava Gaëtan Dugas e morrera em 1984. Shilts descreveu o homem como um atraente funcionário da Air Canada, que, viajando país afora, teria propagado o HIV em boates e saunas gays. Dugas tinha sido diagnosticado com sarcoma de Kaposi em 1980, antes portanto dos primeiros estudos sobre a aids que viriam relacioná-la a esse tipo de câncer. Trabalhando na cobertura da nova síndrome desde o começo, Shilts tinha se aproximado de cientistas e pacientes, e sua narrativa rica em detalhes acabou virando também um filme, em 1993, com o ator Jeffrey Nordling no papel de Dugas.

Se o desconhecimento ajudou a espalhar preconceitos e equívocos, os esforços para conhecer e conter a aids levaram a descobertas sobre o sistema imunológico e virologia. “Não se reconhece mais esse Paciente Zero”, diz Stefan Cunha Ujvari, infectologista e autor de A História da Humanidade Contada pelos Vírus. “Hoje os estudos genéticos mostram a disseminação de maneira mais clara.” Nas pesquisas, explica o médico, usam-se questionários para avaliar grupos de pacientes e tentar descobrir pontos em comum entre quem adquiriu a doença e também entre aqueles que escaparam dela. No caso das infecções que despontavam nos EUA, entrevistaram aqueles que apresentavam os sintomas, cruzaram as informações e chegaram a Dugas. Mas segundo um trabalho de 2007 do biólogo Michael Worobey, da Universidade do Arizona, estima-se que o vírus já estava circulando no país 12 anos antes de a aids ser reconhecida, em 1981.

Do SIV ao HIV
Stefen Ujvari, que atua no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, conta que a partir de 1990 os cientistas se debruçaram sobre o material genético do HIV, comparando suas semelhanças com o SIV, vírus encontrado em chimpanzés e outros primatas. “Assim se chegou ao triângulo africano formado por Congo, Gabão e Camarões”, afirma. Foi nesses territórios que o SIV passou ao organismo humano. Nas primeiras décadas do século 20, com a região dominada por conflitos, escassez de alimentos e pobreza, caçadores se embrenhavam nas matas perseguindo e matando esses animais. Na ação, eram mordidos, arranhados, cobriam- se com o sangue dos bichos ao destrinchá-los – e dessa forma foram contaminados, sem contudo apresentar nenhum problema de saúde. Acontece que o vírus é mutante e foi se transformando até chegar ao HIV, este, sim, capaz de provocar estragos nas defesas e levar a infecções fatais.

A pergunta persistia: quando surgiu a primeira pessoa infectada? Hoje se sabe que a aids estava presente na população africana desde o começo do século 20, mas ninguém relacionava, por exemplo, as mortes por diarreia e pneumonias a ela. Para chegar a essa data, estudiosos lançaram mão de uma espécie de marcador do ritmo das mudanças nos agentes infecciosos. “Usam-se amostras de vírus do mundo inteiro, de várias épocas. Com as análises monta-se um cálculo que chamamos de relógio molecular”, diz Cunha. De forma simplificada: os pesquisadores comparam os microorganismos e anotam as diferenças que vão aparecendo em seus códigos genéticos com o tempo. Digamos que a cada dez anos surgem duas alterações. Um cálculo retroativo pode inferir quando o ancestral da cepa pandêmica do HIV se originou.

Para calibrar o relógio molecular no caso do HIV, os pesquisadores usaram duas amostras sanguíneas obtidas no Congo, uma em 1959 e outra em 1960, confrontando-as com as de pacientes diagnosticados com aids décadas depois. A primeira veio de material colhido por dois cientistas que realizavam estudos genéticos das diferentes etnias africanas. Na ocasião não sabiam, claro, que havia um vírus circulando no país. Mas o fato é que aquele fragmento foi guardado e, quando a aids deu as caras, o sangue foi usado e descobriu-se a presença do HIV. A segunda peça a colaborar na engrenagem veio de uma biópsia feita em um nódulo linfático de uma mulher em Kinshasa, capital do Congo – na época, a cidade tinha o nome de Leopoldville –, também congelada nos laboratórios americanos.

Na América
Acredita-se que o HIV começou a se difundir pela África com a urbanização, o crescimento das cidades, que aumentou o contato entre as pessoas e fez surgir zonas de prostituição. “Em 1960 houve muitas migrações de tropas de um país a outro em razão das lutas pela independência e das guerras civis no continente”, diz Stefan Ujvari. Com os soldados mudando de lá para cá, o HIV passou a circular largamente.

As comparações de material genético revelam que, na América, o vírus chegou primeiro ao Haiti, em 1960, e alcançou os EUA em 1969. Por quê? “Quando o Congo se tornou independente, o país entrou numa guerra civil. O Haiti enviou tropas para as forças de paz e professores para reconstituir o ensino naquele país”, afirma o infectologista. Muitos voltaram para casa contaminados, e a enfermidade foi abrindo caminho, chegando aos EUA por meio de haitianos que procuravam ali refúgio da feroz ditadura de François “Papa Doc” Duvalier. Na mesma época, caiu o governo de Fulgêncio Batista em Cuba, e a ilha deixou de ser o playground dos norte-americanos. A rota do turismo sexual migrou para o Haiti.

Somente quando a aids surgiu entre mulheres, crianças e pessoas que necessitavam receber transfusão de sangue começou a arrefecer o estigma que levantava bandeiras moralistas em vez de se preocupar com proteção de verdade. Ficou claro, finalmente, que a doença viajava – e ainda viaja – pelo globo bem antes de ter levado à morte personagens como Gaëtan Dugas. E, apesar dos avanços obtidos em trabalhos de décadas nos laboratórios, o sexo seguro, com o uso de camisinha, continua valendo como recomendação para todos. Assim como os testes para detectar o HIV em doadores de sangue e o não compartilhamento de seringas.

SAIBA MAIS
Livros
A História da Humanidade Contada pelos Vírus, Stefan Cunha Ujvari, Editora Contexto, 2008
And the Band Played On (em inglês), Randy Shilts, St. Martis Press, 1987

FONTE: Aventuras na História

domingo, novembro 10, 2013

Depois de 10 anos, fábrica de remédios contra Aids começa a produzir na África






Projeto da Fiocruz em Moçambique é o mais longo e que mais consumiu recursos brasileiros na África



O mais emblemático projeto de cooperação brasileiro na África completa dez anos em novembro e vive hoje seu momento mais decisivo. É uma fábrica pública de medicamentos contra a Aids, instalada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Moçambique. Em agosto, ela finalmente realizou seu objetivo: produziu pela primeira vez um remédio genérico que faz parte do coquetel anti-HIV, a lamivudina. Em outubro, repetiu a dose com um segundo componente do coquetel, a nevirapina. Toda a operação foi feita por moçambicanos, com a supervisão da Fiocruz.

A Sociedade Moçambicana de Medicamentos (SMM), o nome oficial da fábrica, é a única unidade pública de produção de medicamentos contra a Aids na África, o continente mais afetado pelo vírus e onde o acesso ao tratamento é escasso. No caso de Moçambique, a SMM é também a primeira indústria farmacêutica. Todos os medicamentos consumidos no país são importados.

Agora, os medicamentos precisam obter um selo de qualidade do órgão regulador em Moçambique. Enquanto isso, a fábrica deve começar a embalar um antibiótico e um medicamentos contra o HIV produzidos pela Fiocruz no Brasil e doados para que as vendas já possam ser iniciadas. No próximo ano, a fábrica deve tentar obter certificação da Organização Mundial da Saúde. A organização Médicos Sem Fronteira (MSF), que atua na área do HIV no país, diz que "ainda é cedo para tecer comentários profundos sobre como a fábrica irá beneficiar as pessoas que vivem com HIV em Moçambique".

Nenhum outro projeto de cooperação do Brasil na África está em curso há tanto tempo ou consumiu um volume tão alto de recursos. A Fiocruz estima que ele terá custado ao País cerca de US$ 20 milhões. "Demorou muito? Eu olho para trás e digo: ninguém tem noção do quanto a gente trabalhou", afirma a coordenadora do projeto, Lícia de Oliveira, da Fiocruz.

"Nem Moçambique nem o Brasil sabíamos onde estávamos nos metendo", diz ela. O País não tinha experiência na realização de um projeto de cooperação de tão grande porte no exterior. Além disso, a operação de uma indústria farmacêutica é um processo de alta complexidade. Toda a tecnologia de produção foi transferida para Moçambique, que vai operar a fábrica sem a intervenção do Brasil. A expectativa é que ao final de cinco anos a venda dos remédios custeie as operações e que a produção atenda a todo o mercado da parte sul da África.

"A fábrica é a primeira aqui em Moçambique, até em África. Temos muita expectativa e muita responsabilidade. Depois de vermos essa fábrica cheia, com movimento, nós vamos ficar já descansados, felizes da vida. Porque realmente é difícil, é muito difícil para chegar nessa fase", diz Feniosse Macuacua, operador da fábrica que atuou nas primeiras produções de medicamentos.

Aids. A incidência de HIV em Moçambique é uma das maiores do mundo - 13% das mulheres e 9% dos homens, totalizando 2,4 milhões de pessoas infectadas. No Brasil, calcula-se que 630 mil pessoas são soropositivas, menos de 1% da população.

É a comunidade internacional que custeia 100% do coquetel anti-Aids, a maioria deles genéricos comprados na Índia a preço baixo. "Até hoje me surpreendo com as dificuldades que esse país enfrenta quanto ao financiamento para a área da saúde, que depende de doadores internacionais", diz a enfermeira brasileira Kelly Cavalete, que trabalha no MSF no país.
A fábrica prevê a transferência de tecnologia e conhecimento para a produção de 21 medicamentos. Além dos usados para tratar a infecção por HIV, há remédios para atenção básica – entre julho e setembro, foram produzidos os primeiros, contra hipertensão. A capacidade instalada é de 400 milhões de comprimidos por ano.
A estrutura da fábrica é pequena, mas de ponta. Em um corredor vedado do exterior, com luz artificial, ar condicionado e protegido por portas de segurança codificadas, ficam as salas de produção e embalagem. Os equipamentos são iguais aos usados pela Fiocruz no Brasil. Segundo a fundação, é que há de melhor no mundo. São duas linhas de produção: uma específica para componentes do coquetel anti-HIV e outra para medicamentos em geral, além de uma unidade de soros.

História. Assinado em novembro de 2003 durante a primeira viagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à África, o projeto da fábrica se tornou um símbolo das dificuldades do Brasil em realizar projetos de cooperação de grande porte. A primeira delas foi a concorrência com a China. Apenas cinco meses depois da assinatura, um grupo chinês começou a negociar com o governo moçambicano a construção de uma fábrica de antirretrovirais privada. Prevaleceu o projeto do Brasil.

De 2003 a 2007, as características do projeto foram discutidas e foi realizado um estudo de viabilidade. Depois, haviam dúvidas sobre como financiar a fábrica. Em 2008, o governo brasileiro encaminhou para o Congresso um projeto de lei para a doação de R$ 13,6 milhões. Um ano e dois meses depois, ele foi aprovado. "Nunca na minha vida eu tinha lidado tanto com advogados e procuradores. Virei figurinha fácil da Câmara dos deputados", lembra a doutora Lícia.

O parecer favorável do senador Eduardo Azeredo ao projeto de lei evidencia a importância da cooperação para o avanço brasileiro no continente. "A eventualidade de apropriação do projeto da fábrica de antirretrovirais por terceiros países acarretaria a perda de valioso instrumento de cooperação e de afirmação dos interesses brasileiros na África", escreveu Azeredo. A Vale, que já estava operando em Moçambique, doou outros UR$ 4,5 milhões. De 2009 a 2012, a infraestrutura física da fábrica foi preparada, os equipamentos adquiridos e os funcionários treinados no Brasil.

A fábrica é citada em discursos de governantes brasileiros como exemplo da ajuda que o Brasil pode dar à África e o diferencial da cooperação brasileira em relação a outros países. Enquanto a Europa e os Estados Unidos doam medicamentos, o Brasil doaria toda a tecnologia de produção. Apesar da importância dada ao projeto, ele ainda é um desconhecido em Moçambique. A largada da venda de medicamentos pode ampliar sua visibilidade.

Antes do início da produção, a comunidade internacional era descrente que o projeto pudesse dar certo. "Não sei se os medicamentos moçambicanos vão ser mais baratos que os indianos, se o preço vai ser competitivo", afirmou em 2010 o então coordenador do MSF em Moçambique, Alain Kassa. Agora que a produção finalmente começou, o desafio é manter a fábrica no âmbito público. Indústrias farmacêuticas privadas, sobretudo indianas, estão interessadas no projeto - visto como uma porta de entrada para o mercado de medicamentos na África.


FONTE: Amanda Rossi - Especial para o Estado

domingo, março 17, 2013

Cura funcional da infecção pelo HIV é observada em 14 pacientes na França








Em um estudo, essas pessoas passaram a tomar antirretrovirais mais cedo do que o normal e durante três anos. Nos sete anos seguintes, sem remédios, seus níveis de vírus no sangue eram incapazes de desencadear sintomas

Pesquisadores publicaram, nesta quinta-feira, um estudo no qual revelam que 14 pacientes adultos infectados pelo HIV parecem ter obtido uma cura funcional da doença. Ou seja, mesmo após terem interrompido o tratamento, apresentam quantidades tão pequenas do vírus no sangue que ele se tornou incapaz de produzir sintomas durante sete anos. A pesquisa foi divulgada dias depois de médicos americanos terem anunciado a também cura funcional em um bebê recém-nascido infectado pelo vírus da aids.
Segundo os responsáveis por esse estudo, que foi coordenado no Instituto Pasteur, em Paris, na França, a chave para a cura funcional nesses 14 pacientes foi o início precoce do tratamento com antirretrovirais após a infecção. De acordo com o artigo, essas pessoas começaram a ser monitoradas a partir do momento em que elas passaram a receber os antirretrovirais, que foi dez semanas após eles serem infectadas. Em média, essas drogas são dadas aos pacientes três anos mais tarde.
Os pacientes, que tinham entre 34 e 66 anos, então, tomaram os antirretrovirais ao longo de dois a três anos, em média, e depois interromperam o tratamento. De acordo com o estudo, eles conseguiram manter a carga viral sob controle durante uma média de sete anos e meio, sem o uso de nenhum medicamento. Um dos pacientes chegou a ficar pouco mais de dez anos sem apresentar sintomas. “Não é erradicação, mas claramente eles puderam viver por um longo período de tempo saudáveis e sem tomar os antirretrovirais”, diz Asier Saez-Cirio, coordenador da pesquisa, que está presente no periódico PLoS Pathogens.

No entanto, os pesquisadores advertem que esses resultados não significam que essa abordagem possa funcionar para todas as pessoas infectadas pelo HIV no mundo, já que a pesquisa analisou 70 pacientes infectados e somente 14 deles apresentaram a cura funcional. Já o restante dos indivíduos, ao deixarem de tomar os antirretrovirais, recuperaram níveis de vírus semelhantes aos observados antes de começarem a ser tratados.
Explicação — Segundo os autores, ainda não está claro o que fez com que a cura funcional ocorresse nesses 14 pacientes, apesar de eles terem sido submetidos a vários testes imunológicos. Mas eles acreditam que, entre essas pessoas, possa ter ocorrido uma limitação nos reservatórios virais, que se formam no organismo de um indivíduo após a infecção pelo HIV. Esses reservatórios são compostos por células dormentes que reativam a infecção quando o remédio deixa de ser tomado.
“Esses dados, junto às informações sobre o caso do bebê recém-nascido nos Estados Unidos, apoiam fortemente a ideia do tratamento precoce e fornecem pistas importantes para o desenvolvimento de estratégias para curar a infecção pelo HIV, ou ao menos induzir a um controle a longo prazo sem a necessidade de antirretrovirais”, disse Asier Saez-Cirio, que coordenou a pesquisa.
FONTE: VEJA / ABRIL

quarta-feira, novembro 30, 2011

Médicos americanos conseguem livrar paciente do vírus HIV









Pesquisadores americanos ganharam nova esperança na luta pela cura da Aids.

Já havia o precedente do caso de um homem, o chamado paciente de Berlim, que teve seu organismo inteiramente livre de infecção pelo HIV, depois de passar por um transplante de medula óssea, para surpresa dos médicos. Agora, apareceu outro caso. Um homem branco de 50 anos, conhecido apenas pelo apelido de Trenton, foi submetido a um procedimento de terapia bem menos difícil do que o transplante. E seu corpo foi capaz de rapidamente controlar o vírus, mesmo depois que ele parou de tomar os medicamentos usuais antivirais, algo que é altamente incomum e outra vez surpreendeu os médicos.


_ É difícil subestimar a forma como a comunidade científica tem oscilado em seu pensamento sobre a possibilidade de cura da Aids. Este caso foi uma surpresa. Cura, no contexto do HIV, havia se tornado uma palavra de quatro letras sem sentido... _ disse Kevin Frost, presidente-executivo da Fundação para Pesquisa da Aids, um grupo sem fins lucrativos.


Houve tentativas, no passado, de curar a doença, mas a maioria dos especialistas considerou mais viável para concentrar-se na prevenção e tratamento. O impulso para a cura pode parecer hoje menos urgente, agora que os medicamentos antivirais transformaram a infecção por HIV, de uma sentença de morte próxima, para uma doença crônica.


O problema é que as drogas não estão disponíveis para todos, e quando estão não eliminam a infecção. Mesmo quando está indetectável no sangue, o vírus da imunodeficiência humana espreita silenciosamente no organismo. Se um paciente parar de tomar os medicamentos, o vírus quase sempre começa a rugir novamante.


Então, as pessoas com H.I.V. têm que tomar medicamentos todos os dias pelo resto da vida. E alguns pesquisadores dizem que esta não é uma solução sustentável para dezenas de milhões de pessoas infectadas.


_ Eu não acho que o mundo tem os recursos para fornecer esses medicamentos para todo mundo que precisa deles por décadas e décadas a fio _ avalia Steven Deeks, professor de medicina da Universidade da California, em San Francisco.


Nos EUA, o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, diz que a cura é uma das suas principais prioridades, e que as subvenções concedidas para tanto poderiam totalizar US $ 70 milhões ao longo de cinco anos, para três equipes de pesquisa em busca desse objetivo. E mais donativos estão chegando.


A agência da Califórnia para células-tronco prometeu um total de US $ 38 milhões para três projetos destinados a encontrar uma cura para a doença. Empresas como a Merck, Gilead Sciences, Sangamo BioSciences e Calimmune também começaram a investir nesta pesquisa. Por isto, mesmo que levem anos para chegar à cura, os cientistas estão mais otimistas.


_ Acho que estamos muito mais perto de uma cura do que estamos de uma vacina _ avalia Rafick-Pierre Sékaly, diretor científico de vacinas do Gene Therapy Institute of Florida.


Existem hoje duas abordagens principais nas linhas de pesquisa. Uma delas é a chamada esterilização _ a erradicação do HIV do corpo. A outra, uma cura funcional, não eliminaria o vírus, mas permitiria que uma pessoa pudesse manter-se saudável, sem medicamentos antivirais.


A nova esperança para a cura foi criado em parte pela experiência do paciente de Berlim, um americano chamado Timothy Brown, que tinha HIV e sofria de leucemia.


Em 2007 e 2008, enquanto vivia em Berlim, Mr. Brown recebeu dois transplantes de medula óssea para tratar sua leucemia. O doador foi um dos 1% dos europeus da região Norte, naturalmente resistentes à infecção pelo HIV, por falta de CCR5, uma proteína na superfície das células do sistema imunológico que o vírus usa como um portal de entrada.


Com seu próprio sistema imunológico substituído por um outro resistente à infecção, Mr. Brown, 45, que agora vive em San Francisco, ficou aparentemente livre do vírus e isto já dura quatro anos. Mas transplantes de medula óssea são arriscados e caro. Além disso, é difícil para encontrar um doador imunologicamente compatível, e ainda mais um doador com mutações em ambas as cópias do gene CCR5.


Assim, os cientistas estão tentando modificar as próprias células do sistema imunológico do paciente para torná-las resistentes à infecção, eliminando assim o gene CCR5.

Isto é o que foi feito com o novo paciente, chamado Trenton. Algumas das células do seu sangue foram removidas de seu corpo e tratadas com uma terapia genética desenvolvida pela Sangamo BioSciences. A terapia induziu as células a produzir proteínas chamadas zinc-finger nucleases, que podem prejudicar a ação do gene CCR5.


As células foram então infundidas de volta para o corpo do homem. Um mês depois, como parte do experimento, o paciente parou de tomar os medicamentos antivirais para 12 semanas. Como esperado, inicialmente, a quantidade de H.I.V. em seu sangue subiu. Mas, para surpresa dos médicos, a presença do H.I.V. caiu para um nível indetectável pouco antes do final do período de 12 semanas. A contagem de células imunológicas do paciente também disparou.


_ Eu me senti como o Superman _ disse Trenton em uma entrevista feita em condições de anonimato porque ele não contou a muitos amigos e parentes que tem HIV.


O médico Pablo Tebas, professor da Universidade da Pensilvânia e responsável pelo tratamento de Trenton, fez o seguinte comentário:


_ Ainda que seja apenas uma vitória individual, este é um resultado notável. Sabemos que a comunidade acadêmica ainda precisa avaliar o caso.


As primeiras reações acadêmicas foram de cautela:


_ O resultado é mesmo surpreendente. Mas o tempo da experiência foi curto. Ao fim de 12 semanas, você não pode dizer que esta terapia funciona e o paciente pode controlá-la por si mesmo _ avaliou Jeffrey Laurence, diretor da pesquisa sobre a Aids do laboratório do Weill Cornell Medical College.

Esta mesma terapia genética não funcionou tão bem para outros cinco outros pacientes, de acordo com resultados apresentados em setembro na Conferência de Interscience sobre Agentes Antimicrobianos e Quimioterapia.


Pesquisadores acreditam que o paciente Trenton apresentou melhor resultado porque ele tinha mutação herdada de um dos seus dois genes CCR5, tornando o trabalho mais fácil para a terapia genética. Até 13,5% das suas células CD4, as principais células imunes infectadas pelo HIV, não tinham as duas cópias do gene CCR5 após o tratamento. Isto é cerca do dobro observado em outros pacientes.


Ainda assim, no caso de Trenton, a grande maioria das células CD4 não foram geneticamente modificadas e mantiveram-se suscetíveis à infecção, tornando difícil compreender porque a terapia funcionou em todas elas.


Alguns cientistas sugeriram que libertar cerca de 10% de células CD4 da infecção pelo HIV pode permitir que o sistema imunológico controle o vírus. Os pesquisadores estão contemplando a perspectiva de aumentar a percentagem de células CCR5-deficientes em pacientes que não têm a mesma mutação genética do paciente Trenton.


Uma equipe da University of Southern California, e outra equipe de Calimmune e da Universidade da Califórnia, Los Angeles, estão trabalhando para desativar os genes CCR5 em células-tronco do sangue.


E, potencialmente, isto pode fazer todo o sistema imunológico permanentemente resistente à infecção, embora os pacientes necessitem de um transplante de células-tronco.


Os cétcos, porém, dizem que a cura funcional não iria oferecer muito além da terapia de antivirais já existente.


_ Qualquer abordagem que exija que a engenharia genética atue paciente-por-paciente é apenas completamente irrealista em termos da epidemia global _ avalia o médico Robert Siliciano, professor de medicina na Universidade Johns Hopkins.


Já David Margolis, da Universidade da Carolina do Norte, tem outra opinião:


_ Um tipo de terapia genética como essa, que suprime a carga viral por algum período de tempo, não é muito diferente de tomar um comprimido uma vez por dia.


Os dois pesquisadores, Dr. Siliciano e Dr. Margolis, estão num projeto de estudos que tenta erradicar o vírus do corpo. O desafio é que o H.I.V. pode permanecer latente no organismo por anos a fio. Um refúgio do vírus é a memória latente que está nas células-T, células de longa vida que "lembram" a exposição a um patógeno e ajudam a montar uma resposta imune se o mesmo germe invade o corpo, anos depois.


A esperança dos pesquisadores é que uma droga possa ativar o vírus latente e eliminá-lo do seu esconderijo. Um candidato a tornar-se este medicamento, que agora está sendo testado em um ensaio clínico pequeno, é vorinostat, vendido pela Merck para tratar um câncer raro. O vorinostat inverte um mecanismo que as células usam para silenciar genes. H.I.V. Acredita-se que tirar proveito desse mecanismo para se tornar dormente.


Outro candidato a tornar-se este medicamento, agora está sendo testado em primatas, é um anticorpo desenvolvido pela Merck para bloquear uma proteína chamada PD-1. Mas a cura por esterilização também seria um desafio.


_ O vírus HIV aloja-se no cérebro, no coração, no rim, em lotes de diferentes tecidos do corpo humano _ analisa o Dr. Jay Levy, virologista da Universidade da Califórnia, em San Francisco.


Assim, o vorinostat pode ativar não só o vírus, mas também genes que devem permanecer em silêncio, causando efeitos colaterais potencialmente perigosos. Ativar muitos vírus presentes na memória latente das células T poderia levar a uma reação exagerada e perigosa do sistema imunológico. E uma vez que as células e os vírus são despertados, ambos teriam que ser extintos.


Qualquer tentativa de cura deve ser muito segura, porque a maioria dos pacientes já se beneficia de drogas antivirais _ avalia Mark Harrington, diretor executivo do Treatment Action Group, organização política de investigação AIDS.


Ainda assim, Mr. Brown, o paciente de Berlim, está agora disposto a colaborar com os trabalhos que pesquisam uma cura. E o paciente Trenton, que voltou às drogas antivirais, disse que quer ser tratado novamente.


_ Eu me sinto como Oliver Twist no orfanato _ disse Trenton _ Estou com o prato vazio na mão, dizendo: 'Por favor, posso ter mais, senhor?"


FONTE: GLOBO.COM

segunda-feira, novembro 14, 2011

População desconhece o diabetes, diz estudo
















A doença é uma das que mais avança sobre a população mundial, porém, menos da metade dos entrevistados souberam dizer o que é diabetes

No Dia Mundial do Diabetes, lembrado nesta segunda-feira, o foco da campanha global, pelo terceiro ano seguido, é orientar a população para prevenir a doença. Um levantamento realizado pela SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes), com apoio da Bayer HealthCare, e participação de mais de 2.000 pessoas, aponta que a população ainda tem dúvidas sobre o que é o diabetes e como a doença pode ser controlada.


A pesquisa mostra que 85% dos entrevistados desconhecem ou subestimam o número de diabéticos no Brasil, sendo que 61% dos participantes acredita que existem cerca de 2 milhões de pessoas com diabetes no País.


De acordo com o endocrinologista e vice-presidente da SBD, Walter Minicucci, é fundamental que as pessoas sejam mais informadas sobre como prevenir e tratar o diabetes, mas, de acordo com o doutor, muitos têm contato com a doença, porém não sabem diferenciar os tipos ou como tratá-la.


Segundo dados da pesquisa, 38% dos entrevistados acreditam que o diabetes tem cura e menos da metade dos entrevistados, 49%, soube defini-la. E ,apenas 50% dos participantes afirmaram que um diabético pode levar uma vida normal.


O doutor alerta que caso o diabetes não for controlado adequadamente, pode acarretar complicações graves como retinopatia diabética – que pode causar perda visual definitiva –, catarata precoce, alteração da função renal que pode levar o paciente para a hemodiálise, alterações neurológicas que podem ocasionar dores em membros inferiores e atrofias musculares e complicações cardiovasculares (infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral). “Mas também é preciso lembrar que nada disto ocorrerá se o tratamento for efetivo e contínuo”, reforça o especialista.


O levantamento ainda aponta que 69% dos participantes demonstraram conhecimento sobre os fatores de risco do diabetes. Já 63% das pessoas disseram que conhecem alguém com a doença e, entre os que conhecem um diabético. Além disso, 49% disseram que a pessoa que tem a doença é membro de sua família; 51% dos entrevistados não sabiam diferenciar os tipos da doença (tipo 1, tipo 2 e diabetes gestacional).

FONTE: EBAND

terça-feira, maio 31, 2011

Descoberta da Aids completa 30 anos




O vírus HIV já provocou 30 milhões de mortes e mobilizou os médicos de todo mundo



A aids, uma doença ainda sem cura, foi descoberta há trinta anos e já provocou 30 milhões de mortes, transformou o mundo, gerou um investimento financeiro exemplar, uma mobilização de larga escala e avanços médicos espetaculares.

Há três décadas, no dia 5 de junho de 1981, o Centro de Controle de Doenças de Atlanta, nos Estados Unidos, descubriu em cinco jovens homossexuais uma estranha pneumonia que até então só afetava pessoas com o sistema imunológico muito debilitado.

Um mês depois, foi diagnosticado um câncer de pele em 26 homossexuais americanos e se começou a falar de "câncer gay". No ano seguinte, a doença foi batizada com o nome de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Sida), em inglês Aids.

Em 1983 uma equipe francesa isolou o vírus transmitido pelo sangue, secreções vaginais, leite materno ou sêmen, que ataca o sistema imunológico e expõe o paciente a "infecções oportunistas" como a tuberculose ou a pneumonia.

Estes 30 anos também foram uma época de grandes êxitos contra o vírus. Em 1996, com o desenvolvimento dos anti-retrovirais, a doença mortal passou a ser uma enfermidade crônica. O Fundo Mundial, criado em 2002, já distribuiu 22 bilhões de dólares em subsídios e um "programa de urgência" foi organizado nos Estados Unidos. "A Aids mudou o mundo; uma nova relação social foi criada entre os países do norte e do sul de maneira que nenhuma outra doença havia provocado", destacou Michel Sidibé, diretor da ONUAIDS.

À sua maneira, os doentes participam também da luta e se transformam em "pacientes experts", que relatam aos especialistas sua experiência, definem as necessidades e anotam os efeitos indesejáveis dos tratamentos, segundo Bruno Spira, presidente da associação Aides.

A Aids tem matado menos, no entanto ela não desaparece. Pelo contrário, o número de pessoas infectadas tem aumentado nos últimos anos, exigindo mais pesquisas, mais tratamentos e mais dinheiro. Por enquanto, apenas uma em cada três pessoas que necessitam de tratamento tem acesso às drogas. Ainda pior é que para cada duas pessoas que iniciam o tratamento, cinco outras pessoas são contaminadas.

Os esforços agora são direcionados para a prevenção com novos métodos: a circuncisão, que segundo pesquisas ainda não conclusivas podem diminuir as chances de contágio; um gel microbicida para as mulheres e o tratamento dos doentes que diminui em mais de 90% as chances de transmissão do vírus. No entanto, mesmo com 30 anos de pesquisas e muitos investimentos, ainda não há cura e a Aids está longe de ser vencida.

Sem contar o fato que, segundo o Fundo Mundial, os financiamentos previstos para os próximos anos são claramente inferiores às necessidades.Além disso, dois terços dos soropositivos no mundo desconhecem a própria doença e disseminam o vírus. Na França, por exemplo, uma pesquisa revelou que 18% dos clientes de bares e saunas gays estão contaminados e 20% destes desconhecem.

Socialmente, a Aids ainda é uma doença pouco comum, e muitos preferem ignorá-la. "Ainda assim, como há 30 anos, é difícil reconhecer uma 'doença vergonhosa', que não quer ser discutida mostrada falada e examinada", diz Bruno Spire, também portador do HIV."A Aids foi a maior epidemia do século XX e é a maior do século XXI", afirma por sua vez o professor Jean-François Delfraissy, da Agência de Pesquisa sobre a AIDS.
FONTE: saude.ig

Leia mais:

No Dia Mundial de Combate à Aids, saiba mitos e verdades sobre a doença

http://guebala.blogspot.com/2009/12/no-dia-mundial-de-combate-aids-saiba.html

terça-feira, novembro 09, 2010

Com coquetel, Unicef busca frear transmissão de HIV para bebês





Não é um grande avanço médico, apenas uma simples caixa colorida cheia de medicamentos contra o HIV, mas a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) espera que possa ajudar a finalmente interromper a transmissão do fatal vírus para os bebês.

O pacote mãe-bebê, chamado de "inovação para uma geração livre do HIV", será distribuído a 30 mil mulheres grávidas no Quênia, Camarões, Lesoto e Zâmbia a partir deste mês.

Ele contém todos os remédios e instruções necessários para proteger uma mãe infectada com o HIV e seu recém-nascido, mesmo se ela nunca visitar uma clínica novamente depois do nascimento, e até mesmo se não souber ler corretamente.

"Não precisamos de qualquer avanço científico ou nova tecnologia para combater esse problema", afirmou Jimmy Kolker, chefe dos segmentos de HIV e Aids no Unicef. "O que precisamos é de uma maneira de capacitar as mulheres a tomar conta de si mesmas."

Indícios nos países desenvolvidos, onde na atualidade praticamente não há transmissão do HIV (vírus da imunodeficiência humana) --que causa a transmissão da Aids-- de mães para bebês, mostram que, como Kolker disse, todos os medicamentos e atendimentos conhecidos já podem interromper a doença mundialmente.

Entregar os medicamentos certos, para as pessoas certas, na hora certa está provando ser a maior barreira para eliminar a transmissão do HIV de mães para filhos nos países mais pobres, uma meta que a ONU quer alcançar até 2015.

"No mundo desenvolvido, há atualmente poucos bebês nascidos com HIV positivo, mas na África ainda nascem mais de mil todos os dias", afirmou Kolker à Reuters em uma entrevista. Eliminar as transmissões hereditárias até 2015 é uma "meta ambiciosa", mas que pode ser alcançada com algumas novas ideias, disse.

Mais de 50% das mulheres com HIV positivo na África subsaariana em 2008 não tomaram os medicamentos necessários para impedir a transmissão do vírus para suas crianças, de acordo com dados do Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids).

O vírus está em cerca de 33,4 milhões de pessoas em todo o mundo, e 22,4 milhões delas vivem na África subsaariana.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) disse que cerca de 430 mil crianças foram infectadas com o vírus em 2008, a grande maioria delas por meio da transmissão de mãe para filho. Contudo, esse tipo de transmissão é evitável se os serviços corretos estiverem disponíveis para a população.

As crianças que nascem com o HIV enfrentarão a doença durante toda a vida e, se tiverem sorte, tomarão remédios por toda a vida. Na África, pelo menos metade delas morrerá antes do segundo aniversário caso não haja intervenção médica.

"Ainda estamos deixando de atender muitas mães que não voltam às clínicas, ou por que as clínicas têm poucos estoques de medicamentos, ou por que as mães não tomam os remédios quando deveriam", afirmou Kolker.

Com o custo aproximado de US$ 70 por caixa, o pacote tem a metade do preço da quantidade de medicamentos necessários por um ano para um bebê com HIV positivo, diz a Unicef.

"Tem um bom custo-benefício sob todos os pontos de vista", afirmou Kolker. "É algo que pode ser feito em vilarejos e acompanhado por um agende de saúde comunitário ou grupo de mães. Não precisa haver uma enfermeira ou de um médico acompanhando."

O projeto-piloto do Unicef nos quatro países, no valor de US$ 8 milhões, terá três fases, com cerca de 30 mil pacotes distribuídos em casa uma das fases, para atender a quase 100 mil mulheres até meados de 2011.

FONTE: FOLHA.COM